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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um lugar para a Lectio divina

«Tu, porém, quando orares,
entra no quarto mais secreto e,
fechada a porta,
reza em segredo a teu Pai,
pois Ele, que vê o oculto,
há-de recompensar-te.»


Mt 6,6





«Quando queres entrar nesta leitura orante, procura primeiro um lugar de solidão e de silêncio onde possas orar ao Pai no segredo até à contemplação.
A cela, o quarto são lugares privilegiados para saborear a presença de Deus, nunca o esqueças (cf Mt 6,5-6). (…)
Que o teu quarto, ou outro lugar solitário, seja para ti o santuário onde Deus te humilha para te provar pela sua Palavra, mas também para te ensinar, te consolar e te alimentar.
Sentirás certamente a presença do Adversário, que te convidará a fugir, que te tornará pesada a solidão, que te distrairá por meio dos teus hábitos e das tuas preocupações, que procurará seduzir-te por inúmeros pensamentos mundanos.
Não te deixas abater, não desespera e resiste nesta luta corpo a corpo com o demónio, porque o Senhor não está longe de ti. Ele não olha somente para o teu combate, mas Ele próprio luta em ti. Ajuda-te, se quiseres, com um ícone, uma vela acesa, um crucifixo, um tapete sobre o qual te ajoelharás para rezar. Não temas – sem ceder à moda e à estética – de utilizar estes meios, que poderão recordar que não estás somente ali para estudar a Bíblia ou ler algumas palavras, mas que estás diante de Deus, disposto a escutá-l’O, em diálogo com Ele!
Se surgir a tentação de fugir, resiste, mesmo que tenhas de permanecer calado, em silêncio, mas resiste. Deves habituar-te aos tempos de solidão, de silêncio, de desapego das coisas e dos irmãos, se quiseres encontrar Deus na oração pessoal.»

Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro Ecuménico de Bose,
Orar a Palavra, uma introdução à Lectio divina


«O que mais importa antes de tudo,
é de entrar em nós mesmos
para aí permanecer a sós com Deus.»

Santa Teresa de Jesus (de Ávila),
O caminho da perfeição

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Deserto da tentação...deserto da libertação

"Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto,
a fim de ser tentado pelo Demónio"
(Mt 4, 1)

A tentação faz parte inevitavelmente da vida do homem, e sem as tentações do deserto, Jesus, o Verbo de Deus que se fez carne, não teria assumido plenamente a sua condição humana.
Assim, como verdadeiro homem, Jesus, Filho de Deus, também viveu o que Santo Agostinho um dia disse sobre a experiência humana da tentação:
«Na sua viagem terrena, a nossa vida não pode escapar-se à provação da tentação, porque o nosso progresso se realiza pela nossa provação; ninguém se conhece a si mesmo sem ter sido provado, e não pode ser coroado sem ter vencido, não pode vencer sem ter combatido, e não pode combater se não encontrou o inimigo e as tentações.»
Desde o princípio, o homem leve este combate contra o inimigo e as tentações.
No deserto, Cristo vem reviver concretamente este combate velho como o mundo e dar-lhe um novo desfecho.
Três tentações, três vitórias de Jesus, pelas quais o homem reencontra a sua liberdade original.
«Jesus Cristo, no deserto foi tentado pelo demónio. Mas em Cristo, és tu que eras tentado, porque Cristo tinha de ti a carne, para te dar a salvação; tinha de ti a morte, para te dar a vida; tinha de ti os ultrajes, para te dar as honras; por isso tinha de ti as tentações para te dar a vitória. Se é n’Ele que somos tentados, é n’Ele que dominamos o demónio. (…) Se Ele não tinha sido tentado, Ele não te teria ensinado, a ti que deves ser submetido à tentação, como alcançar a vitória.» (S. Agostinho)
Com Jesus, homem livre, não tenhamos medo de enfrentar o deserto da tentação que é também o deserto da libertação!
Afinal, Cristo mostrou-nos, quando colocados diante de escolhas que devemos fazer, a maneira de agir num acto livre: seguir a Palavra de Deus.