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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Como peregrino da paz!

«Caros amigos, nesta sexta-feira deixarei Roma para a minha Visita Apostólica à Jordânia, Israel e Territórios Palestinianos.
Nesta manhã, através da rádio e da televisão, gostaria de aproveitar a oportunidade para saudar todos os povos desses países. Estou ansioso por estar convosco, e partilhar as vossas aspirações e esperanças, sofrimentos e lutas.
Venho entre vós como peregrino da paz!
A minha primeira intenção é visitar os locais tornados santos pela vida de Jesus e, rezar neles pelo dom da paz, da unidade para as vossas famílias, e para todos quantos têm a Terra santa e o Médio Oriente como sua casa.
Entre os inúmeros encontros religiosos e civis, que se realizarão durante a semana, haverá uns com os representantes das comunidades judaica e muçulmana, com as quais se têm feito grandes progressos no diálogo e no intercâmbio cultural.
Saúdo com especial afecto os católicos da região, e peço-lhes para se juntarem a mim em oração, para que a visita seja fecunda para a vida espiritual e civil das pessoas que vivem na Terra Santa.
Louvemos todos a Deus pela sua bondade!
Possamos todos ser pessoas de esperança!
Possamos todos ser perseverantes no desejo e nos esforços para a paz!»



Bento XVI,
Audiência Geral 06/05/2009


A Terra Santa é como um quinto Evangelho disse Paulo VI.
Os locais onde Deus falou aos profetas e onde Jesus caminhou permanecem lugares importantes para a fé, de Belém a Jerusalém, passando por Nazaré ou o Lago da Galileia.
De facto, o Verbo encarnou. Ele escolheu ser um homem em determinado época "na plenitude dos tempos" (Gal 4, 4), no meio de um povo eleito, numa terra de fé.
Esta peregrinação do Papa Bento XVI convida-nos a redescobrir a terra das promessas… o lugar do dom de Deus.
A Terra Santa alimenta a fé porque coloca em contacto vivo com os dois Testamentos da Sagrada Escritura. Mas esta peregrinação é também um teste de fé nesta terra das grandes religiões monoteístas. Como dizer que Jesus é o Salvador dos homens?
Num lugar onde há tantas denominações cristãs diferentes, como afirmar que a Igreja é una? Seguindo a peregrinação de Bento XVI, viveremos em comunhão com os cristãos da Terra Santa, mas também com todos os habitantes, judeus e muçulmanos, desta terra que Deus ama.
Boa Viagem Santo Padre!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Como uma peregrinação virtual

Já vamos a meio da Quaresma, e se este tempo é um apelo para ir ao deserto, ele é também um convite à caminhada, acompanhando Jesus na sua subida para Jerusalém onde Ele sofrerá a sua Paixão.
Chegada esta altura do ano, facilmente anseio pela Terra Santa.
Aliás, a Quaresma é para mim como uma renovação anual de um desejo e de uma esperança: pisar um dia a terra onde Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou…passar por onde o Senhor passou.
Desde os primeiros séculos, os cristãos peregrinam para a Palestina e de modo particular para Jerusalém. O que viam e viviam lá os estimulava a perpetuar a experiência do país de Jesus nas suas cidades e aldeias natais…não deve ser fácil esquecer aquela terra.
Por isso surgiram por toda a Europa, na Idade Média, pela mão dos Franciscanos, guardiães dos lugares santos, pequenas reproduções da Paixão de Cristo: a Via-Sacra. Os cristãos começaram assim a percorrer nas terras onde viviam, o caminho doloroso de Jesus, como outrora os peregrinos o percorriam nas ruas de Jerusalém, do palácio de Pilatos ao Santo Sepulcro, meditando os sofrimentos de Cristo.
Como uma peregrinação virtual, o exercício da Via-Sacra é uma caminhada, que podemos seguir fisicamente numa igreja, parando diante de 14 estações, ou até sem nos mover (o importante é caminhar e parar espiritualmente em cada estação), meditando os vários episódios da Paixão de Jesus.
Esta caminhada de comunhão aos sofrimentos de Cristo e de compaixão torna-se também caminho de conversão. Seguindo Jesus no caminho da cruz, percebemos o quanto Ele nos amou e como devemos imitá-l’O nesse amor, para assim ter parte na sua Ressurreição.


"Quem quiser seguir-me,
negue-se a si mesmo,
toma a sua cruz e siga-me".
(Mt 16,24)

“Se morremos com Cristo,
também com Ele viveremos;
se sofremos com Cristo,
também com Ele reinaremos”.
(2 Tm 2, 11-12)

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Terra fértil

Uma vez mais virá sobre nós o espírito do alto.
Então o deserto se converterá em “carmelo”,
e o “carmelo” será como uma floresta.
Na terra, agora deserta, habitará o direito,
e a justiça no “carmelo”.
A paz será obra da justiça,
e o fruto da justiça será a tranquilidade
e a segurança para sempre.
O povo de Deus repousará numa mansão serena,
em moradas seguras e em lugares tranquilos.

Is 32, 15-18

Não procures na Bíblia a palavra “carmelo” neste texto de Isaías…ela é normalmente traduzido por “pomar”, “terra fértil”.
É preciso ir ao hebraico para a encontrar, porque na realidade, significa “vegetação generosa”… aquilo que se pode contemplar no Monte Carmelo.
O Monte Carmelo eleva-se entre os confins da Galileia e Samaria, em Israel, perto de Haifa, cidade marítima.
Na Idade Média, a Ordem do Carmelo teve como berço esse mesmo Monte, daí o seu nome, e o seu espírito está caracterizado pelo Profeta Elias, que viveu lá uma vida de recolhimento, oração e penitência, defendendo a fé no Deus Único no meio dos pagãos.
Outro elemento da espiritualidade da família carmelita é a devoção a Maria, “Nossa Senhora do Carmo”, que hoje a Igreja celebra com este título.
Não se pode compreender o Carmelo sem a presença viva de Maria.
Ela é a Mãe e a Irmã (assim chamavam os primeiros eremitas do Carmelo), o modelo da vida contemplativa, que ensina a acolher, meditar e conservar a palavra de Deus no coração.



Ó Maria, Rainha e Beleza do Carmelo, roga por nós!
Santos e Santas do Carmelo celeste, rogai por nós!

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Peregrinação a Jerusalém 2ª parte

«Às oito horas da manhã, estávamos perto da capela da Cruz. O bispo estava sentado, diante de nós. À frente dele, uma mesa coberta de uma toalha. Na mesa, estava um pequeno cofre aberto, e via-se o precioso pedaço da verdadeira cruz de Jesus que se guarda em Jerusalém. Um a um, passámos diante do bispo. Como os outros, toquei o madeiro da cruz com a fronte, depois com os olhos, e por fim beijei-o. Ninguém o toca com as mãos. Só o bispo carrega com suas mãos as duas extremidades do madeiro. À volta dele, os sacerdotes vigiam. Conta-se que um dia, alguém mordeu o madeiro da cruz para roubar um pedaço. Por isso é vigiado.




A homenagem à Cruz durou até ao meio-dia. Ao meio-dia, estávamos todos lá fora, perto da capela. Até às três horas foi lido dos evangelhos, a narração da Paixão de Jesus; e também todas as passagens que tratavam da Paixão de Jesus nos Actos dos Apóstolos, ou nas cartas de São Paulo; e ainda os passos do Antigo Testamento que recordam os sofrimentos e a morte de Jesus. Entre as leituras, há orações e hinos. Tudo isso prolonga-se até às três horas. Mais uma vez, não era possível conter as lágrimas ao pensar em tudo o que o Senhor sofreu por nós.
Às três horas, foi lido o trecho do evangelho segundo São João que conta a morte de Jesus. Depois, fomos para a grande igreja. Toda a gente ficou em oração até às sete horas da tarde. Às sete, leu-se o passo do evangelho da sepultura.
Estávamos completamente esgotados. Muitos regressaram a casa. Mas alguns permaneceram para uma segunda noite de oração.»

Crucem tuam adorámus, Dómine,
et sanctam resurrectiónem tuam laudámus et glorificámus:
ecce enim propter lignum venit gáudium in univérso mundo.


Adoramos, Senhor, a tua cruz,
louvamos e glorificamos a tua santa ressurreição:
por este lenho veio a alegria ao mundo inteiro.



Fotos: oração diante da pedra onde foi depositado o corpo de Jesus descido da cruz, antes da sepultura, e capela do Calvário, onde os fiéis podem beijar a fenda da rocha onde a cruz foi erguida.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Peregrinação a Jerusalém 1ª parte

Nos finais do século IV, os peregrinos chegam à Terra Santa dos quatros cantos do mundo cristão. Entre eles, Etéria, que deixou o testemunho escrito da sua peregrinação. Dois terços do manuscrito foram perdidos, daí saber-se pouco dela, senão que ela visitou a Terra Santa entre 381 e 384, vindo da Galiza ou da Aquitánia.
Como todos os peregrinos, Etéria deseja seguir os passos de Cristo. Ela deseja reviver pela oração, a história da Salvação nos sítios onde se realizaram.
A narração de Etéria esteve perdida durante 700 anos. A única cópia ainda existente do manuscrito era do século XI e conservado em Arezzo, onde, esquecida, foi redescoberta em 1884.
Hoje e amanhã, convido-vos a ler o testemunho de Etéria sobre o Tríduo Pascal na Jerusalém do século IV.


«Na Quinta-feira Santa, às duas horas da tarde, reunimo-nos na grande igreja. Aí, o bispo celebrou a missa uma primeira vez. Às quatro horas, fomos perto da capela da Cruz. O bispo celebrou uma segunda vez a missa, e toda a gente comungou. Depois, na igreja da Ressurreição, o bispo fez uma oração especial para os catecúmenos que serão baptizados na noite de Páscoa. Era perto das seis horas quando regressámos a casa.

Comemos apressadamente. Logo depois, subimos até à igreja do Jardim das Oliveiras. Ficámos lá até à meia-noite. Cantámos, rezámos, ouvimos os trechos do evangelho que narram o último diálogo de Jesus com seus amigos.
À meia-noite, subimos até ao cume do Monte das Oliveiras, à igreja da Ascensão. Ficámos lá em oração até o cantar do galo.
Quando o galo cantou, iniciámos a descida lentamente. Na igreja do Jardim das Oliveiras, escutámos o evangelho que conta as longas horas de oração que Jesus passou neste jardim antes da sua Paixão.

Depois, continuámos a descida, todos a pé, pequenos e grandes. Íamos vagarosamente porque todos estavam cansados. Ainda era noite escura. Chegámos ao lugar onde Jesus foi preso. Havia pelos menos duzentos archotes que alumiavam. Ouvimos o relato da captura de Jesus. Ninguém conseguia conter as lágrimas. Eram clamores e gemidos que se faziam ouvir de longe.
Descemos para a cidade. Chegámos à porta da cidade à hora em que se começou a distinguir os vizinhos. No interior da cidade, toda a gente, preparada, estava lá, pequenos e grandes, ricos e pobres. Fomos à capela da Cruz, e ouvimos o evangelho que narra o julgamento de Jesus diante de Pilatos. Começava a ser mesmo dia. O bispo instigou-nos: “Ide descansar um pouco, cada um em sua casa! Voltai às oito horas para prestar homenagem à cruz de Jesus”. »


Fotos: actuais igrejas do Santo Sepulcro e da Ascensão