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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Fé adulta

«A expressão "fé adulta", nas últimas décadas, tornou-se um slogan difundido. Ouvimo-lo com frequência no sentido da atitude de quem já não dá ouvidos à Igreja e aos seus Pastores, mas escolhe autonomamente aquilo em que quer acreditar ou não portanto, uma fé "ad hoc" (que mais lhe convém). E é apresentada como "coragem" de se expressar contra o Magistério da Igreja.
Na realidade, todavia, para isto não é necessária coragem, porque se pode ter sempre a certeza do aplauso público. Pelo contrário, é necessária coragem para aderir à fé da Igreja, não obstante ela contradiga o "esquema" do mundo contemporâneo. (…)
A fé adulta não se deixa transportar aqui e ali por qualquer corrente. Ela opõe-se aos ventos da moda. Sabe que estes ventos não constituem o sopro do Espírito Santo; sabe que o Espírito de Deus se expressa e se manifesta na comunhão com Jesus Cristo.(…)
O poder da fé, o poder de Deus é a verdade. A verdade sobre o mundo e sobre nós mesmos torna-se visível, quando olhamos para Deus.»


Bento XVI, 28/06/2009


Meu Deus,
creio firmemente tudo o que Vós revelastes
e a Santa Igreja Católica nos ensina,
porque não podeis enganar-Vos,
nem enganar-nos.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Atender ao único necessário, ao inteiramente simples

«Através dos dois grandes sinais de Lurdes e de Fátima, ela está connosco, como Mãe de Misericórdia e nos exorta. Não precisa de muitas palavras, pois tudo está dito, naquela sua palavra essencial toda impregnada de solicitude materna: "fazei tudo o que Ele vos disser".
Devemos notar também que Maria falou aos pequeninos, aos menores, aos sem voz, aos que não contam neste mundo iluminado, cheio de orgulho de saber e de fé no progresso, o qual é, ao mesmo tempo, um mundo cheio de destruições, cheio de medo e cheio de desespero: porque, de facto, eles já não têm vinho, mas só água.
Ó quanto isto tem aplicação hoje!
Maria fala aos pequeninos, para nos mostrar o que é preciso saber, isto é, atender ao único necessário, ao inteiramente simples, ao que para todos é igualmente importante e igualmente possível: crer em Jesus Cristo, o bendito fruto do seu ventre.
Nós lhe agradecemos esta sua presença maternal e por nos falar, como Mãe clementíssima e misericordiosa, aqui neste lugar, e dum modo tão vivo e tão expressivo. E é, por isso, que, com toda a Igreja, louvando a Mãe de Deus e nossa Mãe celeste, com as palavras da "Salve Rainha, Mãe de Misericórdia", lhe pedimos:
"e depois deste desterro nos mostrai Jesus,
ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria".
Amen.»


Cardeal Ratzinger (Bento XVI),
13/10/1996, Fátima

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Não é possível ser cristão sem desejar a unidade

Neste Oitavário de oração pela unidade dos cristãos, de 18 a 25 de Janeiro...

«Os cristãos nunca deveriam esquecer que a sua pertença ao único corpo de Cristo e a inabitação do Espírito Santo neles acontecem através do baptismo.
Existe uma verdadeira comunhão entre os cristãos, que seguramente não é perfeita nem plena – mas esta comunhão será perfeita e plena somente no Reino de Deus! – e esta comunhão vem pelo baptismo. (…)
Pelo baptismo, o cristão torna-se membro do corpo de Cristo, pertence à Igreja de Deus, “una, santa, católica e apostólica”, e é por meio da força do baptismo que ele assume a responsabilidade de reconhecer nos seus irmãos cristãos, os membros do mesmo e único corpo… “sacramentum fidei, sacramentum corporis Christi!”, “sacramento da fé, sacramento do Corpo de Cristo!” (…)


A comunhão dos cristãos entre eles e com Deus, durante a peregrinação da Igreja para o Reino, será sempre frágil, continuadamente posta à prova e muitas vezes contestada…porém a Igreja guarda e persegue a vontade de Deus, que pede sem cessar que se realize a comunhão visível do corpo de Cristo: que sejamos um, como o Pai e o Filho são um.
Estarão os cristãos conscientes desta necessidade radical de comunhão para dar forma à sua vida e á vida eclesial? De facto não é possível ser cristão sem desejar a unidade, ser cristão e não fazer tudo para que haja comunhão. Aquele que procede e vive para a comunhão com Cristo não pode ao mesmo tempo não proceder e viver para a reconciliação e comunhão com os seus irmãos, membros do seu próprio corpo. (…)
É na oração que apresentamos tudo o que somos, mas também o que ainda não somos, aquilo que devemos ser segundo a vontade do apelo do Senhor.
Por isso, a oração que devemos elevar com insistência ao Senhor é a de nos conceder de viver a Igreja como escreveu um Padre latino do século XII, Anselmo de Havelberg:
“Est unum corpus Ecclesiae, quod Spiritu sancto vivificatur, regitur et gubernatur… Unum corpus ecclesiae uno Spiritu sancto vivificatur, qui et unicus est in se, et multiplex in multifaria donorum suorum distributione.”
“Há um só corpo da Igreja, que o Espírito Santo vivifica, rege e governa… o corpo da Igreja que é uno, vive pelo Espírito Santo que é uno, único em si mesmo, e múltiplo na distribuição multiforme dos seus dons”.»


Enzo Bianchi, prior do Mosteiro ecuménico de Bose

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Provavelmente, Deus não existe.

“There’s probably no God.
Now stop worrying and enjoy your life.”


“Provavelmente, Deus não existe.
Agora, pare de se preocupar e aproveite a vida.”


Nestes primeiros dias de 2009, este é o slogan de uma campanha publicitária que apareceu nos autocarros de Londres, que também pode estender-se a várias cidades do Reino Unido, e chegar a algumas cidades espanholas como Madrid ou Barcelona.
Outra campanha, mas em terras transalpinas, em Génova, foi anunciada para o mês de Fevereiro, com o slogan: “A má notícia é que Deus não existe, a boa é que não precisamos d’Ele.”
A iniciativa inglesa é de um grupo de ateus que não aguenta mais ver nos flancos dos autocarros londrinos, campanhas de evangelização (sobretudo de confissões evangélicas), que, segundo eles, aterrorizam inutilmente as pessoas na perspectiva de uma vida após a morte e de um juízo divino.
Por isso, “com publicidade se faz, com publicidade se paga”.
Não há motivo para grande indignação, mas é sempre um pouco triste.
Afinal, para mim, e creio que para qualquer crente, a existência de Deus não é em nada um motivo de preocupação, de entrave para aproveitar a vida. Deve ser mesmo uma mania com cheiro a naftalina “acreditar” que os crentes acreditam por medo.
Mas se entrarmos no jogo da publicidade comparativa, não vejo como Deus pode estar ameaçado. Entre Deus e nada, o combate é desigual.
E que a vida é bela com Deus, não vale a pena convencer-me do contrário…as provas abundam.





Defende-me, ó Deus, porque em ti me refugio.
Digo ao SENHOR: "Tu és o meu Deus,
és o meu bem e nada existe acima de ti."
Bendirei o SENHOR porque Ele me aconselha;
até durante a noite a minha consciência me adverte.
Tenho sempre o SENHOR diante dos meus olhos;
com Ele a meu lado, jamais vacilarei.
Por isso, o meu coração se alegra
e a minha alma exulta
e o meu corpo repousará em segurança.
Pois Tu não me entregarás à morada dos mortos,
nem deixarás o teu fiel conhecer a sepultura.
Hás-de ensinar-me o caminho da vida,
saciar-me de alegria na tua presença,
e de delícias eternas, à tua direita.




Salmo 16(15), 1-2.7-11

Fotos: . Ariane Sherine, jornalista do "The guardian" e organizadora da campanha "There's probably no God."
. Os jovens em Sydney com a Cruz das JMJ, alegres na sua fé em Deus.



sábado, 5 de julho de 2008

Uma fé que irradia, comove, impressiona

Ingrid Bettancourt…há 6 anos que este nome começou a soar familiar aos nossos ouvidos, quando foi noticiado o rapto desta franco-colombiana por guerrilheiros das FARC, na Colômbia, em 2002.
Hoje, Ingrid está livre e o seu testemunho é esse: ao longo do seu cativeiro, foi a fé que a conduziu.
É essa mesma fé que a faz dizer aos jornalistas e ao mundo inteiro “graças a Deus” pela sua libertação.
Outro facto que marca…logo à descida do avião que a tinha arrancada das mãos dos seus algozes, Ingrid ajoelhou-se com a sua mãe ao lado e alguns reféns. Fizeram o sinal da cruz, recitaram 3 avé-marias e uma glória. Um padre estava lá, vestido de alva e de estola, e os abençoou.
“Quero primeiro dar graças a Deus e aos soldados da Colômbia” dizia ela, alguns minutos antes, agradecendo também a oração de todos aqueles que se lembraram dela ao longo dos anos, “é um milagre”. A fé foi sem dúvida o que permitiu à Ingrid sobreviver a 6 anos e 4 meses de cativeiro.


Numa carta tornada pública no último mês de Dezembro, ela confidenciava que a Bíblia era o seu “único luxo”; que “cada dia, comunico com Deus, Jesus, a Virgem (…). Aqui, tudo tem duas faces, a alegria vem, e depois a dor. A alegria é triste. O amor pacifica e abre novas feridas…é viver e morrer de novo.”
O seu testemunho continua assim: “Durante anos, pensava que enquanto estivesse viva, enquanto continuaria a respirar, deveria continuar a ter esperança. Já não tenho as mesmas forças, é-me difícil continuar a acreditar.” Mas desejava: “que Deus nos venha em auxílio, nos guie, nos dê paciência e nos preencha. Para sempre e até sempre.”
Na passada Quinta-feira 3 de Julho, ela também teve algumas palavras para com os seus antigos sequestradores: “Vi o comandante, que durante tantos anos foi responsável por nós, e que ao mesmo tempo foi tão cruel connosco. Vi-o no chão, os olhos vendados. Não penseis que estava contente, tive pena por ele, porque é necessário respeitar a vida dos outros, mesmo se eles são nossos inimigos.”
Ingrid falou no passado, e fala hoje de paz e não de vingança.
Esta mulher é habitada, inspirada por Alguém que a ultrapassa.
Na próxima semana ela irá até Roma ver o Santo Padre.
A fé de Ingrid irradia, comove, impressiona.
Louvado seja Deus.

sábado, 29 de março de 2008

Chagas e misericódia

“Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente.»


Jo 20, 27



“De todas as minhas Chagas,
como de fonte,
corre a misericórdia para as almas,
mas a Chaga do meu Coração é uma fonte de inesgotável misericórdia;
dessa fonte jorram grandes graças para as almas.
Queimam-se as chamas de compaixão,
desejo derramá-las nas almas dos homens.
Fala a todo o mundo da minha misericórdia.”

Revelações de Cristo a Santa Faustina



Site sobre a Mensagem da Divina Misericórdia

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Profundamente consolada

«Um dia, ao recitar o ‘Quicumque vult’*, foi-me revelado de maneira tão clara que existe um só Deus e três pessoas em Deus, que fiquei toda maravilhada e profundamente consolada. Resultou para mim num maior proveito para melhor conhecer a grandeza de Deus e as suas maravilhas. Assim, quando penso neste mistério ou quando ouço falar dele, parece-me entender como isso pode ser; e isto é para mim uma viva consolação.»


Santa Teresa de Ávila



Ainda inspirado do passado fim-de-semana mariano, onde o mistério do Deus-Trindade, revelado e contemplado em Fátima, foi celebrado com a dedicação da nova Igreja na Cova da Iria, é bom relembrar, neste dia da memória litúrgica de Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja e reformadora da Ordem do Carmelo, esta meditação sobre a sua experiência trinitária, mistério central da nossa fé, inefável para a nossa razão mas tão consolador para quem o experimenta.
É também uma boa maneira de falar da experiência do pastorinho Francisco que, segundo a sua prima Lúcia, “ficava absorvido por Deus, pela Santíssima Trindade, nessa luz imensa que nos penetrava no mais íntimo da alma. Ele dizia: Nós estávamos a arder, naquela luz que é Deus, e não nos queimávamos. Como é Deus!!! Não se pode dizer! Isto sim, que a gente nunca pode dizer! Mas que pena Ele estar tão triste! Se eu O pudesse consolar!...”, “Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!”
O nosso pequeno pastorinho não só é consolado pela luz divina como deseja consolar a Deus. O amor recebido suscita um amor retribuído. O Francisco revela-se assim o mais contemplativo entre as três crianças.
A oração ensinada pelo Anjo, a experiência de fé dos pastorinhos na luz transmitida por Nossa Senhora, ou a teofania à Irmã Lúcia a 13 de Junho de 1929, em Tuy (Espanha), faz da mensagem de Fátima, uma mensagem profundamente marcada pelo mistério do Deus Único, Pai, Filho, Espírito Santo. A nova igreja vem afirmar, e para muitos revelar, a importância da Trindade na mensagem revelada em 1917.
Segundo o 'Quicumque vult', “a Fé Católica é esta: que adoremos um Único Deus em Trindade e a Trindade em Unidade.”
Então, Adoremo-l’O! Adoremo-l’O! Adoremo-l’O!



*Quicumque vult, Credo de Santo Atanásio

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A fé sem obras está morta

«De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: «Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome», mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda: poderá alguém alegar sensatamente: «Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé. (…)
Assim como o corpo sem alma está morto, assim também a fé sem obras está morta.»


Tg 2, 14-17.26

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A fé é simples

Ontem, as leituras da Eucaristia convidavam os ouvintes a meditar sobre a fé.
Muitos têm fé, outros não.
Mas o que é a fé? O que é preciso para ter fé?
A fé pode ser definida simplesmente como o facto de acolher no seu coração e viver na verdade o que Deus revelou ao homem. Mas é antes de tudo uma confiança total para com alguém: Deus.
Muitos têm fé, mas nem todos da mesma forma. Existem diferentes graus de qualidade na fé, isto é, tudo depende da plenitude da revelação e o grau de adesão que a pessoa tem para com esta mesma fé.
Muitos não a têm porque ninguém lhes falou dela, outros porque dela lhes falaram mal, e alguns endureceram os seus corações quando dela se lhes falou.
A fé é um dom gratuito de Deus…ela é solicitada pelo homem; e como uma planta que precisa de ser tratada, a fé também tem que ser cuidada para crescer. A oração, a leitura da Palavra de Deus, os sacramentos desenvolvem a fé.
Como os apóstolos, devemos pedir constantemente ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!”
Que Maria, feliz porque acreditou no que lhe foi dito, interceda por nós.

" A fé é a garantia dos bens que esperamos, a prova das realidade que não vemos.”
Carta aos Hebreus 11.1

“A fé é o único meio pelo qual Deus se manifesta à alma naquela divina luz que ultrapassa todo o entendimento. Assim, mais a alma tem fé, mais ela está unida a Deus.”
São João da Cruz

“A fé é uma adesão do coração à verdade eterna, apesar de todas as demonstrações dos sentidos e da razão.”
J-B Bossuet

“A fé é o face a face nas trevas.”
Beata Isabel da Trindade

“A fé é a virtude sobrenatural pela qual a vida eterna já começou em nós .”
São Tomás de Aquino

“Ter verdadeiramente a fé, a fé que inspira todas as acções, esta fé no sobrenatural que despoja o mundo da sua máscara e mostra Deus em todas as coisas; que faz desaparecer as impossibilidades; que faz com que as palavras de inquietação, de perigo, de medo, não fazem mais sentido; que faz caminhar na vida com calma, paz, alegria profunda, como uma criança segurando a mão da mãe (…) esta fé que faz ver todas as coisas à luz de outro dia (…) que deixa despontar a grandeza de Deus e nos revela a nossa pequenez; que nos impele sem hesitação, sem vergonha, sem medo, sem nunca recuar, a tudo o que é agradável a Deus…ai, esta fé é rara!
Meu Deus, dai-me esta fé!
Meu Deus, eu creio mas aumentai a minha fé!
Meu Deus, fazei-me acreditar e amar, peço-Vos em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amen.”
Beato Carlos de Foucauld

“A fé é simples. Cremos em Deus, princípio e fim da vida humana. Cremos nesse Deus que entra em relação connosco, seres humanos, Ele que é nossa origem e nosso futuro. Assim, ao mesmo tempo, a fé é sempre esperança, é certeza que temos um futuro e que não cairemos no vazio. A fé é amor, porque o amor de Deus quer contagiar-nos. Eis a primeira coisa: cremos simplesmente em Deus, que abraça também a esperança e o amor.”
Bento XVI

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos.
Peço-Vos perdão, para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”
O Anjo aos pastorinhos de Fátima

sábado, 8 de setembro de 2007

Uma renúncia radical…uma preferência absoluta

Naquele tempo,
seguia Jesus uma grande multidão.
Jesus voltou-Se e disse-lhes:
«Se alguém vem ter comigo,
sem Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos,
aos irmãos, às irmãs e até à própria vida,
não pode ser meu discípulo.
Quem não toma a sua cruz para Me seguir,
não pode ser meu discípulo.
Quem de entre vós, que, desejando construir uma torre,
não se senta primeiro a calcular a despesa,
para ver se tem com que terminá-la?
Não suceda que, depois de assentar os alicerces,
se mostre incapaz de a concluir
e todos os que olharem comecem a fazer troça,
dizendo:‘Esse homem começou a edificar,
mas não foi capaz de concluir’.
E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei
e não se senta primeiro a considerar
se é capaz de se opor, com dez mil soldados,
àquele que vem contra com ele com vinte mil?
Aliás, enquanto o outro ainda está longe,
manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz.
Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens,
não pode ser meu discípulo».


Lc 14,25-33




Jesus não se impõe a ninguém. Cada um deve decidir se deseja segui-Lo ou não.
Mas que escolha? Ele pede uma renúncia radical…uma preferência absoluta!
Mais do que aos pais, à esposa, aos filhos, à família, até à própria vida, Jesus deve ser preferido.
Preferir Cristo é talvez a melhor maneira de amar verdadeiramente aqueles que nos são caros. Porque há amor e amor. Muitas vezes é a nós próprios que amamos no outro e então o próximo torna-se um meio para o nosso próprio culto.
Por isso não se trata de escolher entre Jesus e aqueles que amamos, mas de escolher entre um amor verdadeiro e um amor falso. E este amor verdadeiro é Deus porque Ele próprio é amor.
Só que este amor autêntico custa. É preciso renunciar, aceitar de perder, como Cristo, para aprender que Deus é amor.
Preferir Cristo é descobrir um caminho, inventá-lo, cada um à sua maneira e ao seu ritmo. É ser chamado a escolher…a nós de pensar e ver se somos capazes.
Mas este passo nem sempre é feito francamente porque temos medo de perder, de nos perder, porque não confiamos suficientemente em Deus.
Ora acreditar é confiar, fiar-se na Palavra de Deus, o próprio Jesus; é apostar tudo em Cristo. Este é o belo desafio da fé.


Senhor eu creio em Ti, amo-Te,
mas aumenta a minha fé e o meu amor!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

A noite de Madre Teresa

«Sinto que Deus não é Deus, que Ele não existe verdadeiramente.
É para mim horríveis trevas. É como se tudo estivesse morto em mim, pois tudo é frio.
É unicamente a fé cega que me encaminha, porque na verdade, tudo é obscuro em mim.
Às vezes, a agonia da desolação é tão grande e, ao mesmo tempo, a viva esperança do Ausente tão profundo, que a única oração que consigo ainda dizer é: ‘Sagrado Coração de Jesus, eu tenho confiança em Ti. Saciarei a tua sede de almas.’
Hoje, senti uma grande alegria, porque, como Jesus não pode mais viver directamente a agonia, Ele deseja vivê-la através de mim. Abandono-me n’Ele como nunca.»

Beata Madre Teresa de Calcutá



Madre Teresa viveu o que muitos outros místicos experimentaram antes dela: a noite espiritual, a noite escura, uma longa e penosa travessia do deserto na aridez e escuridão total, isto é, a alma já não encontra o gozo para nada, para os bens espirituais que outrora faziam sua delícia…é a ausência total da consolação espiritual, um sentimento de ausência de Deus, acompanhado de um desejo de amá-Lo sempre mais e mais.
Deus está presente mas não é sentido dentro de si.
São João da Cruz reconhece que, dolorosamente, a noite escura purifica a alma, leva a crescer no amor, prepara a união com Deus. A provação pode ser a prova da revelação do coração.
Não é um castigo, Deus não procura provar sadicamente, mas fortalecer a fé.
Viver a noite escura não significa não ter fé, como muitos pensam.
A fé não é sentir Deus, mas acreditar n’Ele e ser-Lhe obediente.
Ao sentir este vazio, Madre Teresa não perdeu a fé, mas guardou a fé apesar dos seus sentimentos, apesar das dúvidas, humanamente compreensível…quem nunca as teve?
A vida do cristão, como não poderia ser de outra forma, é feita de mistério pascal, decalcada na vida do seu Senhor.
«Assim unido a Cristo, o cristão resistirá, inabalável, na noite escura, subjectivamente vivido como um afastamento e abandono de Deus. Mas é talvez a Providência divina que faz dessa sua provação, um instrumento de libertação de um ser objectivamente prisioneiro. Digamos também nós: ‘Seja feita a tua vontade’, mesmo na mais profunda escuridão da noite.» (Santa Teresa Benedita da Cruz)
Na noite, o homem sabe que o dia, mesmo demorando em vir, chegará.
Com Cristo, as trevas convertem-se em luz... a aridez em fogo ardente.

«Do profundo abismo, eu clamo a Ti, Senhor!
Senhor, ouve a minha prece!»
Sl 130 (129)

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Sem ela, a nossa religião desabaria inteiramente

«Cada um de vós sabe que a Caridade é a base fundamental da nossa religião; sem ela, a nossa religião desabaria inteiramente, porque não seremos verdadeiramente católicos enquanto não realizarmos, isto é, enquanto não conformarmos toda a nossa vida com os dois Mandamentos em que está a essência da Fé Católica: amar a Deus com todas as nossas forças e amar o próximo como a nós mesmos… Com a Caridade, semeia-se nos homens a verdadeira paz que só a fé de Jesus Cristo nos pode dar, irmanando-nos uns com os outros. Sei que esta vida é escarpada, difícil e cheia de espinhos, enquanto a outra parece, à primeira vista, mais bela, mais fácil e mais agradável; mas, se pudéssemos sondar o íntimo daqueles que desgraçadamente andam pelos caminhos perversos do mundo, veríamos que neles nunca há a serenidade que provém de quem enfrentou mil dificuldades e renunciou a um prazer material para seguir a lei de Deus.»

Beato Pedro Jorge Frassati

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Pedro e Paulo...boas escolhas?

Humanamente falando, Jesus pode surpreender quando chama e reparte as tarefas… Será que Pedro, o pescador rezingão da Galileia, o renegado da hora da Paixão, foi a melhor escolha para governar a Igreja? O discípulo predilecto teria feito um óptimo candidato!
E Paulo, o mais temerário dos perseguidores…o pregador ideal?
Mistério da escolha de Deus e da sua liberdade! Sem esquecer os outros apóstolos, Jesus dá à Igreja, para a estabelecer solidamente, dois pilares tão diferentes e tão inseparáveis.
Pedro é o arrependido, aquele que, em nome dos outros, professa a fé revelada pelo Pai: “Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo!”
Paulo põe todas as suas forças ao serviço do seu amor a Cristo e ao próximo.
Acreditar e amar: dois verbos para dizer uma mesma missão da Igreja.
Pedro e Paulo, para sempre unidos no serviço à Igreja, ontem e hoje!
As primeiras comunidades cristãs reconheciam o papel particular de Pedro.
Acreditamos que o seu Sucessor na Cátedra de Roma tem a missão de também ele confirmar a fé, ligar e desligar.
Paulo, sempre rompeu as barreiras; semeou igrejas entre as nações. Nunca mais o seu alento parou.
Os cristãos podem discutir indefinidamente como o bispo de Roma deve exercer o seu ministério, mas não podemos deixar de ouvir as palavras de Jesus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja!”
E tantas vezes, Pedro se faz também, como Paulo, incansável peregrino do Evangelho…
Hoje é dia de festa! Após a Solenidade da Ressurreição, a primeira festa que a Igreja antiga estabeleceu no seu calendário foi a dos apóstolos Pedro e Paulo.
Celebrar o Chefe dos Doze e o Apóstolo das nações, é pedir a Cristo, Cabeça da Igreja, que o testemunho e os ensinamentos destes dois grandes santos continuem a viver em nós e nos alegrar.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

A síntese da religião

O Senhor nos diz: “A síntese da religião, é o meu Coração, olhar o meu Coração recorda o amor que Deus tem por vós e o amor que deveis dar a Deus. (…)
Ele deseja que eternamente O possuais, e que sejais transformados n’Ele, de uma certa maneira divinizados; é este amor por vós, infinito pelo bem infinito que Ele vos quer, que o meu Coração recorda.”


B. Carlos de Foucauld



“O culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus é na substância o culto do amor que Deus tem por nós em Jesus, e ao mesmo tempo, a prática do nosso amor para com Deus e os outros homens. Este culto propõe o amor de Deus para connosco como objecto de adoração, acção de graças e imitação; ele tem com finalidade conduzir-nos à perfeição e à plenitude do amor que nos une a Deus e aos outros homens, seguindo cada vez mais alegres o mandamento novo que o divino Mestre deixou aos apóstolos como herança sagrada, quando lhes disse: ‘Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei…’”


Pio XII, “Haurietis aquas in gáudio”

sábado, 2 de junho de 2007

Adoramos um Deus em Trindade e a Trindade em Unidade

A fé católica, pois, é esta:
Adoramos um Deus em Trindade e a Trindade em Unidade.
Sem confundirmos as Pessoas ou dividir a substância.
Porque uma é a Pessoa do Pai,
outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.
Mas o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm uma só divindade,
Glória igual e co-eterna Majestade.
O que o Pai é, tal é o Filho e tal o Espírito Santo.
O Pai é incriado, o Filho é incriado e o Espírito Santo é incriado.
O Pai é imenso, o Filho é imenso e o Espírito Santo é imenso.
O Pai é eterno, o Filho é eterno e o Espírito Santo é eterno.
No entanto não são três eternos, mas Um.
Bem como não há três imensos, nem três incriados,
mas Um Incriado e Um Imenso.
Semelhantemente o Pai é Omnipotente, o Filho Omnipotente
e o Espírito Santo Omnipotente.
E contudo não são três Omnipotentes, mas um Omnipotente.

Assim também o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus.
Do mesmo modo o Pai é Senhor, o Filho é Senhor e o Espírito Santo é Senhor.
E apesar disso, não são três Senhores, mas Um só Senhor.
Porque, como a verdade cristã nos obriga a confessar
que cada uma das Pessoas por si só é Deus e Senhor,
assim a religião católica proíbe-nos dizer
que há três Deuses ou três Senhores.
O Pai não foi feito por ninguém, nem foi criado, nem gerado.
O Filho é do Pai somente; não foi feito, nem foi criado, mas gerado.
O Espírito Santo é do Pai e do Filho;
não foi criado, nem gerado, mas, deles procede.
Há, pois, um só Pai, e não três Pais;
um só Filho, e não três Filhos;
um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.
E nesta Trindade não há primeiro nem último;
nem um é maior ou menor do que o outro;
mas as três pessoas são justamente
de uma mesma eternidade e igualdade.
De sorte que no todo como já se disse,
cumpre adorar a Unidade na Trindade
e a Trindade na Unidade.
Aquele, pois, que quiser salvar-se,
deve assim pensar e crer na Trindade.


Do Credo dito de “Atánasio”,
também chamado "Quicumque"
Século IX

segunda-feira, 9 de abril de 2007

A palavra da fé na ressurreição salva!


"A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração. Esta palavra é a palavra da fé que anunciamos. Porque, se confessares com a tua boca: «Jesus é o Senhor», e acreditares no teu coração que Deus o ressuscitou de entre os mortos, serás salvo. Pois com o coração se acredita para obter a justiça, e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação."



Rom 10, 8b-10

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Fé em debate na Antena 3

Um dia desta semana, estava eu a conduzir o carro e a ouvir na rádio, o programa da Antena 3, “Prova Oral”, que debatiam sobre religião…não sei exactamente o tema, mas falava-se de fé e de catolicismo. Além da pouca cultura religiosa dos locutores, e não é pejorativo quando escrevo isso, mas um constato, alias, eles afirmavam não frequentar as igrejas fora dos casamentos dos amigos, nem interessar-se por Deus, desde que deixaram de ser obrigados a ir à catequese, fiquei triste e chocado, com o testemunho dos cristãos, daqueles que ouvi, que ligaram para dar a opinião deles.
De facto, afirmavam-se crentes, católicos, mas, pareciam saber pouco mais daquilo que os apresentadores do programa conheciam sobre Cristo e a Igreja.
A fé e a coerência da vida que ela implica, a relação intima com Deus, a vida no seio da Igreja, que não é perfeita, isso sabemos todos, mas nem por isso deve ser considerada como uma fachada de bons costumes, eram menosprezadas a favor destas afirmações:
- “Acredito porque sou português e um bom português é católico.”
- “Tenho fé, sou livre, faço o que me apetece”, ora isso não é parecido com a liberdade que Deus nos deu, mas com libertinagem
- “Não faz mal pecar, até tenho orgulho disso, no fundo o que interessa é amar a Deus”. Ora como é que alguém pode dizer que ama a Deus se não quer ouvi-Lo, nem se empenhar em cumprir a sua Lei, e ter orgulho em transgredi-la.
- No Vaticano, tudo é revestido de ouro e é o estado mais rico do mundo.
- A Mãe de Jesus deixou de chamar-se Maria…agora é Fátima.
Enfim, estes são algumas das ideias que foram transmitidas pelos nossos cristãos no meio de tantos outros preconceitos ou faltas enormes de conhecimento e de adesão verdadeira à fé.
Muitos cristãos estagnam no descobrimento de Deus, contentam-se com os saberes que adquiriram na catequese, na família, na tradição religiosa do país…saberes da infância, para crianças, que necessitam de actualização para a idade adulta...e isso, não vai contra o caminho da infância de Santa Teresa do Menino Jesus, que consiste na confiança simples em Deus, à maneira dos mais pequeninos, mas numa fé clara e percebida.
Resta à Igreja, hierarquia e leigos, que querem à sério viver e proclamar o Evangelho como família de crentes, fomentar um cristianismo iluminado, consciente, sempre com aquelas dúvidas que humanamente são normalíssimas…quem consegue encaixar na cabecinha o grande mistério do Deus infinito, mas vivido “com as tripas”, porque mais do que nunca, num mundo que rotula, que conhece o outro através do preconceito e das falsas verdades estabelecidas, a Boa Nova de Jesus tem que ser anunciada pelas palavras e acções certas, que o Espírito Santo inspira aos corações abertos à sua acção.