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domingo, 10 de fevereiro de 2008

Deserto da tentação...deserto da libertação

"Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto,
a fim de ser tentado pelo Demónio"
(Mt 4, 1)

A tentação faz parte inevitavelmente da vida do homem, e sem as tentações do deserto, Jesus, o Verbo de Deus que se fez carne, não teria assumido plenamente a sua condição humana.
Assim, como verdadeiro homem, Jesus, Filho de Deus, também viveu o que Santo Agostinho um dia disse sobre a experiência humana da tentação:
«Na sua viagem terrena, a nossa vida não pode escapar-se à provação da tentação, porque o nosso progresso se realiza pela nossa provação; ninguém se conhece a si mesmo sem ter sido provado, e não pode ser coroado sem ter vencido, não pode vencer sem ter combatido, e não pode combater se não encontrou o inimigo e as tentações.»
Desde o princípio, o homem leve este combate contra o inimigo e as tentações.
No deserto, Cristo vem reviver concretamente este combate velho como o mundo e dar-lhe um novo desfecho.
Três tentações, três vitórias de Jesus, pelas quais o homem reencontra a sua liberdade original.
«Jesus Cristo, no deserto foi tentado pelo demónio. Mas em Cristo, és tu que eras tentado, porque Cristo tinha de ti a carne, para te dar a salvação; tinha de ti a morte, para te dar a vida; tinha de ti os ultrajes, para te dar as honras; por isso tinha de ti as tentações para te dar a vitória. Se é n’Ele que somos tentados, é n’Ele que dominamos o demónio. (…) Se Ele não tinha sido tentado, Ele não te teria ensinado, a ti que deves ser submetido à tentação, como alcançar a vitória.» (S. Agostinho)
Com Jesus, homem livre, não tenhamos medo de enfrentar o deserto da tentação que é também o deserto da libertação!
Afinal, Cristo mostrou-nos, quando colocados diante de escolhas que devemos fazer, a maneira de agir num acto livre: seguir a Palavra de Deus.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A presença do Mal no mundo é um mistério

A presença do Mal no mundo é um mistério que não entendemos plenamente e ao qual nenhuma religião dá uma resposta completamente satisfatória.
No século XVIII, alguns filósofos afirmavam rigorosamente que: “Ou Deus não tem poder de impedir o Mal, e então não é todo-poderoso; ou então pode, mas, por sadismo não o faz, e por isso não é bom. Se Ele não é todo-poderoso, não é Deus, e se não é bom, pouco interessa, é melhor não acreditar n’Ele.”
O problema do Mal parece justificar o ateísmo.
No entanto, os cristãos sempre viram as coisas de outra maneira. O Deus em que acreditam não é indiferente, nem sádico, mas ama os homens, e é à luz dessa relação de Deus com eles que os cristãos tentam ler o enigma do Mal.
A Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja ajudam a entender melhor o mistério do Mal.
Se Deus é amor, isso implica que Ele nos criou livres. O amor sem liberdade é violação, é escravidão.
Deus é o primeiro a sofrer com o Mal e é inocente do Mal. Nunca o desejou e não o criou, mas deixou ao homem o tesouro da liberdade, da livre escolha e vontade. Tesouro que o homem desviou de Deus. Assim o pecado, com a morte e o sofrimento, pôde entrar no mundo.
Esta liberdade de acção, o ser humano pode orientá-lo para o bem como para o mal, para caminhos de vida que Deus aponta, ou para caminhos de morte.
Não é preciso ser doutor em teologia para distinguir duas formas de Mal: o Mal “culpável” e o Mal “inocente” (mortes e catástrofes naturais).
O Mal “culpável” é causado pelos homens. Genocídios, campos de concentração e guerras não são acidentes naturais. A responsabilidade do Mal "culpável" é do homem.
Se Deus abrisse os céus para preservar cada criança que morre por causa da guerra, onde estaria a liberdade dos assassinos?
Então, o Deus dos cristãos é um mero espectador lá do alto, a ver os homens a bulha?
Não, Ele desce desse alto!
Em Jesus Cristo, Deus vem à Terra viver como homem, no meio dos homens.
E se Ele partilhou os trabalhos, as refeições e as festas com eles, também como eles, padeceu no corpo e na alma, e morreu.
E porque na cruz, Jesus, por amor, tomou sobre Si todo o sofrimento, qualquer homem que sofre pode unir-se à paixão de Jesus. Todo o homem pode encontrar em Cristo a força de amar apesar de sofrer, tornando o sofrimento uma ligação misteriosa a Deus e ao próximo.
Estranha resposta de Deus ao problema do Mal…Em vez de explicar ao homem donde vem o Mal, Ele o vive. Em vez de tirar a “varinha mágica” de Deus omnipotente para tornar o mundo melhor, Ele se faz pequeno e humilha-se.
Assim, os cristãos afirmam que Deus não é insensível ao homem que sofre, mas, cheio de compaixão, vem tomar sobre Si o sofrimento. A participação divina às dores humanas é intemporal porque Deus abraça a eternidade num só presente. Por isso, Deus partilha ainda hoje todos os nossos sofrimentos, e podemos dizer que “Jesus está em agonia até ao fim do mundo” (Blaise Pascal).


Mas não podemos ficar no calvário…devemos ir até ao sepulcro vazio!
A ressurreição de Jesus ao terceiro dia é a grande vitória de Deus sobre o Mal, que Ele abraçou para triunfar dele, mergulhando nos abismos da morte para de lá sair.
Para os cristãos, a morte e ressurreição de Cristo são a prova que Deus toma sobre Ele o problema do Mal, que o combate e o vence misteriosamente. E porque Ele é infinitamente bom, Ele deseja associar todos os homens nesta vitória.
Os cristãos não podem, como também os outros homens, explicar o Mal, mas eles acreditam, muitas vezes sem bem entendê-lo, que a ressurreição de Jesus inaugura um novo tempo onde o Mal já foi vencido.


P.S: Este post, para não ser demasiado extenso, é um breve resumo de algumas leituras sobre o escândalo do Mal. Convido cada um a aprofundar o tema...

Ícone da "Descida de Jesus aos infernos"...Cristo Vencedor tira da morte Adão e Eva.