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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quem a possui, possui um tesouro

«Tão grande é o valor da cruz, que quem a possui, possui um tesouro. E chamo a justamente tesouro, porque é na verdade, de nome e de facto, o mais precioso de todos os bens. Nela está a plenitude da nossa salvação e por ela regressamos à dignidade original.Com efeito, sem a cruz, Cristo não teria sido crucificado. Sem a cruz, a Vida não teria sido cravada no madeiro. E se a Vida não tivesse sido crucificada, não teriam brotado do seu lado aquelas fontes de imortalidade, o sangue e a água, que purificam o mundo; não teria sido rasgada a sentença de condenação escrita pelo nosso pecado, não teríamos alcançado a liberdade, não poderíamos saborear o fruto da árvore da vida, não estaria aberto para nós o Paraíso. Sem a cruz, não teria sido vencida a morte, nem espoliado o inferno.Verdadeiramente grande e preciosa realidade é a santa cruz! (…)
A cruz é a glória de Cristo e a exaltação de Cristo. A cruz é o cálice precioso da paixão de Cristo, é a síntese de tudo quanto Ele sofreu por nós. (…)
E para saberes que a cruz é também a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando Eu for exaltado, então atrairei todos a Mim. Como vês, a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.»


Santo André de Creta, bispo



Crux ave benedicta
Per te mors est devicta,
In te pependit Deus,
Rex et Salvator meus.


Salve ó Cruz bendita!
Por ti a morte foi vencida,
Sobre ti foi suspenso o meu Deus,
O meu Rei e o meu Salvador.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Se tivéssemos os olhos dos Anjos

«Se tivéssemos os olhos dos Anjos, olhando Nosso Senhor presente aqui no altar que olha para nós, como O amaríamos! Não quereríamos mais deixá-l’O, mas antes permanecer a seus pés; seria um antegosto do Céu; tudo se tornaria insípido. Mas a fé nos falta. Somos cegos miseráveis com névoa diante dos olhos. Só a fé poderia dissipar esta névoa.»

«Nosso Senhor está aí como vítima. Uma oração muito agradável a Deus é pedir à Santíssima Virgem de oferecer ao Pai Eterno o seu divino Filho, ensanguentado e ferido pela conversão dos pecadores que somos. É a melhor oração que podemos fazer porque todas as orações são feitas em nome e pelos méritos infinitos de Jesus Cristo. Todas as vezes que alcancei uma graça, pedi-a desta forma, nunca foi declinada.»

«Quando comungardes, deveis ter sempre uma intenção, e na hora de receber o Corpo de Nosso Senhor, dizer:
“Ó meu bom Pai que estais nos céus,
ofereço-Vos agora o vosso Filho,
tal como foi retirado e descido da Cruz,
depositado nos braços da Santíssima Virgem,
e que ela Vos ofereceu em sacrifício por nós.
Ofereço-Vos o seu Santíssimo Corpo,
por intercessão de sua Santíssima Mãe,
pedindo-Vos a remissão dos meus pecados,
para fazer um boa comunhão,
e alcançar a graça… (da fé, da caridade, da humildade)”.»


S. João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ó Cruz ave, spes unica!

«A Semana Santa, que para nós cristãos é a semana mais importante do ano, nos oferece a oportunidade de mergulhar nos acontecimentos centrais da Redenção, de reviver o Mistério Pascal, o grande Mistério da fé. Com a Missa “in Coena Domini”, os ritos litúrgicos solenes nos ajudarão a meditar de forma intensa a paixão, morte e ressurreição do Senhor ao longo dos dias do Tríduo Pascal, centro de todo o ano litúrgico. (…)»

Na Quinta-feira Santa, «na Missa da tarde, chamada “in Coeni Domini”, a Igreja comemora a instituição da Eucaristia, o sacerdócio ministerial e o mandamento novo do amor, deixados por Jesus aos seus discípulos. (…)
A Quinta-feira Santa constitui um convite renovado a dar graças a Deus pelo dom supremo da Eucaristia, que deve ser acolhido com devoção e adorado com fé viva. Para isso, a Igreja recomenda que, após a celebração da Missa, se permaneça junto do Santíssimo Sacramento, lembrando a hora triste que Jesus passara na solidão e em oração no Gestémani, antes de ser preso e depois ser condenado à morte.

Chegamos assim à Sexta-feira Santa, dia da paixão e da crucifixão do Senhor.
Cada ano, permanecendo em silêncio diante de Jesus cravado no madeiro da cruz, sentimos o quanto as palavras que Ele disse na véspera, na Última Ceia, são cheias de amor. ‘Isto é o meu sangue, sangue da aliança, que vai ser derramado por muitos’ (Mc 14, 24). Jesus quis oferecer a sua vida em sacrifício pela remissão dos pecados e da humanidade. Assim, diante da paixão e morte de Jesus na cruz, como diante da Eucaristia, o mistério torna-se insondável para o entendimento. Encontramo-nos diante de algo que humanamente falando poderia parecer absurdo: um Deus que não somente se fez homem, com todas as necessidades do homem; que não somente sofre para salvar o homem, carregando sobre si toda a tragédia da humanidade, mas que também morre para o homem. (…)
Se a Sexta-feira Santa é um dia de tristeza, é ao mesmo tempo um dia propício para renovar a nossa fé, fortalecer a nossa esperança e a coragem de levar cada um a sua cruz com humildade, confiança e abandono em Deus, certos do seu auxílio e da sua vitória. A liturgia deste dia canta. ‘Ó Crux ave, spes única! Salve ó Cruz, única esperança!’



Esta esperança se alimenta no grande silêncio do Sábado Santo, na espera da Ressurreição de Jesus. Nesse dia, as igrejas são despojadas e nenhum rito particular é previsto. A Igreja vela em oração como Maria e com Maria, participando nos mesmos sentimentos de dor e de confiança em Deus. (…)
O recolhimento e o silêncio do Sábado Santo nos conduzirão à noite da Solene Vigília Pascal, “mãe de todas as vigílias”, em que se elevará em todas as igrejas e comunidades, o canto de alegria pela Ressurreição de Cristo. Mais uma vez, a vitória da luz sobre as trevas, da vida sobre a morte, será proclamada, e a Igreja se alegrará no encontro com o seu Senhor. Entraremos assim na Páscoa da Ressurreição.»



Bento XVI, Audiência geral em Roma,
08/04/2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Medo do diktat da mentalidade predominante

«Pilatos não é um monstro de malvadez. Sabe que este condenado é inocente; procura um modo de O libertar. Mas o seu coração está dividido. E, no fim, faz prevalecer sobre o direito a sua posição, a sua pessoa. Também os homens que gritam e pedem a morte de Jesus não são monstros de malvadez. (…)
Mas naquele momento sofrem a influência da multidão. Gritam porque os outros gritam e como gritam os outros. E, assim, a justiça é espezinhada pela cobardia, pela pusilanimidade, pelo medo do diktat da mentalidade predominante. A voz subtil da consciência é sufocada pelos gritos da multidão. A indecisão, o respeito humano dão força ao mal.

Senhor, fostes condenado à morte porque o medo do olhar alheio sufocou a voz da consciência. E, assim, acontece que, sempre ao longo de toda a história, inocentes sejam maltratados, condenados e mortos. Quantas vezes também nós preferimos o sucesso à verdade, a nossa reputação à justiça. Dai força, na nossa vida, à voz subtil da consciência, à vossa voz.»

Meditação do Cardeal Ratzinger (Bento XVI),
Via-Sacra 2005 em Roma.



Nesta Quaresma, propus-me fazer o exercício da Via-Sacra todos os domingos, e ontem, utilizei as meditações de 2005 do Cardeal Ratzinger para me ajudar na reflexão e na contemplação da caminhada dolorosa de Cristo até ao Calvário.
Recordo que os textos são os da última Via-Sacra presidida por João Paulo II, com aquela imagem bem marcante do Papa Wojtyla na sua capela privada, de costas para a câmara da televisão, segurando um crucifixo. Algumas semanas depois, o Cardeal alemão sucederá ao Papa polaco na cátedra de São Pedro.

Com uma distância de 4 anos, de estação em estação, admirei-me com a actualidade das meditações.
E logo na primeira estação, a de “Jesus condenado por Pilatos”, pensei logo no que vai acontecendo desde há uns meses atrás com a figura do Santo Padre e com a imagem da Igreja.
Portugal não fugiu à regra, certamente com menor intensidade, comparando com outros países europeus, onde alguns políticos, comentadores ou jornalistas procuraram sistematicamente deturpar as palavras de Bento XVI, queixando-se quase do Papa e da Igreja serem afinal “católicos”.
O levantamento da excomunhão dos 4 bispos tradicionalistas confundido com a readmissão dos mesmos no seio da Igreja; a desinformação total sobre o caso da menina de 9 anos que abortou no Brasil; a “história do preservativo” que a sociedade ocidental preferiu aos discursos contra a pobreza ou a corrupção em África; tudo isto serviu para condenar ou diabolizar o actual Papa, que antes de ser eleito não era o preferido da “classe mediática”.
Talvez o Santo Padre poderia ter evitado todas estas confusões, contentando-se em passear no “papamóvel” e fazendo discursos lamechas…mas teria ele cumprido a sua missão?
Contrariamente ao que se pensa muitas vezes, a diabolização de um homem ou de uma causa é raramente a consequência de trapalhadas ou confusões, mas é mais o preço a pagar pela clarividência ou a coragem. Aqueles que se calam ou se subjugam à época ou ao “diktat da mentalidade predominante” certamente não serão diabolizados. Os que fizerem frente é que sim!

Li isto algures e gostei…e neste Semana Santa ainda ganha mais sentido: “O discípulo não é maior que o Mestre (Jo 13, 16). A sua palavra, mesmo afirmada com humildade e amor, ou talvez por ser assim, será muitas vezes recebida com animosidade e violência. É necessário ser às vezes objecto de derisão, de ódio; é necessário não ser sempre entendido.”
É custoso...mas não podemos senão conformar a nossa vida à de Cristo.

Via-Sacra 2005 no site do Vaticano

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A Santa Face

A Basílica de São Pedro em Roma não possui somente a preciosidade que é o túmulo do Chefe dos Apóstolos, como, ao longo dos séculos, enriqueceu o seu tesouro com importantes relíquias, como um pedaço do madeiro da Cruz, trazido de Jerusalém pela imperatriz Santa Helena; um fragmento da lança do centurião que trespassou o lado de Cristo morto; ou o véu da mulher que, no caminho do Calvário, enxugou a Face ensanguentado de Jesus.
Este véu foi apelidado de “verónica”, contracção e latinização da palavra grega: “veron ikon”, isto é, “verdadeira imagem”.
Conta-se que o imperador Tibério tinha ouvido algumas coisas sobre Jesus, que para além da morte, ajuntava discípulos e operava milagres. O governante romano, doente e diante da incapacidade dos médicos em curá-lo, soube da existência de uma imagem milagrosa de Cristo, que pertencia a uma cristã. Mandou-a trazer até ele, ouviu o relato da Paixão de Jesus da boca da mulher, e recuperou a saúde contemplando a “veron ikon”, cujo nome acabou por ser dado à proprietária do véu, que tinha conseguido o milagre.
O véu milagroso permaneceu e ainda está em Roma, mas não está exposto à veneração dos fiéis desde há 50 anos.

A 6 de Janeiro de 1849, na Basílica Vaticana, na ostentação das Relíquias Maiores, a multidão pôde ver que na “verónica”, a imagem pouca nítida do véu tornou-se aos poucos o rosto vivo de Cristo, a Face do Homem das dores descrita pelo profeta Isaías.
Naquela época e naquele dia da Epifania do Senhor aos Magos, os peregrinos não tinham evidentemente máquinas fotográficas ou telemóveis com câmara, para captar esta teofania, esta manifestação de Deus. O único meio de guardar na memória tal acontecimento foi a gravura, e assim, reproduzida a imagem que apareceu no véu, estampas foram distribuídas pelos cónegos da Basílica de São Pedro com um selo de autenticidade.
No centro da França, o Sr. Leão Papin Dupont, conhecido como o “santo homem de Tours”, recebeu do Carmelo da sua cidade uma destas gravuras, e colocou-a na sua sala de estar, que logo se transformou num oratório. Graças físicas e espirituais, alcançadas diante da imagem da Santa Face de Jesus, multiplicaram-se rapidamente, confirmando as revelações que, anos antes, nesta cidade de Tours, uma carmelita, Irmã Maria de São Pedro recebeu do próprio Senhor.
A imagem da Santa Face é reproduzida aos milhares, e em 1885, a arquiconfraria da Santa Face é reconhecida pelo Papa Leão XIII.
A 26 de Abril de 1885, a Família Martin, a família da Santa Teresinha, é inscrita na confraria. Desde então, a estampa da Santa Face de Tours acompanhará a santa, colocada no seu breviário, na sua cela ou nos últimos dias de vida, na cortina da enfermaria.
A devoção à Santa Face era tão importante para Teresinha, que a 10 de Janeiro de 1889, aquando da sua tomada de hábito, ela assinou pela primeira vez um bilhete com o nome de : “Irmã Teresa do Menino Jesus e da Santa Face”.


Hoje, terça-feira de Carnaval, é também em muitas igrejas a festa da Santa Face de Jesus.
Por isso, em vez de camuflar a nossa face ou olhar para faces mascaradas, porque não nos voltar para aquela Face que nos salva? (cf salmo 8)


Ó Jesus Salvador,
vendo a vossa Santíssima Face desfigurada pela dor,
vendo o vosso Sagrado Coração cheio de amor,
clamo com Santo Agostinho:
«Senhor Jesus,
imprimi no meu coração as vossas Santas Chagas,
para que eu leia ao mesmo tempo a vossa dor e o vosso amor;
a vossa dor, a fim de sofrer por Vós qualquer dor;
o vosso amor, a fim de desprezar por Vós qualquer outro amor!»

Ó Face adorável de Jesus,
inclinada misericordiosamente na Árvore da Cruz,
no dia da Paixão,
para salvação do mundo,
hoje ainda, piedosamente,
inclinai-Vos sobre nós, pobres pecadoes;
voltai para nós um olhar compassivo
e recebei-nos no ósculo da paz.
Ámen.


Venerável Leão Papin Dupont


Foto: reprodução da Santa Face, venerada pelo Sr. Leão Papin Dupont e Santa Teresinha.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Àqueles que sofrem e a quantos lutam

«É preciso afirmar, com vigor, a absoluta e suprema dignidade de toda vida humana. Com o passar dos tempos, o ensinamento que a Igreja incessantemente proclama não muda: a vida humana é bela e deve ser vivida em plenitude, mesmo quando é frágil e envolvida no mistério do sofrimento. É a Jesus, crucificado, que devemos dirigir o nosso olhar: morrendo na Cruz, Ele quis compartilhar a dor de toda a humanidade. Em seu ‘sofrer por amor’, percebemos uma suprema co-participação aos sofrimentos dos pequenos doentes e de seus pais. (…)
'Na Cruz está o “Redentor do homem”, o Homem das dores, que assumiu sobre si os sofrimentos físicos e morais dos homens de todos os tempos, para que estes possam encontrar no amor o sentido salvífico dos próprios sofrimentos e respostas válidas para todas as suas interrogações'.»


Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Doente 11/02/2009



«Acontece infelizmente – bem o sabemos – que o sofrimento prolongado quebre os equilíbrios melhor consolidados duma vida, abale as mais firmes certezas da confiança e chegue por vezes até a fazer desesperar do sentido e valor da vida. Há combates que o homem não pode sustentar sozinho, sem a ajuda da graça divina.(…)
Mais do que qualquer outrem, Eles (Jesus e Maria) são capazes de nos compreender e perceber a dureza do combate que travamos contra o mal e o sofrimento. (…)
Queria, humildemente, dizer àqueles que sofrem e a quantos lutam e se sentem tentados a virar as costas à vida: Voltai-vos para Maria! No sorriso da Virgem, encontra-se misteriosamente escondida a força para continuar o combate contra a doença e a favor da vida. Junto d’Ela, encontra-se igualmente a graça para aceitar, sem medo nem mágoa, a despedida deste mundo na hora querida por Deus.»

Bento XVI, Missa com os doentes, Lourdes 15/09/2008



Ler a Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Doente

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Pelas suas Chagas fomos curados

Ele foi trespassado por causa das nossas culpas
e esmagado por causa das nossas iniquidades.
Caiu sobre ele o castigo que nos salva:
pelas suas chagas fomos curados.


Is 53, 5

Trespassaram as minhas mãos e os os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.


Salmo 21 (22), 18b

Hão de olhar para Aquele que trespassaram.


Zac 12, 10


Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-n’O.

Lc 23, 33

Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto,
não Lhe quebraram as pernas,
mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança,
e logo saiu sangue e água.

Jo 19, 33-34

«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,
não acreditarei».
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete-a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».

Jo 20, 25.27

Suportou os nossos pecados no seu Corpo sobre a cruz,
a fim de que, mortos para os nossos pecados,
vivamos para a justiça.
«Pelas suas Chagas fomos curados».

1 Pe 2, 24

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sejam amadas porque são fontes de graça

«O culto das Cinco Chagas do Senhor, isto é, as feridas que Cristo recebeu na cruz e manifestou aos Apóstolos depois da ressurreição, foi sempre uma devoção muito viva entre os portugueses, desde os começos da nacionalidade. São disso testemunho a literatura religiosa e a onomástica referente a pessoas e instituições. Os Lusíadas sintetizam (I, 7) o simbolismo que tradicionalmente relaciona as armas da bandeira de Portugal com as Chagas de Cristo. Assim, os Romanos Pontífices, a partir de Bento XIV, concederam para Portugal uma festa particular, que ultimamente veio a ser fixada no dia 7 de Fevereiro.»


Secretariado Nacional de Liturgia


Terço das Santas Chagas
ou Coroa da Misericórdia


Com um terço normal

ORAÇÕES INICIAS:
- Ó Jesus, Divino Redentor, tende misericórdia de nós e de todo o mundo. Ámen.
- Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e de todo o mundo. Ámen.
- Graça e misericórdia, ó meu Jesus, nos perigos presentes. Cobri-nos do vosso Preciosíssimo Sangue. Ámen.
- Eterno Pai, tende misericórdia de nós pelo Sangue de Jesus Cristo, vosso único Filho. Tende misericórdia de nós, nós Vos pedimos. Ámen. Ámen. Ámen.

NAS CONTAS GRANDES DO TERÇO (em lugar do Pai-Nosso):
Eterno Pai, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas das nossas almas.*


NAS CONTAS PEQUENAS DO TERÇO (em lugar da Ave-Maria):
Ó meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos das vossas santas Chagas.*


NO FIM DO TERÇO (repetir 3 vezes):
Eterno Pai, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas das nossas almas.*


As invocações “Eterno Pai, eu Vos ofereço…” e “Ó meu Jesus, perdão e misericórdia…” foram reveladas à Irmã Visitandina Maria Marta Chambon (1841-1907) pelo próprio Jesus.
Desde 1868, o Convento da Visitação de Chambéry (França), onde vivia a Irmã Maria Marta, utilizou as jaculatórias ensinadas pelo Senhor, para rezar um "Terço das Santas Chagas".
As religiosas tomaram o costume de começar este Terço com umas orações inspiradas a um sacerdote de Roma.
A iniciativa deste Terço, agradável ao Senhor, começou assim a ser praticada e divulgada.
Encarregada por Cristo em reavivar a devoção às suas Chagas, a humilde Irmã Chambon recebeu d’Ele as seguintes revelações:
“Concederei tudo o que me pedirem, invocando as minhas Santas Chagas. É necessário difundir esta devoção.”
“Na verdade, esta oração não é da terra mas do Céu…e pode alcançar tudo.”
“As minhas Santas Chagas sustêm o mundo…que elas sejam amadas constantemente porque elas são fontes de graça. É necessário invocá-las muitas vezes, imprimir nas almas esta devoção.” “Quando sofreis, levai prontamente as vossas penas às minhas Chagas, e sereis aliviados.”
“Repeti muitas vezes junto dos doentes esta jaculatória: ‘Ó meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos das vossas santas Chagas’. Esta oração confortará o corpo e a alma.”
“O pecador que dirá: ‘Eterno Pai, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas das nossas almas’, alcançará a conversão.”
“As minhas Chagas serão o abrigo das vossas chagas.”
“Não conhecerá a morte a alma que expirará nas minhas Chagas…elas dão a verdadeira vida.”
“A cada palavra da Coroa da Misericórdia (Terço das Santas Chagas), deixo cair uma gota de meu Sangue na alma de um pecador.”
“A alma que honrou as minhas Santas Chagas, oferecendo-as ao Pai Eterno pelas almas do purgatório, será acompanhada pela Santíssima Virgem e pelos Anjos na hora da morte, e, na minha glória a receberei para coroá-la.”
“As Santas Chagas são o Tesouro dos tesouros pelas almas do purgatório.”
“A devoção às minhas Chagas é o remédio nestes tempos de iniquidade.”
“Das minhas Chagas brotam frutos de santidade. Meditando nelas, encontrareis sempre um novo alimento de amor.”
“Minha filha, se mergulhares as tuas obras nas minhas Santas Chagas, terão valor; qualquer acto recoberto de meu Sangue satisfará o meu Coração.”
“É necessário oferecer as minhas Santas Chagas ao meu Eterno Pai; por elas, e por meio de minha Mãe Imaculada, virá o triunfo da Igreja.”


A Congregação para a Doutrina da Fé, por um decreto de 23 de Março de 1999, concedeu às Religiosas da Ordem da Visitação, assim como às pessoas que desejam rezar em união com elas, a faculdade oficial de venerar a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo com as invocações que foram reveladas à Serva de Deus, Irmã Maria Marta Chambon, religiosa da Visitação, que faleceu com fama de santidade a 21 de Março de 1907, no Mosteiro de Chambéry, França.


* Indulgência de 300 dias por cada vez, concedida por SS. Pio XI – 16/01/1924

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Misericórdia e justiça

«A misericórdia do Senhor é por isso a substância dos meus méritos.
Sempre os terei enquanto Ele se dignará ter compaixão de mim.
Serão abundantes se as misericórdias são abundantes.
É verdade, sinto a culpa de muitos pecados, mas a graça superabundou onde o pecado abundou (Rom 5, 20).
Se as misericórdias do Senhor são eternas para mim, cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.
Celebrarei assim a minha própria justiça?
Não, lembrar-me-ei somente da vossa justiça, Senhor.
Pois a vossa justiça é também a minha, porque tornates-Vos a minha própria justiça.
Terei eu de temer que uma única justiça não seja suficiente para dois?
Ela não é o manto de que o profeta fala, demasiado curto para que dois possam cobrir-se.
A vossa justiça é a justiça eterna.
Que mais extenso existe do que a eternidade?
A vossa justiça que é eterna é tão imensa que ela nos cobrirá largamente aos dois.
Em mim cobrirá os meus muitos pecados, mas cobrirá ela os vossos tesouros, a vossa clemência, as riquezas da vossa bondade, ó Senhor?
Estas riquezas me estão guardadas nas fendas dos rochedos (Cant 2,14).
Grande e imensa é a doçura que elas encerram!
Na verdade elas estão escondidas, mas é àqueles que perecem, pois, porque dar o que é santo aos cães, ou demonstrar-lhes algo de que eles não conhecem o preço?
Mas Deus revelou-as a nós pelo seu Espírito Santo.
Ele fez entrar-nos no seu santuário pelas portas das suas Chagas.
Nelas encontramos a fonte da doçura, imensas graças, e virtudes abundantes.»


São Bernardo,
Sermão sobre o Cântico do Cânticos, 61,5




«Pai Eterno,
eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo,
para curar as chagas das nossas almas.»

Oração revelada à serva de Deus Maria Marta Chambon

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Símbolo precioso da nossa fé

«Caros jovens, confio-vos um tesouro, o mistério da Cruz. (…)
Muitos de vós trazem ao pescoço um fio com uma cruz. Eu também trago uma, como aliás todos os bispos. Não é um adorno, uma jóia. É o símbolo precioso da nossa fé, o sinal visível e material da adesão a Cristo. (…)
Para os cristãos, a Cruz simboliza a sabedoria de Deus e o seu amor infinito revelado no dom salvífico de Cristo, morto e ressuscitado para a vida do mundo, para a vida de cada um e cada uma de vós em particular.
Que esta descoberta arrebatadora possa convidar-vos a respeitar e a venerar a Cruz! Ela é, não só o sinal da vossa vida em Deus e da vossa salvação, mas ela é também – isso o entendeis – a testemunha silenciosa do sofrimento dos homens e, ao mesmo tempo, a expressão única e preciosa de todas as suas esperanças. Caros jovens, sei que venerar a Cruz também suscita por vezes o escárnio e até a perseguição. A Cruz compromete de certa forma a segurança humana, mas ela consolida, também e sobretudo, a graça de Deus e confirma a nossa salvação. Nesta noite, a vós confio a Cruz de Cristo.
O Espírito Santo vos ajudará a entender os mistérios de amor e proclamareis então como São Paulo: “ Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gal 6,14). Paulo tinha percebido a palavra de Jesus – aparentemente paradoxal – segundo a qual, só dando (negando) a própria vida, podemos encontrá-la (cf Mc 8,35; Jo 12,24) e daí concluiu que a Cruz exprime a lei fundamental do amor e a expressão perfeita da verdadeira vida. Que a meditação do mistério da Cruz revele a alguns de vós o apelo a servir totalmente a Cristo na vida sacerdotal ou religiosa!»


Bento XVI aos jovens de Paris e de França,
12/09/2008

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Estava a Mãe dolorosa

Estava a Mãe dolorosa,
Junto da cruz lacrimosa,
Enquanto Jesus sofria.

Uma longa e fria espada,
Nessa hora atribulada,
O seu coração feria.


Do hino litúrgico do “Stabat Mater Dolorosa”




Hoje, ao rezar as Laudes da memória litúrgica de Nossa Senhora das Dores, a antífona do 2º salmo interpelou-me: “Alegrai-vos, na medida em que participais nos sofrimentos de Cristo” (1 Pe 4, 13)… alegria, sofrimento em união… estranho, não? Vou pensar um pouco mais neste versículo...

domingo, 14 de setembro de 2008

Fá-lo bem feito

«Se fazes o sinal da Cruz, fá-lo bem feito.
Não seja um gesto acanhado e feito à pressa, cujo significado ninguém sabe interpretar. Mas uma autêntica cruz, lenta e ampla, da testa ao peito, dum ombro ao outro.
Sentes como ela te envolve todo?
Recolhe-te bem. Concentra neste sinal todos os teus pensamentos e todos os teus afectos, à medida que o vais traçando da testa ao peito e dum ombro ao outro. Senti-lo-ás então a penetrar-te todo, corpo e alma. A apoderar-se de ti, a consagrar-te, a santificar-te. Porquê?
É o sinal do Todo, o sinal da Redenção. Nosso Senhor remiu todos os homens na cruz. Pela cruz santifica o homem todo até à última fibra do seu ser.
Por isso o fazemos antes da oração para que nos componha, recolha e fixe em Deus o nosso pensamento, coração e vontade. Depois da oração, para que nos fortaleça; no perigo, para que nos proteja. Ao benzermo-nos, para que a plenitude da vida divina penetre na alma e fecunde e consagre quanto nela há.
Pensa nisto sempre que fazes o sinal da cruz. É o sinal mais santo que existe. Fá-lo bem: devagar, rasgado, com atenção. Envolver-te-á assim todo o ser, corpo e alma, pensamentos e vontade, sentidos, potências e acções e tudo nele ficará fortalecido, assinalado pela virtude de Cristo, em nome de Deus uno e trino.»

Romano Guardini, Sinais Sagrados



Pelo sinal da santa cruz,
livra-nos Deus, nosso Senhor,
dos nossos inimigos;
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
Amen!


domingo, 20 de julho de 2008

Oblação e inspiração

«Crucificado, sepultado e ressuscitado dentre os mortos, restituído à vida no Espírito e sentado à direita do Pai, Cristo tornou-se nosso Sumo Sacerdote, que intercede eternamente por nós. Na liturgia da Igreja, e sobretudo no sacrifício da Missa consumado sobre os altares de todo o mundo, Ele convida-nos a nós, membros do seu Corpo místico, a partilhar a sua auto-oblação. Chama-nos, enquanto povo sacerdotal da nova e eterna Aliança, a oferecer, em união com Ele, os nossos sacrifícios de cada dia pela salvação do mundo.»


Bento XVI ao clero australiano, 19/07/2008



«Invoquemos o Espírito Santo: é Ele o artífice das obras de Deus. Deixai que os seus dons vos plasmem. Assim como a Igreja realiza a sua viagem juntamente com a humanidade inteira, assim também vós sois chamados a exercitar os dons do Espírito nos altos e baixos da vida diária. Fazei com que a vossa fé amadureça através dos vossos estudos, trabalho, desporto, música, arte. Procurai que seja sustentada por meio da oração e alimentada através dos sacramentos, para deste modo se tornar fonte de inspiração e de ajuda para quantos vivem ao vosso redor. No fim de contas, a vida não é simplesmente acumular, e é muito mais do que ter sucesso. Estar verdadeiramente vivos é ser transformados a partir de dentro, permanecer abertos à força do amor de Deus. Acolhendo a força do Espírito Santo, podereis também vós transformar as vossas famílias, as comunidades, as nações. Libertai estes dons. Fazei com que a sabedoria, o entendimento, a fortaleza, a ciência e a piedade sejam os sinais da vossa grandeza.
E agora, enquanto nos preparamos para a adoração do Santíssimo Sacramento, em espera silenciosa repito-vos as palavras pronunciadas pela Beata Mary MacKillop quando tinha precisamente vinte e seis anos: ‘Acredita naquilo que Deus sussurra ao teu coração!’ Acreditai n’Ele! Acreditai na força do Espírito do amor!»

Bento XVI, Vigília com os jovens, 20/07/2008

terça-feira, 1 de julho de 2008

Sangue de Cristo, inebriai-me!

«Ao aproximar-se a festa* e o mês** dedicados ao culto do Sangue de Cristo, preço do nosso resgate, penhor de salvação e de vida eterna, façam-na os fiéis objecto de meditações mais devotas e de comunhões sacramentais mais frequentes. Iluminados pelos salutares ensinamentos que vêm dos Livros Sagrados e da doutrina dos padres e doutores da Igreja, reflictam no valor superabundante, infinito desse Sangue verdadeiramente preciosíssimo, do qual uma só gota pode salvar o mundo todo de toda culpa” (…)
Portanto, se infinito é o valor do Sangue do Homem-Deus, e se infinita foi a caridade que o impeliu a derramá-lo desde o oitavo dia do seu nascimento, e depois, em superabundância, na agonia do horto (cf. Lc 22,43), na flagelação e na coroação de espinhos, na subida ao Calvário e na crucifixão, e, enfim, da ampla ferida do seu lado, como símbolo desse mesmo Sangue divino que corre em todos os sacramentos da Igreja, não só é conveniente, mas é também sumamente justo que a ele sejam tributadas homenagens de adoração e de amorosa gratidão por parte de todos os que foram regenerados nas suas ondas salutares.»

João XXIII,
Carta Apostólica “Inde a primis”,
Culto ao Preciosíssimo Sangue de Cristo



Sangue de Cristo, inebriai-me!

Ó sangue e água que brotastes do Coração de Jesus
como fonte de misericórdia para nós,
eu confio em Vós.




Ler a Carta Apostólica de João XXIII na íntegra

* Antes da Reforma litúrgica, a festa do Sangue de Cristo era a 1 de Julho.
** O Mês de Julho é considerado Mês do Preciosíssimo Sangue

terça-feira, 24 de junho de 2008

Era um grande homem

«A Igreja não celebra o nascimento de nenhum profeta, de nenhum patriarca, de nenhum apóstolo: ela celebra só dois nascimentos*, o de João e o de Cristo. O próprio tempo em que cada um nasceu é um grande mistério. João era um grande homem, mas era todavia um homem. Era um tão grande homem que só Deus lhe estava acima. ‘Aquele que vem depois de mim é maior do que eu’. É o próprio João que disse: ‘’Aquele que vem depois de mim é maior do que eu’.
Se Ele é maior do que tu, como O ouvimos dizer, Ele que é maior do que tu: ‘Entre os nascidos de mulher, não há maior do que João Baptista?’ Se entre os homens não há maior do que tu, quem é Aquele que dizes ser maior?
Queres saber quem Ele é? ‘No princípio existia o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus.’
Mas este Deus, este Verbo de Deus pelo qual tudo foi feito, que nasceu antes da origem dos tempos e por quem foram feitos os mesmos tempos, como é que no tempo Ele tem um dia de nascimento? Sim, como este Verbo que criou os tempos tem no tempo um natal?
Queres saber como? Ouve o Evangelho: ‘O Verbo encarnou, e habitou entre nós’. O nascimento de Cristo não é então o nascimento do Verbo, mas o da sua humanidade. (…)


João nasceu, Cristo também nasceu; João foi anunciado por um anjo, Cristo também foi anunciado por um anjo. Grande milagre dos dois lados! Foi uma mulher estéril que com o contributo de um velho marido deu à luz ao servo, ao precursor; foi uma Virgem que sem o contributo de homem se tornou mãe do Senhor, do mestre. João é um grande homem, mas Cristo é mais do que homem, porque Ele é o Homem Deus. João é um grande homem, mas para exaltar a Deus, este homem se humilhou. ‘Eu não sou digno de Lhe desatar a correia das sandálias’. (…)
Era necessário que o homem, e por isso o próprio João se humilhasse diante de Cristo; era também necessário que Cristo, Homem Deus, fosse exaltado: eis o que recorda o nascimento e as mortes de Jesus e de João. É hoje que nasceu João: a partir de hoje os dias diminuem. É no dia de Natal que nasceu Cristo: é a partir deste dia que os dias crescem.
Na morte, João foi degolado, Jesus foi elevado na cruz.»

S. Agostinho




Senhor, celebramos hoje a glória do Precursor,
São João Baptista,
proclamado o maior entre os filhos dos homens,
anunciamos as vossas maravilhas:
antes de nascer, ele exultou de alegria,
sentindo a presença do Salvador;
quando veio ao mundo,
muitos se alegraram pelo seu nascimento;
foi ele, entre todos os Profetas,
que mostrou o Cordeiro que tira o pecado do mundo;
nas águas do Jordão, ele baptizou o autor do Baptismo
e desde então a água viva tem poder de santificar os crentes;
por fim deu o mais belo testemunho de Cristo,
derramando por Ele o seu sangue.

Prefácio da Missa do Nascimento de S. João Baptista




* Só mais tarde, no século VII, aparecerá no calendário litúrgico da Igreja de Roma, a festa da Natividade da Virgem Maria.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Vinde, adoremos a Cruz

«Antes, a cruz significava desprezo, mas hoje ela é algo de venerável;
antes, ela era símbolo de condenação, hoje, ela é esperança de salvação.
Ela converteu-se na verdade numa fonte de bens infinitos;
pois ela nos livrou do erro,
ela dispersou as trevas,
ela nos reconciliou com Deus;
de inimigos de Deus ela fez de nós sua família,
de estrangeiros, ela fez de nós vizinhos.
Esta cruz é a destruição da inimizade,
a fonte da paz,
o escrínio do nosso tesouro.»


S. João Crisóstomo



Vinde fiéis!
Adoremos o Madeiro que dá a vida,
no qual, Cristo, o Rei da glória,
estendeu voluntariamente seus braços,
restaurando em nós a felicidade primitiva;
nós que, dominados pelo mal e pelas paixões
estávamos afastados de Deus.
Vinde, adoremos a Cruz,
que nos dá a vitória sobre o mal.
Vinde, povos da terra,
honremos com hinos a Cruz do Senhor, cantando:
"Salve ó Cruz, libertação de Adão decaído,
porque em ti, toda a Igreja se alegra!


Liturgia Bizantina

terça-feira, 18 de março de 2008

"Jesus abandonado" por Chiara Lubich

«É sempre uma grande descoberta ver que se pode dar o nome de Jesus abandonado a qualquer provação na vida.
Tememos? Jesus na cruz, no seu abandono, não pareceu também temer o esquecimento do Pai?
Deparamo-nos com o desânimo, o abatimento. No seu abandono, Jesus parece Ele também ser invadido pela sensação de Lhe faltar o conforto do Pai e parece perder a coragem para ir até ao fim da sua terrível provação.
Mas Ele diz: ‘Pai, em tuas mãos, entrego o meu espírito’ (Lc 23,46).
Os acontecimentos nos desconcertam? Jesus na sua grande dor pareceu não entender o que Lhe acontecia, pois Ele gritou: ‘Porquê?’ (Mt 27,46; Mc 15,34).
Somos criticados? No seu abandono, o Pai não pareceu aprovar a obra do Filho.
Somos acusados? Jesus na cruz talvez pensou receber uma queixa, uma acusação vinda do céu.
Ao ver suceder-se algumas provações na vida, não nos acontece dizer: isto é demais, está a passar do limites? O cálice amargo que Jesus bebeu no seu abandono não estava cheio, mas transbordava.
A sua provação ultrapassou qualquer medida.
Quando o desespero nos agarra, feridos por um azar imprevisto, uma doença, uma situação absurda, podemos sempre recordar o sofrimento de Jesus abandonado que personificou todas as provações.
Ele está presente em todas as dores. Todo o sofrimento tem o seu nome. (…)
Escolhemos amar Jesus abandonado. Para conseguir, habituamos a chamar pelo seu nome nas provações da vida.
Damos-Lhe assim o nome de Jesus abandonado-solidão, Jesus abandonado-dúvida, Jesus abandonado-ferido, Jesus abandonado-provação, Jesus abandonado-desamparado, e outros mais.
Chamando pelo seu nome, descobrimo-l’O atrás de cada dor e Ele nos responderá com um amor engrandecido; se o abraçamos, Ele será para nós paz, conforto, coragem, equilíbrio, saúde, vitória.
Ele será a explicação e a solução de tudo.»



Nos passos do Ressuscitado,
Chiara Lubich (1920-14 de Março de 2008),
fundadora do Movimento dos Focolares

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Como uma peregrinação virtual

Já vamos a meio da Quaresma, e se este tempo é um apelo para ir ao deserto, ele é também um convite à caminhada, acompanhando Jesus na sua subida para Jerusalém onde Ele sofrerá a sua Paixão.
Chegada esta altura do ano, facilmente anseio pela Terra Santa.
Aliás, a Quaresma é para mim como uma renovação anual de um desejo e de uma esperança: pisar um dia a terra onde Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou…passar por onde o Senhor passou.
Desde os primeiros séculos, os cristãos peregrinam para a Palestina e de modo particular para Jerusalém. O que viam e viviam lá os estimulava a perpetuar a experiência do país de Jesus nas suas cidades e aldeias natais…não deve ser fácil esquecer aquela terra.
Por isso surgiram por toda a Europa, na Idade Média, pela mão dos Franciscanos, guardiães dos lugares santos, pequenas reproduções da Paixão de Cristo: a Via-Sacra. Os cristãos começaram assim a percorrer nas terras onde viviam, o caminho doloroso de Jesus, como outrora os peregrinos o percorriam nas ruas de Jerusalém, do palácio de Pilatos ao Santo Sepulcro, meditando os sofrimentos de Cristo.
Como uma peregrinação virtual, o exercício da Via-Sacra é uma caminhada, que podemos seguir fisicamente numa igreja, parando diante de 14 estações, ou até sem nos mover (o importante é caminhar e parar espiritualmente em cada estação), meditando os vários episódios da Paixão de Jesus.
Esta caminhada de comunhão aos sofrimentos de Cristo e de compaixão torna-se também caminho de conversão. Seguindo Jesus no caminho da cruz, percebemos o quanto Ele nos amou e como devemos imitá-l’O nesse amor, para assim ter parte na sua Ressurreição.


"Quem quiser seguir-me,
negue-se a si mesmo,
toma a sua cruz e siga-me".
(Mt 16,24)

“Se morremos com Cristo,
também com Ele viveremos;
se sofremos com Cristo,
também com Ele reinaremos”.
(2 Tm 2, 11-12)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Já começaram a revestir-se de roxo

Estamos em plena Quaresma, e algumas cidades e aldeias daqui do Minho, já começaram a revestir-se de roxo e de símbolos alusivos à Paixão de Cristo, afim de preparar a Semana Santa, conclusão do tempo quaresmal, na qual a Igreja se prepara para a Páscoa, meditando os últimos dias da vida do seu Senhor.
Se a Quaresma é essencialmente um tempo de renovação interior, que transforma o exterior sem grande ruído, mas tudo com discrição, ela torna-se aqui no norte do país, uma manifestação bem visível e pública da fé de um povo num Deus que aceitou morrer para redimir os pecados de todos os homens.
Assim, muitos cristãos do Minho se preparam para a Páscoa, “coração e centro do ano litúrgico e da nossa existência”, através dos sacramentos, de uma oração mais intensa, de um jejum que abre a Deus, ao essencial da vida e à partilha com o próximo, mas também, com vias-sacras, procissões e sermões públicos, ao modo e segundo os costumes de cada comunidade.
Admito que, às vezes, o estilo barroco de muitas igrejas de Braga e arredores, com a sua talha dourada ostensiva, a sobrecarga de elementos decorativos, ou algumas procissões, pesadas com tanta magnificência ou ruidosas por causa da falta de respeito dos espectadores, me perturbam. Mas nesta altura do ano, parece-me quase essencial e normal que seja assim.
Cortejos “bíblicos” ou reconstituições “históricas” da caminhada de Jesus para o Calvário também são ofertas de vivência da Semana Santa em muitas comunidades cristãs, sobretudo onde não existe uma grande tradição ligada aos últimos dias da Quaresma.
Apesar de eu não aderir muito, e preferir o recolhimento, a intimidade e a simplicidade, gosto de saber que tudo isso acontece, porque cada um deve procurar viver o mistério da Paixão de Jesus segundo o que mais lhe toca no coração. Uns de uma maneira, outros, de outra.
O essencial é celebrar o amor de Cristo por nós, que se manifesta na sua morte na cruz.



Barcelos, Famalicão, Guimarães e quase todas as sedes de concelho da região de Braga têm as suas procissões dos “Passos” ou do “Enterro do Senhor”.
Fica aqui o site da Semana Santa em Braga (basta clicar).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

É o primeiro passo

Quarta-feira de Cinzas é o primeiro dia da Quaresma, este período de 40 dias que nos separa da Páscoa. Para os cristãos, é dia de jejum e de abstinência. Por jejum, não se entende privação total de alimento, mas uma ascese que consiste em libertar-se do supérfluo, do inútil, e Deus sabe o quanto somos tentados pelo inútil, quer na alimentação, quer nos prazeres da vida, aos quais muitas vezes somos incapazes de renunciar.
Hoje, a Igreja convida a jejuar e a abster-se de tudo o que é inútil na nossa vida. A cada um de encontrar aquilo a que renunciará, não num espírito de “mortificar-se por mortificar-se”, nem por dolorismo, mas tudo para reencontrar o desejo de Deus, e através disso, melhor escutá-l’O e ir ao encontro do próximo.


Também hoje, a Igreja nos convida na Eucaristia a receber as “cinzas”. Por meio deste rito, o sacerdote diz a cada um dos participantes: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho!”, isto é, ao longo deste tempo quaresmal que começa agora, afastemo-nos das faltas, renunciemos ao egoísmo, à violência…voltemo-nos para Aquele que nos cura. Voltemo-nos para Aquele que se prepara para morrer na cruz.
Por isso, Quarta-feira de Cinzas é um dia importante: é o primeiro passo que acompanha os passos de Cristo até à sua paixão, até à sua morte e ressurreição.

Bom início de Quaresma a todos!