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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Procurar viver aquilo que o presépio representa

«Para mim é motivo de grande júbilo saber que nas vossas famílias se conserva a tradição de montar o presépio. Porém, ainda que importante, repetir este gesto tradicional não é suficiente. É necessário procurar viver, na realidade do dia-a-dia, aquilo que o presépio representa, isto é, o amor de Cristo, a sua humildade, sua pobreza. Foi o que fez São Francisco de Assis em Greccio: representou ao vivo a cena da Natividade, para assim poder contemplá-la e adorá-la, mas principalmente para que pudesse saber a melhor forma de pôr em prática a mensagem do Filho de Deus, que por nosso amor despojou-se de tudo e se fez uma pequena criança.


O presépio é uma escola de vida, do qual podemos aprender o segredo da verdadeira felicidade. Esta não consiste em ter muita coisa, mas em sentir-se amados pelo Senhor, em dar-se aos outros e no querer bem. Olhemos para o presépio: Nossa Senhora e São José não parecem uma família de muita sorte; tiveram o seu primeiro filho no meio de grandes dificuldades; e, no entanto, estão cheios de alegria interior, porque se amam, se ajudam, e, principalmente, porque estão certos de que Deus está a operar na sua história, o Qual se fez presente no pequeno Jesus. E quanto aos pastores? Que motivos teriam para se alegrarem? Aquele recém-nascido não mudará sua condição de pobreza e marginalização. Mas a fé os ajuda a reconhecer no “menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”, o “sinal” do cumprimento das promessas de Deus para todos os homens “que são do seu agrado” (Lc 2,12.14), inclusive para eles!

É nisto, caros amigos, que consiste a verdadeira felicidade: sentir que a nossa existência pessoal e comunitária é visitada e preenchida por um grande mistério, o mistério do amor de Deus. Para sermos felizes, necessitamos não apenas de coisas, mas também de amor e de verdade: necessitamos de um Deus próximo, que aqueça o nosso coração, que responda aos nossos anseios mais profundos. Esse Deus se manifestou em Jesus, nascido da Virgem Maria. Por isso, aquele Menino, que colocamos na cabana ou na gruta, é o centro de tudo, é o coração do mundo. Oremos para que cada homem, como fez a Virgem Maria, possa acolher, como centro da própria vida, o Deus que se fez Menino, fonte da verdadeira felicidade.»



Bento XVI, Ângelus 13/12/2009.

No 3º Domingo do Advento,
dando continuidade a uma bela tradição,
as crianças de Roma trazem ao Papa,
pequenas estátuas do Menino Jesus para serem benzidas.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O "Encontro das 21 horas"

A “Comunidade São Martinho” (Communauté Saint Martin) é uma associação clerical pública que reúne sacerdotes e diáconos que desejam viver em comum o seu ministério. Foi fundada em 1976, pelo Padre Jean-François Guerin (1929-2005), sacerdote da diocese de Tours (França), e é reconhecida pela Igreja.
Em 2002,a comunidade tomou a iniciativa de praticar e divulgar a “Presença trinitária” do Sr. Albert Freyre, que consiste em oferecer cada dia, fielmente, um curto tempo de oração pelos “pobres”.

“21 horas” é a hora de entrada na noite,
hora em que as ansiedades ressurgem,
que as angústias e a solidão se manifestam,
que as trevas do pecado se intensificam…
hora em que o homem não precisa sentir-se só diante do sofrimento.
Esta hora pode então tornar-se numa grande onda de oração que se eleva dos nossos corações, para que o Coração de Cristo toca com seu amor o coração dos mais pobres!
Leigo, consagrado, padre, jovem ou velho, doente ou saudável, todos podem juntar-se a este “Encontro das 21 horas”, com qualquer oração, fielmente, cada noite.



Oração para o "Encontro das 21 horas"

Meu Deus,
neste início da noite,
rogo-Vos por todos aqueles que estão na prisão,
por todos os idosos,
por todos aqueles que estão sós, doentes, abandonados,
por todos aqueles que não aguentam mais,
por todos aqueles que estão desesperados,
por todos aqueles que esta noite vão pecar.

Eterno Pai que nos criastes,
Filho, Redentor do mundo que nos remistes,
Espírito de Amor que nos santificais,
tende piedade de nós.

E vós, Maria Imaculada,
Mãe do Redentor,
Suplicante poderosíssima,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos cristãos,
Mãe do Belo Amor,
rogai por nós.

Santos Anjos da Guarda,
disponde-nos a receber favoravelmente a graça de Deus.



* * *



Nascido em 1921, Albert Freyre é impedido pelo seu estado de saúde de aceder ao sacerdócio. No entanto, ele quer fazer da sua vida um testemunho cristão, principalmente junto dos marginalizados. Um dia, numa visita, um prisioneiro confessou o conforto que trazia o tempo passado na companhia do Albert. Diante da impossibilidade de se encontrar juntos todos os dias, a ideia surgiu de se unir todas as noites através da oração. Esse encontro espiritual seria fixado às 21 horas… hora em que as luzes se apagam na prisão. Percebendo a esperança suscitada por este encontro, à hora em que surge a escuridão, o Sr. Freyre decide formar um grande movimento de oração. Umas monjas são as primeiras a juntar-se à iniciativa, oferecendo o ofício da noite. Hoje, quase 600 pessoas são fiéis ao "Encontro das 21 horas".
No lar de idosos de Pontarlier (França), é Albert Freyre que recebe agora as visitas , sempre amigável com quem o procura.

(do site da Communauté Saint Martin)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Nesta Quaresma, esforcemo-nos

«Que cada um se examine agora para saber em que estado está, e esforcemo-nos em progredir todos os dias, porque é avançando na virtude que veremos o Deus dos deuses, na Sião celeste. É sobretudo neste tempo que nos devemos aplicar em viver na pureza; durante este tempo, digo, em que é concedido à fragilidade humana um número de dias certos mas curtos, para que ela não desanime. Porque se nos é dito a toda a hora: 'levai uma vida pura', quem não se desencorajaria de a conseguir? Ora, somos convidados neste tempo de pouca dura a reparar as negligências do resto do ano, e a viver de maneira a que no resto do tempo, se veja brilhar as marcas desta santa quarentena na nossa conduta.
Esforcemo-nos então, meus irmãos, em passar este tempo em exercícios piedosos, e em restaurar as nossas armas espirituais. De facto, nesta época do ano, parece que todo o universo, com o Salvador à frente, caminha como um exército contra o diabo.
Bem-aventurados os que terão combatido com valentia sob tal governo.»


São Bernardo, 7º sermão para a Quaresma





Senhor meu Deus, fazei que o meu coração Vos deseje;
e que desejando Vos procure;
procurando, Vos encontre;
encontrando, Vos ame;
e amando-Vos, sejam perdoados os meus pecados;
e uma vez perdoados, que eu não volte a cometê-los.

Senhor meu Deus,
dai a penitência ao meu coração,
a contrição ao meu espírito,
as lágrimas aos meus olhos,
a liberalidade da esmola às minhas mãos.

Ó meu Rei, apagai em mim a concupiscência da carne
e acendei o fogo do vosso amor.
Ó meu Redentor, apartai de mim o orgulho,
e que a vossa benevolência me conceda a humildade.
Ó meu Salvador, afastai de mim a cólera
e que a vossa bondade me dê o escudo da paciência.
Ó meu Criador, tirai da minha alma o ressentimento
para lá derramar a mansidão.

Pai bondoso,dai-me a fé recta,
a esperança certa e a caridade perfeita.
Vós que me guiais,
afugentai de mim a vaidade da alma,
a inconstância do espírito,
a confusão do coração,
as vanglórias da boca,
a altivez dos olhos.


Ó Deus misericordioso,
por vosso muito amado Filho,
eu Vos peço,
fazei que eu viva a misericórdia,
a sincera devoção,
a compaixão pelos aflitos
e a partilha com os pobres.


Santo Anselmo (1033-1109), Oratio X

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Essa noite venerável revestiu-se de esplendor

São Francisco de Assis, «três anos antes da morte resolveu celebrar com a maior solenidade possível a festa do Nascimento do Menino Jesus, ao pé da povoação de Greccio, a fim de estimular a devoção daquela gente. Mas para que um tal projecto não fosse tido por revolucionário, pediu para isso licença ao Sumo Pontífice, que lha concedeu. Mandou preparar uma manjedoira com palha, e trazer um boi e um burrito. Convocaram-se muitos Irmãos; vieram inúmeras pessoas; pela floresta ressoaram cânticos alegres...

Essa noite venerável revestiu-se de esplendor e solenidade, iluminada por uma infinidade de tochas a arder e ao som de cânticos harmoniosos. O homem de Deus estava de pé diante do presépio, cheio de piedade, banhado em lágrimas e irradiante de alegria. O altar dessa missa foi a manjedoira. Francisco, que era diácono, fez a proclamação do Evangelho. Em seguida dirigiu a palavra à assembleia, contando o nascimento do pobre Rei, a quem chamou, com ternura e devoção, o Menino de Belém. O Senhor João de Greccio, cavaleiro muito virtuoso e digno de toda a confiança, que abandonara a carreira das armas por amor de Cristo e dedicava uma profunda amizade ao homem de Deus, afirmou que tinha visto um menino encantador a dormir na manjedoira, e que pareceu acordar quando São Francisco fez menção de pegar nele nos braços. É crível que se tenha dado esta aparição: há o testemunho não só da santidade do piedoso militar, como a veracidade do próprio acontecimento e a confirmação que lhe deram outros milagres ocorridos depois: o exemplo de Francisco correu mundo e ainda hoje consegue excitar à fé de Cristo muitos corações adormecidos; a palha dessa manjedoira, conservada pelo povo, serviu de remédio miraculoso para animais doentes e de preservativo para afastar muitas pestes. Assim glorificava Deus o seu servo, e mostrava, com milagres indesmentíveis, o poder da sua oração e da sua santidade.»


São Boaventura , Legenda Maior (LM 10, 7)


«Ele, que era rico, fez-Se pobre por vossa causa,
para vos enriquecer pela sua pobreza.»

(2 Cor 8,9)


Um Santo Natal a todos!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Foi o mistério da Encarnação que me converteu!

Natal 1856, na paróquia de um bairro popular da cidade de Lião, França, António Chevrier, sacerdote há 6 anos, contempla o presépio.
Meditando na pobreza e na humildade de Cristo, ele recebe a graça de entrar profundamente no mistério da Encarnação, Deus que se faz homem.
Na sua oração, ele constata também que a humanidade continua a afundar-se, os pobres não são evangelizados, a Igreja e o mundo dos trabalhadores estão cada vez mais separados.
Ele percebe que deve converter-se a uma existência mais evangélica, viver o mistério da pobreza no seguimento de Jesus para “trabalhar eficazmente na salvação das almas”.
Conhecer Cristo, unir-se a Ele e fazê-l’O conhecer…tudo isso determina a sua vida de sacerdote.
Se Cristo convida os pobres ao banquete do reino, então ele, sacerdote, “outro Cristo”, também deve servi-los.
Primeiro os mais jovens. Em 1860, o padre Chevrier compra o “prado”, um antigo salão de dança. Lá, ele acolha, instrui e catequiza os filhos de operários.
Depois, ele procura formar padres pobres para os pobres. Assim nascem os sacerdotes e as religiosas do Instituto do Prado. Hoje a família do Prado está presente em 50 países.
A humildade de Chevrier é tão grande como o seu zelo, mas este “São Francisco de Assis da era industrial”, esgotado pelo trabalho e pela doença, morre aos 53 anos.
Em 1986, aquando da sua beatificação, João Paulo II deixou aos padres, religiosas e leigos do Prado, quatro grandes orientações, que servem perfeitamente para cada cristão:
“Ide ao encontro dos pobres para fazer deles verdadeiros discípulos de Jesus Cristo”;
“Que o vosso sinal distintivo seja sempre a simplicidade e a pobreza”;
“Falai de Jesus Cristo com a mesma intensidade de fé como o Padre Chevrier”;
“Apoiai-vos sempre em Jesus Cristo e na Igreja”.
Se o Natal transformou a vida do padre Chevrier, porque não a nossa?

«Foi ao meditar a pobreza de Nosso Senhor e da sua humilhação no meio dos homens que resolvi deixar tudo para viver o mais pobremente possível. Foi o mistério da Encarnação que me converteu!... Então decidi-me a seguir Nosso Senhor Jesus Cristo de mais perto. E o meu desejo é que vós próprios sigais de perto Nosso Senhor.»

«Dizia para mim mesmo: 'o Filho de Deus desceu à terra para salvar os homens e converter os pecadores. No entanto, que vemos? Quantos pecadores existem neste mundo!' Então resolvi seguir Nosso Senhor Jesus Cristo de mais perto para me tornar capaz de trabalhar eficazmente na salvação das almas.»


Beato António Chevrier

domingo, 16 de dezembro de 2007

Esperamos o quê?

O Advento coloca-nos algumas perguntas.
Esperamos o quê? O Messias? Que Messias? Para que homem?
Eis que Ele vem, os profetas O anunciaram, e no entanto os que esperavam por Ele não o acolham. Ele está no meio dos seus e os seus não O reconheçam.
O messias que esperamos é muitas vezes bem diferente d’Aquele que vem!
O Messias que vem ultrapassa as nossas concepções humanas, está à estreita nas definições que Lhe damos.
Esperamos um messias de glória e de majestade…eis que Ele vem até nós como um Filho de homem.
Esperamos um messias bem visível aos olhos de todos…Ele vem até nós sem brilho.
Esperamos um messias revolucionário…eis que vem um Messias paciente, que não muda a história de um dia para outro.
Esperamos um messias de sacristia que se coloca ao serviço da religião…eis um Messias que irrita os fariseus e expulsa do Templo.
“És Aquele que há-de-vir?”, pergunta João Baptista.
Falta de fé da parte do profeta?
Ou uma maneira de dizer que o Messias o surpreende na acção, na sua maneira de exercer a missão.
João esperava talvez a vingança, a hora de Deus…algo de forte, capaz de calar os inimigos, de acabar com o pecado.
Jesus dá como resposta as curas e as libertações que Ele realiza.
Com isso, Ele afirma que Ele é bem o Messias esperado, porque a Boa Nova é anunciada aos pobres, porque os doentes são curados e os mortos ressuscitam.
Eis a vingança e a hora de Deus, que não são feitas num Deus que arrasa e triunfa, mas no anúncio aos pequeninos, aos últimos e marginalizados deste mundo.
A vingança e a hora de Deus não estão na morte dos inimigos, mas na vida dada aos que precisam.
É este o Messias que esperavas?

sábado, 1 de dezembro de 2007

A imitação é inseparável do amor

“A imitação é inseparável do amor. Todo aquele que ama quer imitar: é o segredo da minha vida: perdi o meu coração por este Jesus de Nazaré crucificado há 1900 anos e passo a minha vida a procurar imitá-l’O.”


“Segui-l’O é imitá-l’O, é imitar Jesus em tudo, partilhar a sua vida como o faziam a Santíssima Virgem, São José, os apóstolos, isto é, por um lado, conformar como eles a nossa alma à d’Ele, convertendo o mais possível a nossa alma à sua alma infinitamente perfeita; por outro lado, conformar como eles a nossa vida exterior à d’Ele, partilhando como eles fizeram, a sua pobreza, a sua humilhação, os seus trabalhos, os seus cansaços, enfim tudo o que foi a parte visível de sua vida. Unamo-nos, sejamos um com Jesus, e por isso, amemo-l’O, obedeçamo-Lhe, imitemo-l’O.
Na dúvida de fazer ou não alguma coisa, perguntar-se o que teria feito Jesus em nosso lugar e fazê-lo. Não imitar tal ou tal santo, mais só a Jesus. Agradecer a Jesus a vida de Nazaré que eu levo, o que me é dado de conforme com Ele, e pedir-Lhe que aí me deixe enquanto isso O glorificará. Ler e meditar os santos evangelhos, os livros santos que falam de Jesus, tudo o que nos pode fazer conhecer Jesus e o seu Espírito: pedir-Lhe para conhecê-l’O e ter o seu Espírito. Fazer todos os possíveis pela oração e as outras obras para ser semelhante a Jesus no interior e no exterior, n’Ele, por Ele e para Ele. Amen.”


Beato Carlos de Foucauld

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

A caridade está acima de todas as regras

«Não se deve demorar no serviço aos pobres.
Se, na hora da oração, de manhã, deveis levar um medicamento, ide descansadas; oferecei a Deus a vossa acção, uni a vossa intenção à oração feita em casa ou noutro lugar, e parti sem inquietação.
Se, ao regressar, houver oportunidade de fazer um pouco de oração ou de leitura espiritual, melhor!
Mas não vos deveis inquietar, nem acreditar ter faltado quando perdeis a oração, porque deixaste-la por algo legítimo. E se há algo de legítimo, minhas caras irmãs, é o serviço ao próximo.
Não é considerado deixar Deus quando se deixa Deus para Deus, isto é, uma obra de Deus para fazer outra, de maior obrigação ou de maior mérito. Deixastes a oração ou a leitura, ou perdestes o silêncio para ajudar um pobre… minhas irmãs, fazer isso é servi-l’O.
Reparai, a caridade está acima de todas as regras, e todas devem lhe ser associada. É uma grande dama. É necessário fazer o que ela ordena.
Vamos por isso, com um novo amor, servir os pobres, procurando até os mais pobres e mais abandonados.
Reconheçamos diante de Deus que eles são nossos donos e nossos mestres, e que não somos dignos servi-los.»


S. Vicente de Paulo às Irmãs da Caridade.

domingo, 5 de agosto de 2007

Ricos aos olhos de Deus

Naquele tempo,
alguém, do meio da multidão, disse a Jesus:
«Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo».
Jesus respondeu-lhe:
«Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?»
Depois disse aos presentes:
«Vede bem, guardai-vos de toda a avareza:
a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens».
E disse-lhes esta parábola:
«O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita.
Ele pensou consigo:‘Que hei-de fazer,
pois não tenho onde guardar a minha colheita?
Vou fazer assim:
Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores,
onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens.
Então poderei dizer a mim mesmo:
Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos.
Descansa, come, bebe, regala-te’.
Mas Deus respondeu-lhe:
Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma.
O que preparaste, para quem será?’
Assim acontece a quem acumula para si,
em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».


Lc 12,13-21



Todos temos uma escala de valores, de prioridades, e na vida, é preciso saber escolher…esta é a grande lição da parábola do Evangelho deste 18º Domingo do Tempo Comum.
Jesus oferece uma maneira segura de não gastar a nossa vida em vão: “tornar-se rico aos olhos de Deus”, abrir uma conta no banco de Deus, onde os ladrões não podem entrar, onde a bolsa é sempre estável.
Cristo convida em não agir como o agricultor rico da parábola, um insensato que se identifica com o seu ouro e o seu dinheiro, em vez de ser um instrumento de comunhão, de partilha e de solidariedade.
Este trecho do Evangelho é para cada um de nós, uma ocasião de reflectir nas prioridades que animam a nossa vida de todos os dias, uma oportunidade para perguntar qual é o uso que fazemos do dinheiro, dos talentos, dos tempos de lazer…
Jesus recorda que na vida, há uma escala de valor…tudo não está no mesmo plano. Ele não diz que o dinheiro é mau, mas lembra que, como os talentos, o dinheiro tem de ser partilhado. Ao abrir o nosso coração às necessidades dos outros, tornámo-nos ricos aos olhos de Deus!
Hoje, a nossa sociedade, com a sua publicidade omnipresente, facilmente se converte numa indústria de sonhos para “ricos insensatos”... temos que ter cuidado!
Cristo afirma que o futuro tem pelo menos um elemento certo : a nossa morte.
Mais tarde ou mais cedo, ouviremos também: “Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste?"

quarta-feira, 4 de julho de 2007

O homem das oito bem-aventuranças

Hoje é dia de Santa Isabel de Portugal, mas prefiro falar de um jovem italiano do início do século XX, que no 4 de julho de há 82 anos, regressou para a casa do Pai, deixando um exemplo de entrega ao próximo por amor de Deus.

Natural de Turim, Pedro Jorge (Pier Giorgio) Frassati nasceu em 6 de abril de 1901, de pais ricos, mas quase sem vida religiosa. A mãe, Adelaide Ametis, era pintora; o pai, Alfredo Frassati, fundou o jornal “La Stampa” e destacou-se como senador e embaixador da Itália na Alemanha.
Espontaneamente o pequeno Frassati absorveu os ensinamentos do Evangelho mergulhando, por escolha pessoal, numa fé viva ao descobrir a força da presença de Jesus na Eucaristia. Passava horas em adoração diante do sacrário, ali encontrando sentido para sua vida.
Contra a vontade da família, o rapaz se inscreveu na Acção Católica. Um dia, na universidade onde estudava Engenharia de Minérios, perguntaram-lhe se ele era beato… “Não, sou cristão!”, respondeu ele com bondade. Em 1918, Pedro Jorge, dono de bela aparência e de físico de atleta – ele praticava alpinismo – inscreveu-se na Conferência de São Vicente de Paulo. Foi logo considerado um dos melhores confrades, o mais generoso nas ofertas, o que visitava mais famílias, o mais ponctual e o que mais observava a regra.
Luciana, sua irmã e confidente, revelou que o rapaz decidira viver no mais absoluto desprendimento. Em casa, ele era tido como um tolo por ser visto sempre com poucas liras no bolso porque, pensava, para ajudar as pessoas pobres devia dar, não o supérfluo, mas o necessário. Procurava convencer os outros a fazer o mesmo. Um amigo contou que Frassati o convidara para ser vicentino. Ele, porém, lhe disse que sentia dificuldade de entrar nas casas dos pobres, pois temia contrair doenças. Pedro Jorge, com muita simplicidade, respondeu-lhe que visitar os pobres era visitar Jesus.
Entre os sofrimentos de Pedro Jorge, merece ser lembrado o seu amor profundo por Laura Hidalgo, uma jovem de condição humilde, sentimento que ele teve de renunciar pelos preconceitos da família.
No fim de junho de 1925, quando começa a sentir enxaqueca e falta de apetite, ninguém lhe dá atenção porque a sua avó estava agonizante e ele parecia um rapaz robusto. Atingido por poliomielite fulminante, os pais, apavorados, perceberam a gravidade da doença mas já tarde.
Antes de morrer, Frassati pediu à irmã para buscar na escrivaninha uma caixa de injecções que não tinha conseguido entregar a um dos seus pobres e quis escrever um bilhete com as instruções e o endereço. Tentou, mas devido à paralisia só saiu um rascunho de letras quase incompreensível. É o seu testamento…as últimas energias para a última caridade. Faleceu em 4 de julho de 1925, aos 24 anos de idade.
Chamado de “O homem das oito bem-aventuranças” por João Paulo II durante a cerimónia da sua beatificação, em 20 de maio de 1990, o saudoso Papa fez uma tocante confissão: “Frassati era um jovem de uma alegria transbordante, uma alegria que superava também muitas dificuldades da sua vida porque o período juvenil é sempre um período de prova de forças... Também eu, na minha juventude, senti a influência de Pedro Jorge e, como estudante, fiquei impressionado com a força do seu testemunho cristão”.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Bento XVI e a pobreza

Há poucos dias, foi revelada uma carta que Bento XVI enviou à chanceler da República Federal Alemã, Angela Merkel, ao assumir a presidência da União Europeia e do G8, na qual lhe pede manter como prioridade a luta contra a pobreza, em particular na África.

“Alegra-me o facto de que o tema «pobreza» está agora na ordem do dia dos países do G8 com uma referência explícita à África. Este tema, de facto, merece a máxima atenção e prioridade para benefício dos Estados pobres, assim como dos ricos. (…)

A Santa Sé sublinhou repetidamente que os governos dos países mais pobres têm, por sua parte, a responsabilidade do bom governo e da eliminação da pobreza, mas que nisso é irrenunciável uma activa colaboração por parte de todos os sócios internacionais. Não se trata de uma tarefa extraordinária ou de concessões que poderiam ser abandonadas por causa de importantes interesses nacionais. Dá-se mais um grave e incondicional dever moral, baseado na pertença comum à família humana, assim como na comum dignidade e destino dos países pobres e ricos, que no processo de globalização se desenvolvem de uma maneira cada vez mais intimamente ligada. (…)

É necessário tomar também medidas a favor de um rápido cancelamento, completo e incondicional, da dívida externa dos países pobres altamente endividados e dos países menos desenvolvidos. Desta forma, hão de tomar-se medidas para que estes países não acabem de novo em uma situação de dívida insustentável. (...)


Depois, são necessários importantes investimentos no campo da pesquisa e do desenvolvimento de remédios para o tratamento da Sida, da tuberculose, da malária e de outras doenças tropicais. Os países industrializados têm de enfrentar a urgente tarefa científica de criar finalmente uma vacina contra a malária. Desta forma, é necessário pôr à disposição tecnologias médicas e farmacêuticas, assim como conhecimentos derivados da experiência no campo da saúde, sem pretender, em troca, exigências jurídicas ou económicas.

Por último, a comunidade internacional tem de seguir trabalhando por uma redução significativa do comércio de armas, legal ou ilegal, do tráfico ilegal de matérias-primas preciosas e da fuga de capitais dos países pobres, e tem de comprometer-se na eliminação tanto de práticas de lavagem de dinheiro como da corrupção dos funcionários nos países pobres. (…)

Membros de diferentes religiões e culturas de todo o mundo estão certos de que alcançar o objectivo da eliminação da pobreza extrema antes do ano 2015 é uma das tarefas mais importantes de nosso tempo. Compartilham também a convicção de que esta meta está ligada indissoluvelmente à paz e à segurança no mundo.”