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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Foi o mistério da Encarnação que me converteu!

Natal 1856, na paróquia de um bairro popular da cidade de Lião, França, António Chevrier, sacerdote há 6 anos, contempla o presépio.
Meditando na pobreza e na humildade de Cristo, ele recebe a graça de entrar profundamente no mistério da Encarnação, Deus que se faz homem.
Na sua oração, ele constata também que a humanidade continua a afundar-se, os pobres não são evangelizados, a Igreja e o mundo dos trabalhadores estão cada vez mais separados.
Ele percebe que deve converter-se a uma existência mais evangélica, viver o mistério da pobreza no seguimento de Jesus para “trabalhar eficazmente na salvação das almas”.
Conhecer Cristo, unir-se a Ele e fazê-l’O conhecer…tudo isso determina a sua vida de sacerdote.
Se Cristo convida os pobres ao banquete do reino, então ele, sacerdote, “outro Cristo”, também deve servi-los.
Primeiro os mais jovens. Em 1860, o padre Chevrier compra o “prado”, um antigo salão de dança. Lá, ele acolha, instrui e catequiza os filhos de operários.
Depois, ele procura formar padres pobres para os pobres. Assim nascem os sacerdotes e as religiosas do Instituto do Prado. Hoje a família do Prado está presente em 50 países.
A humildade de Chevrier é tão grande como o seu zelo, mas este “São Francisco de Assis da era industrial”, esgotado pelo trabalho e pela doença, morre aos 53 anos.
Em 1986, aquando da sua beatificação, João Paulo II deixou aos padres, religiosas e leigos do Prado, quatro grandes orientações, que servem perfeitamente para cada cristão:
“Ide ao encontro dos pobres para fazer deles verdadeiros discípulos de Jesus Cristo”;
“Que o vosso sinal distintivo seja sempre a simplicidade e a pobreza”;
“Falai de Jesus Cristo com a mesma intensidade de fé como o Padre Chevrier”;
“Apoiai-vos sempre em Jesus Cristo e na Igreja”.
Se o Natal transformou a vida do padre Chevrier, porque não a nossa?

«Foi ao meditar a pobreza de Nosso Senhor e da sua humilhação no meio dos homens que resolvi deixar tudo para viver o mais pobremente possível. Foi o mistério da Encarnação que me converteu!... Então decidi-me a seguir Nosso Senhor Jesus Cristo de mais perto. E o meu desejo é que vós próprios sigais de perto Nosso Senhor.»

«Dizia para mim mesmo: 'o Filho de Deus desceu à terra para salvar os homens e converter os pecadores. No entanto, que vemos? Quantos pecadores existem neste mundo!' Então resolvi seguir Nosso Senhor Jesus Cristo de mais perto para me tornar capaz de trabalhar eficazmente na salvação das almas.»


Beato António Chevrier

sábado, 20 de outubro de 2007

Dia Mundial das Missões

Este domingo, a Igreja celebra o Dia mundial das Missões. Podemos dizer que se este Dia das Missões é mundial, é porque o Evangelho deve ser anunciado ao mundo inteiro, mas sobretudo, porque todos os baptizados, espalhados por toda a terra, são chamados a ser missionários.
Quando se fala de missionários, pensa-se logo nos religiosos e leigos que partem para países distantes anunciar o Evangelho e dar esperança às gentes daquelas nações. Esta realidade missionária corresponde à verdade, mas é óbvio que ela não está ao alcance de todos. Como qualquer vocação, é necessário sentir-se chamado, mas também ter disponibilidades e capacidades para ser missionário.
Mas qualquer baptizado, como dizia o Papa João Paulo II, “ é um evangelizado e um evangelizador”, um missionado e um missionário ao mesmo tempo.
Assim, o cristão deve procurar viver o Evangelho e aprender com ele, mas também anunciá-lo. Por isso, se não podemos ser missionário longe, devemos sê-lo em casa e à nossa volta, todos os dias, vivendo simplesmente os ensinamentos de Jesus, colocando os nossos passos nos passos de Cristo. Esta maneira da fazer, muitas vezes silenciosa e discreta, constitui um testemunho eloquente e um exemplo que fala às pessoas, que evangeliza.
Ser missionário é descobrir no outro, não necessariamente do outro lado do mundo mas bem perto de casa, a dor que abala o coração e a alma, ser presente, ouvir, ajudar e amar; é desenvolver o reflexo de fé de ver no próximo o próprio Cristo que tem fome, que precisa de atenção, da nossa presença, de afecto e de oração.

«O mandato missionário confiado por Cristo aos Apóstolos diz respeito verdadeiramente a todos nós. O Dia Missionário Mundial seja, portanto, ocasião propícia para dele tomar mais profunda consciência e para juntos elaborar itinerários espirituais e formativos apropriados, que favoreçam a cooperação entre as Igrejas e a preparação de novos missionários, para a difusão do Evangelho neste nosso tempo. Contudo não esqueçamos que o primeiro e prioritário contributo, que somos chamados a oferecer à acção missionária da Igreja, é a oração. ‘A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos diz o Senhor.
Pedi, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe’»


Bento XVI, mensagem para o Dia Mundial das Missões 2007

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A atitude do cristão, da Igreja

Jesus disse ainda a quem O tinha convidado:
«Quando ofereceres um almoço ou um jantar,
não convides os teus amigos nem os teus irmãos,
nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos,
não seja que eles por sua vez te convidem
e assim serás retribuído.
Mas quando ofereceres um banquete,
convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;
e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te:
ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.»


Lc 14, 12-14



Esta semana, tive daquelas conversas que interpelam e questionam a atitude do cristão e da Igreja, em relação aos seus membros entre eles, como para com aqueles que desconhecem ou rejeitam o Evangelho.
Lembrei-me desta passagem do evangelista Lucas, em que Jesus apresenta o Reino de Deus como um “banquete” onde todos – sem excepção – são convidados, inclusive aqueles que a cultura social e religiosa exclui e marginaliza.
Neste banquete, os que aceitam o convite, devem revestir-se de humildade, simplicidade e serviço, não podem agir por interesse ou esperar retribuição, mas devem fazer tudo com gratuidade e amor desinteressado.
Mas Jesus vai mais longe!
Para o banquete é preciso convidar “os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos”, considerados pecadores notórios e amaldiçoados por Deus.
Estes últimos representam todos aqueles que a religião oficial excluía da comunidade, da salvação. Apesar disso, Jesus diz que esses devem ser os primeiros convidados do banquete do Reino.
Como é que, no tempo presente, estes “pecadores notórios”, que podemos rever nos marginais, nos divorciados, nos homossexuais, nas prostitutas são acolhidos na Igreja?
Quais são as respostas ou a assistência que os cristãos, a Igreja, têm para eles?
Será que a resposta é de amor como nos manda Jesus?
No papel, certamente, pois vem no Evangelho, mas na prática?



“Todos os homens são filhos de Deus que os ama infinitamente: é então impossível amar, desejar amar a Deus, sem amar, desejar amar os homens.”


Beato Carlos de Foucauld

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A fé sem obras está morta

«De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: «Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome», mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda: poderá alguém alegar sensatamente: «Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé. (…)
Assim como o corpo sem alma está morto, assim também a fé sem obras está morta.»


Tg 2, 14-17.26

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

A caridade está acima de todas as regras

«Não se deve demorar no serviço aos pobres.
Se, na hora da oração, de manhã, deveis levar um medicamento, ide descansadas; oferecei a Deus a vossa acção, uni a vossa intenção à oração feita em casa ou noutro lugar, e parti sem inquietação.
Se, ao regressar, houver oportunidade de fazer um pouco de oração ou de leitura espiritual, melhor!
Mas não vos deveis inquietar, nem acreditar ter faltado quando perdeis a oração, porque deixaste-la por algo legítimo. E se há algo de legítimo, minhas caras irmãs, é o serviço ao próximo.
Não é considerado deixar Deus quando se deixa Deus para Deus, isto é, uma obra de Deus para fazer outra, de maior obrigação ou de maior mérito. Deixastes a oração ou a leitura, ou perdestes o silêncio para ajudar um pobre… minhas irmãs, fazer isso é servi-l’O.
Reparai, a caridade está acima de todas as regras, e todas devem lhe ser associada. É uma grande dama. É necessário fazer o que ela ordena.
Vamos por isso, com um novo amor, servir os pobres, procurando até os mais pobres e mais abandonados.
Reconheçamos diante de Deus que eles são nossos donos e nossos mestres, e que não somos dignos servi-los.»


S. Vicente de Paulo às Irmãs da Caridade.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Caridade e justiça social

«Nos nossos dias, o problema da pobreza e do sofrimento tornou-se preocupação de todos.
Já não é possível fechar os olhos, face à miséria que existe em toda a parte do mundo, mesmo nas nações mais ricas.
O cristão tem de enfrentar o facto de que esta desgraça indescritível não é de modo algum “a vontade de Deus”, mas o efeito da incompetência, da injustiça e da confusão económica e social do nosso mundo em desenvolvimento acelerado.
Não é para nós suficiente ignorar tais coisas, justificando-nos com a nossa impotência e a incapacidade de fazer algo construtivo nesta situação. É um dever de caridade e de justiça para cada cristão ter uma preocupação activa, para tentar melhorar a condição do homem no mundo.
No mínimo, esta obrigação consiste em tornar-se consciente da situação e formar a própria consciência em relação aos problemas que existem. Não se pretende que a pessoa resolva os problemas do mundo; mas deve saber quando pode fazer alguma coisa para aliviar o sofrimento e a pobreza, e compreender quando está a cooperar implicitamente com males que prolongam ou intensificam o sofrimento e a pobreza. Por outras palavras, a caridade cristã só é verdadeira, se acompanhada pela preocupação com a justiça social.(…)



Podemos imaginar que toda esta doença e sofrimento estão há muito afastados do nosso país, mas se olharmos e compreendermos as nossas obrigações face à África, América Latina e Ásia não seremos tão complacentes. Contudo, não precisamos de olhar para tão longe das nossas próprias fronteiras. Encontramos muita miséria humana nos bairros pobres das nossas cidades e nas zonas rurais menos privilegiadas. O que é que estamos a fazer neste sector?»


Thomas Merton (1915-68),
monge trapista, escritor e mestre espiritual;
em Vida e Santidade

domingo, 5 de agosto de 2007

Ricos aos olhos de Deus

Naquele tempo,
alguém, do meio da multidão, disse a Jesus:
«Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo».
Jesus respondeu-lhe:
«Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?»
Depois disse aos presentes:
«Vede bem, guardai-vos de toda a avareza:
a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens».
E disse-lhes esta parábola:
«O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita.
Ele pensou consigo:‘Que hei-de fazer,
pois não tenho onde guardar a minha colheita?
Vou fazer assim:
Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores,
onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens.
Então poderei dizer a mim mesmo:
Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos.
Descansa, come, bebe, regala-te’.
Mas Deus respondeu-lhe:
Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma.
O que preparaste, para quem será?’
Assim acontece a quem acumula para si,
em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».


Lc 12,13-21



Todos temos uma escala de valores, de prioridades, e na vida, é preciso saber escolher…esta é a grande lição da parábola do Evangelho deste 18º Domingo do Tempo Comum.
Jesus oferece uma maneira segura de não gastar a nossa vida em vão: “tornar-se rico aos olhos de Deus”, abrir uma conta no banco de Deus, onde os ladrões não podem entrar, onde a bolsa é sempre estável.
Cristo convida em não agir como o agricultor rico da parábola, um insensato que se identifica com o seu ouro e o seu dinheiro, em vez de ser um instrumento de comunhão, de partilha e de solidariedade.
Este trecho do Evangelho é para cada um de nós, uma ocasião de reflectir nas prioridades que animam a nossa vida de todos os dias, uma oportunidade para perguntar qual é o uso que fazemos do dinheiro, dos talentos, dos tempos de lazer…
Jesus recorda que na vida, há uma escala de valor…tudo não está no mesmo plano. Ele não diz que o dinheiro é mau, mas lembra que, como os talentos, o dinheiro tem de ser partilhado. Ao abrir o nosso coração às necessidades dos outros, tornámo-nos ricos aos olhos de Deus!
Hoje, a nossa sociedade, com a sua publicidade omnipresente, facilmente se converte numa indústria de sonhos para “ricos insensatos”... temos que ter cuidado!
Cristo afirma que o futuro tem pelo menos um elemento certo : a nossa morte.
Mais tarde ou mais cedo, ouviremos também: “Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste?"

domingo, 15 de julho de 2007

O próximo

«Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores.
Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto.
Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante.
Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem,passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho,colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse:
‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’.
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
O doutor da lei respondeu:
«O que teve compaixão dele».
Disse-lhe Jesus:
«Então vai e faz o mesmo».

Lc 10,30-37




É bem conhecida de todos a história do Bom Samaritano e o contexto em que Jesus a contou.
À pergunta feita a Jesus pelo doutor da lei: «Mestre, que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?», o Senhor responde com o mandamento do amor: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo».
Mas para ilustrar o amor ao próximo, Jesus conta a bela história do Bom Samaritano.
Esta parábola ensina-nos 3 coisas sobre o próximo.
O próximo é, primeiro, aquele que está próximo de mim.
Em segundo, o próximo é aquele que está em necessidade: nesta parábola, é o homem espancado pelos salteadores.
Finalmente, é aquele que se faz próximo da pessoa em necessidade, é «o que teve compaixão dele», respondeu o doutor da lei.
Assim, o próximo se encontra nas duas pontas da relação de amor, é a pessoa amada mas também a pessoa que ama!
Viver segundo o Evangelho, é fazer-se próximo de qualquer um que precisa de ajuda, não interessa a sua religião, a sua etnia, a sua amizade ou inimizade por nós.

Senhor,
que eu encontre alguém para me ajudar
quando preciso de auxílio.
Que eu me faça próximo do outro
quando é ele que me chama.
Ámen.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

O homem das oito bem-aventuranças

Hoje é dia de Santa Isabel de Portugal, mas prefiro falar de um jovem italiano do início do século XX, que no 4 de julho de há 82 anos, regressou para a casa do Pai, deixando um exemplo de entrega ao próximo por amor de Deus.

Natural de Turim, Pedro Jorge (Pier Giorgio) Frassati nasceu em 6 de abril de 1901, de pais ricos, mas quase sem vida religiosa. A mãe, Adelaide Ametis, era pintora; o pai, Alfredo Frassati, fundou o jornal “La Stampa” e destacou-se como senador e embaixador da Itália na Alemanha.
Espontaneamente o pequeno Frassati absorveu os ensinamentos do Evangelho mergulhando, por escolha pessoal, numa fé viva ao descobrir a força da presença de Jesus na Eucaristia. Passava horas em adoração diante do sacrário, ali encontrando sentido para sua vida.
Contra a vontade da família, o rapaz se inscreveu na Acção Católica. Um dia, na universidade onde estudava Engenharia de Minérios, perguntaram-lhe se ele era beato… “Não, sou cristão!”, respondeu ele com bondade. Em 1918, Pedro Jorge, dono de bela aparência e de físico de atleta – ele praticava alpinismo – inscreveu-se na Conferência de São Vicente de Paulo. Foi logo considerado um dos melhores confrades, o mais generoso nas ofertas, o que visitava mais famílias, o mais ponctual e o que mais observava a regra.
Luciana, sua irmã e confidente, revelou que o rapaz decidira viver no mais absoluto desprendimento. Em casa, ele era tido como um tolo por ser visto sempre com poucas liras no bolso porque, pensava, para ajudar as pessoas pobres devia dar, não o supérfluo, mas o necessário. Procurava convencer os outros a fazer o mesmo. Um amigo contou que Frassati o convidara para ser vicentino. Ele, porém, lhe disse que sentia dificuldade de entrar nas casas dos pobres, pois temia contrair doenças. Pedro Jorge, com muita simplicidade, respondeu-lhe que visitar os pobres era visitar Jesus.
Entre os sofrimentos de Pedro Jorge, merece ser lembrado o seu amor profundo por Laura Hidalgo, uma jovem de condição humilde, sentimento que ele teve de renunciar pelos preconceitos da família.
No fim de junho de 1925, quando começa a sentir enxaqueca e falta de apetite, ninguém lhe dá atenção porque a sua avó estava agonizante e ele parecia um rapaz robusto. Atingido por poliomielite fulminante, os pais, apavorados, perceberam a gravidade da doença mas já tarde.
Antes de morrer, Frassati pediu à irmã para buscar na escrivaninha uma caixa de injecções que não tinha conseguido entregar a um dos seus pobres e quis escrever um bilhete com as instruções e o endereço. Tentou, mas devido à paralisia só saiu um rascunho de letras quase incompreensível. É o seu testamento…as últimas energias para a última caridade. Faleceu em 4 de julho de 1925, aos 24 anos de idade.
Chamado de “O homem das oito bem-aventuranças” por João Paulo II durante a cerimónia da sua beatificação, em 20 de maio de 1990, o saudoso Papa fez uma tocante confissão: “Frassati era um jovem de uma alegria transbordante, uma alegria que superava também muitas dificuldades da sua vida porque o período juvenil é sempre um período de prova de forças... Também eu, na minha juventude, senti a influência de Pedro Jorge e, como estudante, fiquei impressionado com a força do seu testemunho cristão”.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

A exigência do amor ao próximo

«Os bens presentes, de onde vieram?
Se dizes que vêm da sorte, és um ateu porque não reconheces o Criador, e não percebes a vontade d’Aquele que te providenciou.
Se confessas que eles vêm de Deus, diz-nos a razão pela qual os recebestes.
Será Deus injusto, Ele que distribua de maneira desigual os bens necessários à vida?
Porque será este rico e aquele pobre?
Tu que cobres todos os teus bens nas pregas de uma insaciável avareza, pensas não prejudicar ninguém despojando tantos infelizes?
Quem é então o avarento? É aquele que não se contenta daquilo que lhe basta.
Quem é o espoliador? É aquele que desvia os bens dos outros.
E não és avarento?
Não és espoliador, tu que, dos bens que recebeste a administração, fazes teu próprio beneficio?
Aquele que despoja um homem de suas vestes será chamado de ladrão, e aquele que não veste a nudez do infeliz, podendo fazê-lo, não merece o mesmo nome?
Ao faminto pertence o pão que reservas;
ao homem nu, o manto que guardas nas malas;
aos descalços, as sandálias que apodrecem em tua casa;
ao necessitado, o dinheiro que conservas enterrado.
Assim cometas tantas injustiças como as pessoas a quem poderias dar.»

São Basílio (329 - 379), Padre da Igreja,
teólogo e escritor cristão do século IV,
considerado o fundador do monaquismo oriental.



«Se na minha vida negligencio completamente a atenção ao outro, importando-me apenas com ser “piedoso” e cumprir os meus “deveres religiosos”, então definha também a relação com Deus.
Neste caso, trata-se duma relação “correcta”, mas sem amor.
Só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor é que me torna sensível também diante de Deus.
Só o serviço ao próximo é que abre os meus olhos para aquilo que Deus faz por mim e para o modo como Ele me ama.
Os Santos — pensemos, por exemplo, na Beata Teresa de Calcutá — hauriram a sua capacidade de amar o próximo, de modo sempre renovado, do seu encontro com o Senhor eucarístico e, vice-versa, este encontro ganhou o seu realismo e profundidade precisamente no serviço deles aos outros.
Amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis, constituem um único mandamento. Mas, ambos vivem do amor proveniente com que Deus nos amou primeiro.»


Bento XVI, Encíclica “Deus caritas est”



Foto: Visita de Bento XVI à “Fazenda da Esperança”, Centro de recuperação de jovens dependentes de drogas e álcool, Brasil, 12 de Maio 2007

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Bento XVI e a pobreza

Há poucos dias, foi revelada uma carta que Bento XVI enviou à chanceler da República Federal Alemã, Angela Merkel, ao assumir a presidência da União Europeia e do G8, na qual lhe pede manter como prioridade a luta contra a pobreza, em particular na África.

“Alegra-me o facto de que o tema «pobreza» está agora na ordem do dia dos países do G8 com uma referência explícita à África. Este tema, de facto, merece a máxima atenção e prioridade para benefício dos Estados pobres, assim como dos ricos. (…)

A Santa Sé sublinhou repetidamente que os governos dos países mais pobres têm, por sua parte, a responsabilidade do bom governo e da eliminação da pobreza, mas que nisso é irrenunciável uma activa colaboração por parte de todos os sócios internacionais. Não se trata de uma tarefa extraordinária ou de concessões que poderiam ser abandonadas por causa de importantes interesses nacionais. Dá-se mais um grave e incondicional dever moral, baseado na pertença comum à família humana, assim como na comum dignidade e destino dos países pobres e ricos, que no processo de globalização se desenvolvem de uma maneira cada vez mais intimamente ligada. (…)

É necessário tomar também medidas a favor de um rápido cancelamento, completo e incondicional, da dívida externa dos países pobres altamente endividados e dos países menos desenvolvidos. Desta forma, hão de tomar-se medidas para que estes países não acabem de novo em uma situação de dívida insustentável. (...)


Depois, são necessários importantes investimentos no campo da pesquisa e do desenvolvimento de remédios para o tratamento da Sida, da tuberculose, da malária e de outras doenças tropicais. Os países industrializados têm de enfrentar a urgente tarefa científica de criar finalmente uma vacina contra a malária. Desta forma, é necessário pôr à disposição tecnologias médicas e farmacêuticas, assim como conhecimentos derivados da experiência no campo da saúde, sem pretender, em troca, exigências jurídicas ou económicas.

Por último, a comunidade internacional tem de seguir trabalhando por uma redução significativa do comércio de armas, legal ou ilegal, do tráfico ilegal de matérias-primas preciosas e da fuga de capitais dos países pobres, e tem de comprometer-se na eliminação tanto de práticas de lavagem de dinheiro como da corrupção dos funcionários nos países pobres. (…)

Membros de diferentes religiões e culturas de todo o mundo estão certos de que alcançar o objectivo da eliminação da pobreza extrema antes do ano 2015 é uma das tarefas mais importantes de nosso tempo. Compartilham também a convicção de que esta meta está ligada indissoluvelmente à paz e à segurança no mundo.”

quinta-feira, 8 de março de 2007

O louco de Deus

Nestes últimos dias, os trechos diárias do Evangelho da liturgia convidam os cristãos a adoptar uma atitude de serviço para com o próximo à imitação de Cristo Mestre.
Hoje, a Igreja universal faz memória de um “Santo da Caridade”, de um homem que nasceu em Portugal mas passou a grande parte da sua vida em Espanha, e que fez dos seus actos um verdadeiro testemunho de serviço e de amor para com os enfermos e os pobres.
Este homem é João de Deus, contagiado pela loucura de Deus “que dá asas ao ser humano e o faz voar até ao irmão que sofre”(1), no caso deste nosso Santo, até ao irmão doente mental.

“Se consideramos atentamente a misericórdia de Deus, nunca deixaremos de fazer o bem de que formos capazes: com efeito, se damos aos pobres por amor de Deus aquilo que Ele próprio nos dá, Ele promete-nos o cêntuplo na felicidade eterna. Feliz pagamento, ditoso lucro! Quem não dará a este bendito mercador tudo o que possui, se Ele procura o nosso interesse e, com os braços abertos, insistentemente pede que nos convertamos a Ele, que choremos os nossos pecados e tenhamos caridade para com as nossas almas e para com o próximo? Porque assim como o fogo apaga a água, assim a caridade apaga o pecado.”

Carta de São João de Deus à Duquesa de Sessa.

terça-feira, 6 de março de 2007

Cáritas

No próximo Domingo, por decisão da Conferência Episcopal Portuguesa, celebra-se, em todo o país, o Dia Nacional da Cáritas que, nos últimos anos, tem vindo a ser preparado ao longo da semana que o antecede, com um conjunto de iniciativas e com um peditório.
Este ano, o tema que a Cáritas propõe à reflexão é “Pela dignidade, igual oportunidade”, sensibilizando assim os portugueses para os proveitos de uma sociedade mais justa e solidária, e assim reforçar a importância da igualdade de tratamento entre as pessoas, sem distinção de origem racial ou étnica.
Viver a caridade e promover a justiça são exigências do Evangelho de que os cristãos não podem alienar-se, porque vai da essência da sua fé em Cristo, Filho de Deus.

Visitem o site da Cáritas (clicar)


«A caridade é a essência da religião que obriga o cristão a amar o próximo, isto é todo o ser humano, como a si mesmo. O cristão deve então ser apóstolo: não é um conselho, é um mandamento, o mandamento da caridade.
Os leigos devem ser apóstolos para com todos os que podem atingir: primeiro, com os próximos e os amigos, mas não só; a caridade não tem nada de estreito, ela abraça todos aqueles que o coração de Jesus abraça.
Com que meios? Por aqueles com que está relacionado, sem excepção: pela bondade, ternura, sentimento fraterno, exemplo da virtude…
Com algumas pessoas, sem nunca lhes falar de Deus ou da religião, aguardando com paciência como Deus paciente, sendo bom como Deus é bom, sendo um tenro irmão e orante; com outras, falando em função daquilo que podem entender…mas sobretudo ver em todo o humano um irmão…ver em todo o humano um filho de Deus.»

«Não há, creio eu, palavra do Evangelho que mais me tocou profundamente e transformou a minha vida do que esta: ‘Tudo aquilo que fazeis a um destes pequeninos, é a Mim que o fazeis.’ Se pensarmos nestas palavras que são do Verbo não criado, da sua boca que disse ‘Este é o meu Corpo…este é o meu Sangue’, com que força seremos movidos a procurar e a amar Jesus nestes “pequeninos”, nestes pecadores, nestes pobres.»

Beato Carlos de Foucauld

sexta-feira, 2 de março de 2007

Jejuar para partilhar

O jejum tem como objectivo dar fome e sede de Deus e da sua Palavra. Abster-se ou renunciar a algo não é somente um gesto de penitência mas também um gesto de solidariedade com os pobres e um convite à partilha e à esmola.

No tempo da Quaresma, em todas as dioceses portuguesas, existe uma recolha de fundos chamada “Contributo penitencial”, que visa apoiar iniciativas locais mas também estrangeiras, para o desenvolvimento de projectos pastorais e de ajuda ao próximo. Os donativos dos cristãos neste contributo poderiam resultar da vivência do jejum e das renúncias quaresmais.

Neste tempo de preparação para a Páscoa, algumas paróquias ou instituições escolares organizam várias iniciativas para fazer do jejum um verdadeiro momento de entreajuda.
Aqui em Portugal, sei que existe nalgumas dioceses, e até na Pastoral universitária, uma campanha que consiste em abdicar de uma refeição habitual para comer uma sanduíche, num ou em vários dias da Quaresma. Este gesto recorda que nem toda a gente come à sua fome, mas também, faz com que a diferença monetária da sanduíche com a refeição normal seja revertida a favor de uma associação de solidariedade ou de um projecto caritativo.
Em França, para ajudar o “Secours Populaire” (Caritas) e o “Comité Católico contra a Fome e para o Desenvolvimento” (CCFD), foi criada a campanha “Tigela de arroz”, que consiste no mesmo princípio do que a “sanduíche portuguesa”...só muda o alimento.
Pode-se adaptar estes exemplos ao gosto individual, em vez de pão ou de arroz, pode ser uma sopa ou outra refeição económica…o que interessa é jejuar para partilhar com quem necessita.

Outra iniciativa para viver o jejum com a esmola, é criar um “Mealheiro Quaresmal” em que todas as renúncias monetárias de tabaco, álcool, café, guloseimas e outras, segundo a criatividade e disponibilidade de cada um, podem ser poupadas e reunidas ao longo dos 40 dias numa caixinha, e depois, serem entregas a alguém ou a uma instituição que precisa da nossa ajuda monetária.

Mas o jejum não sendo só aplicável à comida, mas também ao tempo de lazer, de divertimento, de televisão, de Internet; a esmola pode ser vivida então como doação do seu tempo a favor do outro. Pode ser uma conversa mais atenta e demorada com um vizinho que vive só, algumas horas de participação nas actividades na Paróquia ou de trabalho voluntário nalguma associação.

Vivendo assim o jejum, na discrição que o Evangelho impõe e com alguma imaginação pessoal, vivemos a esmola, a partilha com o próximo...claro, sem esquecer a esmola do nosso amor a Deus na oração.

quinta-feira, 1 de março de 2007

A esmola

“'A oração, diz Santo Agostinho, tem duas asas que a fazem voar direito para o céu: o jejum e a esmola.' O capitulo 58 do livro de Isaías revela-nos a insuficiência do jejum que não é acompanhado de boas obras, eis as palavras que o profeta põe na boca de Javé como resposta ao seu povo que lamenta não ser atendido na oração: ‘O jejum que eu aprecio é este: abrir as prisões injustas, desatar os nós do jugo, deixar ir livres os oprimidos…repartir o teu pão com o esfomeado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir o nu.’ E o Evangelho, confirmando estes conselhos, lembra que os verdadeiros filhos do Pai que está nos céus devem ultrapassar em virtude e em boas obras os publicanos e os pagãos, aspirando em serem perfeitos como o Pai o é, amando até os inimigos, retribuindo-lhes o bem pelo mal, orando pelos seus perseguidores (Mt 5).
‘Desejais, diz São Cirilo de Alexandria, apresentar a Jesus Cristo um verdadeiro jejum, um jejum puro? Olhai favoravelmente aqueles que lutam contra a pobreza.’ A esmola deve ser ela também, uma companheira fiel do jejum. Jejuai, orai, partilhai, e vivereis perfeitamente a vossa Quaresma.”


Sermão de um dominicano - 1929

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

"Mil vezes mais contagiosos são a inconsciência, o egoismo e a cobardia."

Sabeis que dia foi comemorado ontem? O Dia Mundial da Pessoa atingida pela Lepra. O dia foi instituído em 1954 por Raoul Follereau (1903-1977), um cristão convicto, conhecido mundialmente pelo seu importante trabalho no combate à doença.
Não foi o dia mundial da doença ou de combate à doença… mas, o dia da pessoa portadora. Um sentido mais humano para a comemoração!
Além do título deste post, partilho convosco algumas palavras de Raoul Follereau:

"Amar sem agir não significa nada.”

"Aquilo que vos peço é muito pouco. Peço um avião bombardeiro a cada um, porque sei que este avião custa cinco milhões de francos. Eu calculei que com o dinheiro desses aparelhos de morte se poderiam curar todos os leprosos do mundo".
(Aos governantes dos E.U.A e da U.R.S.S)

“Dar sem amar é uma ofensa.”

“O tesouro que eu vos deixo, é o bem que não fiz.”

“A santidade é a graça de fazer humildes coisas sob o sinal da eternidade.”

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Abbé Pierre


O “Abbé Pierre” era o quinto filho de uma família de cinco rapazes. Nasceu no dia 5 de Agosto de 1912 em Lyon. Quando tinha 15 anos, no decurso de um congresso de jovens cristãos em Assis, sentiu “a emoção indescritível” da revelação.

Em 1938 entrou no convento dos Capuchinhos, onde passou a chamar-se "Padre Filipe".
Trabalhou na catedral de Grenoble e na Alsácia, antes de se empenhar na Resistência durante a II Guerra Mundial – período em que ajudou muitas pessoas a fugir para a Suíça, sendo conhecido, na resistência, como "Abbé Pierre".

Em Novembro de 1949 fundou a associação Emaús, uma comunidade que se consagra à construção de casas provisórias para sem-abrigo, financiada pela revenda de objectos de recuperação.

Para a história fica o apelo do Abbé Pierre, no Inverno de 1954, a uma “insurreição da bondade”. Ao longo da sua vida, foi uma voz dos que não tinham voz e nunca cansou de criticar as condições precárias de habitação de milhões de pessoas e a “praga da indiferença”.

Numa França que quer colocar Deus num canto, votado ao esquecimento e ao desprezo, em que ser cristão…e católico, é a pior coisa que pode acontecer …e isso falo por experiência própria porque vivi lá, a figura do Abbé Pierre era um sacramento da caridade vivida por causa da fé em Cristo. Não é uma “caridade- assistência social” como hoje se pode ler na imprensa francesa bem laicista, mas de “caridade-amor” que procura o bem integral do homem através da vivência do divino e da promoção da vida e da actividade humana.

Que o Abbé Pierre rogue junto de Deus para que o coração de todos os homens se abre à caridade divina…pois afinal, Deus é o próprio Amor, esse Amor que nos amou primeiro e que devemos amar acima de todas as coisas para assim amar verdadeiramente os outros. Viver um amor sem Deus não é de certeza viver o Amor.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Os grandes portugueses

O primeiro canal televisivo de Portugal, inspirado de um programa da BBC, decidiu pedir aos telespectadores que elegessem os grandes portugueses da História. Em geral, a ideia foi achada interessante, lançou debate e polémica na nossa sociedade por causa de alguns nomes apresentados, suscitou e ainda deve suscitar por alguns tempos o interesse do público.
Mas o que é um grande português?
Cada um de nós terá a sua noção de grandeza e dos valores a que ela está sujeita, daí aparecer uma lista matizada de pessoas, com reis, rainhas, políticos, santos, padres, artistas, cientistas, médicos, operários…uma sociedade com todas as suas componentes “normais”.
Um grande homem ou uma grande mulher, não medirá necessariamente 2 metros de alturas…aí seria um português grande, mas é alguém que transmite algo às pessoas, uma referência.
Quando penso em grandeza, vem-me sempre ao pensamento o versículo do Evangelho segundo São Marcos (10, 43-44): “Quem quiser ser grande entre vós faça-se vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se escravo de todos.”
Este critério que Jesus coloca aos discípulos e a cada um de nós, o de servir para ser grande, e isso implica muitas outras virtudes, a maior delas o amor, foi o meu critério para votar no grande português…mas tenho a certeza que não há um único “grande-evidente”, mas muitos, conhecidos ou não, que marcaram a História do nosso país ou a história das vidas.
O meu foi…adivinhem lá…homem do norte que viveu nos dois ultímos séculos passados e ficou nos 50 primeiros portugueses mais votados…mais não digo.
Claro que havia outros nomes mas as regras eram de poder escolher um só por e-mail.



“Ora se Eu vos lavei os pés, sendo Mestre e Senhor, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, como eu fiz, façais vós também.”
Jo 13, 14-15



Reparem no quadro, o ar zangado do Apóstolo Pedro e a dedicação de Cristo.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Rosto de: Madalena Hutin

Madalena Hutin nasceu em Paris, no dia 26 de Abril de 1898.Desde jovem, desejava consagrar a sua vida a Deus. Aos 23 anos, descobriu a vida de Carlos de Foucauld, e nos seus escritos, reconheceu o ideal de vida com que sempre sonhara: "O Evangelho vivido, a pobreza total e, sobretudo, o amor."

Depois de vinte anos de espera, pôde finalmente caminhar nas suas pegadas, seguindo Jesus de Nazaré. Foi viver para a Argélia e, no dia 8 de Setembro de 1939, fez a sua profissão religiosa, fundando assim a Fraternidade das Irmãzinhas de Jesus.

Nas suas intensas meditações sobre a infância humilde, frágil e vulnerável de Cristo, pareceu-lhe apropriado Jesus Menino ser a inspiração e o modelo daqueles que desejariam testemunhar o amor divino entre os mais pobres do mundo.

Para a congregação ser reconhecido inteiramente por Roma, foi necessário superar muitas dúvidas e críticas que se levantavam devido à originalidade da visão de vida consagrada que Madalena tinha. As “irmãzinhas” não eram nem contemplativas reclusas, nem estavam ligadas a actividades tradicionais de apostolado. Viviam em “pequenas fraternidades”, algumas com somente um par de irmãs, mantinham um compromisso intenso de oração contemplativa, e esforçavam-se em participar inteiramente na vida e na cultura do meio onde elas estavam inseridas, isto é, no meio dos mais pobres. Isto também significou o uso de um hábito simples de ganga adornado com uma cruz.
Quanto aos malentendidos, Madalena dizia que “o mundo procurava mais a eficiência do que o discrição de uma vida escondida”, assim, “Belém e Nazaré permaneceriam sempre um mistério.”


No começo, seguindo literalmente o exemplo do irmão Carlos de Foucauld, Madalena concebia a missão das irmãzinhas exclusivamente entre os muçulmanos da África do Norte. Foi lá que a congregação deitou raiz e floresceu. Mas gradualmente, Madalena ampliou a sua visão para uma missão universal, e assim as fraternidades espalharam-se por todo o mundo, atraindo mulheres de todas as nacionalidades.
Antes da sua morte havia 280 fraternidade com 1400 irmãzinhas de 64 países diferentes. Estas irmãzinhas viajavam com as caravanas dos ciganos na Europa, viviam com os grupos nómadas do circo. Existiam comunidades entre os pigmeus de República dos Camarões, em vilas esquimós no Alasca, entre povos do Sudeste Asiático, nos subúrbios de Londres, de Beirute e de Washington. Mais tarde, Madalena sentiu-se chamada também em testemunhar o Evangelho nos países comunistas do bloco oriental. Numa carrinha, adaptada em “rolote” percorreu a Europa Oriental e a Rússia. Quietamente pode estabelecer fraternidades em muitos destes países. O objectivo das irmãzinhas não era evangelizar num sentido formal mas servir modestamente no meio do mundo num espírito de amor.

Em 1949 a irmãzinha Madalena abandonou formalmente a liderança da congregação. Preferiu ter um papel informal, e ser mais “mãe” das suas irmãs, viajando constantemente, confiando a outros a administração de um família religiosa em expansão.
Embora fosse mais vulnerável na sua juventude, permaneceu notavelmente robusta na sua velhice, continuando a fazer bem o seu trabalho manual, e viajando muito, até foi à China, mas as suas deslocações desgastaram-na, e após visitar em 1989 a União Soviética com 91 anos, morreu mais tarde nesse ano no dia 6 de Novembro
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Hoje, a Irmãzinha Madalena de Jesus é um exemplo de oração, serviço, amor e concórdia para a humanidade.
Em Portugal existem 3 Fraternidade de Irmãzinhas (Fátima, Chelas, Prior-Velho).

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

“Quem usa de misericórdia para com alguém é sempre um mediador de Deus”

D. António Marcelino, bispo emérito de Aveiro