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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Rosto: Isabel da Trindade

Isabel Catez nasceu em 1881 em Dijon.
Ela é uma menina muito viva, ama a vida: viagens, concertos, amizades, serviço da Igreja. Ela é sensível à beleza, e porque começou cedo a arte da música, ela obtém o primeiro prémio de piano no conservatório da sua cidade.
Ela é também irresistivelmente atraída por Deus. “Sinto-O tão vivo na minha alma. Só tenho que recolher-me para encontrá-Lo dentro de mim, e faz toda a minha felicidade. Ele colocou no meu coração uma sede infinita e uma tão grande necessidade de amar, que só Ele pode saciar.”

Aos 21 anos, ela entra no Carmelo de Dijon.
No seu convento, ela escreve inúmeras cartas à família e aos amigos. Ela guarda a preocupação do mundo e da Igreja. “A minha alma agrada-se em unir-se à vossa, numa mesma oração, para a Igreja e a diocese.” Ela acompanha o percurso espiritual dos seus íntimos na vida comum de leigos, “todos chamados, todos amados”. “Mesmo no meio do mundo, pode-se ouvir Deus no silêncio de um coração que só deseja pertencer-Lhe.”

No fim da sua vida, atingida por uma doença incurável, ela transcreve a sua experiência e a sua oração em cadernos. “Quando o peso do corpo se faz sentir e cansa a vossa alma, não desesperais, mas ide pela fé e o amor Àquele que disse: ‘Vinde a mim e Eu vos aliviarei.‘ Para aqueles que perseverem animados, não vos deixeis abater no pensamento das vossas misérias. O grande Apóstolo Paulo disse: ‘Onde o pecado abundou, a graça superabundou.’ "
Isabel morre a 9 de novembro de 1906, após 9 meses de agonia. As suas últimas palavras são: “Eu vou para a Luz, o Amor, a Vida.”

Isabel da Trindade foi beatificada pelo Papa João Paulo II a 25 de novembro de 1984.

domingo, 1 de novembro de 2009

Deus é ambicioso

«Deus é ambicioso, Ele não quer que sejamos só honestos, Ele quer que sejamos santos. Ele não quer que sejamos só obedientes à Lei, Ele quer que o nosso coração deseje a sua Vontade.
Ele não se contenta em ter um povo, Ele quer uma família. Ele não se contenta em ter criaturas, Ele quer filhos e filhas. (...)

A maioria dos santos que conhecemos tiveram vidas extraordinárias, e é normal que estes sejam conhecidos, mas eles não são conhecidos porque são santos… eles são conhecidos pelos destinos extraordinários que viveram. Mas a santidade não se reduz aos santos canonizados, ela diz respeito a todos aqueles que vivem a Vontade de Deus no destino de uma vida comum ainda que desconhecida. A santidade não está relacionada a um estado de vida, mesmo se conhecemos mais santos religiosos, consagrados, retirados do mundo, eremitas, monges do que santos leigos envolvidos em tarefas comuns. (...)

Para nós, o santo é primeiro uma imagem, um vitral, uma pintura, uma história. Muitas vezes, só conhecemos do santo o produto acabado, o santo canonizado...conhece-se menos bem o caminho que o levou à santidade, mas isso compete a cada cristão estudá-lo. (...)

O Papa João Paulo II tentou mostrar, através das canonizações, que houve santos no tempo moderno e santos que tiveram uma vida comum, santos em todos os estados de vida! Há santos no nosso tempo, hoje, nas famílias, nos lares, nos jovens, nos idosos, nos saudáveis, nos doentes; há santos em todos as circunstâncias da realidade.»



Dom Vingt-Trois, Cardeal e Arcebispo de Paris

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ao pé do Sacrário estamos todos perto

«Hoje saí de casa quando começava a anoitecer. Atravessei as ruas principais da cidade e, um pouco aturdido com o barulho das pessoas, dos carros e as luzes, me dirigi aonde meu espírito necessitava, a Casa de Deus. Estava quase deserta; uma mulher recitava orações diante de um altar mal iluminado; outro grupo de mulheres cochichavam junto a um confessionário, e o Senhor, Deus da criação, o Juiz dos vivos e dos mortos, estava no Sacrário esquecido pelos homens. Na paz e no silêncio da Igreja, minha alma se abandonava em Deus. Via passar diante de mim todas as misérias e todas as desgraças dos homens, seus ódios e suas lutas, e pensava que se este Deus que se oculta num pouco de pão não estivesse tão abandonado, os homens seriam mais felizes, mas não querem sê-lo.»



«Uma multidão de Sacrários existem na terra, mas somente um Deus, que é Jesus Sacramentado. Consoladora verdade que faz estar tão unidos o monge no seu Coro, o missionário em terra de infiéis e o secular na sua paróquia. Não há distâncias, nem há idades. Ao pé do Sacrário estamos todos perto. Deus nos une. Peçamos-Lhe, por mediação de Maria, que algum dia no céu, possamos contemplar a esse Deus que por amor ao homem se oculta sob as espécies do pão e do vinho. Assim seja.»



São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938)
Monge espanhol da Ordem de Cister,
canonizado a 11/10/2009 pelo Papa Bento XVI.



Blog sobre São Rafael Arnaiz Baron


Não conhecia a figura deste monge espanhol...gostei logo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Igreja não precisa de críticos, mas de artistas...

«Desconfio da minha imaginação, da minha revolta; a indignação nunca salvou ninguém, mas arruinou provavelmente muitas almas, e todas as orgias de simonia na Roma do século XVI não teriam beneficiado o diabo se não tivessem conseguido este golpe único de atirar Lutero no desespero, e com esse monge indomável, dois terços da dolorosa cristandade.
Lutero e os seus desesperaram da Igreja, e quem desespera da Igreja, curiosamente, desespera do homem mais tarde ou mais cedo.
Vendo assim, o protestantismo parece-me um compromisso com o desespero ...
As gentes da Igreja teriam de bom grado tolerado que ele juntasse a sua voz a tantas outras vozes mais ilustres ou mais santas que nunca deixaram de denunciar estas desordens. A infelicidade de Martinho Lutero foi de pretender reformar...
Ora é um facto que não se reforma nada na Igreja por meios ordinários. Quem pretende reformar a Igreja com esses meios, pelos mesmos meios que reformam uma sociedade temporal, não só fracassa no seu empreendimento, como inevitavelmente acaba fora da Igreja... antes mesmo que alguém se preocupa em exclui-lo... torna-se seu inimigo quase inconscientemente. (…)
Não se reforma a Igreja senão sofrendo por ela,
não se reforma a Igreja visível senão sofrendo pela Igreja invisível.
Não se reforma os vícios da Igreja senão dando o exemplo das suas virtudes heróicas.
É possível que São Francisco de Assis não tenha sido menos revoltado do que Lutero pela libertinagem e a simonia dos prelados.
É uma certeza que ele sofreu mais cruelmente, devido à sua natureza bem diferente da do monge de Weimar.
Mas ele não desafiou a iniquidade… ele entregou-se à pobreza... em vez de tentar arrancar à Igreja os bens mal adquiridos, ele a cumulou de tesouros invisíveis, e sob a mão suave deste mendigo, o ouro e a luxúria começaram a florescer como um jardim de primavera...
A Igreja não precisa de críticos, mas de artistas...
A Igreja não precisa de reformadores, mas de santos.»


Georges Bernanos, escritor e jornalista francês
1888-1948

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fora e dentro da Religião, serviu a Deus em toda a vida

D. Nuno Álvares Pereira, Nuno de Santa Maria, será a partir de 26 de Abril o novo Santo português, juntando assim o seu nome a uma lista que se estende desde antes do início da nacionalidade. A última canonização de um português aconteceu quando Paulo VI, a 3 de Outubro de 1976, declarou Santa a religiosa Beatriz da Silva.
Fundador da Casa de Bragança, D. Nuno nasceu em Santarém a 24 de Junho de 1360. Como Condestável do reino de Portugal, foi militar invencível; mas, vencendo se a si mesmo, pediu a admissão, como irmão leigo, na Ordem do Carmelo.
Morreu no domingo da Ressurreição do ano 1431 (1 de Abril).



«Admirável foi este santo varão pelas muitas e especiais virtudes que cultivou, não só depois do divórcio que fez com o mundo, mas também antes de receber o hábito religioso. (…)Exemplaríssima foi a humildade com que, fora e dentro da Religião, serviu a Deus em toda a vida. Como árvore frutífera cujos ramos mais se inclinam quando é maior o peso dos seus frutos, assim este virtuoso varão mais submisso se mostrava com os triunfos e com as virtudes. (…)
Depois de religioso, foi o servo de Deus mais admirável nos exercícios da caridade. Não se contentava com distribuir as esmolas pelo seu pagador, como no século fazia; mas pelas próprias mãos, na portaria deste convento, remediava a cada um a sua necessidade.Não menos caritativo era para com o seu próximo nas ocasiões que se lhe ofereciam de lhe acudir nas enfermidades. Assistia aos pobres nas doenças, não só com os alimentos necessários, mas com os regalos administrados por suas próprias mãos.Velava noites inteiras por não faltar com a assistência aos que nas doenças perigavam.Continuando o Venerável Nuno de Santa Maria as asperezas da vida, sem nunca afrouxar dos seus primeiros fervores, chegou ao ano de 1431 tão destituído de forças, que no corpo apenas conservava alguns alentos para poder mover se.Entrando enfim na última agonia, rogou que, para consolação do seu espírito, lhe lessem a Paixão de Cristo escrita pelo evangelista São João; logo que chegou à cláusula do Evangelho onde o mesmo Cristo, falando com sua Mãe Santíssima a respeito do amado discípulo, lhe diz: Eis o vosso filho, deu ele o último suspiro e entregou sua ditosa alma ao mesmo Senhor que a criara.»


Da Crónica dos Carmelitas da antiga e regular observância nos Reinos de Portugal


Combati o bom combate,
terminei a carreira,
guardei a fé.
O Senhor me dará a coroa da justiça.

(2 Tim 4, 7-8)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O santo ilumina

O santo não é um herói que se admira de longe.
A celebridade, a vedeta brilha…o santo ilumina!
Os dois atraem, mas não irradiam da mesma forma.

Se o santo ilumina, é porque, aos poucos, ele deixou crescer nele o desejo de amar a Deus e os homens. Para isso, «somos todos destinados…tu, eu e os outros. É uma tarefa acessível, pois aprendendo a amar, aprendemos a ser santos» (Beata Teresa de Calcutá).

“Aprender a ser santo” envolve também as nossas imperfeições: pela fraqueza humana, Deus age.
Como o demonstrou Santa Teresa do Menino Jesus, este caminho de humildade e de benevolência para consigo próprio, é praticada nos actos banais da vida. Deus, na sua misericórdia, nos quer junto d’Ele, sem esperar grandes feitos da nossa parte. «No combate, o herói é aquele que consegue vencer; o santo, é aquele que deixa triunfar Deus na sua pessoa» (Pe. Marie-Eugène do Menino Jesus). É pela nossa fraqueza que Deus pode “trabalhar-nos”. É pela humildade que a santidade cresce no homem. Como uma semente germina e se desenvolve até chegar à sua plenitude, a santidade é a plenitude do ser humano. Um trabalho humilde e paciente à imagem do agricultor que trabalha a terra.

A santidade é para todos mas com algumas exigências. «Se alguém quiser seguir-Me, nega-se a si mesmo, toma a sua cruz e siga-me» (Mt 16,24). Seguir Cristo é ser convidado a imitá-lo, como todos os santos O imitaram.

«Para ser santo, não se trata de realizar actos e obras extraordinárias, nem possuir carismas excepcionais; trata-se de seguir Jesus, ouvir e segui-l’O, sem se deixar abater nas dificuldades» (Bento XVI). Todo um programa…

sábado, 1 de novembro de 2008

Ó vós que bebeis da torrente das delícias eternas

Rainha de todos os santos,
gloriosos Apóstolos e Evangelistas,
Mártires invencíveis,
generosos Confessores,
sábios Doutores,
ilustres Eremitas,
Monges e Sacerdotes devotos,
Virgens puras e mulheres piedosas,
alegro-me da glória inefável à qual fostes elevados
no reino de Jesus Cristo, nosso divino Mestre.
Bendigo o Altíssimo,
pelos dons e favores admiráveis com que Ele vos cumulou,
e pela insigne ordem a que Ele vos elevou, ó amigos de Deus!



Ó vós que bebeis da torrente das delícias eternas,
e que morais esta pátria imortal, esta ditosa cidade,
onde abunda as riquezas irrevogáveis!
Poderosos protectores,
olhai para nós que combatemos, gemendo ainda no exílio,
e alcançai-nos na nossa fraqueza, a fortaleza e o auxílio,
para conseguir as vossas virtudes, perpetuar os vossos triunfos
e partilhar as vossas coroas.
Ó bem-aventurados cidadãos do céu, santos amigos de Deus,
que atravessastes o mar tempestuoso desta vida perecível,
e que merecestes entrar no porto tranquilo da paz soberana e do eterno descanso!
Ó santas almas do Paraíso,
que estais agora ao abrigo dos obstáculos e das tempestades,
gozando de uma felicidade infinita,
peço-vos, em nome da caridade que enche o vosso coração,
em nome d’Aquele que vos escolheu e que vos fez tal como sois,
ouvi a minha prece.

Tomai parte aos nossos trabalhos e combates,
vós que trazeis nas vossas frontes vencedoras uma coroa incorruptível de glória;
tende piedade das nossas inúmeras misérias,
vós que para sempre fostes resgatados deste triste exílio;
lembrai-vos das nossas tentações,
vós que fostes firmes na justiça;
preocupai-vos com a nossa salvação,
vós que não tendes mais nada a temer para a vossa;
sentados serenamente no monte Sião,
não esquecei aqueles que ainda jazem neste vale de lágrimas.
Poderoso exército dos santos,
bem-aventurada multidão dos Apóstolos e Evangelistas,
dos Mártires, Confessores e Eremitas,
dos Monges e Sacerdotes,
das Santas Mulheres e Virgens puras,
rogai sem cessar por nós, pecadores.
Vinde em nosso auxílio;
afastai das nossas cabeças culpadas, a sentença afiada de Deus;
pelas vossas orações,
fazei entrar o nosso navio no porto da Bem-aventurança eterna.



Atribuído a Santo Agostinho

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Chuva de rosas

«Nunca dei a Deus senão amor. Deus me pagará com amor. Depois da minha morte, farei cair uma chuva de rosas.»


«Sinto que vai principiar a minha missão, a missão que tenho, de fazer amar a Deus como eu O amo…de ensinar às almas o meu caminhinho. Quero passar o meu céu a fazer bem na terra: o que não é impossível, pois no mesmo seio da visão beatifica estão por nós velando os anjos. Não, não hei de poder tomar nenhum repoiso até ao fim do mundo! Só quando o Anjo disser: “Passou o tempo!” é que hei-de descansar e gozar, porque só então estará apurado o número dos escolhidos.
- E que caminhito é esse que quer ensinar às almas?
- Minha Madre, é o caminho da infância espiritual, é o caminho da confiança e do abandono completo nas mãos de Deus. Quero indicar-lhes os pequeninos expedientes que tão bem me surtiram; quero dizer-lhes que a santidade neste mundo se cifra apenas nisto: ofertar a Jesus as flores dos pequeninos sacrifícios e cativá-l’O a poder de carícias. Assim é que eu O cativei, e por isso é que hei-de obter d’Ele o bom acolhimento que espero.»


História de uma alma – Manuscritos autobiográficos
Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face









Cerca das 19h20 do dia 30 de Setembro de 1897, Teresa do Menino Jesus exala o último suspiro, num êxtase de amor.
“Cravando os olhos no Crucifixo: - Oh!...amo-O!...Meu Deus, eu…Vos… amo!!! Foram as suas últimas palavras.”
Festa litúrgica: 1 de Outubro

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Rosto de Clara de Assis

«Coloca o teu espírito diante do espelho da eternidade, deixa a tua alma envolver-se no esplendor da glória, une-te de coração Àquele que é a incarnação da essência divina, e por esta contemplação, transforma-te toda à imagem da sua divindade. Conseguirás assim experimentar o que só os seus amigos sentem; provarás a doçura escondida que o próprio Deus reservou, desde o princípio, àqueles que O amam.
Sem conceder um só olhar a todas as seduções enganadoras pelas quais o mundo aprisiona os pobres cegos que se agarram a ele, ama então de todo o teu ser Aquele que por teu amor se entregou todo também, Ele cuja beleza é admirada pelo sol e pela lua, Ele que garante recompensas de grandeza e valor sem limites. Falo do Filho do Altíssimo que a Virgem deu à luz sem deixar de ser virgem. Associa-te a esta doce Mãe que deu ao mundo esta criança que os céus não podiam conter; ela que no entanto O albergou no pequeno claustro de seu ventre e O levou no seu seio virginal. (…)
Assim como a gloriosa Virgem das virgens O levou materialmente, assim poderás sempre levá-l’O espiritualmente no teu corpo casto e virginal se seguires o seu exemplo, particularmente a sua humildade e a sua pobreza; poderás conter em ti Aquele que te contem, a ti e ao universo, possuindo-O de maneira bem mais real e concreta do que poderias possuir os bens perecíveis deste mundo.»


3ª carta de Santa Clara de Assis a Inês de Praga



* * *

Santa Clara nasceu em Assis, Itália, por volta de 1194, numa família rica e nobre.
Clara era filha primogénita de Favarone e Hortulana e tinha mais duas irmãs, Inês e Beatriz.
Clara sonhava com uma vida cheia de sentido, que lhe trouxesse uma verdadeira felicidade.
Depois de conversar muito com Francisco de Assis, seduzida pelo estilo de vida de seu amigo que deixara tudo para seguir a Cristo, saiu de casa no Domingo de Ramos de 1212, sorrateiramente em plena noite, acompanhada apenas de sua prima Pacífica e de outra fiel amiga. Foi procurar Francisco na Igreja de Santa Maria dos Anjos, e lá, frente ao altar, o Povorello lhe cortou os longos e dourados cabelos, cobrindo-lhe a cabeça com um véu, sinal de que Clara seria doravante Esposa de Cristo. Nem a ira de seus parentes, nem as lágrimas de seus pais conseguiram fazê-la retroceder no seu propósito. Poucos dias depois, a sua irmã Inês juntou-se a ela, imbuída do mesmo ideal. Mais tarde é a sua mãe, Hortulana, juntamente com a terceira filha Beatriz, que seguiriam Clara, indo morar com ela no convento de São Damião, que foi a primeira moradia das seguidoras de São Francisco.
Ao longo dos tempos, rainhas, princesas e humildes mulheres, escolheram seguir o exemplo de Clara de Assis, para viver, à luz do Evangelho, a fascinante aventura das Damas Pobres, muitas das quais se tornaram grandes exemplos de santidade para toda a Igreja.

sábado, 12 de julho de 2008

Padroeiros das JMJ 2008

Como já é tradição, dez santos e beatos foram escolhidos como padroeiros das Jornadas Mundiais da Juventude 2008 de Sydney.
Segundo a organização das JMJ, estes foram escolhidos como modelo...inspiração para os jovens; uns, ainda em via de canonização, outros mais relacionados com a história da Austrália e da Oceânia…mas todos, pessoas comuns que com o Espírito de Cristo cumpriram coisas extraordinárias.
Bendito seja Deus nos seus Santos!



Santa Maria, Nossa Senhora da Cruz do Sul, Auxílio dos Cristãos; rogai por nós.
Santa Teresa do Menino Jesus, testemunha da confiança e da simplicidade; rogai por nós.
Santa Faustina, testemunha da misericórdia e da compaixão de Deus; rogai por nós.
Santa Maria Goretti, testemunha da castidade e do perdão; rogai por nós.
São Pedro Chanel, testemunha pacífico da fé até à morte; rogai por nós.
Beato Pedro To Rot, testemunha da família e da fé; rogai por nós.
Beata Maria Mac Killop, testemunha dos jovens e dos marginalizados; rogai por nós.
Beato Pedro Jorge Frassati, testemunha da justiça e da caridade; rogai por nós.
Beata Teresa de Calcutá, testemunha dos pobres e dos moribundos; rogai por nós.
Servo de Deus, João Paulo II, Pai das Jornadas Mundiais da Juventude; rogai por nós.
Santos e Santas de Deus; rogai por nós.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Veneração macabra?

O corpo do popular santo italiano Padre Pio de Pietrelcina poderá ser venerado até ao dia 23 de setembro de 2009 em San Giovanni Rotondo.
No passado 24 de Abril 2008, foi exibido pela primeira vez o corpo do frade numa urna de vidro. O “Cardeal do sorriso” José Saraiva Martins, prefeito da Congregação das Causas dos Santos, presidiu a celebração eucarística que inaugurava a exposição do corpo do santo, corpo esse que se apresenta vestido com o hábito dos capuchinhos, uma estola, umas luvas que pertenciam ao mesmo santo e com o rosto coberto de uma leve máscara de silicone.
A veneração das relíquias suscitou e suscita algumas controvérsias em Itália, mesmo entre os fiéis. Parece que o catolicismo do presente não entende muito bem tal acontecimento.
O cardeal português nos ajuda a perceber melhor tal devoção numa entrevista a um jornal italiano.


Il Giornale (IG) - Porque é importante venerar as relíquias de um santo ?
Cardeal Saraiva Martins (CSV) –
Os santos são humanos como nós, que seguiram Jesus no caminho da perfeição quotidiana. Foram, como cada um de nós, chamados a sê-lo, templos do Espírito Santo, dóceis à acção da graça de Deus. O cristianismo, fundado no acontecimento da encarnação, morte e ressurreição do Filho de Deus na nossa terra, num tempo preciso da história da humanidade, sempre teve em conta e respeitou o corpo. Os membros mortais dos santos também transmitiram a graça. Por isso veneramos as relíquias dos santos.

IG – Algumas pessoas acham esta veneração macabra? Que responder?
CSV –
Respondo que ninguém é obrigado a venerar as relíquias de um santo. Mas também respondo que esta veneração não é fruto de desvios: ela está presente desde a origem da comunidade cristã que venerava as relíquias dos apóstolos e dos mártires.

IG – Não haverá um excesso de atenção mediática sobre a exposição do corpo de Padre Pio? Não há riscos de fanatismo?
CSV –
Somos homens, os riscos existem, mas parece-me que ninguém cai no fanatismo. É importante recordar que Padre Pio foi um grande santo porque deu a sua vida a Deus, soube sofrer por Jesus e viveu orando e ajudando tantas almas a reencontrar a fé e a fazer a experiência da misericórdia divina. Quem o venera, quem se coloca na fila para se aproximar da urna que conserva o corpo, sabe-o muito bem. Ele sabe que o que interessa é a fé em Deus, no seu Filho Jesus Cristo. Ele sabe que o importante é aproximar-se dos sacramentos, da oração, de confiar a vida ao Criador. Venerar São Padre Pio de Pietrelcina não serve para nada sem tudo isso.

IG – Os fiéis estão conscientes disso?
CSM –
Creio que os fiéis são mais ajuizados do que o julgamos ou do que muitas vezes são retratados. O perfume da santidade que emanava de Padre Pio era um fruto da sua fé e não um poder mágico. Venerar os santos, conhecê-los, imitá-los, deve conduzir a Jesus e não à superstição. Mostrar os seus corpos mortais, os restos, venerá-los, significa perceber que Deus se serve dos nossos seres, do nosso físico, das nossas fraquezas, para anunciar o seu Evangelho.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Somos obrigados a ser santos como Ele é santo

«Todos nós, que fomos baptizados em Cristo e “assumimos em Cristo” uma nova identidade, somos obrigados a ser santos como Ele é santo. Somos compelidos a viver vidas justas, e as nossas acções devem dar testemunho da nossa união com Ele. Ele deve manifestar a sua presença em nós e através de nós. (…)
Se devemos ser “perfeitos” como Cristo é perfeito, devemos lutar para sermos tão perfeitamente humanos como Ele, de modo que Ele possa unir-nos com o seu divino ser e partilhar connosco a sua filiação do Pai do Céu. Assim a santidade não é uma questão de ser menos humano, antes de ser mais humano do que os outros homens. (…)
O santo procura, portanto, a glória de Deus e não a sua própria glória. E para que Deus possa ser glorificado em todas as coisas, não deseja ser senão um puro instrumento da vontade divina. Quer ser uma simples janela, através da qual a misericórdia de Deus resplandeça sobre o mundo. Por isso, luta para ser santo. Luta para praticar a virtude de modo heróico, não para ser conhecido como um homem virtuoso e santo, mas para que a bondade de Deus nunca possa ser obscurecida por qualquer acto egoísta da sua parte.
Por conseguinte, aquele que ama a Deus e busca a Sua glória, procura tornar-se, pela graça de Deus, perfeito no amor, como o “Pai do Céu é perfeito”.»


Thomas Merton, Vida e Santidade




Santa Mãe de Deus, rogai por nós.
Todos os santos Anjos e Arcanjos, rogai por nós.
São João Batista, rogai por nós.
São José, rogai por nós.
Todos os santos patriarcas e profetas, rogai por nós.
São Pedro e São Paulo, rogai por nós.
Todos os santos apóstolos e evangelistas, rogai por nós.
Todos os santos discípulos do Senhor, rogai por nós.
Todos os santos inocentes, rogai por nós.
Todos os santos mártires, rogai por nós.
Todos os santos pontífices e confessores, rogai por nós.
Todos os santos doutores, rogai por nós.
Todos os santos sacerdotes e levitas, rogai por nós.
Todos os santos monges e eremitas, rogai por nós.
Todas as santas virgens e viúvas, rogai por nós.
Todos os santos e santas de Deus, rogai por nós.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Ser apanhado pelo amor com que Deus nos ama

«O que é tornar-se santo?
É ser apanhado pelo amor com que Deus nos ama…o amor com que o Pai nos ama ao dar o seu Filho, ao perdoar os nossos pecados, ao transfigurar-nos, ao permitir-nos fazer o que não teríamos força de fazer, isto é, amar como Jesus nos ama.

Quanto mais descobrimos o amor, mais reconhecemos que não sabemos amar, que não somos dignos dele. É o santo que toma consciência pouco a pouco que é um homem pecador.
Aquele que não ama não sabe que lhe falta o amor. Enquanto não for tocado pelo amor de Cristo e não o descobrir, ele não sabe o quanto ele ama pouco.
Quando vos interrogais sobre a vossa vida, vós dizeis: ‘Até não faço muitas coisas ruins; faço isso, faço aquilo, mas até não é grande coisa. Mas além disso, o que faço de mal? Pouca coisa, zangas! Que devo fazer mais?’
Resposta:
Voltai o vosso olhar para Cristo;
rezai;
descobri a grandeza do seu amor;
contemplai o mistério da Cruz;
contemplai a Cristo que vos dá a Vida;
deixai-vos agarrar pela grandeza do amor com que vos ama.
Então, na sua misericórdia, no seu amor, descobrireis o pecado, descobrireis que não sois santos.
É Ele que vos santifica.
É Ele que vos tornará santos!»

Cardeal Lustiger nas JMJ de Roma,
filho do judaísmo que encontrou Cristo aos 14 anos.
Baptizado, a sua caminhada espiritual passa pelo sacerdócio.
Foi ao longo de 25 anos, Bispo de Paris;
colaborador de João Paulo II como Cardeal.
Morreu no passado Domingo 5 de Agosto de 2007.
Hoje foram realizadas as suas exéquias.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

8º Centenário da Conversão de Francisco de Assis

Bento XVI visitou no passado domingo o túmulo de Francisco de Assis, por ocasião do oitavo centenário da conversão do santo fundador dos franciscanos…uma conversão ao amor de Cristo na pobreza.

Francisco de Assis, de nome de baptismo: João (Giovanni) e da família dos Bernardone, nasceu em 1182. Ele conheceu uma infância confortável. Filho de um rico comerciante, prepararam-no para suceder um dia ao pai. E como tinha dinheiro, tinha também muitos amigos: era o príncipe da juventude dourada de Assis. Sonhava em ser cavaleiro, mas a sua primeira experiência com as armas não correu muito bem: após um ano de conflito com a cidade vizinha de Perusa, ele é feito prisioneiro, e permanecerá no cárcere dois ano. Doente, ele é libertado, e volta a sonhar com a cavalaria. Mas, pouco a pouco, ele tem a intuição que tem algo maior para fazer... Porque não renunciar à glória das armas para servir a Cristo?
Ele inicia assim uma vida de oração intensa, procura o recolhimento, e aproxima-se dos pobres, dos leprosos, dos excluídos por excelência. O próprio Francisco, no seu Testamento, rubrica a data da sua conversão no convívio com os leprosos: “Praticava a misericórdia para com eles, e esperei pouco para sair do século…” Ele deixa o mundo para retirar-se a capela da São Damião nos arredores de Assis, onde Cristo comunica com ele através de um crucifixo. “Francisco, vai e restaura a minha casa, que, como vês, está em ruína…” Para Francisco, a visão em São Damiano é decisiva, associada com a experiência de Cristo Sofredor nos pobres e excluídos.
“A partir deste dia, o seu coração foi tão impressionado e tão dilacerado com a lembrança da Paixão do Senhor, que todo o resto da sua vida, ele guardou na sua alma, a memória dos estigmas do Senhor Jesus. A coisa veio a ser conhecida mais tarde, quando as chagas do Senhor se imprimiram no corpo de Francisco” (Tres Soc. 5, n°14).
Tendo ouvido a voz do Crucificado, Francisco pensou que Cristo queria reconstruir a capela de São Damiano. Pôs mãos à obra, mas o seu pai reclamou o dinheiro que serviu para a obra e fez comparecer o filho diante do tribunal do bispo. Ali, diante da família e dos amigos do pai, o jovem Francisco despojou-se de tudo, até das vestes e proclamou: “Doravante, não chamarei pai a Pedro Bernardone, mas ao Pai dos céus!”.
Partiu para o campo e levou uma vida de eremita e de penitente. Rapidamente, começou a pregar o Evangelho, e, alguns companheiros de infância, e jovens dos arredores, juntaram-se a ele. Procurando no Evangelho uma pista sobre a sua vocação, ficou tocado pelo envio dos discípulos em missão. Com os seus companheiros, Francisco decide aplicar à letra aquele trecho evangélico, começando uma obra de vida de pregação itinerante numa pobreza radical, que ainda hoje, perdura na Igreja e pelo mundo, através daqueles que se reclamam do carisma do Poverello de Assis.
Bendito seja Deus em São Francisco!

segunda-feira, 11 de junho de 2007

São Barnabé e Chipre

Hoje, a Igreja faz memória de São Barnabé apóstolo, companheiro de São Paulo na pregação do Evangelho aos gentios. Natural da Ilha de Chipre, ali também morreu segundo a tradição. A festa litúrgica de São Barnabé é assim uma oportunidade para falar hoje da presença do Catolicismo nesta Ilha do Mediterrâneo, e de ler uma das catequeses de Bento XVI que tratou deste santo, num conjunto de ensinamentos sobre as figuras dos primórdios da Igreja a que o Santo Padre consagrou as audiências de quarta-feira no inicio do ano 2007.

A presença da Igreja Católica na ilha do Chipre é diminuta, dado que 78% da população pertence à Igreja Ortodoxa da Grécia e outros 18% são muçulmanos. No total de 800 mil habitantes, apenas 13 mil são católicos, o que representa uma percentagem de 1, 28%.
Por tudo isto, a presença da Igreja no país não tem um grande impacto na sociedade e está mais limitada à celebração litúrgica, dentro das comunidades católicas, de tradição maronita – a única das igrejas católicas orientais, que não tem uma facção separada de Roma. Uma arquieparquia (divisão eclesiástica correspondente à nossa arquidiocese) e 13 paróquias espalham-se pelos 9 mil km2 da ilha, contando apenas com 12 padres e 50 religiosos.



«“Barnabé significa "filho da exortação" (Act 4, 36) ou "filho da consolação" e é sobrenome de um judeu-levita originário de Chipre. Tendo-se estabelecido em Jerusalém, ele foi um dos primeiros a abraçar o cristianismo, depois da ressurreição do Senhor. Com grande generosidade vendeu um campo de sua propriedade entregando a quantia aos Apóstolos para as necessidades da Igreja (cf. Act 4, 37). Foi ele quem se fez garante da conversão de Saulo junto da comunidade cristã de Jerusalém, a qual ainda desconfiava do antigo perseguidor (cf. Act 9, 27). Tendo sido enviado a Antioquia da Síria, foi buscar Paulo a Tarso, onde se tinha retirado, e transcorreu com ele um ano inteiro, dedicando-se à evangelização daquela importante cidade, em cuja Igreja Barnabé era conhecido como profeta e doutor (cf. Act 13, 1). Assim Barnabé, no momento das primeiras conversões dos pagãos, compreendeu que tinha chegado a hora de Saulo, o qual se retirara para Tarso, sua cidade. Foi ali procurá-lo. Assim, naquele momento importante, quase restituiu Paulo à Igreja; deu-lhe, neste sentido, novamente o Apóstolo das Nações. Da Igreja antioquena Barnabé foi enviado em missão juntamente com Paulo, realizando o que classifica como primeira viagem missionária do Apóstolo. Na realidade, tratou-se de uma viagem missionária de Barnabé, sendo ele o verdadeiro responsável, ao qual Paulo se juntou como colaborador, chegando às regiões de Chipre e da Anatólia centro-meridional, na actual Turquia, com as cidades de Attalia, Perge, Antioquia de Psídia, Listra e Derbe (cf. Act 13-14). Juntamente com Paulo foi depois ao chamado Concílio de Jerusalém onde, depois de um aprofundado exame da questão, os Apóstolos com os Anciãos decidiram separar a prática da circuncisão da identidade cristã (cf. Act 15, 1-35). Só assim, no final, tornaram oficialmente possível a Igreja dos pagãos, uma Igreja sem circuncisão: somos filhos de Abraão simplesmente pela fé em Cristo.


Os dois, Paulo e Barnabé, entraram depois em contraste, no início da segunda viagem missionária, porque Barnabé tinha em mente assumir como companheiro João Marcos, mas Paulo não queria, tendo-se separado o jovem deles durante a viagem anterior (cf. Act 13, 13; 15, 36-40). Portanto, também entre santos existem contrastes, discórdias, controvérsias. E isto parece-me muito confortador, porque vemos que os santos não "caíram do céu". São homens como nós, com problemas também complicados. A santidade não consiste em nunca ter errado ou pecado. A santidade cresce na capacidade de conversão, de arrependimento, de disponibilidade para recomeçar, e sobretudo na capacidade de reconciliação e de perdão. E assim Paulo, que tinha sido bastante rude e amargo em relação a Marcos, no final encontra-se com ele. Nas últimas Cartas de São Paulo, a Filemon e na segunda a Timóteo, precisamente Marcos aparece como "o meu colaborador". Portanto, não é o facto de nunca ter errado que nos torna santos, mas a capacidade de reconciliação e de perdão. E todos podemos aprender este caminho de santidade. Em todo o caso Barnabé, com João Marcos, partiu para Chipre (cf. Act 15, 39) por volta do ano 49. Daquele momento em diante perdem-se os seus vestígios. Tertuliano atribui-lhe a Carta aos Hebreus, ao que não falta a plausibilidade porque, pertencendo à tribo de Levi, Barnabé podia ter interesse pelo tema do sacerdócio. E a Carta aos Hebreus interpreta-nos de modo extraordinário o sacerdócio de Jesus.” »


Audiência de Bento XVI a 31/01/2007

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Rosto de: Karl Leisner, matrícula 22356, padre

Há dias, tomei conhecimento de um belo testemunho de amor ao sacerdócio: Karl Leisner, que hoje, quero partilhar convosco.

Nascido na Alemanha em 1915, Karl passa a sua juventude em Clèves onde participa activamente nos movimentos da juventude católica nos anos 30.

Estes anos são também determinantes para a sua evolução espiritual e religiosa: os seus jornais e as suas meditações mostram a importância que atribui à leitura da Palavra de Deus e à Eucaristia. Animado de um sentido profundo de responsabilidade, quer transpor a sua fé católica na sua vida, ir mais longe na oração e no amor do próximo. Mesmo nas situações mais difíceis, no campo de concentração, ele guardará a alegria, a paz, que tocarão os soldados SS. O seu amor pela liberdade, pelas discussões sem constrangimento, pela natureza, fazem dele um excelente director de jovens, mas tornarão mais duros os rigores da detenção.

No início dos anos 30, Karl Leisner é estudante em Clèves. Aplica-se em estabelecer uma disciplina interior e a conservar uma vida espiritual intensa. Esta vontade de viver de acordo com as regras que se fixou o ajude a proteger-se da influência nazi, e mais tarde a sobreviver nas condições mais difíceis. No sofrimento, encontrará ainda a força de vir em ajuda aos outros. A partir de 1933, é um oponente determinado à Hitler e ao seu regime.

Antes mesmo de passar o "baccalauréat", em 1934, escolhe fazer estudos de teologia para se tornar padre. Durante o seu primeiro semestre em Münster, é-lhe confiado a responsabilidade dos movimentos da juventude diocesanos. Tenta continuar a reunir os jovens e dar-lhes armas, no plano interior, de modo que sejam capazes de opor-se ao nazismo. As suas actividades são supervisionadas pela Gestapo que confisca os jornais que redige.

Em 1936-37, durante um semestre de estudos à Fribourg-en-Brisgau, encontra uma jovem rapariga e pensa abandonar o apelo ao sacerdócio para fundar uma família. Sai deste tempo de dúvidas, reforçado na sua vocação: a sua vida será doravante orientada pelo desejo de se tornar padre. As linhas que escreve durante este período contêm meditações de uma grande riqueza: “Deves crer, deves ousar. Vai de Cristo no nosso país. É o que há de maior! Sacrifício, combate, coragem! ““Cristo, minha vida, meu amor, minha paixão, abraça-me, ilumina-me " (14 de Abril de 1938).

A 25 de Março de 1939, é ordenado diácono; mas pouco depois, atingido de tuberculose, interrompe qualquer actividade para se tratar. Denunciado à Gestapo devido a comentários imprudentes contra o regime, é encarcerado em Fribourg-en-Brisgau antes de ser conduzido ao campo de Sachsenhausen.

O 13 de Dezembro de 1940, é transferido ao campo de Dachau sob o número 22356. Cerca de 2800 padres alemães, austríacos, polacos e de outros países da Europa, bem como pastores protestantes, são presos no “Block 26”. Há lá padres de 144 dioceses, de 40 ordens diferentes. A partir de 1941, os padres têm o direito de celebrar a missa todos os dias numa capela, da manhã até às 17 horas, antes da chamada. Os padres esforçam-se sempre por manter no campo uma vida espiritual.
As privações, o trabalho e os rigores do inverno agravam a doença de Karl que, a partir de 1941, é obrigado a juntar-se ao “block” dos doentes, barraca onde os enfermos apinham-se num espaço estreito. Karl Leisner guarda contudo sempre à esperança a ser ordenado padre.

A detenção e a transferência para Dachau de Dom Piguet, bispo de Clermont-Ferrand, no Outono 1944, tornam possível a ordenação de Karl no campo. Um padre jesuita encarrega-se de convencer Dom Piguet da importância e do valor simbólico desta ordenação : “A ordenação de um padre neste campo de exterminação de padres seria uma vingança de Deus e um sinal de vitória do sacerdócio sobre o nazismo.» Os preparativos começam secretamente: conseguir a autorização do bispo da diocese e a do bispo de Münster, arranjar os óleos santo e os ornamentos necessários, criar um anel de bispo e uma croça episcopal sobre a qual são gravadas as palavras “Victor dentro vinculis" (Vencedor dos grilhões), palavras que resumem a situação. Karl Leisner é ordenado clandestinamente na capela do campo de Dachau a 17 de Dezembro de 1944. A sua primeira missa é a 26 de Dezembro de 1944.
A sua doença entra numa fase final. É libertado do campo a 4 de Maio de 1945 e transferido imediatamente ao sanatório de Planegg, perto de Munique, onde morre a 12 de Agosto de 1945.

Karl Leisner torna-se muito rapidamente um modelo para os jovens da sua região. A 23 de Junho de 1996, no estádio olímpico de Berlim, o papa João Paulo II beatifica Karl Leisner, e também Bernhard Lichtenberger, sacerdote e teólogo, que morreu no campo de concentração de Dachau em 1943.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Rosto de: Faustina Kowalska

O próximo 2º Domingo de Páscoa, que celebraremos daqui alguns dias, é também dia da Festa da Divina Misericórdia, festa que nasceu de um desejo de Cristo, revelado à uma religiosa polaca do século XX, Irmã Faustina, e que João Paulo II instituiu em 2000, no dia da canonização dessa mesma irmã.

Irmã Faustina nasceu a 25 de Agosto de 1905 na Polónia. Era a terceira de dez filhos de Estanislau e Marian Kowalska, e recebeu como nome de baptismo: Helena.
Desde a infância, nutriu um gosto especial pela oração. Em casa, trabalhava muito, sempre obediente aos pais e compassiva para com os pobres. Frequentou somente três anos o ensino escolar, devido à escassa situação financeira da família. Adolescente, foi empregada de uma casa burguesa da cidade.

Aos 20 anos, ingressou no Convento das religiosas de Nossa Senhora da Misericórdia, e tomou o hábito com o nome de Irmã Maria Faustina. Viveu 13 anos na Congregação, desempenhando de modo exemplar as funções de cozinheira, jardineira e porteira.

A sua vida, aparentemente muito simples, escondia uma vida riquíssima de união com Deus. Desde a sua tenra idade, a irmã Faustina desejava ser uma grande santa, e assim correspondeu. Colaborava com a graça de Jesus na salvação dos pecadores até ao ponto de oferecer a sua vida em holocausto por eles. A sua vida religiosa era impregnada de sofrimentos mas também de graças extraordinárias…místicas.
Cristo dialogava com ela e lhe conferiu uma missão:
- Lembrar a verdade fundamental da nossa fé, revelada nas Escrituras, de que Deus ama cada ser humano de um Amor Misericordioso, mesmo o maior pecador.
- Transmitir a devoção à Divina Misericórdia.
- Inspirar um grande movimento de apóstolos da Divina Misericórdia, afim de fazer renascer a fé dos fiéis, no espírito desta devoção, para uma confiança evangélica de infância espiritual em Deus e no amor ao próximo.

Atingida por tuberculose, a Irmã Faustina oferece os seus sofrimentos pela conversão dos pecadores e sempre fiel às revelações que ela beneficiou, morre a 5 de Outubro de 1938 com 33 anos.
A 18 de Abril de 1993, o Papa João Paulo II beatificou-a, e canonizou esta grande Apóstola da Divina Misericórdia a 30 de Abril de 2000.


Para saber mais sobre a devoção à Divina Misericórdia, clique:
Apostolado da Divina Misericórdia

quarta-feira, 21 de março de 2007

Santidade e conversão

«A santidade não consiste
em nunca ter errado ou pecado.
A santidade cresce
com a capacidade de conversão,
de arrependimento,
de disponibilidade para voltar a começar,
e sobretudo com a capacidade
de reconciliação e de perdão.
E todos podemos aprender este caminho de santidade.»

Catequese de Bento XVI a 31/01/2007

terça-feira, 13 de março de 2007

Rosto de: Clara Badano

Clara Badano nasceu em 1971 em Sassello (Itália), filha de Ruggero e Teresa.

Aos nove anos, pelo Movimento dos Focolares, conheceu outras crianças, que já tinham como objectivo “escolher Deus” como ideal, na sua vida.

À medida que vai crescendo, sobressai nela o olhar límpido e a beleza. Aplica-se-lhe a expressão de S. Agostinho: “O amor torna-nos bonitos”. É uma grande desportista e gosta muito de cantar e dançar, vestindo-se com elegância. É muito exigente com os seus sentimentos. Está sempre rodeada de amigos e amigas.

Aos 17 anos, diante de uma reprovação a Matemática, procura amar o rosto abandonado de Jesus nessa contrariedade. Depois num certo dia, ao jogar ténis, sente uma dor fortíssima nas costas. Algumas recaídas levam a aprofundar os exames médicos e, por fim, chega o diagnóstico: um tumor dos mais graves e dolorosos. Recebe a notícia em silêncio e sem chorar.

No hospital, preocupa-se com os outros e esquece-se do forte sofrimento para ajudar uma rapariga toxicodependente. Depois de duas operações, a quimioterapia faz-lhe cair o cabelo. Diante de cada madeixa de cabelo que perde, repete um intenso: “Por ti, Jesus”.

Os pais ajudam-na a intuir que o amor de Deus se esconde nas situações mais incríveis. Ela aceita e coloca-se no amor. Assim, oferece as suas poupanças a um amigo que vai partir para África. A força vem-lhe de Jesus na Eucaristia, que recebe frequentemente e com muita alegria.

Os médicos espantam-se com a sua maturidade. O próprio cardeal de Turim vai visitá-la e pergunta-lhe: “Tens uns olhos estupendos, uma luz maravilhosa. De onde te vêm?” Ela responde: “Procuro amar muito Jesus”.

As últimas palavras para a mãe foram: “Sê feliz, porque eu sou feliz”. Duas mil pessoas participaram no funeral, experimentando uma serenidade e santidade contagiosas, sentindo-se levadas a escolher Deus como o tudo da sua vida.

Ainda hoje, Clara continua a entusiasmar muitos jovens a amarem Jesus como o grande segredo da felicidade…


O desafio de viver – Manual do 9º ano de Catequese
Ed. do Secretariado Nacional da Educação Cristã

Ler no site dos Focolares:
Clara (Chiara) Luce Badano

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

O pastorinho Francisco

O cristão é um discípulo de Cristo em constante conversão.
Ele necessita de arrepender-se, mudar, melhorar, conformar continuamente a sua vida ao Evangelho, para assim amar verdadeiramente a Deus e ao próximo como a si próprio.

Foi na escola de Maria e do seu Rosário que, ao sair da adolescência, despertei para um compromisso mais sério com Cristo…foi a mão da Mãe que me empurrou para um seguimento mais consciente do Filho. A mensagem da Virgem em Fátima, por ser realmente evangélica, mudou e continua a mudar minha e muitas outras vidas.

Noutros tempos, a vida de três crianças, Francisco, Jacinta e Lúcia também “converteu-se”, transformou-se com as aparições e palavras da Mãe de Jesus, “vestida de branco, mais brilhante que o sol”.
Muitos cristãos têm um afecto profundo por Maria, com o título de “Senhora de Fátima”, e pelos pastorinhos. Permitam-me confidenciar-lhes que, entre os três primos, nutro uma estima especial para o Francisco, por ser um pouco parecido com ele, e sobretudo pelo exemplo que ele é (não desprezando as outras duas videntes).
O pastorinho, dócil e condescendente, era sensível à beleza da natureza, deleitava-se com a solidão dos montes e ficava extasiado perante o nascer e pôr-do-sol.
Chamava ao astro rei, “candeia de Nosso Senhor” e enchia-se de alegria ao aparecerem as estrelas, “candeias dos Anjos”, e a Lua, “candeia de Nossa Senhora”. Ele foi como outro Francisco, o de Assis, um amante das criaturas do céu e da terra.
O que mais impressionava o pastorinho, e o absorvia nas aparições, era Deus na “luz imensa que ardia mas não queimava”, que penetrava o seu íntimo e o das outras duas crianças. Só a ele porém, Deus se dera a conhecer “tão triste”. Desde então viveu movido pelo único desejo de “consolar e dar alegria a Jesus”.
Frequentemente escondia-se atrás das árvores para rezar sozinho. Subia outras vezes para lugares mais elevados e solitários para se entregar à uma intensa oração que o separava do resto do mundo…pois, nem ouvia as vozes dos que o chamavam, chegando assim a uma verdadeira forma de união mística com o Senhor.
Ele era um contemplador da presença de Cristo na Eucaristia, e passava muito tempo diante do sacrário, adorando o Santíssimo Sacramento que chamava ternamente “Jesus escondido”.
Na sua vida, que foi breve (1908-1919), Francisco não se limitou apenas a ser um mensageiro da oração e da penitência, mas conformou a sua vida, mais com os gestos do que com as palavras, com a mensagem que ele anunciou. Ele foi um verdadeiro testemunha…ele é um exemplo a seguir para as crianças e pelos adultos.

Enquanto Jacinta parecia preocupada com o único pensamento de converter pecadores e livrar as almas do Inferno, ele (Francisco) parecia só pensar em consolar Nosso Senhor e Nossa Senhora, que lhe tinha parecido estarem tão tristes.”

Irmã Lúcia