As duas Igrejas na China
No passado fim-de-semana, Bento XVI enviou uma carta ao Governo da China a pedir o respeito de uma autêntica liberdade religiosa, rejeitando a ideia de uma Igreja submissa às autoridades chinesas e independente do Vaticano.
Neste documento, o Santo Padre apelou à hierarquia e aos fiéis das duas Igrejas católicas chinesas a uma maior aproximação, rumo à unidade.
Antes de o mundo conhecer o conteúdo da carta, Bento XVI encomendou a várias congregações religiosas, uma oração especial para o bom acolhimento das suas palavras pelas autoridades políticas e pelos fiéis católicos daquela região do mundo.
Façamos também nós uma união espiritual com o Santo Padre, através da nossa oração pessoal, para que a sua carta dê muitos frutos nas terras de Cantão.
A fé cristã foi introduzida pela primeira vez na China na dinastia dos Yaun, no século XIII, mas só começou a desenvolver-se em 1582 com o missionário jesuíta Matteo Ricci.
O Catolicismo é uma das cinco religiões autorizadas na China do século XXI, e é vigiada por uma “associação patriótica”.
A Associação Patriótica Católica da China (APCC) foi criada na controvérsia e no conflito, aquando da chegada ao poder do marxista Mao Tsé Tung, nos anos 50 do século XX.
A controvérsia resulta na “política da tripla autonomia”, que obriga as organizações religiosas chinesas a serem independentes nos planos administrativo, financeiro e de propagação da fé.
Esta política religiosa da China comunista criou a divisão entre a Igreja “oficial”, autorizada pelo Governo chinês e pela APCC, e a Igreja Católica, “clandestina”, fiel a Roma.
Apesar de não haver grandes divergências entre as duas maneiras de viver o catolicismo, só os fiéis da Igreja clandestina reconheçam a autoridade do Vaticano e recusam o controlo político da fé. Nalgumas áreas, as duas Igrejas estão muito divididas, noutras, colaboram abertamente. É também sabido, que alguns membros da Igreja “oficial” (APCC) fizeram secretamente a paz com Roma.
Neste clima de falsa liberdade religiosa, as autoridades chinesas continuem hoje a perseguir os fiéis católicos da Igreja clandestina. Ameaças, multas, prisões e às vezes o martírio (camuflado pelas autoridades), podem ser o resultado de uma fé fiel a Cristo e à sua Igreja, porque fiel ao Santo Padre.
A nossa oração pelos cristãos perseguidos, da China ou de outra parte do mundo, não pode cessar!
Na Exortação “Sacramento da Caridade”, Bento XVI recorda mais uma vez a coragem dos cristãos perseguidos e que a liberdade religiosa é um direito fundamental do homem em qualquer parte do mundo: