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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Por este ano que passou...


Nós Vos louvamos, ó Deus,
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora,
Pai eterno e omnipotente.


Os Anjos, os Céus e todas as Potestades,
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo,
Senhor Deus do Universo,
o céu e a terra proclamam a vossa glória.


O coro glorioso dos Apóstolos,
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia
por toda a terra a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade,
Pai, Filho e Espírito Santo.


Senhor Jesus Cristo,
Rei da glória, Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem,
tomastes a condição humana
no seio da Virgem Maria.


Vós despedaçastes as cadeias da morte
e abristes as portas do céu.
Vós estais sentado à direita de Deus,
na glória do Pai, e de novo haveis de vir
para julgar os vivos e os mortos.


Socorrei os vossos servos, Senhor,
que remistes com vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória,
na assembleia dos vossos Santos.


Salvai o vosso povo, Senhor,
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia
através dos tempos
e conduzi-o às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos
todos os dias da nossa vida
e louvaremos para sempre o vosso nome.


Dignai-Vos, Senhor, neste dia,
livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós,
Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia,
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus,
não serei confundido eternamente.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O "Encontro das 21 horas"

A “Comunidade São Martinho” (Communauté Saint Martin) é uma associação clerical pública que reúne sacerdotes e diáconos que desejam viver em comum o seu ministério. Foi fundada em 1976, pelo Padre Jean-François Guerin (1929-2005), sacerdote da diocese de Tours (França), e é reconhecida pela Igreja.
Em 2002,a comunidade tomou a iniciativa de praticar e divulgar a “Presença trinitária” do Sr. Albert Freyre, que consiste em oferecer cada dia, fielmente, um curto tempo de oração pelos “pobres”.

“21 horas” é a hora de entrada na noite,
hora em que as ansiedades ressurgem,
que as angústias e a solidão se manifestam,
que as trevas do pecado se intensificam…
hora em que o homem não precisa sentir-se só diante do sofrimento.
Esta hora pode então tornar-se numa grande onda de oração que se eleva dos nossos corações, para que o Coração de Cristo toca com seu amor o coração dos mais pobres!
Leigo, consagrado, padre, jovem ou velho, doente ou saudável, todos podem juntar-se a este “Encontro das 21 horas”, com qualquer oração, fielmente, cada noite.



Oração para o "Encontro das 21 horas"

Meu Deus,
neste início da noite,
rogo-Vos por todos aqueles que estão na prisão,
por todos os idosos,
por todos aqueles que estão sós, doentes, abandonados,
por todos aqueles que não aguentam mais,
por todos aqueles que estão desesperados,
por todos aqueles que esta noite vão pecar.

Eterno Pai que nos criastes,
Filho, Redentor do mundo que nos remistes,
Espírito de Amor que nos santificais,
tende piedade de nós.

E vós, Maria Imaculada,
Mãe do Redentor,
Suplicante poderosíssima,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos cristãos,
Mãe do Belo Amor,
rogai por nós.

Santos Anjos da Guarda,
disponde-nos a receber favoravelmente a graça de Deus.



* * *



Nascido em 1921, Albert Freyre é impedido pelo seu estado de saúde de aceder ao sacerdócio. No entanto, ele quer fazer da sua vida um testemunho cristão, principalmente junto dos marginalizados. Um dia, numa visita, um prisioneiro confessou o conforto que trazia o tempo passado na companhia do Albert. Diante da impossibilidade de se encontrar juntos todos os dias, a ideia surgiu de se unir todas as noites através da oração. Esse encontro espiritual seria fixado às 21 horas… hora em que as luzes se apagam na prisão. Percebendo a esperança suscitada por este encontro, à hora em que surge a escuridão, o Sr. Freyre decide formar um grande movimento de oração. Umas monjas são as primeiras a juntar-se à iniciativa, oferecendo o ofício da noite. Hoje, quase 600 pessoas são fiéis ao "Encontro das 21 horas".
No lar de idosos de Pontarlier (França), é Albert Freyre que recebe agora as visitas , sempre amigável com quem o procura.

(do site da Communauté Saint Martin)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ao pé do Sacrário estamos todos perto

«Hoje saí de casa quando começava a anoitecer. Atravessei as ruas principais da cidade e, um pouco aturdido com o barulho das pessoas, dos carros e as luzes, me dirigi aonde meu espírito necessitava, a Casa de Deus. Estava quase deserta; uma mulher recitava orações diante de um altar mal iluminado; outro grupo de mulheres cochichavam junto a um confessionário, e o Senhor, Deus da criação, o Juiz dos vivos e dos mortos, estava no Sacrário esquecido pelos homens. Na paz e no silêncio da Igreja, minha alma se abandonava em Deus. Via passar diante de mim todas as misérias e todas as desgraças dos homens, seus ódios e suas lutas, e pensava que se este Deus que se oculta num pouco de pão não estivesse tão abandonado, os homens seriam mais felizes, mas não querem sê-lo.»



«Uma multidão de Sacrários existem na terra, mas somente um Deus, que é Jesus Sacramentado. Consoladora verdade que faz estar tão unidos o monge no seu Coro, o missionário em terra de infiéis e o secular na sua paróquia. Não há distâncias, nem há idades. Ao pé do Sacrário estamos todos perto. Deus nos une. Peçamos-Lhe, por mediação de Maria, que algum dia no céu, possamos contemplar a esse Deus que por amor ao homem se oculta sob as espécies do pão e do vinho. Assim seja.»



São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938)
Monge espanhol da Ordem de Cister,
canonizado a 11/10/2009 pelo Papa Bento XVI.



Blog sobre São Rafael Arnaiz Baron


Não conhecia a figura deste monge espanhol...gostei logo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vai e prega o meu Rosário

«Pelo Rosário, podemos tudo alcançar.
Segundo uma bela comparação, é uma longa cadeia que liga o céu e a terra: uma das extremidades está entre as nossas mãos e a outra nas da Santíssima Virgem.»

Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face



«Ó Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus, vínculo de amor que nos une aos Anjos, torre de salvação contra os assaltos do inferno, porto seguro no naufrágio geral, não te deixaremos nunca mais. Serás o nosso conforto na hora da agonia. Seja para ti o último beijo da vida que se apaga.»

Beato Bártolo Longo



«Amai e fazei a amar a Santíssima Virgem, rezai e fazei rezar o Rosário.»

São Pio de Pietrelcina



«Vai e prega o meu Rosário.»

Nossa Senhora a São Domingos

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Que alegria eu ser uma filha fiel da Igreja

«Que alegria eu ser uma filha fiel da Igreja.
Ó, como amo a Igreja e todos os que fazem parte dela; considero-os membros vivos de Cristo que é a cabeça.
Ardo de amor com aqueles que amam, sofro com aqueles que sofrem, a dor me consome perante as almas frias e ingratas. Então faço por amar muito a Deus em reparação por aqueles que não O amam, que são ingratos para com o seu Salvador.
Ó meu Deus, estou consciente da minha missão na Santa Igreja.
O meu constante esforço deve ser a oração para alcançar a misericórdia para o mundo.
Uno-me intimamente a Jesus e coloco-me diante d’ Ele, como oferenda suplicante para o mundo. Deus não me recusará nada se o pedir pela voz de seu Filho. (…)
Fazei de mim, ó Jesus, uma oferenda agradável e pura diante da Face do Pai.
Jesus, transformai-me em Vós, porque tudo podeis, e devolvei-me ao vosso eterno Pai.
Desejo tornar-me uma hóstia expiatória diante de Vós e dos homens.
Desejo que o perfume da minha oferenda seja unicamente conhecida de Vós.»


Santa Faustina

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Se tivéssemos os olhos dos Anjos

«Se tivéssemos os olhos dos Anjos, olhando Nosso Senhor presente aqui no altar que olha para nós, como O amaríamos! Não quereríamos mais deixá-l’O, mas antes permanecer a seus pés; seria um antegosto do Céu; tudo se tornaria insípido. Mas a fé nos falta. Somos cegos miseráveis com névoa diante dos olhos. Só a fé poderia dissipar esta névoa.»

«Nosso Senhor está aí como vítima. Uma oração muito agradável a Deus é pedir à Santíssima Virgem de oferecer ao Pai Eterno o seu divino Filho, ensanguentado e ferido pela conversão dos pecadores que somos. É a melhor oração que podemos fazer porque todas as orações são feitas em nome e pelos méritos infinitos de Jesus Cristo. Todas as vezes que alcancei uma graça, pedi-a desta forma, nunca foi declinada.»

«Quando comungardes, deveis ter sempre uma intenção, e na hora de receber o Corpo de Nosso Senhor, dizer:
“Ó meu bom Pai que estais nos céus,
ofereço-Vos agora o vosso Filho,
tal como foi retirado e descido da Cruz,
depositado nos braços da Santíssima Virgem,
e que ela Vos ofereceu em sacrifício por nós.
Ofereço-Vos o seu Santíssimo Corpo,
por intercessão de sua Santíssima Mãe,
pedindo-Vos a remissão dos meus pecados,
para fazer um boa comunhão,
e alcançar a graça… (da fé, da caridade, da humildade)”.»


S. João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Jesus escondido

Como não me alegrar com a coincidência das datas…hoje a Igreja celebra a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, e também hoje, o pastorinho Francisco Marto, a quem Nossa Senhora apareceu em 1917, faz anos!
E escrevo “faz” e não “faria”…porque “para os que crêem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma, e desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna.” (da Liturgia)
“Jesus escondido”…era a expressão com que os Pastorinhos designavam o Santíssimo Sacramento da Eucaristia: o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo.
Francisco gostava de passar horas esquecidas junto do Sacrário em colóquio com Jesus.
Quando, com a sua prima Lúcia, se dirigia para a escola recomendava-lhe:
«Olha, tu, vai à escola. Eu fico aqui na Igreja, junto de Jesus escondido. Não me vale a pena aprender a ler; daqui a pouco vou para o Céu. Quando voltares, vem por cá chamar-me.» E no regresso, ali o encontrava em recolhida oração.
Doente, o pequeno Francisco dizia à Lúcia:
«Olha, vai à Igreja e dá muitas saudades minhas a Jesus escondido. Do que tenho mais pena é de não poder já ir a estar uns bocados com Jesus escondido.»
Com que ansiedade o Francisco esperou o momento da sua primeira comunhão.
Acamado e gravemente debilitado, tentou erguer-se para se sentar na cama, mas não conseguiu. Momentos depois, o Senhor Sacramentado descia à sua alma, e o Francisco quedou-se em contemplação a consolar o divino Hóspede.
Depois de comungar, disse para sua irmãzinha Jacinta:
«Hoje sou mais feliz do que tu, porque tenho dentro do meu peito a Jesus escondido!»
Esta comunhão com Deus, já o Francisco a tinha experimentado em 1916, nas aparições do Anjo que lhe dera a beber do Sangue do cálice que trazia.
«- A mim e à Jacinta, que foi que Ele nos deu?
- Foi também a Sagrada Comunhão, respondeu Jacinta.
- Eu sentia que Deus estava em mim, mas não sabia como era! respondeu Francisco.
E prostrando-se por terra, permaneceu por largo tempo, com a sua irmã, repetindo a oração do Anjo: “Santíssima Trindade…”»
Saibamos todos olhar para o pequeno Francisco de Fátima…grande apaixonado e consolador de Jesus escondido…e imitemo-lo!

domingo, 31 de maio de 2009

Como crianças que procuram a proximidade de seus pais

Com a Solenidade de Pentecostes termina o Tempo Pascal.
O tempo para o encontro com o Ressuscitado não é de uma única época do ano, pois podemos encontrá-l'O todos os dias na Eucaristia, quando adoramos a sua presença viva neste “tão grande sacramento”.
Nós também, como os discípulos de Emaús, reconhecemos o Senhor na “fracção do pão”, pela acção do Espírito Santo nos nossos corações.
Mais se acredita em Jesus, mais o seu Espírito cativa a nossa existência, mais a sua inspiração enche o nosso pensamento, mais o seu amor nos leva a agir.
Sem o Espírito, não se pode fazer nada de sobrenatural, ou mesmo rezar, porque Ele é o único que eleva o nosso espírito e o nosso coração para Deus.




Tudo o que é verdadeiro na vida da Igreja e na vida de cada um, é reduzido à sua acção.
Não há nada que uma alma possa fazer em nome de Jesus, sem a cooperação do Espírito Santo.
Pensa-se muito pouco sobre a necessidade de o Espírito Santo na vida da Igreja e na nossa.
Recordamo-l’O apenas em momentos precisos, mas, na realidade, devíamos invoca-l’O ao longo do dia, como crianças que procuram a proximidade de seus pais para serem fortalecidos da sua força, tranquilizados pela sua presença.
É isso mesmo que a sequência do Pentecostes nos recorda: “Vinde Espírito Santo, vinde Pai dos pobres, vinde luz dos corações!”
Quem são estes pobres senão cada um de nós, rico de si mesmo, mas tão necessitado deste Espírito divino?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Como flores cheirosas

«Consagrei-os e chamei-os “meus Cristos”, porque os incumbi de me dar a vós.
Coloquei-os como flores cheirosas no corpo místico da Santa Igreja.
O anjo não possui esta dignidade, dei-a aos homens que escolhi como ministros.
Estabeleci-os como anjos, e eles devem ser anjos terrestres nesta vida.
Peço a qualquer alma a pureza e a castidade; desejo que ela me ame e ame ao próximo, ajudando-o como pode, com as suas orações, vivendo em união com ele.
Mas exijo ainda mais pureza dos meus ministros.
Peço-lhes um maior amor para comigo e para com o próximo, a quem eles devem administrar o Corpo e Sangue de meu Filho, com o ardor da caridade e a fome da salvação das almas, para glória e honra do meu nome.
Assim como os sacerdotes desejam a pureza do cálice onde é feito o sacrifício, Eu desejo a pureza e a clareza dos seus corações, das suas almas e dos seus espíritos.
E porque o corpo é o instrumento da alma, quero que eles o guardem numa pureza perfeita e não o manchem.
Que eles não se encham de orgulho, nem da ambição por altas distinções.
Que eles não sejam cruéis para com eles próprios e para com o próximo, pois eles não podem ser cruéis para com eles próprios sem o ser para com o próximo.
Se eles são cruéis para eles próprios, eles são cruéis para com as almas, porque não dão o exemplo de uma santa vida, não trabalham para livrar as almas do demónio e distribuir o Corpo e Sangue de meu Filho único, e a Mim, a verdadeira Luz, nos sacramentos da Igreja.»



Santa Catarina de Sena
Tratado sobre a oração
CXIII - A grandeza do SS. Sacramento
deve fazer entender a dignidade dos sacerdotes,
chamados a uma maior perfeição.





«Desejo que eles (os sacerdotes) sejam respeitados, não por eles mas por Mim e por causa da autoridade com que os revesti.
Este respeito nunca deve diminuir, mesmo quando a virtude diminuiria neles. Ele deve conservar-se para os maus e para os bons, porque Eu os fiz ministros do Sol, isto é, do Corpo e Sangue de meu Filho nos sacramentos.
Os bons e os maus têm a mesma dignidade.
Todos estão revestidos das mesmas funções, mas mostrei-te que os perfeitos têm as qualidades do sol porque iluminam e aquecem o próximo pelo fogo da sua caridade. Este fogo produz frutos e faz nascer virtudes nas almas daqueles que lhes são confiados. (…)
Deveis honrá-los, quaisquer sejam seus defeitos, por amor de Mim que os envio, e por amor da vida da graça que encontrareis no grande tesouro que eles vos dão, porque eles vos distribuem o Deus-Homem todo inteiro, isto é, o Corpo e Sangue de meu Filho, unido à minha natureza divina.
Deve-se lamentar e detestar as suas faltas; deve-se tentar agasalha-los do zelo da vossa caridade e da santidade das vossas orações; deve-se lavá-los de suas manchas com as vossas lágrimas, e Me apresentá-los com sincera intenção, para que a minha bondade os cubra da veste da caridade. (…)
Deveis orar por eles e não julgá-los, deixar-me ser Eu julgá-los.
Desejo poder fazer-lhe misericórdia pelas vossas orações.
Se eles não se converterem, a dignidade que eles receberam será a ruína deles; e se não mudarem, se não aproveitarem a grandeza da minha misericórdia, Eu, o Juiz supremo, não os atenderei na hora da morte, e enviá-los-ei para o fogo eterno.»



Santa Catarina de Sena,
Tratado sobre a oração
CXX – Respeito aos sacerdotes, bons e maus.



Catarina de Sena nasceu no ano 1347. Entrou na Ordem Terceira de S. Domingos quando era ainda adolescente. Trabalhou incansavelmente pela paz e concórdia entre as cidades, defendeu com ardor os direitos e a liberdade do Santo Padre e promoveu a renovação da vida religiosa. Escreveu importantes obras de espiritualidade. Morreu a 29 de Abril de 1380.
Em 1970, o Papa Paulo VI declarou-a Doutora da Igreja, sendo a única leiga a obter esta distinção. O Papa João Paulo II declarou-a co-padroeira da Europa, juntamente com Santa
Brígida da Suécia e Santa Teresa Benedita da Cruz.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ad multos annos, Beatissime Pater!

Neste dia aniversário de vida do nosso Papa...

V. Oremos pelo nosso Santo Padre Bento XVI.
R. Que o Senhor o proteja,
lhe dê vida e o abençoe sobre a terra,
para que não seja entregue ao poder dos seus inimigos.
Pai-Nosso. Ave-Maria. Glória.



V. Orémus pro beatíssimo Papa nostro Benedícto.
R. Dóminus consérvet eum,
et vivíficet eum, et beátum fáciat eum in terra,
et non tradat eum in ánimam inimicórum ejus.
Pater. Ave. Glória.



«Amo Bento XVI porque ele é o sucessor de Pedro, Vigário de Jesus que lhe deu a missão de ser o pastor dos pastores. Amo a sua humildade, a sua coragem, a sua acuidade intelectual. Amo-o também porque ele é atacado, às vezes veementemente; por isso amo estar a seu lado.»


Jean Vanier, Fundador da associação "Arche" (Arca),
que assista pessoas com deficência mental e marginalizados.



Ler o artigo de D. Joaquim Gonçalves, Bispo de Vila Real por ocasião do aniversário do Santo Padre.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Medo do diktat da mentalidade predominante

«Pilatos não é um monstro de malvadez. Sabe que este condenado é inocente; procura um modo de O libertar. Mas o seu coração está dividido. E, no fim, faz prevalecer sobre o direito a sua posição, a sua pessoa. Também os homens que gritam e pedem a morte de Jesus não são monstros de malvadez. (…)
Mas naquele momento sofrem a influência da multidão. Gritam porque os outros gritam e como gritam os outros. E, assim, a justiça é espezinhada pela cobardia, pela pusilanimidade, pelo medo do diktat da mentalidade predominante. A voz subtil da consciência é sufocada pelos gritos da multidão. A indecisão, o respeito humano dão força ao mal.

Senhor, fostes condenado à morte porque o medo do olhar alheio sufocou a voz da consciência. E, assim, acontece que, sempre ao longo de toda a história, inocentes sejam maltratados, condenados e mortos. Quantas vezes também nós preferimos o sucesso à verdade, a nossa reputação à justiça. Dai força, na nossa vida, à voz subtil da consciência, à vossa voz.»

Meditação do Cardeal Ratzinger (Bento XVI),
Via-Sacra 2005 em Roma.



Nesta Quaresma, propus-me fazer o exercício da Via-Sacra todos os domingos, e ontem, utilizei as meditações de 2005 do Cardeal Ratzinger para me ajudar na reflexão e na contemplação da caminhada dolorosa de Cristo até ao Calvário.
Recordo que os textos são os da última Via-Sacra presidida por João Paulo II, com aquela imagem bem marcante do Papa Wojtyla na sua capela privada, de costas para a câmara da televisão, segurando um crucifixo. Algumas semanas depois, o Cardeal alemão sucederá ao Papa polaco na cátedra de São Pedro.

Com uma distância de 4 anos, de estação em estação, admirei-me com a actualidade das meditações.
E logo na primeira estação, a de “Jesus condenado por Pilatos”, pensei logo no que vai acontecendo desde há uns meses atrás com a figura do Santo Padre e com a imagem da Igreja.
Portugal não fugiu à regra, certamente com menor intensidade, comparando com outros países europeus, onde alguns políticos, comentadores ou jornalistas procuraram sistematicamente deturpar as palavras de Bento XVI, queixando-se quase do Papa e da Igreja serem afinal “católicos”.
O levantamento da excomunhão dos 4 bispos tradicionalistas confundido com a readmissão dos mesmos no seio da Igreja; a desinformação total sobre o caso da menina de 9 anos que abortou no Brasil; a “história do preservativo” que a sociedade ocidental preferiu aos discursos contra a pobreza ou a corrupção em África; tudo isto serviu para condenar ou diabolizar o actual Papa, que antes de ser eleito não era o preferido da “classe mediática”.
Talvez o Santo Padre poderia ter evitado todas estas confusões, contentando-se em passear no “papamóvel” e fazendo discursos lamechas…mas teria ele cumprido a sua missão?
Contrariamente ao que se pensa muitas vezes, a diabolização de um homem ou de uma causa é raramente a consequência de trapalhadas ou confusões, mas é mais o preço a pagar pela clarividência ou a coragem. Aqueles que se calam ou se subjugam à época ou ao “diktat da mentalidade predominante” certamente não serão diabolizados. Os que fizerem frente é que sim!

Li isto algures e gostei…e neste Semana Santa ainda ganha mais sentido: “O discípulo não é maior que o Mestre (Jo 13, 16). A sua palavra, mesmo afirmada com humildade e amor, ou talvez por ser assim, será muitas vezes recebida com animosidade e violência. É necessário ser às vezes objecto de derisão, de ódio; é necessário não ser sempre entendido.”
É custoso...mas não podemos senão conformar a nossa vida à de Cristo.

Via-Sacra 2005 no site do Vaticano

quinta-feira, 5 de março de 2009

Uma oração para a Quaresma

Senhor e Mestre da minha vida,
afasta de mim o espírito de preguiça,
de desalento, de domínio, de loquacidade.

Concede a mim, teu servo, um espírito de temperança,
de humildade, de paciência e de amor.

Sim, Senhor e Rei,
concede ver os meus pecados e não julgar os meus irmãos,
porque és bendito pelos séculos dos séculos.
Amen.


Oração de Santo Efrém o Sírio, Monge e Doutor da Igreja (Séc. IV)




Neste tempo quaresmal, esta pequena e simples oração de Santo Efrém ocupa um lugar importante na Liturgia Bizantina, porque enumera, de modo singular, todos os elementos positivos e negativos do arrependimento, e constitui, de algum modo, uma espécie “checking list” do esforço individual da Quaresma.

Este esforço aponta primeiro a libertação de algumas enfermidades espirituais que tornam impossível iniciar um regresso a Deus.
Preguiça, desalento, domínio, loquacidade são assim os quatro “objectos” negativos do arrependimento, são os obstáculos a serem removidos, que só Deus pode expulsar, por isso, como um grito do fundo do desamparo humano, começa esta oração quaresmal.

A seguir, a oração impele para atitudes positivas do arrependimento, que também são quatro: temperança, humildade, paciência e amor.

Tudo é resumido e reunido na súplica conclusiva da oração: “ver os meus pecados e não julgar os meus irmãos”, porque em último caso, só há um perigo: o orgulho, que é a fonte do mal, e todo o mal é orgulho.

Após cada petição da oração realiza-se uma prostração, sinal de arrependimento e de humildade, de adoração e de obediência.
Reza-se com a alma, mas também com o corpo!
Pois no longo e difícil esforço de conversão, não se pode separar a alma do corpo.
O homem completo caiu e se afastou de Deus.
O homem completo foi restaurado.
O homem inteiro é que deve regressar a Deus.
A salvação e o arrependimento não são desprezo do corpo ou a sua negação, mas a restauração da sua verdadeira função: ser templo da alma.
O ascetismo cristão é uma luta, não contra, mas em favor do corpo.
Por esta razão, o homem completo, alma e corpo, deve arrepender-se.
O corpo participa na oração da alma, assim como a alma ora através e no interior do corpo.

Deus nos permita viver esta Quaresma de modo adequado, fortalecendo-nos, para vivermos na verdade a temperança, a humildade, a paciência e o amor.
Este é o convite! Em nós está a decisão de segui-lo!

Para aprofundar a meditação desta Oração de Santo Efrém

terça-feira, 3 de março de 2009

É uma limpeza necessária

O jejum mais importante é aquele que tem como objectivo esvaziar o nosso coração de inutilidades para o enchermos do que é valioso. É uma limpeza necessária a fim de arranjarmos espaço na alma para as realidades sublimes para que Deus nos criou:
Procuremos jejuar de julgar os outros, descobrindo o Cristo que vive neles.
Jejuemos de palavras ofensivas, enchendo-nos e pronunciando expressões edificantes.
Jejuemos de descontentamento, enchendo-nos de gratidão.
Jejuemos de irritações, enchendo-nos de paciência.
Jejuemos de pessimismo, enchendo-nos de esperança cristã.
Jejuemos de preocupações, enchendo-nos de confiança em Deus.
Jejuemos de lamentações, enchendo-nos do apreço pela maravilha que é a vida.
Jejuemos de pressões que nunca mais acabam, enchendo-nos duma oração permanente.
Jejuemos de amargura, enchendo-nos de perdão.
Jejuemos de dar importância a nós mesmos, enchendo-nos de amor pelos outros.
Jejuemos de ansiedade sobre as nossas coisas, comprometendo-nos na propagação do Reino.
Jejuemos de desalento, enchendo-nos do entusiasmo da fé.
Jejuemos de pensamentos mundanos, enchendo-nos das verdades que fundamentam a santidade.
Jejuemos de tudo o que nos separa de Jesus, enchendo-nos daquilo que d’Ele nos aproxima.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Nesta Quaresma, esforcemo-nos

«Que cada um se examine agora para saber em que estado está, e esforcemo-nos em progredir todos os dias, porque é avançando na virtude que veremos o Deus dos deuses, na Sião celeste. É sobretudo neste tempo que nos devemos aplicar em viver na pureza; durante este tempo, digo, em que é concedido à fragilidade humana um número de dias certos mas curtos, para que ela não desanime. Porque se nos é dito a toda a hora: 'levai uma vida pura', quem não se desencorajaria de a conseguir? Ora, somos convidados neste tempo de pouca dura a reparar as negligências do resto do ano, e a viver de maneira a que no resto do tempo, se veja brilhar as marcas desta santa quarentena na nossa conduta.
Esforcemo-nos então, meus irmãos, em passar este tempo em exercícios piedosos, e em restaurar as nossas armas espirituais. De facto, nesta época do ano, parece que todo o universo, com o Salvador à frente, caminha como um exército contra o diabo.
Bem-aventurados os que terão combatido com valentia sob tal governo.»


São Bernardo, 7º sermão para a Quaresma





Senhor meu Deus, fazei que o meu coração Vos deseje;
e que desejando Vos procure;
procurando, Vos encontre;
encontrando, Vos ame;
e amando-Vos, sejam perdoados os meus pecados;
e uma vez perdoados, que eu não volte a cometê-los.

Senhor meu Deus,
dai a penitência ao meu coração,
a contrição ao meu espírito,
as lágrimas aos meus olhos,
a liberalidade da esmola às minhas mãos.

Ó meu Rei, apagai em mim a concupiscência da carne
e acendei o fogo do vosso amor.
Ó meu Redentor, apartai de mim o orgulho,
e que a vossa benevolência me conceda a humildade.
Ó meu Salvador, afastai de mim a cólera
e que a vossa bondade me dê o escudo da paciência.
Ó meu Criador, tirai da minha alma o ressentimento
para lá derramar a mansidão.

Pai bondoso,dai-me a fé recta,
a esperança certa e a caridade perfeita.
Vós que me guiais,
afugentai de mim a vaidade da alma,
a inconstância do espírito,
a confusão do coração,
as vanglórias da boca,
a altivez dos olhos.


Ó Deus misericordioso,
por vosso muito amado Filho,
eu Vos peço,
fazei que eu viva a misericórdia,
a sincera devoção,
a compaixão pelos aflitos
e a partilha com os pobres.


Santo Anselmo (1033-1109), Oratio X

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sejam amadas porque são fontes de graça

«O culto das Cinco Chagas do Senhor, isto é, as feridas que Cristo recebeu na cruz e manifestou aos Apóstolos depois da ressurreição, foi sempre uma devoção muito viva entre os portugueses, desde os começos da nacionalidade. São disso testemunho a literatura religiosa e a onomástica referente a pessoas e instituições. Os Lusíadas sintetizam (I, 7) o simbolismo que tradicionalmente relaciona as armas da bandeira de Portugal com as Chagas de Cristo. Assim, os Romanos Pontífices, a partir de Bento XIV, concederam para Portugal uma festa particular, que ultimamente veio a ser fixada no dia 7 de Fevereiro.»


Secretariado Nacional de Liturgia


Terço das Santas Chagas
ou Coroa da Misericórdia


Com um terço normal

ORAÇÕES INICIAS:
- Ó Jesus, Divino Redentor, tende misericórdia de nós e de todo o mundo. Ámen.
- Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e de todo o mundo. Ámen.
- Graça e misericórdia, ó meu Jesus, nos perigos presentes. Cobri-nos do vosso Preciosíssimo Sangue. Ámen.
- Eterno Pai, tende misericórdia de nós pelo Sangue de Jesus Cristo, vosso único Filho. Tende misericórdia de nós, nós Vos pedimos. Ámen. Ámen. Ámen.

NAS CONTAS GRANDES DO TERÇO (em lugar do Pai-Nosso):
Eterno Pai, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas das nossas almas.*


NAS CONTAS PEQUENAS DO TERÇO (em lugar da Ave-Maria):
Ó meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos das vossas santas Chagas.*


NO FIM DO TERÇO (repetir 3 vezes):
Eterno Pai, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas das nossas almas.*


As invocações “Eterno Pai, eu Vos ofereço…” e “Ó meu Jesus, perdão e misericórdia…” foram reveladas à Irmã Visitandina Maria Marta Chambon (1841-1907) pelo próprio Jesus.
Desde 1868, o Convento da Visitação de Chambéry (França), onde vivia a Irmã Maria Marta, utilizou as jaculatórias ensinadas pelo Senhor, para rezar um "Terço das Santas Chagas".
As religiosas tomaram o costume de começar este Terço com umas orações inspiradas a um sacerdote de Roma.
A iniciativa deste Terço, agradável ao Senhor, começou assim a ser praticada e divulgada.
Encarregada por Cristo em reavivar a devoção às suas Chagas, a humilde Irmã Chambon recebeu d’Ele as seguintes revelações:
“Concederei tudo o que me pedirem, invocando as minhas Santas Chagas. É necessário difundir esta devoção.”
“Na verdade, esta oração não é da terra mas do Céu…e pode alcançar tudo.”
“As minhas Santas Chagas sustêm o mundo…que elas sejam amadas constantemente porque elas são fontes de graça. É necessário invocá-las muitas vezes, imprimir nas almas esta devoção.” “Quando sofreis, levai prontamente as vossas penas às minhas Chagas, e sereis aliviados.”
“Repeti muitas vezes junto dos doentes esta jaculatória: ‘Ó meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos das vossas santas Chagas’. Esta oração confortará o corpo e a alma.”
“O pecador que dirá: ‘Eterno Pai, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas das nossas almas’, alcançará a conversão.”
“As minhas Chagas serão o abrigo das vossas chagas.”
“Não conhecerá a morte a alma que expirará nas minhas Chagas…elas dão a verdadeira vida.”
“A cada palavra da Coroa da Misericórdia (Terço das Santas Chagas), deixo cair uma gota de meu Sangue na alma de um pecador.”
“A alma que honrou as minhas Santas Chagas, oferecendo-as ao Pai Eterno pelas almas do purgatório, será acompanhada pela Santíssima Virgem e pelos Anjos na hora da morte, e, na minha glória a receberei para coroá-la.”
“As Santas Chagas são o Tesouro dos tesouros pelas almas do purgatório.”
“A devoção às minhas Chagas é o remédio nestes tempos de iniquidade.”
“Das minhas Chagas brotam frutos de santidade. Meditando nelas, encontrareis sempre um novo alimento de amor.”
“Minha filha, se mergulhares as tuas obras nas minhas Santas Chagas, terão valor; qualquer acto recoberto de meu Sangue satisfará o meu Coração.”
“É necessário oferecer as minhas Santas Chagas ao meu Eterno Pai; por elas, e por meio de minha Mãe Imaculada, virá o triunfo da Igreja.”


A Congregação para a Doutrina da Fé, por um decreto de 23 de Março de 1999, concedeu às Religiosas da Ordem da Visitação, assim como às pessoas que desejam rezar em união com elas, a faculdade oficial de venerar a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo com as invocações que foram reveladas à Serva de Deus, Irmã Maria Marta Chambon, religiosa da Visitação, que faleceu com fama de santidade a 21 de Março de 1907, no Mosteiro de Chambéry, França.


* Indulgência de 300 dias por cada vez, concedida por SS. Pio XI – 16/01/1924

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Não é possível ser cristão sem desejar a unidade

Neste Oitavário de oração pela unidade dos cristãos, de 18 a 25 de Janeiro...

«Os cristãos nunca deveriam esquecer que a sua pertença ao único corpo de Cristo e a inabitação do Espírito Santo neles acontecem através do baptismo.
Existe uma verdadeira comunhão entre os cristãos, que seguramente não é perfeita nem plena – mas esta comunhão será perfeita e plena somente no Reino de Deus! – e esta comunhão vem pelo baptismo. (…)
Pelo baptismo, o cristão torna-se membro do corpo de Cristo, pertence à Igreja de Deus, “una, santa, católica e apostólica”, e é por meio da força do baptismo que ele assume a responsabilidade de reconhecer nos seus irmãos cristãos, os membros do mesmo e único corpo… “sacramentum fidei, sacramentum corporis Christi!”, “sacramento da fé, sacramento do Corpo de Cristo!” (…)


A comunhão dos cristãos entre eles e com Deus, durante a peregrinação da Igreja para o Reino, será sempre frágil, continuadamente posta à prova e muitas vezes contestada…porém a Igreja guarda e persegue a vontade de Deus, que pede sem cessar que se realize a comunhão visível do corpo de Cristo: que sejamos um, como o Pai e o Filho são um.
Estarão os cristãos conscientes desta necessidade radical de comunhão para dar forma à sua vida e á vida eclesial? De facto não é possível ser cristão sem desejar a unidade, ser cristão e não fazer tudo para que haja comunhão. Aquele que procede e vive para a comunhão com Cristo não pode ao mesmo tempo não proceder e viver para a reconciliação e comunhão com os seus irmãos, membros do seu próprio corpo. (…)
É na oração que apresentamos tudo o que somos, mas também o que ainda não somos, aquilo que devemos ser segundo a vontade do apelo do Senhor.
Por isso, a oração que devemos elevar com insistência ao Senhor é a de nos conceder de viver a Igreja como escreveu um Padre latino do século XII, Anselmo de Havelberg:
“Est unum corpus Ecclesiae, quod Spiritu sancto vivificatur, regitur et gubernatur… Unum corpus ecclesiae uno Spiritu sancto vivificatur, qui et unicus est in se, et multiplex in multifaria donorum suorum distributione.”
“Há um só corpo da Igreja, que o Espírito Santo vivifica, rege e governa… o corpo da Igreja que é uno, vive pelo Espírito Santo que é uno, único em si mesmo, e múltiplo na distribuição multiforme dos seus dons”.»


Enzo Bianchi, prior do Mosteiro ecuménico de Bose

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Há muitos séculos que celebramos

«Há muitos séculos que celebramos a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a 8 de Dezembro. Há três séculos e meio (1646) tomámo-la por rainha e padroeira de Portugal. Há cento e cinquenta anos, o bem-aventurado Papa Pio IX definiu dogmaticamente esta verdade.(…)
Uma verdade referente a Maria e principalmente a Cristo. A Cristo, porque a verdade de Maria reflecte sempre a verdade essencial do seu Filho: “Declaramos, proclamamos e definimos que a doutrina que sustenta que a santíssima Virgem Maria foi preservada imune de toda a mancha da culpa original no primeiro instante da sua concepção por singular graça e privilégio de Deus omnipotente, em atenção aos méritos de Cristo Jesus Salvador do género humano, é revelada por Deus e deve ser portanto firme e constantemente crida por todos os fiéis” (Pio IX, bula Ineffabilis Deus, 8 de Dezembro de 1854). (…)
Com aquela definição dogmática, Pio IX não inovava, antes esclarecia a fé da Igreja.»


D. Manuel Clemente



V- Dizei e anunciai agora, lábios meus,
R- as glórias e dons da Virgem Mãe de Deus.
V- Virgem soberana, sede em meu favor,
R- livrai-me do inimigo com vosso valor.
V- Glória ao pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
R- como era no princípio, agora e sempre. Ámen

(...)

Santa Maria, Rainha dos céus,
Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo,
dominadora do mundo,
que a ninguém desamparais nem desprezais;
ponde, Senhora, em mim os olhos da vossa piedade,
e alcançai-me do vosso amado Filho o perdão de todos os meus pecados,
para que, venerando agora afectuosamente a vossa Imaculada Conceição,
eu consiga depois a coroa da eterna bem-aventurança,
por mercê do mesmo vosso Filho Jesus Cristo, Senhor nosso,
que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina em unidade perfeita,
pelos séculos dos séculos.
Ámen.

do Ofício breve da Imaculada Conceição

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Alma Redemptoris Mater

Nestes dias que antecedem a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria, porque não recordar uma das 4 antífonas marianas da Liturgia das Horas (Ofício Divino), própria desta altura do ano : “Alma Redemptoris Mater”.
No calendário litúrgico, esta oração a Nossa Senhora, é rezada sobretudo no tempo do Advento até à Festa da Apresentação do Senhor ao Templo (antes da reforma litúrgica « Festa da Purificação de Nossa Senhora »).
Herman de Reichenau, músico, matemático, astrónomo do século XI seria o compositor (também da "Salve Rainha").
Para os cristãos, Maria é Mãe de Jesus, o Redentor da humanidade.
Nesta oração, apelidada de “Estrela do mar” (uma das possíveis etimologias do nome “Maria”), Nossa Senhora é evocada na sua misericórdia, lembrando a sua perpétua virgindade e a sua protecção materna para com o povo cristão.
Fiéis e inspirados na tradição da Igreja, porque não usar então esta bela oração nestes próximos dias… ou cantá-la em latim? (ouvir ficheiro mp3 do blog)





Alma Redemptóris Mater, quæ pérvia cæli
Porta manes, et stella maris, succúrre cadénti,
Súrgere qui curat, pópulo : tu quæ genuísti,
Natúra miránte, tuum sanctum Genitórem,
Virgo prius ac postérius, Gabriélis ab ore
Sumens illud Ave, peccatórum miserére.



Santa Mãe do Redentor, porta do céu,
estrela do mar, socorrei o povo cristão
que procura levantar-se do abismo da culpa.
Vós que, acolhendo a saudação do Anjo,
gerastes, com admiração da natureza,
o vosso santo Criador,
ó sempre Virgem Maria,
tende misericórdia dos pecadores.
(Adaptação oficial em português)


Mãe nutriz do Redentor, que continuais a ser
porta aberta do céu e estrela do mar,
ajudai o vosso povo caído que quer levantar-se.
Vós que gerastes, com admiração da natureza, o vosso santo Criador;
Virgem antes e depois, que da boca de Gabriel
recebestes o “Avé”, tende misericórdia dos pecadores
(A minha versão...mais literal)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Misericórdia e justiça

«A misericórdia do Senhor é por isso a substância dos meus méritos.
Sempre os terei enquanto Ele se dignará ter compaixão de mim.
Serão abundantes se as misericórdias são abundantes.
É verdade, sinto a culpa de muitos pecados, mas a graça superabundou onde o pecado abundou (Rom 5, 20).
Se as misericórdias do Senhor são eternas para mim, cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.
Celebrarei assim a minha própria justiça?
Não, lembrar-me-ei somente da vossa justiça, Senhor.
Pois a vossa justiça é também a minha, porque tornates-Vos a minha própria justiça.
Terei eu de temer que uma única justiça não seja suficiente para dois?
Ela não é o manto de que o profeta fala, demasiado curto para que dois possam cobrir-se.
A vossa justiça é a justiça eterna.
Que mais extenso existe do que a eternidade?
A vossa justiça que é eterna é tão imensa que ela nos cobrirá largamente aos dois.
Em mim cobrirá os meus muitos pecados, mas cobrirá ela os vossos tesouros, a vossa clemência, as riquezas da vossa bondade, ó Senhor?
Estas riquezas me estão guardadas nas fendas dos rochedos (Cant 2,14).
Grande e imensa é a doçura que elas encerram!
Na verdade elas estão escondidas, mas é àqueles que perecem, pois, porque dar o que é santo aos cães, ou demonstrar-lhes algo de que eles não conhecem o preço?
Mas Deus revelou-as a nós pelo seu Espírito Santo.
Ele fez entrar-nos no seu santuário pelas portas das suas Chagas.
Nelas encontramos a fonte da doçura, imensas graças, e virtudes abundantes.»


São Bernardo,
Sermão sobre o Cântico do Cânticos, 61,5




«Pai Eterno,
eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo,
para curar as chagas das nossas almas.»

Oração revelada à serva de Deus Maria Marta Chambon

sábado, 1 de novembro de 2008

Ó vós que bebeis da torrente das delícias eternas

Rainha de todos os santos,
gloriosos Apóstolos e Evangelistas,
Mártires invencíveis,
generosos Confessores,
sábios Doutores,
ilustres Eremitas,
Monges e Sacerdotes devotos,
Virgens puras e mulheres piedosas,
alegro-me da glória inefável à qual fostes elevados
no reino de Jesus Cristo, nosso divino Mestre.
Bendigo o Altíssimo,
pelos dons e favores admiráveis com que Ele vos cumulou,
e pela insigne ordem a que Ele vos elevou, ó amigos de Deus!



Ó vós que bebeis da torrente das delícias eternas,
e que morais esta pátria imortal, esta ditosa cidade,
onde abunda as riquezas irrevogáveis!
Poderosos protectores,
olhai para nós que combatemos, gemendo ainda no exílio,
e alcançai-nos na nossa fraqueza, a fortaleza e o auxílio,
para conseguir as vossas virtudes, perpetuar os vossos triunfos
e partilhar as vossas coroas.
Ó bem-aventurados cidadãos do céu, santos amigos de Deus,
que atravessastes o mar tempestuoso desta vida perecível,
e que merecestes entrar no porto tranquilo da paz soberana e do eterno descanso!
Ó santas almas do Paraíso,
que estais agora ao abrigo dos obstáculos e das tempestades,
gozando de uma felicidade infinita,
peço-vos, em nome da caridade que enche o vosso coração,
em nome d’Aquele que vos escolheu e que vos fez tal como sois,
ouvi a minha prece.

Tomai parte aos nossos trabalhos e combates,
vós que trazeis nas vossas frontes vencedoras uma coroa incorruptível de glória;
tende piedade das nossas inúmeras misérias,
vós que para sempre fostes resgatados deste triste exílio;
lembrai-vos das nossas tentações,
vós que fostes firmes na justiça;
preocupai-vos com a nossa salvação,
vós que não tendes mais nada a temer para a vossa;
sentados serenamente no monte Sião,
não esquecei aqueles que ainda jazem neste vale de lágrimas.
Poderoso exército dos santos,
bem-aventurada multidão dos Apóstolos e Evangelistas,
dos Mártires, Confessores e Eremitas,
dos Monges e Sacerdotes,
das Santas Mulheres e Virgens puras,
rogai sem cessar por nós, pecadores.
Vinde em nosso auxílio;
afastai das nossas cabeças culpadas, a sentença afiada de Deus;
pelas vossas orações,
fazei entrar o nosso navio no porto da Bem-aventurança eterna.



Atribuído a Santo Agostinho