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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Podes acreditar na minha doutrina

«Peço ao Espírito Santo que te revela esta presença de Deus em ti. (…)
Podes acreditar na minha doutrina, porque ela não é minha; se tu leres o Evangelho segundo São João hás-de reparar que a todo o momento o Mestra insiste neste mandamento: ‘Permanecei em mim, e eu em vós’, e ainda naquele pensamento tão belo que está à cabeça da minha carta (‘Se alguém me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará e viremos a ele, e nele faremos a nossa morada’), em que Ele fala de fazer em nós a sua morada. São João, nas suas epístolas, deseja que tenhamos “sociedade” com a Santíssima Trindade: esta palavra é tão doce, é tão simples. Basta – di-lo São Paulo – basta acreditar: Deus é espírito e é pela fé que nos aproximamos d’Ele. Pensa que a tua alma é o templo de Deus, é ainda São Paulo quem o diz; a todo o instante do dia ou da noite as três Pessoas divinas permanecem em ti. Não possuis a Santa Humanidade como quando comungas, mas a Divindade, essa essência que os bem-aventurados adoram no Céu, ela mesma está na tua alma; assim, quando se tem consciência disso, dá-se uma intimidade toda de adoração; nunca se está só! Se preferes pensar que o bom Deus está perto de ti, mais do que em ti, segue o teu pendor desde que vivas com Ele.»



Carta da Beata Isabel Trindade à sua mãe,
Maio 1906

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Rosto: Isabel da Trindade

Isabel Catez nasceu em 1881 em Dijon.
Ela é uma menina muito viva, ama a vida: viagens, concertos, amizades, serviço da Igreja. Ela é sensível à beleza, e porque começou cedo a arte da música, ela obtém o primeiro prémio de piano no conservatório da sua cidade.
Ela é também irresistivelmente atraída por Deus. “Sinto-O tão vivo na minha alma. Só tenho que recolher-me para encontrá-Lo dentro de mim, e faz toda a minha felicidade. Ele colocou no meu coração uma sede infinita e uma tão grande necessidade de amar, que só Ele pode saciar.”

Aos 21 anos, ela entra no Carmelo de Dijon.
No seu convento, ela escreve inúmeras cartas à família e aos amigos. Ela guarda a preocupação do mundo e da Igreja. “A minha alma agrada-se em unir-se à vossa, numa mesma oração, para a Igreja e a diocese.” Ela acompanha o percurso espiritual dos seus íntimos na vida comum de leigos, “todos chamados, todos amados”. “Mesmo no meio do mundo, pode-se ouvir Deus no silêncio de um coração que só deseja pertencer-Lhe.”

No fim da sua vida, atingida por uma doença incurável, ela transcreve a sua experiência e a sua oração em cadernos. “Quando o peso do corpo se faz sentir e cansa a vossa alma, não desesperais, mas ide pela fé e o amor Àquele que disse: ‘Vinde a mim e Eu vos aliviarei.‘ Para aqueles que perseverem animados, não vos deixeis abater no pensamento das vossas misérias. O grande Apóstolo Paulo disse: ‘Onde o pecado abundou, a graça superabundou.’ "
Isabel morre a 9 de novembro de 1906, após 9 meses de agonia. As suas últimas palavras são: “Eu vou para a Luz, o Amor, a Vida.”

Isabel da Trindade foi beatificada pelo Papa João Paulo II a 25 de novembro de 1984.

domingo, 1 de novembro de 2009

Deus é ambicioso

«Deus é ambicioso, Ele não quer que sejamos só honestos, Ele quer que sejamos santos. Ele não quer que sejamos só obedientes à Lei, Ele quer que o nosso coração deseje a sua Vontade.
Ele não se contenta em ter um povo, Ele quer uma família. Ele não se contenta em ter criaturas, Ele quer filhos e filhas. (...)

A maioria dos santos que conhecemos tiveram vidas extraordinárias, e é normal que estes sejam conhecidos, mas eles não são conhecidos porque são santos… eles são conhecidos pelos destinos extraordinários que viveram. Mas a santidade não se reduz aos santos canonizados, ela diz respeito a todos aqueles que vivem a Vontade de Deus no destino de uma vida comum ainda que desconhecida. A santidade não está relacionada a um estado de vida, mesmo se conhecemos mais santos religiosos, consagrados, retirados do mundo, eremitas, monges do que santos leigos envolvidos em tarefas comuns. (...)

Para nós, o santo é primeiro uma imagem, um vitral, uma pintura, uma história. Muitas vezes, só conhecemos do santo o produto acabado, o santo canonizado...conhece-se menos bem o caminho que o levou à santidade, mas isso compete a cada cristão estudá-lo. (...)

O Papa João Paulo II tentou mostrar, através das canonizações, que houve santos no tempo moderno e santos que tiveram uma vida comum, santos em todos os estados de vida! Há santos no nosso tempo, hoje, nas famílias, nos lares, nos jovens, nos idosos, nos saudáveis, nos doentes; há santos em todos as circunstâncias da realidade.»



Dom Vingt-Trois, Cardeal e Arcebispo de Paris

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Jesus escondido

Como não me alegrar com a coincidência das datas…hoje a Igreja celebra a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, e também hoje, o pastorinho Francisco Marto, a quem Nossa Senhora apareceu em 1917, faz anos!
E escrevo “faz” e não “faria”…porque “para os que crêem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma, e desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna.” (da Liturgia)
“Jesus escondido”…era a expressão com que os Pastorinhos designavam o Santíssimo Sacramento da Eucaristia: o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo.
Francisco gostava de passar horas esquecidas junto do Sacrário em colóquio com Jesus.
Quando, com a sua prima Lúcia, se dirigia para a escola recomendava-lhe:
«Olha, tu, vai à escola. Eu fico aqui na Igreja, junto de Jesus escondido. Não me vale a pena aprender a ler; daqui a pouco vou para o Céu. Quando voltares, vem por cá chamar-me.» E no regresso, ali o encontrava em recolhida oração.
Doente, o pequeno Francisco dizia à Lúcia:
«Olha, vai à Igreja e dá muitas saudades minhas a Jesus escondido. Do que tenho mais pena é de não poder já ir a estar uns bocados com Jesus escondido.»
Com que ansiedade o Francisco esperou o momento da sua primeira comunhão.
Acamado e gravemente debilitado, tentou erguer-se para se sentar na cama, mas não conseguiu. Momentos depois, o Senhor Sacramentado descia à sua alma, e o Francisco quedou-se em contemplação a consolar o divino Hóspede.
Depois de comungar, disse para sua irmãzinha Jacinta:
«Hoje sou mais feliz do que tu, porque tenho dentro do meu peito a Jesus escondido!»
Esta comunhão com Deus, já o Francisco a tinha experimentado em 1916, nas aparições do Anjo que lhe dera a beber do Sangue do cálice que trazia.
«- A mim e à Jacinta, que foi que Ele nos deu?
- Foi também a Sagrada Comunhão, respondeu Jacinta.
- Eu sentia que Deus estava em mim, mas não sabia como era! respondeu Francisco.
E prostrando-se por terra, permaneceu por largo tempo, com a sua irmã, repetindo a oração do Anjo: “Santíssima Trindade…”»
Saibamos todos olhar para o pequeno Francisco de Fátima…grande apaixonado e consolador de Jesus escondido…e imitemo-lo!

domingo, 7 de junho de 2009

Eis a nossa morada donde nunca devemos sair

«Parece-me que encontrei o meu Céu na terra, porque o Céu é Deus, e Deus é a minha alma.»

«Deixo-te a minha devoção pelos Três, pelo “Amor”.
Vive, no interior, com Eles no céu da tua alma; o Pai te cobrirá com a sua sombra, colocando como que uma nuvem entre ti e as coisas terrenas para te guardar toda sua, Ele há-de comunicar-te o poder para que o ames com um amor forte como a morte; o Verbo há-de se imprimir na tua alma, como num cristal, a imagem da sua própria beleza, para que sejas pura da pureza dele, luminosa, da sua luz; o Espírito Santo virá transformar-te numa lira misteriosa que, no silêncio, sob o toque divino, há-de produzir um magnífico cântico ao Amor; então serás “o louvor da sua glória”, o que eu tinha sonhado ser na terra.
És tu quem me substituirás; eu, eu serei “Laudem gloriae” perante o trono do Cordeiro, e tu “Laudem gloriae” no centro da tua alma.»

«A Trindade, eis a nossa morada, o nosso “lar”, a casa paterna donde nunca devemos sair.»


Beata Isabel da Trindade,
Obras completas

domingo, 31 de maio de 2009

Como crianças que procuram a proximidade de seus pais

Com a Solenidade de Pentecostes termina o Tempo Pascal.
O tempo para o encontro com o Ressuscitado não é de uma única época do ano, pois podemos encontrá-l'O todos os dias na Eucaristia, quando adoramos a sua presença viva neste “tão grande sacramento”.
Nós também, como os discípulos de Emaús, reconhecemos o Senhor na “fracção do pão”, pela acção do Espírito Santo nos nossos corações.
Mais se acredita em Jesus, mais o seu Espírito cativa a nossa existência, mais a sua inspiração enche o nosso pensamento, mais o seu amor nos leva a agir.
Sem o Espírito, não se pode fazer nada de sobrenatural, ou mesmo rezar, porque Ele é o único que eleva o nosso espírito e o nosso coração para Deus.




Tudo o que é verdadeiro na vida da Igreja e na vida de cada um, é reduzido à sua acção.
Não há nada que uma alma possa fazer em nome de Jesus, sem a cooperação do Espírito Santo.
Pensa-se muito pouco sobre a necessidade de o Espírito Santo na vida da Igreja e na nossa.
Recordamo-l’O apenas em momentos precisos, mas, na realidade, devíamos invoca-l’O ao longo do dia, como crianças que procuram a proximidade de seus pais para serem fortalecidos da sua força, tranquilizados pela sua presença.
É isso mesmo que a sequência do Pentecostes nos recorda: “Vinde Espírito Santo, vinde Pai dos pobres, vinde luz dos corações!”
Quem são estes pobres senão cada um de nós, rico de si mesmo, mas tão necessitado deste Espírito divino?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Como flores cheirosas

«Consagrei-os e chamei-os “meus Cristos”, porque os incumbi de me dar a vós.
Coloquei-os como flores cheirosas no corpo místico da Santa Igreja.
O anjo não possui esta dignidade, dei-a aos homens que escolhi como ministros.
Estabeleci-os como anjos, e eles devem ser anjos terrestres nesta vida.
Peço a qualquer alma a pureza e a castidade; desejo que ela me ame e ame ao próximo, ajudando-o como pode, com as suas orações, vivendo em união com ele.
Mas exijo ainda mais pureza dos meus ministros.
Peço-lhes um maior amor para comigo e para com o próximo, a quem eles devem administrar o Corpo e Sangue de meu Filho, com o ardor da caridade e a fome da salvação das almas, para glória e honra do meu nome.
Assim como os sacerdotes desejam a pureza do cálice onde é feito o sacrifício, Eu desejo a pureza e a clareza dos seus corações, das suas almas e dos seus espíritos.
E porque o corpo é o instrumento da alma, quero que eles o guardem numa pureza perfeita e não o manchem.
Que eles não se encham de orgulho, nem da ambição por altas distinções.
Que eles não sejam cruéis para com eles próprios e para com o próximo, pois eles não podem ser cruéis para com eles próprios sem o ser para com o próximo.
Se eles são cruéis para eles próprios, eles são cruéis para com as almas, porque não dão o exemplo de uma santa vida, não trabalham para livrar as almas do demónio e distribuir o Corpo e Sangue de meu Filho único, e a Mim, a verdadeira Luz, nos sacramentos da Igreja.»



Santa Catarina de Sena
Tratado sobre a oração
CXIII - A grandeza do SS. Sacramento
deve fazer entender a dignidade dos sacerdotes,
chamados a uma maior perfeição.





«Desejo que eles (os sacerdotes) sejam respeitados, não por eles mas por Mim e por causa da autoridade com que os revesti.
Este respeito nunca deve diminuir, mesmo quando a virtude diminuiria neles. Ele deve conservar-se para os maus e para os bons, porque Eu os fiz ministros do Sol, isto é, do Corpo e Sangue de meu Filho nos sacramentos.
Os bons e os maus têm a mesma dignidade.
Todos estão revestidos das mesmas funções, mas mostrei-te que os perfeitos têm as qualidades do sol porque iluminam e aquecem o próximo pelo fogo da sua caridade. Este fogo produz frutos e faz nascer virtudes nas almas daqueles que lhes são confiados. (…)
Deveis honrá-los, quaisquer sejam seus defeitos, por amor de Mim que os envio, e por amor da vida da graça que encontrareis no grande tesouro que eles vos dão, porque eles vos distribuem o Deus-Homem todo inteiro, isto é, o Corpo e Sangue de meu Filho, unido à minha natureza divina.
Deve-se lamentar e detestar as suas faltas; deve-se tentar agasalha-los do zelo da vossa caridade e da santidade das vossas orações; deve-se lavá-los de suas manchas com as vossas lágrimas, e Me apresentá-los com sincera intenção, para que a minha bondade os cubra da veste da caridade. (…)
Deveis orar por eles e não julgá-los, deixar-me ser Eu julgá-los.
Desejo poder fazer-lhe misericórdia pelas vossas orações.
Se eles não se converterem, a dignidade que eles receberam será a ruína deles; e se não mudarem, se não aproveitarem a grandeza da minha misericórdia, Eu, o Juiz supremo, não os atenderei na hora da morte, e enviá-los-ei para o fogo eterno.»



Santa Catarina de Sena,
Tratado sobre a oração
CXX – Respeito aos sacerdotes, bons e maus.



Catarina de Sena nasceu no ano 1347. Entrou na Ordem Terceira de S. Domingos quando era ainda adolescente. Trabalhou incansavelmente pela paz e concórdia entre as cidades, defendeu com ardor os direitos e a liberdade do Santo Padre e promoveu a renovação da vida religiosa. Escreveu importantes obras de espiritualidade. Morreu a 29 de Abril de 1380.
Em 1970, o Papa Paulo VI declarou-a Doutora da Igreja, sendo a única leiga a obter esta distinção. O Papa João Paulo II declarou-a co-padroeira da Europa, juntamente com Santa
Brígida da Suécia e Santa Teresa Benedita da Cruz.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Um constante processo

«A Quaresma é uma ocasião para "nos tornarmos de novo" cristãos, mediante um constante processo de mudança interior e de progresso no conhecimento e no amor de Cristo.

A conversão nunca é de uma vez para sempre, mas é um processo, um caminho interior de toda a nossa vida. Este itinerário de conversão evangélica certamente não pode limitar-se a um período particular do ano: é um caminho de cada dia, que deve abraçar toda a existência, todos os dias da nossa vida.
Nesta óptica, para cada cristão e para todas as comunidades eclesiais, a Quaresma é o tempo espiritual propício para se exercitar com maior tenacidade na busca de Deus, abrindo o coração a Cristo. (…)



Converter-se significa então não perseguir o nosso sucesso pessoal que é passageiro mas, abandonando qualquer segurança humana, pôr-se com simplicidade e confiança no seguimento do Senhor.»


Bento XVI, 21/02/2007

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Nova praça pública

«Três pedreiros trabalham numa mesma obra no coração de uma cidade.
Uma pessoa que passava por lá pergunta o que estão a fazer.
‘Sou pedreiro, diz o primeiro, e por isso lapido pedras.’
‘Sou pedreiro, diz o segundo, por isso erijo muros.’
‘Sou pedreiro, diz o terceiro, edifico uma catedral.’



Para mim, que não tenho o talento de um construtor de catedral, nem pretendo ser um artista, a concepção de sites na Internet visa também a criação de um sítio belo e acolhedor para o visitante, porque o site é um lugar público…é a nova praça pública do século XXI e a Igreja necessita de construtores de catedrais virtuais, onde a fé possa ser retratada, contemplada, anunciada, debatida. A criação de um site para o grande público é uma obra de arte em si, onde se encontra ao mesmo tempo as linguagens da arquitectura, da pintura, da música, até do urbanismo. O webmaster diante do seu site não é somente um arquitecto, mas é semelhante a um pintor diante da tela. A tela é virtual mas a inspiração deve estar presente.

O internauta que visita um site cristão é como todos estes turistas que visitam a Europa e passam uma boa parte das suas férias a visitar catedrais, basílicas, igrejas, mosteiros, à procura de beleza, de história, de espiritualidade. Serão todos cristãos ou crentes? Longe disso. Serão transformados pela visita? Certamente que não. Mas através das pinturas, dos vitrais, dos mosaicos, a arquitectura, o espaço, a beleza, o silêncio, todos tocaram do mistério de uma linguagem que exprime ao mesmo tempo o inefável e o mistério do Deus uno e trino: Pai, Filho e Espírito Santo. Durante alguns minutos ou horas, estes visitantes se tornaram peregrinos do Infinito. Porque então uma tal peregrinação não seria possível na Internet? (…)

Para os irredutíveis cépticos, uma breve história para acabar.
É a história de um velho soldado que vivia na floresta.
Cansado da luta, saía de lá só para se abastecer, assaltando alguns caminhantes.
Um dia encontrou uma criança de olhar perturbador.
O velho soldado lhe oferece dez moedas dizendo:
‘Estas moedas são tuas se me disseres onde está Deus?’
A criança respondeu:
‘Toma lá cem. São tuas se me disseres onde Deus não está’.»


Fr. Yves Bériault, o.p

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Deixemo-l'O

«Nosso Senhor pede-nos que O deixemos continuar em nós a vida que Ele começou na terra, no seio da Virgem Santa (…). Deixemo-l’O viver em nós, deixemo-l'O continuar em nós a sua vida solitária de Nazaré, deixemo-l’O continuar em nós a sua vida de caridade universal, deixemo-l’O continuar em nós a sua vida de caridade universal, deixemo-l’O prolongar em nós a sua vida de humildade, deixemo-l’O pela nossa fidelidade fazer penitência, “completar em nós o que falta aos seus sofrimentos”, deixemo-l’O pelo zelo das nossas almas continuar a “atear o fogo sobre a terra”, deixemo-l’O pelas nossas vigílias e pelas nossas orações continuar em nós a “passar as noites a orar a Deus” (…). Fazendo de todos os instantes da nossa vida, de todos os nossos pensamentos, de todas as nossas palavras, de todas as nossas acções, pensamentos, palavras, acções não mais naturais, não mais humanas, mas divinas, não mais de nós, mas de Jesus! Façamos de modo a poder dizer a todo o momento da nossa existência: ‘Eu vivo, mas não sou mais eu que vivo, é Jesus que vive em mim’!»



«O amor é inseparável da imitação. Todo aquele que ama quer imitar: é o segredo da minha vida.»
«Imitemos, pois, Jesus por amor, contemplemos Jesus por amor, procedamos em tudo por amor a Jesus.»


Beato Carlos de Foucauld

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Novíssimos...uma realidade (2ª parte)

O INFERNO
Como perceber o sentido do inferno?
“Não podemos estar em união com Deus se não escolhermos livremente amá-Lo. Mas não podemos amar a Deus se pecarmos gravemente contra Ele, contra o nosso próximo ou contra nós mesmos” (Catecismo nº1033). Por isso, se morremos em pecado mortal, isto é, sem contrição e perseverante na rejeição de Deus, permanecemos livre e voluntariamente separados de Deus para sempre. É esta situação de auto-exclusão voluntária e definitiva de comunhão com Deus que a Igreja chama “inferno”. O inferno respeita a escolha da nossa liberdade.
“A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira” (Catecismo nº1035).
As representações do inferno apelam muito à imaginação, mas no meio destas alegorias, subsiste uma pergunta fundamental: “Quem se condene?” Não nos pertence responder, pois Cristo nos diz: “Não julgueis para não serdes julgados” (Mt 7,2). Deus quer salvar todos os homens, mas não pode se eles não quiserem.

O PURGATÓRIO
Se morrermos na amizade de Deus mas conservando ainda algumas máculas de pecado, precisaremos de purificação. A Igreja chama “purgatório” esta última purificação. O Catecismo de São Pio X ensina: «O purgatório é o sofrimento temporário, que consiste na privação de Deus e noutras penas, que purifica a alma de qualquer pecado para torná-la digna de contemplar a Deus». Na encíclica Spe Salvi, Bento XVI recorda a origem da oração pelas almas do purgatório: «No antigo judaísmo, existe também a ideia de que se possa ajudar, através da oração, os defuntos no seu estado intermédio(cf 2Mac 12,38-45). A prática correspondente foi adoptada pelos cristãos com grande naturalidade e é comum à Igreja oriental e occidental» (48). Por isso, a Igreja fomenta e recomenda o sacrifício eucarístico, a oração, a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos (cf Catecismo 1032).




O CÉU
Se ao longo da nossa vida correspondermos perfeitamente ao amor de Deus, vivendo na sua vontade, seremos acolhidos no céu. Lá, contemplaremos a Deus, na companhia dos anjos e dos santos. Este é «o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva» (Catecismo 1024). Este estado de gozo ultrapassa o nosso entendimento e as nossas representações. A Sagrada Escritura descreve o paraíso, o céu, com as imagens das bodas, da casa do Pai, da Jerusalém celeste onde tudo é vida, luz e alegria, mas "os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano jamais imaginou, o que Deus tem preparado para aqueles que o amam" (1Cor 2, 9).

E O LIMBO?
Esta palavra é utilizada para falar do destino das crianças mortas sem receber o Baptismo. Recentemente, a Comissão Teológica Internacional referiu que o limbo permanece uma opinião teológica possível mas que já não é ensinamento comum da Igreja.


«O tempo é o nosso tesouro,
o "dinheiro" para comprarmos a eternidade.»

São Josémaria Escriva

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O santo ilumina

O santo não é um herói que se admira de longe.
A celebridade, a vedeta brilha…o santo ilumina!
Os dois atraem, mas não irradiam da mesma forma.

Se o santo ilumina, é porque, aos poucos, ele deixou crescer nele o desejo de amar a Deus e os homens. Para isso, «somos todos destinados…tu, eu e os outros. É uma tarefa acessível, pois aprendendo a amar, aprendemos a ser santos» (Beata Teresa de Calcutá).

“Aprender a ser santo” envolve também as nossas imperfeições: pela fraqueza humana, Deus age.
Como o demonstrou Santa Teresa do Menino Jesus, este caminho de humildade e de benevolência para consigo próprio, é praticada nos actos banais da vida. Deus, na sua misericórdia, nos quer junto d’Ele, sem esperar grandes feitos da nossa parte. «No combate, o herói é aquele que consegue vencer; o santo, é aquele que deixa triunfar Deus na sua pessoa» (Pe. Marie-Eugène do Menino Jesus). É pela nossa fraqueza que Deus pode “trabalhar-nos”. É pela humildade que a santidade cresce no homem. Como uma semente germina e se desenvolve até chegar à sua plenitude, a santidade é a plenitude do ser humano. Um trabalho humilde e paciente à imagem do agricultor que trabalha a terra.

A santidade é para todos mas com algumas exigências. «Se alguém quiser seguir-Me, nega-se a si mesmo, toma a sua cruz e siga-me» (Mt 16,24). Seguir Cristo é ser convidado a imitá-lo, como todos os santos O imitaram.

«Para ser santo, não se trata de realizar actos e obras extraordinárias, nem possuir carismas excepcionais; trata-se de seguir Jesus, ouvir e segui-l’O, sem se deixar abater nas dificuldades» (Bento XVI). Todo um programa…

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Lê! Medita! Ora!

«Abre a Bíblia e lê o texto. Não escolhas nunca à sorte, porque a Palavra de Deus não é para paparicar. Obedece ao leccionário litúrgico e aceita o texto que a Igreja te oferece hoje, ou então lê um livro da Bíblia do início ao fim, fazendo uma leitura cursiva. (…)
Lê o texto não somente uma vez, mas várias, e até em voz alta. (…)
Se conheces bem o trecho, e que és tentado em lê-lo demasiado rápido, não temas em recorrer a métodos que te impedirão uma leitura rápida e superficial; escreve e recopia o texto. Não lê somente com os olhos, mas procura imprimir o texto no teu coração. (…)
Que a tua leitura seja escuta/audição (audire), e que a escuta se torne obediência (oboedire). Não te apresses. É necessário ler devagar (lectioni vacare), porque a leitura faz-se pela escuta. A Palavra deve ser escutada!



O que significa meditar? Não é fácil dizê-lo. Significa antes de tudo analisar a mensagem que leste e que Deus quer comunicar-te. Por isso exige um esforço, um trabalho, porque a leitura deve transformar-se em reflexão atenta e profunda. (…)
Deves dedicar-te a esta reflexão, segundo a tua cultura, as tuas capacidades e segundo os teus meios intelectuais. (…)
Orígenes dizia: ’ A escuta não é recepção passiva de um determinado texto, mas esforço da parte do cristão em penetrar sempre mais no sentido inesgotável da Palavra divina segundo as suas capacidades pessoais e a perseverança com que ele o faz.’
Este esforço pessoal deve procurar o “cume espiritual” do texto; não a frase que se destaca, mas a mensagem central que transporta para o acontecimento da morte e ressurreição do Senhor. (…)
Tem a humildade de às vezes reconhecer que não entendeste grande coisa ou até nada. Mais tarde o entenderás. (…)
Se percebeste algo, rumina as palavras no teu coração e aplica-as a ti próprio, à tua situação, sem cair em psicologismos, introspecções e acabando por fazer o teu exame de consciência. É Deus que está a falar contigo, contempla-O a Ele e não a ti próprio. Não te deixes paralisar por uma escrupulosa análise das tuas limitações e deficiências perante as exigências divinas que a Palavra te revelou.
Certo, a Palavra é também julgamento, ela perscruta o teu coração, ela manifesta o teu pecado, mas lembra-te que Deus é maior do que o teu coração (cf Jo 3,20) e que esta ferida no teu coração vem de Deus, e que Ele a fez sempre com verdade e misericórdia. (…)
Encanta-te com Aquele que te fala ao coração, pelo alimento que Ele te dá, mais ou menos abundantemente, mas sempre salutar. Encanta-te pela Palavra que se estabeleceu no teu coração, sem a teres procurada no céu ou para além dos mares (cf Dt 30,11-14). Deixa-te seduzir pela Palavra que te transforma em imagem do Filho de Deus sem saberes como. A Palavra que recebeste é para ti vida, alegria, paz e salvação! (…)
A meditação, a "ruminatio" deve fazer com que sejas a morada do Pai, do Filho e do Espírito.


Agora, fala com Deus, responde-Lhe, responde aos seus convites, aos seus apelos, às suas inspirações, aos seus pedidos, às suas mensagens que Ele te dirigiu por meio da Palavra entendida no Espírito Santo. (…)
A “meditação” tem por objectivo a oração. Chegou o momento. Por isso, não faças grandes discursos espirituais; fala-Lhe com segurança, com confiança e sem medo, longe de qualquer olhar sobre ti mesmo, mas arrebatado pelo seu rosto que se revelou no texto em Cristo Senhor.
Dá graças a Deus pela Palavra oferecida, por aqueles que a anunciaram e ta explicaram, intercede pelos irmãos que o texto te recordou, das suas virtudes e das suas quedas, procura unir o alimento da Palavra e o alimento eucarístico.
Guarda o que viste, ouviste, saboreado na Lectio; guarda-o no teu coração e na tua memória, e vai com os homens, no meio deles, e dá-lhes humildemente esta paz e esta bênção que recebeste. Terás a força de agir com eles, afim de realizar na história a Palavra de Deus, pela tua acção social, política, profissional.
Deus necessita de ti como instrumento no mundo para fazer “novos céus e nova terra”. Outro dia espera por ti, um dia em que, vendo Deus face a face na morte, mostrarás se foste uma “carta viva” escrita por Cristo, Lectio divina para os irmãos, verdadeiro Filho de Deus.»


Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro Ecuménico de Bose,
Orar a Palavra, uma introdução à Lectio divina


Este texto é a conclusão dos últimos 3 posts publicados neste blog, sobre a Lectio Divina pelo prior Enzo Bianchi, do Mosteiro Ecuménico de Bose.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um lugar para a Lectio divina

«Tu, porém, quando orares,
entra no quarto mais secreto e,
fechada a porta,
reza em segredo a teu Pai,
pois Ele, que vê o oculto,
há-de recompensar-te.»


Mt 6,6





«Quando queres entrar nesta leitura orante, procura primeiro um lugar de solidão e de silêncio onde possas orar ao Pai no segredo até à contemplação.
A cela, o quarto são lugares privilegiados para saborear a presença de Deus, nunca o esqueças (cf Mt 6,5-6). (…)
Que o teu quarto, ou outro lugar solitário, seja para ti o santuário onde Deus te humilha para te provar pela sua Palavra, mas também para te ensinar, te consolar e te alimentar.
Sentirás certamente a presença do Adversário, que te convidará a fugir, que te tornará pesada a solidão, que te distrairá por meio dos teus hábitos e das tuas preocupações, que procurará seduzir-te por inúmeros pensamentos mundanos.
Não te deixas abater, não desespera e resiste nesta luta corpo a corpo com o demónio, porque o Senhor não está longe de ti. Ele não olha somente para o teu combate, mas Ele próprio luta em ti. Ajuda-te, se quiseres, com um ícone, uma vela acesa, um crucifixo, um tapete sobre o qual te ajoelharás para rezar. Não temas – sem ceder à moda e à estética – de utilizar estes meios, que poderão recordar que não estás somente ali para estudar a Bíblia ou ler algumas palavras, mas que estás diante de Deus, disposto a escutá-l’O, em diálogo com Ele!
Se surgir a tentação de fugir, resiste, mesmo que tenhas de permanecer calado, em silêncio, mas resiste. Deves habituar-te aos tempos de solidão, de silêncio, de desapego das coisas e dos irmãos, se quiseres encontrar Deus na oração pessoal.»

Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro Ecuménico de Bose,
Orar a Palavra, uma introdução à Lectio divina


«O que mais importa antes de tudo,
é de entrar em nós mesmos
para aí permanecer a sós com Deus.»

Santa Teresa de Jesus (de Ávila),
O caminho da perfeição

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Chuva de rosas

«Nunca dei a Deus senão amor. Deus me pagará com amor. Depois da minha morte, farei cair uma chuva de rosas.»


«Sinto que vai principiar a minha missão, a missão que tenho, de fazer amar a Deus como eu O amo…de ensinar às almas o meu caminhinho. Quero passar o meu céu a fazer bem na terra: o que não é impossível, pois no mesmo seio da visão beatifica estão por nós velando os anjos. Não, não hei de poder tomar nenhum repoiso até ao fim do mundo! Só quando o Anjo disser: “Passou o tempo!” é que hei-de descansar e gozar, porque só então estará apurado o número dos escolhidos.
- E que caminhito é esse que quer ensinar às almas?
- Minha Madre, é o caminho da infância espiritual, é o caminho da confiança e do abandono completo nas mãos de Deus. Quero indicar-lhes os pequeninos expedientes que tão bem me surtiram; quero dizer-lhes que a santidade neste mundo se cifra apenas nisto: ofertar a Jesus as flores dos pequeninos sacrifícios e cativá-l’O a poder de carícias. Assim é que eu O cativei, e por isso é que hei-de obter d’Ele o bom acolhimento que espero.»


História de uma alma – Manuscritos autobiográficos
Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face









Cerca das 19h20 do dia 30 de Setembro de 1897, Teresa do Menino Jesus exala o último suspiro, num êxtase de amor.
“Cravando os olhos no Crucifixo: - Oh!...amo-O!...Meu Deus, eu…Vos… amo!!! Foram as suas últimas palavras.”
Festa litúrgica: 1 de Outubro

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Mistério de comunhão

«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado.
Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos.»


Jo 15,1-8


Cristo é a videira e nós os ramos, como Ele é o Corpo e nós os membros.
A verdadeira videira é Cristo, mas também a Igreja, cujos membros estão em comunhão com Ele.
Sem esta comunhão, não podemos fazer nada; só Jesus, verdadeira cepa, pode dar fruto, um fruto que glorifica o agricultor, o Pai.
Sem a comunhão com Cristo, somos ramos separados da videira, por isso, privados da seiva, não irrigados, estéreis, bons para o fogo.
A esta comunhão, todos os homens são chamados.
Nesta comunhão, o homem se converte em ramo da verdadeira cepa, para dar fruto…para glorificar o Pai.
Tal é o mistério da verdadeira videira, de Cristo e da Igreja, mistério de comunhão fecunda e de alegria que permanece para a eternidade.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Há trabalho de sobra

“Ide também vós para a minha vinha!” (Mt 20,4)


«Poder trabalhar na vinha do Senhor, pôr-se ao seu serviço, colaborar na sua obra, constitui em si um prémio inestimável, que recompensa todo o cansaço. Mas só quem ama o Senhor e o seu Reino o compreende; quem, pelo contrário, só trabalha pelo salário nunca se dará conta do valor deste tesouro inestimável.»


Bento XVI,
Angelus 21/09/2008


A“vinha do Senhor” precisa de trabalhadores!
Há trabalho de sobra para todos, e ninguém deve ficar de braços cruzados. Há lugar também para aqueles que conseguem fazer apenas um pouco.
Basta acolher o convite pessoal do Dono da vinha, e fazer a própria parte.

domingo, 14 de setembro de 2008

Fá-lo bem feito

«Se fazes o sinal da Cruz, fá-lo bem feito.
Não seja um gesto acanhado e feito à pressa, cujo significado ninguém sabe interpretar. Mas uma autêntica cruz, lenta e ampla, da testa ao peito, dum ombro ao outro.
Sentes como ela te envolve todo?
Recolhe-te bem. Concentra neste sinal todos os teus pensamentos e todos os teus afectos, à medida que o vais traçando da testa ao peito e dum ombro ao outro. Senti-lo-ás então a penetrar-te todo, corpo e alma. A apoderar-se de ti, a consagrar-te, a santificar-te. Porquê?
É o sinal do Todo, o sinal da Redenção. Nosso Senhor remiu todos os homens na cruz. Pela cruz santifica o homem todo até à última fibra do seu ser.
Por isso o fazemos antes da oração para que nos componha, recolha e fixe em Deus o nosso pensamento, coração e vontade. Depois da oração, para que nos fortaleça; no perigo, para que nos proteja. Ao benzermo-nos, para que a plenitude da vida divina penetre na alma e fecunde e consagre quanto nela há.
Pensa nisto sempre que fazes o sinal da cruz. É o sinal mais santo que existe. Fá-lo bem: devagar, rasgado, com atenção. Envolver-te-á assim todo o ser, corpo e alma, pensamentos e vontade, sentidos, potências e acções e tudo nele ficará fortalecido, assinalado pela virtude de Cristo, em nome de Deus uno e trino.»

Romano Guardini, Sinais Sagrados



Pelo sinal da santa cruz,
livra-nos Deus, nosso Senhor,
dos nossos inimigos;
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
Amen!


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Rivalidade cristã

Uma comunidade é frequentemente o lugar de inveja, um lugar de rivalidades.
E a Igreja não escapa a este fenómeno quando cada movimento tenta ter uma melhor posição do que o outro, em ser mais reconhecido... até pode parecer um campo de batalha.
Muitas vezes, quando estamos juntos diante do Senhor, temos a atitude de Marta: “Viste a minha irmã, Senhor? Isso não te incomoda?...” É a mesma atitude que o fariseu tem no Templo, que, vendo o publicano, diz: “Eu, pelo menos, não sou como aquele homem”, ou ainda como aquele apóstolo que, vivendo junto de Jesus, se questionava: “Quem é o maior entre nós?” Podemos também juntar o exemplo de uma mãe, a Senhora Zebedeu, que gostaria muito ver os seus dois filhos em bom lugar junto do Senhor, um à direita e outro à esquerda. Não serão eles melhores do que os dez outros apóstolos?
Numa comunidade, se a inveja ou a rivalidade operam um pouco em todo o lado, ambas têm uma predilecção para se intrometer na liturgia, neste momento particular de presença a Deus. É o irmão que não suporta mais a voz de seu irmão quando canta, ou a sua maneira de celebrar. É acreditar que as vozes dissonantes não têm lugar no coro; as opiniões divergem numa comunidade.



Depois das férias de verão, no recomeço da actividade pastoral em muitas paróquias...

Senhor,
junto de ti que te humilhaste,
não se trata de maiores e de melhores,
pois o caminho não é este.
Ensina-me,
no teu seguimento,
a descer,
a fazer-me o mais pequeno
no meio dos meus irmãos,
a ser o servo de todos;
a ver neles o que é belo,
e em mim o que é frágil.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Rosto de Clara de Assis

«Coloca o teu espírito diante do espelho da eternidade, deixa a tua alma envolver-se no esplendor da glória, une-te de coração Àquele que é a incarnação da essência divina, e por esta contemplação, transforma-te toda à imagem da sua divindade. Conseguirás assim experimentar o que só os seus amigos sentem; provarás a doçura escondida que o próprio Deus reservou, desde o princípio, àqueles que O amam.
Sem conceder um só olhar a todas as seduções enganadoras pelas quais o mundo aprisiona os pobres cegos que se agarram a ele, ama então de todo o teu ser Aquele que por teu amor se entregou todo também, Ele cuja beleza é admirada pelo sol e pela lua, Ele que garante recompensas de grandeza e valor sem limites. Falo do Filho do Altíssimo que a Virgem deu à luz sem deixar de ser virgem. Associa-te a esta doce Mãe que deu ao mundo esta criança que os céus não podiam conter; ela que no entanto O albergou no pequeno claustro de seu ventre e O levou no seu seio virginal. (…)
Assim como a gloriosa Virgem das virgens O levou materialmente, assim poderás sempre levá-l’O espiritualmente no teu corpo casto e virginal se seguires o seu exemplo, particularmente a sua humildade e a sua pobreza; poderás conter em ti Aquele que te contem, a ti e ao universo, possuindo-O de maneira bem mais real e concreta do que poderias possuir os bens perecíveis deste mundo.»


3ª carta de Santa Clara de Assis a Inês de Praga



* * *

Santa Clara nasceu em Assis, Itália, por volta de 1194, numa família rica e nobre.
Clara era filha primogénita de Favarone e Hortulana e tinha mais duas irmãs, Inês e Beatriz.
Clara sonhava com uma vida cheia de sentido, que lhe trouxesse uma verdadeira felicidade.
Depois de conversar muito com Francisco de Assis, seduzida pelo estilo de vida de seu amigo que deixara tudo para seguir a Cristo, saiu de casa no Domingo de Ramos de 1212, sorrateiramente em plena noite, acompanhada apenas de sua prima Pacífica e de outra fiel amiga. Foi procurar Francisco na Igreja de Santa Maria dos Anjos, e lá, frente ao altar, o Povorello lhe cortou os longos e dourados cabelos, cobrindo-lhe a cabeça com um véu, sinal de que Clara seria doravante Esposa de Cristo. Nem a ira de seus parentes, nem as lágrimas de seus pais conseguiram fazê-la retroceder no seu propósito. Poucos dias depois, a sua irmã Inês juntou-se a ela, imbuída do mesmo ideal. Mais tarde é a sua mãe, Hortulana, juntamente com a terceira filha Beatriz, que seguiriam Clara, indo morar com ela no convento de São Damião, que foi a primeira moradia das seguidoras de São Francisco.
Ao longo dos tempos, rainhas, princesas e humildes mulheres, escolheram seguir o exemplo de Clara de Assis, para viver, à luz do Evangelho, a fascinante aventura das Damas Pobres, muitas das quais se tornaram grandes exemplos de santidade para toda a Igreja.