quinta-feira, 29 de março de 2007

Páscoa ecuménica

Em espírito, estamos quase às portas de Jerusalém, pelas quais entraremos, dentro de alguns dias, no mistério da Redenção.
Em 2007, os cristãos do Oriente e do Ocidente celebrarão a Semana Santa e a Páscoa nas mesmas datas.
A fé comum na Ressurreição une os cristãos católicos, ortodoxos e protestantes; no entanto, o dia da Páscoa os separa…uma oportunidade para entender o porquê.

Segundo o Novo Testamento, a morte e ressurreição de Cristo estavam ligadas à festa judaica de Páscoa (Pessah).
As primeiras comunidades cristãs celebravam-na na primeira lua a seguir ao equinócio de Março.
Nos finais do século II, algumas Igrejas celebravam a Páscoa no mesmo dia que a festa judaica, sem olhar ao dia da semana. Outras celebravam no domingo a seguir.
No século IV, a Páscoa cristã era celebrada só ao Domingo, mas não havia consenso no cálculo da data.
O Concílio Ecuménico de Niceia (325) decidiu então fixar o dia no domingo a seguir à primeira lua da primavera, ligando os princípios de datação às normas que serviam para calcular a Páscoa no tempo de Jesus.
Actualmente, as Igrejas cristãs seguem dois calendários: o “juliano”, desde a reforma de Júlio César (46 a.C.), e o “gregoriano”, desde o pontificado de Gregório XIII (1582).
A diferença entre os dois calendários explica a diferença das festas religiosas.
O calendário gregoriano, que as Igrejas Católica e Protestante usam, não diverge muito do calendário astronómico, enquanto o calendário juliano, adoptado pelos ortodoxos, tem um atraso de 13 dias.
Além deste problema, os dois calendários alicerçam-se em tabelas convencionais de cálculo do ciclo lunar, mas a precisão científica dos nossos dias deveria permitir deixá-las, e conseguir uma data comum da Páscoa…mas falta entendimento.

Já em 325, no Concílio de Niceia, via-se o desacordo sobre a data da Páscoa como um escândalo. Como sempre, o diálogo ecuménico faz-se devagar, pacientemente, “o tempo da Igreja é o da eternidade”…mesmo assim, esperemos que em breve as várias Igrejas Cristãs possam celebrar, na unidade da fé e do dia, a Ressurreição de Cristo.

1 comentário:

Pe. Vítor Magalhães disse...

MAIS IMPORTANTE É AQUILO QUE NOS UNE!