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terça-feira, 17 de março de 2009

Que tens pior do que isso?

A próxima vez que pensares que Deus não pode servir-se de ti, lembra-te:

Noé embriagava-se,
Abraão era demasiado velho,
Isaac era mentiroso,
Lea era feia,
José foi enganado,
Moisés gaguejava,
Gedeão tinha medo,
Sansão era mulherengo,
Raab era prostituta,
Jeremias e Tobias, demasiado jovens,
David foi adúltero e assassino,
Elias quis suicidar-se,
Isaías pregou nu,
Jonas fugiu de Deus,
Noemi era viúva,
Job faliu,
João Baptista comia insectos,
Pedro negou Cristo,
os discípulos adormeciam na oração,
Marta estressava,
a Samaritana teve vários maridos,
Zaqueu era de pequena estatura e roubava,
Paulo, demasiado zeloso,
Timóteo tinha uma úlcera,
e Lázaro estava morto…


Que tens pior do que isso?
Pois…então acaba com as desculpas…serve a Deus!


Anónimo

quinta-feira, 12 de março de 2009

Um constante processo

«A Quaresma é uma ocasião para "nos tornarmos de novo" cristãos, mediante um constante processo de mudança interior e de progresso no conhecimento e no amor de Cristo.

A conversão nunca é de uma vez para sempre, mas é um processo, um caminho interior de toda a nossa vida. Este itinerário de conversão evangélica certamente não pode limitar-se a um período particular do ano: é um caminho de cada dia, que deve abraçar toda a existência, todos os dias da nossa vida.
Nesta óptica, para cada cristão e para todas as comunidades eclesiais, a Quaresma é o tempo espiritual propício para se exercitar com maior tenacidade na busca de Deus, abrindo o coração a Cristo. (…)



Converter-se significa então não perseguir o nosso sucesso pessoal que é passageiro mas, abandonando qualquer segurança humana, pôr-se com simplicidade e confiança no seguimento do Senhor.»


Bento XVI, 21/02/2007

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Nesta Quaresma, esforcemo-nos

«Que cada um se examine agora para saber em que estado está, e esforcemo-nos em progredir todos os dias, porque é avançando na virtude que veremos o Deus dos deuses, na Sião celeste. É sobretudo neste tempo que nos devemos aplicar em viver na pureza; durante este tempo, digo, em que é concedido à fragilidade humana um número de dias certos mas curtos, para que ela não desanime. Porque se nos é dito a toda a hora: 'levai uma vida pura', quem não se desencorajaria de a conseguir? Ora, somos convidados neste tempo de pouca dura a reparar as negligências do resto do ano, e a viver de maneira a que no resto do tempo, se veja brilhar as marcas desta santa quarentena na nossa conduta.
Esforcemo-nos então, meus irmãos, em passar este tempo em exercícios piedosos, e em restaurar as nossas armas espirituais. De facto, nesta época do ano, parece que todo o universo, com o Salvador à frente, caminha como um exército contra o diabo.
Bem-aventurados os que terão combatido com valentia sob tal governo.»


São Bernardo, 7º sermão para a Quaresma





Senhor meu Deus, fazei que o meu coração Vos deseje;
e que desejando Vos procure;
procurando, Vos encontre;
encontrando, Vos ame;
e amando-Vos, sejam perdoados os meus pecados;
e uma vez perdoados, que eu não volte a cometê-los.

Senhor meu Deus,
dai a penitência ao meu coração,
a contrição ao meu espírito,
as lágrimas aos meus olhos,
a liberalidade da esmola às minhas mãos.

Ó meu Rei, apagai em mim a concupiscência da carne
e acendei o fogo do vosso amor.
Ó meu Redentor, apartai de mim o orgulho,
e que a vossa benevolência me conceda a humildade.
Ó meu Salvador, afastai de mim a cólera
e que a vossa bondade me dê o escudo da paciência.
Ó meu Criador, tirai da minha alma o ressentimento
para lá derramar a mansidão.

Pai bondoso,dai-me a fé recta,
a esperança certa e a caridade perfeita.
Vós que me guiais,
afugentai de mim a vaidade da alma,
a inconstância do espírito,
a confusão do coração,
as vanglórias da boca,
a altivez dos olhos.


Ó Deus misericordioso,
por vosso muito amado Filho,
eu Vos peço,
fazei que eu viva a misericórdia,
a sincera devoção,
a compaixão pelos aflitos
e a partilha com os pobres.


Santo Anselmo (1033-1109), Oratio X

terça-feira, 13 de maio de 2008

Mensagem tão maternal e ao mesmo tempo forte e decidida

Chegado Maio, eis que a comunicação social se interessa de novo no fenómeno “Fátima”: peregrinos a pé, futura canonização dos Pastorinhos, sentimentalismos e opiniões populares…e parece que ninguém fala, nem os próprios cristãos, do essencial da Mensagem da Mãe de Deus na Cova da Iria.
Porque não recordar, com palavras muito melhores do que as minhas, a homilia de João Paulo II a 13 de Maio de 1982 no Santuário de Fátima?


“À luz do amor materno, nós compreendemos toda a mensagem de Nossa Senhora de Fátima.
Aquilo que se opõe mais directamente à caminhada do homem em direcção a Deus é o pecado, o perseverar no pecado, enfim, a negação de Deus.
A programada supressão de Deus do mundo do pensamento humano.
A separação d'Ele de toda a actividade terrena do homem.
A rejeição de Deus por parte do homem.
Na verdade, a salvação eterna do homem somente em Deus se encontra.
A rejeição de Deus por parte do homem, se se tornar definitiva, logicamente conduz à rejeição do homem por parte de Deus , à condenação!
Poderá a Mãe, que deseja a salvação de todos os homens, com toda a força do seu amor que alimenta no Espírito Santo, poderá ela ficar calada acerca daquilo que mina as próprias bases desta salvação? Não, não pode!
Por isso a mensagem de Nossa Senhora de Fátima, tão maternal, se apresenta ao mesmo tempo tão forte e decidida. Até parece severa. É como se falasse João Baptista nas margens do rio Jordão. Exorta à penitência. Adverte. Chama à oração. Recomenda o terço, o rosário.
Esta mensagem é dirigida a todos os homens.
O amor da Mãe do Salvador chega até onde quer que se estenda a obra da salvação.
E objecto do seu carinho são todos os homens da nossa época e, ao mesmo tempo, as sociedades, as nações e os povos. As sociedades ameaçadas pela apostasia, ameaçadas pela degradação moral."




"Sejam benditas,
todas as almas
que obedecem à chamada do Amor eterno!
Sejam benditos aqueles que,
dia após dia, com generosidade inexaurível
acolhem o vosso convite, ó Mãe,
para fazer aquilo que diz o vosso Jesus,
e dão à Igreja e ao mundo
um testemunho sereno
de vida inspirada no Evangelho."



Acto de entraga de João Paulo II,
13 de Maio de 1982, Fátima

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Deserto e monte

Há já alguns dias que, tomando com Jesus o caminho do deserto, caminhamos para a Páscoa.
O deserto é uma experiência:
- de descoberta de nós próprios, da nossa fragilidade;
- de encontro com Deus.
É também ponto de partida para uma nova missão.
Podemos encontrar algumas semelhanças entre a experiência do deserto e aquilo que nos proporciona a subida de um monte, recordando ainda o Evangelho da Transfiguração do 2º Domingo da Quaresma.


Desde sempre, o monte é associado a crenças religiosas.
A montanha transmite poder, força, eternidade.
Ao subí-la, o céu, habitual residência de Deus, fica mais perto.
Por isso, na tradição bíblica, o monte é lugar de encontro com Deus, lugar de culto e de revelação.
No monte do Horeb e no Sinai, Moisés ouve o apelo de Deus na sarça ardente, e recebe as tábuas da Lei como sinal de aliança.
O profeta Elias também sobe à montanha para receber a revelação de Deus, já não no meio de trovões mas num vento suave.
No Evangelho, Jesus retira-se frequentemente para o monte afim de rezar.
É também lá que Ele se revela: não cedendo à tentação do poder, ensinando a nova lei das bem-aventuranças, e aparecendo transfigurado a Pedro e aos irmãos Zebedeu.
Perto da sua Paixão, é no monte das Oliveiras que Cristo se recolhe, e é no Calvário, pequena colina, que Ele morre.
É ainda do monte que Jesus envia os discípulos em missão.

Nesta Quaresma, subamos também ao monte, onde Deus se revela, procurando nele um pouco de frescura e de calma, um lugar onde possamos meditar, orar, abrir-nos à presença divina.
Quem sobe adivinha o esforço que o espera. Não vai ser fácil, mas a visão do alto já o habita.
Quem sobe, sabe que não pode ir muito carregado, ou cansará depressa, e que só deve levar o essencial.
Um bom guia é certamente necessário, e este guia é Jesus, mais ainda, o próprio Jesus é o cume para onde o caminhante se dirige.
Como o deserto, a subida do monte é caminho de conversão, onde o esforço, a procura do essencial e a graça divina permitem chegar à meta.


"Quem poderá subir à montanha do Senhor?
O que tem as mãos inocentes e o coração limpo,
o que não ergue o espírito para as coisas vãs."
(Salmo 24)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O mundo promete

A Quaresma é tempo para voltar ao essencial, de libertação…de regresso a Deus.
Uma oportunidade para ler algumas frases da Irmã Lúcia, que faleceu por estes dias há 3 anos, e que certamente nos ajudarão nesta caminhada quaresmal.
«O mundo promete facilidades e prazeres e rodeia-nos de muitas tentações aliciadores, mas falsas e nascidas da ignorância, porque o mundo ou, antes, os que seguem as máximas do mundo desconhecem o bem que rejeitam e perdem, quando se afastam de Deus. Todos correm em busca da felicidade, mas não encontram, porque a procuram onde ela não existe, e assim, como é errada a estrada, quanto mais a seguem mais se afastam da felicidade.
Deus é o único Ser onde está a felicidade, para a qual, aliás, nos criou. Mas Deus não está na satisfação dos prazeres sensuais da carne, dos sentidos, nem das paixões, do orgulho, da soberba, da cobiça, etc.
Deus encontra-Se nas almas puras, nos corações humildes e nas consciências rectas, livres do apego às coisas da terra, como sejam honras, prazeres, riquezas, etc. É que as pessoas assim libertas identificam-se com Deus, e a vida de Deus nelas; e Ele comunica-lhes uma participação sempre crescente nos Seus dons.»



Irmã Lúcia, Apelos da Mensagem de Fátima



Ontem, o Cardeal Saraiva Martins, em Coimbra, anunciou a antecipação, por decisão de Bento XVI, do início do processo de beatificação da mais velha dos pastorinhos de Fátima.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Foi o mistério da Encarnação que me converteu!

Natal 1856, na paróquia de um bairro popular da cidade de Lião, França, António Chevrier, sacerdote há 6 anos, contempla o presépio.
Meditando na pobreza e na humildade de Cristo, ele recebe a graça de entrar profundamente no mistério da Encarnação, Deus que se faz homem.
Na sua oração, ele constata também que a humanidade continua a afundar-se, os pobres não são evangelizados, a Igreja e o mundo dos trabalhadores estão cada vez mais separados.
Ele percebe que deve converter-se a uma existência mais evangélica, viver o mistério da pobreza no seguimento de Jesus para “trabalhar eficazmente na salvação das almas”.
Conhecer Cristo, unir-se a Ele e fazê-l’O conhecer…tudo isso determina a sua vida de sacerdote.
Se Cristo convida os pobres ao banquete do reino, então ele, sacerdote, “outro Cristo”, também deve servi-los.
Primeiro os mais jovens. Em 1860, o padre Chevrier compra o “prado”, um antigo salão de dança. Lá, ele acolha, instrui e catequiza os filhos de operários.
Depois, ele procura formar padres pobres para os pobres. Assim nascem os sacerdotes e as religiosas do Instituto do Prado. Hoje a família do Prado está presente em 50 países.
A humildade de Chevrier é tão grande como o seu zelo, mas este “São Francisco de Assis da era industrial”, esgotado pelo trabalho e pela doença, morre aos 53 anos.
Em 1986, aquando da sua beatificação, João Paulo II deixou aos padres, religiosas e leigos do Prado, quatro grandes orientações, que servem perfeitamente para cada cristão:
“Ide ao encontro dos pobres para fazer deles verdadeiros discípulos de Jesus Cristo”;
“Que o vosso sinal distintivo seja sempre a simplicidade e a pobreza”;
“Falai de Jesus Cristo com a mesma intensidade de fé como o Padre Chevrier”;
“Apoiai-vos sempre em Jesus Cristo e na Igreja”.
Se o Natal transformou a vida do padre Chevrier, porque não a nossa?

«Foi ao meditar a pobreza de Nosso Senhor e da sua humilhação no meio dos homens que resolvi deixar tudo para viver o mais pobremente possível. Foi o mistério da Encarnação que me converteu!... Então decidi-me a seguir Nosso Senhor Jesus Cristo de mais perto. E o meu desejo é que vós próprios sigais de perto Nosso Senhor.»

«Dizia para mim mesmo: 'o Filho de Deus desceu à terra para salvar os homens e converter os pecadores. No entanto, que vemos? Quantos pecadores existem neste mundo!' Então resolvi seguir Nosso Senhor Jesus Cristo de mais perto para me tornar capaz de trabalhar eficazmente na salvação das almas.»


Beato António Chevrier

domingo, 4 de novembro de 2007

Eu hoje devo ficar em tua casa

«Desce depressa, Eu hoje devo ficar em tua casa.
O Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido.»

Lc 19,5.10



«Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, concede tudo. Quem se dá a ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri, escancarai as portas a Cristo e encontrareis a verdadeira vida»

João Paulo II


«Abri o vosso coração a Deus. Deixai-vos surpreender por Cristo. Dai-lhe o "direito de vos falar". Abri as portas da vossa liberdade ao seu amor misericordioso. Apresentai as vossas alegrias e as vossas penas a Cristo, deixando que ele ilumine com a sua luz a vossa mente e toque com a sua graça o vosso coração.»

«Quem deixa entrar Cristo na sua vida não perde nada, nada, absolutamente nada do que faz a vida livre, bela e grande. Não! Só com esta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só com esta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só com esta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta. Estai plenamente convencidos: Cristo não tira nada do que há de formoso e grande em vós, mas leva tudo à perfeição para a glória de Deus, a felicidade dos homens e a salvação do mundo.»
Bento XVI

sábado, 13 de outubro de 2007

Há 90 anos

Há 90 anos, Maria, Mãe de Deus e Mãe dos homens, aparecia uma última vez na Cova da Iria, a três pastorinhos, Francisco, Jacinta e Lúcia.
À volta dos pequeninos, uma multidão à chuva esperava por um milagre anunciado…e aconteceu! O sol bailou nos céus!
Mas Maria, antes da despedida, deixou palavras fundamentais às três crianças:
“Quero dizer que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dia.”
“Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido.”
Duas frases que sintetizam a mensagem da Mãe de Jesus em Fátima: Oração e Penitência…rezar, arrepender-se, converter-se, fazer o que Deus quer...amá-l'O!
Assim, Maria, a Senhora do Rosário, convida a humanidade, por meio daqueles três pastorinhos, a voltar-se toda para Deus, na intimidade da relação com o seu Senhor e no cumprimento da sua vontade.
“Rezar todos os dias” é viver uma relação de amor com Deus.
“Não ofender a Deus Nosso Senhor” é fazer o que Ele quer de nós por amor.
Maria, a humilde serva do Senhor, é assim o instrumento de comunhão amorosa entre Deus e os homens.
Toda relativa a Deus, ela vive só d’Ele e para Ele.
Por isso, em 1917, preocupada com o mundo que se afastava d’Aquele por Quem ela vive, Deus, ela agiu! Ela foi ter com os homens...foi mensageira da necessidade de voltar-se para Deus, de amá-l'O na oração e no cumprimento da sua vontade.

Graças Te dou, Senhor, por Maria, Mãe atenta às necessidades dos homens!
Graças te dou, Maria, Senhora do Rosário, por mostrares aos homens a necessidade de Deus e do seu amor nas suas vidas!

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Não amei o Amor

«A verdadeira contrição consiste unicamente nisso: Não amei o Amor. (…)
E se choramos verdadeiramente porque não amámos o Amor, isso não significa que nos atrasemos num olhar voltado para o passado, porque só há uma maneira de reparar as nossas faltas de amor, é de duplicar o nosso esforço e amar melhor hoje, pois a verdadeira contrição se confunde com um acto de amor.
É inútil gemer porque ontem omitimos fazer o bem. Hoje, devemos ser o bem; hoje, devemos amar. Por isso, uma pessoa pode num instante, como a Madalena, como a mulher adúltera, como o bom ladrão, tornar-se um santo, isto se a conversão se fizer até à raiz do próprio ser, aspirando todo para Deus.
Não nos retardemos no passado, não nos demoremos nos pecados que cometemos. Não nos atrasemos em extensos exames de consciência. É tempo perdido. É agora, hoje, que tudo começa, e isto é o que há de maravilhoso no Evangelho: tudo começa.»


Pe. Maurice Zundel 1897-1975


"Vai e agora em diante não tornes a pecar." (Jo 8, 11)

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Ser apanhado pelo amor com que Deus nos ama

«O que é tornar-se santo?
É ser apanhado pelo amor com que Deus nos ama…o amor com que o Pai nos ama ao dar o seu Filho, ao perdoar os nossos pecados, ao transfigurar-nos, ao permitir-nos fazer o que não teríamos força de fazer, isto é, amar como Jesus nos ama.

Quanto mais descobrimos o amor, mais reconhecemos que não sabemos amar, que não somos dignos dele. É o santo que toma consciência pouco a pouco que é um homem pecador.
Aquele que não ama não sabe que lhe falta o amor. Enquanto não for tocado pelo amor de Cristo e não o descobrir, ele não sabe o quanto ele ama pouco.
Quando vos interrogais sobre a vossa vida, vós dizeis: ‘Até não faço muitas coisas ruins; faço isso, faço aquilo, mas até não é grande coisa. Mas além disso, o que faço de mal? Pouca coisa, zangas! Que devo fazer mais?’
Resposta:
Voltai o vosso olhar para Cristo;
rezai;
descobri a grandeza do seu amor;
contemplai o mistério da Cruz;
contemplai a Cristo que vos dá a Vida;
deixai-vos agarrar pela grandeza do amor com que vos ama.
Então, na sua misericórdia, no seu amor, descobrireis o pecado, descobrireis que não sois santos.
É Ele que vos santifica.
É Ele que vos tornará santos!»

Cardeal Lustiger nas JMJ de Roma,
filho do judaísmo que encontrou Cristo aos 14 anos.
Baptizado, a sua caminhada espiritual passa pelo sacerdócio.
Foi ao longo de 25 anos, Bispo de Paris;
colaborador de João Paulo II como Cardeal.
Morreu no passado Domingo 5 de Agosto de 2007.
Hoje foram realizadas as suas exéquias.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

8º Centenário da Conversão de Francisco de Assis

Bento XVI visitou no passado domingo o túmulo de Francisco de Assis, por ocasião do oitavo centenário da conversão do santo fundador dos franciscanos…uma conversão ao amor de Cristo na pobreza.

Francisco de Assis, de nome de baptismo: João (Giovanni) e da família dos Bernardone, nasceu em 1182. Ele conheceu uma infância confortável. Filho de um rico comerciante, prepararam-no para suceder um dia ao pai. E como tinha dinheiro, tinha também muitos amigos: era o príncipe da juventude dourada de Assis. Sonhava em ser cavaleiro, mas a sua primeira experiência com as armas não correu muito bem: após um ano de conflito com a cidade vizinha de Perusa, ele é feito prisioneiro, e permanecerá no cárcere dois ano. Doente, ele é libertado, e volta a sonhar com a cavalaria. Mas, pouco a pouco, ele tem a intuição que tem algo maior para fazer... Porque não renunciar à glória das armas para servir a Cristo?
Ele inicia assim uma vida de oração intensa, procura o recolhimento, e aproxima-se dos pobres, dos leprosos, dos excluídos por excelência. O próprio Francisco, no seu Testamento, rubrica a data da sua conversão no convívio com os leprosos: “Praticava a misericórdia para com eles, e esperei pouco para sair do século…” Ele deixa o mundo para retirar-se a capela da São Damião nos arredores de Assis, onde Cristo comunica com ele através de um crucifixo. “Francisco, vai e restaura a minha casa, que, como vês, está em ruína…” Para Francisco, a visão em São Damiano é decisiva, associada com a experiência de Cristo Sofredor nos pobres e excluídos.
“A partir deste dia, o seu coração foi tão impressionado e tão dilacerado com a lembrança da Paixão do Senhor, que todo o resto da sua vida, ele guardou na sua alma, a memória dos estigmas do Senhor Jesus. A coisa veio a ser conhecida mais tarde, quando as chagas do Senhor se imprimiram no corpo de Francisco” (Tres Soc. 5, n°14).
Tendo ouvido a voz do Crucificado, Francisco pensou que Cristo queria reconstruir a capela de São Damiano. Pôs mãos à obra, mas o seu pai reclamou o dinheiro que serviu para a obra e fez comparecer o filho diante do tribunal do bispo. Ali, diante da família e dos amigos do pai, o jovem Francisco despojou-se de tudo, até das vestes e proclamou: “Doravante, não chamarei pai a Pedro Bernardone, mas ao Pai dos céus!”.
Partiu para o campo e levou uma vida de eremita e de penitente. Rapidamente, começou a pregar o Evangelho, e, alguns companheiros de infância, e jovens dos arredores, juntaram-se a ele. Procurando no Evangelho uma pista sobre a sua vocação, ficou tocado pelo envio dos discípulos em missão. Com os seus companheiros, Francisco decide aplicar à letra aquele trecho evangélico, começando uma obra de vida de pregação itinerante numa pobreza radical, que ainda hoje, perdura na Igreja e pelo mundo, através daqueles que se reclamam do carisma do Poverello de Assis.
Bendito seja Deus em São Francisco!

segunda-feira, 11 de junho de 2007

São Barnabé e Chipre

Hoje, a Igreja faz memória de São Barnabé apóstolo, companheiro de São Paulo na pregação do Evangelho aos gentios. Natural da Ilha de Chipre, ali também morreu segundo a tradição. A festa litúrgica de São Barnabé é assim uma oportunidade para falar hoje da presença do Catolicismo nesta Ilha do Mediterrâneo, e de ler uma das catequeses de Bento XVI que tratou deste santo, num conjunto de ensinamentos sobre as figuras dos primórdios da Igreja a que o Santo Padre consagrou as audiências de quarta-feira no inicio do ano 2007.

A presença da Igreja Católica na ilha do Chipre é diminuta, dado que 78% da população pertence à Igreja Ortodoxa da Grécia e outros 18% são muçulmanos. No total de 800 mil habitantes, apenas 13 mil são católicos, o que representa uma percentagem de 1, 28%.
Por tudo isto, a presença da Igreja no país não tem um grande impacto na sociedade e está mais limitada à celebração litúrgica, dentro das comunidades católicas, de tradição maronita – a única das igrejas católicas orientais, que não tem uma facção separada de Roma. Uma arquieparquia (divisão eclesiástica correspondente à nossa arquidiocese) e 13 paróquias espalham-se pelos 9 mil km2 da ilha, contando apenas com 12 padres e 50 religiosos.



«“Barnabé significa "filho da exortação" (Act 4, 36) ou "filho da consolação" e é sobrenome de um judeu-levita originário de Chipre. Tendo-se estabelecido em Jerusalém, ele foi um dos primeiros a abraçar o cristianismo, depois da ressurreição do Senhor. Com grande generosidade vendeu um campo de sua propriedade entregando a quantia aos Apóstolos para as necessidades da Igreja (cf. Act 4, 37). Foi ele quem se fez garante da conversão de Saulo junto da comunidade cristã de Jerusalém, a qual ainda desconfiava do antigo perseguidor (cf. Act 9, 27). Tendo sido enviado a Antioquia da Síria, foi buscar Paulo a Tarso, onde se tinha retirado, e transcorreu com ele um ano inteiro, dedicando-se à evangelização daquela importante cidade, em cuja Igreja Barnabé era conhecido como profeta e doutor (cf. Act 13, 1). Assim Barnabé, no momento das primeiras conversões dos pagãos, compreendeu que tinha chegado a hora de Saulo, o qual se retirara para Tarso, sua cidade. Foi ali procurá-lo. Assim, naquele momento importante, quase restituiu Paulo à Igreja; deu-lhe, neste sentido, novamente o Apóstolo das Nações. Da Igreja antioquena Barnabé foi enviado em missão juntamente com Paulo, realizando o que classifica como primeira viagem missionária do Apóstolo. Na realidade, tratou-se de uma viagem missionária de Barnabé, sendo ele o verdadeiro responsável, ao qual Paulo se juntou como colaborador, chegando às regiões de Chipre e da Anatólia centro-meridional, na actual Turquia, com as cidades de Attalia, Perge, Antioquia de Psídia, Listra e Derbe (cf. Act 13-14). Juntamente com Paulo foi depois ao chamado Concílio de Jerusalém onde, depois de um aprofundado exame da questão, os Apóstolos com os Anciãos decidiram separar a prática da circuncisão da identidade cristã (cf. Act 15, 1-35). Só assim, no final, tornaram oficialmente possível a Igreja dos pagãos, uma Igreja sem circuncisão: somos filhos de Abraão simplesmente pela fé em Cristo.


Os dois, Paulo e Barnabé, entraram depois em contraste, no início da segunda viagem missionária, porque Barnabé tinha em mente assumir como companheiro João Marcos, mas Paulo não queria, tendo-se separado o jovem deles durante a viagem anterior (cf. Act 13, 13; 15, 36-40). Portanto, também entre santos existem contrastes, discórdias, controvérsias. E isto parece-me muito confortador, porque vemos que os santos não "caíram do céu". São homens como nós, com problemas também complicados. A santidade não consiste em nunca ter errado ou pecado. A santidade cresce na capacidade de conversão, de arrependimento, de disponibilidade para recomeçar, e sobretudo na capacidade de reconciliação e de perdão. E assim Paulo, que tinha sido bastante rude e amargo em relação a Marcos, no final encontra-se com ele. Nas últimas Cartas de São Paulo, a Filemon e na segunda a Timóteo, precisamente Marcos aparece como "o meu colaborador". Portanto, não é o facto de nunca ter errado que nos torna santos, mas a capacidade de reconciliação e de perdão. E todos podemos aprender este caminho de santidade. Em todo o caso Barnabé, com João Marcos, partiu para Chipre (cf. Act 15, 39) por volta do ano 49. Daquele momento em diante perdem-se os seus vestígios. Tertuliano atribui-lhe a Carta aos Hebreus, ao que não falta a plausibilidade porque, pertencendo à tribo de Levi, Barnabé podia ter interesse pelo tema do sacerdócio. E a Carta aos Hebreus interpreta-nos de modo extraordinário o sacerdócio de Jesus.” »


Audiência de Bento XVI a 31/01/2007

quinta-feira, 22 de março de 2007

O sacramento da Penitência

Na vida quotidiana, acontece agirmos mal, estragar algumas coisas e magoar.
Para apagar o mal que fizemos, pedimos perdão e reparamos o melhor possível.
Quando estamos doentes, chamamos o médico e tomamos os remédios que ele nos receita.
No que toca à alma, o” agir mal” são os nossos pecados, que nos fazem perder a graça…a amizade com Deus.
Pelo pecado, estragamos a beleza que há em nós e que Deus criou.
Da mesma maneira que a doença ataca o corpo, o cansa e o faz morrer, o pecado ataca a alma e mata a vida da graça, separa-a de Deus. Prejudicando assim a nossa alma, é necessário apagar o mal que fizemos a Deus, pedindo-lhe perdão de todo o coração e esforçando-nos para reparar o quanto nos é possível.
Para cuidar e curar a nossa alma do pecado, devemos chamar o médico das almas que é o próprio Deus, e tomar o medicamento que nos cura do mal: o sacramento da Penitência ou Reconciliação, que Jesus instituiu na tarde do Domingo da Ressurreição, confiando aos apóstolos e aos seus sucessores, o perdão dos pecados (Jo 20, 22-23).

Pregando na Palestina, Jesus mostrou o desejo de perdoar e de voltar a dar a paz aos pecadores: “Eu não vim para os justos, mas para os pecadores” (Mt 9,13). As parábolas da ovelha tresmalhada (Lc15, 4-7; Mt 18, 12-14), da dracma perdida (Lc 15, 8-10), do filho pródigo (Lc 15, 11-32) são sinais de que Cristo veio chamar os pecadores e salvar os corações atribulados…e continua a chamar e salvar.
“Há mais alegria no céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos, que não precisam de conversão” (Lc 15, 7).
Deus deseja a conversão dos pecadores, por isso instituiu o sacramento da Penitência. Se Jesus não o tinha instaurado, estaríamos na dúvida, perguntando-nos sempre se estaríamos perdoados ou não por Deus. Com este sacramento, temos a certeza que todos os nossos pecados são apagados.
São João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars, que passava até 17 horas por dia no confessionário para reconciliar os homens com Deus e entre eles, confidenciava:
“Dêmos esta alegria a este bom Pai: voltemos a Ele…e seremos felizes.”
“O bom Deus está sempre pronto em receber-nos. A sua paciência espera por nós.”
“Alguns dizem: ‘Fiz demasiado o mal, o bom Deus não pode mais perdoar-me’. É uma grande blasfémia. É colocar um limite à misericórdia de Deus, e não é nada assim: ela é infinita.”
“As nossas culpas são grãos de areia ao lado da grande montanha das misericórdias de Deus.”
“Quando o padre dá a absolvição, deve-se pensar numa única coisa: o sangue do bom Deus é derramado na nossa alma para lavá-la, purificá-la e torná-la tão bela como depois de receber o baptismo.”
“O bom Deus, no momento da absolvição, deita para trás das costas os nossos pecados, isto é, esquece-os, aniquila-os: jamais voltarão.”
“Nunca mais se falará de pecados perdoados. Estão apagados, já não existem!”


Que bom, dar-nos Deus o seu perdão, e revelar-nos a sua infinita misericórdia de Pai no Sacramento da Reconciliação!

quarta-feira, 21 de março de 2007

Santidade e conversão

«A santidade não consiste
em nunca ter errado ou pecado.
A santidade cresce
com a capacidade de conversão,
de arrependimento,
de disponibilidade para voltar a começar,
e sobretudo com a capacidade
de reconciliação e de perdão.
E todos podemos aprender este caminho de santidade.»

Catequese de Bento XVI a 31/01/2007

segunda-feira, 12 de março de 2007

Jovens e conversão

"Que os jovens sejam acompanhados nos caminhos da conversão. Um caminho possível e razoável, também para a juventude de hoje. (…)


Sabemos que a juventude deve ser uma prioridade do nosso trabalho pastoral, porque a juventude vive num mundo distante de Deus. É muito difícil dar-se, no nosso contexto cultural, o encontro com Cristo, com a vida cristã e com a vida de fé. Os jovens precisam de muito acompanhamento, para poder realmente encontrar essa estrada."

Bento XVI

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Conversão quaresmal

“Empreendemos, de facto, o caminho da Quaresma, tempo de escuta da Palavra de Deus, de oração e de penitência. São quarenta dias nos quais a liturgia nos ajudará a reviver as fases destacadas do mistério da salvação. (…)
A Quaresma é uma oportunidade para «voltar a ser» cristãos, através de um processo constante de mudança interior e de avanço no conhecimento e no amor de Cristo. A conversão não acontece nunca de uma vez por todas, mas que é um processo, um caminho interior de toda nossa vida. (…)
Mas, o que é, na verdade, converter-se? Converter-se quer dizer buscar Deus, caminhar com Deus, seguir docilmente os ensinamentos de seu Filho Jesus Cristo. (…)
Conversão consiste em aceitar livremente e com amor que dependemos totalmente de Deus, nosso verdadeiro Criador... que dependemos do amor. (...)
Converter-se significa, portanto, não perseguir o êxito pessoal, que é algo que passa, mas, abandonando toda segurança humana, seguir com simplicidade e confiança o Senhor, para que Jesus se converta para cada um, como gostava de dizer a beata Teresa de Calcutá, em «meu tudo em tudo». (...)
A liturgia quaresmal, ao convidar-nos a reflectir e rezar, estimula-nos a valorizar mais a penitência e o sacrifício, para rejeitar o pecado e o mal e vencer o egoísmo e a indiferença. A oração, o jejum e a penitência, as obras de caridade para os irmãos se convertem, deste modo, em caminhos espirituais que devem ser percorridos para voltar a Deus em resposta aos repetidos chamados à conversão. (…)
Que a Virgem Maria, que após ter compartilhado a paixão dolorosa de seu Filho divino, experimentou a alegria da ressurreição, acompanhe-nos nesta Quaresma rumo ao mistério da Páscoa, revelação suprema do amor de Deus.
Boa Quaresma a todos!”


Bento XVI na audiência de Quarta-Feira de Cinzas 2007

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Quarta-feira de Cinzas


"Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar"

"Arrependei-vos e acreditai no Evangelho"

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Conversão natalícia

Paul Claudel foi um diplomata, poeta, dramaturga e ensaísta francês, membro da Academia Francesa.
Nasceu em 1868 e morreu em 1955.
De família católica, nem por isso ele era uma pessoa de fé, pelo menos até 1886. Com 18 anos, no dia de Natal, na famosa Catedral Notre-Dame de Paris, dá-se a sua conversão. Ele narrou assim o facto:
“De repente o meu coração foi tocado e acreditei. Acreditei com uma tal força de adesão, elevação de todo o meu ser, convicção tão poderosa, certeza que não deixa lugar a qualquer tipo de dúvida, que desde então, todos os livros, todos os raciocínios, todos os acasos de uma vida agitada, não puderam abalar a minha fé, nem por assim dizer tocá-la.”
A fé de Paul Claudel não foi unicamente uma componente da sua vida mas envolveu-o profundamente. Esta comunhão de Claudel com Deus deu à luz mais de 4000 páginas de textos, nas quais ele professa um verdadeiro amor a Deus e à Criação, no seu mistério e dramaturgia.
Sem a fé, a sua obra torna-se incompreensível, pelo menos em profundeza.
O misticismo de Claudel faz dele o maior poeta católico desde Dante.

O cineasta português Manoel de Oliveira realizou uma obra deste autor, “Sapato de cetim” em 1985.