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terça-feira, 3 de março de 2009

É uma limpeza necessária

O jejum mais importante é aquele que tem como objectivo esvaziar o nosso coração de inutilidades para o enchermos do que é valioso. É uma limpeza necessária a fim de arranjarmos espaço na alma para as realidades sublimes para que Deus nos criou:
Procuremos jejuar de julgar os outros, descobrindo o Cristo que vive neles.
Jejuemos de palavras ofensivas, enchendo-nos e pronunciando expressões edificantes.
Jejuemos de descontentamento, enchendo-nos de gratidão.
Jejuemos de irritações, enchendo-nos de paciência.
Jejuemos de pessimismo, enchendo-nos de esperança cristã.
Jejuemos de preocupações, enchendo-nos de confiança em Deus.
Jejuemos de lamentações, enchendo-nos do apreço pela maravilha que é a vida.
Jejuemos de pressões que nunca mais acabam, enchendo-nos duma oração permanente.
Jejuemos de amargura, enchendo-nos de perdão.
Jejuemos de dar importância a nós mesmos, enchendo-nos de amor pelos outros.
Jejuemos de ansiedade sobre as nossas coisas, comprometendo-nos na propagação do Reino.
Jejuemos de desalento, enchendo-nos do entusiasmo da fé.
Jejuemos de pensamentos mundanos, enchendo-nos das verdades que fundamentam a santidade.
Jejuemos de tudo o que nos separa de Jesus, enchendo-nos daquilo que d’Ele nos aproxima.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

É preciso...

“O jejum físico, que durante algum tempo não estava na modo, aparece hoje como necessário.(…) O jejum físico é uma coisa importante, porque somos corpo e alma, e a disciplina do corpo, a disciplina também material, é importante para a vida espiritual que é sempre uma vida encarnada numa pessoa que é corpo e alma.
Este é um aspecto. Hoje outros aspectos se desenvolvem e se manifestam.
Parece-me que o tempo da Quaresma poderia precisamente ser também um tempo de jejum de palavras e de imagens. Precisamos de um pouco de silêncio, precisamos de um espaço sem um bombardeamento permanente de imagens. Por isso é muito importante hoje tornar acessível e compreensível o significado dos 40 dias de disciplina exterior e interior, para nos ajudar a entender que uma dimensão da Quaresma, esta disciplina física e espiritual, é a de criar espaços de silêncio e também espaços sem imagens, para abrir de novo o coração à verdadeira imagem e à verdadeira palavra.”


Bento XVI aos sacerdotes de Roma 07/02/2008


É preciso...
Jejuar para ter fome de Deus...
Calar-se para deixar Deus falar...
Criar silêncio para escutar Deus...
Fechar os olhos para contemplar a Deus…

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Deus, na sua sabedoria, nos deu a Quaresma

«Caríssimos, no propósito de vos falar do santo jejum da Quaresma, como poderia começar melhor o meu sermão senão pelas palavras do Apóstolo, mensageiro de Jesus Cristo, repetindo estas palavras que acabamos de ler: ‘Eis o tempo favorável, eis o dia da salvação’ (2 Cor 6, 2)?
Apesar de o Senhor nos cumular de graças a toda a hora, e a sua divina misericórdia nos ajudar sempre, é no entanto necessário que a alma se entregue com maior zelo à prática da virtude, e abrace maiores esperanças neste tempo, onde o cumprimento dos mistérios da nossa redenção nos convida especialmente a exercer muitos actos de piedade, para podermos celebrar com pureza de coração e de espírito, o mistério santo e incomparável da Paixão de nosso Senhor.
Deveríamos adorar constantemente estes divinos mistérios com a mesma piedade, com o mesmo amor, e sermos sempre puros diante de Deus como o devemos ser pela festa da Páscoa.
Mas poucas pessoas possuem fervor suficiente para isso; a fraqueza da carne nos impede de perseverar na recta observância destes divinos preceitos; e as tarefas e preocupações desta vida causam tão grande distracção que até as almas mais virtuosas não conseguem preservar-se do pó do mundo; por isso, Deus, na sua sabedoria, nos deu a Quaresma para purificar as nossas almas, e pelas nossas boas acções e o nosso piedoso jejum, resgatar as faltas que cometemos ao longo do ano.»


São Leão Magno, Sermão I sobre a Quaresma





Como se manifesta a penitência na vida cristã?
A penitência manifesta-se de muitas maneiras, em especial pelo jejum, a oração e a esmola. Estas e muitas outras formas de penitência podem ser praticadas na vida quotidiana do cristão, especialmente no tempo da Quaresma e no dia penitencial de Sexta-feira.


Compêndio do Catecismo da Igreja Católica



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

É o primeiro passo

Quarta-feira de Cinzas é o primeiro dia da Quaresma, este período de 40 dias que nos separa da Páscoa. Para os cristãos, é dia de jejum e de abstinência. Por jejum, não se entende privação total de alimento, mas uma ascese que consiste em libertar-se do supérfluo, do inútil, e Deus sabe o quanto somos tentados pelo inútil, quer na alimentação, quer nos prazeres da vida, aos quais muitas vezes somos incapazes de renunciar.
Hoje, a Igreja convida a jejuar e a abster-se de tudo o que é inútil na nossa vida. A cada um de encontrar aquilo a que renunciará, não num espírito de “mortificar-se por mortificar-se”, nem por dolorismo, mas tudo para reencontrar o desejo de Deus, e através disso, melhor escutá-l’O e ir ao encontro do próximo.


Também hoje, a Igreja nos convida na Eucaristia a receber as “cinzas”. Por meio deste rito, o sacerdote diz a cada um dos participantes: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho!”, isto é, ao longo deste tempo quaresmal que começa agora, afastemo-nos das faltas, renunciemos ao egoísmo, à violência…voltemo-nos para Aquele que nos cura. Voltemo-nos para Aquele que se prepara para morrer na cruz.
Por isso, Quarta-feira de Cinzas é um dia importante: é o primeiro passo que acompanha os passos de Cristo até à sua paixão, até à sua morte e ressurreição.

Bom início de Quaresma a todos!

quarta-feira, 7 de março de 2007

Queres jejuar esta Quaresma ?

Jejua evitando de julgar o próximo ;
e enche-te de JESUS de Nazaré que está ao teu lado.

Jejua das palavras que magoam;
e enche-te de PALAVRAS AMÁVEIS.

Jejua do teu descontentamento;
e enche-te de GRATIDÃO.

Jejua das tuas vãs cóleras;
e enche-te de PACIÊNCIA.

Jejua do teu pessimismo;
e enche-te de CONFIANÇA EM DEUS.

Jejua das tuas preocupações;
e enche-te das MARAVILHAS que te rodeiam.

Jejua do teu contínuo stress;
e enche-te de ORAÇÃO que gera a calma.

Jejua da tua amargura ;
e enche-te de PERDÃO.

Jejua do teu desespero ;
e enche-te de ESPERANÇA.

Jejua dos teus pensamentos de fraqueza,
e enche-te das PROMESSAS que te fez o Senhor.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Jejuar para partilhar

O jejum tem como objectivo dar fome e sede de Deus e da sua Palavra. Abster-se ou renunciar a algo não é somente um gesto de penitência mas também um gesto de solidariedade com os pobres e um convite à partilha e à esmola.

No tempo da Quaresma, em todas as dioceses portuguesas, existe uma recolha de fundos chamada “Contributo penitencial”, que visa apoiar iniciativas locais mas também estrangeiras, para o desenvolvimento de projectos pastorais e de ajuda ao próximo. Os donativos dos cristãos neste contributo poderiam resultar da vivência do jejum e das renúncias quaresmais.

Neste tempo de preparação para a Páscoa, algumas paróquias ou instituições escolares organizam várias iniciativas para fazer do jejum um verdadeiro momento de entreajuda.
Aqui em Portugal, sei que existe nalgumas dioceses, e até na Pastoral universitária, uma campanha que consiste em abdicar de uma refeição habitual para comer uma sanduíche, num ou em vários dias da Quaresma. Este gesto recorda que nem toda a gente come à sua fome, mas também, faz com que a diferença monetária da sanduíche com a refeição normal seja revertida a favor de uma associação de solidariedade ou de um projecto caritativo.
Em França, para ajudar o “Secours Populaire” (Caritas) e o “Comité Católico contra a Fome e para o Desenvolvimento” (CCFD), foi criada a campanha “Tigela de arroz”, que consiste no mesmo princípio do que a “sanduíche portuguesa”...só muda o alimento.
Pode-se adaptar estes exemplos ao gosto individual, em vez de pão ou de arroz, pode ser uma sopa ou outra refeição económica…o que interessa é jejuar para partilhar com quem necessita.

Outra iniciativa para viver o jejum com a esmola, é criar um “Mealheiro Quaresmal” em que todas as renúncias monetárias de tabaco, álcool, café, guloseimas e outras, segundo a criatividade e disponibilidade de cada um, podem ser poupadas e reunidas ao longo dos 40 dias numa caixinha, e depois, serem entregas a alguém ou a uma instituição que precisa da nossa ajuda monetária.

Mas o jejum não sendo só aplicável à comida, mas também ao tempo de lazer, de divertimento, de televisão, de Internet; a esmola pode ser vivida então como doação do seu tempo a favor do outro. Pode ser uma conversa mais atenta e demorada com um vizinho que vive só, algumas horas de participação nas actividades na Paróquia ou de trabalho voluntário nalguma associação.

Vivendo assim o jejum, na discrição que o Evangelho impõe e com alguma imaginação pessoal, vivemos a esmola, a partilha com o próximo...claro, sem esquecer a esmola do nosso amor a Deus na oração.

quinta-feira, 1 de março de 2007

A esmola

“'A oração, diz Santo Agostinho, tem duas asas que a fazem voar direito para o céu: o jejum e a esmola.' O capitulo 58 do livro de Isaías revela-nos a insuficiência do jejum que não é acompanhado de boas obras, eis as palavras que o profeta põe na boca de Javé como resposta ao seu povo que lamenta não ser atendido na oração: ‘O jejum que eu aprecio é este: abrir as prisões injustas, desatar os nós do jugo, deixar ir livres os oprimidos…repartir o teu pão com o esfomeado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir o nu.’ E o Evangelho, confirmando estes conselhos, lembra que os verdadeiros filhos do Pai que está nos céus devem ultrapassar em virtude e em boas obras os publicanos e os pagãos, aspirando em serem perfeitos como o Pai o é, amando até os inimigos, retribuindo-lhes o bem pelo mal, orando pelos seus perseguidores (Mt 5).
‘Desejais, diz São Cirilo de Alexandria, apresentar a Jesus Cristo um verdadeiro jejum, um jejum puro? Olhai favoravelmente aqueles que lutam contra a pobreza.’ A esmola deve ser ela também, uma companheira fiel do jejum. Jejuai, orai, partilhai, e vivereis perfeitamente a vossa Quaresma.”


Sermão de um dominicano - 1929

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Redescobrir nesta Quaresma

Como aplicar os ensinamentos da Igreja sobre a Quaresma, e como a Quaresma pode influenciar realmente, e não somente exteriormente, a nossa existência?

Vivemos hoje numa sociedade mais urbana, até as aldeias vivem ao ritmo citadino, uma sociedade tecnológica, plural nas crenças religiosas e secular na sua visão do mundo.
A Quaresma já não é tão “visível”como noutros tempos.

No entanto, a Igreja convida-nos a encontrar outro ritmo, outro estilo de vida que se sintonizam com os objectivos deste tempo quaresmal…encontrar uma força espiritual na realidade quotidiana da nossa existência.

A Quaresma pode assim ser um momento privilegiado na procura do sentido, como vocação e apelo de Deus, da vida profissional, da relação com os outros, da amizade, da responsabilidade. Não existe nenhuma profissão, nenhuma vocação que não possa ser transformada, não em termos de maior eficácia ou melhor organização, mas em termos humanos.

Se a Quaresma pode ser para o homem uma redescoberta de ele próprio e da sua vida, ela deve ser ainda mais redescoberta da sua fé, do seu sentido divino e sagrado.
Será certamente neste contexto que se situa o verdadeiro sentido do jejum…muito debatido nos blogs e sites católicos neste início de Quaresma.

Eis algumas reflexões que surgiram das minhas leituras sobre o tema.
Abstendo-nos do alimento, redescobrimos a sua doçura e fineza que os excessos, a gula e a glutonaria destroem.
Reaprendemos a recebê-lo de Deus com alegria e gratidão, Ele que criou o alimento dos homens, “fruto da terra e do seu trabalho para que se tornem pão de vida.”
O alimento não é o único aspecto da vida do homem sujeito ao jejum. A música, o tempo frente à televisão, computador, Internet, os divertimentos, as conversações superficiais devem também ser reduzidos, redescobrindo assim o valor verdadeiro das relações humanas, do trabalho do homem e da sua arte.
E tudo isso é redescoberto porque redescobrimos o próprio Deus. Voltaremos, pela oração e na relação íntima de Pai e filho, para Ele, e n’Ele, a tudo o que Ele nos deu no seu amor.

Convido cada um, neste grande potencial do conhecimento que é a Internet, a procurar lindos textos sobre o valor e a riqueza do jejum e da ascese cristã como meditações quaresmais…ajudarão certamente todos os que têm sede de Deus a preparar ao longo destes 40 dias a grande festa da Páscoa.