sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Salve Rainha

A "Salve Rainha" é uma das orações mais populares na Igreja.
Quem compôs a prece teve uma experiência muito viva das misérias da vida humana.
Nesta oração “bradamos” como “degredados”, “suspiramos gemendo e chorando”, vemos o mundo como “um vale de lágrimas”, como um “desterro”...
Mas desta visão amarga da vida aparece uma doce esperança que a ultrapassa e domina.
Se ao considerar a condição humana, o autor só vê motivos de tristeza, ao fixar a sua atenção naquela a quem a dirige, mostra-se animado por um horizonte de expectativas reconfortantes e consoladoras, pois ela, a Virgem Maria, é “mãe de misericórdia”, “vida, doçura, esperança”, “advogada” de “olhos misericordiosos”!


A “Salve Rainha” é atribuída ao monge Herman Contrat que a teria escrito por volta de 1050, no mosteiro de Reichenau, na Alemanha.
Eram tempos terríveis na Europa central: sucessivas calamidades naturais, más colheitas, epidemias, miséria, ameaças contínuas de povos bárbaros, fome e morte por toda parte.
Frei Contrat tinha consciência da infortunada época em que vivia, mas além das agruras da vida de seus contemporâneos, ele nascera raquítico e deforme; adulto, mal conseguia andar e escrevia com dificuldade.
Foi no fundo de todas estas misérias, as próprias e as alheias, que a alma de Frei Contrat elevou à Rainha do céu a sua prece, carregada de sofrimento e de esperança: a “Salve Rainha”.
Quando a “Salve Rainha” veio a ser conhecida pelos fiéis, a oração teve um sucesso enorme e logo foi rezada e cantada por toda parte.
Um século mais tarde, ao ser cantada na catedral de Espira, por ocasião de um encontro de personalidades importantes, entre elas, a do imperador Conrado e a do famoso São Bernardo, conhecido como o “cantor da Virgem Maria” (um dos primeiros a chamar a Mãe de Deus de “Nossa Senhora”), dizem que foi naquele dia e lugar que, ao concluir o canto da “Salve Rainha”, cujas as últimas palavras eram “mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre”, no silêncio que se seguiu, ouviu-se a voz de São Bernardo clamar sozinho em plena catedral: “Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria”... e desde então estas palavras foram incorporadas à “Salve Rainha” original.
Em 1221, os dominicanos começaram a utilizar a oração nas Completas (na Liturgia das horas, antes de deitar); em 1251, os cistercienses; e os cartuchos cantam-na à hora de Vésperas desde o século XII.
Lutero, pai da Reforma Protestante, não gostava da oração, sobretudo das palavras do princípio; os jansenistas quiseram mudar a letra, e conta-se que Cristóvão Colombo a cantava com os índios. O Papa Leão XIII prescreveu a sua recitação.
Um uso litúrgico tradicional quer que se incline a cabeça ao pronunciar o nome de Jesus, em sinal de respeito.
Nos quase mil anos que passaram desde que Herman Contrat compôs a “Salve Rainha”, uma multidão incontável de fiéis se identificou com os sentimentos que ela exprime, vivendo a aflição com doce esperança sob o olhar amável da Mãe do Salvador.

5 comentários:

Mari disse...

Salve Rainha é uma das orações mais lindas.
Salve Rainha, vida e misericórdia!
Abraços.
Lindo o texto e seu blog.

Ecclesiae Dei disse...

Muito interessante! Não conhecia o histórico de tão bela oração, que tantas vezes proclamamos. Obrigado!
Abraços e bom fim de semana!

Maria João disse...

E, como costumo dizer, estamos mesmo sempre no desterro. Basta olharmos à nossa volta e vermos as misérias que há pelo mundo!


beijos em Cristo e Maria

Dalva disse...

Não pude deixar de parar e comentar a beleza do teu blog! Parabéns!

Kenosis disse...

Salve Regina, Mater Dei! Que belo poder saber mais sobre essa oração tão linda e forte! Obrigada por trazê-la a nós! Abços in Domine et Maria semper!