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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Que alegria eu ser uma filha fiel da Igreja

«Que alegria eu ser uma filha fiel da Igreja.
Ó, como amo a Igreja e todos os que fazem parte dela; considero-os membros vivos de Cristo que é a cabeça.
Ardo de amor com aqueles que amam, sofro com aqueles que sofrem, a dor me consome perante as almas frias e ingratas. Então faço por amar muito a Deus em reparação por aqueles que não O amam, que são ingratos para com o seu Salvador.
Ó meu Deus, estou consciente da minha missão na Santa Igreja.
O meu constante esforço deve ser a oração para alcançar a misericórdia para o mundo.
Uno-me intimamente a Jesus e coloco-me diante d’ Ele, como oferenda suplicante para o mundo. Deus não me recusará nada se o pedir pela voz de seu Filho. (…)
Fazei de mim, ó Jesus, uma oferenda agradável e pura diante da Face do Pai.
Jesus, transformai-me em Vós, porque tudo podeis, e devolvei-me ao vosso eterno Pai.
Desejo tornar-me uma hóstia expiatória diante de Vós e dos homens.
Desejo que o perfume da minha oferenda seja unicamente conhecida de Vós.»


Santa Faustina

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Encontrei o meu lugar na Igreja

«Compreendi que se a Igreja tinha um corpo, composto por membros diferentes, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos, compreendi que a Igreja tinha Coração, e que este Coração era ardente de amor. Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja, que se o amor viesse a extinguir-se, os Apóstolos deixariam de anunciar o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar o sangue… Compreendi que o amor englobava todas as vocações, que o amor era tudo, que se estendia a todos os tempos e a todos os lugares… numa palavra, que era eterno!...


Então, no excesso da minha alegria delirante, exclamei: ó Jesus, meu Amor… a minha vocação, encontrei-a finalmente, a minha vocação, é o amor!... Sim, encontrei o meu lugar na Igreja e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós quem mo deu… no Coração da Igreja, minha Mãe, serei o Amor… assim terei tudo… assim será realizado o meu sonho!!!...»

Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face,
Virgem e Doutora da Igreja

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Igreja não precisa de críticos, mas de artistas...

«Desconfio da minha imaginação, da minha revolta; a indignação nunca salvou ninguém, mas arruinou provavelmente muitas almas, e todas as orgias de simonia na Roma do século XVI não teriam beneficiado o diabo se não tivessem conseguido este golpe único de atirar Lutero no desespero, e com esse monge indomável, dois terços da dolorosa cristandade.
Lutero e os seus desesperaram da Igreja, e quem desespera da Igreja, curiosamente, desespera do homem mais tarde ou mais cedo.
Vendo assim, o protestantismo parece-me um compromisso com o desespero ...
As gentes da Igreja teriam de bom grado tolerado que ele juntasse a sua voz a tantas outras vozes mais ilustres ou mais santas que nunca deixaram de denunciar estas desordens. A infelicidade de Martinho Lutero foi de pretender reformar...
Ora é um facto que não se reforma nada na Igreja por meios ordinários. Quem pretende reformar a Igreja com esses meios, pelos mesmos meios que reformam uma sociedade temporal, não só fracassa no seu empreendimento, como inevitavelmente acaba fora da Igreja... antes mesmo que alguém se preocupa em exclui-lo... torna-se seu inimigo quase inconscientemente. (…)
Não se reforma a Igreja senão sofrendo por ela,
não se reforma a Igreja visível senão sofrendo pela Igreja invisível.
Não se reforma os vícios da Igreja senão dando o exemplo das suas virtudes heróicas.
É possível que São Francisco de Assis não tenha sido menos revoltado do que Lutero pela libertinagem e a simonia dos prelados.
É uma certeza que ele sofreu mais cruelmente, devido à sua natureza bem diferente da do monge de Weimar.
Mas ele não desafiou a iniquidade… ele entregou-se à pobreza... em vez de tentar arrancar à Igreja os bens mal adquiridos, ele a cumulou de tesouros invisíveis, e sob a mão suave deste mendigo, o ouro e a luxúria começaram a florescer como um jardim de primavera...
A Igreja não precisa de críticos, mas de artistas...
A Igreja não precisa de reformadores, mas de santos.»


Georges Bernanos, escritor e jornalista francês
1888-1948

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Fé adulta

«A expressão "fé adulta", nas últimas décadas, tornou-se um slogan difundido. Ouvimo-lo com frequência no sentido da atitude de quem já não dá ouvidos à Igreja e aos seus Pastores, mas escolhe autonomamente aquilo em que quer acreditar ou não portanto, uma fé "ad hoc" (que mais lhe convém). E é apresentada como "coragem" de se expressar contra o Magistério da Igreja.
Na realidade, todavia, para isto não é necessária coragem, porque se pode ter sempre a certeza do aplauso público. Pelo contrário, é necessária coragem para aderir à fé da Igreja, não obstante ela contradiga o "esquema" do mundo contemporâneo. (…)
A fé adulta não se deixa transportar aqui e ali por qualquer corrente. Ela opõe-se aos ventos da moda. Sabe que estes ventos não constituem o sopro do Espírito Santo; sabe que o Espírito de Deus se expressa e se manifesta na comunhão com Jesus Cristo.(…)
O poder da fé, o poder de Deus é a verdade. A verdade sobre o mundo e sobre nós mesmos torna-se visível, quando olhamos para Deus.»


Bento XVI, 28/06/2009


Meu Deus,
creio firmemente tudo o que Vós revelastes
e a Santa Igreja Católica nos ensina,
porque não podeis enganar-Vos,
nem enganar-nos.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Permaneço na Igreja

«Permaneço na Igreja, porque acredito que hoje como ontem, na nossa Igreja, vive, intangível, a sua Igreja, porque acho que não posso estar com Ele senão com e na sua Igreja.
Estou na Igreja porque apesar de tudo, penso que ela não é essencialmente nossa Igreja, mas a sua Igreja.
Concretamente, é a Igreja, embora sujeita às imperfeições humanas, que nos dá Jesus Cristo e que só por meio dela podemos acolhê-l’O como uma realidade viva e poderosa, que nos desafia e enche aqui e agora.
Tal como escreveu Henri de Lubac:
"Saberão aqueles que, ainda aceitando Jesus, rejeitam a Igreja, que é a ela que o devem?
Jesus é nossa vida, mas em que areia movediça estaria, não tanto o seu nome e sua recordação, mas a sua influência viva, o efeito do Evangelho e da fé na sua Pessoa divina, sem a continuidade visível da Igreja?
Sem a Igreja, Cristo se desvaneceria, desaparecia, extinguir-se-ia.
E o que seria a Igreja se Cristo lhe seria retirado?

Esta constatação elementar não nos deve deixar.
Independentemente do número das infidelidades que a Igreja tem e pode ter,
como é verdade que ela deve seguir constantemente a Cristo,
e que não há antinomia entre a Igreja e Cristo,
é por meio da Igreja que, para além da distância histórica,
Ele continua vivo, fala, está perto de nós, como Mestre e Senhor.
E, enquanto a Igreja, e só ela, nos dá Jesus Cristo,
e assegura a sua presença viva no mundo,
dando-O na fé e na oração dos homens,
ela dá à humanidade uma luz, um penhor,
um exemplo, sem a qual ela jamais seria concebível.
Quem deseja a presença de Jesus Cristo na humanidade não pode encontra-la contra a Igreja, mas apenas nela.
A fé é eclesial ou não é.»


Cardeal Ratzinger (Bento XVI)




Tu es Petrus, et super hanc Petram aedificabo Ecclesiam meam,
Et portae inferi non praevalebunt adversus eam :
Et tibi dabo claves regni coelorum :
Et quodcumque ligaveris super terram, erit ligatum et in coelis,
Et quodcumque solveris super terram, erit solutum et in coelis.


Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja,
E as portas do inferno não prevalecerão contra ela:
Dar-te-ei as chaves do reino dos céus,
E tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus,
E tudo o que será desligado na terra, será desligado nos céus.

Mt 16, 18-19

domingo, 31 de maio de 2009

Como crianças que procuram a proximidade de seus pais

Com a Solenidade de Pentecostes termina o Tempo Pascal.
O tempo para o encontro com o Ressuscitado não é de uma única época do ano, pois podemos encontrá-l'O todos os dias na Eucaristia, quando adoramos a sua presença viva neste “tão grande sacramento”.
Nós também, como os discípulos de Emaús, reconhecemos o Senhor na “fracção do pão”, pela acção do Espírito Santo nos nossos corações.
Mais se acredita em Jesus, mais o seu Espírito cativa a nossa existência, mais a sua inspiração enche o nosso pensamento, mais o seu amor nos leva a agir.
Sem o Espírito, não se pode fazer nada de sobrenatural, ou mesmo rezar, porque Ele é o único que eleva o nosso espírito e o nosso coração para Deus.




Tudo o que é verdadeiro na vida da Igreja e na vida de cada um, é reduzido à sua acção.
Não há nada que uma alma possa fazer em nome de Jesus, sem a cooperação do Espírito Santo.
Pensa-se muito pouco sobre a necessidade de o Espírito Santo na vida da Igreja e na nossa.
Recordamo-l’O apenas em momentos precisos, mas, na realidade, devíamos invoca-l’O ao longo do dia, como crianças que procuram a proximidade de seus pais para serem fortalecidos da sua força, tranquilizados pela sua presença.
É isso mesmo que a sequência do Pentecostes nos recorda: “Vinde Espírito Santo, vinde Pai dos pobres, vinde luz dos corações!”
Quem são estes pobres senão cada um de nós, rico de si mesmo, mas tão necessitado deste Espírito divino?

domingo, 3 de maio de 2009

Nos seus passos, como Ele

«Jesus Cristo quer apascentar na pessoa dos pastores, e os pastores na pessoa de Jesus Cristo. Os pastores glorificam-se, mas quem se gloria deve gloriar-se em Jesus Cristo.
Apascentar por Cristo, apascentar em Cristo e apascentar com Cristo, não é apascentar para si mesmo senão para Cristo. (...)
Todos os pastores devem por isso o ser num só Pastor, todos devem senão fazer ouvir a voz d'Ele às ovelhas, para que as ovelhas sigam o seu único Pastor, e não este ou aquele; todos devem ter n’Ele o mesmo discurso sem pronunciar ensinamentos distintos.»


S. Agostinho, Padre e Doutor da Igreja
Sermão XLVI. O único Pastor.




O 4º Domingo da Páscoa é tradicionalmente chamado “Domingo do Bom Pastor”, pois o Evangelho deste dia convida-nos a reflectir de modo particular na imagem do Pastor que dá a sua vida pelas suas ovelhas. Jesus quis que nos seus passos, como Ele, houvesse uma multidão de pastores, que, por sua vez, desse a sua vida para guardar as ovelhas e trazer de volta aquelas que se perderam.
Ele quis que cada sacerdote se assemelhasse com Ele, cumprisse com a sua graça a tarefa de conduzir o seu rebanho para as pastagens do Céu...os Sacramentos da Igreja são feitos para isto.
O “Domingo do Bom Pastor” é por isso um dia especial para os homens que se colocaram ao serviço exclusivo do Bom Pastor que é Cristo. Rezemos fervorosamente pelos exigentes e difíceis desafios e responsabilidades da cada pastor, e que no mundo haja muitos e santos sacerdotes!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Que vais fazer no Céu?

«Nas vésperas de morrer, (Francisco) disse-me:
- Olha; estou muito mal; já me falta pouco para ir para o Céu.
- Então vê lá: não te esqueças de lá pedir muito pelos pecadores, pelo Santo Padre, por mim e pela Jacinta.
- Sim, eu peço. Mas olha: essas coisas pede-as à Jacinta, que eu tenho medo de me esquecer, quando vir a Nosso Senhor! E depois antes O quero consolar.»

Jacinta, «que vais fazer no Céu?
- Vou amar muito a Jesus e o Coração Imaculado de Maria; pedir muito por ti (Lúcia), pelos pecadores, pelo Santo Padre, pelos meus Pais e irmãos, e por todas essas pessoas que me têm pedido para pedir por elas.»


Memórias da Irmã Lúcia




Oração para pedir a canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e agradeço-Vos as aparições da Santíssima Virgem em Fátima.
Pelos méritos infinitos do Santíssimo Coração de Jesus
e por intercessão do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos que,
se for para vossa maior glória e bem das nossas almas,
Vos digneis glorificar diante de toda a Igreja
os bem-aventurados Francisco e Jacinta,
concedendo-nos, por sua intercessão,
a graça que Vos pedimos.
Ámen.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória


Imprimatur: Fatimae, 13 Maii 2003
+Serafim, Episc. Leir.-Fatimensis



É difícil separar os dois irmãozinhos Francisco e Jacinta, pensar num sem recordar o outro. Por isso, a Igreja celebra a memória dos dois pastorinhos de Fátima a 20 de Fevereiro, dia em que partiu para o Céu a pequena Jacinta no ano de 1920.
Lá, ela e o seu irmão, falecido a 4 de Abril de 1919, contemplando a Deus, intercedem pela Igreja e a humanidade.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Vaticano, Google & YouTube

Hoje, memória de São Francisco de Sales, santo patrono dos jornalistas, e véspera da Festa da conversão de São Paulo, o grande arauto do Evangelho, o Vaticano estabeleceu um acordo com dois gigantes da net: Google e YouTube, afim de facilitar o acesso aos discursos, imagens e celebrações de Bento XVI por parte dos internautas.
Na verdade, já no YouTube, não faltam vídeos do Santo Padre, mas a ideia de Roma é controlar a fonte e transmitir a actualidade vaticana directamente, sem intermediário. O internauta tem assim acesso directo à Rádio Vaticano, ao Centro Televisivo Vaticano, aos sites da Santa Sé e do Estado do Vaticano, uma ligação ao H2Onews-YouTube, no Canal Vaticano do YouTube.



A Santa Sé publicou também hoje, a mensagem de Bento XVI para o 43º Dia Mundial das Comunicações Sociais na próxima Solenidade da Ascensão do Senhor (24/05/2009 em Portugal).
Nela, o Papa manifesta os «benefícios que as novas tecnologias oferecem às relações humanas.»
«As famílias podem permanecer em contacto apesar de separadas por enormes distâncias, os estudantes e os investigadores têm um acesso mais fácil e imediato aos documentos, às fontes e às descobertas científicas e podem por conseguinte trabalhar em equipa a partir de lugares diversos; além disso a natureza interactiva dos novos «media» facilita formas mais dinâmicas de aprendizagem e comunicação que contribuem para o progresso social.»
O Papa acrescenta, contudo, que é necessário que estes meios promovam «uma cultura de respeito, diálogo e amizade», que respeite a «dignidade e o valor da pessoa humana», evitando «a partilha de palavras e imagens degradantes para o ser humano e, consequentemente, excluir aquilo que alimenta o ódio e a intolerância, envilece a beleza e a intimidade da sexualidade humana, explora os débeis e os inermes», e apela a lucidez: «É preciso não se deixar enganar por aqueles que andam simplesmente à procura de consumidores num mercado de possibilidades indiscriminadas, onde a escolha em si mesma se torna o bem, a novidade se contrabandeia por beleza, a experiência subjectiva sobrepõem-se à verdade.»
Bento XVI acaba a sua mensagem com um convite: «A vós, jovens, que quase espontaneamente estais em sintonia com estes novos meios de comunicação, corresponde de maneira particular a tarefa de evangelizar este “continente digital”.»
Por isso, jovens e menos jovens…mãos à obra!


Ler na íntegra a Mensagem para o 43º Dia Mundial das Comunicações Sociais

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Não é possível ser cristão sem desejar a unidade

Neste Oitavário de oração pela unidade dos cristãos, de 18 a 25 de Janeiro...

«Os cristãos nunca deveriam esquecer que a sua pertença ao único corpo de Cristo e a inabitação do Espírito Santo neles acontecem através do baptismo.
Existe uma verdadeira comunhão entre os cristãos, que seguramente não é perfeita nem plena – mas esta comunhão será perfeita e plena somente no Reino de Deus! – e esta comunhão vem pelo baptismo. (…)
Pelo baptismo, o cristão torna-se membro do corpo de Cristo, pertence à Igreja de Deus, “una, santa, católica e apostólica”, e é por meio da força do baptismo que ele assume a responsabilidade de reconhecer nos seus irmãos cristãos, os membros do mesmo e único corpo… “sacramentum fidei, sacramentum corporis Christi!”, “sacramento da fé, sacramento do Corpo de Cristo!” (…)


A comunhão dos cristãos entre eles e com Deus, durante a peregrinação da Igreja para o Reino, será sempre frágil, continuadamente posta à prova e muitas vezes contestada…porém a Igreja guarda e persegue a vontade de Deus, que pede sem cessar que se realize a comunhão visível do corpo de Cristo: que sejamos um, como o Pai e o Filho são um.
Estarão os cristãos conscientes desta necessidade radical de comunhão para dar forma à sua vida e á vida eclesial? De facto não é possível ser cristão sem desejar a unidade, ser cristão e não fazer tudo para que haja comunhão. Aquele que procede e vive para a comunhão com Cristo não pode ao mesmo tempo não proceder e viver para a reconciliação e comunhão com os seus irmãos, membros do seu próprio corpo. (…)
É na oração que apresentamos tudo o que somos, mas também o que ainda não somos, aquilo que devemos ser segundo a vontade do apelo do Senhor.
Por isso, a oração que devemos elevar com insistência ao Senhor é a de nos conceder de viver a Igreja como escreveu um Padre latino do século XII, Anselmo de Havelberg:
“Est unum corpus Ecclesiae, quod Spiritu sancto vivificatur, regitur et gubernatur… Unum corpus ecclesiae uno Spiritu sancto vivificatur, qui et unicus est in se, et multiplex in multifaria donorum suorum distributione.”
“Há um só corpo da Igreja, que o Espírito Santo vivifica, rege e governa… o corpo da Igreja que é uno, vive pelo Espírito Santo que é uno, único em si mesmo, e múltiplo na distribuição multiforme dos seus dons”.»


Enzo Bianchi, prior do Mosteiro ecuménico de Bose

sábado, 29 de novembro de 2008

Ele veio, Ele vem, Ele virá!

O Tempo do Advento começa este fim-de-semana, com a celebração das primeiras vésperas no sábado ao entardecer.
O Advento é o período durante o qual os cristãos se preparam para celebrar simultaneamente:
- a vinda de Cristo há 2000 anos atrás em Belém ,
- a sua vinda no coração dos homens de todos os tempos
- e a sua vinda gloriosa no fim dos séculos.
Ele veio, Ele vem, Ele virá!

O início do Advento marca também a entrada num novo ano litúrgico, que começa sempre com este tempo de preparação ao Natal, para acabar um ano mais tarde pela mesma altura.
O Advento, como todo o calendário litúrgico católico, ajuda os fiéis a reviver os grandes acontecimentos da vida e pregação de Cristo, de modo particular do seu nascimento (Natal) à sua morte e ressurreição (Páscoa). «A Igreja relê e revive por isso todos estes grandes acontecimentos da história da salvação no “hoje” da sua liturgia» (Catecismo nº1095).



Senhor, que um dia vieste,
que este novo Advento faça de nós fiéis vigilantes,
por quem te alegrarás
ao encontrá-los preparados para a tua vinda.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Invocar o Espírito Santo

«Toma a Bíblia, coloca-a diante de ti com reverência porque ela é corpo de Cristo, faz a epiclese: a invocação ao Espírito Santo. Foi o Espírito que orientou a geração da Palavra, foi Ele que a fez palavra falada ou palavra escrita pelos profetas, os sábios, Jesus, os apóstolos, os evangelistas, foi Ele que a ofereceu à Igreja e a fez chegar intacta até ti.
Inspirada pelo Espírito Santo, só este mesmo Espírito pode torná-la compreensível. Predispõe tudo para que o Espírito Santo desça sobre ti (Veni Creator Spiritus) e que com a sua fortaleza, a sua dynamis, tire o véu dos teus olhos para veres o Senhor (cf Sl 118,18; 2 Cor 3,12-16). É o Espírito que dá a vida, enquanto a letra mata. Este Espírito que desceu sobre a Virgem Maria, que estendeu sobre ela a sua sombra com poder para gerar nela o Verbo, a palavra feita carne (Lc 1,34), este Espírito que desceu sobre os apóstolos para guiá-los para a verdade total (Jo 16,13), deve fazer o mesmo em ti: Ele tem de gerar em ti a Palavra, Ele deve introduzir-te na totalidade da verdade. A leitura espiritual significa leitura no e com o Espírito Santo, das coisas inspiradas pelo Espírito Santo.
Ora como podes, e como o Senhor to conceder. (…)
Ajuda-te do salmo 118 (119), é o salmo da escuta da Palavra. É o salmo da Lectio divina, a conversa do Amado com o Amante, do crente com o seu Senhor.»


Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro Ecuménico de Bose,
Orar a Palavra, uma introdução à Lectio divina



«Envia agora sobre mim o teu Espírito Santo
para que Ele me dê um coração capaz de escutar (1Rs 3,5);
que Ele se me revele nas Sagradas Escrituras
e gere em mim o Verbo.
Que o teu Espírito Santo tire o véu dos meus olhos (cf 2Cor 3,12-16),
que Ele me conduza à verdade total (Jo 16,13),
que Ele me dê inteligência e perseverança.
Peço-Te por Jesus Cristo, nosso Senhor,
bendito pelos séculos dos séculos!
Ámen.»


Enzo Bianchi

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sabia que...

Sabia que este passado 5 de Outubro, começou um Sínodo dos Bispos em Roma, delegados das Conferências Episcopais, para reflectir sobre a Palavra de Deus e a vida cristã?

Sabia que, durante muitos séculos, não houve Bíblia escrita, mas só a tradição oral que ia passando de pais a filhos, e contada com fidelidade de geração em geração?

Sabia que a Bíblia é uma “biblioteca” composta de 73 livros, de tamanhos diferentes, de épocas, autores e estilos diferentes? Que o Antigo Testamento tem 46 livros e o Novo, 27 livros?

Sabia que o Antigo Testamento foi todo escrito em hebraico, excepto o livro da Sabedoria, que foi escrito em grego? E sabia que o Antigo Testamento levou 900 anos a escrever, desde o ano 950 antes de Cristo até ao ano 50 antes de Cristo?

Sabia que o Novo Testamento foi escrito até ao fim do século primeiro, ou seja, cem anos depois de Cristo? E que o primeiro texto a ser escrito foi a Primeira Carta aos Tessalonicenses e o último o Evangelho segundo S. João?

Sabia que os livros da Bíblia não foram escritos em capítulos? Que foi Estêvão Langton, arcebispo de Cantuária, em 1214, que dividiu os livros da Bíblia em capítulos?

Sabia que 337 anos mais tarde, em 1551, Robert Etiene dividiu o Novo Testamento em versículos, como temos agora? E que em 1565, Teodoro de Beza dividiu o resto da Bíblia em versículos?

Sabia que os livros do Antigo Testamento não foram escritos pela ordem em que os temos hoje nas nossas Bíblias? Esta ordem é lógica, começa pelo livro das origens, o Génesis, e não é uma ordem cronológica?

Sabia que o Novo testamento foi escrito em aramaico, a língua de Jesus, e em grego? E sabia que foi S. Jerónimo quem, por volta do ano 400, traduziu a Bíblia para Latim, cuja tradução se chama Vulgata?

Sabia que já havia uma tradução de todo o Antigo Testamento para grego, chamada LXX (Setenta), muito usada no tempo de Jesus e das primeiras comunidades cristãs?

Sabia que a Bíblia, como Palavra de Deus, é Palavra inspirada, ou seja, o Espírito Santo agiu nos autores sagrados e os inspirou a escreverem sem eles deixarem de usar sua cultura, suas qualidades, seus talentos?

Sabia que é da Palavra que vem a fé, o alimento espiritual, a força, a graça da conversão?

Sabia que precisamos de ler, saborear a Palavra de Deus?

Revista "Cruzada"




“Só a Palavra de Deus pode transformar em profundidade o coração do homem. Assim, é importante que com ela entrem em intimidade sempre crescente cada um dos crentes e as comunidades. A assembleia sinodal dirigirá a sua atenção a esta verdade fundamental para a vida e missão da Igreja. Alimentar-se da Palavra de Deus é para a Igreja a primeira e fundamental tarefa. (...)
É necessário colocar no centro da nossa vida a Palavra de Deus, acolher Cristo como nosso único Redentor, como o Reino de Deus em pessoa, para fazer com que a sua luz ilumine todos os âmbitos da humanidade: da família à escola, à cultura, ao trabalho, ao tempo livre e aos outros sectores da sociedade e da nossa vida.”


Bento XVI, Homilia da Missa de Inauguração do Sínodo sobre a Palavra de Deus, 05/10/2008






Oração pelo bom êxito do Sínodo dos Bispos

Senhor Jesus Cristo, a quem o Pai nos recomendou escutar como seu Filho amado: iluminai vossa Igreja, a fim de que nada seja para ela mais santo que ouvir vossa voz e seguir-vos. Vós sois Sumo Pastor e Senhor de nossas almas, dirigi vosso olhar aos Pastores da Vossa Igreja, que nestes dias se reúnem com o Sucessor de Pedro em Assembleia Sinodal. Imploramo-vos que os santifiqueis na verdade e os confirmeis na fé e no amor.

Senhor Jesus Cristo, enviai vosso Espírito de amor e de verdade sobre os Bispos que celebram o Sínodo e sobre aqueles que os assistem em suas tarefas: fazei com que sejam fiéis ao que o Espírito diz às Igrejas e, deste modo, inspirai suas almas e ensinai-lhes a verdade. Através de seu trabalho, que os fiéis possam ser purificados e reforçados no espírito para aderir ao Evangelho da salvação por vós realizada e se convertam em oferta viva ao Deus do céu.

Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, assisti hoje os Bispos como um dia assististes os Apóstolos no Cenáculo, e intercedei com a vossa materna ajuda para promover entre eles a comunhão fraterna, a fim de que, em prosperidade e paz, possam alegrar-se na serenidade destes dias e, perscrutando com amor os sinais dos tempos, celebrar a majestade de Deus misericordioso, Senhor da história, para o louvor e glória da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.
Ámen.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Mistério de comunhão

«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado.
Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos.»


Jo 15,1-8


Cristo é a videira e nós os ramos, como Ele é o Corpo e nós os membros.
A verdadeira videira é Cristo, mas também a Igreja, cujos membros estão em comunhão com Ele.
Sem esta comunhão, não podemos fazer nada; só Jesus, verdadeira cepa, pode dar fruto, um fruto que glorifica o agricultor, o Pai.
Sem a comunhão com Cristo, somos ramos separados da videira, por isso, privados da seiva, não irrigados, estéreis, bons para o fogo.
A esta comunhão, todos os homens são chamados.
Nesta comunhão, o homem se converte em ramo da verdadeira cepa, para dar fruto…para glorificar o Pai.
Tal é o mistério da verdadeira videira, de Cristo e da Igreja, mistério de comunhão fecunda e de alegria que permanece para a eternidade.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Há trabalho de sobra

“Ide também vós para a minha vinha!” (Mt 20,4)


«Poder trabalhar na vinha do Senhor, pôr-se ao seu serviço, colaborar na sua obra, constitui em si um prémio inestimável, que recompensa todo o cansaço. Mas só quem ama o Senhor e o seu Reino o compreende; quem, pelo contrário, só trabalha pelo salário nunca se dará conta do valor deste tesouro inestimável.»


Bento XVI,
Angelus 21/09/2008


A“vinha do Senhor” precisa de trabalhadores!
Há trabalho de sobra para todos, e ninguém deve ficar de braços cruzados. Há lugar também para aqueles que conseguem fazer apenas um pouco.
Basta acolher o convite pessoal do Dono da vinha, e fazer a própria parte.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Rivalidade cristã

Uma comunidade é frequentemente o lugar de inveja, um lugar de rivalidades.
E a Igreja não escapa a este fenómeno quando cada movimento tenta ter uma melhor posição do que o outro, em ser mais reconhecido... até pode parecer um campo de batalha.
Muitas vezes, quando estamos juntos diante do Senhor, temos a atitude de Marta: “Viste a minha irmã, Senhor? Isso não te incomoda?...” É a mesma atitude que o fariseu tem no Templo, que, vendo o publicano, diz: “Eu, pelo menos, não sou como aquele homem”, ou ainda como aquele apóstolo que, vivendo junto de Jesus, se questionava: “Quem é o maior entre nós?” Podemos também juntar o exemplo de uma mãe, a Senhora Zebedeu, que gostaria muito ver os seus dois filhos em bom lugar junto do Senhor, um à direita e outro à esquerda. Não serão eles melhores do que os dez outros apóstolos?
Numa comunidade, se a inveja ou a rivalidade operam um pouco em todo o lado, ambas têm uma predilecção para se intrometer na liturgia, neste momento particular de presença a Deus. É o irmão que não suporta mais a voz de seu irmão quando canta, ou a sua maneira de celebrar. É acreditar que as vozes dissonantes não têm lugar no coro; as opiniões divergem numa comunidade.



Depois das férias de verão, no recomeço da actividade pastoral em muitas paróquias...

Senhor,
junto de ti que te humilhaste,
não se trata de maiores e de melhores,
pois o caminho não é este.
Ensina-me,
no teu seguimento,
a descer,
a fazer-me o mais pequeno
no meio dos meus irmãos,
a ser o servo de todos;
a ver neles o que é belo,
e em mim o que é frágil.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Guiou a barca de Pedro em anos tempestuosos

Hoje, 6 de Agosto, completam-se os 30 anos da morte do Servo de Deus, Paulo VI.
Giovanni Battista Montini nasceu na região da Lombardia, norte da Itália, a 26 de Setembro de 1897.
Foi papa de 21 de Junho de 1963 até à sua morte aos 81 anos, no dia da Festa da Transfiguração do Senhor de 1978.
“Como supremo Pastor da Igreja, Paulo VI guiou o povo de Deus à contemplação do rosto de Cristo Redentor do homem e Senhor da história. Esta amorosa orientação da mente e do coração para Cristo foi precisamente um dos pontos fulcrais do Concílio Vaticano II, uma atitude fundamental que o meu venerado predecessor João Paulo II herdou e relançou no grande Jubileu do ano 2000. No centro de tudo, sempre Cristo: no centro das Sagradas Escrituras e da Tradição, no coração da Igreja, do mundo e de todo o universo”. (Bento XVI, 03/08/2008)
“Fidem servavi” …”Conservei a fé”…nesta expressão paulina pronunciada poucos dias antes de sua própria morte, está condensado todo o pontificado de Paulo VI. Um Papa sereno e firme, apaixonado pela Verdade, que guiou a barca de Pedro em anos tempestuosos para a Igreja e para o mundo.
Eleito a 21 de Junho de 1963, o Papa Montini confrontou-se desde logo com um grande desafio: levar a cabo o Concílio Vaticano II convocado pelo Beato João XXIII, mas que após um entusiasmo inicial corria o risco de afundar-se. Seguindo com cuidado os trabalhos conciliares, intervindo nas questões mais delicadas, este Papa soube “fazer aterrar este grande avião que era o Concílio como mais ninguém o poderia fazer.” (Jean Guitton)
Com o Concílio, a Igreja actualizou-se, fez o seu “aggiornamento”, renovou-se, mas existiram turbulências que fizeram sofrer muito Paulo VI. Algumas palavras do Papa mostraram graves inquietações sobre os frutos do Concílio:
“A Igreja está a passar por uma hora inquieta de autocrítica, que melhor se chamaria de autodestruição, como um problema agudo e completo que ninguém esperaria após o Concílio. A Igreja parece suicidar-se, matar-se a si mesma.” (07/12/1972)
“Esperava-se que depois do Concílio houvesse um período resplandecente de sol para a história da Igreja. Pelo contrário, vieram nuvens, tempestade e trevas!” (18/08/1975)
“Neste momento há na Igreja uma grande inquietação. O que está em questão é a fé! O que me perturba quando penso no mundo católico é que, dentro do catolicismo, algumas vezes, parece dominar um pensamento não-católico; pode acontecer que este pensamento não-católico, dentro do catolicismo, amanhã seja a força maior na Igreja, mas nunca será a Igreja!” (08/08/1977) Preocupante…sobretudo na boca de um papa…
No 15º ano de pontificado, Paulo VI empenhou-se na pacificação do mundo. Institui um Dia mundial da Paz no 1º de Janeiro de cada ano, e fez-se apóstolo da paz em 9 viagens apostólicas internacionais, que passaram por Portugal, e que o levaram assim a todos os continentes. “Nunca mais a guerra, numa mais a guerra! É a paz, é a paz que deve guiar a sorte dos povos e de toda a humanidade!” (04/10/1965 nas Nações Unidas). Paulo VI é o 1º Papa que viajou de avião.
O Papa Montini preocupou-se também com o sofrimento das nações africanas dilaceradas pela miséria. Em 1967 publicou a encíclica “Populorum progressio”. “O desenvolvimento é o novo nome da paz”. Mas há-de ser um “desenvolvimento integral”, visando “a promoção de cada homem e do homem todo.”
A publicação em 1968 da “Humanae vitae”, centrada sobre o amor conjugal responsável, publicada em pleno ano de contestação nas sociedades ocidentais, fez do Santo Padre objecto, até no interior da Igreja, de críticas cáusticas, que por vezes degeneraram em insultos. O Papa Montini que tomava uma posição pesada e longamente meditada com esta encíclica, exprimia-se assim: “A nossa palavra não é fácil, não é conforme a um uso que hoje em dia se vai difundindo como cómodo e aparentemente favorável ao amor e ao equilíbrio familiar. Queremos recordar que a norma por nós reafirmada não é nossa, mas é própria das estruturas da vida, do amor e da dignidade humana.” (04/08/1968)
Promotor da “civilização do amor”, Paulo VI empenhou-se no diálogo ecuménico, na convicção de que, só unidos, os cristãos poderiam ser factor de reconciliação entre os povos. Histórico é o seu encontro em Jerusalém com o Patriarca de Constantinopla em 1964. No ano seguinte é revogada a excomunhão que as duas Igrejas tinham cominado uma à outra em 1054. Passos em frente se deram também no diálogo com os anglicanos. Em 1966, Paulo VI encontrou-se com o arcebispo de Cantuária. Três anos depois, em Genebra, visitou o Conselho Ecuménico das Igrejas.Em 1978, nos últimos meses de sua vida, o Papa Montini viveu momentos dramáticos com o rapto e assassinato de seu amigo Aldo Moro pelas “Brigadas Vermelhas”, bem explícitos nas palavras trágicas que Ele proferiu numa oração de sufrágio pela alma do político italiano: “Meu Senhor, escutai-nos; quem pode ouvir o nosso clamor senão Vós, ó Deus da vida e da morte? Vós não atendestes as nossas súplicas para o salvamento de Aldo Moro, este homem, bom, humilde, prudente, inocente e amigo.”
De entre muitos frutos do seu ministério petrino, recorda-se a reforma litúrgica na sequência do Concílio Vaticano II, a reforma da Cúria Romana e a celebração do Ano jubilar de 1975. A 29 de Junho de 1978, a pouco mais de um mês de sua morte, Paulo VI afirmava como São Paulo, ter combatido o bom combate do Evangelho:
“O nosso ofício é o mesmo de Pedro, ao qual Cristo confiou o mandato de confirmar os seus irmãos: é o ofício de servir a verdade da fé… Eis, irmãos e filhos, o desejo incansável, vigilante, esgotante, que nos moveu nestes quinze anos de pontificado. ‘Fidem servavi’!...'Conservei a fé!' podemos dizer hoje, com a humilde e firme consciência de nunca ter atraiçoado a santa verdade”.


Quando penso no pontificado do Papa Paulo VI, penso sempre no peso…no fardo…que deve ser, ser Sucessor de São Pedro, Vigário de Cristo na Terra…
Tenhamos sempre presente nas nossas orações o Santo Padre!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Na força do Espírito

«No entanto esta força, a graça do Espírito, não é algo que possamos merecer ou conquistar; podemos apenas recebê-la como puro dom. O amor de Deus pode propagar a sua força, somente quando lhe permitimos que nos mude a partir de dentro. Temos de O deixar penetrar na crosta dura da nossa indiferença, do nosso cansaço espiritual, do nosso cego conformismo com o espírito deste nosso tempo. Só então nos será possível consentir-Lhe que acenda a nossa imaginação e plasme os nossos desejos mais profundos. Eis o motivo por que é tão importante a oração: a oração diária, a oração privada no recolhimento dos nossos corações e diante do Santíssimo Sacramento e a oração litúrgica no coração da Igreja. A oração é pura receptividade à graça de Deus, amor em acto, comunhão com o Espírito que habita em nós e nos conduz através de Jesus, na Igreja, ao nosso Pai celeste. Na força do seu Espírito, Jesus está sempre presente nos nossos corações, esperando serenamente que nos acomodemos em silêncio junto d’Ele para ouvir a sua voz, permanecer no seu amor e receber a “força que vem do Alto”, uma força que nos habilita a ser sal e luz para o nosso mundo. (…)


A força do Espírito Santo não se limita a iluminar-nos e a consolar-nos; orienta-nos também para o futuro, para a vinda do Reino de Deus.(…)
Uma nova geração de cristãos, revigorada pelo Espírito e inspirando-se a uma rica visão de fé, é chamada a contribuir para a edificação dum mundo onde a vida seja acolhida, respeitada e cuidada amorosamente, e não rejeitada nem temida como uma ameaça e, consequentemente, destruída. Uma nova era em que o amor não seja ambicioso nem egoísta, mas puro, fiel e sinceramente livre, aberto aos outros, respeitador da sua dignidade, um amor que promova o bem de todos e irradie alegria e beleza. Uma nova era na qual a esperança nos liberte da superficialidade, apatia e egoísmo que mortificam as nossas almas e envenenam as relações humanas. Prezados jovens amigos, o Senhor está a pedir-vos que sejais profetas desta nova era, mensageiros do seu amor, capazes de atrair as pessoas para o Pai e construir um futuro de esperança para toda a humanidade.(…)


O mundo tem necessidade desta renovação. Em muitas das nossas sociedades, ao lado da prosperidade material vai crescendo o deserto espiritual: um vazio interior, um medo indefinível, uma oculta sensação de desespero.(...)
Também a Igreja tem necessidade desta renovação. Precisa da vossa fé, do vosso idealismo e da vossa generosidade, para poder ser sempre jovem no Espírito.(…)
Que o fogo do amor de Deus desça sobre os vossos corações e os encha, a fim de vos unir cada vez mais ao Senhor e à sua Igreja e enviar-vos, como nova geração de apóstolos, para levar o mundo a Cristo.»

Homilia de Bento XVI nas JMJ, 20/07/2008




As próximas Jornadas Mundiais da Juventude em 2011
...mais perto de nós...Madrid!



As palavras do Santo Padre durante as Jornadas Mundiais da Juventude 2008 de Sydney são de particular interesse. Merecem ser impressas, lidas e meditadas…excelentes catequeses de um Papa professor.

sábado, 28 de junho de 2008

Ano Paulino

«Desde o início, a tradição cristã considerou Pedro e Paulo inseparáveis um do outro, embora cada um tenha tido uma missão diferente a cumprir: Pedro, em primeiro lugar, confessou a fé em Cristo, e Paulo obteve o dom de poder aprofundar a sua riqueza. Pedro fundou a primeira comunidade dos cristãos provenientes do povo eleito, e Paulo tornou-se o Apóstolo dos pagãos. Com carismas diversos trabalharam por uma única causa: a construção da Igreja de Cristo. (…)
Queridos irmãos e irmãs, como nas origens, também hoje Cristo precisa de apóstolos prontos a sacrificar-se a si mesmos. Precisa de testemunhas e de mártires como São Paulo: outrora violento perseguidor dos cristãos, quando no caminho de Damasco caiu no chão fulgurado pela luz divina, passou sem hesitação para o lado do Crucificado e seguiu-O sem titubear. Viveu e trabalhou por Cristo; por Ele sofreu e morreu. Como é actual, hoje, o seu exemplo!
E exactamente por isso, estou feliz por anunciar oficialmente que ao Apóstolo Paulo dedicaremos um especial Ano jubilar, desde 28 de Junho de 2008 até 29 de Junho de 2009, por ocasião do bimilenário do seu nascimento, inserido pelos historiadores entre os anos 7 e 10 depois de Cristo.»


Bento XVI,
Homilia das primeiras vésperas de São Pedro e São Paulo,
28/06/2007

terça-feira, 6 de maio de 2008

Celebrar hoje a vinda do Espírito Santo

Estes dias que seguem a Solenidade da Ascensão de Jesus ao céu, são de especial preparação para a festa do Pentecostes, dia em que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos e dia da fundação da Igreja.
É na Sagrada Escritura, no livro dos Actos de Apóstolos (2, 1-13) que nos é narrado o que aconteceu no Cenáculo de Jerusalém no ano 30 ou 33 da nossa era, 50 dias após a ressurreição de Cristo, na festa judaica do Pentecostes.
Para nós, 2000 anos depois, esta festa, com os seus paramentos vermelhos, nos recorda a missão do Espírito Santo… muitas vezes pouco lembrada entre nós.
Assim, celebrar hoje a vinda do Espírito Santo é tomar consciência da acção do mesmo Espírito Santo em nós, e que todos os discípulos de Cristo, como Igreja, são o novo povo de Deus que abraça toda a humanidade porque o Evangelho deve ser anunciado a todas as nações.
Desde o seu início, desde o Pentecostes de há dois milénios atrás, a Igreja é assistida pelo Espírito Santo. É Ele que a constrói, anima e santifica. É Ele que lhe dá vida e unidade, enriquecendo-a com seus dons. O Espírito Santo continua a trabalhar na Igreja…e de muitas maneiras!, inspirando, motivando e impulsionando os cristãos, individualmente ou em comunidade, a proclamar a Boa Nova de Jesus.
Vem Espírito Santo!


“Abri-vos com docilidade aos dons do Espírito Santo!
Recebei, com gratidão e obediência, os carismas que o Espírito não cessa de oferecer!
Não esqueçais que todos os carismas são dados para o bem comum, isto é para benefício de toda a Igreja!”



João Paulo II, Pentecostes 2004