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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Eis o ouro...

«Os Magos oferecem ouro, incenso e mirra.
O ouro convinha a um rei, o incenso era apresentado a Deus em sacrifício, e é com a mirra, que os corpos dos mortos eram embalsamados.
Os Magos proclamam portanto, com os seus presentes simbólicos, quem é Aquele que eles adoram.
Eis o ouro, pois é um rei; eis o incenso, pois é um Deus; eis a mirra, pois é um mortal.
Existem hereges que acreditam na sua divindade, sem acreditar que o seu reinado se estende por toda a parte. Oferecem-Lhe o incenso, mas não querem dar-Lhe também a ouro.
Há outros que reconhecem a seu realeza, mas negam a sua divindade. Oferecem-Lhe o ouro, mas recusam dar-Lhe o incenso.
Outros confessam tanto a sua divindade como a sua realeza, mas negam que Ele assumiu a carne mortal. Oferecem-Lhe ouro e incenso, mas não querem dar-Lhe a mirra, símbolo da condição mortal que Ele assumiu.



Por nós, ofertamos o ouro ao Senhor que vem de nascer, afirmando que Ele reina em toda parte; oferecemos-Lhe o incenso, reconhecendo que Aquele que veio no tempo é Deus antes de todos os tempos; oferecemos-Lhe a mirra, confessando que Aquele que acreditamos inabalável na sua divindade, também se tornou mortal, assumindo a nossa carne.»

São Gregório Magno, Homilia para a Epifania

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Vinde e celebremos esta festa

«Hoje, Aquele que nasceu do Pai de maneira inefável nasceu da Virgem, por amor de mim, de uma forma inexplicável e admirável.(…)



Vinde e celebremos esta festa; vinde e que seja para nós um dia solene. Que a forma de celebrar esta festa seja extraordinária, porque a história deste nascimento é extraordinária. Hoje, o antigo vínculo é quebrado, o diabo é confundido, os demónios fugiram, a morte é destruída, o paraíso abriu-se, a maldição é extinta, o pecado foi banido, o erro foi derrotado, a verdade voltou, e a palavra de piedade é comunicada e espalhada por toda a parte. A vida do céu é estabelecida na terra, os anjos comunicam com os homens, os homens não temem em conversar com anjos. E porquê? Porque um Deus veio à terra e um homem no céu, e assim tudo se uniu e se ligou. Ele veio à terra, Ele que está todo inteiro no céu, e estando todo inteiro no céu, está todo inteiro na terra. Sendo Deus, Ele fez-se homem, sem renunciar à sua divindade. Sendo o Verbo imutável, Ele encarnou: encarnou para habitar entre nós.»


São João Crisóstomo

Um Santo Natal a todos!


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Procurar viver aquilo que o presépio representa

«Para mim é motivo de grande júbilo saber que nas vossas famílias se conserva a tradição de montar o presépio. Porém, ainda que importante, repetir este gesto tradicional não é suficiente. É necessário procurar viver, na realidade do dia-a-dia, aquilo que o presépio representa, isto é, o amor de Cristo, a sua humildade, sua pobreza. Foi o que fez São Francisco de Assis em Greccio: representou ao vivo a cena da Natividade, para assim poder contemplá-la e adorá-la, mas principalmente para que pudesse saber a melhor forma de pôr em prática a mensagem do Filho de Deus, que por nosso amor despojou-se de tudo e se fez uma pequena criança.


O presépio é uma escola de vida, do qual podemos aprender o segredo da verdadeira felicidade. Esta não consiste em ter muita coisa, mas em sentir-se amados pelo Senhor, em dar-se aos outros e no querer bem. Olhemos para o presépio: Nossa Senhora e São José não parecem uma família de muita sorte; tiveram o seu primeiro filho no meio de grandes dificuldades; e, no entanto, estão cheios de alegria interior, porque se amam, se ajudam, e, principalmente, porque estão certos de que Deus está a operar na sua história, o Qual se fez presente no pequeno Jesus. E quanto aos pastores? Que motivos teriam para se alegrarem? Aquele recém-nascido não mudará sua condição de pobreza e marginalização. Mas a fé os ajuda a reconhecer no “menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”, o “sinal” do cumprimento das promessas de Deus para todos os homens “que são do seu agrado” (Lc 2,12.14), inclusive para eles!

É nisto, caros amigos, que consiste a verdadeira felicidade: sentir que a nossa existência pessoal e comunitária é visitada e preenchida por um grande mistério, o mistério do amor de Deus. Para sermos felizes, necessitamos não apenas de coisas, mas também de amor e de verdade: necessitamos de um Deus próximo, que aqueça o nosso coração, que responda aos nossos anseios mais profundos. Esse Deus se manifestou em Jesus, nascido da Virgem Maria. Por isso, aquele Menino, que colocamos na cabana ou na gruta, é o centro de tudo, é o coração do mundo. Oremos para que cada homem, como fez a Virgem Maria, possa acolher, como centro da própria vida, o Deus que se fez Menino, fonte da verdadeira felicidade.»



Bento XVI, Ângelus 13/12/2009.

No 3º Domingo do Advento,
dando continuidade a uma bela tradição,
as crianças de Roma trazem ao Papa,
pequenas estátuas do Menino Jesus para serem benzidas.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Foi o amor!

«Eu, Deus, segunda Pessoa da SS. Trindade, encarnei, criei um corpo humano e uma alma humana no seio da Virgem Maria, e uni-me numa única Pessoa a esse corpo e a essa alma no momento em que os criei… Continuando a ser, uma verdadeira Pessoa divina, tornei-me ao mesmo tempo verdadeira pessoa humana… Sem deixar de ser Deus, tornei-me homem… Aprendei, meus filhos, a lição de humildade, de rebaixamento, de abjecção… Quem seria capaz de se rebaixar assim? Vós podereis muito bem descer um bocadinho, numa escala finita; eu desci infinitamente: há uma distância infinita entre a minha condição divina e a minha condição humana… E qual o motivo de eu ter querido rebaixar-me a esse ponto? Foi o amor! Deus amou tanto os homens, que quis dar-lhes o seu Filho único para os salvar, para os resgatar, a fim de ser para eles caminho, verdade e vida…»


Beato Carlos de Foucauld, 1º dia de retiro em Efraim-1898



«Hoje começa a nossa salvação e a manifestação do mistério eterno:
o Filho de Deus torna-se Filho da Virgem,
e Gabriel anuncia a graça.
Com ele, clamamos à Mãe de Deus:
Avé, ó cheia de graça, o Senhor é convosco.»

Tropário da Liturgia Bizantina,
composto por Santo André de Creta

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A graça manifestou-se

«A graça de Deus, rica em bondade e ternura, já não está escondida, mas «manifestou-se», manifestou-se na carne, mostrou o seu rosto. Onde? Em Belém. Quando? Sob César Augusto, durante o primeiro recenseamento a que alude também o evangelista Lucas. E quem é o revelador? Um recém-nascido, o Filho da Virgem Maria. N’Ele manifestou-se a graça de Deus, Salvador nosso. Por isso, aquele Menino chama-Se Jehoshua, Jesus, que significa “Deus salva”. (…)

A graça de Deus manifestou-se a todos os homens. Sim, Jesus, o rosto do próprio Deus-que-salva, não Se manifestou somente para poucos, para alguns, mas para todos. É verdade que, no casebre humilde e pobre de Belém, poucas pessoas O encontraram, mas Ele veio para todos: judeus e pagãos, ricos e pobres, de perto e de longe, crentes e não crentes… todos. A graça sobrenatural, por vontade de Deus, destina-se a toda a criatura. Mas é preciso que o ser humano a acolha, pronuncie o seu «sim», como Maria, para o coração seja iluminado por um raio daquela luz divina. Os que acolheram o Verbo encarnado, naquela noite, foram Maria e José, que O esperavam com amor, e os pastores, que vigiavam durante a noite (cf. Lc 2, 1-20). Foi, portanto, uma pequena comunidade que acorreu a adorar Jesus Menino; uma pequena comunidade que representa a Igreja e todos os homens de boa vontade.»


Bento XVI, Mensagem de Natal “Urbi et orbi” 2008


Foto: Menino Jesus no local do Nascimento de Cristo na Basílica da Natividade em Belém

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Essa noite venerável revestiu-se de esplendor

São Francisco de Assis, «três anos antes da morte resolveu celebrar com a maior solenidade possível a festa do Nascimento do Menino Jesus, ao pé da povoação de Greccio, a fim de estimular a devoção daquela gente. Mas para que um tal projecto não fosse tido por revolucionário, pediu para isso licença ao Sumo Pontífice, que lha concedeu. Mandou preparar uma manjedoira com palha, e trazer um boi e um burrito. Convocaram-se muitos Irmãos; vieram inúmeras pessoas; pela floresta ressoaram cânticos alegres...

Essa noite venerável revestiu-se de esplendor e solenidade, iluminada por uma infinidade de tochas a arder e ao som de cânticos harmoniosos. O homem de Deus estava de pé diante do presépio, cheio de piedade, banhado em lágrimas e irradiante de alegria. O altar dessa missa foi a manjedoira. Francisco, que era diácono, fez a proclamação do Evangelho. Em seguida dirigiu a palavra à assembleia, contando o nascimento do pobre Rei, a quem chamou, com ternura e devoção, o Menino de Belém. O Senhor João de Greccio, cavaleiro muito virtuoso e digno de toda a confiança, que abandonara a carreira das armas por amor de Cristo e dedicava uma profunda amizade ao homem de Deus, afirmou que tinha visto um menino encantador a dormir na manjedoira, e que pareceu acordar quando São Francisco fez menção de pegar nele nos braços. É crível que se tenha dado esta aparição: há o testemunho não só da santidade do piedoso militar, como a veracidade do próprio acontecimento e a confirmação que lhe deram outros milagres ocorridos depois: o exemplo de Francisco correu mundo e ainda hoje consegue excitar à fé de Cristo muitos corações adormecidos; a palha dessa manjedoira, conservada pelo povo, serviu de remédio miraculoso para animais doentes e de preservativo para afastar muitas pestes. Assim glorificava Deus o seu servo, e mostrava, com milagres indesmentíveis, o poder da sua oração e da sua santidade.»


São Boaventura , Legenda Maior (LM 10, 7)


«Ele, que era rico, fez-Se pobre por vossa causa,
para vos enriquecer pela sua pobreza.»

(2 Cor 8,9)


Um Santo Natal a todos!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Foi em Maria e por Maria

«Deus Pai não deu ao mundo o seu Unigénito senão por Maria. Por mais ardentes que fossem os suspiros dos patriarcas e as súplicas que durante quatro mil anos lhe fizeram os profetas e os santos da antiga lei para obterem esse tesouro, só Maria o mereceu. Só ela encontrou graça diante de Deus pela força das suas orações e pela grandeza das suas virtudes. Diz Santo Agostinho que, não sendo o mundo digno de receber o Filho de Deus directamente das mãos do Pai, foi dado a Maria, para que os homens O recebessem através dela.
O Filho de Deus fez-se homem para nos salvar, mas foi em Maria e por Maria.
Deus Espírito Santo formou Jesus Cristo em Maria, mas só depois de lhe ter pedido o consentimento através dum dos primeiros ministros da sua corte.»


S. Luís Maria de Montfort,
Tratado da verdadeira devoção à SS. Virgem


A 18 de Dezembro, celebra-se a Festa da Expectação do Parto de Nossa Senhora, ou mais popularmente: “Nossa Senhora do Ó”.
De facto, na semana que precede a celebração do Natal do Senhor, na Liturgia das Horas, em Vésperas, são cantadas as antífonas do Magnificat, alusivas à vinda do Senhor, todas começadas pela letra “Ó”.
Estas antífonas fizeram com que à solenidade de 18 de Dezembro se desse o nome de «Festa do Ó» e à imagem da Senhora em fim de gestação: Nossa Senhora do Ó. Foto: Imagem quatrocentista da Senhora do Ó ou da Expectação, da Sé de Évora, Portugal.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Era um grande homem

«A Igreja não celebra o nascimento de nenhum profeta, de nenhum patriarca, de nenhum apóstolo: ela celebra só dois nascimentos*, o de João e o de Cristo. O próprio tempo em que cada um nasceu é um grande mistério. João era um grande homem, mas era todavia um homem. Era um tão grande homem que só Deus lhe estava acima. ‘Aquele que vem depois de mim é maior do que eu’. É o próprio João que disse: ‘’Aquele que vem depois de mim é maior do que eu’.
Se Ele é maior do que tu, como O ouvimos dizer, Ele que é maior do que tu: ‘Entre os nascidos de mulher, não há maior do que João Baptista?’ Se entre os homens não há maior do que tu, quem é Aquele que dizes ser maior?
Queres saber quem Ele é? ‘No princípio existia o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus.’
Mas este Deus, este Verbo de Deus pelo qual tudo foi feito, que nasceu antes da origem dos tempos e por quem foram feitos os mesmos tempos, como é que no tempo Ele tem um dia de nascimento? Sim, como este Verbo que criou os tempos tem no tempo um natal?
Queres saber como? Ouve o Evangelho: ‘O Verbo encarnou, e habitou entre nós’. O nascimento de Cristo não é então o nascimento do Verbo, mas o da sua humanidade. (…)


João nasceu, Cristo também nasceu; João foi anunciado por um anjo, Cristo também foi anunciado por um anjo. Grande milagre dos dois lados! Foi uma mulher estéril que com o contributo de um velho marido deu à luz ao servo, ao precursor; foi uma Virgem que sem o contributo de homem se tornou mãe do Senhor, do mestre. João é um grande homem, mas Cristo é mais do que homem, porque Ele é o Homem Deus. João é um grande homem, mas para exaltar a Deus, este homem se humilhou. ‘Eu não sou digno de Lhe desatar a correia das sandálias’. (…)
Era necessário que o homem, e por isso o próprio João se humilhasse diante de Cristo; era também necessário que Cristo, Homem Deus, fosse exaltado: eis o que recorda o nascimento e as mortes de Jesus e de João. É hoje que nasceu João: a partir de hoje os dias diminuem. É no dia de Natal que nasceu Cristo: é a partir deste dia que os dias crescem.
Na morte, João foi degolado, Jesus foi elevado na cruz.»

S. Agostinho




Senhor, celebramos hoje a glória do Precursor,
São João Baptista,
proclamado o maior entre os filhos dos homens,
anunciamos as vossas maravilhas:
antes de nascer, ele exultou de alegria,
sentindo a presença do Salvador;
quando veio ao mundo,
muitos se alegraram pelo seu nascimento;
foi ele, entre todos os Profetas,
que mostrou o Cordeiro que tira o pecado do mundo;
nas águas do Jordão, ele baptizou o autor do Baptismo
e desde então a água viva tem poder de santificar os crentes;
por fim deu o mais belo testemunho de Cristo,
derramando por Ele o seu sangue.

Prefácio da Missa do Nascimento de S. João Baptista




* Só mais tarde, no século VII, aparecerá no calendário litúrgico da Igreja de Roma, a festa da Natividade da Virgem Maria.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A fé eucarística de Maria

«Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. (…)
Na anunciação, concebeu o Filho divino na realidade física do corpo e do sangue, em certa medida antecipando n'Ela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o corpo e o sangue do Senhor.
Existe, uma profunda analogia entre o “fiat” pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o “amen” que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor. (…)

Na visitação, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo Ela serve de “sacrário” – o primeiro “sacrário” da história –, para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, Se presta à adoração de Isabel, como que “irradiando” a sua luz através dos olhos e da voz de Maria.»


João Paulo II, Carta Encíclica “A Igreja vive da Eucaristia”

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Deserto da tentação...deserto da libertação

"Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto,
a fim de ser tentado pelo Demónio"
(Mt 4, 1)

A tentação faz parte inevitavelmente da vida do homem, e sem as tentações do deserto, Jesus, o Verbo de Deus que se fez carne, não teria assumido plenamente a sua condição humana.
Assim, como verdadeiro homem, Jesus, Filho de Deus, também viveu o que Santo Agostinho um dia disse sobre a experiência humana da tentação:
«Na sua viagem terrena, a nossa vida não pode escapar-se à provação da tentação, porque o nosso progresso se realiza pela nossa provação; ninguém se conhece a si mesmo sem ter sido provado, e não pode ser coroado sem ter vencido, não pode vencer sem ter combatido, e não pode combater se não encontrou o inimigo e as tentações.»
Desde o princípio, o homem leve este combate contra o inimigo e as tentações.
No deserto, Cristo vem reviver concretamente este combate velho como o mundo e dar-lhe um novo desfecho.
Três tentações, três vitórias de Jesus, pelas quais o homem reencontra a sua liberdade original.
«Jesus Cristo, no deserto foi tentado pelo demónio. Mas em Cristo, és tu que eras tentado, porque Cristo tinha de ti a carne, para te dar a salvação; tinha de ti a morte, para te dar a vida; tinha de ti os ultrajes, para te dar as honras; por isso tinha de ti as tentações para te dar a vitória. Se é n’Ele que somos tentados, é n’Ele que dominamos o demónio. (…) Se Ele não tinha sido tentado, Ele não te teria ensinado, a ti que deves ser submetido à tentação, como alcançar a vitória.» (S. Agostinho)
Com Jesus, homem livre, não tenhamos medo de enfrentar o deserto da tentação que é também o deserto da libertação!
Afinal, Cristo mostrou-nos, quando colocados diante de escolhas que devemos fazer, a maneira de agir num acto livre: seguir a Palavra de Deus.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Uma fase na minha fé, certamente…

Ultimamente, reconheço estar um pouco decepcionado com o rosto da Igreja.
Quando falo da Igreja, falo de todo o Povo de Deus, a hierarquia, os leigos, de mim.
Parece que os actos, as palavras, o testemunho da maioria dos cristãos não estão em sintonia com o Evangelho.
Parece que a luz brilha pouco em mim e nos outros…e gostava tanto vê-la cintilante em todos.
Uma fase na minha fé, certamente…



«Há várias religiões mas um só Evangelho.
Há uma enorme diferença entre a religião e o Evangelho.
A religião é obra do homem; o Evangelho é dom de Deus.
A religião é o que o homem faz para Deus; o Evangelho é o que Deus fez pelo homem.
A religião é o homem em busca de Deus; o Evangelho é Deus que procura o homem.
A religião consiste para o homem, subir a escada da própria justiça com a esperança de encontrar Deus no último degrau. Mas o Evangelho consiste para Deus, descer a escada pela Encarnação de Jesus Cristo, para nos encontrar, pecadores que somos, no degrau mais baixo. A religião é boa vontade; o Evangelho é boa nova.
A religião é “bons conselhos”; o Evangelho é gloriosa proclamação.
A religião deixa o homem tal como é; o Evangelho toma o homem tal como é mas faz dele o que ele deve ser.
A religião reforma o exterior; o Evangelho transforma o interior.
A religião branqueia em superfície; o Evangelho branqueia em profundidade.
Há muitas religiões mas um só Deus.
Há muitas religiões mas um só Evangelho.
Há muitas religiões mas uma só salvação.
A vossa fé é uma religião ou uma salvação?
Sois religiosos ou sois pessoas salvas?»



J.T. Seamands

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Uma criancinha igual a ti


“Olha com amor a vida completa de Cristo,
aquela que Ele começou no Presépio, seu berço,
no qual Ele foi simplesmente uma criancinha como as outras,
não uma criança extraordinária, nem um menino prodígio,
mas uma criancinha igual a ti... chorando de frio na palha,
e que se colocara, por amor, num estado de total dependência.”

"Por um excesso de amor,
Cristo, Filho de Deus, quis passar pelo estado de impotência próprio de uma criancinha,
o único estado que põe um ser nas mãos de outros, num total abandono."


Irmãzinha Madalena Hutin

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Foi o mistério da Encarnação que me converteu!

Natal 1856, na paróquia de um bairro popular da cidade de Lião, França, António Chevrier, sacerdote há 6 anos, contempla o presépio.
Meditando na pobreza e na humildade de Cristo, ele recebe a graça de entrar profundamente no mistério da Encarnação, Deus que se faz homem.
Na sua oração, ele constata também que a humanidade continua a afundar-se, os pobres não são evangelizados, a Igreja e o mundo dos trabalhadores estão cada vez mais separados.
Ele percebe que deve converter-se a uma existência mais evangélica, viver o mistério da pobreza no seguimento de Jesus para “trabalhar eficazmente na salvação das almas”.
Conhecer Cristo, unir-se a Ele e fazê-l’O conhecer…tudo isso determina a sua vida de sacerdote.
Se Cristo convida os pobres ao banquete do reino, então ele, sacerdote, “outro Cristo”, também deve servi-los.
Primeiro os mais jovens. Em 1860, o padre Chevrier compra o “prado”, um antigo salão de dança. Lá, ele acolha, instrui e catequiza os filhos de operários.
Depois, ele procura formar padres pobres para os pobres. Assim nascem os sacerdotes e as religiosas do Instituto do Prado. Hoje a família do Prado está presente em 50 países.
A humildade de Chevrier é tão grande como o seu zelo, mas este “São Francisco de Assis da era industrial”, esgotado pelo trabalho e pela doença, morre aos 53 anos.
Em 1986, aquando da sua beatificação, João Paulo II deixou aos padres, religiosas e leigos do Prado, quatro grandes orientações, que servem perfeitamente para cada cristão:
“Ide ao encontro dos pobres para fazer deles verdadeiros discípulos de Jesus Cristo”;
“Que o vosso sinal distintivo seja sempre a simplicidade e a pobreza”;
“Falai de Jesus Cristo com a mesma intensidade de fé como o Padre Chevrier”;
“Apoiai-vos sempre em Jesus Cristo e na Igreja”.
Se o Natal transformou a vida do padre Chevrier, porque não a nossa?

«Foi ao meditar a pobreza de Nosso Senhor e da sua humilhação no meio dos homens que resolvi deixar tudo para viver o mais pobremente possível. Foi o mistério da Encarnação que me converteu!... Então decidi-me a seguir Nosso Senhor Jesus Cristo de mais perto. E o meu desejo é que vós próprios sigais de perto Nosso Senhor.»

«Dizia para mim mesmo: 'o Filho de Deus desceu à terra para salvar os homens e converter os pecadores. No entanto, que vemos? Quantos pecadores existem neste mundo!' Então resolvi seguir Nosso Senhor Jesus Cristo de mais perto para me tornar capaz de trabalhar eficazmente na salvação das almas.»


Beato António Chevrier

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Presépio

O último fim-de-semana foi aproveitado para construir o presépio em casa e na capela da minha aldeia com os catequizandos.
O presépio é talvez uma das mais antigas formas de caracterização do Natal.
Hoje ele convive com a árvore de Natal, de tradição norte europeia, “significativo símbolo do Natal de Cristo, que com as suas folhas sempre verdes lembra a vida que não morre” (Bento XVI).
Os primeiros presépios surgiram no século XVI na Itália. No entanto, a celebração do nascimento de Cristo vem dos finais do século III, com os peregrinos que visitavam a gruta de Belém.
Pinturas, relevos e frescos ilustram, desde o século XIV, o nascimento de Jesus.


Em 1223, São Francisco de Assis, em vez de festejar a véspera de Natal na igreja, como era hábito, fê-lo na floresta de Greccio.
A um dos seus amigos, que tinha colocado à disposição dos frades uma gruta na montanha, confessou desejar celebrar o Natal com ele na lapa. Tinha que colocar lá uma manjedoura, um boi e um asno, para criar um estábulo muito parecido com o presépio onde nasceu Jesus.
Os habitantes da cidade foram ver a representação, juntaram-se a Francisco e aos irmãos, e assistiram à Missa do Galo. A multidão era tão numerosa que, com as velas e lanternas acesas, a floresta estava toda iluminada, como se fosse de dia. A manjedoura serviu de altar…originalíssimo!
A lenda conta que o amigo de Francisco viu um menino a dormir, deitado na manjedoura. O Santo se abeirou dele e tomou-o nos braços. O menino acordou, sorriu para Francisco e tocou no seu rosto. O amigo percebeu que Jesus tinha adormecido no coração dos homens e que Francisco O tinha despertado com a sua palavra e os seus gestos.
O ano seguinte, os habitantes de Greccio que tinham contado com tanta admiração a beleza daquela noite de Natal, fizeram com que, um pouco por todo o lado, as pessoas começassem a reconstituir nas grutas e estábulos a cena do nascimento de Cristo.
De lá para cá, não há dúvidas que a tradição do presépio se difundiu pelo mundo.
Hoje, nas igrejas e nos lares cristãos de todo o mundo são montados presépios recordando o grande mistério da Encarnação e do Nascimento de Jesus.


“Eis o dia que o Senhor fez;
exultemos e alegremo-nos com ele.
Porque nos foi dado o santíssimo e dilecto Menino,
e por nós nasceu durante uma viagem
e foi deitado num presépio,
por não haver lugar para ele na estalagem.
Glória ao Senhor Deus no mais alto dos céus,
e na terra paz aos homens de boa vontade.”


Salmo 15 do ofício da Paixão de S. Francisco de Assis

sábado, 8 de dezembro de 2007

O nome mais bonito de Maria

«Maria não só não cometeu pecado algum, mas foi preservada até da herança comum do género humano que é o pecado original. E isto devido à missão para a qual Deus a destinou desde o início: ser a Mãe do Redentor. Tudo isto está contido na verdade da fé da "Imaculada Conceição".O fundamento bíblico deste dogma encontra-se nas palavras que o Anjo dirigiu à jovem de Nazaré: "Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo" (Lc 1, 28).
"Cheia de graça" é o nome mais bonito de Maria, nome que lhe foi conferido pelo próprio Deus, para indicar que ela é desde sempre e para sempre a amada, a eleita, a predestinada para acolher o dom mais precioso, Jesus, "o amor encarnado de Deus".»



Bento XVI, Angelus 08/12/2006





Santa Maria
Madre del Signore
la tua fede ci guida.

Volgi lo sguardo
verso i tuoi figli
“Terra del cielo”.

La strada è lunga e su di noi la notte scende
intercedi presso il Cristo
“Terra del cielo”.



Santa Maria,
Mãe do Senhor,
a tua fé nos guia.

Volta o rosto
para os teus filhos
“Terra do céu”.

Longa é a estrada
e sobre nós desce a noite,
intercede junto de Cristo,
“Terra do céu”.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Angelus Domini

Hoje, a Igreja universal celebra a solenidade da Anunciação do Senhor, normalmente a 25 de Março, mas este ano deferido para dia 26, por causa do V Domingo da Quaresma.
Outro nome poderia ser aplicado para esta festa, um nome que realçaria melhor o mistério comemorado: a Concepção, a Encarnação de Cristo.
De facto, celebrar o anúncio do Anjo a Maria que disse “sim” à maternidade divina, é celebrar Jesus, Filho de Deus, que concebido pelo Espírito Santo, tome carne no seio da Virgem…é celebrar o primeiro dia de vida de Cristo como verdadeiro homem.
Jesus, o Filho, verdadeiro Deus, faz-se humilde, encarnando, aceitando a fragilidade humana, no ventre da Virgem humilde do “Fiat”.
Jesus e Maria submetem-se à vontade de Deus Pai no projecto de Salvação dos homens.


Ángelus Dómini nuntiávit Mariæ.
Et concépit de Spíritu Sancto.

Ecce ancílla Dómini.
Fiat mihi secúndum verbum tuum.

Et Verbum caro factum est.
Et habitávit in nobis.


O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
E Ela concebeu pelo Espírito Santo.

Eis a escrava do Senhor.
Faça-se em mim, segundo a vossa palavra.

E o Verbo Divino encarnou.
E habitou entre nós.