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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Toda a nossa existência

«Toda a nossa existência, todo o nosso ser deve proclamar o Evangelho aos quatro ventos; toda a nossa pessoa deve respirar Jesus, todos os nossos actos, toda a nossa vida devem proclamar que estamos com Jesus, devem mostrar a imagem da vida evangélica; todo o nosso ser deve ser uma pregação viva, um reflexo de Jesus, um perfume de Jesus, alguma coisa que proclame Jesus, que faça ver Jesus, que brilhe como uma imagem de Jesus.»

«As pessoas afastadas de Jesus devem, sem livros e sem palavras, conhecer o Evangelho vendo a minha vida…Vendo-me, deve ver-se quem é Jesus.»


Beato Carlos de Foucauld

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Podes acreditar na minha doutrina

«Peço ao Espírito Santo que te revela esta presença de Deus em ti. (…)
Podes acreditar na minha doutrina, porque ela não é minha; se tu leres o Evangelho segundo São João hás-de reparar que a todo o momento o Mestra insiste neste mandamento: ‘Permanecei em mim, e eu em vós’, e ainda naquele pensamento tão belo que está à cabeça da minha carta (‘Se alguém me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará e viremos a ele, e nele faremos a nossa morada’), em que Ele fala de fazer em nós a sua morada. São João, nas suas epístolas, deseja que tenhamos “sociedade” com a Santíssima Trindade: esta palavra é tão doce, é tão simples. Basta – di-lo São Paulo – basta acreditar: Deus é espírito e é pela fé que nos aproximamos d’Ele. Pensa que a tua alma é o templo de Deus, é ainda São Paulo quem o diz; a todo o instante do dia ou da noite as três Pessoas divinas permanecem em ti. Não possuis a Santa Humanidade como quando comungas, mas a Divindade, essa essência que os bem-aventurados adoram no Céu, ela mesma está na tua alma; assim, quando se tem consciência disso, dá-se uma intimidade toda de adoração; nunca se está só! Se preferes pensar que o bom Deus está perto de ti, mais do que em ti, segue o teu pendor desde que vivas com Ele.»



Carta da Beata Isabel Trindade à sua mãe,
Maio 1906

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sabia que...

Sabia que este passado 5 de Outubro, começou um Sínodo dos Bispos em Roma, delegados das Conferências Episcopais, para reflectir sobre a Palavra de Deus e a vida cristã?

Sabia que, durante muitos séculos, não houve Bíblia escrita, mas só a tradição oral que ia passando de pais a filhos, e contada com fidelidade de geração em geração?

Sabia que a Bíblia é uma “biblioteca” composta de 73 livros, de tamanhos diferentes, de épocas, autores e estilos diferentes? Que o Antigo Testamento tem 46 livros e o Novo, 27 livros?

Sabia que o Antigo Testamento foi todo escrito em hebraico, excepto o livro da Sabedoria, que foi escrito em grego? E sabia que o Antigo Testamento levou 900 anos a escrever, desde o ano 950 antes de Cristo até ao ano 50 antes de Cristo?

Sabia que o Novo Testamento foi escrito até ao fim do século primeiro, ou seja, cem anos depois de Cristo? E que o primeiro texto a ser escrito foi a Primeira Carta aos Tessalonicenses e o último o Evangelho segundo S. João?

Sabia que os livros da Bíblia não foram escritos em capítulos? Que foi Estêvão Langton, arcebispo de Cantuária, em 1214, que dividiu os livros da Bíblia em capítulos?

Sabia que 337 anos mais tarde, em 1551, Robert Etiene dividiu o Novo Testamento em versículos, como temos agora? E que em 1565, Teodoro de Beza dividiu o resto da Bíblia em versículos?

Sabia que os livros do Antigo Testamento não foram escritos pela ordem em que os temos hoje nas nossas Bíblias? Esta ordem é lógica, começa pelo livro das origens, o Génesis, e não é uma ordem cronológica?

Sabia que o Novo testamento foi escrito em aramaico, a língua de Jesus, e em grego? E sabia que foi S. Jerónimo quem, por volta do ano 400, traduziu a Bíblia para Latim, cuja tradução se chama Vulgata?

Sabia que já havia uma tradução de todo o Antigo Testamento para grego, chamada LXX (Setenta), muito usada no tempo de Jesus e das primeiras comunidades cristãs?

Sabia que a Bíblia, como Palavra de Deus, é Palavra inspirada, ou seja, o Espírito Santo agiu nos autores sagrados e os inspirou a escreverem sem eles deixarem de usar sua cultura, suas qualidades, seus talentos?

Sabia que é da Palavra que vem a fé, o alimento espiritual, a força, a graça da conversão?

Sabia que precisamos de ler, saborear a Palavra de Deus?

Revista "Cruzada"




“Só a Palavra de Deus pode transformar em profundidade o coração do homem. Assim, é importante que com ela entrem em intimidade sempre crescente cada um dos crentes e as comunidades. A assembleia sinodal dirigirá a sua atenção a esta verdade fundamental para a vida e missão da Igreja. Alimentar-se da Palavra de Deus é para a Igreja a primeira e fundamental tarefa. (...)
É necessário colocar no centro da nossa vida a Palavra de Deus, acolher Cristo como nosso único Redentor, como o Reino de Deus em pessoa, para fazer com que a sua luz ilumine todos os âmbitos da humanidade: da família à escola, à cultura, ao trabalho, ao tempo livre e aos outros sectores da sociedade e da nossa vida.”


Bento XVI, Homilia da Missa de Inauguração do Sínodo sobre a Palavra de Deus, 05/10/2008






Oração pelo bom êxito do Sínodo dos Bispos

Senhor Jesus Cristo, a quem o Pai nos recomendou escutar como seu Filho amado: iluminai vossa Igreja, a fim de que nada seja para ela mais santo que ouvir vossa voz e seguir-vos. Vós sois Sumo Pastor e Senhor de nossas almas, dirigi vosso olhar aos Pastores da Vossa Igreja, que nestes dias se reúnem com o Sucessor de Pedro em Assembleia Sinodal. Imploramo-vos que os santifiqueis na verdade e os confirmeis na fé e no amor.

Senhor Jesus Cristo, enviai vosso Espírito de amor e de verdade sobre os Bispos que celebram o Sínodo e sobre aqueles que os assistem em suas tarefas: fazei com que sejam fiéis ao que o Espírito diz às Igrejas e, deste modo, inspirai suas almas e ensinai-lhes a verdade. Através de seu trabalho, que os fiéis possam ser purificados e reforçados no espírito para aderir ao Evangelho da salvação por vós realizada e se convertam em oferta viva ao Deus do céu.

Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, assisti hoje os Bispos como um dia assististes os Apóstolos no Cenáculo, e intercedei com a vossa materna ajuda para promover entre eles a comunhão fraterna, a fim de que, em prosperidade e paz, possam alegrar-se na serenidade destes dias e, perscrutando com amor os sinais dos tempos, celebrar a majestade de Deus misericordioso, Senhor da história, para o louvor e glória da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.
Ámen.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Mistério de comunhão

«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado.
Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos.»


Jo 15,1-8


Cristo é a videira e nós os ramos, como Ele é o Corpo e nós os membros.
A verdadeira videira é Cristo, mas também a Igreja, cujos membros estão em comunhão com Ele.
Sem esta comunhão, não podemos fazer nada; só Jesus, verdadeira cepa, pode dar fruto, um fruto que glorifica o agricultor, o Pai.
Sem a comunhão com Cristo, somos ramos separados da videira, por isso, privados da seiva, não irrigados, estéreis, bons para o fogo.
A esta comunhão, todos os homens são chamados.
Nesta comunhão, o homem se converte em ramo da verdadeira cepa, para dar fruto…para glorificar o Pai.
Tal é o mistério da verdadeira videira, de Cristo e da Igreja, mistério de comunhão fecunda e de alegria que permanece para a eternidade.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O ícone do Pentecostes

A iconografia cristã oriental, mais de que uma simples ilustração, revela o sentido teológico das Sagradas Escrituras. O papel do ícone não é fazer um retrato de um acontecimento, mas transmitir, pela pintura, o ensinamento apostólico, e dar-lhe uma presença simbólica visual. Por isso, os símbolos usados podem não serem cronologicamente exactos, mas aprofundam a reflexão espiritual do tema representado. Como grande apreciador de arte-sacra oriental, desejo partilhar convosco como "é escrito" o ícone do Pentecostes (o vocabulário relativo à leitura e à escrita é muito usado para a iconografia bizantina).



O ícone da festa do Pentecostes é chamado: “A descida do Espírito Santo”.
O movimento do ícone vai de cima para baixo.
A cena acontece no Cenáculo, onde os discípulos se tinham refugiado após a Ascensão de Cristo.
No topo, a metade de um círculo azul: o céu, de onde alguns raios se dirigem sobre um grupo de 12 homens. Sobre a cabeça de cada um, umas línguas de fogo…o Espírito Santo desceu e está sobre eles.
Só alguns apóstolos, com Paulo, os evangelistas Marcos e Lucas, são representados sentados em meio círculo, 6 de cada lado, todos do mesmo tamanho, para mostrar a unidade da Igreja. Entre Pedro e Paul, os dois mais altos do grupo, um lugar vazio, o do Mestre: Cristo, Cabeça da Igreja, Pedra Angular.
Paulo, Marcos e Lucas não estavam presentes no dia do Pentecostes, mas aqui, o significado doutrinal sobrepõe-se ao histórico. Apóstolos e evangelistas têm uma missão: ensinar todos os povos.
Os 4 evangelistas seguram os livros dos Evangelhos, Paulo, os seus escritos, enquanto os outros agarram rolos que representam a autoridade de ensinar, recebida de Cristo.
No centro do grupo, mas na parte de baixo do ícone, um personagem real encerrado num lugar escuro, símbolo do Cosmos, dos povos do mundo envelhecido, que vive nas trevas e no pecado. No entanto, este homem segura nas mãos um lençol que contém 12 rolos: os ensinamentos dos apóstolos “que iluminaram o mundo com a Palavra, o Evangelho.”
Assim, no ícone do Pentecostes, “lemos” o cumprimento da promessa do Espírito Santo, enviado sobre os apóstolos que ensinarão as nações e baptizarão em nome da Trindade. Vemos também que a Igreja é congregada e sustentada pela presença e a obra do Espírito Santo, Espírito que conduz a Igreja no seu esforço missionário pelo mundo e a alimenta na verdade e no amor.

Rei celeste, Consolador, Espírito da Verdade,
presente em toda a parte e que tudo preenche,
tesouro de bens e dispensador da vida,
vinde e habitai em nós,
purificai-nos da impureza
e salvai as nossas almas,
Vós que sois bom.

Liturgia Bizantina

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Que estrela podemos então seguir?

«Os homens e as mulheres de todas as gerações precisam ser orientados na sua peregrinação. Que estrela podemos então seguir?
Depois de pousar sobre “o lugar onde se encontrava o menino”(Mt 2, 9), a estrela que tinha guiado os Magos deixou a sua função, mas a luz espiritual está sempre presente na palavra do Evangelho, que ainda hoje é capaz de guiar cada homem a Jesus. Essa mesma palavra, que não é mais do que o reflexo de Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, é reenviada pela Igreja a toda a alma receptiva.
Também a Igreja, consequentemente, cumpre para a humanidade a missão da estrela.



Podemos dizer o mesmo de cada cristão, chamado a iluminar, pela palavra e o testemunho da sua vida, os passos dos irmãos.
É então importante que nós, cristãos, sejamos fiéis à nossa vocação!
Cada crente autêntico está sempre em caminho no próprio itinerário pessoal de fé e, ao mesmo tempo, com a luzinha que traz em si, ele pode e deve ajudar aquele que se encontra a seu lado, que talvez tem dificuldade em encontrar o caminho que conduz a Cristo.»


Bento XVI, Angelus 06/01/2008

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Uma fase na minha fé, certamente…

Ultimamente, reconheço estar um pouco decepcionado com o rosto da Igreja.
Quando falo da Igreja, falo de todo o Povo de Deus, a hierarquia, os leigos, de mim.
Parece que os actos, as palavras, o testemunho da maioria dos cristãos não estão em sintonia com o Evangelho.
Parece que a luz brilha pouco em mim e nos outros…e gostava tanto vê-la cintilante em todos.
Uma fase na minha fé, certamente…



«Há várias religiões mas um só Evangelho.
Há uma enorme diferença entre a religião e o Evangelho.
A religião é obra do homem; o Evangelho é dom de Deus.
A religião é o que o homem faz para Deus; o Evangelho é o que Deus fez pelo homem.
A religião é o homem em busca de Deus; o Evangelho é Deus que procura o homem.
A religião consiste para o homem, subir a escada da própria justiça com a esperança de encontrar Deus no último degrau. Mas o Evangelho consiste para Deus, descer a escada pela Encarnação de Jesus Cristo, para nos encontrar, pecadores que somos, no degrau mais baixo. A religião é boa vontade; o Evangelho é boa nova.
A religião é “bons conselhos”; o Evangelho é gloriosa proclamação.
A religião deixa o homem tal como é; o Evangelho toma o homem tal como é mas faz dele o que ele deve ser.
A religião reforma o exterior; o Evangelho transforma o interior.
A religião branqueia em superfície; o Evangelho branqueia em profundidade.
Há muitas religiões mas um só Deus.
Há muitas religiões mas um só Evangelho.
Há muitas religiões mas uma só salvação.
A vossa fé é uma religião ou uma salvação?
Sois religiosos ou sois pessoas salvas?»



J.T. Seamands

domingo, 16 de dezembro de 2007

Esperamos o quê?

O Advento coloca-nos algumas perguntas.
Esperamos o quê? O Messias? Que Messias? Para que homem?
Eis que Ele vem, os profetas O anunciaram, e no entanto os que esperavam por Ele não o acolham. Ele está no meio dos seus e os seus não O reconheçam.
O messias que esperamos é muitas vezes bem diferente d’Aquele que vem!
O Messias que vem ultrapassa as nossas concepções humanas, está à estreita nas definições que Lhe damos.
Esperamos um messias de glória e de majestade…eis que Ele vem até nós como um Filho de homem.
Esperamos um messias bem visível aos olhos de todos…Ele vem até nós sem brilho.
Esperamos um messias revolucionário…eis que vem um Messias paciente, que não muda a história de um dia para outro.
Esperamos um messias de sacristia que se coloca ao serviço da religião…eis um Messias que irrita os fariseus e expulsa do Templo.
“És Aquele que há-de-vir?”, pergunta João Baptista.
Falta de fé da parte do profeta?
Ou uma maneira de dizer que o Messias o surpreende na acção, na sua maneira de exercer a missão.
João esperava talvez a vingança, a hora de Deus…algo de forte, capaz de calar os inimigos, de acabar com o pecado.
Jesus dá como resposta as curas e as libertações que Ele realiza.
Com isso, Ele afirma que Ele é bem o Messias esperado, porque a Boa Nova é anunciada aos pobres, porque os doentes são curados e os mortos ressuscitam.
Eis a vingança e a hora de Deus, que não são feitas num Deus que arrasa e triunfa, mas no anúncio aos pequeninos, aos últimos e marginalizados deste mundo.
A vingança e a hora de Deus não estão na morte dos inimigos, mas na vida dada aos que precisam.
É este o Messias que esperavas?

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Ser pobre e servo, Irmão de Jesus

Hino ao Beato Carlos de Foucauld

Amar como Ele nos amou,
e por amor, escolher o último lugar,
ser pobre e servo, Irmão de Jesus.

Procurar como Ele a vida escondida,
e por amor, partir para onde o Espírito chama,
ser somente um viajante passando na noite.

Orar longamente o Bem Amado,
e por amor, abrir-se ao maior silêncio,
adorar Jesus Salvador na Eucaristia.

Levar o Evangelho aos famintos,
e por amor, colher todas as palavras de um povo
onde o Verbo também habita e germina sem ruído.

Dar até ao fim a sua vida oferecida,
e por amor, morrer oferecendo ao Pai
o abandono que jorrou de um coração livre ao infinito.





Oração para obter uma graça por intercessão do Padre Carlos de Foucauld

Deus nosso Pai,
que chamastes o Beato Carlos de Foucauld, sacerdote,
a viver do vosso amor na intimidade de vosso Filho, Jesus de Nazaré,
fazei-nos encontrar no Evangelho o fundamento de uma vida cristã cada vez mais radiante
e na Eucaristia a fonte de uma verdadeira fraternidade universal.
Nós Vos pedimos particularmente, por intercessão do beato Carlos de Foucauld, e se assim for a vossa vontade, a graça de… em favor de…, que recomendamos ao vosso coração de Pai.
Nós Vos pedimos por Jesus, vosso Filho bem amado, nosso Senhor.



Imprimatur : Viviers, 14 Setembro 2006
+ François Blondel, Bispo de Viviers


Memória litúrgica: 1 de Dezembro


Ler biografia do Beato Carlos Foucauld (Site da Santa Sé)

sábado, 27 de outubro de 2007

Consciência da sua fragilidade

«Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola
para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros:
«Dois homens subiram ao templo para orar;
um era fariseu e o outro publicano.
O fariseu, de pé, orava assim:
‘Meu Deus, dou-Vos graças
por não ser como os outros homens,
que são ladrões, injustos e adúlteros,
nem como este publicano.
Jejuo duas vezes por semana
e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’.
O publicano ficou a distância
e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu;
Mas batia no peito e dizia:
‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’.
Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa
e o outro não.
Porque todo aquele que se exalta será humilhado
e quem se humilha será exaltado.»

Lc 18,9-14




Reza-se verdadeiramente quando se tem consciência da sua fragilidade, da sua precariedade. Toda a Sagrada Escritura dá testemunho disso. É no meio das provações e nas fraquezas que o povo de Israel descobre o amor de Deus.
No Evangelho deste Domingo, Jesus nos dá dois exemplos de oração, a de um fariseu e a de um publicano.
Apesar de ser verdadeiro e fiel na prática da Lei, o fariseu eleva uma oração imbuída de orgulho, onde ele não faz mais do que contemplar-se em vez de contemplar a Deus. De facto, ele não precisa de nada; a única coisa que o interessa é a conta dos seus méritos.
Mas a oração do publicano, homem mal visto pela sociedade, é verdadeira diante do Senhor porque reconhece a própria fragilidade e precariedade. É a oração de um homem que se sabe pecador, que tem consciência que não ama o suficiente ou que ama mal. Ele percebe que algumas páginas da sua vida não foram brilhantes. Ele vê a trave que está no seu olho ao ponto de já não ver o argueiro no olho do irmão. Este homem sabe que o perdão só vem de Deus. É esta oração que permite ao pecador acolher o amor de Deus. O Evangelho diz que o publicano “voltou justificado”. De facto, o justo é aquele que se ajusta a Deus numa confiança absoluta, acolha a vontade do Senhor, desejando permanecer nela custa o que custar. O publicano é justo porque se deixou justificar por Deus em vez de se justificar a ele próprio.
O ideal seria que estes dois homens tão diferentes se pusessem a orar juntos diante de Deus, dizendo a uma só voz: “Tem piedade de nós porque somos pecadores… tem piedade de mim que prejudiquei o meu próximo…tem piedade de mim que me acho superior aos outros… tem piedade de nós quando estamos zangados uns com os outros…” e o Senhor diria: “Quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles.” É esta oração conjunta que nos permite aproximar-nos de Deus e dos outros, porque o Senhor se torna presente para nos dizer que Ele se reconhece em cada um de nós. Ele vem ensinar a olhar uns pelos outros, não com desprezo ou altivez, mas como verdadeiros irmãos e irmãs.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Um único sermão e 3000 pessoas se convertem!

«De pé, com os Onze, Pedro ergueu a voz e dirigiu-lhes então estas palavras:
‘Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou no meio de vós por seu intermédio, como vós próprios sabeis, este, depois de entregue, conforme o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós o matastes, cravando-o na cruz pela mão de gente perversa.
Mas Deus ressuscitou-o, libertando-o dos grilhões da morte, pois não era possível que ficasse sob o domínio da morte.’
Os que aceitaram a sua palavra receberam o baptismo e, naquele dia, juntaram-se a eles cerca de três mil pessoas.»


Actos dos Apóstolos, 2, 4.14.22-24.41




Um único sermão e 3000 pessoas se convertem!
Como? A resposta é o Espírito Santo. Ele é oferecido e vem cumprir maravilhas no coração do homem. Sem o Espírito Santo, não se pode entender o amor de Deus. Podemos ter o mais belo discurso do mundo com as mais belas palavras que existem, mas sem Ele, é impossível.
A Igreja, os cristãos, são chamados a testemunhar Cristo, anunciá-lo, mas na desapropriação deste mesmo anúncio porque “só Deus se dá aos corações e se propõe à sua liberdade.” (Madalena Delbrel)
Somos fracos, pobres. Nas nossas mãos Deus colocou um tesouro que não nos pertence: o Evangelho, que deve ser por nós proclamado, “Ide e anunciai…”; mas que não podemos impor.
O amor é proposto à liberdade e não imposto.
Bernardete, a vidente de Lurdes, dizia aos detractores das aparições: “A Virgem incumbiu-me dizer, não de convencer.”
A Boa Nova que os cristãos são chamados a anunciar é que Cristo ressuscitou de entre os mortos para nos dar a vida. É por amor que o mistério da Redenção aconteceu. “Não há maior prova de amor do que dar a vida.”
“Evangelizar um homem, é dizer-lhe que ele é amado por Deus, e não é só dizer-lhe, mas mostrar-lhe, e não é só mostrar-lhe, mas manifestar com a nossa atitude que ele é único aos olhos de Deus.”Mais que um discurso, é um olhar ou um gesto que evangeliza.
Mas para anunciar o amor redentor de Deus, é necessário sermos também nós convencidos de que Deus nos ama.
Este amor de Deus significa que Deus nos ama pessoalmente, que Ele olha amorosamente para cada um de nós, nos levanta e nos ama como somos. Na nossa pobreza e miséria, Deus manifesta o seu amor.


Senhor faz-me viver do teu amor
para anunciá-lo a todos os homens!


quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A atitude do cristão, da Igreja

Jesus disse ainda a quem O tinha convidado:
«Quando ofereceres um almoço ou um jantar,
não convides os teus amigos nem os teus irmãos,
nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos,
não seja que eles por sua vez te convidem
e assim serás retribuído.
Mas quando ofereceres um banquete,
convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;
e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te:
ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.»


Lc 14, 12-14



Esta semana, tive daquelas conversas que interpelam e questionam a atitude do cristão e da Igreja, em relação aos seus membros entre eles, como para com aqueles que desconhecem ou rejeitam o Evangelho.
Lembrei-me desta passagem do evangelista Lucas, em que Jesus apresenta o Reino de Deus como um “banquete” onde todos – sem excepção – são convidados, inclusive aqueles que a cultura social e religiosa exclui e marginaliza.
Neste banquete, os que aceitam o convite, devem revestir-se de humildade, simplicidade e serviço, não podem agir por interesse ou esperar retribuição, mas devem fazer tudo com gratuidade e amor desinteressado.
Mas Jesus vai mais longe!
Para o banquete é preciso convidar “os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos”, considerados pecadores notórios e amaldiçoados por Deus.
Estes últimos representam todos aqueles que a religião oficial excluía da comunidade, da salvação. Apesar disso, Jesus diz que esses devem ser os primeiros convidados do banquete do Reino.
Como é que, no tempo presente, estes “pecadores notórios”, que podemos rever nos marginais, nos divorciados, nos homossexuais, nas prostitutas são acolhidos na Igreja?
Quais são as respostas ou a assistência que os cristãos, a Igreja, têm para eles?
Será que a resposta é de amor como nos manda Jesus?
No papel, certamente, pois vem no Evangelho, mas na prática?



“Todos os homens são filhos de Deus que os ama infinitamente: é então impossível amar, desejar amar a Deus, sem amar, desejar amar os homens.”


Beato Carlos de Foucauld

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Não amei o Amor

«A verdadeira contrição consiste unicamente nisso: Não amei o Amor. (…)
E se choramos verdadeiramente porque não amámos o Amor, isso não significa que nos atrasemos num olhar voltado para o passado, porque só há uma maneira de reparar as nossas faltas de amor, é de duplicar o nosso esforço e amar melhor hoje, pois a verdadeira contrição se confunde com um acto de amor.
É inútil gemer porque ontem omitimos fazer o bem. Hoje, devemos ser o bem; hoje, devemos amar. Por isso, uma pessoa pode num instante, como a Madalena, como a mulher adúltera, como o bom ladrão, tornar-se um santo, isto se a conversão se fizer até à raiz do próprio ser, aspirando todo para Deus.
Não nos retardemos no passado, não nos demoremos nos pecados que cometemos. Não nos atrasemos em extensos exames de consciência. É tempo perdido. É agora, hoje, que tudo começa, e isto é o que há de maravilhoso no Evangelho: tudo começa.»


Pe. Maurice Zundel 1897-1975


"Vai e agora em diante não tornes a pecar." (Jo 8, 11)

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Tomar a cruz

«No Evangelho, Jesus nos recorda qual o ponto de referência e o sinal do amor autêntico: ‘Tomar a sua cruz’.
Tomar a sua cruz não significa procurar os sofrimentos. Jesus também não foi procurar a sua cruz; Ele tomou-a sobre si, em obediência à vontade do Pai, a mesma que os homens carregaram os seus ombros. Pelo seu amor obediente, Ele fez deste instrumento de suplício um sinal de redenção e de glória.
Jesus não veio aumentar as cruzes humanas…mas dar-lhes um sentido.
‘Quem procura Jesus sem a cruz, encontrará a cruz sem Jesus’, isto é, encontrará a cruz mas sem a força para levá-la.»


Pe. Raniero Cantalamessa OFM Cap,
Pregador da Casa Pontifícia

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Caminhai contra-corrente

“Caminhai contra-corrente: não escuteis as vozes interesseiras e insinuantes que hoje, de muitas partes, propagandeiam modelos de vida caracterizados pela arrogância e pela violência, pela prepotência e pelo sucesso a qualquer preço, pelo aparecer e pelo ter, em detrimento do ser.”

“Não tenhais medo, caros amigos, de preferir as vias alternativas indicadas pelo amor verdadeiro: um estilo de vida sóbrio e solidário, relações afectivas sinceras e puras; um empenho honesto no estudo e no trabalho; profundo interesse pelo bem comum.
Não tenhais medo de parecer diferente e de ser criticado por aquilo que pode parecer desfavorável ou fora de moda: os vossos coetâneos, e até os adultos, e particularmente os que parecem mais afastados do espírito e dos valores do Evangelho, têm uma profunda necessidade de ver alguém que ousa viver segundo a plenitude da humanidade manifestada por Jesus Cristo.”

“Nenhuma vida é sem importância e sem sentido; pelo contrário, senti-vos todos verdadeiramente importantes, protagonistas, porque estais no centro do amor de Deus.”



“Devemos ter o coração aberto pela presença de Deus. A celebração litúrgica e o diálogo aberto com Cristo são momento de força na fé e onde Deus se revela.”

“A nossa fé não propõe um conjunto de proibições morais, mas sim um caminho jubiloso à luz do sim de Deus.”

“Seguir Cristo significa sentir-se membro vivo do seu Corpo que é a Igreja. Não é possível dizer-se discípulo de Jesus se não se ama e não se segue a Igreja. A Igreja é a nossa família, na qual o amor é para o Senhor e para os irmãos, sobretudo na participação da Eucaristia, que faz experimentar a alegria de poder provar desde já a vida futura que será toda iluminada do Amor.”


Bento XVI,este fim-de-semana em Loreto (Itália), diante de 500 000 jovens.

sábado, 25 de agosto de 2007

Não há privilégios

Naquele tempo,
Jesus dirigia-Se para Jerusalém
e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava.
Alguém Lhe perguntou:
«Senhor, são poucos os que se salvam?»
Ele respondeu:
«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita,
porque Eu vos digo
que muitos tentarão entrar sem o conseguir.
Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta,
vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo:
‘Abre-nos, senhor’;
mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’.
Então começareis a dizer:
‘Comemos e bebemos contigo
e tu ensinaste nas nossas praças’.
Mas ele responderá:
‘Repito que não sei donde sois.
Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’.
Aí haverá choro e ranger de dentes,
quando virdes no reino de Deus
Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas,
e vós a serdes postos fora.
Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul,
e sentar-se-ão à mesa do reino de Deus.
Há últimos que serão dos primeiros
e primeiros que serão dos últimos».

Lc 13,22-30



Neste 21º domingo do Tempo comum, o texto do Evangelho, mais uma vez, vem incomodar-nos.
Estávamos tranquilos, seguros de progredir no bom caminho, e eis que Jesus nos obriga a repensar a nossa fé, explicando-nos que para fazer parte do banquete do Reino, o que interessa, não é tanto de fazer parte de uma ou outra instituição, mas de seguir fielmente o seu ensinamento.
Eis-me, firme na minha pertença à Igreja Católica. Tento viver honestamente, participo na Missa, colaboro nas despesas do culto, confesso-me regularmente, sou membro activo da minha paróquia, pertenço a um ou outro movimento, e eis que o Senhor me pode dizer: “Não sei donde és”.
O facto de ser membro da Igreja, o novo povo de Deus, não é para mim nenhum privilégio, mas sim, uma responsabilidade, uma missão. Trata-se de ser um autêntico discípulo de Cristo, logo, de caminhar seguindo-O, vivendo segundo o seu Evangelho…vivendo segundo os valores humanos e espirituais pelos quais Jesus viveu e morreu. O que não é sempre fácil…
Mas todos podem tomar parte no banquete.
Só é exigido uma coisa: a riqueza do amor …lembrai-vos do Evangelho segundo São Mateus (cap. 25)
Só assim nos sentaremos à mesa do reino de Deus.

domingo, 5 de agosto de 2007

Ricos aos olhos de Deus

Naquele tempo,
alguém, do meio da multidão, disse a Jesus:
«Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo».
Jesus respondeu-lhe:
«Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?»
Depois disse aos presentes:
«Vede bem, guardai-vos de toda a avareza:
a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens».
E disse-lhes esta parábola:
«O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita.
Ele pensou consigo:‘Que hei-de fazer,
pois não tenho onde guardar a minha colheita?
Vou fazer assim:
Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores,
onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens.
Então poderei dizer a mim mesmo:
Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos.
Descansa, come, bebe, regala-te’.
Mas Deus respondeu-lhe:
Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma.
O que preparaste, para quem será?’
Assim acontece a quem acumula para si,
em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».


Lc 12,13-21



Todos temos uma escala de valores, de prioridades, e na vida, é preciso saber escolher…esta é a grande lição da parábola do Evangelho deste 18º Domingo do Tempo Comum.
Jesus oferece uma maneira segura de não gastar a nossa vida em vão: “tornar-se rico aos olhos de Deus”, abrir uma conta no banco de Deus, onde os ladrões não podem entrar, onde a bolsa é sempre estável.
Cristo convida em não agir como o agricultor rico da parábola, um insensato que se identifica com o seu ouro e o seu dinheiro, em vez de ser um instrumento de comunhão, de partilha e de solidariedade.
Este trecho do Evangelho é para cada um de nós, uma ocasião de reflectir nas prioridades que animam a nossa vida de todos os dias, uma oportunidade para perguntar qual é o uso que fazemos do dinheiro, dos talentos, dos tempos de lazer…
Jesus recorda que na vida, há uma escala de valor…tudo não está no mesmo plano. Ele não diz que o dinheiro é mau, mas lembra que, como os talentos, o dinheiro tem de ser partilhado. Ao abrir o nosso coração às necessidades dos outros, tornámo-nos ricos aos olhos de Deus!
Hoje, a nossa sociedade, com a sua publicidade omnipresente, facilmente se converte numa indústria de sonhos para “ricos insensatos”... temos que ter cuidado!
Cristo afirma que o futuro tem pelo menos um elemento certo : a nossa morte.
Mais tarde ou mais cedo, ouviremos também: “Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste?"

domingo, 22 de julho de 2007

Acolher

«Abraão estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia.
Ergueu os olhos e viu três homens de pé diante dele.
Logo que os viu, deixou a entrada da tenda e correu ao seu encontro;
prostrou-se por terra e disse:
’Meu Senhor, se agradei aos vossos olhos,
não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo.’»

Gn 18,1-3

«Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa.
Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.»

Lc 10, 38-42



Há muitas maneiras de acolher as pessoas.
Cheio de delicadeza, Abraão vai ter com os seus três misteriosos visitantes, prosterna-se diante deles, convida-os a não passar sem parar diante da sua casa, prepara um festim…
Também Marta prepara uma refeição que certamente partilhará com os seus irmãos, Lázaro e Maria, para o amigo convidado, Jesus.
Outra maneira de acolher é a de Maria, irmã de Lázaro e Marta. Ela senta-se aos pés de Jesus, o escuta, fazendo-lhe companhia.

Os portugueses têm fama de acolher bem…e quase sempre à volta da mesa. Há sempre algo para petiscar com as visitas.
Acolher é uma bela maneira de amar o próximo.
O Senhor convida-nos a sermos também nós, outros Abraão, Marta, Maria, no acolhimento que Lhe reservamos, na escuta da sua Palavra, mas também, no amigo, no vizinho, no pobre, no refugiado, no marginalizado. Podemos reconhecer o próprio Jesus na visita que bate à nossa porta.
A nós de ouvir a Palavra do Senhor e de a pôr em prática.
“Se alguém me tem amor guardará minha palavra, meu Pai o amará e nós viremos a ele, e faremos nele a nossa morada.” Jo 14, 23

domingo, 15 de julho de 2007

O próximo

«Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores.
Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto.
Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante.
Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem,passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho,colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse:
‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’.
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
O doutor da lei respondeu:
«O que teve compaixão dele».
Disse-lhe Jesus:
«Então vai e faz o mesmo».

Lc 10,30-37




É bem conhecida de todos a história do Bom Samaritano e o contexto em que Jesus a contou.
À pergunta feita a Jesus pelo doutor da lei: «Mestre, que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?», o Senhor responde com o mandamento do amor: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo».
Mas para ilustrar o amor ao próximo, Jesus conta a bela história do Bom Samaritano.
Esta parábola ensina-nos 3 coisas sobre o próximo.
O próximo é, primeiro, aquele que está próximo de mim.
Em segundo, o próximo é aquele que está em necessidade: nesta parábola, é o homem espancado pelos salteadores.
Finalmente, é aquele que se faz próximo da pessoa em necessidade, é «o que teve compaixão dele», respondeu o doutor da lei.
Assim, o próximo se encontra nas duas pontas da relação de amor, é a pessoa amada mas também a pessoa que ama!
Viver segundo o Evangelho, é fazer-se próximo de qualquer um que precisa de ajuda, não interessa a sua religião, a sua etnia, a sua amizade ou inimizade por nós.

Senhor,
que eu encontre alguém para me ajudar
quando preciso de auxílio.
Que eu me faça próximo do outro
quando é ele que me chama.
Ámen.

domingo, 8 de julho de 2007

Eu vos envio...

Naquele tempo,
designou o Senhor setenta e dois discípulos
e enviou-os dois a dois à sua frente,
a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
E dizia-lhes:
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao dono da seara
que mande trabalhadores para a sua seara.
Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias,
nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho.
Quando entrardes nalguma casa,
dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’.
E se lá houver gente de paz,
a vossa paz repousará sobre eles:
senão, ficará convosco.
Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem,
que o trabalhador merece o seu salário.
Não andeis de casa em casa.
Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem,
comei do que vos servirem,
curai os enfermos que nela houver
e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’.»


Lc 10, 1-9



Com o envio dos 72 discípulos, Jesus revela a nossa responsabilidade de cristãos.
É muito frequente pensar que anunciar a Boa Nova é trabalho para os sacerdotes e agentes pastorais. Mas hoje, no Evangelho, Jesus nos diz que cada um é responsável no anúncio do reino de Deus…
Para Jesus e os evangelistas, todos os discípulos de Cristo devem proclamar a Boa Nova. Mas devem proclamá-la muito mais pelo modo de vida do que pela palavra. Jesus não diz praticamente nada da mensagem a transmitir, Ele não fala do conteúdo da fé mas dos comportamentos concretos dos mensageiros: pobreza, humildade, paz.
Não é fácil agir cristãmente num mundo secularizado e materialista, onde muitos vivem como se Deus não existisse. Por isso entendemos as palavras de Cristo: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos». Vivemos hoje o mesmo problema que os cristãos dos primeiros tempos viveram, eles que formavam uma pequena comunidade no meio de um mar de paganismo, superstição e fatalismo.
Devemos transmitir o Evangelho às famílias, nos locais de trabalho, no mundo da economia, da política, da cultura…
Porém, não somos enviados para converter, fazer proselitismo, mas para mostrar às pessoas que Deus as ama e que também nós as amamos, que desejamos trazer-lhes a paz…e Deus fará o resto.