quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

O túmulo de Jesus

“Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo?
Não está aqui; ressuscitou!”
(Lc 24, 5-6)

Daqueles que não acreditam em Ti e na Tua Ressurreição...

Daqueles que não respeitam o Teu Nome, nem a Tua Igreja...

De todos nós...

Senhor, tem compaixão!

Foto: Túmulo vazio de Cristo na Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Viver o deserto

A Quaresma, entre outros sentidos, recorda os 40 dias de Jesus no deserto, 40 dias de solidão, de silêncio e de oração.

Na Sagrada Escritura, este local inóspito aparece como lugar que permite a revelação de Deus, como aconteceu com Moisés e Elias.
Se a Igreja não nos pede para partir para o deserto como Cristo, podemos no entanto, no meio dos homens, permanecendo em contacto com eles, procurar também nós, viver o “deserto”, na oração, solidão, e fazer silêncio de realidades inúteis ou secundárias.
Jesus é o melhor exemplo para viver tudo isso. Muitas vezes, procurou a solidão e o silêncio, afastando-se dos amigos e das multidões, para poder falar a sós com o Pai, e pediu aos seus discípulos para também fazê-lo…”quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta”. (Lc 6,6)

Viver a Quaresma neste espírito do “deserto”, pode ser uma maneira de voltar a dar um carácter sério e sagrado à palavra. É bom fazer ascese de palavras, disciplinar aquilo que proferimos, para conseguir a harmonia pessoal, com Deus e o próximo, que procuramos alcançar neste tempo tão especial.
A nossa palavra inconsciente ou falsa pode ter consequências desastrosas, mas se ela for verdadeira, coerente com aquilo que acreditamos, ela pode transformar-se num testemunho vivo, numa semente de algo para descobrir para quem a ouvir. Afinal, “o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus”. (Mt 4,4)

Na nossa cultura moderna, a beleza da interioridade, que a solidão, o silêncio e a oração constroem, desaparece facilmente.
É-nos imposto uma necessidade constante de ruído. Quantas pessoas não ligam a televisão ou o rádio para não se sentirem só. O silêncio é visto como algo negativo, como ausência de algo, e não como algo para saborear, uma presença, condição para qualquer presença verdadeira.
O mundo silencioso não é um mundo vazio, mas oferece-nos a possibilidade de nos concentrar e ter uma vida interior…uma vida de intimidade que nos abra para Deus.

Meditemos as palavras que D. Jorge, Arcebispo de Braga, dirigiu aos cristãos na sua mensagem para a Quaresma:
“A solidão proporciona um encontro com o eu, com a Palavra meditada, com a análise serena dos acontecimentos da vida, com a companhia de um bom livro… (…)
Sugiro por isso, uma Quaresma de espaços de deserto onde se deixam as preocupações quotidianas e, com mais ou menos tempo, me encontro comigo ouvindo o silêncio interior.”


“Silencie-se diante deste Deus grandioso pois...
a linguagem que Ele mais ouve é a do amor silencioso.”
Santa Teresa de Jesus

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Redescobrir nesta Quaresma

Como aplicar os ensinamentos da Igreja sobre a Quaresma, e como a Quaresma pode influenciar realmente, e não somente exteriormente, a nossa existência?

Vivemos hoje numa sociedade mais urbana, até as aldeias vivem ao ritmo citadino, uma sociedade tecnológica, plural nas crenças religiosas e secular na sua visão do mundo.
A Quaresma já não é tão “visível”como noutros tempos.

No entanto, a Igreja convida-nos a encontrar outro ritmo, outro estilo de vida que se sintonizam com os objectivos deste tempo quaresmal…encontrar uma força espiritual na realidade quotidiana da nossa existência.

A Quaresma pode assim ser um momento privilegiado na procura do sentido, como vocação e apelo de Deus, da vida profissional, da relação com os outros, da amizade, da responsabilidade. Não existe nenhuma profissão, nenhuma vocação que não possa ser transformada, não em termos de maior eficácia ou melhor organização, mas em termos humanos.

Se a Quaresma pode ser para o homem uma redescoberta de ele próprio e da sua vida, ela deve ser ainda mais redescoberta da sua fé, do seu sentido divino e sagrado.
Será certamente neste contexto que se situa o verdadeiro sentido do jejum…muito debatido nos blogs e sites católicos neste início de Quaresma.

Eis algumas reflexões que surgiram das minhas leituras sobre o tema.
Abstendo-nos do alimento, redescobrimos a sua doçura e fineza que os excessos, a gula e a glutonaria destroem.
Reaprendemos a recebê-lo de Deus com alegria e gratidão, Ele que criou o alimento dos homens, “fruto da terra e do seu trabalho para que se tornem pão de vida.”
O alimento não é o único aspecto da vida do homem sujeito ao jejum. A música, o tempo frente à televisão, computador, Internet, os divertimentos, as conversações superficiais devem também ser reduzidos, redescobrindo assim o valor verdadeiro das relações humanas, do trabalho do homem e da sua arte.
E tudo isso é redescoberto porque redescobrimos o próprio Deus. Voltaremos, pela oração e na relação íntima de Pai e filho, para Ele, e n’Ele, a tudo o que Ele nos deu no seu amor.

Convido cada um, neste grande potencial do conhecimento que é a Internet, a procurar lindos textos sobre o valor e a riqueza do jejum e da ascese cristã como meditações quaresmais…ajudarão certamente todos os que têm sede de Deus a preparar ao longo destes 40 dias a grande festa da Páscoa.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Senhor Jesus, contigo irei ao deserto

Senhor Jesus, contigo irei ao deserto,
impelido como Tu pelo Espírito.


Como Tu,
durante quarenta dias,
jejuarei aquilo que não é essencial na minha vida,
para comer a tua Palavra,
porque está escrito:
“Nem só de pão vive o homem,
mas de toda palavra que sai da boca de Deus.”

Como Tu,
deixarei os deuses do mundo:
o poder, o dinheiro, a fama,
para me prostrar diante do Pai,
porque está escrito:
“Ao Senhor teu Deus adorarás,
só a Ele prestarás culto.”

Como Tu,
renunciarei à minha vontade,
não desafiarei o Pai,
mas abandonar-me-ei nas suas mãos,
porque está mandado:
“Não tentarás o Senhor teu Deus”,
afinal, Ele sabe o que é melhor para mim.

Senhor Jesus, contigo irei ao deserto,
impelido como Tu pelo Espírito.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

O crucifixo

A Quaresma é “um tempo de exercitar o amor a Deus e aos outros de maneira mais intensa. Neste ano, o Santo Padre recomenda que fixemos o Crucifixo: ‘Hão-de olhar para Aquele que trespassaram.’ (Jo 19, 37)


O Crucifixo pode ser visto do nosso lado de pecadores, de baixo para cima, e pode ser visto do outro lado, do lado de Deus, de cima para baixo. Fomos educados a ler a crucifixão de Jesus do lado humano, confessando que Jesus morreu por nossa causa, vítima dos nossos pecados. O Papa recomenda que neste ano a vejamos do outro lado, do lado de Deus, reconhecendo o amor que Deus nos tem, maior que os nossos pecados. (…)
Nesta Quaresma, peço aos párocos que coloquem em relevo na igreja um Crucifixo estimado pelo povo, adornem-no de modo conveniente, afectivamente. Os pais façam o mesmo em suas casas.
Haja um esforço de atenção ao fazer o Sinal da Cruz cujas palavras unem o mistério da Cruz à Trindade, tornando assim claro que no amor de Jesus Crucificado se reflecte o amor do Pai e do Espírito Santo.”


Mensagem para a Quaresma de D. Joaquim Gonçalves, Bispo de Vila Real

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Conversão quaresmal

“Empreendemos, de facto, o caminho da Quaresma, tempo de escuta da Palavra de Deus, de oração e de penitência. São quarenta dias nos quais a liturgia nos ajudará a reviver as fases destacadas do mistério da salvação. (…)
A Quaresma é uma oportunidade para «voltar a ser» cristãos, através de um processo constante de mudança interior e de avanço no conhecimento e no amor de Cristo. A conversão não acontece nunca de uma vez por todas, mas que é um processo, um caminho interior de toda nossa vida. (…)
Mas, o que é, na verdade, converter-se? Converter-se quer dizer buscar Deus, caminhar com Deus, seguir docilmente os ensinamentos de seu Filho Jesus Cristo. (…)
Conversão consiste em aceitar livremente e com amor que dependemos totalmente de Deus, nosso verdadeiro Criador... que dependemos do amor. (...)
Converter-se significa, portanto, não perseguir o êxito pessoal, que é algo que passa, mas, abandonando toda segurança humana, seguir com simplicidade e confiança o Senhor, para que Jesus se converta para cada um, como gostava de dizer a beata Teresa de Calcutá, em «meu tudo em tudo». (...)
A liturgia quaresmal, ao convidar-nos a reflectir e rezar, estimula-nos a valorizar mais a penitência e o sacrifício, para rejeitar o pecado e o mal e vencer o egoísmo e a indiferença. A oração, o jejum e a penitência, as obras de caridade para os irmãos se convertem, deste modo, em caminhos espirituais que devem ser percorridos para voltar a Deus em resposta aos repetidos chamados à conversão. (…)
Que a Virgem Maria, que após ter compartilhado a paixão dolorosa de seu Filho divino, experimentou a alegria da ressurreição, acompanhe-nos nesta Quaresma rumo ao mistério da Páscoa, revelação suprema do amor de Deus.
Boa Quaresma a todos!”


Bento XVI na audiência de Quarta-Feira de Cinzas 2007

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Quarta-feira de Cinzas


"Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar"

"Arrependei-vos e acreditai no Evangelho"

Quaresma

O ano passado, no quadro da actividade pastoral da minha paróquia, foi distribuido uma pagela sobre o tempo da Quaresma que ajudou certamente aqueles que a leram a lembrar, ou para alguns descobrir, o sentido e como viver este tempo litúrgico que marca fortemente a vida dos cristãos. Para vos ajudar...

1. O que é a Quaresma?
O tempo da Quaresma é o período de 40 dias, ao longo dos quais a Igreja propõe aos fiéis o exemplo de Cristo no deserto, e convida-os a preparar, com espírito de penitência, a celebração da Páscoa.

2. O que é a penitência?
A penitência é o conjunto de actos interiores e exteriores de uma pessoa, em visto à reparação dos pecados cometidos e à mudança de vida.

3. Como se manifesta a penitência?
A Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja recomendam o jejum, a oração e a esmola como formas de penitência.

4. Quais são os dias e tempos de penitência?
Todas as 6ª-feiras do ano e o tempo da Quaresma.

5. Quando ocorre a Quaresma?
A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina antes da Missa da Ceia do Senhor (5ª-feira Santa).

6. O que é a Quarta-feira de Cinzas?
É o início da Quaresma, dia de jejum e abstinência, no qual se recebe na Missa, as cinzas dos ramos benzidos no Domingo de Ramos do ano precedente.

7. O que simbolizam as cinzas?
As cinzas simbolizam a condição mortal e pecadora de quem as recebe, e que com humildade e sinceridade de coração, deseja converter-se e acreditar no Evangelho.

8. Quais são os frutos de uma “boa” Quaresma?
Se a Quaresma for bem vivida, consegue-se uma verdadeira conversão e a melhor preparação para a celebração da festa mais importante do ano: a Páscoa da Ressurreição do Senhor.

9. O que é a conversão?
A conversão é a reconciliação com Deus, que exige o arrependimento, a confissão dos pecados e o firme propósito de mudar tudo o que não agrada a Deus.

10. Como conseguir a conversão?
1- Aproximar-se do Sacramento da Reconciliação (ou Penitência) e fazer uma boa confissão.
2- Ultrapassar as discórdias pelo perdão e crescer no espírito fraterno.
3- Praticar as Obras de Misericórdia.

11. Quais são as obrigações de um católico na Quaresma?
O cristão católico deve cumprir o preceito do jejum e da abstinência, a confissão e a comunhão anual.

12. Em que consiste o jejum?
O jejum consiste em fazer uma única refeição diária, e uma alimentação ligeira às horas das outras refeições.
A lei do jejum é obrigatória em 4ª-feira de Cinzas e na 6ª-feira Santa, para todos os maiores de idade até aos 59 anos. Os doentes estão dispensados.

13. Em que consiste a abstinência?
A abstinência consiste em escolher uma alimentação simples e pobre, e renunciar ao luxo e ao esbanjamento. Tradicionalmente (e recomendável), a abstinência é de carne, mas poderá ser substituída pela privação de outros alimentos e bebidas. A partir dos 14 anos, todos os fiéis são obrigados a cumprir a lei da abstinência à 6ª-feira.

15. Recomenda-se juntar ao jejum, as outras formas de penitência?
É aconselhável aos cristãos não limitar-se a uma só forma de penitência mas antes a praticá-las todas, pois o jejum, a oração e a esmola completam-se em ordem à caridade.

16. Como cumprir o preceito penitencial na oração?
Através de exercícios de oração mais prolongados e generosos, tais como: a Via-Sacra, o Rosário, a participação na Missa, a leitura prolongada da Bíblia...

17. E o que se refere à esmola?
Pode-se cumprir este preceito através da partilha de bens materiais com quem necessita, segundo as posses de cada um, significando uma verdadeira renúncia a algo que se tem ou a gastos dispensáveis (tabaco, álcool etc...). A Sagrada Escritura diz-nos: “A caridade cobre uma multidão de pecados” (1Ped 4, 8)

18. A Quaresma, a penitência, o jejum, a oração, a esmola serão assim tão necessários?
A Igreja pede aos fiéis de fazer penitência, não para castigá-los, mas para ajudá-los a mudar. É uma maneira de convidá-los a deixar o orgulho, o egoísmo e a discórdia que impedem a comunhão com Deus e com o próximo.
A Quaresma é assim o tempo ideal para fazer surgir em nós o homem novo que nasce da morte e ressurreição de Cristo.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

O pastorinho Francisco

O cristão é um discípulo de Cristo em constante conversão.
Ele necessita de arrepender-se, mudar, melhorar, conformar continuamente a sua vida ao Evangelho, para assim amar verdadeiramente a Deus e ao próximo como a si próprio.

Foi na escola de Maria e do seu Rosário que, ao sair da adolescência, despertei para um compromisso mais sério com Cristo…foi a mão da Mãe que me empurrou para um seguimento mais consciente do Filho. A mensagem da Virgem em Fátima, por ser realmente evangélica, mudou e continua a mudar minha e muitas outras vidas.

Noutros tempos, a vida de três crianças, Francisco, Jacinta e Lúcia também “converteu-se”, transformou-se com as aparições e palavras da Mãe de Jesus, “vestida de branco, mais brilhante que o sol”.
Muitos cristãos têm um afecto profundo por Maria, com o título de “Senhora de Fátima”, e pelos pastorinhos. Permitam-me confidenciar-lhes que, entre os três primos, nutro uma estima especial para o Francisco, por ser um pouco parecido com ele, e sobretudo pelo exemplo que ele é (não desprezando as outras duas videntes).
O pastorinho, dócil e condescendente, era sensível à beleza da natureza, deleitava-se com a solidão dos montes e ficava extasiado perante o nascer e pôr-do-sol.
Chamava ao astro rei, “candeia de Nosso Senhor” e enchia-se de alegria ao aparecerem as estrelas, “candeias dos Anjos”, e a Lua, “candeia de Nossa Senhora”. Ele foi como outro Francisco, o de Assis, um amante das criaturas do céu e da terra.
O que mais impressionava o pastorinho, e o absorvia nas aparições, era Deus na “luz imensa que ardia mas não queimava”, que penetrava o seu íntimo e o das outras duas crianças. Só a ele porém, Deus se dera a conhecer “tão triste”. Desde então viveu movido pelo único desejo de “consolar e dar alegria a Jesus”.
Frequentemente escondia-se atrás das árvores para rezar sozinho. Subia outras vezes para lugares mais elevados e solitários para se entregar à uma intensa oração que o separava do resto do mundo…pois, nem ouvia as vozes dos que o chamavam, chegando assim a uma verdadeira forma de união mística com o Senhor.
Ele era um contemplador da presença de Cristo na Eucaristia, e passava muito tempo diante do sacrário, adorando o Santíssimo Sacramento que chamava ternamente “Jesus escondido”.
Na sua vida, que foi breve (1908-1919), Francisco não se limitou apenas a ser um mensageiro da oração e da penitência, mas conformou a sua vida, mais com os gestos do que com as palavras, com a mensagem que ele anunciou. Ele foi um verdadeiro testemunha…ele é um exemplo a seguir para as crianças e pelos adultos.

Enquanto Jacinta parecia preocupada com o único pensamento de converter pecadores e livrar as almas do Inferno, ele (Francisco) parecia só pensar em consolar Nosso Senhor e Nossa Senhora, que lhe tinha parecido estarem tão tristes.”

Irmã Lúcia

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

O Evangelho da Vida e os bispos

"O debate do referendo esteve centrado na justeza de um projecto de lei que, ao procurar despenalizar, acaba por legalizar o aborto. A partir de agora o nosso combate pela vida humana tem de visar, com mais intensidade e novos meios, os objectivos de sempre: ajudar as pessoas, esclarecer as consciências, criar condições para evitar o recurso ao aborto, legal ou clandestino.(…)
A mudança de mentalidade interpela a nossa missão evangelizadora, de modo particular a evangelização dos jovens, das famílias e dos novos dinamismos sociais. Toda a missão da Igreja tem de ser, cada vez mais, pensada para um novo contexto da sociedade. São necessárias: criatividade e ousadia, na fidelidade à missão da Igreja e às verdades evangélicas que a norteiam.(...)
A luta pela vida, pela dignificação de toda a vida humana, é uma das mais nobres tarefas civilizacionais. Não será o novo contexto legal que nos enfraquecerá no prosseguimento desta luta. A Igreja continuará fiel à sua missão de anúncio do Evangelho da vida em plenitude e de denúncia dos atentados contra a vida."

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Reflexão sobre a amizade

A Sandra do blog Teologar, convidou-me para falar sobre a amizade…preferia estar convosco à volta de uma chávena de café num sítio agradável a “tertuliar” sobre o tema, mas sendo muito difícil concretizar tal objectivo, vai aí as minhas reflexões sobre a amizade.

Amizade...lembrei-me logo de um versículo da Bíblia: “ Um amigo fiel é uma poderosa protecção, quem o encontrou, descobriu um tesouro.” (Ecli 6, 14)
De facto, a amizade é algo de valioso para o homem, e como um tesouro, não está em todos os cantos de rua…temos que procurá-la, ou então, sai-nos a sorte grande, e ela vem ter connosco.
Um amigo é alguém que estimamos, em quem confiamos, sobre o qual podemos contar nas horas boas e nas horas más, um protector mas também um conselheiro…ora isso, não é propriamente fácil de encontrar, mas quando o descobrimos, como qualquer relação humana, é necessário trabalhar, valorizar, conservar, "manter a ligação".
Como o amor, ninguém imagina viver sem a amizade, alias, a amizade é uma das muitas manifestações do amor. Também, na amizade, ama-se e deseja-se ser amado, de maneira diferente do que em relação a um pai, uma mãe, namorado(a), esposo(a)…mas também é amor. Há quem diz que “a amizade é o casamento de dois seres que não podem dormir juntos.” (Jules Renard)
No Evangelho deste domingo, Jesus convida-nos a ultrapassar uma amizade “normal”, correspondida: “Sou teu amigo. Dás-me a tua amizade”.

Ele diz: “Se amais aqueles que vos amam (…) Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. Vós, porém, amai os vossos inimigos.”(Lc 6, 32-33.35)
Como sempre, o Mestre exige aquilo que nos parece ilógico ou impossível…não ser só amigo dos amigos, mas também dos inimigos. Isso vai ao encontro daquilo que nos rodeia, da forma de pensar do nosso mundo que experimentamos todos os dias.
Mas, mais uma vez, o que interessa para quem acredita nestas palavras da Verdade, é segui-las por amor Áquele que as proclamou. O que importa, é fazer tudo para nos reconhecermos nestes versículos do Evangelho segundo São João: “Vós sereis meus amigos se fizerdes o que vos mando. Já não vos chamo servos…chamo-vos amigos” (Jo 15,14-15).
Quereis um exemplo disso? A amizade como alicerce da comunicação do amor entre os homens, permitiu a comunicação daquilo que houve de mais importante para o beato Carlos de Foucauld…a sua amizade com Jesus. Este irmão universal adoptou a amizade como centro do seu trabalho apostólico. Quando experimentou a amizade com Cristo, não pôde apresentá-lo aos outros senão na mesma experiência da amizade. Anunciou o Evangelho as populações do deserto Saara com, na, e pela a amizade.

Porque então não aceitar o desafio que Jesus nos coloca, vivendo a amizade com todos por amor por Ele?

A amizade de Jesus e de Carlos de Foucauld


A minha reflexão sendo exposta, tenho que escolher 5 pessoas para também elas exprimirem-se sobre a amizade.
Os 3 primeiros foram escolhidos à sorte em blogues linkados no meu...abrindo-me assim ao conhecimento de novas pessoas neste mundo virtual.
Os dois últimos são "visitadores e visitados" frequentes do "Sede de Deus"

Marcos e Lai
Daqui
Vilma
Pe. Vítor Magalhães
Joana

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Amar, olhar, falar, estar


“Quando se ama, deseja-se falar sem cessar à pessoa amada, ou pelo menos olhá-la sempre, a oração não é senão isso: a conversação familiar com o Bem Amado. Olha-se para Ele, dizendo que Ele é amado, goza-se de estar a seus pés, dizendo que se deseja aí viver e aí morrer.”

Beato Carlos de Foucauld

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

A Presença de Deus

“A prática mais santa e mais necessária na vida espiritual é a Presença de Deus.
É agradar e acostumar-se na divina companhia, detendo-se amorosamente com Ele em todo o tempo, em todos os momentos, sem regras nem medida, sobretudo na hora da tentação, da tristeza, da aridez, do desgosto e mesmo da infidelidade e do pecado.”

“Devemos durante o nosso trabalho e as outras acções, até durante as nossas leituras e redacções, mesmo espirituais, e digo mais: durante as nossas devoções exteriores e orações vocais, parar algum tempo, o mais frequente que possamos, para adorar a Deus no fundo do nosso coração, saboreá-Lo de passagem, fortuitamente. Porque sabeis que Deus está presente diante de vós durante as vossas acções, que Ele está no fundo e no centro da vossa alma, porque não cessar ao menos de tempo a tempo as vossas ocupações exteriores, e mesmo as vossas orações vocais, para adorá-Lo interiormente, louvá-Lo, suplicá-Lo, oferecer-Lhe o vosso coração e agradecer-Lhe? Que mais pode haver de mais agradável a Deus do que deixar assim, inúmeras vezes ao dia, todas as criaturas, para se retirar e adorá-Lo no seu interior…para gozar um só instante o Criador? Pois assim destrói-se o amor-próprio, que não pode senão sobreviver no meio das criaturas, de que estes regressos interiores a Deus nos livram insensivelmente!”



“Será conveniente para aqueles que iniciam esta prática, de formular interiormente algumas palavras, como: ‘Meu Deus, sou todo vosso’; ‘Deus de amor, amo-Vos de todo o meu coração’; ‘Senhor, conformai-me ao vosso Coração’ ou qualquer outra palavra que o amor produzirá na hora.”

“Pela Presença de Deus e por este olhar interior, a alma familiariza-se com Deus de tal maneira que ela passa quase todo o seu tempo em actos contínuos de amor, de adoração, de contrição, de confiança, de acção de graças, de oferenda, de súplica e das mais excelentes virtudes. Às vezes, até chega a ser um único acto que não acaba mais, porque a alma está sempre num exercício contínuo desta divina Presença.“

“A presença de Deus é a vida e o alimento da alma, que se pode alcançar com a graça de Deus.”


Ensinamentos do Irmão Lourenço da Ressurreição
A sua vida

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Valentim, Cirilo, Metódio e companhia

Hoje, um pouco por todo o mundo, é festejado o Dia dos Namorados, o Dia de São Valentim (provavelmente um mártir romano do século III que celebrava casamentos às escondidas).
Quer queiramos, quer não, em Portugal, esta efeméride é essencialmente uma festa importada e comercial. O nosso país não tem tradições vincadas à volta do 14 de Fevereiro como outras nações (França e Inglaterra).
Mas a intenção de tal celebração tem o seu lado positivo. Afinal, trata-se de comemorar o amor entre duas pessoas, que acreditam e desejam a construção de um futuro comum.



No entanto, no calendário litúrgico da Igreja, assinale-se hoje, a festa de São Cirilo e São Metódio, dois irmãos que pregaram o Evangelho nas sociedades eslavas do século IX, inventando o alfabeto cirílico para anunciar Cristo. Foram proclamados por João Paulo II, co-padroeiros da Europa, juntando-se assim a São Bento.
Pouco tempo depois, Santa Brígida de Suécia, Santa Catarina de Sena e Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) reuniram-se aos três santos homens no patronato do Velho Continente.
Estes dois irmãos eslavos representam assim o segundo pulmão da Igreja na Europa…uma Europa que até bem pouco tempo estava dividida, mas que agora, se une na sua diversidade, em aspectos económicos, sociais, culturais e também religiosos, enriquecendo e inspirando assim de um novo alento um continente inteiro.

No nosso Velho Continente que parece esvaziar-se dos valores cristãos, é bom recordar as palavras de João Paulo II, que há uns anos atrás, desafiava a Europa a não temer a voz do Evangelho que interpela os corações :

“Não temas! O Evangelho não é contra ti, mas a teu favor. Confirma-o a constatação de que a inspiração cristã pode transformar a agregação política, cultural e económica numa convivência onde todos os europeus se sintam em casa própria e formem uma família de nações, na qual se possam frutuosamente inspirar outras regiões do mundo.

Tem confiança! No Evangelho, que é Jesus, encontrarás a esperança sólida e duradoura por que anseias. É uma esperança fundada na vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Esta vitória, quis Ele que te pertencesse para tua salvação e alegria.

Podes estar certa! O Evangelho da esperança não desilude! Nas vicissitudes da história de ontem e de hoje, é luz que ilumina e orienta o teu caminho; é força que te sustenta nas provações; é profecia de um mundo novo; é indicação de um novo início; é convite a todos, crentes e não crentes, para traçarem caminhos sempre novos que desemboquem na «Europa do espírito» a fim de fazer dela uma verdadeira «casa comum» onde haja alegria de viver.”


(Exortação Apostólica “Ecclesia in Europa”)

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

As contas na mão

Podemos pensar que o Rosário “é a fórmula de oração vocal que a todos, em geral, mais nos convém, e da qual devemos ter sumo apreço e na qual devemos pôr o no melhor empenho para nunca a deixar. Porque melhor do que ninguém, sabem Deus e Nossa Senhora aquilo que mais nos convém e de que temos mais necessidade. E será um meio poderoso para nos ajudar a conservar a fé, a esperança e a caridade.
Mesmo para as pessoas que não sabem ou não são capazes de recolher o espírito a meditar, o simples acto de tomar as contas na mão para rezar é já um lembrar-se de Deus, e o mencionar em cada dezena um mistério da vida de Cristo é já recordá-los, e esta recordação deixará acesa nas almas a terna luz da fé que sustenta a mecha que ainda fumega, não permitindo assim que se extinga de todo.”


Irmã Lúcia – Apelos da mensagem de Fátima
Hoje, 2º aniversário da morte da Irmã.

Uma opinião após o referendo

  • Mea culpa, mea culpa / Blog: Que é a verdade?
  • segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

    Rosto de: Lourenço da Ressurreição

    Há pessoas que nos dizem muito. Se calhar, não dizem nada ao resto do mundo, mas para nós, elas são fonte de inspiração. Num post anterior, já tinha partilhado convosco a minha admiração pelo irmão universal, o Beato Carlos de Foucauld...hoje, apresento-vos um irmão carmelita, Lourenço da Ressurreição, que experimentou a Presença de Deus na vida do dia a dia. Ele fez dos pequenos actos e pensamentos quotidianos um encontro com o seu e meu Senhor.



    Nicolau Herman (Lourenço da Ressurreição), nasceu em 1614, em Hériménil, Lorena (actual região do mesmo nome do Nordeste Francês), numa família profundamente cristã.

    Aos 18 anos, num dia de Inverno, olhando a natureza despojada, pensando que dentro de pouco tempo as árvores desfolhadas voltariam a florescer, Nicolau é iluminado por uma evidência e uma simplicidade imediatas, percebendo que na base desse processo anual, existe um Ser pessoal, inteligente e cheio de amor. Então, a sua fé em Deus se personifica, recebendo essa graça da Providência e do poder de Deus, que admitirá mais tarde, nunca se ter apagado de sua alma.

    Este mesmo ano, a Lorena era ocupada pela França, e o Duque Carlos IV, expulso do seu país, juntou tropas para reconquistar as suas terras. Nicolau alistou-se no exército do Duque de Lorena. Nessa Guerra de Trinta Anos, tristemente célebre pela crueldade desumana, os soldados não recuavam diante de pilhagens ou qualquer género de violência. Mais tarde, Nicolau lastimará o seu passado, deplorando os seus pecados diante de Deus. Se ignoramos naquilo que consistiam verdadeiramente, o que é certo é que a precedente graça tinha desaparecido da sua vida. Duas vezes se encontrará diante da morte; finalmente uma ferida o obrigará a deixar as armas aos 21 anos.

    O tempo da cura para o corpo, foi-o também para a alma; e a experiência vivida aos 18 anos voltou à tona. Então resolveu entregar-se a Deus e mudar a conduta passada. Adoptou algum tempo a vida de eremita com outro companheiro. Mas, desconcertado ao ver que ele passava da alegria à tristeza, da paz à tribulação, do fervor à ausência de devoção, não perseverou neste caminho. Foi então para Paris onde foi mordomo na casa do senhor Fieubert, onde ele dirá ter sido “um pesadão que quebrava tudo.”

    É aí que o Convento dos Carmelitas da rua Vaugirard (hoje, Instituto Católico) começou a atraí-lo; e mais, um dos seus tios era da Ordem. Nicolau decide aos 26 anos pedir a entrada como irmão converso (não sacerdote), e tomou por nome Irmão Lourenço da Ressurreição. Lourenço era o nome do santo patrono da sua paróquia natal; Ressurreição lhe recordara talvez o renascimento da árvore despojada a quando dos seus 18 anos.

    Primeiro, foi cozinheiro ao longo de 15 anos, depois sapateiro do seu convento; após dez anos de penosa caminhada, num sentimento doloroso por causa dos seus pecados, um acto de abandono determinante o liberta, e pouco a pouco, faz-o encontrar o seu próprio caminho espiritual: viver o trabalho como tempo de oração, as tristezas, como as alegrias, na “Presença de Deus”; transformando todas as suas ocupações à “maneira de pequenas conversas com Deus, sem prever, como calhar…sem necessidade de delicadezas, estar com bondade e simplicidade.” O único método da vida espiritual do Irmão Lourenço foi de certo modo o exercício da Presença de Deus que consistiu em “agradar e acostumar-se na divina companhia, detendo-se amorosamente com Ele em todo o tempo.” Assim, a alma é conduzida “insensivelmente a este simples olhar, a esta visão amorosa de Deus em tudo, que é a mais santa e mais eficaz maneira de oração.” “Na via de Deus, os pensamentos são tidos em conta como pouco, o amor faz tudo.” O encanto do Irmão Lourenço atrai numerosas pessoas que lhe vem pedir conselhos: é assim que as suas cartas ou notas dados oralmente chegaram até nós.

    No início de 1691, o Irmão Lourenço adoece. Como o seu mal aumentava, deram-lhe o Sacramento dos Enfermos. A um religioso que lhe perguntara o que ele fazia e com que ocupava o seu espírito, ele respondeu: “Faço o que farei na eternidade, bendigo a Deus, louvo a Deus, adoro e amo-O de todo o coração, eis o nosso trabalho, meus irmãos, adorar a Deus e amá-l’O, sem se preocupar do resto.” Depois, com a paz e a tranquilidade de alguém que adormece, o Irmão Lourenço morre em 12 de Fevereiro de 1691, aos 77 anos.

    Pouco tempo depois, o abade José de Beaufort, vigário geral do cardeal de Noailles, e amigo do carmelita sapateiro ao longo de um quarto de século, fez conhecer a mensagem de Lourenço em duas obras biográficas que, em 1991, foram publicadas numa edição crítica. Selado com o selo da simplicidade e da verdade, essa mensagem não envelheceu em três séculos.

    A prática da Presença de Deus, como maneira orante, aconselhada pelo Irmão Lourenço, valeu-lhe uma irradiação inter-confessional. A sua espiritualidade do dever de estado faz com que todos os estados de vida nele se encontrem. Se a sua insistência sobre as virtudes teologais, fé, esperança e caridade, lembram os ensinamentos de São João da Cruz, a locução de Lourenço denuncia uma familiaridade com Santa Teresa de Jesus, recordando em particular a “oração recolhida, de meditação”. Enfim, o quietismo não teve nenhuma influência nele: o seu abandono confiante inscreve-se na colaboração da alma à obra divina, e, a ascese como meio de dispor o corpo e o espírito ao encontro do Deus vivo.


    Tradução da biografia de Lourenço da Ressurreição - Site do Carmelo de França



    Irmão Lourenço da Ressurreição,
    encontraste Deus no trabalho da tua cozinha.
    Fostes para quem te conhecia
    uma testemunha luminosa de Deus vivo e próximo.
    Intercede (pela graça),
    e roga ao Senhor para que, como tu,
    eu toma consciência da sua Presença amada,
    fazendo as pequenas coisas do meu dia
    no seu amor e por aqueles que me rodeiam.
    Ámen.

    sábado, 10 de fevereiro de 2007

    XV Dia mundial do doente

    “No dia 11 de Fevereiro de 2007, quando a Igreja celebra a memória litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes, será comemorado em Seul, na Coreia, o XV Dia Mundial do Doente. (…)
    Gostaria de encorajar os esforços envidados por aqueles que trabalham diariamente para assegurar que os enfermos incuráveis e terminais, juntamente com as respectivas famílias, recebam o adequado cuidado amoroso. Seguindo o exemplo do Bom Samaritano, a Igreja manifestou sempre a sua especial solicitude pelos enfermos. Através dos seus membros individualmente e das suas instituições, ela continua a estar ao lado dos que sofrem e a assistir os moribundos, enquanto procura salvaguardar a sua dignidade nestes momentos significativos da existência humana. (…)
    Agora dirijo-me a vós, meus queridos irmãos e minhas amadas irmãs que sofreis de doenças incuráveis e terminais. Encorajo-vos a contemplar os sofrimentos de Cristo crucificado e, em união com Ele, a dirigir-vos ao Pai com completa confiança de que toda a vida e de maneira particular as vossas vidas estão as suas mãos. Tende a certeza de que os vossos sofrimentos, unidos aos de Cristo, hão-de ser úteis para as necessidades da Igreja e do mundo. Peço ao Senhor que fortaleça a vossa fé no seu amor, de forma especial durante estes momentos de prova que vós estais a experimentar. (…)
    Que a Bem-Aventurada Virgem, nossa Mãe, conforte as pessoas que estão doente e assista todos aqueles que têm dedicado a própria vida, como Bons Samaritanos, para curar as feridas físicas e espirituais de quem sofre.”



    Bento XVI (mensagem para o XV Dia mundial do doente)




    Neste mês de Fevereiro, a Igreja invoca a Mãe de Deus com o título de Nossa Senhora de Lurdes. Há 149 anos, a Virgem Maria apareceu à uma jovem pastora, Bernadeta Soubirous, na gruta de Massabielle, em Lurdes, na França. A primeira aparição aconteceu no dia 11 de Fevereiro de 1858, e sucederam mais outras 17.

    Desde então, cresceu a devoção dos fiéis a Nossa Senhora de Lurdes, que se revelou como a “Imaculado Conceição”, e que por meio da jovem Bernadeta, pediu ao mundo, oração e penitência . A gruta de Lurdes tornou-se um centro de peregrinação e de oração constantes , onde Deus, por meio de Maria, cura os males espirituais mas também físicos dos homens. Perto de 70 curas milagrosas de doentes são reconhecidos oficialmente pela Igreja.


    A fonte de água que a Virgem fez jorrar na gruta de Massabielle é um dos grandes símbolos de Lurdes, onde as pessoas, e de modo particular os enfermos, vão saciar as suas sedes de todo o género, com fé e esperança.


    Sinos do Santuário de Lurdes
    Gosto de ouvir os sinos das igrejas a tocar, e vós?

    sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

    Sempre a vida

    "Não mates nem estragues, porque, como não sabes o que é a vida, excepto que é um mistério, não sabes que fazes matando ou estragando, nem que forças desencadeias sobre ti mesmo se estragares ou matares."


    Fernando Pessoa


    "Com humildade, mas com firmeza, continuaremos a propor o valor imenso da vida humana. A defesa da vida com os meios da paz, com a convicção e o testemunho, com os meios duma democracia plural é uma dívida de honra para com o avanço da nossa civilização em ordem a um humanismo integral e solidário. A todos vós confio, pois, um mandato: Sede sentinelas da dignidade e do futuro da vida humana em todas as suas fases e circunstâncias, desde o seu primeiro instante até ao seu ocaso! Não tenhais medo nem vergonha de ser paladinos da simpatia, da estima e do amor por toda a vida humana!"

    D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima


    “No dia 11 de Fevereiro próximo, na solidão de um voto, cada um de nós estará sozinho com a sua consciência, tornando-se corresponsável de uma decisão grave para a vida de pessoas e para a sociedade como um todo. (…)
    Escutem, antes de mais, a voz íntima do seu coração, tantas vezes abafada pelos afectos e pelo barulho feito à volta desta questão. Escutem o testemunho da ciência, de médicos e psicólogos que nos têm vindo a proclamar a beleza da vida, desde o seu início, e dos traumas humanos provocados nas mulheres que abortam (…)
    Escutem o testemunho comovido de mulheres que abortaram e a alegria já manifestada por aquelas que venceram essa tentação e sentem hoje a alegria do filho que deixaram nascer.”

    D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa

    quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

    Rosto de: Joana Beretta Molla


    Nasceu em Magenta perto de Milão em 4 de Outubro de 1922.
    Joana (Gianna) era a décima de 13 filhos e foi educada por pais piedosos que a ensinaram que a vida era um grande presente de Deus para ser abraçado.
    Na adolescência e depois adulta, foi membro da Sociedade São Vicente de Paulo e voluntária no trabalho com pobres e idosos. Estudou e conseguiu formar-se em medicina e cirurgia na Universidade de Pávia em 1949. Especializou-se em pediatria na Universidade de Milão em 1952, e atendia com especial atenção mães, crianças, idosos e pobres.
    Alguns pensavam que tão boa cristã iria entrar para um convento, mas após varias reflexões, Joana viu que a sua vocação era o casamento, cooperando com Deus em “formar uma verdadeira família cristã”.
    Em 24 de Setembro de 1955, casou-se com Pietro Molla. Joana não era uma santa comum. Alegremente abraçou o casamento e soube lidar com as suas obrigações de mulher de carreira, esposa e mãe. Em Novembro de 1956 , deu à luz ao Pierluigi , em Dezembro de 1957, à Mariolina, e em Julho de 1959, à Laura.
    Em Setembro de 1961, no segundo mês da quarta gravidez, descobriu-se que ela tinha um fibroma no útero. Era necessária uma cirurgia e como médica, ela estava perfeitamente consciente dos riscos de continuar a sua gravidez, mas ela pediu ao cirurgião para salvar o filho que ela carregava e entregou-se nas mãos de Deus. Passou os sete meses seguintes na alegria dos seus afazeres de mãe e médica, mas também preocupada com o bebé que podia nascer com problemas. Para prevenir isso, orou muito a Deus.
    Alguns dias antes da criança nascer, embora confiante na Divina Providencia, Joana estava decidida a dar a sua vida para salvar a da criança. “Se precisarem decidir entre mim e a criança, escolham a criança”, insistiu ela ao seu médico.
    Assim nasceu uma menina, Gianna Emanuela, na manhã de 21 de Abril de 1962. Apesar de todos os esforços para salvar a mãe, Joana veio a falecer uma semana depois, com horríveis dores. Adormeceu no Senhor no dia 28 de Abril dizendo: “Jesus, Jesus, eu amo-te, eu amo-te”. Ela tinha apenas 39 anos de idade.
    Seu funeral foi ocasião de grande tristeza, fé e oração. O seu corpo está no cemitério de Mesero perto de Magenta.
    Joana Berreta Molla foi beatificada a 24 de Abril de 1994 e canonizada a 16 de Maio de 2004 pelo Papa João Paulo II.


    Na homília da beatificação, afirmou o Papa João Paulo II:
    “Joana Beretta Molla, coroando uma existência exemplar de estudante, de jovem comprometida na comunidade eclesial e de esposa e mãe feliz, soube oferecer em sacrifício a vida, a fim de que pudesse viver a criança que trazia no seio e que hoje está aqui connosco! (Uma salva de palmas coroou estas palavras do Papa) Ela como médica e cirurgiã, estava bem
    consciente daquilo de que ia ao seu encontro, mas não recuou diante do sacrifício, confirmando desse modo a heroicidade das sua virtudes”.

    Honrar Santa Joana Beretta Molla é convidar os cristãos a tomar o seu exemplo na defesa da vida, ela que, como mãe deu a vida para que sua filha mais nova nascesse.

    quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

    As chagas de Cristo

    Hoje, a Igreja de Portugal celebra a Festa das Cinco Chagas do Senhor.

    "Aquilo que não encontro em mim, tomo-o com confiança nas entranhas do Salvador, porque estão cheias de amor, e porque o seu corpo sagrado está suficientemente aberto para elas poderem derramar-se.
    Furaram com pregos as suas mãos e os seus pés, e o seu lado com uma lança; e por estas chagas, posso sugar a mel do rochedo, e provar o óleo desta rocha firme, ou seja provar e ver quanto o Senhor é bom.
    Nesse estado Ele formava pensamentos de paz, e eu, não sabia de nada. Pois quem conhece os desígnios do Senhor, ou quem nunca tomou parte nos seus juízos?
    Mas estes pregos com que foi perfurado, tornaram-se para mim as chaves que me abriram o tesouro dos seus segredos e revelaram a vontade do Senhor.
    E porque não o veria através das suas chagas? Os pregos e as feridas clamam alto que Deus está realmente em Jesus Cristo e que reconcilia o mundo com ele mesmo.
    O ferro atravessou a sua alma e tocou o seu coração, para que Ele soubesse compadecer-se das minhas enfermidades.
    O segredo do seu coração desvenda-se nas aberturas do seu corpo, vemos o grande mistério da sua bondade infinita, entranhas da misericórdia do nosso Deus pelas quais este Sol nascente veio visitar-nos do céu.
    Porque suas entranhas não se veriam pelas suas chagas? Pois, Senhor, como poderia manifestar-se melhor a vossa bondade e misericórdia, senão por estas chagas cruéis que sofreste por nós?
    Ninguém pode dar maior prova da sua caridade, do que entregar a sua vida pelos que são destinados e condenados à morte."


    São Bernardo, sermão sobre o Cântico dos cânticos.


    Cristo foi trespassado por causa das nossas culpas

    e esmagado por causa das nossas iniquidades.

    Pelas suas Chagas fomos curados.

    Is 53,5

    terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

    Na terra do sol nascente

    O povo de Deus é realmente universal, não podia ser de outra forma, e se estamos habituados à nossa realidade cristã da Europa, não podemos esquecer que nos quatros cantos do planeta estão discípulos de Cristo.

    Hoje, a Igreja celebra a memória de um jesuíta japonês, São Paulo Miki, e dos seus 25 companheiros que foram feitos prisioneiros, submetidos à tortura e depois crucificados. 6 deles eram missionários franciscanos, 3, jesuítas, e os outros, leigos. Entre eles, 3 eram adolescentes de 11 a 15 anos de idade.
    Todos sofreram o martírio em 1597, na cidade de Nagasaki, que 4 séculos mais tarde, a 9 de Agosto de 1945, seria destruída pelo armamento nuclear norte-americano no decorrer da IIª Guerra Mundial.
    Estes mártires foram canonizados no Pentecostes de 1862 pelo Papa Pio IX .


    Os católicos do Japão são 445 mil entre 126 milhões de habitantes.
    Hoje, os que seguem Cristo guiados pelo Papa, são tantos quantos eram no fim do ano de 1500, quando a pregação de São Francisco Xavier e dos jesuítas implantou o Evangelho na terra do sol nascente.
    Por causa de sua história, o catolicismo japonês se tornou tradicional, formal e estagnou…não vê com muito bons olhos o Concílio Vaticano II.
    Neste sistema, os imigrantes católicos (coreanos, chineses, brasileiros) que representam metade de toda a Igreja no Japão, ocupando as cadeiras vazias das paróquias japonesas, são tratados como “hóspedes” pelos nativos.
    Além das barreiras da língua e da cultura, as diferenças entre as tradições católicas não permitem uma boa interacção entre japoneses e migrantes.

    Venha sobre a Igreja do Japão, o Espírito de Pentecostes, unir aqueles que acreditam em Cristo, fazendo das diferenças dos seus membros, não um obstáculo, mas uma riqueza para a vivência do Evangelho.



    Os números do catolicismo

    Católicos japoneses: 445.000
    Dioceses: 16
    Bispos: 25
    Sacerdotes japoneses: 970
    Religiosas: 6.430
    Missionários japoneses no exterior: mais de 300
    Missionários estrangeiros no Japão: 739
    Seminários diocesanos: 3
    Universidades católicas: 13 com 35.600 alunos

    segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

    A vida

    “A vida, que é obra de Deus, não deve ser negada a ninguém, nem sequer ao menor e mais indefeso nascituro, e muito menos quando apresenta graves deficiências. (…)
    Convido-vos a não cair no engano de pensar que se pode dispor da vida até «legitimar sua interrupção com a eutanásia, mascarando-a talvez com um véu de piedade humana. (…)
    Peçamos ao Senhor, por intercessão de Maria Santíssima, que cresça o respeito pelo caráter sagrado da vida, para que haja cada vez uma maior consciência das autênticas exigências familiares, e para que aumente o número daqueles que contribuem para a realização da civilização do amor no mundo.”


    Bento XVI no Angelus 04/02/2007

    Persuadir com amor para o amor

    "Eu sinto que o grande destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a criança, uma matança directa de crianças inocentes, assassinadas pela própria mãe.

    E se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo o seu próprio filho, como é que podemos dizer às outras pessoas para não se matarem?
    Como é que nós persuadimos uma mulher a não fazer o aborto?
    Como sempre, nós devemos persuadi-la com amor e devemos lembrar-nos de que amar significa estar disposto a doar-se até que doa.
    Jesus deu a Sua vida por amor de nós.
    Assim, a mãe que pensa em abortar, deve ser ajudada a amar, ou seja, a doar-se até que prejudique os seus planos, ou o seu tempo livre, para respeitar a vida do seu filho.
    O pai desta criança, quem quer que ele seja, deve também doar-se até que doa.

    Através do aborto, a mãe não aprende a amar, mas mata o seu próprio filho para resolver os seus problemas. (…)

    Qualquer país que aceite o aborto não está a ensinar o seu povo a amar, mas a usar de qualquer violência para conseguir o que se quer. É por isso que o maior destruidor do amor e da paz é o aborto."


    Beata Madre Teresa de Calcutá em Washington, 3 de Fevereiro de 1994

    sábado, 3 de fevereiro de 2007


    Fazei-vos ao largo e lançai as redes para a pesca.
    Não temais. Daqui em diante sereis pescadores de homens.
    Lc 5, 4. 10

    Vida consagrada...uma vida gasta a amar e a servir o Senhor

    "A quem foi concedido o dom de seguir mais de perto o Senhor Jesus, é óbvio que Ele possa e deva ser amado com coração indiviso, que se Lhe possa dedicar a vida toda e não apenas alguns gestos, alguns momentos ou algumas actividades. O perfume de alto preço, derramado como puro acto de amor e, por conseguinte, fora de qualquer consideração « utilitarista », é sinal de uma superabundância de gratuidade, como a que transparece numa vida gasta a amar e a servir o Senhor, a dedicar-se à sua Pessoa e ao seu Corpo Místico. Mas é desta vida « derramada » sem reservas que se difunde um perfume que enche toda a casa. A casa de Deus, a Igreja, é adornada e enriquecida hoje, não menos que outrora, pela presença da vida consagrada."



    João Paulo II - Exortação Apostólica sobre a Vida Consagrada 1996

    sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

    A Apresentação do Senhor no Templo

    Eis que veio a luz verdadeira,
    que ilumina todo o homem
    que vem a este mundo.

    Todos nós, portanto, irmãos,
    deixemo-nos iluminar,
    para que brilhe em nós
    esta luz verdadeira.

    Nenhum fique excluído deste esplendor,
    nenhum persista em continuar imerso na noite,
    mas avancemos todos resplandecentes;
    iluminados por este fulgor,
    vamos todos juntos ao seu encontro
    e com o velho Simeão
    recebamos a luz clara é eterna;
    associemo-nos à sua alegria
    e cantemos com ele
    um hino de acção de graças ao Pai da luz,
    que enviou a luz verdadeira e,
    afastando todas as trevas,
    nos fez participantes do seu esplendor.



    Dos Sermões de São Sofrónio, Patriarca de Jerusalém do século VII,
    que viveu 20 anos como eremita antes de ser escolhido para bispo da Cidade Santa.

    quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

    Fostes criados para o Paraiso


    "Levantai os olhos, meus filhinhos, e observai aquilo que existe no céu e na terra. O sol, a lua, as estrelas, o ar, a água, o fogo, nem sempre existiram, pois jamais alguma coisa criou-se por si próprio. Mas há um Deus que existe eternamente e que, pelo seu poder, os tirou do nada criando-os. Por isso chamámo-lo Criador.
    Este Deus que sempre existiu e existirá sempre, depois de ter criado todas as coisas que estão no céu e na terra, deu existência ao homem que é a mais nobre e perfeita entre todas as criaturas visíveis. Por isso as nossas orelhas, os nossos olhos, a nossa boca, a nossa língua, as nossas mãos e os nossos pés são dons do Senhor.
    O homem distingue-se dos outros animais principalmente porque possui uma alma para pensar, reflectir e conhecer o que é bom e mau. Essa alma, porque é puro espírito, não pode morrer com o corpo, se bem que, quando este é sepultado, ela começa outra vida que jamais acabará. Se a alma praticou o bem, estará feliz para sempre com Deus no Paraíso onde gozará de todo o bem para sempre, mas se praticou o mal, ela será castigada terrivelmente no Inferno onde sofrerá para sempre o fogo e a dor.
    Pensai então, meus filhinhos, que fostes criados para o Paraíso e que Deus sente uma grande tristeza quando é obrigado a mandar alguém para o Inferno.
    Ó, quanto o Senhor nos ama e quanto Ele deseja que pratiquemos boas obras para nos poder fazer participar da grande felicidade que ele nos preparou no Céu para todo o sempre!"


    São João Bosco


    Dizei-me lá...o texto é lindo...mas há uma parte que parece destoar. Acho que ninguém gosta de falar, nem de ouvir a palavra “Inferno”…alias, ela tem um "cheirinho" a tabu...e à primeira vista, pode-se pensar que entra em colisão com a ideia de “misericórdia divina”.
    Mas Deus que é justo e compassivo, respeita a liberdade do homem de fazer o bem e o mal. Assim, já não é Deus que condena, mas o próprio homem que tem o poder de danar-se a si mesmo.
    O Pai das misericórdias deseja uma só coisa, a nossa felicidade...uma vida na sua amizade, após a morte, na eternidade, pois fomos “criados para o Paraíso”, mas que começa já na terra, amando-O e praticando o bem. Cabe a cada um pedir, procurar esta felicidade, e alcançá-la com a sua graça.