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terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Igreja não precisa de críticos, mas de artistas...

«Desconfio da minha imaginação, da minha revolta; a indignação nunca salvou ninguém, mas arruinou provavelmente muitas almas, e todas as orgias de simonia na Roma do século XVI não teriam beneficiado o diabo se não tivessem conseguido este golpe único de atirar Lutero no desespero, e com esse monge indomável, dois terços da dolorosa cristandade.
Lutero e os seus desesperaram da Igreja, e quem desespera da Igreja, curiosamente, desespera do homem mais tarde ou mais cedo.
Vendo assim, o protestantismo parece-me um compromisso com o desespero ...
As gentes da Igreja teriam de bom grado tolerado que ele juntasse a sua voz a tantas outras vozes mais ilustres ou mais santas que nunca deixaram de denunciar estas desordens. A infelicidade de Martinho Lutero foi de pretender reformar...
Ora é um facto que não se reforma nada na Igreja por meios ordinários. Quem pretende reformar a Igreja com esses meios, pelos mesmos meios que reformam uma sociedade temporal, não só fracassa no seu empreendimento, como inevitavelmente acaba fora da Igreja... antes mesmo que alguém se preocupa em exclui-lo... torna-se seu inimigo quase inconscientemente. (…)
Não se reforma a Igreja senão sofrendo por ela,
não se reforma a Igreja visível senão sofrendo pela Igreja invisível.
Não se reforma os vícios da Igreja senão dando o exemplo das suas virtudes heróicas.
É possível que São Francisco de Assis não tenha sido menos revoltado do que Lutero pela libertinagem e a simonia dos prelados.
É uma certeza que ele sofreu mais cruelmente, devido à sua natureza bem diferente da do monge de Weimar.
Mas ele não desafiou a iniquidade… ele entregou-se à pobreza... em vez de tentar arrancar à Igreja os bens mal adquiridos, ele a cumulou de tesouros invisíveis, e sob a mão suave deste mendigo, o ouro e a luxúria começaram a florescer como um jardim de primavera...
A Igreja não precisa de críticos, mas de artistas...
A Igreja não precisa de reformadores, mas de santos.»


Georges Bernanos, escritor e jornalista francês
1888-1948

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Não é possível ser cristão sem desejar a unidade

Neste Oitavário de oração pela unidade dos cristãos, de 18 a 25 de Janeiro...

«Os cristãos nunca deveriam esquecer que a sua pertença ao único corpo de Cristo e a inabitação do Espírito Santo neles acontecem através do baptismo.
Existe uma verdadeira comunhão entre os cristãos, que seguramente não é perfeita nem plena – mas esta comunhão será perfeita e plena somente no Reino de Deus! – e esta comunhão vem pelo baptismo. (…)
Pelo baptismo, o cristão torna-se membro do corpo de Cristo, pertence à Igreja de Deus, “una, santa, católica e apostólica”, e é por meio da força do baptismo que ele assume a responsabilidade de reconhecer nos seus irmãos cristãos, os membros do mesmo e único corpo… “sacramentum fidei, sacramentum corporis Christi!”, “sacramento da fé, sacramento do Corpo de Cristo!” (…)


A comunhão dos cristãos entre eles e com Deus, durante a peregrinação da Igreja para o Reino, será sempre frágil, continuadamente posta à prova e muitas vezes contestada…porém a Igreja guarda e persegue a vontade de Deus, que pede sem cessar que se realize a comunhão visível do corpo de Cristo: que sejamos um, como o Pai e o Filho são um.
Estarão os cristãos conscientes desta necessidade radical de comunhão para dar forma à sua vida e á vida eclesial? De facto não é possível ser cristão sem desejar a unidade, ser cristão e não fazer tudo para que haja comunhão. Aquele que procede e vive para a comunhão com Cristo não pode ao mesmo tempo não proceder e viver para a reconciliação e comunhão com os seus irmãos, membros do seu próprio corpo. (…)
É na oração que apresentamos tudo o que somos, mas também o que ainda não somos, aquilo que devemos ser segundo a vontade do apelo do Senhor.
Por isso, a oração que devemos elevar com insistência ao Senhor é a de nos conceder de viver a Igreja como escreveu um Padre latino do século XII, Anselmo de Havelberg:
“Est unum corpus Ecclesiae, quod Spiritu sancto vivificatur, regitur et gubernatur… Unum corpus ecclesiae uno Spiritu sancto vivificatur, qui et unicus est in se, et multiplex in multifaria donorum suorum distributione.”
“Há um só corpo da Igreja, que o Espírito Santo vivifica, rege e governa… o corpo da Igreja que é uno, vive pelo Espírito Santo que é uno, único em si mesmo, e múltiplo na distribuição multiforme dos seus dons”.»


Enzo Bianchi, prior do Mosteiro ecuménico de Bose

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Dois rostos de desejo ecuménico

Leopoldo Mandic nasceu na Dalmácia, actual Croácia, em 12 de Maio de 1866. Os pais, católicos fervorosos, deram-lhe o nome de Bogdan, que significa "dado por Deus". Desde pequeno apresentou como características a constituição física débil e o carácter forte e determinado.
Nessa época, a região da Dalmácia vivia um ambiente social e religioso, marcados por profundas divisões entre católicos e ortodoxos. Essa situação incomodava o espírito do pequeno Bogdan, que decidiu dedicar a sua vida à reconciliação dos cristãos orientais com Roma.
Aos 16 anos ingressou na Ordem de São Francisco de Assis, em Údine, Itália, adoptando o nome de Leopoldo. Foi ordenado sacerdote em Veneza em 1890.
Leopoldo foi destinado aos serviços pastorais nos conventos capuchinhos, por causa da saúde precária. Assim, com grande espírito de fé, iniciou o ministério do confessionário, onde este homem de pequena estatura (1m40) se tornou o "gigante do confessionário", exercendo até à sua morte.
Estabelecido na cidade de Pádua, famosa pelos restos mortais de Santo António (de Lisboa), Leopoldo dedicava quase doze horas por dia ao ministério da confissão. Sua fama espalhou-se e todos o solicitavam como confessor.
Todo o seu apostolado foi num cubículo de madeira, durante trinta e três anos seguidos, sem tirar um só dia de férias ou de descanso…tudo oferecido alegremente a Deus.
Frei Leopoldo Mandic morreu no dia 30 de Julho de 1942 em Pádua. O seu funeral provocou uma forte adesão popular e a fama de sua santidade se difundiu, sendo beatificado em 1976. O Papa João Paulo II o incluiu no catálogo dos santos, em 1983, declarando-o herói do confessionário e "apóstolo da unidade dos cristãos", um modelo para os que se dedicam ao ministério da reconciliação.



Maria Gabriella Sagheddu nasceu em Dorgali, na Sardenha, no ano de 1914 numa família de pastores.
Aos 21 anos decidiu consagrar-se a Deus e entrou no Mosteiro Cistercense de Grottaferrata, uma comunidade pobre, governada pela Madre M. Pia Gullini que tinha uma grande sensibilidade e um grande amor pela causa ecuménica.
Quando a Madre M. Pia, solicitada pelo Pe. Couturier, apóstolo do ecumenismo e impulsionador da Semana de oração pela Unidade, apresentou à comunidade o pedido de orações e de oferecimentos pela grande causa da Unidade dos Cristãos, a Irmã Maria Gabriella sentiu-se logo comprometida e chamada a oferecer a sua jovem vida."Sinto que o Senhor me pede", confessara à Abadessa. "Sinto-me chamada mesmo quando não o quero pensar."
Foi através de um caminho rápido e direito, entregue à obediência, consciente de sua fragilidade, e tendo como único desejo "a vontade de Deus e a Sua glória", que Gabriella alcançou aquela liberdade que a impelia a conformar-se a Jesus na sua Paixão. Oferecendo a Deus a sua doença (tuberculose) e após meses de sofrimento, foi na tarde do dia 23 de Abril de 1939, Domingo do Bom Pastor, no qual o evangelho proclamava:"Haverá um só rebanho e um só Pastor", que Gabriella morre.
Seu corpo, encontrado intacto quando foi feito o reconhecimento em 1957, repousa agora numa capela adjacente ao Mosteiro de Vitorchiano, para onde se transferiu a comunidade de Grottaferrata.
Foi beatificada por João Paulo II a 25 de Janeiro de 1987, quarenta e quatro anos depois da sua morte, na Basílica de São Paulo, no dia da Festa da Conversão do Apóstolo e da conclusão da Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos.


São Leopoldo Mandic, Beata Maria Gabriella, rogai por nós!
Rogai para que haja um só rebanho e um só Pastor!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Bose

Há dias apresentava no blog o exemplo ecuménico do Mosteiro de Chevetogne na Bélgica.
Hoje, aponto outro belo exemplo de procura de unidade entre os cristãos, outra comunidade, situada no norte de Itália: a Comunidade Monástica de Bose.

Bose é uma comunidade monástica de homens e mulheres provenientes de igrejas cristãs diversas, que procuram Deus no celibato, na vida fraterna e na obediência ao Evangelho.
A comunidade nasceu a 8 de Dezembro de 1965, o mesmo dia em que se encerrou o Concílio Vaticano II, quando Enzo Bianchi decidiu viver sozinho numa casa alugada na pequena aldeia de Bose. Ainda estudante, Enzo Bianchi gostava reunir, num grupo de oração, cristãos de várias confissões, mas foi a partir de 1968, que as primeiras pessoas interessadas (católicas e protestantes) se juntaram a ele e ao seu desejo ecuménico, afim de levar uma vida comunitária; entre estes, uma mulher pastor da Reforma.
Hoje, a comunidade é composta de 80 irmãos e irmãs: vários protestantes, 5 sacerdotes e um reverendo. O seu prior é o fundador: Enzo Bianchi. Sem o procurar, e certamente com a graça do Espírito Santo, cristãos de várias tradições fizeram parte da comunidade desde o início. Dessa dádiva, houve um compromisso pela unidade dos cristãos, em fidelidade à palavra de Cristo: “Que todos sejam um”.
Assim, no desejo de unidade, os irmãos e irmãs de Bose vivem aspirando à simplicidade e ao essencial…uma vida cenobítica de oração e trabalho. Todos os membros da comunidade trabalham, ganhando o seu sustento com as próprias mãos, no pomar ou na horta, na cerâmica, na pintura de ícones (muito belos), na carpintaria, na tipografia ou na pesquisa bíblica e catequética.
Neste espírito monástico, a comunidade é também um lugar de acolhimento e de retiro para aqueles que procuram partilhar a oração e a vida da comunidade, ou de reflexão e de colóquios sobre os desafios e problemas do mundo e da Igreja.
Bose é mais um belo exemplo de “ecumenismo vivido”.

Site do Mosteiro de Bose



Fotos: O mosteiro de Bose e a comunidade em oração na igreja.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Que as nossas orações se somem a um século de orações

Vinde, Espírito Santo!
Enchei nossos corações com vossa graça!
Vinde, Espírito Santo!
Livrai-nos da dúvida e da desconfiança!
Vinde, Espírito Santo!
Dai-nos fé para avançar!
Vinde, Espírito Santo!
Mudai nossos corações de pedra !
Vinde, Espírito Santo!
Enviai a justiça de Deus ao nosso mundo!
Vinde, Espírito Santo!
Ajudai-nos a compreender que somos irmãos e irmãs!
Vinde, Espírito Santo!
Derrubai as barreiras entre nós!
Vinde, Espírito Santo!
Concedei-nos vossos dons para a partilha!
Vinde, Espírito Santo!
Intercedei por nós, ó Espírito do Pai; vós cujos suspiros inexprimíveis ultrapassam
nossas palavras!

Vinde, Espírito Santo!
Uni todos os cristãos em Cristo, Nosso Senhor!

Que possa haver um novo e contínuo Pentecostes.
Que as nossas Igrejas se comprometam novamente a orar para a plena unidade de todos os cristãos.
Que as nossas orações se somem a um século de orações, «afim de que todos sejam um».
Isto, nós pedimos por Jesus Cristo nosso Senhor, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo, um só Deus, pelos séculos dos séculos.
Amen.


Da celebração proposta
pelo oitavário de oração pela unidade dos cristãos 2008.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Ecumenismo vivido

A “Semana de oração pela unidade dos cristãos” é celebrada todos os anos, de 18 a 25 de Janeiro pelos cristãos das diversas confissões, por todo o mundo.
2008 é o 100º aniversário desta iniciativa.
O tema proposto para este ano é uma passagem da 1ª Carta aos Tessalonicenses: “Orai sem cessar!”
O objectivo da unidade dos cristãos, que é presença diária na minha oração, é uma oportunidade para falar de um lugar a meio caminho de Bruxelas e do Luxemburgo, retirado no campo, perto da serra das Ardennes belgas: um mosteiro beneditino internacional consagrado à unidade dos cristãos…o Mosteiro de Chevetogne.

Desde a sua fundação em 1925 por D. Lambert Beauduin (1873-1960), um pioneiro do ecumenismo na Igreja Católica, o Mosteiro de Chevetogne é vocacionada à oração, ao encontro e ao trabalho teológico para a unidade dos cristãos.
Os monges dividem-se em dois grupos litúrgicos. Um grupo celebra segundo a Tradição Ocidental, o outro segundo a Tradição do Oriente Bizantino.
Centro de oração, a comunidade deseja assim penetrar no mais profundo da alma cristã do Ocidente e do Oriente, para além das barreiras confessionais.
Lugar de encontro espiritual e intelectual, o mosteiro procura viver ao ritmo da Igreja do presente, aberta ao passado e à tradição, mas também às grandes questões actuais colocadas ao mundo cristão.
Assim, a sua vocação, incluída numa procura radical de Deus e num clima de oração constante, é de trabalhar para que todos os cristãos reencontrem juntos a plena comunhão, afim de testemunhar em comum a sua esperança, para que a sua mensagem seja escutada pelo mundo.
O Mosteiro de Chevetogne é um grande exemplo de “ecumenismo vivido”.

Site do Mosteiro de Chevretogne

O Mosteiro tem alguns CD's à venda na Internet e nas lojas...comprei um na Fnac.

Foto: Ábside da igreja latina de Chevetogne


sábado, 29 de dezembro de 2007

Peregrinação de Confiança através da Terra...em Genebra

Nestes dias de finais de 2007, a Suiça acolhe a 30º Encontro Europeu de Jovens.
Depois de Barcelona, Paris, Hamburgo, Lisboa, Milão ou Zagreb, Genebra é a nova etapa da “Peregrinação de Confiança” da Comunidade Ecuménica de Taizé.
Os irmãos de Taizé organizam a “Peregrinação de Confiança através da Terra” desde há 30 anos, dias em que milhares de jovens cristãos de todas as confissões, provenientes de países diferentes, se congregam numa cidade escolhida para o fim de ano, para orar, cantar, ler a Bíblia, fazer silêncio e também fazer festa com outros jovens. Munidos de fé e de uma grande vontade de partilha, estes descobrem a realidade politica, cultural, religiosa do país que os recebem.
As orações comunitárias e os tempos de partilha que marcam estes dias em Genebra são uma oportunidade para os jovens procurarem caminhos de paz e de confiança, e de assumir compromissos de fé ao regressar às suas terras de origem após o Encontro.


“Queridos jovens, reunidos em Genebra(…) Que a vossa confiança em Deus possa suscitar em vós a esperança e ajudar-vos a mudar o mundo, fundando-se sobre os valores evangélicos, em particular sobre o perdão, o elemento mais fundamental do amor, uma vez que aquele que perdoa não se deixa ficar preso pela falta cometida, mas abre-se a um novo futuro. Se a paz é o fruto da justiça, ela é-o ainda mais do perdão, que sela verdadeiramente a reconciliação entre aqueles que ontem se desafiavam e se opunham, permitindo-lhes agora retomarem o caminho juntos. É ao aceitar o perdão de Deus, que nos é dado no sacramento, que podereis, por vossa iniciativa, ser artesãos do perdão entre irmãos e construir um mundo reconciliado.”

Bento XVI


“O lugar dos jovens que desejam viver o Evangelho na sociedade contemporânea não é fácil. Vivemos numa época em que reina um relativismo de valores.(…)
Para nós, não existe outro caminho a não ser o de seguir Cristo. Ele é o único a trazer uma resposta aos problemas que atormentam o mundo. Contudo, não podemos esquecer que Cristo não é um simples renovador social. A fé em Jesus como Messias é a fé nele como Deus e Senhor.(…)
Não há vida, verdade e justiça fora de Jesus Cristo.”


Patriarca Bartolomeu de Constantinopla


“O tempo do Natal recorda-nos que Deus criou uma possibilidade completamente nova através da vinda de Jesus à terra: a possibilidade de que os seres humanos, ao viverem plenamente uma intimidade com Deus, através da amizade com Jesus, consigam partilhar alguma coisa da sua própria liberdade. Agora, ao vos encontrades, ao rezardes e ao partilhardes uns com os outros, desejo que todas as possibilidades das vossas vidas se possam abrir plenamente, para que comeceis a ver como, nas circunstâncias mais banais, podereis viver de maneira a mostrar que Deus está vivo e que há muito mais possibilidades no mundo do que se pode imaginar.”


Arcebispo de Cantuária, Rowan Williams


“A procura de reconciliação, de confiança e de amizade que vos mobiliza corresponde bem ao projecto europeu, que também procura promover a unidade entre os Estados e entre os povos do nosso continente, respeitando sempre a sua diversidade.
Alegro-me pelo vosso empenho. O vosso entusiasmo é um sinal de que se pode confiar o nosso planeta às gerações futuras. Os homens do nosso tempo precisam que lhes mostrem estes sinais, para que mantenham a esperança de que é possível um mundo melhor.”


Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Abre-se o caminho para a reunificação

Portugal, pela sua história religiosa, não é um país que se entusiasma pelo ecumenismo.
No entanto, a Igreja do nosso país não pode viver separada da Igreja Universal, e por isso não pode e não deve deixar de se alegrar com os cristãos de todo o mundo pelos passos dados, poucos mas importantes, no diálogo entre as várias tradições cristãs.
O Papa é o “primeiro dos Patriarcas”, Roma é a “primeira Sé”, a Igreja de Roma “preside no amor”…assim proclama um documento conjunto da Igreja Católica e das Igrejas Ortodoxas, que fixa sem equívocos o primado do Pontífice Romano, aplainando o caminho da reunificação dos católicos e dos ortodoxos, separados desde o cisma de 1054.
O documento em questão, revelado há dias, é fruto de um encontro em Ravena (Itália), no passado mês de Outubro, onde uma delegação católica e uma delegação ortodoxa lançaram as bases para um aprofundamento das questões a resolver para restabelecer a unidade.
Sobre o papel do Papado, existe um acordo de princípio na primazia do Bispo de Roma na Igreja Universal, mas não há no modo de exercer a função. Mesmo assim, este reconhecimento é um grande avanço.


Bento XVI que manifestou desde a sua eleição a vontade de dar passos concretos na aproximação entre as Igrejas cristãs, já deu provas do seu empenho pessoal nesta missão, com visitas ou encontros de carácter ecuménico.
Mas há dificuldades na Igreja Católica como nas outras confissões cristãs.
Na Ortodoxia, o patriarca Alexis de Moscovo não reconhece a primazia do patriarca Bartolomeu de Constantinopla e não tem boas relações com algumas Igrejas Ortodoxas de alguns países. Também não perdoa ao Vaticano o desenvolvimento das actividades pastorais das dioceses católicas na Rússia.
Nas comunidades da Reforma, as divergências crescem entres as varias denominações protestantes. Apesar de alguns acordos teológicos com os católicos, as discordâncias são cada vez maiores no campo ético. As relações com a Igreja Católica tornaram-se mais complexas.
Como sempre, resta aos cristãos das várias tradições rezar para que todos os que confessam o nome de Cristo pela fé, em breve se unam numa só Igreja, sob um só pastor, para que o mundo acredite.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Ícone da Ressurreição - Anastasis

Em 2007, os dois calendários seguidos pelas várias tradições cristãs coincidiram na data da Páscoa, assim, católicos, ortodoxos e protestantes celebraram no mesmo dia a Ressurreição de Cristo.
Na tradição oriental, o ícone da Ressurreição é representada pela descida aos infernos, à mansão dos mortos.
Ricos em símbolos, os ícones são “IMAGENS que visualizam a palavra bíblica e levam aos olhos o que a palavra transmite ao ouvido.”


O centro da composição é Cristo glorioso e luminoso.
Tendo arrombado as portas dos infernos, Cristo as esmaga e agarra o punho de Adão, que ele arranca com vigor das trevas da morte. Com Adão, é toda a humanidade que é arrancada por Cristo, que tomou a iniciativa da nossa salvação.
Ainda no primeiro plano, saindo do túmulo, Eva levanta as mãos cobertas pelo seu manto em sinal de reverência. Atrás dela, os justos e os profetas do Antigo Testamento.

À esquerda, os reis David e Salomão.
Perto deles, João Baptista, o precursor, aponta para Cristo.
Em cima de Cristo, os anjos, com as mãos cobertas em sinal de reverência, trazem a cruz e o cálice do sangue oferecido pela humanidade.
Ganchos, correntes rompidas jazem no buraco negro dos infernos cujo as altas encostas sublinham a profundeza e a distância com o céu.
No seu corpo transfigurado, Cristo escapa às leis do mundo, a gravidade da corrupção e da morte…Ele está suspenso no espaço. Vencedor da morte, Ele é transparência, abertura e comunhão.


Tendo descido ao túmulo, ó Imortal,
Tu destruíste o poderio dos infernos e,
levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
Tu, que disseste às mulheres atemorizadas: rejubilai!
E aos apóstolos, dás a paz,
Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.

Liturgia ortodoxa

quinta-feira, 29 de março de 2007

Páscoa ecuménica

Em espírito, estamos quase às portas de Jerusalém, pelas quais entraremos, dentro de alguns dias, no mistério da Redenção.
Em 2007, os cristãos do Oriente e do Ocidente celebrarão a Semana Santa e a Páscoa nas mesmas datas.
A fé comum na Ressurreição une os cristãos católicos, ortodoxos e protestantes; no entanto, o dia da Páscoa os separa…uma oportunidade para entender o porquê.

Segundo o Novo Testamento, a morte e ressurreição de Cristo estavam ligadas à festa judaica de Páscoa (Pessah).
As primeiras comunidades cristãs celebravam-na na primeira lua a seguir ao equinócio de Março.
Nos finais do século II, algumas Igrejas celebravam a Páscoa no mesmo dia que a festa judaica, sem olhar ao dia da semana. Outras celebravam no domingo a seguir.
No século IV, a Páscoa cristã era celebrada só ao Domingo, mas não havia consenso no cálculo da data.
O Concílio Ecuménico de Niceia (325) decidiu então fixar o dia no domingo a seguir à primeira lua da primavera, ligando os princípios de datação às normas que serviam para calcular a Páscoa no tempo de Jesus.
Actualmente, as Igrejas cristãs seguem dois calendários: o “juliano”, desde a reforma de Júlio César (46 a.C.), e o “gregoriano”, desde o pontificado de Gregório XIII (1582).
A diferença entre os dois calendários explica a diferença das festas religiosas.
O calendário gregoriano, que as Igrejas Católica e Protestante usam, não diverge muito do calendário astronómico, enquanto o calendário juliano, adoptado pelos ortodoxos, tem um atraso de 13 dias.
Além deste problema, os dois calendários alicerçam-se em tabelas convencionais de cálculo do ciclo lunar, mas a precisão científica dos nossos dias deveria permitir deixá-las, e conseguir uma data comum da Páscoa…mas falta entendimento.

Já em 325, no Concílio de Niceia, via-se o desacordo sobre a data da Páscoa como um escândalo. Como sempre, o diálogo ecuménico faz-se devagar, pacientemente, “o tempo da Igreja é o da eternidade”…mesmo assim, esperemos que em breve as várias Igrejas Cristãs possam celebrar, na unidade da fé e do dia, a Ressurreição de Cristo.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Como Tu queres, pelos meios que Tu quiseres.

Senhor Jesus,
que antes de morrer por nós,
oraste para que todos os teus discípulos fossem perfeitamente um,
como Tu no teu Pai e o teu Pai em Ti,
faz-nos sentir dolorosamente a infidelidade da nossa divisão.
Dá-nos a lealdade de reconhecer,
e a coragem de rejeitar tudo que está escondido em nós,
e que seja indiferença, desconfiança e mesma hostilidade mútua.
Concede-nos encontrar-nos todos em Ti
para que as nossas almas
e os nossos lábios elevem incessantemente a tua oração
para a unidade dos cristãos
tal como Tu a queres, pelos meios que Tu quiseres.
Em Ti, que és a Caridade perfeita,
faz-nos encontrar o caminho que conduz à unidade
na obediência ao teu amor e à tua verdade.
Amen



Esta linda oração foi composta pelo Abade Paul Couturier (1881-1953), um sacerdote francês que dará nos anos 30 do século XX um novo alento ao ecumenismo, abrindo-lhes as sendas de uma oração comum. Com ele, a semana anual de oração católica, que desde 1908 tinha como objectivo a conversão e o regresso dos irmãos separados, pôde tomar um carácter comum a todas as confissões cristãs e espalhar-se por todo o mundo.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

As vestes repartidas

O mundo já não é mais do que trevas.
No entanto, não ousaram rasgar a túnica sem costura.
Mas nós, cristãos, que fazemos?
Mesmo aos pés da cruz,
disputamos a túnica e apresentamos a Jesus,
não o cálice que todos partilham,
mas o fel das nossas separações.
Túnica sem costura, em Cristo, Igreja do Espírito,
não se pode rasgá-la.
Os santos, os justos, os mártires,
os criadores de vida e de beleza,
os perseguidos pela justiça
bordam sem cessar o seu tecido de luz.

Senhor, nós repartimos entre nós as tuas vestes.
Nós dispersámo-las a Leste e a Oeste,
a Norte e a Sul.
Faz-nos entender
que a diversidade dos olhares
não divide a luz.
Em segredo, a túnica permanece sem costura:
A comunhão dos santos e dos pecadores existe sempre.
Concede-nos descobri-la junto à cruz,
não na avidez que divide,
mas no amor pelo Homem das dores,
por todos os homens da dor.



Meditação da Via-Sacra em Roma 1998

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Tradicionalmente, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é celebrada de 18 a 25 de Janeiro. Estas datas foram propostas em 1908 por Paul Wattson, abrangendo o período entre a festa de São Pedro e a de São Paulo. Esta escolha tem, portanto, um significado simbólico.

O tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2007 chega da experiência das comunidades cristãs da região de Umlazi, próxima de Durban, na África do Sul, e inspira-se da passagem do Evangelho segundo São Marcos: “Ele faz os surdos ouvirem e os mudos falarem (Mc 7, 37)”.

O Conselho Pontifício para a promoção da unidade dos cristãos convida assim a “orar pela unidade dos cristãos, buscando-a juntos e, também, a unir as nossas forças para dar uma resposta aos sofrimentos humanos”.

Este ano, além dos textos bíblicos e meditações propostos pelo grupo ecuménico africano, é sugerido aos cristãos do mundo inteiro lembrarem-se também das vítimas da SIDA nas suas orações.

Por isso, fazemos destes 8 dias um tempo de consciencialização da necessidade da unidade entre os cristãos, mas também de obrigação entre aqueles que confessam a Cristo como Senhor das suas vidas, de se unir para aliviar as feridas humanas de todo o género.




Intercessões pelas pessoas contaminadas pela Sida
(proposta pelo grupo ecuménico de África do Sul)

Ó Deus, nosso Pai, criador do céu e da terra, tem piedade de nós.
Ó Deus, o Filho, salvador do mundo, tem piedade de nós.
Ó Espírito Santo de Deus, advogado, guia e consolador, tem piedade de nós.
Ó Trindade santa, bendita e gloriosa, Três Pessoas e um só Deus, tem piedade de nós.

Deus nosso Pai, escuta a nossa oração por aqueles que são vítimas da Sida, aqueles que estão em perigo de morte. Concede-lhes o conforto de tua presença, faz com que eles procurem a tua face e encontrem a força em ti que és a fonte da vida.
Tem piedade e escuta nossa oração

Senhor Jesus, escuta nossa oração por aqueles que acabaram de descobrir que estão contaminados pelo vírus HIV mas que ainda não estão doentes. Recorda-lhes que eles têm ainda uma vida diante de si, faz com que eles encontrem em Ti a Vida, o Caminho e a Verdade. Jesus, Senhor da vida, escuta nossa oração.

Espírito Santo de Deus, escuta nossas orações por aqueles que cuidam dos doentes da Sida. Concede-lhes a certeza da presença do Pai e do amor de Jesus. Concede-lhes o teu conforto, dá-lhes a tua paz.
Espírito de santidade, escuta nossa oração.

Pai, nós te pedimos que todos nós escutemos teu apelo nestas circunstâncias, um apelo a ajudar os outros.
Nós te pedimos que todos façam penitência de suas imoralidades e modelem suas vidas sobre os conselhos que nos dá a tua Palavra.
Ajuda-nos a fim de que possamos viver de maneira responsável, pensando não somente em nós mesmos, mas também naqueles que estão ao nosso redor.
Nós te pedimos pelos cientistas e médicos que trabalham na pesquisa, em busca de um remédio para combater a Sida.

Nós te pedimos pela tua Igreja.
Guia-nos a fim de que possamos dar teu conforto àqueles que necessitam de ser apoiados.
Enche os nossos corações de tua compaixão para que os contaminados da Sida tenham a certeza de que a Igreja os ajudará;
Guia-nos a fim de que saibamos como ajudar aqueles que necessitam.
Nós te pedimos porque tua misericórdia por nós é imensa.
Senhor de misericórdia, escuta nossa oração.
Amen.


  • Subsídios para a SEMANA DE ORAÇÃO PARA A UNIDADE DOS CRISTÃOS e para todo o ano 2007 – Site do Vaticano
  • sábado, 30 de dezembro de 2006

    Peregrinação de Confiança através da Terra

    Desde o dia 28 de Dezembro de 2006 até 1 de Janeiro de 2007, Zagreb, capital da Croácia, acolhe dezenas de milhares de jovens de toda a Europa e de outras partes do mundo no vigésimo nono «Encontro Europeu de Jovens», no quadro da «Peregrinação de Confiança através da Terra» da Comunidade de Taizé.
    Jovens que escolheram uma maneira bem diferente de celebrar a Passagem de Ano!
    A Comunidade de Taizé (nome da aldeia de Borgonha – França, onde ela está estabelecida) foi fundada em 1940 pelo Irmão Roger, que permaneceu como seu Prior até à data de sua morte a 16 de Agosto de 2005, e é dedicada à reconciliação.
    A comunidade é ecuménica, constituída por mais de cem homens de várias nacionalidades e tradições cristãs (protestantes e católicos). A vida na comunidade evidencia-se na oração e na meditação cristã.
    Para mim, a vivência sincera do ecumenismo, a beleza espiritual, estética e musical de Taizé encaixam perfeitamente comigo…e não sou o único, uma vez que é notória a atracção que aquela comunidade consegue junto de jovens e adultos por todo o mundo.
    Que esta comunidade continue a ser, como um dia afirmou João Paulo II, uma “primavera para a Igreja” e para todos os homens.



    «Deus eterno, louvado sejas pela vida oferecida do nosso irmão Roger.
    Pela sua vida e pela sua morte,
    ele motivou-nos a seguir o caminho da confiança em ti,
    o Deus vivo cujo amor e o perdão são sem limites.
    Mesmo com uma fé muito pequena,
    podemos abandonar-nos na tua Palavra
    e no sopro do teu Espírito Santo.
    Por Cristo, tu unes-nos numa só comunhão,
    que é a comunhão da Igreja.
    E envias-nos com a nossa fragilidade humana
    para transmitirmos um mistério de esperança.
    Que se erga então a paz sobre a terra,
    essa paz do coração que o nosso irmão Roger tanto desejou
    para cada ser humano.»

    Irmão Alois, prior de Taizé
    Foto: Irmão Roger

    sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

    Mais diálogo ecuménico

    Bento XVI e o Primaz Christodoulos, da Igreja Ortodoxa da Grécia, assinaram ontem, quinta-feira 14 de Dezembro, no Vaticano, uma Declaração comum em que assumem a necessidade de, através de um “diálogo teológico construtivo”, se procurar “restabelecer a plena unidade” entre os cristãos.

    O documento indica que a unidade é essencial para “anunciar Cristo ao mundo, sobretudo às novas gerações”, exortando os líderes religiosos a trabalharem pelo diálogo entre religiões. Nesse sentido, é pedido que se combata a intolerância e a violência religiosa. “As religiões têm um papel a desempenhar para assegurar o surgimento da paz no mundo e não devem, de forma alguma, fomentar a intolerância e a violência”, referem.

    Para além das questões teológicas e doutrinais, a Declaração refere-se a temas da actualidade, como os progressos da investigação científica, deixando um convite a que se respeite “o carácter sagrado da pessoa humana”. Ambos manifestam inquietação perante práticas científicas que implicam “experimentações com seres humanos que não respeitam a dignidade e a integridade da pessoa humana em todos as etapas da existência”.

    O Santo Padre e o Primaz grego demonstram assim o “desejo de colaborar para o desenvolvimento da sociedade, numa cooperação construtiva para o serviço dos povos e do ser humano”.


    Icone dos Apóstolos Pedro e Paulo simbolizando o diálogo ecuménico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa.

    quinta-feira, 30 de novembro de 2006

    Bento XVI e Bartolomeu I





    Segundo Bento XVI, a sua presença na Divina Liturgia na igreja ortodoxa de São Jorge serve para “renovar o compromisso comum para prosseguir o caminho do restabelecimento, com a Graça de Deus, da plena comunhão entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla”.

    “A Igreja Católica está pronta a fazer todos os possíveis para superar os obstáculos e procurar, juntamente com os nossos irmãos e irmãs ortodoxos, meios cada vez mais eficazes de colaboração pastoral para esse fim".

    “Somos chamados, juntamente com todas as outras comunidades cristãs, a renovar a consciência da Europa, no que se refere às suas raízes, tradições e valores cristãos, dando-lhes uma nova vitalidade”.

    Santo André

    Hoje, a Igreja celebra Santo André, irmão de São Pedro, chamado de “Protoklit” ou “o Primeiro chamado”, porque, ouvindo João Baptista dizer que Jesus era o Cordeiro de Deus , ele aceitou o convite que Cristo lhe fez em segui-lo, e nunca mais o deixou.
    A escolha da data da visita de Bento XVI a Bartolomeu I é muito simbólica.
    O Papa, Bispo de Roma, sucessor do Apóstolo Pedro visita o Patriarca de Constantinopla, sucessor do Apóstolo André que fundou a comunidade cristã daquela região do mundo…é um encontro de irmãos!
    Se de costume, para representar o diálogo entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, são usadas as figuras dos Apóstolos Pedro e Paulo abraçando-se, hoje, podíamos retratar o ecumenismo destes dias com os rostos de Pedro e André…a amizade de Roma e Constantinopla.



    Por intercessão dos Apóstolos Pedro e André,
    Senhor Jesus, dá a unidade aos teus discípulos,
    para que o mundo acredite que foste enviado pelo Pai.

    terça-feira, 28 de novembro de 2006

    O que é isso de: Patriarca de Constantinopla e Ortodoxia?

    Com a viagem do Santo Padre à Turquia, vale a pena recordar ou aprender algo sobre a Tradição Cristã Ortodoxa, para estarmos a par dos desafios que Bento XVI tem no que toca à unidade dos cristãos.

    Quem é o Patriarca Ecuménico de Constantinopla?

    O Patriarca Ecuménico de Constantinopla é o principal bispo da Igreja Ortodoxa, o Primeiro entre os Iguais. Diferentemente do que ocorre na Igreja Católica Apostólica Romana, todos os patriarcas são autónomos e independentes, cabendo ao patriarcado de Constantinopla apenas a função de mediador entre os demais patriarcados e de representar a Igreja Ortodoxa de uma forma geral.
    O actual Patriarca Ecuménico é Sua Santidade,Patriarca Bartolomeu I, desde o ano de 1991, com quem o Papa Bento XVI se encontrará na sua viagem à Turquia.

    O que é a Igreja Ortodoxa?
    A Igreja chamada Ortodoxa é o conjunto das Igrejas Orientais que se encontram separadas de Roma desde o século XI.
    Etimologicamente, os ortodoxos são os que professam a doutrina verdadeira.
    Na história eclesiástica, este nome reserva-se aos fiéis da Igreja Bizantina, que se separou da Igreja de Roma, primeiro com o cisma de Fócio (séc. IX) e em termos definitivos no tempo do patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário que, declarado herege pelo legado do Papa, acusou a Igreja de Roma de herética (15.7.1054).
    Também se consideram Ortodoxos os fiéis (chamados melquitas) dos patriarcados de Alexandria, Antioquia e Jerusalém, a que mais tarde se juntaram outras Igrejas da Europa de Leste.
    É de referir que os vários patriarcados são autónomos e nem sempre se encontram em sintonia.
    Chamam-se uniatas, as Igrejas e os fiéis que regressaram à união com a Igreja Católica.
    Para a separação dos ortodoxos contribuíram, além de erros de uma e outra parte (para os quais o Papa já pediu publicamente perdão), factores políticos e diferenças de língua, de cultura, de ritos litúrgicos e de disciplina, sem que tenha havido ou haja ainda diferenças substanciais de doutrina.
    Apesar da separação, a Igreja Católica manifesta grande estima por estas “Igrejas irmãs” e reconhece a sucessão apostólica dos seus bispos e a validade dos sacramentos nelas administrados; e aceita que, em caso de necessidade, aos sacramentos da Eucaristia, da Penitência e da Unção dos Doentes administrados por sacerdotes ortodoxos, sejam admitidos fiéis católicos, e vice-versa.
    Na procura da unidade perdida (ecumenismo), a Igreja Católica vê sobretudo nas Igrejas Ortodoxas valores necessários à revitalização do Cristianismo Universal hoje ameaçado pelo processo de laicização.
    “Enciclopédia Católica Popular”

    Confesso que sou um entusiástico do diálogo ecuménico, alias, penso que a unidade dos cristãos deve ser uma intenção sempre presente nas nossas orações…afinal, é um desejo de Cristo que haja uma só Igreja e um só Pastor.
    Como já puderam notar, aprecio muitíssimo a arte bizantina, imagem de marca da Ortodoxia no mundo.
    Abram-se os corações ao Espírito Santo para que haja unidade!