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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Quem pode entender toda a riqueza de uma das tuas palavras, Senhor?

«Quem pode entender toda a riqueza de uma das tuas palavras, Senhor?
Como gente sedenta que bebe a uma fonte, o que entendemos é muito menos do que aquilo que lá deixamos. As perspectivas da tua palavra são numerosas como as orientações daqueles que a estudam. O Senhor pintou a sua palavra de muitas belezas para que aquele que a perscruta possa contemplar o que Ele ama. Na sua palavra, Ele escondeu todos os tesouros para que cada um de nós encontrasse um tesouro meditando-a.

A palavra de Deus é uma árvore da vida que te presenteia de frutos abençoados; ela é como aquele rochedo que foi aberto no deserto para dar a todos os homens uma bebida espiritual. Segundo o Apóstolo, “comeram um alimento espiritual, beberam de uma fonte espiritual”.


Quem partilha de um pouco dessa riqueza não deve acreditar que apenas na palavra de Deus está o que ele procura. Pelo contrário, ele deve entender que foi capaz de descobrir uma só coisa entre muitas outras. Enriquecido pela palavra, ele não deve acreditar que esta ficou mais pobre; incapaz de a esgotar, que ele dê graças pela sua riqueza. Alegra-te porque estás saciado, mas não te entristeces por aquilo que te ultrapassa. Quem tem sede alegra-se de beber, mas não se entristece por esgotar a fonte. Que a fonte acalme a tua sede, sem que a tua sede esgote a fonte. Se a tua sede se saciar sem a fonte se esgotar, poderás beber lá de novo, sempre que tiveres sede. Se, pelo contrário, saciando-te, esgotares a fonte, a tua vitória tornar-se-á o teu infortúnio.

Dá graças por aquilo que recebeste e não lamentas o que não foi utilizado.
O que tomaste e levaste é a tua parte, mas o que permanece é também tua herança.
O que não pudeste receber prontamente por causa da tua fraqueza, recebê-lo-ás novamente se perseverares. Não tenhas o mau pensamento de alcançar aquilo que não pode ser alcançado numa só vez; não desistas, por negligência, àquilo que és capaz de assimilar pouco a pouco.»



Santo Efrém, Padre da Igreja (Séc IV)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Pelas suas Chagas fomos curados

Ele foi trespassado por causa das nossas culpas
e esmagado por causa das nossas iniquidades.
Caiu sobre ele o castigo que nos salva:
pelas suas chagas fomos curados.


Is 53, 5

Trespassaram as minhas mãos e os os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.


Salmo 21 (22), 18b

Hão de olhar para Aquele que trespassaram.


Zac 12, 10


Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-n’O.

Lc 23, 33

Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto,
não Lhe quebraram as pernas,
mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança,
e logo saiu sangue e água.

Jo 19, 33-34

«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,
não acreditarei».
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete-a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».

Jo 20, 25.27

Suportou os nossos pecados no seu Corpo sobre a cruz,
a fim de que, mortos para os nossos pecados,
vivamos para a justiça.
«Pelas suas Chagas fomos curados».

1 Pe 2, 24

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Lê! Medita! Ora!

«Abre a Bíblia e lê o texto. Não escolhas nunca à sorte, porque a Palavra de Deus não é para paparicar. Obedece ao leccionário litúrgico e aceita o texto que a Igreja te oferece hoje, ou então lê um livro da Bíblia do início ao fim, fazendo uma leitura cursiva. (…)
Lê o texto não somente uma vez, mas várias, e até em voz alta. (…)
Se conheces bem o trecho, e que és tentado em lê-lo demasiado rápido, não temas em recorrer a métodos que te impedirão uma leitura rápida e superficial; escreve e recopia o texto. Não lê somente com os olhos, mas procura imprimir o texto no teu coração. (…)
Que a tua leitura seja escuta/audição (audire), e que a escuta se torne obediência (oboedire). Não te apresses. É necessário ler devagar (lectioni vacare), porque a leitura faz-se pela escuta. A Palavra deve ser escutada!



O que significa meditar? Não é fácil dizê-lo. Significa antes de tudo analisar a mensagem que leste e que Deus quer comunicar-te. Por isso exige um esforço, um trabalho, porque a leitura deve transformar-se em reflexão atenta e profunda. (…)
Deves dedicar-te a esta reflexão, segundo a tua cultura, as tuas capacidades e segundo os teus meios intelectuais. (…)
Orígenes dizia: ’ A escuta não é recepção passiva de um determinado texto, mas esforço da parte do cristão em penetrar sempre mais no sentido inesgotável da Palavra divina segundo as suas capacidades pessoais e a perseverança com que ele o faz.’
Este esforço pessoal deve procurar o “cume espiritual” do texto; não a frase que se destaca, mas a mensagem central que transporta para o acontecimento da morte e ressurreição do Senhor. (…)
Tem a humildade de às vezes reconhecer que não entendeste grande coisa ou até nada. Mais tarde o entenderás. (…)
Se percebeste algo, rumina as palavras no teu coração e aplica-as a ti próprio, à tua situação, sem cair em psicologismos, introspecções e acabando por fazer o teu exame de consciência. É Deus que está a falar contigo, contempla-O a Ele e não a ti próprio. Não te deixes paralisar por uma escrupulosa análise das tuas limitações e deficiências perante as exigências divinas que a Palavra te revelou.
Certo, a Palavra é também julgamento, ela perscruta o teu coração, ela manifesta o teu pecado, mas lembra-te que Deus é maior do que o teu coração (cf Jo 3,20) e que esta ferida no teu coração vem de Deus, e que Ele a fez sempre com verdade e misericórdia. (…)
Encanta-te com Aquele que te fala ao coração, pelo alimento que Ele te dá, mais ou menos abundantemente, mas sempre salutar. Encanta-te pela Palavra que se estabeleceu no teu coração, sem a teres procurada no céu ou para além dos mares (cf Dt 30,11-14). Deixa-te seduzir pela Palavra que te transforma em imagem do Filho de Deus sem saberes como. A Palavra que recebeste é para ti vida, alegria, paz e salvação! (…)
A meditação, a "ruminatio" deve fazer com que sejas a morada do Pai, do Filho e do Espírito.


Agora, fala com Deus, responde-Lhe, responde aos seus convites, aos seus apelos, às suas inspirações, aos seus pedidos, às suas mensagens que Ele te dirigiu por meio da Palavra entendida no Espírito Santo. (…)
A “meditação” tem por objectivo a oração. Chegou o momento. Por isso, não faças grandes discursos espirituais; fala-Lhe com segurança, com confiança e sem medo, longe de qualquer olhar sobre ti mesmo, mas arrebatado pelo seu rosto que se revelou no texto em Cristo Senhor.
Dá graças a Deus pela Palavra oferecida, por aqueles que a anunciaram e ta explicaram, intercede pelos irmãos que o texto te recordou, das suas virtudes e das suas quedas, procura unir o alimento da Palavra e o alimento eucarístico.
Guarda o que viste, ouviste, saboreado na Lectio; guarda-o no teu coração e na tua memória, e vai com os homens, no meio deles, e dá-lhes humildemente esta paz e esta bênção que recebeste. Terás a força de agir com eles, afim de realizar na história a Palavra de Deus, pela tua acção social, política, profissional.
Deus necessita de ti como instrumento no mundo para fazer “novos céus e nova terra”. Outro dia espera por ti, um dia em que, vendo Deus face a face na morte, mostrarás se foste uma “carta viva” escrita por Cristo, Lectio divina para os irmãos, verdadeiro Filho de Deus.»


Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro Ecuménico de Bose,
Orar a Palavra, uma introdução à Lectio divina


Este texto é a conclusão dos últimos 3 posts publicados neste blog, sobre a Lectio Divina pelo prior Enzo Bianchi, do Mosteiro Ecuménico de Bose.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Invocar o Espírito Santo

«Toma a Bíblia, coloca-a diante de ti com reverência porque ela é corpo de Cristo, faz a epiclese: a invocação ao Espírito Santo. Foi o Espírito que orientou a geração da Palavra, foi Ele que a fez palavra falada ou palavra escrita pelos profetas, os sábios, Jesus, os apóstolos, os evangelistas, foi Ele que a ofereceu à Igreja e a fez chegar intacta até ti.
Inspirada pelo Espírito Santo, só este mesmo Espírito pode torná-la compreensível. Predispõe tudo para que o Espírito Santo desça sobre ti (Veni Creator Spiritus) e que com a sua fortaleza, a sua dynamis, tire o véu dos teus olhos para veres o Senhor (cf Sl 118,18; 2 Cor 3,12-16). É o Espírito que dá a vida, enquanto a letra mata. Este Espírito que desceu sobre a Virgem Maria, que estendeu sobre ela a sua sombra com poder para gerar nela o Verbo, a palavra feita carne (Lc 1,34), este Espírito que desceu sobre os apóstolos para guiá-los para a verdade total (Jo 16,13), deve fazer o mesmo em ti: Ele tem de gerar em ti a Palavra, Ele deve introduzir-te na totalidade da verdade. A leitura espiritual significa leitura no e com o Espírito Santo, das coisas inspiradas pelo Espírito Santo.
Ora como podes, e como o Senhor to conceder. (…)
Ajuda-te do salmo 118 (119), é o salmo da escuta da Palavra. É o salmo da Lectio divina, a conversa do Amado com o Amante, do crente com o seu Senhor.»


Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro Ecuménico de Bose,
Orar a Palavra, uma introdução à Lectio divina



«Envia agora sobre mim o teu Espírito Santo
para que Ele me dê um coração capaz de escutar (1Rs 3,5);
que Ele se me revele nas Sagradas Escrituras
e gere em mim o Verbo.
Que o teu Espírito Santo tire o véu dos meus olhos (cf 2Cor 3,12-16),
que Ele me conduza à verdade total (Jo 16,13),
que Ele me dê inteligência e perseverança.
Peço-Te por Jesus Cristo, nosso Senhor,
bendito pelos séculos dos séculos!
Ámen.»


Enzo Bianchi

sábado, 18 de outubro de 2008

Um tempo para a Lectio divina

«Faz com que o lugar da Lectio divina e a hora do dia te permitam também o silêncio exterior, preliminar necessário ao silêncio interior. “O Mestre está aqui e chama por ti” (Jo 11,28), e para ouvir a sua voz, deves calar as outras vozes; para escutar a Palavra, deve baixar o tom das tuas palavras. Há períodos mais adaptados ao silêncio do que outros: o coração da noite, de manhã cedo, ou tarde na noite… Vê segundo o teu horário de trabalho, mas permanece fiel a este tempo e determina-o na tua jornada uma vez por todas. Não é sério ir ter com o Senhor na oração somente quando tens uma vaga nos teus compromissos, como se o Senhor fosse um “tapa-buracos”. E não digas nunca: ‘Não tenho tempo’, porque é como se te declarasses idólatra: o tempo da jornada está ao teu dispor, não és tu que deves ser escravo do tempo.
Envolve-te então no silêncio, e o tempo da Lectio divina pautará a tua vida. Sabes que é necessário orar sem cessar (1Tes 5,17), sem nunca te cansar, mas também sabes que é preciso tempos definidos, explícita e visivelmente dedicados à oração, para recordar Deus ao longo do dia.
És um enamorado do Senhor, ou procuras sê-lo? Então não te descuidarás em Lhe consagrar um pouco do tempo que dás habitualmente, todos os dias e sem fadiga, à tua mulher, aos teus próximos ou aos teus amigos.»


Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro Ecuménico de Bose,
Orar a Palavra, uma introdução à Lectio divina

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um lugar para a Lectio divina

«Tu, porém, quando orares,
entra no quarto mais secreto e,
fechada a porta,
reza em segredo a teu Pai,
pois Ele, que vê o oculto,
há-de recompensar-te.»


Mt 6,6





«Quando queres entrar nesta leitura orante, procura primeiro um lugar de solidão e de silêncio onde possas orar ao Pai no segredo até à contemplação.
A cela, o quarto são lugares privilegiados para saborear a presença de Deus, nunca o esqueças (cf Mt 6,5-6). (…)
Que o teu quarto, ou outro lugar solitário, seja para ti o santuário onde Deus te humilha para te provar pela sua Palavra, mas também para te ensinar, te consolar e te alimentar.
Sentirás certamente a presença do Adversário, que te convidará a fugir, que te tornará pesada a solidão, que te distrairá por meio dos teus hábitos e das tuas preocupações, que procurará seduzir-te por inúmeros pensamentos mundanos.
Não te deixas abater, não desespera e resiste nesta luta corpo a corpo com o demónio, porque o Senhor não está longe de ti. Ele não olha somente para o teu combate, mas Ele próprio luta em ti. Ajuda-te, se quiseres, com um ícone, uma vela acesa, um crucifixo, um tapete sobre o qual te ajoelharás para rezar. Não temas – sem ceder à moda e à estética – de utilizar estes meios, que poderão recordar que não estás somente ali para estudar a Bíblia ou ler algumas palavras, mas que estás diante de Deus, disposto a escutá-l’O, em diálogo com Ele!
Se surgir a tentação de fugir, resiste, mesmo que tenhas de permanecer calado, em silêncio, mas resiste. Deves habituar-te aos tempos de solidão, de silêncio, de desapego das coisas e dos irmãos, se quiseres encontrar Deus na oração pessoal.»

Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro Ecuménico de Bose,
Orar a Palavra, uma introdução à Lectio divina


«O que mais importa antes de tudo,
é de entrar em nós mesmos
para aí permanecer a sós com Deus.»

Santa Teresa de Jesus (de Ávila),
O caminho da perfeição

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Lectio Divina

«Do mesmo modo, o sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fiéis, mormente os religiosos, a que aprendam “a sublime ciência de Jesus Cristo” (Fil. 3,8) com a leitura frequente das divinas Escrituras, porque “a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo”*. Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da sagrada Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela Lectio divina, quer por outros meios que se vão espalhando tão louvávelmente por toda a parte, com a aprovação e estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem; porque “a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos”**.»

Constituição Dei Verbum sobre a Revelação Divina, nº25

A Lectio divina, tão antiga como a Igreja, consiste essencialmente em rezar a Palavra, é uma leitura crente e orante da Bíblia, que se desenvolve em 4 fases:
- Lectio / Leitura
- Meditatio / Meditação
- Oratio / Oração
- Contemplatio / Contemplação

*São Jerónimo
** Santo Ambrósio

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sabia que...

Sabia que este passado 5 de Outubro, começou um Sínodo dos Bispos em Roma, delegados das Conferências Episcopais, para reflectir sobre a Palavra de Deus e a vida cristã?

Sabia que, durante muitos séculos, não houve Bíblia escrita, mas só a tradição oral que ia passando de pais a filhos, e contada com fidelidade de geração em geração?

Sabia que a Bíblia é uma “biblioteca” composta de 73 livros, de tamanhos diferentes, de épocas, autores e estilos diferentes? Que o Antigo Testamento tem 46 livros e o Novo, 27 livros?

Sabia que o Antigo Testamento foi todo escrito em hebraico, excepto o livro da Sabedoria, que foi escrito em grego? E sabia que o Antigo Testamento levou 900 anos a escrever, desde o ano 950 antes de Cristo até ao ano 50 antes de Cristo?

Sabia que o Novo Testamento foi escrito até ao fim do século primeiro, ou seja, cem anos depois de Cristo? E que o primeiro texto a ser escrito foi a Primeira Carta aos Tessalonicenses e o último o Evangelho segundo S. João?

Sabia que os livros da Bíblia não foram escritos em capítulos? Que foi Estêvão Langton, arcebispo de Cantuária, em 1214, que dividiu os livros da Bíblia em capítulos?

Sabia que 337 anos mais tarde, em 1551, Robert Etiene dividiu o Novo Testamento em versículos, como temos agora? E que em 1565, Teodoro de Beza dividiu o resto da Bíblia em versículos?

Sabia que os livros do Antigo Testamento não foram escritos pela ordem em que os temos hoje nas nossas Bíblias? Esta ordem é lógica, começa pelo livro das origens, o Génesis, e não é uma ordem cronológica?

Sabia que o Novo testamento foi escrito em aramaico, a língua de Jesus, e em grego? E sabia que foi S. Jerónimo quem, por volta do ano 400, traduziu a Bíblia para Latim, cuja tradução se chama Vulgata?

Sabia que já havia uma tradução de todo o Antigo Testamento para grego, chamada LXX (Setenta), muito usada no tempo de Jesus e das primeiras comunidades cristãs?

Sabia que a Bíblia, como Palavra de Deus, é Palavra inspirada, ou seja, o Espírito Santo agiu nos autores sagrados e os inspirou a escreverem sem eles deixarem de usar sua cultura, suas qualidades, seus talentos?

Sabia que é da Palavra que vem a fé, o alimento espiritual, a força, a graça da conversão?

Sabia que precisamos de ler, saborear a Palavra de Deus?

Revista "Cruzada"




“Só a Palavra de Deus pode transformar em profundidade o coração do homem. Assim, é importante que com ela entrem em intimidade sempre crescente cada um dos crentes e as comunidades. A assembleia sinodal dirigirá a sua atenção a esta verdade fundamental para a vida e missão da Igreja. Alimentar-se da Palavra de Deus é para a Igreja a primeira e fundamental tarefa. (...)
É necessário colocar no centro da nossa vida a Palavra de Deus, acolher Cristo como nosso único Redentor, como o Reino de Deus em pessoa, para fazer com que a sua luz ilumine todos os âmbitos da humanidade: da família à escola, à cultura, ao trabalho, ao tempo livre e aos outros sectores da sociedade e da nossa vida.”


Bento XVI, Homilia da Missa de Inauguração do Sínodo sobre a Palavra de Deus, 05/10/2008






Oração pelo bom êxito do Sínodo dos Bispos

Senhor Jesus Cristo, a quem o Pai nos recomendou escutar como seu Filho amado: iluminai vossa Igreja, a fim de que nada seja para ela mais santo que ouvir vossa voz e seguir-vos. Vós sois Sumo Pastor e Senhor de nossas almas, dirigi vosso olhar aos Pastores da Vossa Igreja, que nestes dias se reúnem com o Sucessor de Pedro em Assembleia Sinodal. Imploramo-vos que os santifiqueis na verdade e os confirmeis na fé e no amor.

Senhor Jesus Cristo, enviai vosso Espírito de amor e de verdade sobre os Bispos que celebram o Sínodo e sobre aqueles que os assistem em suas tarefas: fazei com que sejam fiéis ao que o Espírito diz às Igrejas e, deste modo, inspirai suas almas e ensinai-lhes a verdade. Através de seu trabalho, que os fiéis possam ser purificados e reforçados no espírito para aderir ao Evangelho da salvação por vós realizada e se convertam em oferta viva ao Deus do céu.

Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, assisti hoje os Bispos como um dia assististes os Apóstolos no Cenáculo, e intercedei com a vossa materna ajuda para promover entre eles a comunhão fraterna, a fim de que, em prosperidade e paz, possam alegrar-se na serenidade destes dias e, perscrutando com amor os sinais dos tempos, celebrar a majestade de Deus misericordioso, Senhor da história, para o louvor e glória da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.
Ámen.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O preço do nosso resgate

Tomou o cálice, deu graças e entregou-lho. Todos beberam dele. E Ele disse-lhes: «Isto é o meu sangue da aliança, que vai ser derramado por todos. »

Mc 14, 23-24


Saiu então e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras.
Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra.

Lc 22, 39.44


Mas, a chegar a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas.
Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.

Jo 19, 33-34




O sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo a Deus, sem mácula, purificará a nossa consciência das obras mortas, para que prestemos culto ao Deus vivo!
Por isso, Ele é o mediador de uma nova aliança, um novo testamento; para que, intervindo a morte para a remissão das transgressões cometidas sob a primeira aliança, os chamados recebam a herança eterna prometida.
Heb 9, 14-15


Se invocais como Pai aquele que, sem parcialidade, julga cada um consoante as suas obras, comportai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação; sabendo que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver herdada dos vossos pais, não a preço de bens corruptíveis, prata ou ouro, mas pelo sangue precioso de Cristo, qual cordeiro sem defeito nem mancha.
1 Pd 1,17-19


Depois disto, apareceu na visão uma multidão enorme que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé com túnicas brancas diante do trono e diante do Cordeiro, e com palmas na mão.
Então, um dos seres viventes tomou a palavra e disse-me: «Estes, que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e donde vieram?»
Eu respondi-lhe: «Meu senhor, tu é que sabes.» Ele disse-me: «Estes são os que vêm da grande tribulação; lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro.»

Ap 7, 9.13-14


Graça e paz da parte daquele que é, que era e que há-de vir, da parte dos sete espíritos que estão diante do seu trono e da parte de Jesus Cristo, a Testemunha fiel, o Primeiro vencedor da morte e o Soberano dos reis da terra.
Àquele que nos ama e nos purificou dos nossos pecados com o seu sangue, e fez de nós um reino, sacerdotes para Deus e seu Pai, a Ele seja dada a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amen!

1 Ap, 5-8

domingo, 6 de abril de 2008

Abriste-lhes o coração...

Quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção,
partiu o e entregou-lho.
Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O.
Mas Ele desapareceu da sua presença.
Disseram então um para o outro:
«Não ardia cá dentro o nosso coração,
quando Ele nos falava pelo caminho
e nos explicava as Escrituras?»


Lc 24, 30-32




Senhor,
esperávamos uma manifestação gloriosa da tua Ressurreição,
uma prova indubitável da tua filiação divina
para que os homens Te reconhecessem e se abandonassem em Ti.

Caminhas ao lado de teus discípulos na estrada de Emaús,
eles que tinham colocado todas as suas esperanças em Ti.
No entanto, os seus olhos não Te reconhecem.

Senhor, como é fácil identificar-nos com estes peregrinos!
Caminhas ao nosso lado e não Te descobrimos…

Mas abriste-lhes o coração pela tua Palavra,
e logo entraram na luz verdadeira do mistério da tua morte e ressurreição,
o mistério da nossa redenção.

E quando rompeste o pão,
o véu que escondia a tua presença desvaneceu-se…
Bendito és Tu, Senhor Jesus,
presença eterna na tua Palavra e na tua Eucaristia!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Deserto da tentação...deserto da libertação

"Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto,
a fim de ser tentado pelo Demónio"
(Mt 4, 1)

A tentação faz parte inevitavelmente da vida do homem, e sem as tentações do deserto, Jesus, o Verbo de Deus que se fez carne, não teria assumido plenamente a sua condição humana.
Assim, como verdadeiro homem, Jesus, Filho de Deus, também viveu o que Santo Agostinho um dia disse sobre a experiência humana da tentação:
«Na sua viagem terrena, a nossa vida não pode escapar-se à provação da tentação, porque o nosso progresso se realiza pela nossa provação; ninguém se conhece a si mesmo sem ter sido provado, e não pode ser coroado sem ter vencido, não pode vencer sem ter combatido, e não pode combater se não encontrou o inimigo e as tentações.»
Desde o princípio, o homem leve este combate contra o inimigo e as tentações.
No deserto, Cristo vem reviver concretamente este combate velho como o mundo e dar-lhe um novo desfecho.
Três tentações, três vitórias de Jesus, pelas quais o homem reencontra a sua liberdade original.
«Jesus Cristo, no deserto foi tentado pelo demónio. Mas em Cristo, és tu que eras tentado, porque Cristo tinha de ti a carne, para te dar a salvação; tinha de ti a morte, para te dar a vida; tinha de ti os ultrajes, para te dar as honras; por isso tinha de ti as tentações para te dar a vitória. Se é n’Ele que somos tentados, é n’Ele que dominamos o demónio. (…) Se Ele não tinha sido tentado, Ele não te teria ensinado, a ti que deves ser submetido à tentação, como alcançar a vitória.» (S. Agostinho)
Com Jesus, homem livre, não tenhamos medo de enfrentar o deserto da tentação que é também o deserto da libertação!
Afinal, Cristo mostrou-nos, quando colocados diante de escolhas que devemos fazer, a maneira de agir num acto livre: seguir a Palavra de Deus.

sábado, 8 de setembro de 2007

Uma renúncia radical…uma preferência absoluta

Naquele tempo,
seguia Jesus uma grande multidão.
Jesus voltou-Se e disse-lhes:
«Se alguém vem ter comigo,
sem Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos,
aos irmãos, às irmãs e até à própria vida,
não pode ser meu discípulo.
Quem não toma a sua cruz para Me seguir,
não pode ser meu discípulo.
Quem de entre vós, que, desejando construir uma torre,
não se senta primeiro a calcular a despesa,
para ver se tem com que terminá-la?
Não suceda que, depois de assentar os alicerces,
se mostre incapaz de a concluir
e todos os que olharem comecem a fazer troça,
dizendo:‘Esse homem começou a edificar,
mas não foi capaz de concluir’.
E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei
e não se senta primeiro a considerar
se é capaz de se opor, com dez mil soldados,
àquele que vem contra com ele com vinte mil?
Aliás, enquanto o outro ainda está longe,
manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz.
Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens,
não pode ser meu discípulo».


Lc 14,25-33




Jesus não se impõe a ninguém. Cada um deve decidir se deseja segui-Lo ou não.
Mas que escolha? Ele pede uma renúncia radical…uma preferência absoluta!
Mais do que aos pais, à esposa, aos filhos, à família, até à própria vida, Jesus deve ser preferido.
Preferir Cristo é talvez a melhor maneira de amar verdadeiramente aqueles que nos são caros. Porque há amor e amor. Muitas vezes é a nós próprios que amamos no outro e então o próximo torna-se um meio para o nosso próprio culto.
Por isso não se trata de escolher entre Jesus e aqueles que amamos, mas de escolher entre um amor verdadeiro e um amor falso. E este amor verdadeiro é Deus porque Ele próprio é amor.
Só que este amor autêntico custa. É preciso renunciar, aceitar de perder, como Cristo, para aprender que Deus é amor.
Preferir Cristo é descobrir um caminho, inventá-lo, cada um à sua maneira e ao seu ritmo. É ser chamado a escolher…a nós de pensar e ver se somos capazes.
Mas este passo nem sempre é feito francamente porque temos medo de perder, de nos perder, porque não confiamos suficientemente em Deus.
Ora acreditar é confiar, fiar-se na Palavra de Deus, o próprio Jesus; é apostar tudo em Cristo. Este é o belo desafio da fé.


Senhor eu creio em Ti, amo-Te,
mas aumenta a minha fé e o meu amor!

sábado, 18 de agosto de 2007

Perseguição e divisão

«Pensai n’Aquele que suportou contra Si
tão grande hostilidade da parte dos pecadores,
para não vos deixardes abater pelo desânimo.» Heb 12, 3

«Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra?
Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão.» Lc 12, 51


Jesus é o Príncipe da Paz, Paz que Ele leva aonde Ele está…mas Ele é também sinal de contradição (Lc 2, 34), dividindo aqui na terra, aqueles que se reclamam d’Ele e aqueles que romperam com Ele.
Desde os princípios, a Igreja foi perseguida, e ainda o é hoje, por aqueles que são incomodados por Cristo e o seu Evangelho.
Os discípulos de um Crucificado têm que esperar por isso.
Não desanimemos quando todos nos abandonam.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

E da nuvem...


Deus se manifesta no meio da nuvem, da escuridão.
Ouvimos a sua voz, mas não vemos o seu rosto.
Essa voz de Deus é o seu Logos, o seu Verbo feito carne.
A sua voz não é o trovão do Sinai, mas a voz de um homem.
Um homem para todos: Jesus, mas Ele é também o Unigénito do Pai e o Senhor daqueles que n’Ele depositam a sua fé.
“Este é o meu Filho, o meu Eleito, escutai-o!” (Lc 9, 35)
A regra da vida plena não é aqui a da conveniência, mas da obediência ao Filho, manifestada na voz que saiu da nuvem.
"Felizes os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática". (Lc 11, 28)

domingo, 22 de julho de 2007

Acolher

«Abraão estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia.
Ergueu os olhos e viu três homens de pé diante dele.
Logo que os viu, deixou a entrada da tenda e correu ao seu encontro;
prostrou-se por terra e disse:
’Meu Senhor, se agradei aos vossos olhos,
não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo.’»

Gn 18,1-3

«Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa.
Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.»

Lc 10, 38-42



Há muitas maneiras de acolher as pessoas.
Cheio de delicadeza, Abraão vai ter com os seus três misteriosos visitantes, prosterna-se diante deles, convida-os a não passar sem parar diante da sua casa, prepara um festim…
Também Marta prepara uma refeição que certamente partilhará com os seus irmãos, Lázaro e Maria, para o amigo convidado, Jesus.
Outra maneira de acolher é a de Maria, irmã de Lázaro e Marta. Ela senta-se aos pés de Jesus, o escuta, fazendo-lhe companhia.

Os portugueses têm fama de acolher bem…e quase sempre à volta da mesa. Há sempre algo para petiscar com as visitas.
Acolher é uma bela maneira de amar o próximo.
O Senhor convida-nos a sermos também nós, outros Abraão, Marta, Maria, no acolhimento que Lhe reservamos, na escuta da sua Palavra, mas também, no amigo, no vizinho, no pobre, no refugiado, no marginalizado. Podemos reconhecer o próprio Jesus na visita que bate à nossa porta.
A nós de ouvir a Palavra do Senhor e de a pôr em prática.
“Se alguém me tem amor guardará minha palavra, meu Pai o amará e nós viremos a ele, e faremos nele a nossa morada.” Jo 14, 23

domingo, 15 de julho de 2007

O próximo

«Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores.
Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto.
Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante.
Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem,passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho,colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse:
‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’.
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
O doutor da lei respondeu:
«O que teve compaixão dele».
Disse-lhe Jesus:
«Então vai e faz o mesmo».

Lc 10,30-37




É bem conhecida de todos a história do Bom Samaritano e o contexto em que Jesus a contou.
À pergunta feita a Jesus pelo doutor da lei: «Mestre, que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?», o Senhor responde com o mandamento do amor: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo».
Mas para ilustrar o amor ao próximo, Jesus conta a bela história do Bom Samaritano.
Esta parábola ensina-nos 3 coisas sobre o próximo.
O próximo é, primeiro, aquele que está próximo de mim.
Em segundo, o próximo é aquele que está em necessidade: nesta parábola, é o homem espancado pelos salteadores.
Finalmente, é aquele que se faz próximo da pessoa em necessidade, é «o que teve compaixão dele», respondeu o doutor da lei.
Assim, o próximo se encontra nas duas pontas da relação de amor, é a pessoa amada mas também a pessoa que ama!
Viver segundo o Evangelho, é fazer-se próximo de qualquer um que precisa de ajuda, não interessa a sua religião, a sua etnia, a sua amizade ou inimizade por nós.

Senhor,
que eu encontre alguém para me ajudar
quando preciso de auxílio.
Que eu me faça próximo do outro
quando é ele que me chama.
Ámen.

domingo, 8 de julho de 2007

Eu vos envio...

Naquele tempo,
designou o Senhor setenta e dois discípulos
e enviou-os dois a dois à sua frente,
a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
E dizia-lhes:
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao dono da seara
que mande trabalhadores para a sua seara.
Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias,
nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho.
Quando entrardes nalguma casa,
dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’.
E se lá houver gente de paz,
a vossa paz repousará sobre eles:
senão, ficará convosco.
Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem,
que o trabalhador merece o seu salário.
Não andeis de casa em casa.
Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem,
comei do que vos servirem,
curai os enfermos que nela houver
e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’.»


Lc 10, 1-9



Com o envio dos 72 discípulos, Jesus revela a nossa responsabilidade de cristãos.
É muito frequente pensar que anunciar a Boa Nova é trabalho para os sacerdotes e agentes pastorais. Mas hoje, no Evangelho, Jesus nos diz que cada um é responsável no anúncio do reino de Deus…
Para Jesus e os evangelistas, todos os discípulos de Cristo devem proclamar a Boa Nova. Mas devem proclamá-la muito mais pelo modo de vida do que pela palavra. Jesus não diz praticamente nada da mensagem a transmitir, Ele não fala do conteúdo da fé mas dos comportamentos concretos dos mensageiros: pobreza, humildade, paz.
Não é fácil agir cristãmente num mundo secularizado e materialista, onde muitos vivem como se Deus não existisse. Por isso entendemos as palavras de Cristo: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos». Vivemos hoje o mesmo problema que os cristãos dos primeiros tempos viveram, eles que formavam uma pequena comunidade no meio de um mar de paganismo, superstição e fatalismo.
Devemos transmitir o Evangelho às famílias, nos locais de trabalho, no mundo da economia, da política, da cultura…
Porém, não somos enviados para converter, fazer proselitismo, mas para mostrar às pessoas que Deus as ama e que também nós as amamos, que desejamos trazer-lhes a paz…e Deus fará o resto.

sábado, 23 de junho de 2007

Seguir o Mestre

-«Vou fazer-vos uma pergunta…
a mesma que fiz um dia ao meus discípulos:
Quem dizeis que Eu sou?»
-«És o Messias de Deus,
Aquele que sofreu muito,
que foi rejeitado pelo seu povo,
que morreu e ressuscitou ao terceiro dia!»
-«E quereis vir comigo?»
-«Sim. Que devemos fazer?»
-«Renunciai a vós mesmo,
tomai a cruz todos os dias
e segui-me.»
-«Porquê?»
-«Pois bem...quem quiser salvar a sua vida,
há-de perdê-la;
mas quem perder a sua vida por minha causa,
salvá-la-á.»


Inspirado de Lc 9, 18-24



«Porque temes, pois, tomar a cruz, pela qual se caminha para o reino de Deus?
Na cruz está a saúde e a vida.
Na cruz está o refúgio contra os inimigos, a doçura da graça, a força da alma, a alegria do espírito, a perfeição das virtudes, o cume da santidade.
Não há salvação nem esperança da vida eterna senão na cruz.
Toma, pois, a tua cruz e segue a Jesus Cristo, e caminharás na vida eterna.
Este Senhor foi adiante, levando às costas a sua.
Nela morreu por teu amor, para que tu leves também a tua e nela desejas morrer.»

Imitação de Cristo L2, XII

sábado, 12 de maio de 2007

Faremos nele a nossa morada

«Amar é possuir o maior dom de Deus, porque é possuir o próprio Deus.
’Quem Me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará; nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada’ (Jo 14, 23). É a posse de Deus, e nós mergulhados em Deus; é o amor de Deus em nós, comunicado pela presença das Três Pessoas divinas, que nos hão-de levar a viver submersos no oceano da vida sobrenatural, seguindo sempre o caminho apontado pela luz da palavra de Deus.»

Irmã Lúcia


Santíssima Trindade, eu Vos adoro.
Meu Deus, meu Deus,
eu Vos amo no Santíssimo Sacramento.

Pastorinhos de Fátima

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Maria vive da palavra de Deus

Na intenção geral do mês de Maio, Bento XVI convidou os cristãos a rezar para que todos estejam sempre atentos aos sinais do Senhor na própria vida, deixando-se guiar pela Palavra de Deus, à imitação de Maria. A Mãe de Jesus é, de facto, um grande exemplo para todos nós.

«Maria era, por assim dizer, "em casa" na palavra de Deus, vivia da palavra de Deus, estava imbuída da palavra de Deus. Na medida em que falava com as palavras de Deus, pensava com as palavras de Deus, os seus pensamentos eram os pensamentos de Deus, as suas palavras as palavras de Deus. Era invadida pela luz divina e por isso era tão esplêndida, tão bondosa, tão radiante de amor e de bondade. Maria vive da palavra de Deus, é inundada pela palavra de Deus. E este “estar” imersa na palavra de Deus, este “ser” totalmente familiar com a palavra de Deus, dá-lhe também a luz interior da sabedoria. Quem pensa com Deus pensa bem, e quem fala com Deus fala bem. Tem critérios de juízo válidos para todas as coisas do mundo. Torna-se sábio, prudente e, ao mesmo tempo, bom: torna-se também forte e corajoso, com a força de Deus que resiste ao mal e promove o bem no mundo.

E, assim, Maria fala connosco, fala-nos, convida-nos a conhecer a palavra de Deus, a amar a palavra de Deus, a viver com a palavra de Deus, a pensar com a palavra de Deus. E podemos fazê-lo de diversíssimos modos: lendo a Sagrada Escritura, sobretudo participando na Liturgia, na qual no decurso do ano a Santa Igreja nos abre diante de nós toda a Sagrada Escritura. Abre-a para a nossa vida e torna-a presente na nossa vida.»


Bento XVI, 15/08/2005


O mosaico feito pelos artistas do Centro Aletti, que representa o mistério da Anunciação, é muito interessante pelo facto da Virgem participar com o Anjo Gabriel na leitura da mensagem de Deus, e o pergaminho, onde está a Palavra, penetrar o ser de Maria como transparência. Um belo exemplo da arte ao serviço do mistério divino.