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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quem a possui, possui um tesouro

«Tão grande é o valor da cruz, que quem a possui, possui um tesouro. E chamo a justamente tesouro, porque é na verdade, de nome e de facto, o mais precioso de todos os bens. Nela está a plenitude da nossa salvação e por ela regressamos à dignidade original.Com efeito, sem a cruz, Cristo não teria sido crucificado. Sem a cruz, a Vida não teria sido cravada no madeiro. E se a Vida não tivesse sido crucificada, não teriam brotado do seu lado aquelas fontes de imortalidade, o sangue e a água, que purificam o mundo; não teria sido rasgada a sentença de condenação escrita pelo nosso pecado, não teríamos alcançado a liberdade, não poderíamos saborear o fruto da árvore da vida, não estaria aberto para nós o Paraíso. Sem a cruz, não teria sido vencida a morte, nem espoliado o inferno.Verdadeiramente grande e preciosa realidade é a santa cruz! (…)
A cruz é a glória de Cristo e a exaltação de Cristo. A cruz é o cálice precioso da paixão de Cristo, é a síntese de tudo quanto Ele sofreu por nós. (…)
E para saberes que a cruz é também a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando Eu for exaltado, então atrairei todos a Mim. Como vês, a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.»


Santo André de Creta, bispo



Crux ave benedicta
Per te mors est devicta,
In te pependit Deus,
Rex et Salvator meus.


Salve ó Cruz bendita!
Por ti a morte foi vencida,
Sobre ti foi suspenso o meu Deus,
O meu Rei e o meu Salvador.

domingo, 12 de abril de 2009

Páscoa

O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia.
Glória e louvor a Cristo para sempre. Aleluia.


Santa Páscoa a todos,
na alegria do Senhor Ressuscitado!

domingo, 6 de abril de 2008

Abriste-lhes o coração...

Quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção,
partiu o e entregou-lho.
Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O.
Mas Ele desapareceu da sua presença.
Disseram então um para o outro:
«Não ardia cá dentro o nosso coração,
quando Ele nos falava pelo caminho
e nos explicava as Escrituras?»


Lc 24, 30-32




Senhor,
esperávamos uma manifestação gloriosa da tua Ressurreição,
uma prova indubitável da tua filiação divina
para que os homens Te reconhecessem e se abandonassem em Ti.

Caminhas ao lado de teus discípulos na estrada de Emaús,
eles que tinham colocado todas as suas esperanças em Ti.
No entanto, os seus olhos não Te reconhecem.

Senhor, como é fácil identificar-nos com estes peregrinos!
Caminhas ao nosso lado e não Te descobrimos…

Mas abriste-lhes o coração pela tua Palavra,
e logo entraram na luz verdadeira do mistério da tua morte e ressurreição,
o mistério da nossa redenção.

E quando rompeste o pão,
o véu que escondia a tua presença desvaneceu-se…
Bendito és Tu, Senhor Jesus,
presença eterna na tua Palavra e na tua Eucaristia!

quinta-feira, 27 de março de 2008

Também nós temos que ressuscitar contigo

«Ó Cristo ressuscitado!
Também nós temos que ressuscitar contigo;
Tu escondeste-Te à vista dos homens e nós temos que seguir-Te;
regressaste para o Pai e temos que procurar que a nossa vida “esteja escondida contigo em Deus”…
É obrigação e privilégio de todos os teus discípulos, Senhor,
ser elevados e transfigurados contigo;
é privilégio nosso viver no céu
com os nossos pensamentos, aspirações, desejos e afectos,
ainda que permanecendo na carne…
Ensina-nos a “aspirar às coisas do alto” (Col 3,1),
demonstrando assim que Te pertencemos,
que o nosso coração ressuscitou contigo
e em Ti está escondida a nossa vida.»

J.H. Newman


O Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia!

domingo, 23 de março de 2008

Que viste no caminho?

Diz-nos, Maria:
Que viste no caminho?
Vi o sepulcro de Cristo vivo
e a glória do Ressuscitado.

Vi as testemunhas dos Anjos,
vi o sudário e a mortalha.
Ressuscitou Cristo, minha esperança:
precederá os seus discípulos na Galileia.

Sabemos e acreditamos:
Cristo ressuscitou dos mortos:
Ó Rei vitorioso,
tende piedade de nós.

(da sequência da Missa de Páscoa)



Santa Páscoa para todos!
Cristo ressuscitou!
Aleluia!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

É o primeiro passo

Quarta-feira de Cinzas é o primeiro dia da Quaresma, este período de 40 dias que nos separa da Páscoa. Para os cristãos, é dia de jejum e de abstinência. Por jejum, não se entende privação total de alimento, mas uma ascese que consiste em libertar-se do supérfluo, do inútil, e Deus sabe o quanto somos tentados pelo inútil, quer na alimentação, quer nos prazeres da vida, aos quais muitas vezes somos incapazes de renunciar.
Hoje, a Igreja convida a jejuar e a abster-se de tudo o que é inútil na nossa vida. A cada um de encontrar aquilo a que renunciará, não num espírito de “mortificar-se por mortificar-se”, nem por dolorismo, mas tudo para reencontrar o desejo de Deus, e através disso, melhor escutá-l’O e ir ao encontro do próximo.


Também hoje, a Igreja nos convida na Eucaristia a receber as “cinzas”. Por meio deste rito, o sacerdote diz a cada um dos participantes: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho!”, isto é, ao longo deste tempo quaresmal que começa agora, afastemo-nos das faltas, renunciemos ao egoísmo, à violência…voltemo-nos para Aquele que nos cura. Voltemo-nos para Aquele que se prepara para morrer na cruz.
Por isso, Quarta-feira de Cinzas é um dia importante: é o primeiro passo que acompanha os passos de Cristo até à sua paixão, até à sua morte e ressurreição.

Bom início de Quaresma a todos!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A presença do Mal no mundo é um mistério

A presença do Mal no mundo é um mistério que não entendemos plenamente e ao qual nenhuma religião dá uma resposta completamente satisfatória.
No século XVIII, alguns filósofos afirmavam rigorosamente que: “Ou Deus não tem poder de impedir o Mal, e então não é todo-poderoso; ou então pode, mas, por sadismo não o faz, e por isso não é bom. Se Ele não é todo-poderoso, não é Deus, e se não é bom, pouco interessa, é melhor não acreditar n’Ele.”
O problema do Mal parece justificar o ateísmo.
No entanto, os cristãos sempre viram as coisas de outra maneira. O Deus em que acreditam não é indiferente, nem sádico, mas ama os homens, e é à luz dessa relação de Deus com eles que os cristãos tentam ler o enigma do Mal.
A Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja ajudam a entender melhor o mistério do Mal.
Se Deus é amor, isso implica que Ele nos criou livres. O amor sem liberdade é violação, é escravidão.
Deus é o primeiro a sofrer com o Mal e é inocente do Mal. Nunca o desejou e não o criou, mas deixou ao homem o tesouro da liberdade, da livre escolha e vontade. Tesouro que o homem desviou de Deus. Assim o pecado, com a morte e o sofrimento, pôde entrar no mundo.
Esta liberdade de acção, o ser humano pode orientá-lo para o bem como para o mal, para caminhos de vida que Deus aponta, ou para caminhos de morte.
Não é preciso ser doutor em teologia para distinguir duas formas de Mal: o Mal “culpável” e o Mal “inocente” (mortes e catástrofes naturais).
O Mal “culpável” é causado pelos homens. Genocídios, campos de concentração e guerras não são acidentes naturais. A responsabilidade do Mal "culpável" é do homem.
Se Deus abrisse os céus para preservar cada criança que morre por causa da guerra, onde estaria a liberdade dos assassinos?
Então, o Deus dos cristãos é um mero espectador lá do alto, a ver os homens a bulha?
Não, Ele desce desse alto!
Em Jesus Cristo, Deus vem à Terra viver como homem, no meio dos homens.
E se Ele partilhou os trabalhos, as refeições e as festas com eles, também como eles, padeceu no corpo e na alma, e morreu.
E porque na cruz, Jesus, por amor, tomou sobre Si todo o sofrimento, qualquer homem que sofre pode unir-se à paixão de Jesus. Todo o homem pode encontrar em Cristo a força de amar apesar de sofrer, tornando o sofrimento uma ligação misteriosa a Deus e ao próximo.
Estranha resposta de Deus ao problema do Mal…Em vez de explicar ao homem donde vem o Mal, Ele o vive. Em vez de tirar a “varinha mágica” de Deus omnipotente para tornar o mundo melhor, Ele se faz pequeno e humilha-se.
Assim, os cristãos afirmam que Deus não é insensível ao homem que sofre, mas, cheio de compaixão, vem tomar sobre Si o sofrimento. A participação divina às dores humanas é intemporal porque Deus abraça a eternidade num só presente. Por isso, Deus partilha ainda hoje todos os nossos sofrimentos, e podemos dizer que “Jesus está em agonia até ao fim do mundo” (Blaise Pascal).


Mas não podemos ficar no calvário…devemos ir até ao sepulcro vazio!
A ressurreição de Jesus ao terceiro dia é a grande vitória de Deus sobre o Mal, que Ele abraçou para triunfar dele, mergulhando nos abismos da morte para de lá sair.
Para os cristãos, a morte e ressurreição de Cristo são a prova que Deus toma sobre Ele o problema do Mal, que o combate e o vence misteriosamente. E porque Ele é infinitamente bom, Ele deseja associar todos os homens nesta vitória.
Os cristãos não podem, como também os outros homens, explicar o Mal, mas eles acreditam, muitas vezes sem bem entendê-lo, que a ressurreição de Jesus inaugura um novo tempo onde o Mal já foi vencido.


P.S: Este post, para não ser demasiado extenso, é um breve resumo de algumas leituras sobre o escândalo do Mal. Convido cada um a aprofundar o tema...

Ícone da "Descida de Jesus aos infernos"...Cristo Vencedor tira da morte Adão e Eva.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Quase que se pode desmaiar ao pensarmos na felicidade eterna do céu!

“Nós homens mudamos em muitas coisas, mas Deus não tirou uma “vírgula” dos seus mandamentos.
E depois, porque é que se quer sempre procurar adiar a morte, como se não se soubesse que, mais cedo ou mais tarde, ela deverá chegar?
Será que os nossos santos se comportaram assim? Não creio.
Ou se calhar duvidamos da misericórdia de Deus, como se pudéssemos deveras merecer o inferno depois da nossa morte.
Na realidade tê-lo-ia merecido, com os meus numerosos e graves pecados, mas Cristo não veio para o mundo para os justos, mas sim para procurar os que se tinham perdido. E para que nenhum pecador pudesse ter dúvidas, deu-nos um exemplo mesmo no momento da morte, salvando o bom ladrão.
Nunca teríamos serenidade nesta Terra se soubéssemos que Deus, o Senhor, não nos perdoa e portanto depois da morte deveríamos ter errar para sempre no inferno.
Se pensamentos do género não levam ao desespero de um homem, isto significa que ele já não acredita numa vida além da morte, ou que imagina o inferno como um lugar de diversão, sempre alegre. Se um nosso bom amigo nos propusesse uma longa viagem de prazer, naturalmente grátis e com tratamento de primeira classe, tentaríamos adiá-la sempre ou guardá-la-íamos para a velhice? Não creio.

Portanto, o que é a morte?
Também neste caso, não se trata de uma longa viagem que teremos que fazer, apesar de não ter retorno?
Mas pode existir um momento mais feliz daquele em que nos apercebemos de ter chegado às portas do paraíso?
Naturalmente, não nos podemos esquecer que antes disso, temos que nos purificar no purgatório, mas que ele não dura eternamente e que durante a vida esforçámo-nos por ajudar com as nossas orações as pobres almas dos mortos e que quem foi devoto à Mãe de Cristo pode ter a certeza que não ficará lá por muito tempo.
Quase que se pode desmaiar ao pensarmos na felicidade eterna do céu!
Como nos torna logo feliz uma pequena alegria que sentimos neste mundo!
E no entanto, o que são as breves alegrias terrenas comparadas com as que Jesus nos prometeu no Seu reino?
Nenhum olho as viu, nenhum ouvido ouviu e nenhum coração humano conheceu o que Deus preparou para aqueles que O amam.”




Beato Franz Jägerstätter,
Texto retirado das notas redigidas na prisão antes a condenação à morte



Ler biografia do Beato Franz Jägerstätter

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Um único sermão e 3000 pessoas se convertem!

«De pé, com os Onze, Pedro ergueu a voz e dirigiu-lhes então estas palavras:
‘Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou no meio de vós por seu intermédio, como vós próprios sabeis, este, depois de entregue, conforme o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós o matastes, cravando-o na cruz pela mão de gente perversa.
Mas Deus ressuscitou-o, libertando-o dos grilhões da morte, pois não era possível que ficasse sob o domínio da morte.’
Os que aceitaram a sua palavra receberam o baptismo e, naquele dia, juntaram-se a eles cerca de três mil pessoas.»


Actos dos Apóstolos, 2, 4.14.22-24.41




Um único sermão e 3000 pessoas se convertem!
Como? A resposta é o Espírito Santo. Ele é oferecido e vem cumprir maravilhas no coração do homem. Sem o Espírito Santo, não se pode entender o amor de Deus. Podemos ter o mais belo discurso do mundo com as mais belas palavras que existem, mas sem Ele, é impossível.
A Igreja, os cristãos, são chamados a testemunhar Cristo, anunciá-lo, mas na desapropriação deste mesmo anúncio porque “só Deus se dá aos corações e se propõe à sua liberdade.” (Madalena Delbrel)
Somos fracos, pobres. Nas nossas mãos Deus colocou um tesouro que não nos pertence: o Evangelho, que deve ser por nós proclamado, “Ide e anunciai…”; mas que não podemos impor.
O amor é proposto à liberdade e não imposto.
Bernardete, a vidente de Lurdes, dizia aos detractores das aparições: “A Virgem incumbiu-me dizer, não de convencer.”
A Boa Nova que os cristãos são chamados a anunciar é que Cristo ressuscitou de entre os mortos para nos dar a vida. É por amor que o mistério da Redenção aconteceu. “Não há maior prova de amor do que dar a vida.”
“Evangelizar um homem, é dizer-lhe que ele é amado por Deus, e não é só dizer-lhe, mas mostrar-lhe, e não é só mostrar-lhe, mas manifestar com a nossa atitude que ele é único aos olhos de Deus.”Mais que um discurso, é um olhar ou um gesto que evangeliza.
Mas para anunciar o amor redentor de Deus, é necessário sermos também nós convencidos de que Deus nos ama.
Este amor de Deus significa que Deus nos ama pessoalmente, que Ele olha amorosamente para cada um de nós, nos levanta e nos ama como somos. Na nossa pobreza e miséria, Deus manifesta o seu amor.


Senhor faz-me viver do teu amor
para anunciá-lo a todos os homens!


sábado, 19 de maio de 2007

Porque estais a olhar para o céu?

Porque estais a olhar para o céu?
Ele virá do mesmo modo que o vimos ser elevado ao Céu.

Ele que Deus ressuscitou dos mortos
e colocou à sua direita,
acima de todo o Principado,
Poder, Virtude e Soberania,
acima de todo o nome que é pronunciado.

Ele que sofreu e ressuscitou dos mortos,
e que em seu nome,
é pregado o arrependimento
e o perdão dos pecados a todas as nações.
Disso somos testemunhas

Ele nos enviará Aquele que foi prometido pelo Pai,
a força do alto que nos revestirá.

Glória a Ele pelos séculos dos séculos!


Inspirado das leituras da Solenidade da Ascensão

sexta-feira, 18 de maio de 2007

A Ascensão

Em Portugal, a solenidade da Ascensão do Senhor foi transferida para o 7º domingo pascal, apesar do seu dia originário ser o da quinta-feira da 6ª semana da Páscoa, quando se cumprem os quarenta dias depois da ressurreição, conforme o relato de São Lucas no seu Evangelho e nos Actos dos Apóstolos.

A Ascensão é mais um momento do único mistério pascal, que celebra a glorificação de Jesus, Aquele que por nós morreu na cruz, voltou à vida e está vivo para sempre, e que agora sobe ao céu à vista dos discípulos, isto é, em corpo, alma e na sua divindade, Cristo entra em comunhão plena e gloriosa com o Pai, vivendo totalmente d'Ele e n'Ele.
Mas Jesus não abandona os homens. Ele anuncia aos seus amigos a vinda do Espírito Santo e promete estar com eles até ao fim dos tempos para anunciar ao mundo o Evangelho da Salvação.

Após a subida ao céu de Jesus, Maria, sua Mãe, e os Apóstolos, permaneceram em oração, aguardando o Espírito Santo, o Consolador prometido pelo Senhor, que viria no dia de Pentecostes (50 dias após a Páscoa).
Dos 9 dias que separam as festas da Ascensão e do Pentecostes, à imitação da primeira comunidade cristã em oração no Cenáculo, nasceram na Igreja as novenas, que se tornaram num exercício de piedade popular de 9 dias seguidos, em visto à pre­paração de uma festa religiosa ou à procura de alcançar uma graça.

Os próximos 9 dias são então, como há 2000 anos atrás, um tempo propício para pedir,
com Maria e os Apóstolos,
que o Pai mande o Espírito Santo aos nossos corações e sobre a Igreja,
para que o mesmo Espírito nos ensine todas as coisas,
encaminhando-nos para a verdade e uma vida que testemunha o Evangelho,
tudo, em nome de Jesus, o Filho que subiu ao céu,
e que agora vive e reina com o Pai pelos séculos dos séculos.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Chamados a ser testemunhas

«A fé dos Apóstolos em Jesus, o Messias esperado, tinha sido posta a uma prova duríssima pelo escândalo da cruz. Durante a sua prisão, condenação e morte, tinham dispersado, mas agora achavam-se novamente juntos, perplexos e desorientados. Mas o mesmo Ressuscitado faz-se presente diante da sua incrédula sede de certezas. Aquele encontro não foi um sonho, nem uma ilusão ou imaginação subjectiva; foi uma experiência verdadeira, apesar de inesperada e, precisamente por isto, particularmente comovedora. “Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: ‘A paz esteja convosco! ’ ”(Jo 20,19).

Diante daquelas palavras, a fé quase apagada nos seus corações reacende-se. Os Apóstolos referiram a Tomé, ausente naquele primeiro encontro extraordinário, "Sim, o Senhor cumpriu aquilo que tinha anunciado; ressuscitou realmente; nós vimo-lo e tocámo-lo!" Tomé, porém, permaneceu duvidoso e perplexo. Quando, oito dias depois, Jesus veio pela segunda vez no Cenáculo, disse-lhe: “Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé”. A resposta do Apóstolo é uma profissão de fé comovedora: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 27-28).» 1

«A tarefa do discípulo é testemunhar a morte e a ressurreição do seu Mestre e da sua vida nova. Por isso Jesus convida o seu amigo incrédulo a “tocá-lo”: quer torná-lo testemunha directa da sua ressurreição.
Caros irmãos e irmãs, também nós, como Maria Madalena, Tomé e os outros apóstolos, somos chamados a ser testemunhas da morte e ressurreição de Cristo. Não podemos conservar para nós a grande notícia. Devemos levá-la ao mundo inteiro: “ Vimos o Senhor! ” (Jo 20,25).
Que a Virgem Maria nos ajude a saborear plenamente a alegria pascal, para que, amparados pela força do Espírito Santo, nos tornemos capazes de difundi-la nos lugares onde vivemos e actuamos. Mais uma vez, Boa Páscoa a todos!» 2


1- Mensagem pascal de Bento XVI 08/04/2007
2- Bento XVI, Audiência 11/04/2007

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Ícone da Ressurreição - Anastasis

Em 2007, os dois calendários seguidos pelas várias tradições cristãs coincidiram na data da Páscoa, assim, católicos, ortodoxos e protestantes celebraram no mesmo dia a Ressurreição de Cristo.
Na tradição oriental, o ícone da Ressurreição é representada pela descida aos infernos, à mansão dos mortos.
Ricos em símbolos, os ícones são “IMAGENS que visualizam a palavra bíblica e levam aos olhos o que a palavra transmite ao ouvido.”


O centro da composição é Cristo glorioso e luminoso.
Tendo arrombado as portas dos infernos, Cristo as esmaga e agarra o punho de Adão, que ele arranca com vigor das trevas da morte. Com Adão, é toda a humanidade que é arrancada por Cristo, que tomou a iniciativa da nossa salvação.
Ainda no primeiro plano, saindo do túmulo, Eva levanta as mãos cobertas pelo seu manto em sinal de reverência. Atrás dela, os justos e os profetas do Antigo Testamento.

À esquerda, os reis David e Salomão.
Perto deles, João Baptista, o precursor, aponta para Cristo.
Em cima de Cristo, os anjos, com as mãos cobertas em sinal de reverência, trazem a cruz e o cálice do sangue oferecido pela humanidade.
Ganchos, correntes rompidas jazem no buraco negro dos infernos cujo as altas encostas sublinham a profundeza e a distância com o céu.
No seu corpo transfigurado, Cristo escapa às leis do mundo, a gravidade da corrupção e da morte…Ele está suspenso no espaço. Vencedor da morte, Ele é transparência, abertura e comunhão.


Tendo descido ao túmulo, ó Imortal,
Tu destruíste o poderio dos infernos e,
levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
Tu, que disseste às mulheres atemorizadas: rejubilai!
E aos apóstolos, dás a paz,
Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.

Liturgia ortodoxa

terça-feira, 10 de abril de 2007

Círio pascal...luz de Cristo

A liturgia da Igreja, as suas orações, os seus textos, os seus gestos e símbolos, legada de geração em geração, mas sempre actual, é de uma grande riqueza espiritual para todos os fiéis…muitas vezes pouca entendida, mas na mesma saboreada na sua beleza.

Assim, no último sábado, na Vigília Pascal, “mãe de todas as vigílias”, os cristãos participaram numa Eucaristia bem diferente do habitual, composta de ritos exclusivos daquela noite, com uma estrutura litúrgica alterada, rica em símbolos e leituras…muito mais comprida no tempo.
Naquela noite foi acendido o círio pascal, que, entre todos os símbolos ligados à luz, é o que tem significados mais intensos e mais ricos: ele é símbolo de Cristo ressuscitado. Assim, o círio impõe-se pelas suas dimensões e pela nobreza da sua substância: o uso de cera branca de abelha é de tradição antiquíssima na Igreja e obrigatório.

No início da Vigília Pascal, o círio pascal é aceso no fogo novo benzido pelo sacerdote. Ornamentado de uma cruz, com as inscrições “alfa e ómega” e os algarismos do ano corrente, ele simboliza Cristo ressuscitado, luz do mundo, Senhor do tempo e da eternidade. Cinco grãos de incenso lhe são colocados em forma de cruz, símbolos das cinco chagas, doravante gloriosas, de Cristo. Cada um dos fiéis acende a sua vela da chama do círio pascal, sinal que a luz de Cristo é para todos e é transmitida de crente para crente a partir do próprio Cristo. Ele é levado em procissão, na frente do cortejo, e é aclamado três vezes: “A luz de Cristo! Graças a Deus!” Ao longo do Tempo Pascal, o círio será acendido em todas as celebrações litúrgicas para sinalizar a presença do Ressuscitado no meio dos seus. Ele acompanhará a vida do homem, desde o baptismo ao funeral porque Cristo é Emanuel, Deus connosco.

A pequeneza da chama do círio pascal pode parecer ridícula, mas no entanto ela dissipa as trevas, a noite é definitivamente vencida. Cada um pode acender a sua vela do círio pascal sem que a sua luz se atenua, é o milagre do Ressuscitado, o “já” e o “ainda não” da glória. Somos habitados por Cristo vivo mas é necessário deixá-lo transparecer nas nossas vidas. A coluna de fogo que abria o caminho dos hebreus no deserto irradiava os rostos do povo de Deus, com Cristo, é a seiva nova, a primavera de Deus, a luz do Ressuscitado que se manifesta.


Exulte de alegria a multidão dos Anjos,
exultem as assembleias celestes,
ressoem hinos de glória
para anunciar o triunfo de tão grande Rei.
Rejubile também a terra,
inundada por tão grande claridade,
porque a luz de Cristo, o Rei eterno,
dissipa as trevas de todo o mundo.
Alegre-se a Igreja, nossa mãe,
adornada com os fulgores de tão grande luz,
e ressoem neste templo as aclamações do povo de Deus. (…)

Nesta noite de graça, aceitai, Pai santo,
este sacrifício vespertino de louvor,
que, na solene oblação deste círio,
pelas mãos dos seus ministros Vos apresenta a santa Igreja.
Agora conhecemos o sinal glorioso desta coluna de cera,
que uma chama de fogo acende em honra de Deus:
esta chama que,
ao repartir o seu esplendor,
não diminui a sua luz;
esta chama que se alimenta de cera,
produzida pelo trabalho das abelhas,
para formar este precioso luzeiro.

Oh noite ditosa, em que o céu se une à terra,

em que o homem se encontra com Deus!
Nós Vos pedimos, Senhor,

que este círio, consagrado ao vosso nome,
arda incessantemente para dissipar as trevas da noite;
e, subindo para Vós, como suave perfume,
junte a sua claridade à das estrelas do céu.
Que ele brilhe ainda quando se levantar o astro da manhã,
aquele astro que não tem ocaso:
Jesus Cristo vosso Filho, que,
ressuscitando de entre os mortos,
iluminou o género humano
com a sua luz e a sua paz,
e vive glorioso pelos séculos dos séculos.

Amen.


Precónio Pascal

segunda-feira, 9 de abril de 2007

A palavra da fé na ressurreição salva!


"A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração. Esta palavra é a palavra da fé que anunciamos. Porque, se confessares com a tua boca: «Jesus é o Senhor», e acreditares no teu coração que Deus o ressuscitou de entre os mortos, serás salvo. Pois com o coração se acredita para obter a justiça, e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação."



Rom 10, 8b-10

sábado, 7 de abril de 2007

Vencida foi a morte



Vencida foi a morte,
Jesus ressuscitou.
Mudou-se a antiga sorte.
A vida triunfou.
O sol pelas alturas
abriu em flor de luz;
na terra as almas puras
aclamam a Jesus.

Cântico pascal

sexta-feira, 16 de março de 2007

A Primavera vem depois do Inverno

Daqui alguns dias, entraremos oficialmente na Primavera.
Mas para aqueles que param um pouco nas suas vidas agitadas, para olhar à sua volta, fazendo das coisas pequeninas do dia a dia, breves momentos de contemplação e de meditação, estes, já repararam que a natureza está diferente…mais florida, mais viva. Tudo puxa e cresce…a Primavera vem depois do Inverno. A vida triunfa na Criação.
Muitos já não sabem valorizar o milagre anual das árvores em flor, das sementes a crescerem, dos bolbos enterrados a germinar, saindo da terra pequenas flores que desabrocham nos nossos quintais, nas bermas das estradas.
Tudo isso é uma antevisão daquilo que os cristãos celebrarão dentro de algumas semanas, e do qual ainda se preparem neste tempo quaresmal. Se ainda vivem o deserto, e dentro de alguns dias, entrarão em Jerusalém e assistirão à Paixão e Morte de Jesus, a meta é a Páscoa…o Domingo em que Cristo vivo triunfa na Criação.

Olhar para os narcisos, os lírios, as tulipas, que, ainda há dias estavam escondidos na terra, desenvolveram-se, e agora resplandecem de beleza, é olhar para a nossa conversão em crescimento, ainda escondida no nosso coração, e que pelo Domingo da Ressurreição, se manifestará na alegria d’Aquele que voltou à vida.
Este fenómeno é também um recordar daquilo que é a vida do homem, daquilo que Jesus nos alcançou. Após os tempos invernosos da provação, da dificuldade, da cruz, às vezes muito longos, vem sempre o tempo da primavera, da alegria desejada em que a vida prevalece e vence.
Se as árvores, as flores, que são obrigados a seguir o processo natural das coisas, não optem por si passar do Inverno à Primavera, para o homem…já é diferente. Mesmo se o desejo de viver na verdade está profundamente enraizado no ser humano…tudo isso releva da escolha…da liberdade que Deus deu a cada um, ver e viver as coisas à sombra da cruz e à luz da Ressurreição.

“Troquemos o instante pelo eterno,
sigamos o caminho de Jesus.
A Primavera vem depois do Inverno,
a alegria virá depois da cruz.

Passa o tempo, com ele, as nossas vidas;
tal como passa o bem, passa a desgraça.
Passam todas as coisas conhecidas...
só o nome de Deus é que não passa.

Farei da fé, vivida cada dia,
a luz interior que me conduz,
à luz de Deus, da paz e da alegria,
à luz da glória eterna, à Luz da Luz.”

Hino da Liturgia da Horas

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

O túmulo de Jesus

“Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo?
Não está aqui; ressuscitou!”
(Lc 24, 5-6)

Daqueles que não acreditam em Ti e na Tua Ressurreição...

Daqueles que não respeitam o Teu Nome, nem a Tua Igreja...

De todos nós...

Senhor, tem compaixão!

Foto: Túmulo vazio de Cristo na Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém