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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Esperançada, aguardada, preparada

«Pensas realmente que a proximidade sempre crescente da morte seja angustiosa?
Penso que não; não se deve recear a morte.
A morte não é senão a passagem de uma vida – que não é mais do que um teste – de alegrias e pequenos azares…à Felicidade plena, à Visão perpétua d’Aquele que tudo nos deu.
Angustiosa, a morte?
Não, não devia sê-lo, mas antes esperançada e aguardada (por isso, preparada…).
Recordas-te que muitas colegas (tu também) me predisseram que morreria jovem? sem se consultarem.
Bem, confesso que não me preocupo em nada, dado que na eternidade, 50 anos de vida terrestre a mais ou a menos...o que são?»


Serva de Deus, Clara de Castelbajac
(1953-1975)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Trazei a vossa paz ao nosso mundo violento

Deus de amor, compaixão e cura
olhai o povo de muitos credos
e tradições diferentes,
que se reúne hoje neste lugar,
cenário de violência e dor indizíveis.



Pedimos-vos na vossa bondade,
que concedais luz e paz eternas
a todos aqueles que morreram aqui
àqueles que foram os primeiros
a responder heroicamente:
os nossos bombeiros, policiais,
agentes do serviço de emergência,
funcionários da Autoridade portuária,
juntamente com todos os homens
e mulheres inocentes,
vítimas desta tragédia
somente porque o seu trabalho e o seu serviço
os trouxeram aqui
no dia 11 de Setembro de 2001.

Pedimos-vos, na vossa misericórdia,
que concedais a consolação a quantos,
por causa da sua presença aqui naquele dia,
sofrem por feridas e doenças.

Curai também a dor das famílias
ainda em luto
e de todos aqueles que perderam
os seus entes queridos
nesta tragédia.

Dai-lhes a força para continuar a viver
com coragem e esperança.

Recordamos também
quantos padeceram a morte, prejuízos e perdas
nesse mesmo dia no Pentágono
e em Shanksville, na Pensilvânia.

O nosso coração está unido ao seu,
enquanto a nossa oração
abraça a sua dor e o seu sofrimento.

Deus da paz, trazei a vossa paz
ao nosso mundo violento:
paz ao coração de todos os homens e mulheres
e paz entre as Nações da Terra.

Orientai para o vosso caminho de amor
quantos têm o coração e a mente
consumidos pelo ódio.


Deus de compreensão,
esmagados pela enormidade desta tragédia,
procuramos a vossa luz e a vossa guia,
enquanto enfrentamos acontecimentos terríveis
deste tipo.

Fazei com que aqueles, cuja vida foi poupada,
possam viver de tal modo
que as vidas perdidas aqui
não tenham sido em vão.

Confortai-nos e consolai-nos,
revigorai-nos na esperança
e concedei-nos a sabedoria e a coragem
para trabalhar incansavelmente por um mundo
onde reinem a paz e o amor verdadeiros
entre as Nações e no coração de todos.

Oração de Bento XVI
no Ground Zero, Nova Iorque
20/04/2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A presença do Mal no mundo é um mistério

A presença do Mal no mundo é um mistério que não entendemos plenamente e ao qual nenhuma religião dá uma resposta completamente satisfatória.
No século XVIII, alguns filósofos afirmavam rigorosamente que: “Ou Deus não tem poder de impedir o Mal, e então não é todo-poderoso; ou então pode, mas, por sadismo não o faz, e por isso não é bom. Se Ele não é todo-poderoso, não é Deus, e se não é bom, pouco interessa, é melhor não acreditar n’Ele.”
O problema do Mal parece justificar o ateísmo.
No entanto, os cristãos sempre viram as coisas de outra maneira. O Deus em que acreditam não é indiferente, nem sádico, mas ama os homens, e é à luz dessa relação de Deus com eles que os cristãos tentam ler o enigma do Mal.
A Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja ajudam a entender melhor o mistério do Mal.
Se Deus é amor, isso implica que Ele nos criou livres. O amor sem liberdade é violação, é escravidão.
Deus é o primeiro a sofrer com o Mal e é inocente do Mal. Nunca o desejou e não o criou, mas deixou ao homem o tesouro da liberdade, da livre escolha e vontade. Tesouro que o homem desviou de Deus. Assim o pecado, com a morte e o sofrimento, pôde entrar no mundo.
Esta liberdade de acção, o ser humano pode orientá-lo para o bem como para o mal, para caminhos de vida que Deus aponta, ou para caminhos de morte.
Não é preciso ser doutor em teologia para distinguir duas formas de Mal: o Mal “culpável” e o Mal “inocente” (mortes e catástrofes naturais).
O Mal “culpável” é causado pelos homens. Genocídios, campos de concentração e guerras não são acidentes naturais. A responsabilidade do Mal "culpável" é do homem.
Se Deus abrisse os céus para preservar cada criança que morre por causa da guerra, onde estaria a liberdade dos assassinos?
Então, o Deus dos cristãos é um mero espectador lá do alto, a ver os homens a bulha?
Não, Ele desce desse alto!
Em Jesus Cristo, Deus vem à Terra viver como homem, no meio dos homens.
E se Ele partilhou os trabalhos, as refeições e as festas com eles, também como eles, padeceu no corpo e na alma, e morreu.
E porque na cruz, Jesus, por amor, tomou sobre Si todo o sofrimento, qualquer homem que sofre pode unir-se à paixão de Jesus. Todo o homem pode encontrar em Cristo a força de amar apesar de sofrer, tornando o sofrimento uma ligação misteriosa a Deus e ao próximo.
Estranha resposta de Deus ao problema do Mal…Em vez de explicar ao homem donde vem o Mal, Ele o vive. Em vez de tirar a “varinha mágica” de Deus omnipotente para tornar o mundo melhor, Ele se faz pequeno e humilha-se.
Assim, os cristãos afirmam que Deus não é insensível ao homem que sofre, mas, cheio de compaixão, vem tomar sobre Si o sofrimento. A participação divina às dores humanas é intemporal porque Deus abraça a eternidade num só presente. Por isso, Deus partilha ainda hoje todos os nossos sofrimentos, e podemos dizer que “Jesus está em agonia até ao fim do mundo” (Blaise Pascal).


Mas não podemos ficar no calvário…devemos ir até ao sepulcro vazio!
A ressurreição de Jesus ao terceiro dia é a grande vitória de Deus sobre o Mal, que Ele abraçou para triunfar dele, mergulhando nos abismos da morte para de lá sair.
Para os cristãos, a morte e ressurreição de Cristo são a prova que Deus toma sobre Ele o problema do Mal, que o combate e o vence misteriosamente. E porque Ele é infinitamente bom, Ele deseja associar todos os homens nesta vitória.
Os cristãos não podem, como também os outros homens, explicar o Mal, mas eles acreditam, muitas vezes sem bem entendê-lo, que a ressurreição de Jesus inaugura um novo tempo onde o Mal já foi vencido.


P.S: Este post, para não ser demasiado extenso, é um breve resumo de algumas leituras sobre o escândalo do Mal. Convido cada um a aprofundar o tema...

Ícone da "Descida de Jesus aos infernos"...Cristo Vencedor tira da morte Adão e Eva.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Onde estava Deus naqueles dias?

A alguns meses do fim da II Guerra Mundial, a 27 de Janeiro de 1945, perto de 7500 prisioneiros, pesando entre 23 e 35 kg, foram libertados pelo Exército Vermelho, do Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau (Polónia).
Estima-se que entre um milhão e um milhão e meio de pessoas morreram lá, na grande maioria judeus, mas muitos cristãos também sucumbiram em Auschwitz, principalmente padres polacos.
São Maximiliano Kolbe, um sacerdote que deu a sua vida afim de salvar a de um prisioneiro; Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), uma brilhante filósofa nascida na Alemanha, convertida do judaísmo ao catolicismo, que abraçou a vida religiosa no Carmelo, fazem parte das vítimas desta autêntica fábrica de morte da Alemanha Nazi.
Os homens não podem esquecer esta triste página da história da humanidade.

«Quantas perguntas surgem neste lugar! Sobressai sempre de novo a pergunta: Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou? Como pôde tolerar este excesso de destruição, este triunfo do mal? (…)
Nós não podemos perscrutar o segredo de Deus, vemos apenas fragmentos e enganamo-nos se pretendemos eleger-nos juízes de Deus e da história. Não defendemos, nesse caso, o homem, mas contribuiremos apenas para a sua destruição. Não em definitiva, devemos elevar um grito humilde mas insistente a Deus: Desperta! Não te esqueças da tua criatura, o homem! (…)
Nós gritamos a Deus, para que impulsione os homens a arrepender-se, para que reconheçam que a violência não cria a paz, mas suscita apenas outra violência uma espiral de destruição, na qual todos no fim de contas só têm a perder. (…)
A humanidade atravessou em Auschwitz-Birkenau um "vale escuro".
Por isso desejo, precisamente neste lugar, concluir com a oração de confiança com um Salmo de Israel que é, ao mesmo tempo, uma oração da cristandade:
"O Senhor é o meu pastor: nada me falta.
Em verdes prados me fez descansar
e conduz-me às águas refrescantes.
Reconforta a minha alma
e guia-me por caminhos rectos,
por amor do seu nome.
Ainda que atravesse vales tenebrosos,
de nenhum mal terei medo
porque Tu estás comigo.
A tua vara e o teu cajado dão-me confiança...
habitarei na casa do Senhor para todo o sempre"
(Sl 23, 1-4.6)



Bento XVI, na visita ao Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau, 28/05/2006




Em Auschwitz, um soldado polaco, Stefan Jasienski, gravou uma imagem do Sagrado Coração de Jesus nas paredes de sua cela. Retratou-se a si próprio nesta gravura, olhando para o Coração trespassado de Cristo e com os braços à volta da cintura de Jesus. Provavelmente foi morto no acampamento.