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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Nesta Quaresma, esforcemo-nos

«Que cada um se examine agora para saber em que estado está, e esforcemo-nos em progredir todos os dias, porque é avançando na virtude que veremos o Deus dos deuses, na Sião celeste. É sobretudo neste tempo que nos devemos aplicar em viver na pureza; durante este tempo, digo, em que é concedido à fragilidade humana um número de dias certos mas curtos, para que ela não desanime. Porque se nos é dito a toda a hora: 'levai uma vida pura', quem não se desencorajaria de a conseguir? Ora, somos convidados neste tempo de pouca dura a reparar as negligências do resto do ano, e a viver de maneira a que no resto do tempo, se veja brilhar as marcas desta santa quarentena na nossa conduta.
Esforcemo-nos então, meus irmãos, em passar este tempo em exercícios piedosos, e em restaurar as nossas armas espirituais. De facto, nesta época do ano, parece que todo o universo, com o Salvador à frente, caminha como um exército contra o diabo.
Bem-aventurados os que terão combatido com valentia sob tal governo.»


São Bernardo, 7º sermão para a Quaresma





Senhor meu Deus, fazei que o meu coração Vos deseje;
e que desejando Vos procure;
procurando, Vos encontre;
encontrando, Vos ame;
e amando-Vos, sejam perdoados os meus pecados;
e uma vez perdoados, que eu não volte a cometê-los.

Senhor meu Deus,
dai a penitência ao meu coração,
a contrição ao meu espírito,
as lágrimas aos meus olhos,
a liberalidade da esmola às minhas mãos.

Ó meu Rei, apagai em mim a concupiscência da carne
e acendei o fogo do vosso amor.
Ó meu Redentor, apartai de mim o orgulho,
e que a vossa benevolência me conceda a humildade.
Ó meu Salvador, afastai de mim a cólera
e que a vossa bondade me dê o escudo da paciência.
Ó meu Criador, tirai da minha alma o ressentimento
para lá derramar a mansidão.

Pai bondoso,dai-me a fé recta,
a esperança certa e a caridade perfeita.
Vós que me guiais,
afugentai de mim a vaidade da alma,
a inconstância do espírito,
a confusão do coração,
as vanglórias da boca,
a altivez dos olhos.


Ó Deus misericordioso,
por vosso muito amado Filho,
eu Vos peço,
fazei que eu viva a misericórdia,
a sincera devoção,
a compaixão pelos aflitos
e a partilha com os pobres.


Santo Anselmo (1033-1109), Oratio X

terça-feira, 13 de maio de 2008

Mensagem tão maternal e ao mesmo tempo forte e decidida

Chegado Maio, eis que a comunicação social se interessa de novo no fenómeno “Fátima”: peregrinos a pé, futura canonização dos Pastorinhos, sentimentalismos e opiniões populares…e parece que ninguém fala, nem os próprios cristãos, do essencial da Mensagem da Mãe de Deus na Cova da Iria.
Porque não recordar, com palavras muito melhores do que as minhas, a homilia de João Paulo II a 13 de Maio de 1982 no Santuário de Fátima?


“À luz do amor materno, nós compreendemos toda a mensagem de Nossa Senhora de Fátima.
Aquilo que se opõe mais directamente à caminhada do homem em direcção a Deus é o pecado, o perseverar no pecado, enfim, a negação de Deus.
A programada supressão de Deus do mundo do pensamento humano.
A separação d'Ele de toda a actividade terrena do homem.
A rejeição de Deus por parte do homem.
Na verdade, a salvação eterna do homem somente em Deus se encontra.
A rejeição de Deus por parte do homem, se se tornar definitiva, logicamente conduz à rejeição do homem por parte de Deus , à condenação!
Poderá a Mãe, que deseja a salvação de todos os homens, com toda a força do seu amor que alimenta no Espírito Santo, poderá ela ficar calada acerca daquilo que mina as próprias bases desta salvação? Não, não pode!
Por isso a mensagem de Nossa Senhora de Fátima, tão maternal, se apresenta ao mesmo tempo tão forte e decidida. Até parece severa. É como se falasse João Baptista nas margens do rio Jordão. Exorta à penitência. Adverte. Chama à oração. Recomenda o terço, o rosário.
Esta mensagem é dirigida a todos os homens.
O amor da Mãe do Salvador chega até onde quer que se estenda a obra da salvação.
E objecto do seu carinho são todos os homens da nossa época e, ao mesmo tempo, as sociedades, as nações e os povos. As sociedades ameaçadas pela apostasia, ameaçadas pela degradação moral."




"Sejam benditas,
todas as almas
que obedecem à chamada do Amor eterno!
Sejam benditos aqueles que,
dia após dia, com generosidade inexaurível
acolhem o vosso convite, ó Mãe,
para fazer aquilo que diz o vosso Jesus,
e dão à Igreja e ao mundo
um testemunho sereno
de vida inspirada no Evangelho."



Acto de entraga de João Paulo II,
13 de Maio de 1982, Fátima

terça-feira, 4 de março de 2008

Reconciliar-se

«Queridos irmãos e irmãs, para uma profunda celebração da Páscoa, a Igreja pede aos fiéis que se aproximem nestes dias do Sacramento da Penitência, que é como uma espécie de morte e ressurreição para cada um de nós.(…)
Preparar-se para a Páscoa com uma boa confissão continua a ser um dever que se deve valorizar plenamente, porque nos oferece a possibilidade de recomeçar a nossa vida e ter realmente um novo início na alegria do Ressuscitado e na comunhão do perdão que Ele nos concede.
Conscientes de ser pecadores, mas confiantes na misericórdia divina, deixemo-nos reconciliar por Cristo para gozar mais intensamente a alegria que Ele nos comunica com a sua ressurreição.»

Bento XVI, Audiência Geral 12/04/2006



Compadecei-vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as faltas

Porque eu reconheço os meus pecados
e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.
Pequei contra Vós, só contra Vós,
e fiz o mal diante dos vossos olhos.

Desviai o vosso rosto das minhas faltas
e purificai-me de todos os meus pecados.
Criai em mim, ó Deus, um coração puro,
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
e sustentai-me com espírito generoso.
Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido:
não desprezareis, Senhor, um espírito humilhado e contrito.


Estes poucos versículos do salmo 50(51) são dos meus predilectos...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Há 150 anos...

Há 150 anos, de 11 de Fevereiro a 16 de Julho de 1858, apareceu 18 vezes em Lourdes (Pirinéus franceses), a Virgem Maria a Bernardete Soubirous.
A mensagem de Lourdes é de oração e de penitência, onde Maria se revela como a “Imaculada Conceição” (16ª aparição), confirmando assim o dogma proclamado três anos antes pelo Papa Pio IX.
As aparições de Nossa Senhora à jovem Bernardete são sóbrias: muito silêncio e poucas palavras. É na 9ª aparição, a 25 de Fevereiro, que a Virgem indica uma nascente de água perto do rochedo onde ela aparecia:“Ide beber à fonte e lavai-vos”. Desde então aquele manancial mina água sem cessar, uma água banal, nem “benta” (como muitos confundem), mas que se tornou um dos grandes sinais de Lourdes, por causa dos muitos milagres a ela devidos.
Na fé, pelos elementos naturais e os sacramentos, é sempre Deus que cura, na comunhão de Maria e dos santos, e pela oração dos fiéis.
A água da gruta de Massabielle, não é nenhum amuleto..."é como um medicamento. É necessário a fé, a oração. Esta água não teria nenhuma virtude sem a fé!" afirmou a vidente Bernardete.
Maria manifestou também o desejo que Lourdes fosse um lugar de oração e de peregrinação (13ª aparição). Já no tempo das manifestações marianas acorriam milhares de pessoas até lá, e em 1876, foi edificada a actual basílica do Santuário de Lourdes.
Naquela pequena terra perdida no meio das montanhas, Nossa Senhora escolheu assim Bernardete (1844-1879), uma pobre aldeã, para sua mensageira, e convidou-a a trabalhar na conversão dos pecadores. Bernardete, que abraçou a vida religiosa nas Filhas da Caridade, foi canonizada pelo Papa Pio XI em 8 de Dezembro de 1933, e o seu corpo permanece incorrupto no Convento de Nevers, onde viveu.
Lourdes tornou-se um dos lugares de maior peregrinação do mundo, com milhões de pessoas a ir lá todos os anos, e onde muitos doentes foram curados nas suas águas milagrosas.


Ó Maria,
que disseste a Bernardete
de ir beber à fonte e lavar-se,
hoje, também nós, ouvimos o teu apelo.
Fomos imergidos na água do baptismo
e a vida de teu Filho Jesus encheu os nossos corações.
Mãe imaculada,
ensina-nos a rejeitar o pecado
e a lavar-nos na infinita misericórdia de Deus.
Caminha connosco nos caminhos da fé
para podermos saciar a nossa sede,
bebendo à fonte de água viva
que jorrou do Coração trespassado de teu Filho.
Mãe de ternura,
guarda-nos sob o teu olhar e na tua protecção;
roga por nós ao Senhor,
para que Ele nos dê a força e a alegria
de partilhar com todos os que têm sede,
a água pura da fé, da esperança e da caridade.
Ámen.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Deus, na sua sabedoria, nos deu a Quaresma

«Caríssimos, no propósito de vos falar do santo jejum da Quaresma, como poderia começar melhor o meu sermão senão pelas palavras do Apóstolo, mensageiro de Jesus Cristo, repetindo estas palavras que acabamos de ler: ‘Eis o tempo favorável, eis o dia da salvação’ (2 Cor 6, 2)?
Apesar de o Senhor nos cumular de graças a toda a hora, e a sua divina misericórdia nos ajudar sempre, é no entanto necessário que a alma se entregue com maior zelo à prática da virtude, e abrace maiores esperanças neste tempo, onde o cumprimento dos mistérios da nossa redenção nos convida especialmente a exercer muitos actos de piedade, para podermos celebrar com pureza de coração e de espírito, o mistério santo e incomparável da Paixão de nosso Senhor.
Deveríamos adorar constantemente estes divinos mistérios com a mesma piedade, com o mesmo amor, e sermos sempre puros diante de Deus como o devemos ser pela festa da Páscoa.
Mas poucas pessoas possuem fervor suficiente para isso; a fraqueza da carne nos impede de perseverar na recta observância destes divinos preceitos; e as tarefas e preocupações desta vida causam tão grande distracção que até as almas mais virtuosas não conseguem preservar-se do pó do mundo; por isso, Deus, na sua sabedoria, nos deu a Quaresma para purificar as nossas almas, e pelas nossas boas acções e o nosso piedoso jejum, resgatar as faltas que cometemos ao longo do ano.»


São Leão Magno, Sermão I sobre a Quaresma





Como se manifesta a penitência na vida cristã?
A penitência manifesta-se de muitas maneiras, em especial pelo jejum, a oração e a esmola. Estas e muitas outras formas de penitência podem ser praticadas na vida quotidiana do cristão, especialmente no tempo da Quaresma e no dia penitencial de Sexta-feira.


Compêndio do Catecismo da Igreja Católica



quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Dois rostos de desejo ecuménico

Leopoldo Mandic nasceu na Dalmácia, actual Croácia, em 12 de Maio de 1866. Os pais, católicos fervorosos, deram-lhe o nome de Bogdan, que significa "dado por Deus". Desde pequeno apresentou como características a constituição física débil e o carácter forte e determinado.
Nessa época, a região da Dalmácia vivia um ambiente social e religioso, marcados por profundas divisões entre católicos e ortodoxos. Essa situação incomodava o espírito do pequeno Bogdan, que decidiu dedicar a sua vida à reconciliação dos cristãos orientais com Roma.
Aos 16 anos ingressou na Ordem de São Francisco de Assis, em Údine, Itália, adoptando o nome de Leopoldo. Foi ordenado sacerdote em Veneza em 1890.
Leopoldo foi destinado aos serviços pastorais nos conventos capuchinhos, por causa da saúde precária. Assim, com grande espírito de fé, iniciou o ministério do confessionário, onde este homem de pequena estatura (1m40) se tornou o "gigante do confessionário", exercendo até à sua morte.
Estabelecido na cidade de Pádua, famosa pelos restos mortais de Santo António (de Lisboa), Leopoldo dedicava quase doze horas por dia ao ministério da confissão. Sua fama espalhou-se e todos o solicitavam como confessor.
Todo o seu apostolado foi num cubículo de madeira, durante trinta e três anos seguidos, sem tirar um só dia de férias ou de descanso…tudo oferecido alegremente a Deus.
Frei Leopoldo Mandic morreu no dia 30 de Julho de 1942 em Pádua. O seu funeral provocou uma forte adesão popular e a fama de sua santidade se difundiu, sendo beatificado em 1976. O Papa João Paulo II o incluiu no catálogo dos santos, em 1983, declarando-o herói do confessionário e "apóstolo da unidade dos cristãos", um modelo para os que se dedicam ao ministério da reconciliação.



Maria Gabriella Sagheddu nasceu em Dorgali, na Sardenha, no ano de 1914 numa família de pastores.
Aos 21 anos decidiu consagrar-se a Deus e entrou no Mosteiro Cistercense de Grottaferrata, uma comunidade pobre, governada pela Madre M. Pia Gullini que tinha uma grande sensibilidade e um grande amor pela causa ecuménica.
Quando a Madre M. Pia, solicitada pelo Pe. Couturier, apóstolo do ecumenismo e impulsionador da Semana de oração pela Unidade, apresentou à comunidade o pedido de orações e de oferecimentos pela grande causa da Unidade dos Cristãos, a Irmã Maria Gabriella sentiu-se logo comprometida e chamada a oferecer a sua jovem vida."Sinto que o Senhor me pede", confessara à Abadessa. "Sinto-me chamada mesmo quando não o quero pensar."
Foi através de um caminho rápido e direito, entregue à obediência, consciente de sua fragilidade, e tendo como único desejo "a vontade de Deus e a Sua glória", que Gabriella alcançou aquela liberdade que a impelia a conformar-se a Jesus na sua Paixão. Oferecendo a Deus a sua doença (tuberculose) e após meses de sofrimento, foi na tarde do dia 23 de Abril de 1939, Domingo do Bom Pastor, no qual o evangelho proclamava:"Haverá um só rebanho e um só Pastor", que Gabriella morre.
Seu corpo, encontrado intacto quando foi feito o reconhecimento em 1957, repousa agora numa capela adjacente ao Mosteiro de Vitorchiano, para onde se transferiu a comunidade de Grottaferrata.
Foi beatificada por João Paulo II a 25 de Janeiro de 1987, quarenta e quatro anos depois da sua morte, na Basílica de São Paulo, no dia da Festa da Conversão do Apóstolo e da conclusão da Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos.


São Leopoldo Mandic, Beata Maria Gabriella, rogai por nós!
Rogai para que haja um só rebanho e um só Pastor!

sábado, 27 de outubro de 2007

Consciência da sua fragilidade

«Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola
para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros:
«Dois homens subiram ao templo para orar;
um era fariseu e o outro publicano.
O fariseu, de pé, orava assim:
‘Meu Deus, dou-Vos graças
por não ser como os outros homens,
que são ladrões, injustos e adúlteros,
nem como este publicano.
Jejuo duas vezes por semana
e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’.
O publicano ficou a distância
e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu;
Mas batia no peito e dizia:
‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’.
Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa
e o outro não.
Porque todo aquele que se exalta será humilhado
e quem se humilha será exaltado.»

Lc 18,9-14




Reza-se verdadeiramente quando se tem consciência da sua fragilidade, da sua precariedade. Toda a Sagrada Escritura dá testemunho disso. É no meio das provações e nas fraquezas que o povo de Israel descobre o amor de Deus.
No Evangelho deste Domingo, Jesus nos dá dois exemplos de oração, a de um fariseu e a de um publicano.
Apesar de ser verdadeiro e fiel na prática da Lei, o fariseu eleva uma oração imbuída de orgulho, onde ele não faz mais do que contemplar-se em vez de contemplar a Deus. De facto, ele não precisa de nada; a única coisa que o interessa é a conta dos seus méritos.
Mas a oração do publicano, homem mal visto pela sociedade, é verdadeira diante do Senhor porque reconhece a própria fragilidade e precariedade. É a oração de um homem que se sabe pecador, que tem consciência que não ama o suficiente ou que ama mal. Ele percebe que algumas páginas da sua vida não foram brilhantes. Ele vê a trave que está no seu olho ao ponto de já não ver o argueiro no olho do irmão. Este homem sabe que o perdão só vem de Deus. É esta oração que permite ao pecador acolher o amor de Deus. O Evangelho diz que o publicano “voltou justificado”. De facto, o justo é aquele que se ajusta a Deus numa confiança absoluta, acolha a vontade do Senhor, desejando permanecer nela custa o que custar. O publicano é justo porque se deixou justificar por Deus em vez de se justificar a ele próprio.
O ideal seria que estes dois homens tão diferentes se pusessem a orar juntos diante de Deus, dizendo a uma só voz: “Tem piedade de nós porque somos pecadores… tem piedade de mim que prejudiquei o meu próximo…tem piedade de mim que me acho superior aos outros… tem piedade de nós quando estamos zangados uns com os outros…” e o Senhor diria: “Quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles.” É esta oração conjunta que nos permite aproximar-nos de Deus e dos outros, porque o Senhor se torna presente para nos dizer que Ele se reconhece em cada um de nós. Ele vem ensinar a olhar uns pelos outros, não com desprezo ou altivez, mas como verdadeiros irmãos e irmãs.

sábado, 13 de outubro de 2007

Há 90 anos

Há 90 anos, Maria, Mãe de Deus e Mãe dos homens, aparecia uma última vez na Cova da Iria, a três pastorinhos, Francisco, Jacinta e Lúcia.
À volta dos pequeninos, uma multidão à chuva esperava por um milagre anunciado…e aconteceu! O sol bailou nos céus!
Mas Maria, antes da despedida, deixou palavras fundamentais às três crianças:
“Quero dizer que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dia.”
“Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido.”
Duas frases que sintetizam a mensagem da Mãe de Jesus em Fátima: Oração e Penitência…rezar, arrepender-se, converter-se, fazer o que Deus quer...amá-l'O!
Assim, Maria, a Senhora do Rosário, convida a humanidade, por meio daqueles três pastorinhos, a voltar-se toda para Deus, na intimidade da relação com o seu Senhor e no cumprimento da sua vontade.
“Rezar todos os dias” é viver uma relação de amor com Deus.
“Não ofender a Deus Nosso Senhor” é fazer o que Ele quer de nós por amor.
Maria, a humilde serva do Senhor, é assim o instrumento de comunhão amorosa entre Deus e os homens.
Toda relativa a Deus, ela vive só d’Ele e para Ele.
Por isso, em 1917, preocupada com o mundo que se afastava d’Aquele por Quem ela vive, Deus, ela agiu! Ela foi ter com os homens...foi mensageira da necessidade de voltar-se para Deus, de amá-l'O na oração e no cumprimento da sua vontade.

Graças Te dou, Senhor, por Maria, Mãe atenta às necessidades dos homens!
Graças te dou, Maria, Senhora do Rosário, por mostrares aos homens a necessidade de Deus e do seu amor nas suas vidas!

sábado, 23 de junho de 2007

Seguir o Mestre

-«Vou fazer-vos uma pergunta…
a mesma que fiz um dia ao meus discípulos:
Quem dizeis que Eu sou?»
-«És o Messias de Deus,
Aquele que sofreu muito,
que foi rejeitado pelo seu povo,
que morreu e ressuscitou ao terceiro dia!»
-«E quereis vir comigo?»
-«Sim. Que devemos fazer?»
-«Renunciai a vós mesmo,
tomai a cruz todos os dias
e segui-me.»
-«Porquê?»
-«Pois bem...quem quiser salvar a sua vida,
há-de perdê-la;
mas quem perder a sua vida por minha causa,
salvá-la-á.»


Inspirado de Lc 9, 18-24



«Porque temes, pois, tomar a cruz, pela qual se caminha para o reino de Deus?
Na cruz está a saúde e a vida.
Na cruz está o refúgio contra os inimigos, a doçura da graça, a força da alma, a alegria do espírito, a perfeição das virtudes, o cume da santidade.
Não há salvação nem esperança da vida eterna senão na cruz.
Toma, pois, a tua cruz e segue a Jesus Cristo, e caminharás na vida eterna.
Este Senhor foi adiante, levando às costas a sua.
Nela morreu por teu amor, para que tu leves também a tua e nela desejas morrer.»

Imitação de Cristo L2, XII

quinta-feira, 15 de março de 2007

Josémaria Escriba e a penitência

«A penitência é o cumprimento exacto do horário que te fixaste, mesmo se o teu corpo resista ou se o teu espírito pretende evadir-se em sonhos quiméricos. A penitência é acordar a horas. É também não deixar para logo, sem motivo válido, uma tarefa que te seja mais difícil ou te custe mais fazer do que outras.

A penitência consiste em saber conciliar as tuas obrigações para com Deus, os outros e ti próprio, mostrando-te exigente para contigo afim de encontrar tempo para cada coisa. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, mesmo se estás cansado, sem desejo ou frio.

A penitência é tratar os outros sempre com a maior caridade, a começar pelos teus mais íntimos. É ter a maior delicadeza em ocupar-se daqueles que sofrem, dos doentes, daqueles que passam por uma provação. É responder com paciência à troça e à moléstia. É interromper ou mudar os nossos planos quando as circunstâncias, os bons, e sobretudo justos interesses dos outros assim o requerem.


A penitência consiste em suportar com boa disposição as muitas contrariedades do dia; em não abandonar a tua ocupação mesmo se perdes por momentos o entusiasmo com que a começaste; é comer agradecido aquilo que te servem, sem os teus caprichos aborrecerem.

A penitência para os pais é, em geral, igual para todos os que têm uma missão de direcção ou de educação, é corrigir quando é necessário, de acordo com a natureza do erro e das condições daquele que necessita de ajuda, sem subjectivismos obstinados e sentimentais.

O espírito da penitência leva-nos a não nos prender de maneira desordenada ao nosso esboço monumental de projectos futuros, no qual teríamos já previsto as linhas e pinceladas magistrais. Que alegria damos a Deus quando renunciamos aos nossos rascunhos e retoques de artistas amadores, e que permitamos que seja Ele que junte os traços e as cores que lhe agradam mais!»

São Josémaria Escriba

sexta-feira, 2 de março de 2007

Jejuar para partilhar

O jejum tem como objectivo dar fome e sede de Deus e da sua Palavra. Abster-se ou renunciar a algo não é somente um gesto de penitência mas também um gesto de solidariedade com os pobres e um convite à partilha e à esmola.

No tempo da Quaresma, em todas as dioceses portuguesas, existe uma recolha de fundos chamada “Contributo penitencial”, que visa apoiar iniciativas locais mas também estrangeiras, para o desenvolvimento de projectos pastorais e de ajuda ao próximo. Os donativos dos cristãos neste contributo poderiam resultar da vivência do jejum e das renúncias quaresmais.

Neste tempo de preparação para a Páscoa, algumas paróquias ou instituições escolares organizam várias iniciativas para fazer do jejum um verdadeiro momento de entreajuda.
Aqui em Portugal, sei que existe nalgumas dioceses, e até na Pastoral universitária, uma campanha que consiste em abdicar de uma refeição habitual para comer uma sanduíche, num ou em vários dias da Quaresma. Este gesto recorda que nem toda a gente come à sua fome, mas também, faz com que a diferença monetária da sanduíche com a refeição normal seja revertida a favor de uma associação de solidariedade ou de um projecto caritativo.
Em França, para ajudar o “Secours Populaire” (Caritas) e o “Comité Católico contra a Fome e para o Desenvolvimento” (CCFD), foi criada a campanha “Tigela de arroz”, que consiste no mesmo princípio do que a “sanduíche portuguesa”...só muda o alimento.
Pode-se adaptar estes exemplos ao gosto individual, em vez de pão ou de arroz, pode ser uma sopa ou outra refeição económica…o que interessa é jejuar para partilhar com quem necessita.

Outra iniciativa para viver o jejum com a esmola, é criar um “Mealheiro Quaresmal” em que todas as renúncias monetárias de tabaco, álcool, café, guloseimas e outras, segundo a criatividade e disponibilidade de cada um, podem ser poupadas e reunidas ao longo dos 40 dias numa caixinha, e depois, serem entregas a alguém ou a uma instituição que precisa da nossa ajuda monetária.

Mas o jejum não sendo só aplicável à comida, mas também ao tempo de lazer, de divertimento, de televisão, de Internet; a esmola pode ser vivida então como doação do seu tempo a favor do outro. Pode ser uma conversa mais atenta e demorada com um vizinho que vive só, algumas horas de participação nas actividades na Paróquia ou de trabalho voluntário nalguma associação.

Vivendo assim o jejum, na discrição que o Evangelho impõe e com alguma imaginação pessoal, vivemos a esmola, a partilha com o próximo...claro, sem esquecer a esmola do nosso amor a Deus na oração.

quinta-feira, 1 de março de 2007

A esmola

“'A oração, diz Santo Agostinho, tem duas asas que a fazem voar direito para o céu: o jejum e a esmola.' O capitulo 58 do livro de Isaías revela-nos a insuficiência do jejum que não é acompanhado de boas obras, eis as palavras que o profeta põe na boca de Javé como resposta ao seu povo que lamenta não ser atendido na oração: ‘O jejum que eu aprecio é este: abrir as prisões injustas, desatar os nós do jugo, deixar ir livres os oprimidos…repartir o teu pão com o esfomeado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir o nu.’ E o Evangelho, confirmando estes conselhos, lembra que os verdadeiros filhos do Pai que está nos céus devem ultrapassar em virtude e em boas obras os publicanos e os pagãos, aspirando em serem perfeitos como o Pai o é, amando até os inimigos, retribuindo-lhes o bem pelo mal, orando pelos seus perseguidores (Mt 5).
‘Desejais, diz São Cirilo de Alexandria, apresentar a Jesus Cristo um verdadeiro jejum, um jejum puro? Olhai favoravelmente aqueles que lutam contra a pobreza.’ A esmola deve ser ela também, uma companheira fiel do jejum. Jejuai, orai, partilhai, e vivereis perfeitamente a vossa Quaresma.”


Sermão de um dominicano - 1929

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Viver o deserto

A Quaresma, entre outros sentidos, recorda os 40 dias de Jesus no deserto, 40 dias de solidão, de silêncio e de oração.

Na Sagrada Escritura, este local inóspito aparece como lugar que permite a revelação de Deus, como aconteceu com Moisés e Elias.
Se a Igreja não nos pede para partir para o deserto como Cristo, podemos no entanto, no meio dos homens, permanecendo em contacto com eles, procurar também nós, viver o “deserto”, na oração, solidão, e fazer silêncio de realidades inúteis ou secundárias.
Jesus é o melhor exemplo para viver tudo isso. Muitas vezes, procurou a solidão e o silêncio, afastando-se dos amigos e das multidões, para poder falar a sós com o Pai, e pediu aos seus discípulos para também fazê-lo…”quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta”. (Lc 6,6)

Viver a Quaresma neste espírito do “deserto”, pode ser uma maneira de voltar a dar um carácter sério e sagrado à palavra. É bom fazer ascese de palavras, disciplinar aquilo que proferimos, para conseguir a harmonia pessoal, com Deus e o próximo, que procuramos alcançar neste tempo tão especial.
A nossa palavra inconsciente ou falsa pode ter consequências desastrosas, mas se ela for verdadeira, coerente com aquilo que acreditamos, ela pode transformar-se num testemunho vivo, numa semente de algo para descobrir para quem a ouvir. Afinal, “o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus”. (Mt 4,4)

Na nossa cultura moderna, a beleza da interioridade, que a solidão, o silêncio e a oração constroem, desaparece facilmente.
É-nos imposto uma necessidade constante de ruído. Quantas pessoas não ligam a televisão ou o rádio para não se sentirem só. O silêncio é visto como algo negativo, como ausência de algo, e não como algo para saborear, uma presença, condição para qualquer presença verdadeira.
O mundo silencioso não é um mundo vazio, mas oferece-nos a possibilidade de nos concentrar e ter uma vida interior…uma vida de intimidade que nos abra para Deus.

Meditemos as palavras que D. Jorge, Arcebispo de Braga, dirigiu aos cristãos na sua mensagem para a Quaresma:
“A solidão proporciona um encontro com o eu, com a Palavra meditada, com a análise serena dos acontecimentos da vida, com a companhia de um bom livro… (…)
Sugiro por isso, uma Quaresma de espaços de deserto onde se deixam as preocupações quotidianas e, com mais ou menos tempo, me encontro comigo ouvindo o silêncio interior.”


“Silencie-se diante deste Deus grandioso pois...
a linguagem que Ele mais ouve é a do amor silencioso.”
Santa Teresa de Jesus

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Redescobrir nesta Quaresma

Como aplicar os ensinamentos da Igreja sobre a Quaresma, e como a Quaresma pode influenciar realmente, e não somente exteriormente, a nossa existência?

Vivemos hoje numa sociedade mais urbana, até as aldeias vivem ao ritmo citadino, uma sociedade tecnológica, plural nas crenças religiosas e secular na sua visão do mundo.
A Quaresma já não é tão “visível”como noutros tempos.

No entanto, a Igreja convida-nos a encontrar outro ritmo, outro estilo de vida que se sintonizam com os objectivos deste tempo quaresmal…encontrar uma força espiritual na realidade quotidiana da nossa existência.

A Quaresma pode assim ser um momento privilegiado na procura do sentido, como vocação e apelo de Deus, da vida profissional, da relação com os outros, da amizade, da responsabilidade. Não existe nenhuma profissão, nenhuma vocação que não possa ser transformada, não em termos de maior eficácia ou melhor organização, mas em termos humanos.

Se a Quaresma pode ser para o homem uma redescoberta de ele próprio e da sua vida, ela deve ser ainda mais redescoberta da sua fé, do seu sentido divino e sagrado.
Será certamente neste contexto que se situa o verdadeiro sentido do jejum…muito debatido nos blogs e sites católicos neste início de Quaresma.

Eis algumas reflexões que surgiram das minhas leituras sobre o tema.
Abstendo-nos do alimento, redescobrimos a sua doçura e fineza que os excessos, a gula e a glutonaria destroem.
Reaprendemos a recebê-lo de Deus com alegria e gratidão, Ele que criou o alimento dos homens, “fruto da terra e do seu trabalho para que se tornem pão de vida.”
O alimento não é o único aspecto da vida do homem sujeito ao jejum. A música, o tempo frente à televisão, computador, Internet, os divertimentos, as conversações superficiais devem também ser reduzidos, redescobrindo assim o valor verdadeiro das relações humanas, do trabalho do homem e da sua arte.
E tudo isso é redescoberto porque redescobrimos o próprio Deus. Voltaremos, pela oração e na relação íntima de Pai e filho, para Ele, e n’Ele, a tudo o que Ele nos deu no seu amor.

Convido cada um, neste grande potencial do conhecimento que é a Internet, a procurar lindos textos sobre o valor e a riqueza do jejum e da ascese cristã como meditações quaresmais…ajudarão certamente todos os que têm sede de Deus a preparar ao longo destes 40 dias a grande festa da Páscoa.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Conversão quaresmal

“Empreendemos, de facto, o caminho da Quaresma, tempo de escuta da Palavra de Deus, de oração e de penitência. São quarenta dias nos quais a liturgia nos ajudará a reviver as fases destacadas do mistério da salvação. (…)
A Quaresma é uma oportunidade para «voltar a ser» cristãos, através de um processo constante de mudança interior e de avanço no conhecimento e no amor de Cristo. A conversão não acontece nunca de uma vez por todas, mas que é um processo, um caminho interior de toda nossa vida. (…)
Mas, o que é, na verdade, converter-se? Converter-se quer dizer buscar Deus, caminhar com Deus, seguir docilmente os ensinamentos de seu Filho Jesus Cristo. (…)
Conversão consiste em aceitar livremente e com amor que dependemos totalmente de Deus, nosso verdadeiro Criador... que dependemos do amor. (...)
Converter-se significa, portanto, não perseguir o êxito pessoal, que é algo que passa, mas, abandonando toda segurança humana, seguir com simplicidade e confiança o Senhor, para que Jesus se converta para cada um, como gostava de dizer a beata Teresa de Calcutá, em «meu tudo em tudo». (...)
A liturgia quaresmal, ao convidar-nos a reflectir e rezar, estimula-nos a valorizar mais a penitência e o sacrifício, para rejeitar o pecado e o mal e vencer o egoísmo e a indiferença. A oração, o jejum e a penitência, as obras de caridade para os irmãos se convertem, deste modo, em caminhos espirituais que devem ser percorridos para voltar a Deus em resposta aos repetidos chamados à conversão. (…)
Que a Virgem Maria, que após ter compartilhado a paixão dolorosa de seu Filho divino, experimentou a alegria da ressurreição, acompanhe-nos nesta Quaresma rumo ao mistério da Páscoa, revelação suprema do amor de Deus.
Boa Quaresma a todos!”


Bento XVI na audiência de Quarta-Feira de Cinzas 2007

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Quarta-feira de Cinzas


"Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar"

"Arrependei-vos e acreditai no Evangelho"

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Limpeza do pó


“É verdade, geralmente, os nossos pecados são sempre os mesmos, mas fazemos limpeza das nossas habitações, dos nossos quartos, pelo menos uma vez por semana, embora a sujidade é sempre a mesma. Para viver na limpeza, para recomeçar; se não, talvez a sujeira não possa ser vista, mas se acumula. O mesmo vale para a alma, por mim mesmo, se não me confesso a alma permanece descuidada e, no fim, fico satisfeito comigo mesmo e não compreendo que me devo esforçar para ser melhor, que devo ir em frente. E esta limpeza da alma, que Jesus nos dá no Sacramento da Confissão, ajuda-nos a ter uma consciência mais ágil, mais aberta e também de amadurecer espiritualmente e como pessoa humana. Portanto, duas coisas: confessar é necessário somente em caso de pecado grave, mas é muito útil confessar regularmente para cultivar a pureza, a beleza da alma e ir aos poucos amadurecendo na vida.”

Bento XVI com as crianças da primeira comunhão – 15/10/2005


Visitem o blog da Joana, ela tem lá uma linda história sobre o pó que suja os nossos corações.