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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Toda a nossa existência

«Toda a nossa existência, todo o nosso ser deve proclamar o Evangelho aos quatro ventos; toda a nossa pessoa deve respirar Jesus, todos os nossos actos, toda a nossa vida devem proclamar que estamos com Jesus, devem mostrar a imagem da vida evangélica; todo o nosso ser deve ser uma pregação viva, um reflexo de Jesus, um perfume de Jesus, alguma coisa que proclame Jesus, que faça ver Jesus, que brilhe como uma imagem de Jesus.»

«As pessoas afastadas de Jesus devem, sem livros e sem palavras, conhecer o Evangelho vendo a minha vida…Vendo-me, deve ver-se quem é Jesus.»


Beato Carlos de Foucauld

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Nova praça pública

«Três pedreiros trabalham numa mesma obra no coração de uma cidade.
Uma pessoa que passava por lá pergunta o que estão a fazer.
‘Sou pedreiro, diz o primeiro, e por isso lapido pedras.’
‘Sou pedreiro, diz o segundo, por isso erijo muros.’
‘Sou pedreiro, diz o terceiro, edifico uma catedral.’



Para mim, que não tenho o talento de um construtor de catedral, nem pretendo ser um artista, a concepção de sites na Internet visa também a criação de um sítio belo e acolhedor para o visitante, porque o site é um lugar público…é a nova praça pública do século XXI e a Igreja necessita de construtores de catedrais virtuais, onde a fé possa ser retratada, contemplada, anunciada, debatida. A criação de um site para o grande público é uma obra de arte em si, onde se encontra ao mesmo tempo as linguagens da arquitectura, da pintura, da música, até do urbanismo. O webmaster diante do seu site não é somente um arquitecto, mas é semelhante a um pintor diante da tela. A tela é virtual mas a inspiração deve estar presente.

O internauta que visita um site cristão é como todos estes turistas que visitam a Europa e passam uma boa parte das suas férias a visitar catedrais, basílicas, igrejas, mosteiros, à procura de beleza, de história, de espiritualidade. Serão todos cristãos ou crentes? Longe disso. Serão transformados pela visita? Certamente que não. Mas através das pinturas, dos vitrais, dos mosaicos, a arquitectura, o espaço, a beleza, o silêncio, todos tocaram do mistério de uma linguagem que exprime ao mesmo tempo o inefável e o mistério do Deus uno e trino: Pai, Filho e Espírito Santo. Durante alguns minutos ou horas, estes visitantes se tornaram peregrinos do Infinito. Porque então uma tal peregrinação não seria possível na Internet? (…)

Para os irredutíveis cépticos, uma breve história para acabar.
É a história de um velho soldado que vivia na floresta.
Cansado da luta, saía de lá só para se abastecer, assaltando alguns caminhantes.
Um dia encontrou uma criança de olhar perturbador.
O velho soldado lhe oferece dez moedas dizendo:
‘Estas moedas são tuas se me disseres onde está Deus?’
A criança respondeu:
‘Toma lá cem. São tuas se me disseres onde Deus não está’.»


Fr. Yves Bériault, o.p

sábado, 24 de janeiro de 2009

Vaticano, Google & YouTube

Hoje, memória de São Francisco de Sales, santo patrono dos jornalistas, e véspera da Festa da conversão de São Paulo, o grande arauto do Evangelho, o Vaticano estabeleceu um acordo com dois gigantes da net: Google e YouTube, afim de facilitar o acesso aos discursos, imagens e celebrações de Bento XVI por parte dos internautas.
Na verdade, já no YouTube, não faltam vídeos do Santo Padre, mas a ideia de Roma é controlar a fonte e transmitir a actualidade vaticana directamente, sem intermediário. O internauta tem assim acesso directo à Rádio Vaticano, ao Centro Televisivo Vaticano, aos sites da Santa Sé e do Estado do Vaticano, uma ligação ao H2Onews-YouTube, no Canal Vaticano do YouTube.



A Santa Sé publicou também hoje, a mensagem de Bento XVI para o 43º Dia Mundial das Comunicações Sociais na próxima Solenidade da Ascensão do Senhor (24/05/2009 em Portugal).
Nela, o Papa manifesta os «benefícios que as novas tecnologias oferecem às relações humanas.»
«As famílias podem permanecer em contacto apesar de separadas por enormes distâncias, os estudantes e os investigadores têm um acesso mais fácil e imediato aos documentos, às fontes e às descobertas científicas e podem por conseguinte trabalhar em equipa a partir de lugares diversos; além disso a natureza interactiva dos novos «media» facilita formas mais dinâmicas de aprendizagem e comunicação que contribuem para o progresso social.»
O Papa acrescenta, contudo, que é necessário que estes meios promovam «uma cultura de respeito, diálogo e amizade», que respeite a «dignidade e o valor da pessoa humana», evitando «a partilha de palavras e imagens degradantes para o ser humano e, consequentemente, excluir aquilo que alimenta o ódio e a intolerância, envilece a beleza e a intimidade da sexualidade humana, explora os débeis e os inermes», e apela a lucidez: «É preciso não se deixar enganar por aqueles que andam simplesmente à procura de consumidores num mercado de possibilidades indiscriminadas, onde a escolha em si mesma se torna o bem, a novidade se contrabandeia por beleza, a experiência subjectiva sobrepõem-se à verdade.»
Bento XVI acaba a sua mensagem com um convite: «A vós, jovens, que quase espontaneamente estais em sintonia com estes novos meios de comunicação, corresponde de maneira particular a tarefa de evangelizar este “continente digital”.»
Por isso, jovens e menos jovens…mãos à obra!


Ler na íntegra a Mensagem para o 43º Dia Mundial das Comunicações Sociais

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Há trabalho de sobra

“Ide também vós para a minha vinha!” (Mt 20,4)


«Poder trabalhar na vinha do Senhor, pôr-se ao seu serviço, colaborar na sua obra, constitui em si um prémio inestimável, que recompensa todo o cansaço. Mas só quem ama o Senhor e o seu Reino o compreende; quem, pelo contrário, só trabalha pelo salário nunca se dará conta do valor deste tesouro inestimável.»


Bento XVI,
Angelus 21/09/2008


A“vinha do Senhor” precisa de trabalhadores!
Há trabalho de sobra para todos, e ninguém deve ficar de braços cruzados. Há lugar também para aqueles que conseguem fazer apenas um pouco.
Basta acolher o convite pessoal do Dono da vinha, e fazer a própria parte.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Evangelização

Depois do post "Internet, um novo continente a evangelizar", os comentários e as perguntas que dele surgiram, veio outra interrogação…e se calhar aquela pela qual deveríamos todos começar por colocar antes de qualquer discussão sobre a presença dos cristãos na Internet: “O que é evangelizar?"
Quase como um desabafo e ao mesmo tempo um convite feito a cada um de vós que parastes neste blog, a uma reflexão colectiva sobre o que é a evangelização, confesso que estes dias serão de meditação pessoal sobre este tema.
Neste momento, parece-me necessário parar, perguntar, para saber o porquê daquilo que me parece tão óbvio e natural como o desejo de partilhar e anunciar a minha fé em Cristo.
O Ano Paulino que Bento XVI convocou para toda a Igreja ,e que começa no fim deste mês de Junho, é mais um motivo para reflectir sobre o papel de cada um no anúncio do Evangelho nas suas várias formas.
Uma coisa é certa, aos meus ouvidos ecoa a voz de Cristo, que como outrora aos discípulos, me diz: ““Ide e anunciai o Evangelho a todo o mundo” (Mc 16,15)...e hoje também na Internet.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Internet, um novo continente a evangelizar

10 anos após os primeiros sites católicos, o objectivo para a Igreja não é de somente estar presente na web, mas de responder à sede de espiritualidade que lá se exprime. A Internet oferece um conjunto de instrumentos para transmitir uma experiência cristã. (…)



De uma ponte à outra da web, os internautas, crentes ou não, colocaram no universo virtual perguntas existenciais e interrogações espirituais. Assim, em 2007, nos Estados Unidos, a pergunta mais vezes feita no Google foi: “Quem é Deus?” Uma sede espiritual de que a Igreja Católica toma cada vez mais consciência. Na Itália, um cardeal estimulava recentemente as religiosas a debater nos “fóruns”, enquanto o jesuíta António Spadaro exortava os católicos a serem missionários virtuais no "Second Life".
No entanto, quando se escreve “Deus” no Google, é preciso ir à segunda página para ver aparecer o primeiro site católico. Se a Internet é de facto um território, como o descrevem os especialistas da blogosfera, não significa por isso plantar lá uma cruz para evangelizar.
Cativar o internauta exige um bom conhecimento das capacidades da web para reter o interesse. Todavia, os sites católicos têm a tendência de funcionar em rede mais ou menos fechada. (…)

Poderá o mundo virtual corresponder realmente aos internautas na sua interioridade? Sim, responde o dominicano Yves Bériault que, já há 13 anos, oferece um serviço de acompanhamento espiritual no site "Spiritualité2000". «Encontrei muito alimento espiritual no seu site. Foi a minha igreja virtual», escreveu-lhe recentemente uma internauta da Tunísia. Este religioso do Quebec recebe perto de 350 pedidos de acompanhamento virtual por ano, um em cada dez vindo de uma pessoa que não acredita.
«Uma vez, recebi um mail de injúrias. Apesar disso, respondi com um “Feliz Natal” e encorajei a dirigir-se ao Deus que ele mandava para…» Dois dias depois, o padre Beriault recebia um pedido de desculpas e iniciou uma correspondência com um casal em sofrimento que tinha «a impressão que Deus os tinha abandonado». «A Internet é como uma catedral, concluiu. Encontra-se visitantes, simples turistas, pessoas à procura, outras que pensam no suicídio, insultam…» Um lugar público que o anonimato próprio da Internet oferece a cada um a liberdade de fazer perguntas muito pessoais.
«Para mim, é mais um instrumento de “pré-evangelização”, afirma a irmã Catherine Sesboué. A Internet permite fazer cair muitas ideias feitas ou de cólera contra a Igreja.» «É uma porta aberta para a Igreja, acrescenta Mathilde Henry. Trata-se de lhe dar um rosto acolhedor, aberto, caloroso, que dá vontade de entrar.» Mas a Internet não se basta a si mesma. É necessário propor ao internauta um grupo que o sabe acolher: « A evangelização é comunitária e deve reenviar para o terreno.»


Artigo do Jornal “La Croix”

sábado, 31 de maio de 2008

Levar Jesus

“O meu ideal é imitar a Santíssima Virgem no mistério da Visitação, levando como ela, no silêncio, a Jesus e a prática das virtudes evangélicas, não em casa de Santa Isabel, mas no meio dos povos infiéis, afim de santificar estes filhos de Deus pela presença da Santa Eucaristia e o exemplo das virtudes cristãs.”


(Fala Jesus) "Empenham-se todos na santificação do mundo, colaborem nessa missão, como fez a minha Mãe. Sem desperdiçar palavras, em silêncio, ide estabelecer-vos no meio das populações que não me conhecem; levai-me para o meio dessa gente, erguendo aí um altar e um sacrário, e anunciai-lhes a Boa Nova não com palavras mas com o exemplo, não anunciando mas vivendo o Evangelho. Santificai o mundo, levai-me ao mundo, como Maria me levou a João: tal como a ela eu inspirei a Visitação, a todos vós dirijo o convite de vos pordes a caminho; como ela confiei a sua missão, assim a todos vós confio a vossa.”

Beato Carlos de Foucauld

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O ícone do Pentecostes

A iconografia cristã oriental, mais de que uma simples ilustração, revela o sentido teológico das Sagradas Escrituras. O papel do ícone não é fazer um retrato de um acontecimento, mas transmitir, pela pintura, o ensinamento apostólico, e dar-lhe uma presença simbólica visual. Por isso, os símbolos usados podem não serem cronologicamente exactos, mas aprofundam a reflexão espiritual do tema representado. Como grande apreciador de arte-sacra oriental, desejo partilhar convosco como "é escrito" o ícone do Pentecostes (o vocabulário relativo à leitura e à escrita é muito usado para a iconografia bizantina).



O ícone da festa do Pentecostes é chamado: “A descida do Espírito Santo”.
O movimento do ícone vai de cima para baixo.
A cena acontece no Cenáculo, onde os discípulos se tinham refugiado após a Ascensão de Cristo.
No topo, a metade de um círculo azul: o céu, de onde alguns raios se dirigem sobre um grupo de 12 homens. Sobre a cabeça de cada um, umas línguas de fogo…o Espírito Santo desceu e está sobre eles.
Só alguns apóstolos, com Paulo, os evangelistas Marcos e Lucas, são representados sentados em meio círculo, 6 de cada lado, todos do mesmo tamanho, para mostrar a unidade da Igreja. Entre Pedro e Paul, os dois mais altos do grupo, um lugar vazio, o do Mestre: Cristo, Cabeça da Igreja, Pedra Angular.
Paulo, Marcos e Lucas não estavam presentes no dia do Pentecostes, mas aqui, o significado doutrinal sobrepõe-se ao histórico. Apóstolos e evangelistas têm uma missão: ensinar todos os povos.
Os 4 evangelistas seguram os livros dos Evangelhos, Paulo, os seus escritos, enquanto os outros agarram rolos que representam a autoridade de ensinar, recebida de Cristo.
No centro do grupo, mas na parte de baixo do ícone, um personagem real encerrado num lugar escuro, símbolo do Cosmos, dos povos do mundo envelhecido, que vive nas trevas e no pecado. No entanto, este homem segura nas mãos um lençol que contém 12 rolos: os ensinamentos dos apóstolos “que iluminaram o mundo com a Palavra, o Evangelho.”
Assim, no ícone do Pentecostes, “lemos” o cumprimento da promessa do Espírito Santo, enviado sobre os apóstolos que ensinarão as nações e baptizarão em nome da Trindade. Vemos também que a Igreja é congregada e sustentada pela presença e a obra do Espírito Santo, Espírito que conduz a Igreja no seu esforço missionário pelo mundo e a alimenta na verdade e no amor.

Rei celeste, Consolador, Espírito da Verdade,
presente em toda a parte e que tudo preenche,
tesouro de bens e dispensador da vida,
vinde e habitai em nós,
purificai-nos da impureza
e salvai as nossas almas,
Vós que sois bom.

Liturgia Bizantina

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Vocação e missão

A Igreja cumpre a sua missão através do apelo que Deus faz a cada um.
Leigos, religiosos ou sacerdotes, todos são consagrados pelo Baptismo e a Confirmação para testemunhar ao mundo o Evangelho.
Assim, a missão da Igreja passa por pessoas bem reais, com os seus talentos e a sua fragilidade. E a sua única riqueza é o Espírito Santo, que transforma os pobres pecadores em testemunhas do amor de Deus.
Cada vocação é um serviço à Igreja em missão.
Pelo apelo que o Senhor faz a cada um, somos colocados ao serviço da missão da Igreja.




Vivendo como discípulos de Jesus, o Mestre,
dóceis ao Espírito Santo,
somos todos enviados em missão!

domingo, 13 de janeiro de 2008

Na água do Jordão


Na água do Jordão, João convida os que procuram a paz do coração a lavar as suas faltas. Ele convence aqueles que o procuram a fazer penitência. Ele usa uma linguagem bem rude para sublinhar que não é pêra doce chegar à conversão…há muito trabalho a fazer!
Mas eis que Jesus chega e se mistura com a multidão de pecadores para pedir o baptismo de João.
Ele não tem nenhum pecado para perdoar…Ele não tem necessidade deste processo de purificação. Mas ao entrar na água, Ele, inteiramente puro de pecado, sai de lá “portador” do pecado do mundo. Objectivo? Expiar o mal que existe em nós e no mundo. Jesus, por amor, mergulha assim no mais profundo da condição humana: o pecado e a miséria do homem.
Mas o baptismo cristão é exactamente o contrário. Ele mergulha cada um de nós no amor de Deus que é Pai, Filho, Espírito Santo. Ele nos introduz numa grande família que é a Igreja. Sinal da nossa adopção filial por Deus, somos nova criação e não novas criaturas. Permanecemos homens e mulheres mas participamos no mistério divino, pela graça que devemos confirmar sempre. Esta boa nova que dá sentido à nossa vida, não pode ser só nossa. O baptismo cristão é o ponto de partida de uma nova etapa; é um compromisso no seguimento de Cristo, um apelo à missão. É um presente de Deus, uma luz que deve ser comunicada por nós para iluminar o mundo inteiro.



«No baptismo do Jordão, Senhor,
manifestou-se a adoração da Trindade.
A voz do Pai deu testemunho
ao chamar-Te Filho Muito Amado,
e o Espírito, na forma de pomba,
confirmou esta palavra inabalável.
Cristo Deus,
que apareceste e iluminaste o mundo,
glória a Ti!
Vieste, apareceste, ó luz inacessível.»


Liturgia bizantina

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Que estrela podemos então seguir?

«Os homens e as mulheres de todas as gerações precisam ser orientados na sua peregrinação. Que estrela podemos então seguir?
Depois de pousar sobre “o lugar onde se encontrava o menino”(Mt 2, 9), a estrela que tinha guiado os Magos deixou a sua função, mas a luz espiritual está sempre presente na palavra do Evangelho, que ainda hoje é capaz de guiar cada homem a Jesus. Essa mesma palavra, que não é mais do que o reflexo de Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, é reenviada pela Igreja a toda a alma receptiva.
Também a Igreja, consequentemente, cumpre para a humanidade a missão da estrela.



Podemos dizer o mesmo de cada cristão, chamado a iluminar, pela palavra e o testemunho da sua vida, os passos dos irmãos.
É então importante que nós, cristãos, sejamos fiéis à nossa vocação!
Cada crente autêntico está sempre em caminho no próprio itinerário pessoal de fé e, ao mesmo tempo, com a luzinha que traz em si, ele pode e deve ajudar aquele que se encontra a seu lado, que talvez tem dificuldade em encontrar o caminho que conduz a Cristo.»


Bento XVI, Angelus 06/01/2008

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

É a vida de Cristo que vence na sua Igreja

«Entre tantas crises a Igreja ressuscitou com uma nova juventude, com um novo vigor.
No século da Reforma, a Igreja Católica parecia realmente ter terminado. Parecia que esta nova corrente triunfava, que afirmava: ‘Agora a Igreja de Roma terminou’. E vemos que com os grandes santos, como Inácio de Loyola, Teresa de Ávila, Carlos Borromeu e outros, a Igreja ressurgiu. Encontra no Concílio de Trento uma nova actualização e uma revitalização da sua doutrina. E revive com grande vitalidade.
Vemos o tempo do Iluminismo, no qual Voltaire disse: ‘Finalmente terminou esta antiga Igreja, a humanidade vive!’ E, ao contrário, o que acontece? A Igreja renova-se.
O século XIX torna-se o século dos grandes santos, de uma nova vitalidade para tantas Congregações religiosas, e a fé é mais forte que todas as correntes que vão e voltam.
Aconteceu o mesmo no século passado.
Certa vez Hitler disse: 'A Providência chamou a mim, um católico, para que pusesse fim ao catolicismo. Só um católico pode destruir o catolicismo'. Ele estava convencido de possuir todos os meios para destruir finalmente o catolicismo.
De igual modo a grande corrente marxista tinha a certeza de realizar a revisão científica do mundo e de abrir as portas ao futuro: 'A Igreja chegou ao fim, terminou!'
Mas, a Igreja é mais forte, segundo as palavras de Cristo.
É a vida de Cristo que vence na sua Igreja.»


Encontro de Bento XVI com os sacerdotes da Diocese de Albano (Itália),
31 de Agosto de 2006

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Futuro e desafios para a Igreja

Numa entrevista ao diário francês “La Croix”, Remi Brague, filósofo, crente e católico, co-fundador da edição francesa da revista “Communio” deixou uma reflexão interessante sobre o futuro da Igreja e seus desafios. Para o pensador, não devemos preocupar-nos com a crise pela qual está a passar o cristianismo, e muito menos lamentar-se, mas rezar e formar-se…uma entrevista interessante.

Quais as condições essenciais para um futuro da Igreja?
Continuar a falar.
Estou cada vez mais sensível à passagem onde Deus diz a Ezequiel: “Se as pessoas morrem nos seus pecados sem que tu as tenhas avisado, é a ti a quem pedirei contas; se falas e elas não te escutam, pior para elas.”
A Igreja não pode falar senão desta forma, e ela o faz desde sempre.
Ela está neste mundo e não é deste mundo, nunca totalmente em fase com o seu tempo, que os seus santos sempre contestaram. À maneira deles, discretamente mas com eficácia.

Nesta perspectiva, qual seria a urgência?
Simplesmente aquilo que permite ao cristianismo de permanecer aquilo que ele é, ser visto e entendido por aqueles que estão fora; isto é, o dogma, evidentemente, para não trair a mensagem dos Apóstolos; a caridade, mostrar ao próximo que Deus o ama, mas também a liturgia: sonho com cerimónias a suscitar o respeito, pela profundeza das homílias, a beleza dos cânticos; e não o desprezo, com um sermão “simpático” e “canções de missa” sem qualidade.

Como viver a crise que atravessa a Igreja?
Não se preocupar muito, não fazer contas, muito menos lamentar-se. Antes, rezar e formar-se. Ler e meditar a Bíblia, os grandes escritores e pensadores cristãos. Encontra-se aí tesouros inesgotáveis. Dante, por exemplo.

A perspectiva de tornar-se minoritário é uma oportunidade?
Sim, se a tomarmos para levar a nossa fé mais a sério.
Senão, seria um facto sociológico, nada mais.
Detesto quando se diz: “Perde-se em quantidade, mas ganha-se em qualidade.”
Quem diz isso? Não são os não-cristãos. Se pensassem assim, tornar-se-iam rapidamente cristãos. São cristãos que dizem: “Sim, nós, somos menos numerosos, mas somos melhores.” Isto é muito pouco humilde…e nada pior para fomentar uma mentalidade de uma ardente arca de Noé, navegando num oceano de desprezo…
Tomar a sua fé a sério, é simplesmente aprender a ver a realidade em função daquilo em que se acredita. Se acreditamos que qualquer homem é “irmão pelo qual Cristo morreu”, objecto, por parte de Deus, de um amor que foi até ao sacrifício supremo de Cristo, isso muda o olhar e a acção: qualquer homem torna-se digno de respeito infinito.

O senhor é daqueles que acham que o futuro dos cristãos está ligado ao diálogo com outras religiões?
Um diálogo que significa entender-se sobre fórmulas onde os dois lados usam as mesmas palavras num sentido oposto, não tem futuro.
Um diálogo sem ambiguidades, que não evita as coisas que aborrecem, seria uma óptima coisa.
É necessário promover este diálogo autêntico, aprender a conhecer o outro, entendê-lo como ele é e não como gostaríamos que ele fosse.
Mas querer o diálogo “par garantir o futuro”, é colocar algo de muito honrável ao serviço de um fim que o é pouco. Se dialogar significa negociar para ter um lugar não muito mau, isto é, para deixar desaparecer lentamente, então são os cristãos que não têm futuro.

Poucas certezas então. Que atitude você aconselha para enfrentar este futuro?
Qualquer análise é parcial e pode enganar-se. Qualquer previsão permanece incerta. Quantos foram ridicularizados pelos factos! Recomendaria sobretudo de não escolher o que se deve fazer hoje a partir do dia de amanhã que se imagina.

Afinal, sabemos o que é o cristianismo? Não nos enganaremos no seu futuro?
Eis a pergunta pela qual deveríamos ter começado!
Tenho a impressão que sabemos cada vez menos.
Olha o que é publicado e vendido: não se toleraria uma tal incompetência com outra doutrina.
O que o cristianismo é, aprendemo-lo só desde há 2000 anos.
Não é nada em comparação com o percurso do género humana no tempo.
Estou convencido que o cristianismo tem muito para nos ensinar, e que ainda não vemos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Um único sermão e 3000 pessoas se convertem!

«De pé, com os Onze, Pedro ergueu a voz e dirigiu-lhes então estas palavras:
‘Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou no meio de vós por seu intermédio, como vós próprios sabeis, este, depois de entregue, conforme o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós o matastes, cravando-o na cruz pela mão de gente perversa.
Mas Deus ressuscitou-o, libertando-o dos grilhões da morte, pois não era possível que ficasse sob o domínio da morte.’
Os que aceitaram a sua palavra receberam o baptismo e, naquele dia, juntaram-se a eles cerca de três mil pessoas.»


Actos dos Apóstolos, 2, 4.14.22-24.41




Um único sermão e 3000 pessoas se convertem!
Como? A resposta é o Espírito Santo. Ele é oferecido e vem cumprir maravilhas no coração do homem. Sem o Espírito Santo, não se pode entender o amor de Deus. Podemos ter o mais belo discurso do mundo com as mais belas palavras que existem, mas sem Ele, é impossível.
A Igreja, os cristãos, são chamados a testemunhar Cristo, anunciá-lo, mas na desapropriação deste mesmo anúncio porque “só Deus se dá aos corações e se propõe à sua liberdade.” (Madalena Delbrel)
Somos fracos, pobres. Nas nossas mãos Deus colocou um tesouro que não nos pertence: o Evangelho, que deve ser por nós proclamado, “Ide e anunciai…”; mas que não podemos impor.
O amor é proposto à liberdade e não imposto.
Bernardete, a vidente de Lurdes, dizia aos detractores das aparições: “A Virgem incumbiu-me dizer, não de convencer.”
A Boa Nova que os cristãos são chamados a anunciar é que Cristo ressuscitou de entre os mortos para nos dar a vida. É por amor que o mistério da Redenção aconteceu. “Não há maior prova de amor do que dar a vida.”
“Evangelizar um homem, é dizer-lhe que ele é amado por Deus, e não é só dizer-lhe, mas mostrar-lhe, e não é só mostrar-lhe, mas manifestar com a nossa atitude que ele é único aos olhos de Deus.”Mais que um discurso, é um olhar ou um gesto que evangeliza.
Mas para anunciar o amor redentor de Deus, é necessário sermos também nós convencidos de que Deus nos ama.
Este amor de Deus significa que Deus nos ama pessoalmente, que Ele olha amorosamente para cada um de nós, nos levanta e nos ama como somos. Na nossa pobreza e miséria, Deus manifesta o seu amor.


Senhor faz-me viver do teu amor
para anunciá-lo a todos os homens!


sábado, 20 de outubro de 2007

Dia Mundial das Missões

Este domingo, a Igreja celebra o Dia mundial das Missões. Podemos dizer que se este Dia das Missões é mundial, é porque o Evangelho deve ser anunciado ao mundo inteiro, mas sobretudo, porque todos os baptizados, espalhados por toda a terra, são chamados a ser missionários.
Quando se fala de missionários, pensa-se logo nos religiosos e leigos que partem para países distantes anunciar o Evangelho e dar esperança às gentes daquelas nações. Esta realidade missionária corresponde à verdade, mas é óbvio que ela não está ao alcance de todos. Como qualquer vocação, é necessário sentir-se chamado, mas também ter disponibilidades e capacidades para ser missionário.
Mas qualquer baptizado, como dizia o Papa João Paulo II, “ é um evangelizado e um evangelizador”, um missionado e um missionário ao mesmo tempo.
Assim, o cristão deve procurar viver o Evangelho e aprender com ele, mas também anunciá-lo. Por isso, se não podemos ser missionário longe, devemos sê-lo em casa e à nossa volta, todos os dias, vivendo simplesmente os ensinamentos de Jesus, colocando os nossos passos nos passos de Cristo. Esta maneira da fazer, muitas vezes silenciosa e discreta, constitui um testemunho eloquente e um exemplo que fala às pessoas, que evangeliza.
Ser missionário é descobrir no outro, não necessariamente do outro lado do mundo mas bem perto de casa, a dor que abala o coração e a alma, ser presente, ouvir, ajudar e amar; é desenvolver o reflexo de fé de ver no próximo o próprio Cristo que tem fome, que precisa de atenção, da nossa presença, de afecto e de oração.

«O mandato missionário confiado por Cristo aos Apóstolos diz respeito verdadeiramente a todos nós. O Dia Missionário Mundial seja, portanto, ocasião propícia para dele tomar mais profunda consciência e para juntos elaborar itinerários espirituais e formativos apropriados, que favoreçam a cooperação entre as Igrejas e a preparação de novos missionários, para a difusão do Evangelho neste nosso tempo. Contudo não esqueçamos que o primeiro e prioritário contributo, que somos chamados a oferecer à acção missionária da Igreja, é a oração. ‘A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos diz o Senhor.
Pedi, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe’»


Bento XVI, mensagem para o Dia Mundial das Missões 2007

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A atitude do cristão, da Igreja

Jesus disse ainda a quem O tinha convidado:
«Quando ofereceres um almoço ou um jantar,
não convides os teus amigos nem os teus irmãos,
nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos,
não seja que eles por sua vez te convidem
e assim serás retribuído.
Mas quando ofereceres um banquete,
convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;
e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te:
ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.»


Lc 14, 12-14



Esta semana, tive daquelas conversas que interpelam e questionam a atitude do cristão e da Igreja, em relação aos seus membros entre eles, como para com aqueles que desconhecem ou rejeitam o Evangelho.
Lembrei-me desta passagem do evangelista Lucas, em que Jesus apresenta o Reino de Deus como um “banquete” onde todos – sem excepção – são convidados, inclusive aqueles que a cultura social e religiosa exclui e marginaliza.
Neste banquete, os que aceitam o convite, devem revestir-se de humildade, simplicidade e serviço, não podem agir por interesse ou esperar retribuição, mas devem fazer tudo com gratuidade e amor desinteressado.
Mas Jesus vai mais longe!
Para o banquete é preciso convidar “os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos”, considerados pecadores notórios e amaldiçoados por Deus.
Estes últimos representam todos aqueles que a religião oficial excluía da comunidade, da salvação. Apesar disso, Jesus diz que esses devem ser os primeiros convidados do banquete do Reino.
Como é que, no tempo presente, estes “pecadores notórios”, que podemos rever nos marginais, nos divorciados, nos homossexuais, nas prostitutas são acolhidos na Igreja?
Quais são as respostas ou a assistência que os cristãos, a Igreja, têm para eles?
Será que a resposta é de amor como nos manda Jesus?
No papel, certamente, pois vem no Evangelho, mas na prática?



“Todos os homens são filhos de Deus que os ama infinitamente: é então impossível amar, desejar amar a Deus, sem amar, desejar amar os homens.”


Beato Carlos de Foucauld

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Rosto de: Agostinho Zhao Rong

Nos últimos dias de Junho , o Papa Bento XVI mandou uma carta aos católicos da China, que, infelizmente, segundo algumas associações de defesa dos direitos humanos e organizações católicas, foi censurada na Internet pelas autoridades chineses, e que agora circula “discretamente”, de mão em mão, entre os membros das comunidades cristãs daquele país.
Segundo as mesmas fontes, logo a seguir à divulgação da carta do Santo Padre, de manhã cedo, o governo chinês convidou os bispos da Igreja "oficial" a uma sessão de esclarecimento da leitura que devia ser feita do documento papal.
Para saber mais sobre a situação da Igreja Católica na China,
clique aqui.

Hoje, a liturgia faz memória de Santo Agostinho Zhao Rong e companheiros mártires, recordando assim aos cristãos espalhados por todo o mundo, o anúncio do Evangelho na China, proclamado muitas vezes com o sangue daqueles que escolheram seguir a Cristo e a sua Igreja.

Agostinho Zhao Rong era um soldado chinês que escoltou Monsenhor Dufresse até a cidade de Beijin e o acompanhou até sua execução por decapitação. Ele ficou muito impressionado com a serenidade e a força espiritual de Defresse que, apesar de torturado, não renegou a fé em Cristo. Foi assim que Agostinho se viu tocado pela luz da fé e rogou para que Defresse o convertesse. Depois, foi baptizado e enviado ao Seminário de onde saiu ordenado sacerdote diocesano. Quando foi reconhecido como cristão, ele também sofreu terríveis suplícios antes de morrer decapitado, em 1815. ..mas nunca renegou a sua fé em Cristo.

Após a II Guerra Mundial ocorreu a revolução comunista chinesa, provocada por motivos políticos reprimidos há anos, com novas ondas de perseguições aos cristãos. Porém, o motivo foi exclusivamente religioso, como comprovaram os documentos históricos. Desde então uma sangrenta exterminação aconteceu matando um número infindável de catequistas leigos, chineses convertidos, sacerdotes chineses e igrejas. Todos os nomes não puderam ser localizados, porque a destruição e os incêndios continuaram ao longo do novo regime político chinês. A última execução em massa de cristãos na China, que se tem notícia, foi em 25 de Fevereiro de 1930.

No ano do Jubileu de 2000, o Papa João Paulo II canonizou Agostinho Zhao Rong e 119 Companheiros Mártires da China. Eles passaram a ser venerados no dia 09 de Julho, pois constituem um exemplo de coragem e de coerência para todos os cristãos do mundo.

domingo, 8 de julho de 2007

Eu vos envio...

Naquele tempo,
designou o Senhor setenta e dois discípulos
e enviou-os dois a dois à sua frente,
a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
E dizia-lhes:
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao dono da seara
que mande trabalhadores para a sua seara.
Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias,
nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho.
Quando entrardes nalguma casa,
dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’.
E se lá houver gente de paz,
a vossa paz repousará sobre eles:
senão, ficará convosco.
Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem,
que o trabalhador merece o seu salário.
Não andeis de casa em casa.
Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem,
comei do que vos servirem,
curai os enfermos que nela houver
e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’.»


Lc 10, 1-9



Com o envio dos 72 discípulos, Jesus revela a nossa responsabilidade de cristãos.
É muito frequente pensar que anunciar a Boa Nova é trabalho para os sacerdotes e agentes pastorais. Mas hoje, no Evangelho, Jesus nos diz que cada um é responsável no anúncio do reino de Deus…
Para Jesus e os evangelistas, todos os discípulos de Cristo devem proclamar a Boa Nova. Mas devem proclamá-la muito mais pelo modo de vida do que pela palavra. Jesus não diz praticamente nada da mensagem a transmitir, Ele não fala do conteúdo da fé mas dos comportamentos concretos dos mensageiros: pobreza, humildade, paz.
Não é fácil agir cristãmente num mundo secularizado e materialista, onde muitos vivem como se Deus não existisse. Por isso entendemos as palavras de Cristo: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos». Vivemos hoje o mesmo problema que os cristãos dos primeiros tempos viveram, eles que formavam uma pequena comunidade no meio de um mar de paganismo, superstição e fatalismo.
Devemos transmitir o Evangelho às famílias, nos locais de trabalho, no mundo da economia, da política, da cultura…
Porém, não somos enviados para converter, fazer proselitismo, mas para mostrar às pessoas que Deus as ama e que também nós as amamos, que desejamos trazer-lhes a paz…e Deus fará o resto.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

As duas Igrejas na China

No passado fim-de-semana, Bento XVI enviou uma carta ao Governo da China a pedir o respeito de uma autêntica liberdade religiosa, rejeitando a ideia de uma Igreja submissa às autoridades chinesas e independente do Vaticano.
Neste documento, o Santo Padre apelou à hierarquia e aos fiéis das duas Igrejas católicas chinesas a uma maior aproximação, rumo à unidade.
Antes de o mundo conhecer o conteúdo da carta, Bento XVI encomendou a várias congregações religiosas, uma oração especial para o bom acolhimento das suas palavras pelas autoridades políticas e pelos fiéis católicos daquela região do mundo.
Façamos também nós uma união espiritual com o Santo Padre, através da nossa oração pessoal, para que a sua carta dê muitos frutos nas terras de Cantão.


A fé cristã foi introduzida pela primeira vez na China na dinastia dos Yaun, no século XIII, mas só começou a desenvolver-se em 1582 com o missionário jesuíta Matteo Ricci.
O Catolicismo é uma das cinco religiões autorizadas na China do século XXI, e é vigiada por uma “associação patriótica”.
A Associação Patriótica Católica da China (APCC) foi criada na controvérsia e no conflito, aquando da chegada ao poder do marxista Mao Tsé Tung, nos anos 50 do século XX.
A controvérsia resulta na “política da tripla autonomia”, que obriga as organizações religiosas chinesas a serem independentes nos planos administrativo, financeiro e de propagação da fé.
Esta política religiosa da China comunista criou a divisão entre a Igreja “oficial”, autorizada pelo Governo chinês e pela APCC, e a Igreja Católica, “clandestina”, fiel a Roma.
Apesar de não haver grandes divergências entre as duas maneiras de viver o catolicismo, só os fiéis da Igreja clandestina reconheçam a autoridade do Vaticano e recusam o controlo político da fé. Nalgumas áreas, as duas Igrejas estão muito divididas, noutras, colaboram abertamente. É também sabido, que alguns membros da Igreja “oficial” (APCC) fizeram secretamente a paz com Roma.
Neste clima de falsa liberdade religiosa, as autoridades chinesas continuem hoje a perseguir os fiéis católicos da Igreja clandestina. Ameaças, multas, prisões e às vezes o martírio (camuflado pelas autoridades), podem ser o resultado de uma fé fiel a Cristo e à sua Igreja, porque fiel ao Santo Padre.
A nossa oração pelos cristãos perseguidos, da China ou de outra parte do mundo, não pode cessar!

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Visitação


“Não acredito fazer-lhes maior bem (aos infiéis) de que trazer-lhes, como Maria na casa de João aquando da Visitação, Jesus, o bem dos bens, o santificador supremo, Jesus que sempre estará presente no meio deles no sacrário…Jesus que se oferece cada dia no santo altar para a conversão deles, Jesus abençoando-os cada noite na Bênção do Santíssimo; é o bem dos bens, nosso tudo, Jesus. E ao mesmo tempo, calando-nos, damos a conhecer a estes irmãos ignorantes, não pela palavra, mas pelo exemplo e sobretudo pela caridade universal, o que é a nossa religião, o que é o espírito cristão, o que é o coração de Jesus.”

Beato Carlos de Foucauld