Mostrar mensagens com a etiqueta Eucaristia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eucaristia. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ao pé do Sacrário estamos todos perto

«Hoje saí de casa quando começava a anoitecer. Atravessei as ruas principais da cidade e, um pouco aturdido com o barulho das pessoas, dos carros e as luzes, me dirigi aonde meu espírito necessitava, a Casa de Deus. Estava quase deserta; uma mulher recitava orações diante de um altar mal iluminado; outro grupo de mulheres cochichavam junto a um confessionário, e o Senhor, Deus da criação, o Juiz dos vivos e dos mortos, estava no Sacrário esquecido pelos homens. Na paz e no silêncio da Igreja, minha alma se abandonava em Deus. Via passar diante de mim todas as misérias e todas as desgraças dos homens, seus ódios e suas lutas, e pensava que se este Deus que se oculta num pouco de pão não estivesse tão abandonado, os homens seriam mais felizes, mas não querem sê-lo.»



«Uma multidão de Sacrários existem na terra, mas somente um Deus, que é Jesus Sacramentado. Consoladora verdade que faz estar tão unidos o monge no seu Coro, o missionário em terra de infiéis e o secular na sua paróquia. Não há distâncias, nem há idades. Ao pé do Sacrário estamos todos perto. Deus nos une. Peçamos-Lhe, por mediação de Maria, que algum dia no céu, possamos contemplar a esse Deus que por amor ao homem se oculta sob as espécies do pão e do vinho. Assim seja.»



São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938)
Monge espanhol da Ordem de Cister,
canonizado a 11/10/2009 pelo Papa Bento XVI.



Blog sobre São Rafael Arnaiz Baron


Não conhecia a figura deste monge espanhol...gostei logo.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Se tivéssemos os olhos dos Anjos

«Se tivéssemos os olhos dos Anjos, olhando Nosso Senhor presente aqui no altar que olha para nós, como O amaríamos! Não quereríamos mais deixá-l’O, mas antes permanecer a seus pés; seria um antegosto do Céu; tudo se tornaria insípido. Mas a fé nos falta. Somos cegos miseráveis com névoa diante dos olhos. Só a fé poderia dissipar esta névoa.»

«Nosso Senhor está aí como vítima. Uma oração muito agradável a Deus é pedir à Santíssima Virgem de oferecer ao Pai Eterno o seu divino Filho, ensanguentado e ferido pela conversão dos pecadores que somos. É a melhor oração que podemos fazer porque todas as orações são feitas em nome e pelos méritos infinitos de Jesus Cristo. Todas as vezes que alcancei uma graça, pedi-a desta forma, nunca foi declinada.»

«Quando comungardes, deveis ter sempre uma intenção, e na hora de receber o Corpo de Nosso Senhor, dizer:
“Ó meu bom Pai que estais nos céus,
ofereço-Vos agora o vosso Filho,
tal como foi retirado e descido da Cruz,
depositado nos braços da Santíssima Virgem,
e que ela Vos ofereceu em sacrifício por nós.
Ofereço-Vos o seu Santíssimo Corpo,
por intercessão de sua Santíssima Mãe,
pedindo-Vos a remissão dos meus pecados,
para fazer um boa comunhão,
e alcançar a graça… (da fé, da caridade, da humildade)”.»


S. João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Perda do sentido da adoração... do sentido do mistério

«Os erros actuais sobre a Eucaristia derivam todos do Protestantismo.
Culminam no Modernismo que esvazia os mistérios da fé católica do seu conteúdo sobrenatural. Os sacramentos tornam-se meros símbolos que são usados para uma experiência religiosa pessoal.
Na perspectiva modernista, a presença de Jesus Cristo na Eucaristia não é real, no sentido de que contém o seu verdadeiro Corpo e o seu verdadeiro Sangue. Apenas o corpo e sangue de Cristo estão simbolizados. Na Missa, não ocorre a transubstanciação, mas sim uma “trans-simbolização”.
O Papa João Paulo II deplorou uma significativa perda do sentido da adoração entre o Povo de Deus. E se muitos fiéis perderam o sentido da adoração, é porque muitos perderam o próprio sentido de Deus e, portanto, o sentido do mistério.
Nos nossos dias, pretende-se compreender e explicar tudo, e como é impossível para o nosso raciocínio entender um mistério tão elevado como o da Eucaristia, só se fica pelo aspecto simbólico.
A fé na presença real de Cristo na Eucaristia, que se manifesta pelo respeito e a devoção ao Santíssimo Sacramento, está em declínio na Igreja Católica. Muitos crentes parecem não estar conscientes de que Jesus está presente na Eucaristia com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, e que aproximar-se da Eucaristia é aproximar-se do Deus três vezes santo.
Os sinais desta falta de consciência sobre a grandeza do Mistério Eucarístico toca tanto o aspecto exterior e interior dos fiéis.



Que a disposição interior de muitos comungantes seja deficiente, é fácil avaliá-lo quando se conhece a situação e estilo de vida de muitos deles. Isto não é julgar as pessoas, mas apenas fazer uma constatação, com base em informações objectivas. A fé, tal como a Igreja a entende, e o estado de graça não permanecem absolutamente necessários para receber dignamente a comunhão do Corpo e Sangue de Cristo?
No que toca à disposição exterior é óbvio a falta de respeito com que muitos se aproximam da Santíssima Eucaristia.
Será sempre verdade que a maior devoção da Igreja se reflecte no respeito à Eucaristia. Dar a Deus três vezes santo o respeito que Lhe é devido, é o que o o doutor subtil (Beato João Duns Escoto) via na presença real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento quando escreveu estas palavras notáveis: "Toda a devoção que há na Igreja consiste no respeito para com este sacramento”.»


Pe. J.Real Bleau (adaptação de um artigo)



Santíssima Trindade,
Pai, Filho, Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo,
Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo,
presente em todos os sacrários da terra,
em reparação dos ultrajes,
sacrilégios e indiferenças
com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração
e do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

Oração ensinada pelo Anjo aos Pastorinhos de Fátima

terça-feira, 21 de julho de 2009

Comunhão na boca e Gripe A

« Compreende-se que a Comissão Nacional da Pastoral da Saúde queira colaborar, dando conselhos e orientações úteis para a colaboração dos cristãos no esforço nacional de prevenção. Mas não lhe compete alterar ritos nem dar normas de alterações das regras da Liturgia.(…)
No momento actual do processo, considero não haver ainda necessidade de alterar regras litúrgicas e modos de celebrar. A Liturgia se for celebrada com qualidade e rigor, garante, ela própria, os cuidados necessários. É o caso, por exemplo, da saudação da paz que se for feita com a qualidade litúrgica, não constitui, normalmente, um risco acrescido.
Na actual disciplina litúrgica, os fiéis podem optar por receber a sagrada comunhão na mão. Mas não podem ser forçados a fazê-lo. Se houver cuidado do ministro que distribui a comunhão e de quem a recebe, mais uma vez fazendo as coisas com dignidade, a comunhão pode ser distribuída na boca sem haver contacto físico.
Se as condições da "pandemia" se agravarem, poderemos estudar novas atitudes concretas, na instância canónica própria a quem compete decisões dessa natureza: o Bispo Diocesano, na sua Diocese, a Conferência Episcopal Portuguesa para todo o País, sempre em diálogo com o Santo Padre e os respectivos serviços da Santa Sé


Cardeal-Patriarca José Policarpo
Lisboa, 17 de Julho de 2009



Dubium (dúvida):
«Nas dioceses onde é possível distribuir a comunhão na mão dos fiéis, o sacerdote ou o ministro extraordinário da Sagrada Eucaristia pode exigir aos comungantes receber a comunhão na mão e não na boca?»
Responsa (resposta):
«Sobressai claramente nos documentos da Santa Sé, que nas dioceses onde o pão eucarístico é colocado nas mãos dos fiéis, permanece o direito de recebê-lo na boca. Aqueles que exigem aos comungantes receber a Sagrada Comunhão na mão, tal como aqueles que negam aos fiéis receber a comunhão na mão nas dioceses onde é autorizado, estão a agir contra a norma. De acordo com as regras relativas à distribuição da Sagrada Comunhão, os ministros ordinários (sacerdotes) e extraordinárias (leigos) devem estar atentos a que os fiéis consumam imediatamente a hóstia, a fim de que ninguém sai com as espécies eucarísticas na mão.
Que todos se recordem que a tradição secular é receber a hóstia na boca.
Que o sacerdote celebrante, em caso de perigo de sacrilégio, não dê a comunhão na mão dos fiéis, e os informe sobre as razões que o levem a fazê-lo.»


Resposta da Congregação para o Culto Divino
a uma pergunta sobre a “comunhão na mão”
“Notitiae” Março-Abril 1999, boletim oficial da Congregação

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Jesus escondido

Como não me alegrar com a coincidência das datas…hoje a Igreja celebra a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, e também hoje, o pastorinho Francisco Marto, a quem Nossa Senhora apareceu em 1917, faz anos!
E escrevo “faz” e não “faria”…porque “para os que crêem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma, e desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna.” (da Liturgia)
“Jesus escondido”…era a expressão com que os Pastorinhos designavam o Santíssimo Sacramento da Eucaristia: o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo.
Francisco gostava de passar horas esquecidas junto do Sacrário em colóquio com Jesus.
Quando, com a sua prima Lúcia, se dirigia para a escola recomendava-lhe:
«Olha, tu, vai à escola. Eu fico aqui na Igreja, junto de Jesus escondido. Não me vale a pena aprender a ler; daqui a pouco vou para o Céu. Quando voltares, vem por cá chamar-me.» E no regresso, ali o encontrava em recolhida oração.
Doente, o pequeno Francisco dizia à Lúcia:
«Olha, vai à Igreja e dá muitas saudades minhas a Jesus escondido. Do que tenho mais pena é de não poder já ir a estar uns bocados com Jesus escondido.»
Com que ansiedade o Francisco esperou o momento da sua primeira comunhão.
Acamado e gravemente debilitado, tentou erguer-se para se sentar na cama, mas não conseguiu. Momentos depois, o Senhor Sacramentado descia à sua alma, e o Francisco quedou-se em contemplação a consolar o divino Hóspede.
Depois de comungar, disse para sua irmãzinha Jacinta:
«Hoje sou mais feliz do que tu, porque tenho dentro do meu peito a Jesus escondido!»
Esta comunhão com Deus, já o Francisco a tinha experimentado em 1916, nas aparições do Anjo que lhe dera a beber do Sangue do cálice que trazia.
«- A mim e à Jacinta, que foi que Ele nos deu?
- Foi também a Sagrada Comunhão, respondeu Jacinta.
- Eu sentia que Deus estava em mim, mas não sabia como era! respondeu Francisco.
E prostrando-se por terra, permaneceu por largo tempo, com a sua irmã, repetindo a oração do Anjo: “Santíssima Trindade…”»
Saibamos todos olhar para o pequeno Francisco de Fátima…grande apaixonado e consolador de Jesus escondido…e imitemo-lo!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ó Cruz ave, spes unica!

«A Semana Santa, que para nós cristãos é a semana mais importante do ano, nos oferece a oportunidade de mergulhar nos acontecimentos centrais da Redenção, de reviver o Mistério Pascal, o grande Mistério da fé. Com a Missa “in Coena Domini”, os ritos litúrgicos solenes nos ajudarão a meditar de forma intensa a paixão, morte e ressurreição do Senhor ao longo dos dias do Tríduo Pascal, centro de todo o ano litúrgico. (…)»

Na Quinta-feira Santa, «na Missa da tarde, chamada “in Coeni Domini”, a Igreja comemora a instituição da Eucaristia, o sacerdócio ministerial e o mandamento novo do amor, deixados por Jesus aos seus discípulos. (…)
A Quinta-feira Santa constitui um convite renovado a dar graças a Deus pelo dom supremo da Eucaristia, que deve ser acolhido com devoção e adorado com fé viva. Para isso, a Igreja recomenda que, após a celebração da Missa, se permaneça junto do Santíssimo Sacramento, lembrando a hora triste que Jesus passara na solidão e em oração no Gestémani, antes de ser preso e depois ser condenado à morte.

Chegamos assim à Sexta-feira Santa, dia da paixão e da crucifixão do Senhor.
Cada ano, permanecendo em silêncio diante de Jesus cravado no madeiro da cruz, sentimos o quanto as palavras que Ele disse na véspera, na Última Ceia, são cheias de amor. ‘Isto é o meu sangue, sangue da aliança, que vai ser derramado por muitos’ (Mc 14, 24). Jesus quis oferecer a sua vida em sacrifício pela remissão dos pecados e da humanidade. Assim, diante da paixão e morte de Jesus na cruz, como diante da Eucaristia, o mistério torna-se insondável para o entendimento. Encontramo-nos diante de algo que humanamente falando poderia parecer absurdo: um Deus que não somente se fez homem, com todas as necessidades do homem; que não somente sofre para salvar o homem, carregando sobre si toda a tragédia da humanidade, mas que também morre para o homem. (…)
Se a Sexta-feira Santa é um dia de tristeza, é ao mesmo tempo um dia propício para renovar a nossa fé, fortalecer a nossa esperança e a coragem de levar cada um a sua cruz com humildade, confiança e abandono em Deus, certos do seu auxílio e da sua vitória. A liturgia deste dia canta. ‘Ó Crux ave, spes única! Salve ó Cruz, única esperança!’



Esta esperança se alimenta no grande silêncio do Sábado Santo, na espera da Ressurreição de Jesus. Nesse dia, as igrejas são despojadas e nenhum rito particular é previsto. A Igreja vela em oração como Maria e com Maria, participando nos mesmos sentimentos de dor e de confiança em Deus. (…)
O recolhimento e o silêncio do Sábado Santo nos conduzirão à noite da Solene Vigília Pascal, “mãe de todas as vigílias”, em que se elevará em todas as igrejas e comunidades, o canto de alegria pela Ressurreição de Cristo. Mais uma vez, a vitória da luz sobre as trevas, da vida sobre a morte, será proclamada, e a Igreja se alegrará no encontro com o seu Senhor. Entraremos assim na Páscoa da Ressurreição.»



Bento XVI, Audiência geral em Roma,
08/04/2009

sábado, 2 de agosto de 2008

Nossa Mãe para a Eucaristia

«A Santíssima Virgem tinha uma atracção tão grande pela Eucaristia, que ela não podia se separar dela; ela vivia do Santíssimo Sacramento. Ela passava os dias e as noites aos pés do seu divino Filho. Ó Maria, ensinai-nos a vida de adoração! Ensinai-nos a encontrar como vós todos os mistérios e todas as graças na Eucaristia; a fazer reviver o Evangelho, a lê-lo na vida eucarística de Jesus. Lembrai-vos, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, que sois a Mãe dos adoradores da Eucaristia!
Onde encontraremos a Jesus na terra senão nos braços de Maria? Não foi ela que nos deu a Eucaristia! Foi o seu consentimento, na Encarnação do Verbo no seu seio, que iniciou o grande mistério de reparação para com Deus e de união connosco que Jesus cumpriu durante a sua vida mortal e que Ele continua no Santíssimo Sacramento. Nunca se deve separar Maria de Jesus: não saberíamos ir a Ele sem passar por ela. Até digo que mais se ama a Eucaristia, mais devemos amar Maria…
Maria tem a missão de nos tomar pela mão para nos conduzir ao sacrário. A Santíssima Virgem torna-se então nossa Mãe para a Eucaristia; ela é incumbida de nos encontrar o nosso Pão da vida, de no-lo fazer saborear e desejar; ela recebe a missão de nos formar na adoração. Ó Jesus, não sei adorar; mas ofereço-Vos as palavras, os anseios de vossa Mãe, que é minha também; não sei adorar, mas repito a sua adoração pelos pecadores, pela conversão do mundo e as necessidades da Igreja.
É Maria que conseguirá a Jesus Eucarístico a sua corte de honra. Não duvideis, se tendes a felicidade da conhecer, amar e servi-l’O no Santíssimo Sacramento, é a Maria que o deveis; é ela que vos requisitou junto do Pai celeste para a guarda de amor do Deus da Eucaristia. Agradecei a esta boa Mãe, vós que lhe deveis todas as graças da vossa vida, a maior de todas, a de amar e servir, consagrando-lhe toda a vossa vida, o Rei dos reis no seu trono de amor!»



São Pedro Juliano Eymard


Nascido em França no século XIX, São Pedro Juliano Eymard marcou toda a Igreja com o verdadeiro culto a Jesus Eucarístico. Foi à luz da Eucaristia que o jovem Pedro descobriu a sua vocação para o sacerdócio, apesar da oposição do pai. Ordenado sacerdote, entrou mais tarde na Congregação dos Maristas, mas percebendo a indiferença do povo para com Jesus Eucarístico e inspirado no exemplo de Nossa Senhora, fundou o Instituto do Santíssimo Sacramento. "É necessário tirar Cristo do sacrário, apresentá-lo ao povo como o grande Senhor, Mestre, Salvador, vivo, real no meio de nós". Exímio apóstolo do mistério eucarístico, criou congregações de religiosos e de religiosas, para se consagrarem ao culto eucarístico, e tomou muitas e excelentes iniciativas entre as pessoas de todas as condições para promover o amor para com a Eucaristia. Morreu no primeiro dia de Agosto de 1868, na sua cidade natal.
A sua memória litúrgica é a 2 de Agosto.
Bendito seja Deus nos seus santos!




Foto: Ícone-Ostensório da Comunidade Eucaristein

domingo, 20 de julho de 2008

Oblação e inspiração

«Crucificado, sepultado e ressuscitado dentre os mortos, restituído à vida no Espírito e sentado à direita do Pai, Cristo tornou-se nosso Sumo Sacerdote, que intercede eternamente por nós. Na liturgia da Igreja, e sobretudo no sacrifício da Missa consumado sobre os altares de todo o mundo, Ele convida-nos a nós, membros do seu Corpo místico, a partilhar a sua auto-oblação. Chama-nos, enquanto povo sacerdotal da nova e eterna Aliança, a oferecer, em união com Ele, os nossos sacrifícios de cada dia pela salvação do mundo.»


Bento XVI ao clero australiano, 19/07/2008



«Invoquemos o Espírito Santo: é Ele o artífice das obras de Deus. Deixai que os seus dons vos plasmem. Assim como a Igreja realiza a sua viagem juntamente com a humanidade inteira, assim também vós sois chamados a exercitar os dons do Espírito nos altos e baixos da vida diária. Fazei com que a vossa fé amadureça através dos vossos estudos, trabalho, desporto, música, arte. Procurai que seja sustentada por meio da oração e alimentada através dos sacramentos, para deste modo se tornar fonte de inspiração e de ajuda para quantos vivem ao vosso redor. No fim de contas, a vida não é simplesmente acumular, e é muito mais do que ter sucesso. Estar verdadeiramente vivos é ser transformados a partir de dentro, permanecer abertos à força do amor de Deus. Acolhendo a força do Espírito Santo, podereis também vós transformar as vossas famílias, as comunidades, as nações. Libertai estes dons. Fazei com que a sabedoria, o entendimento, a fortaleza, a ciência e a piedade sejam os sinais da vossa grandeza.
E agora, enquanto nos preparamos para a adoração do Santíssimo Sacramento, em espera silenciosa repito-vos as palavras pronunciadas pela Beata Mary MacKillop quando tinha precisamente vinte e seis anos: ‘Acredita naquilo que Deus sussurra ao teu coração!’ Acreditai n’Ele! Acreditai na força do Espírito do amor!»

Bento XVI, Vigília com os jovens, 20/07/2008

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Tesouro da Igreja

«”A Eucaristia, dom de Deus para a vida do mundo”…
A Eucaristia é o nosso mais belo tesouro. Ela é o sacramento por excelência; ela nos introduz por antecipação na vida eterna; ela contém todo o mistério de nossa salvação; ela é a fonte e o cume da acção e da vida da Igreja, como recorda o Concílio Vaticano II. Por isso é particularmente importante que os pastores e os fiéis aprofundem permanentemente este grande sacramento. Cada um poderá assim confirmar a sua fé e cumprir sempre melhor a sua missão na Igreja e no mundo, lembrando que há sempre uma fecundidade da Eucaristia na vida pessoal, na vida da Igreja e do mundo. (…)


“Mistério da fé”: eis que o proclamamos em cada missa. Desejo que cada um se compromete em estudar este grande mistério, de modo particular, lendo e estudando, individualmente ou em grupo, o texto do Concílio sobre a liturgia Sacrosanctum Concilium, para testemunhar com coragem este mistério. Cada um conseguirá assim perceber melhor cada um dos aspectos da Eucaristia, entendendo a sua profundeza e vivendo-a com maior intensidade. Cada frase, cada gesto tem o seu significado e esconde um mistério. Espero de todo o coração que este congresso servirá de apelo aos fiéis a tomar este compromisso para a renovação da catequese eucarística, afim de que eles próprios tomem plenamente consciência do que é a Eucaristia e ensinem por sua vez as crianças e os jovens a reconhecer o mistério central da fé e a construir suas vidas à volta deste mistério. Encorajo especialmente os sacerdotes a dar a devida honra ao rito eucarístico, e peço a todos os fiéis de respeitar o papel de cada um, tanto o do sacerdote como o do leigo, na acção eucarística. A liturgia não nos pertence: é o tesouro da Igreja.»


Bento XVI, Homilia "via satélite" no Congresso Eucarístico Internacional

sábado, 21 de junho de 2008

Presença eucarística

«A Eucaristia ultrapassa toda a capacidade humana de compreensão.
É necessário aceitá-la com uma fé profunda e um profundo amor.
Jesus quis deixar-nos a Eucaristia para que não esqueçamos o que Ele veio fazer e revelar-nos.
Poderíamos nós imaginar o que seria das nossas vidas sem a Eucaristia?»


Beata Teresa de Calcutá


«Jesus ficou na Eucaristia por amor…por ti.
Ficou, sabendo como os homens O receberiam
e como tu próprio O receberias.
Ficou para que O comesses,
para que O visitasses e Lhe contasses os teus problemas;
para que, frequentando-O na oração junto do sacrário e na comunhão,
te enamorasses por Ele cada vez mais,
e que fizesses com que outras almas – muitas almas! –
seguissem o mesmo caminho.»

S. José Maria Escrivá





«Estais aqui, meu Senhor Jesus, na Santa Eucaristia;
estais aqui, a um metro de mim, no sacrário!
O vosso corpo, a vossa humanidade,
a vossa divindade, o vosso ser todo inteiro está aqui;
como estais perto, meu Deus,
meu Salvador,
meu Jesus,
meu Irmão,
meu Esposo,
meu Bem-amado…»

Beato Carlos de Foulcaud

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Se as almas compreendessem

Para os católicos, inclusive praticantes, às vezes custa entrar no mistério da Eucaristia. Comunicam sua convicção por costume. E, contudo, a Eucaristia é vital na fé de um católico. Como se pode ajudar os fiéis a compreenderem o significado profundo da Eucaristia?

O Padre Nicolas Buttet responde:
A beata do Quebec, Dina Bélanger, beatificada em 1993 por João Paulo II, escreveu um dia no seu diário: «Se as almas compreendessem o tesouro que possuem na divina Eucaristia, teriam de proteger os sacrários com muros inexpugnáveis, já que, no delírio de uma fome santa e devoradora, iriam elas mesmas alimentar-se do Pão dos Anjos. As igrejas transbordariam de adoradores consumidos de amor pelo divino prisioneiro, tanto de dia como de noite».
Ainda não chegamos a isso!
É verdade que o mistério é tão grande, o fosso tão enorme entre o que os nossos sentidos percebem - o pão - e o que nossa fé crê - Jesus -, que não é fácil entrar no mistério. Penso que há três coisas a desenvolver: uma catequese eucarística que passa pelas palavras e os exemplos. «Entremos na escola dos santos, grandes intérpretes da piedade eucarística autêntica», disse João Paulo II ao final de sua encíclica sobre a Eucaristia.
Em segundo lugar, é preciso realçar a consagração na missa e o sacrário nas igrejas. Sempre me impressiona a pouca devoção durante a celebração eucarística na consagração. É um momento que é um pouco descuidado. Pode-se acreditar com palavras, mas com os gestos que se fazem nestes momentos, não há equívocos.(…)
Estava eu na China. Um velho catequista, Zacarias, que arriscou a sua vida por anunciar Jesus e que está a caminho dos seus 100 anos, tinha conservado, num local escondido de sua casa, um sacrário com o Santíssimo Sacramento. Feliz, ele me revelou o seu tesouro detrás de uma porta secreta... Logo depois de entrar nesse pequeno local, Zacarias se ajoelhou, prostrou-se com o rosto no chão e começou algumas orações. Eu compreendi que era Jesus quem estava lá! Não havia nenhuma dúvida!
Em terceiro lugar, é preciso redescobrir a adoração eucarística e a devoção eucarística fora da missa. Este mistério é tão grande que a liturgia só não nos permitirá nunca aprofundá-lo suficientemente. Só uma exposição prolongada ao mistério da presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento permite entrar progressivamente no espanto eucarístico. Penso neste testemunho de Maxime de 21 anos: «Para mim, a Eucaristia é o centro de minha vida. Jesus Eucaristia me tirou do inferno das drogas. Graças à Eucaristia, minha vida foi transformada e estou agora feliz de viver para servir a Cristo. A Eucaristia é a minha força para amar, para seguir e servir a Cristo através das alegrias e das penas. Deus ama-nos infinitamente e não nos abandonará jamais».
Ler a 1ª parte da entrevista do site Zenit ao Padre Nicolas Buttet
Ler a 2ª parte




O Padre Nicolas Buttet é o fundador da “Fraternidade Eucharistein”, que ele fundou em 1997. A fraternidade conta com três casas e uma vintena de irmãos e irmãs, postulantes e noviços. Inspira-se na vida de São Francisco de Assis: simplicidade evangélica e abandono à Providência. A vida da comunidade está centrada em Cristo Eucaristia, celebrado no sacrifício da missa e adorado no Santíssimo Sacramento.
A fraternidade abre as suas portas a jovens que desejam viver um tempo de reflexão, serviço e oração após a formação profissional, e também a jovens em dificuldades devido à droga, ao álcool ou à depressão para ajudá-los a encontrar um novo rumo para as suas vidas.
O Padre Nicolas Buttet participa esta semana no Congresso Eucarístico Internacional do Quebec.
Site da Fraternidade Eucharistein

terça-feira, 17 de junho de 2008

"Credo do Santíssimo Sacramento"

Nesta semana do Congresso Internacional Eucarístico no Quebec, convido cada um a ler e a meditar a célebre obra de São Tomás de Aquino (1225-1274): “Lauda, Sion, Salvatorem”, sequência litúrgica para a missa de Corpo de Deus.
São Tomás é o autor do “Ofício do Santíssimo Sacramento” e de algumas orações e cânticos relativos à Eucaristia, também muito famosos, como o “Pange língua/Tantum ergo”, “Panis Angelicum”, "Adoro Te devote", etc…
Verdadeiro hino de louvor e de amor à presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento, o “Lauda, Sion, Salvatorem” define clara e rigorosamente o que devemos acreditar do mistério eucarístico. É um hino catequético que podemos muito bem apelidar de “Credo do Santíssimo Sacramento”.


Sião louva o teu Salvador,
louva o teu chefe e pastor
com os teus cânticos e hinos.

Não temas em fazê-lo,
pois nunca é demais louvá-l’O,
Ele que excede todo o louvor.

O Pão vivo que dá vida,
é para nós, hoje, apresentado
como digno de ser louvado.

É o Pão que, na verdade,
na mesa da Ceia Sagrada,
aos doze foi distribuído.

Louvemo-l’O com júbilo,
com alegria do coração,
com amor e devoção.

Neste tão solene dia,
celebremos com alegria,
a instituição do banquete divino.

Na mesa do novo rei,
a Páscoa da nova Lei
à Páscoa antiga põe fim.

Cede ao novo, o velho rito,
o oculto é revelado,
a noite tornou-se dia.

O que Cristo fez na Ceia,
mandou que em sua memória
pelos tempos se fizesse.

Seguindo o seu mandamento,
consagramos pão e vinho
em vítima de salvação.

É dogma para o cristão,
que em Corpo, torna-se o pão,
e que em Sangue, torna-se o vinho.

Para além da ordem natural,
o que não se entende e não se vê,
o proclama a nossa fé.

Os dois humildes sinais
escondem uma realidade
de sublime divindade.

No Corpo que nos alimenta,
no Sangue que nos sacia,
está Cristo por inteiro.

Todo inteiro se recebe.
Não O quebra, nem O divide,
todo aquele que O consome.

Come-O um, comem-n’O mil,
tanto este como aquele
mas nem por isso O aniquilem.

Para desigual sorte,
para a vida ou para a morte,
bons e maus O consomem.

Que efeitos diferentes,
para o mesmo alimento:
para os maus, ele é a morte,
para os bons, ele é a vida!

Não duvidas, acredita!
Que na hóstia repartida
em diversos fragmentos,
está Cristo completo.

Nada em Cristo é dividido,
nem sequer diminuído,
nem em forma, nem em estado,
somente a hóstia é quebrada.

Eis aqui o Pão dos anjos,
pão do homem no caminhar.
Dos filhos pão verdadeiro,
que aos cães não se pode dar.

Desde há muito prefigurado,
em Isaac sacrificado,
no pascal cordeiro imolado,
no maná aos nossos pais doado.

Bom Pastor, pão verdadeiro,
de nós, tende piedade!
Alimentai-nos e protegei-nos.
Os bens eternos revelai-nos.

Tudo sabeis e tudo podeis,
Vós que na terra sois alimento.
No banquete celeste aceitai-nos
na companhia dos vossos eleitos.
Ámen.


A tradução do hino é minha.

domingo, 15 de junho de 2008

Congresso Eucarístico Internacional

Na região do Quebec, no Canadá, realiza-se de 15 a 22 de Junho, o 49º Congresso Eucarístico Internacional.
Este Congresso Eucarístico Internacional continua a longa história dos Congressos Eucarísticos que se iniciaram na segunda metade do século XIX em França.
Foi uma mulher, Emília Tamisier (1834-1910), inspirada por São Pedro Juliano Eymard (1811-1868), “apóstolo da Eucaristia”, que tomou a iniciativa de organizar, com a ajuda de outros leigos, sacerdotes e bispos, e com a aprovação do Papa Leão XIII, o primeiro Congresso Eucarístico Internacional em Lille, no norte da França, cujo tema era: “A Eucaristia salva o mundo”.
Os primeiros congressos exprimiam a fé viva na presença real da pessoa de Cristo no Sacramento da Eucaristia na adoração solene e em grandiosas procissões.
Com o pontificado de Pio XI, os congressos começaram a serem celebrados rotativamente em todos os continentes, ganhando assim uma dimensão missionária.
Apareceram os Congressos Eucarísticos Nacionais, Diocesanos, com a finalidade de sempre: “dar a conhecer melhor, amar e servir a Nosso Senhor Jesus Cristo no seu mistério eucarístico, centro da vida da Igreja e da sua missão para a salvação do mundo” (Artigo 2 dos decretos da Comissão pontifical para os Congressos Eucarísticos Internacionais).
Mas todos os Congressos Eucarísticos Internacionais, enquanto acontecimento da Igreja universal, convidam as Igrejas particulares de cada país à uma nova evangelização: anunciar Cristo que se encontra com o seu povo na Eucaristia.

Há dias, o Beato Francisco, pastorinho de Fátima, fez 100 anos.
Ele é um grande exemplo de amor à presença viva de Cristo na Eucaristia, a “Jesus escondido”, como ele, a Jacinta e a Lúcia gostavam de chamar o Santíssimo Sacramento.
Francisco gostava de passar horas esquecidas junto do Sacrário. Ele “passou horas a olhar e a deixar-se olhar, a amar, a ‘consolar Jesus’”.
Doente e acamado, ele dirá muitas vezes à sua prima Lúcia: “Olha, vai à igreja, e dá muitas saudades minhas a Jesus escondido. Do que mais tenho pena é de não poder já ir a estar uns bocados com Jesus escondido”.
Que o pequeno Francisco seja para todos os cristãos, no Quebec e em todo o mundo, um grande exemplo de amor pela Eucaristia.





Oração para o 49º Congresso Eucarístico Internacional

Deus nosso Pai,
nós Te bendizemos e Te damos graças,
por teu Filho Jesus,
dom do teu amor para a vida do mundo.

Olha para a tua Igreja
que celebra na alegria e na esperança
o 49º Congresso Eucarístico Internacional.

Renova a nossa fé na Santa Eucaristia,
memorial da morte e ressurreição de teu Filho.
Que o teu Espírito Santo nos dê a sua luz e a sua força
para sermos fiéis testemunhas do Evangelho.

Alimenta-nos da tua Palavra e do teu Pão de vida
para que, unidos a Maria, Mãe de teu divino Filho e da Igreja,
dêmos muito fruto para a salvação do mundo.
Nós to pedimos por Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Ámen.


Imprimatur :
Cardeal Marc Ouellet, arcebispo de Quebec

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Eis o Coração...

“Eis o Coração que tanto amou os homens;
que em nada se poupou até se esgotar e consumir
para lhes testemunhar o seu amor.
E em reconhecimento
não recebo da maior parte deles senão ingratidões,
pelos desprezos, irreverências, sacrilégios e friezas
que têm para comigo neste Sacramento de amor.”

Revelação de Cristo a Sta. Margarida Maria



Louvado seja o Sagrado Coração de Jesus no Santíssimo Sacramento!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A fé eucarística de Maria

«Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. (…)
Na anunciação, concebeu o Filho divino na realidade física do corpo e do sangue, em certa medida antecipando n'Ela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o corpo e o sangue do Senhor.
Existe, uma profunda analogia entre o “fiat” pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o “amen” que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor. (…)

Na visitação, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo Ela serve de “sacrário” – o primeiro “sacrário” da história –, para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, Se presta à adoração de Isabel, como que “irradiando” a sua luz através dos olhos e da voz de Maria.»


João Paulo II, Carta Encíclica “A Igreja vive da Eucaristia”

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Exposto a toda a hora

“A Eucaristia não é somente a comunhão…
é também o sacrário e a custódia,
Jesus presente nos nossos altares…
verdadeiro Emanuel,
verdadeiro "Deus connosco",
exposto a toda a hora,
em todas os lugares da terra,
aos nossos olhos,
à nossa adoração
e ao nosso amor.”


Beato Carlos de Foucauld



Meu Senhor e meu Deus!

domingo, 6 de abril de 2008

Abriste-lhes o coração...

Quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção,
partiu o e entregou-lho.
Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O.
Mas Ele desapareceu da sua presença.
Disseram então um para o outro:
«Não ardia cá dentro o nosso coração,
quando Ele nos falava pelo caminho
e nos explicava as Escrituras?»


Lc 24, 30-32




Senhor,
esperávamos uma manifestação gloriosa da tua Ressurreição,
uma prova indubitável da tua filiação divina
para que os homens Te reconhecessem e se abandonassem em Ti.

Caminhas ao lado de teus discípulos na estrada de Emaús,
eles que tinham colocado todas as suas esperanças em Ti.
No entanto, os seus olhos não Te reconhecem.

Senhor, como é fácil identificar-nos com estes peregrinos!
Caminhas ao nosso lado e não Te descobrimos…

Mas abriste-lhes o coração pela tua Palavra,
e logo entraram na luz verdadeira do mistério da tua morte e ressurreição,
o mistério da nossa redenção.

E quando rompeste o pão,
o véu que escondia a tua presença desvaneceu-se…
Bendito és Tu, Senhor Jesus,
presença eterna na tua Palavra e na tua Eucaristia!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Versus ad Orientem

Desde a nomeação de um novo cerimonário, Monsenhor Guido Marini, as celebrações em Roma têm cada vez mais elementos tradicionais litúrgicos pré-conciliares. Tronos, candelabros, crucifixos, paramentos de outros tempos voltaram nas celebrações papais. Atitudes, colocação dos celebrantes e acólitos também recordam um certo passado da Igreja.
No último domingo, na Missa da Solenidade do Baptismo do Senhor que ocorreu na Capela Sixtina, foi usado o altar encostado à parede do fundo do edifício. Por isso, o Santo Padre, que seguia o Missal de Paul VI (o actual), celebrou “em alguns momentos, de costas para os fiéis, com o olhar voltado para a Cruz, orientando assim a atitude e disposição de toda a assembleia”.
Algo de pouco habitual… e que não vai contra o Concílio Vaticano II, uma vez que os textos conciliares nunca fazem menção de altar voltado para o povo. Também a reforma litúrgica de Paulo VI não mudou a posição do sacerdote durante a Missa mas permitiu celebrar o Santo Sacrifício versus ad populum, virada para o povo.


Alguns analistas comentam esta escolha de Bento XVI como um desejo de mostrar que o Concílio Vaticano II e a Liturgia renovada não se inscrevem na ruptura mas na continuidade da Tradição litúrgica. Assim, para estes, a introdução de elementos da Missa Tridentina (que nunca foi revogada pelos Padres Conciliares) na Missa segundo o Missal de Paul VI, ajudariam a marcar melhor o carácter sagrado da Eucaristia e a evitar abusos nas celebrações, desejos e preocupações já referidos pelo Santo Padre na exortação apostólica “Sacramento da caridade”.
Missa de costas para o povo ou Missa versus ad Orientem, voltada para o Oriente?
Prefiro a segunda terminologia, pelo significado cristológico (Cristo =Oriente, Sol nascente).
Nos nossos dias, já não será bem assim por causa da construção das igrejas, cujo altar já não está obrigatoriamente dirigido para Leste.
Destas escolhas litúrgicas do Santo Padre, como o “Motu proprio” que liberaliza o Rito Tridentino, o mais difícil para mim é mesmo distanciá-los daqueles que defendem a superioridade da Missa de São Pio V, condenam Vaticano II e defendem o rosto de uma Igreja majestosa e poderosa. Por isso, ao princípio, fiquei um pouco perplexo com as mudanças papais, mas procurei aprofundar o tema e, realmente, não há nada de polémico, como fiéis de extremos (tradicionalistas e progressistas) o desejariam.
Mas a grande questão litúrgica é a beleza.
O Papa Bento XVI tem razão quando diz que a beleza litúrgica pressupõe arquitectura, textos e música de qualidade para exprimir a fé de uma comunidade… não para dar um espectáculo, mas para criar um clima de oração e transformar a vida.

Mas será para isso necessário ir buscar aos armários paramentos e atitudes de outro tempo, que não tem tanto a ver com a tradição litúrgica mas mais com estilos de época?


Ó Cristo,
Sol nascente do Oriente ,
conduz os fiéis da tua Igreja
à unidade da fé,
na celebração dos teus mistérios divinos.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Olhar da fé fixado


A contemplação, ensina o Catecismo,
é o olhar da fé, fixado em Jesus.




« Nos primeiros tempos que eu estive em Ars, havia um homem que nunca passava diante da igreja sem entrar nela. De manhã quando ia trabalhar, ao anoitecer quando regressava, ele deixava à porta a pá e a picareta, e ficava longamente em adoração diante do Santíssimo Sacramento. Eu apreciava isto. Perguntei-lhe uma vez o que ele dizia a Nosso Senhor durante as longas visitas que ele fazia. Sabeis o que ele me respondeu ? ‘ Senhor abade, eu não Lhe digo nada. Eu o vejo e Ele me vê, olho para Ele, Ele olha para mim!’»

Santo Cura d'Ars

terça-feira, 23 de outubro de 2007

“Arregaçar as mangas”

A Agência Ecclesia publicou no seu site uma entrevista a Dom Carlos Azevedo, Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, que analisa as mudanças do catolicismo em Portugal antes da visita “Ad limina” dos bispos ao Vaticano.
Reconheço que aprecio muito este bispo pela sua maneira clara de comunicar o Evangelho e as suas ideias sobre a sociedade. Se o Senhor dá a cada um, carismas, talentos para render, D. Carlos tem claramente o de comunicar. Com ele, os Bispos do Porto e de Leiria-Fátima mostram um rosto mais luminoso, mais compreensível da doutrina da Igreja…talvez por eles aparecerem mais nos meios de comunicação social, mas mesmo assim, a postura, a linguagem e sobretudo as ideias destes bispos convidam a ouvi-los e a pensar no que dizem.
Transcrevo aqui uma passagem da entrevista, mas para lê-la em completo, clique aqui

Há ou não há reflexão sobre estas questões (a diminuição da prática dominical)?
Dom Carlos Azevedo
– «Houve reflexão, mas depois não existiu um conjunto de medidas eficazes e operacionais que atendessem a estes problemas. Podemos dizer que é inevitável - as pessoas têm outras prioridades - mas, daquilo que depende de nós, não se faz muito. As celebrações continuam a ter pouca beleza. Muitas vezes, as homilias são mal preparadas. A música litúrgica não aumenta de qualidade. As propostas de oferta de celebração não são as mais adequadas. Por outro lado, a formação de cristãos com sentido de vida comunitária também é escassa.
Quando se fazem actos relacionados com a religião individual - caso das procissões ou grandes festas - as pessoas aderem. Todavia, isto não significa nada do ponto de vista comunitário porque muitas vezes não passa de uma mera religião natural que tem pouco fundamento cristão e evangélico. Perante a leitura dos dados é fundamental “arregaçar as mangas” para formar cristãos.»