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terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Igreja não precisa de críticos, mas de artistas...

«Desconfio da minha imaginação, da minha revolta; a indignação nunca salvou ninguém, mas arruinou provavelmente muitas almas, e todas as orgias de simonia na Roma do século XVI não teriam beneficiado o diabo se não tivessem conseguido este golpe único de atirar Lutero no desespero, e com esse monge indomável, dois terços da dolorosa cristandade.
Lutero e os seus desesperaram da Igreja, e quem desespera da Igreja, curiosamente, desespera do homem mais tarde ou mais cedo.
Vendo assim, o protestantismo parece-me um compromisso com o desespero ...
As gentes da Igreja teriam de bom grado tolerado que ele juntasse a sua voz a tantas outras vozes mais ilustres ou mais santas que nunca deixaram de denunciar estas desordens. A infelicidade de Martinho Lutero foi de pretender reformar...
Ora é um facto que não se reforma nada na Igreja por meios ordinários. Quem pretende reformar a Igreja com esses meios, pelos mesmos meios que reformam uma sociedade temporal, não só fracassa no seu empreendimento, como inevitavelmente acaba fora da Igreja... antes mesmo que alguém se preocupa em exclui-lo... torna-se seu inimigo quase inconscientemente. (…)
Não se reforma a Igreja senão sofrendo por ela,
não se reforma a Igreja visível senão sofrendo pela Igreja invisível.
Não se reforma os vícios da Igreja senão dando o exemplo das suas virtudes heróicas.
É possível que São Francisco de Assis não tenha sido menos revoltado do que Lutero pela libertinagem e a simonia dos prelados.
É uma certeza que ele sofreu mais cruelmente, devido à sua natureza bem diferente da do monge de Weimar.
Mas ele não desafiou a iniquidade… ele entregou-se à pobreza... em vez de tentar arrancar à Igreja os bens mal adquiridos, ele a cumulou de tesouros invisíveis, e sob a mão suave deste mendigo, o ouro e a luxúria começaram a florescer como um jardim de primavera...
A Igreja não precisa de críticos, mas de artistas...
A Igreja não precisa de reformadores, mas de santos.»


Georges Bernanos, escritor e jornalista francês
1888-1948

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Instrumentos da Providência

«Pai dos pobres, pobre também ele e com todos os pobres identificados, não podia Francisco suportar sem dor ver alguém mais pobre do que ele, não por vanglória, mas por íntima compaixão. (…)
Movido de grande afecto e piedade, e querendo este pobre riquíssimo socorrer de alguma maneira os pobres no tempo de maior frio, pedia aos ricos do mundo lhe dessem mantas e outros agasalhos. (…)
Com verdadeiro coração de irmão estendia a sua caridade aos próprios animais sem fala nem razão, répteis ou aves, e a todas as demais criaturas, sensíveis e insensíveis.»


Tomás de Celano, Vida primeira, n. 76/77


Portugal está a viver uma vaga de frio.
Campanhas de sensibilização sobre os cuidados a ter num Inverno mais rude, de modo particular junto das crianças, dos idosos e dos sem-abrigos, estão a ser realizadas, e todos podemos contribuir.
Mas o Inverno pode ser também crítico para as aves que passam o dia todo a procurar alimento para resistir ao frio.
Hoje (e quase sempre), os pássaros recordaram-me o meu amigo Francisco de Assis, o carinho que ele tinha para com estas pequenas criaturas, e elas por ele.
Sabia que nesta época do ano, um pássaro pode perder 10% do seu peso numa noite!
Procurar alimento para os nossos amigos de penas é uma tarefa difícil, prejudicada pelo clima, a escassez de insectos e sementes, a ocorrência de neve e gelo que cobrem a comida, e dias mais curtos que deixam pouco tempo para encontrar a ração diária.
Mas podemos tornar a vida dos pássaros mais agradável, e sermos assim humildes instrumentos da Providência divina, instalando bebedouros e comedouros nos jardins ou nas varandas, fora do alcance dos gatos, colocando lá a alimentação necessária aos nossos amiguinhos, de preferência no início da manhã e ao entardecer.
Para desenvolver as reservas de gordura necessária para resistir ao Inverno, sobras de comida, cereais, grãos, frutas, nozes, etc., serão apreciados pelos nossos “irmãos” pássaros.
Com eles e com toda a Criação, cantaremos então:

«Obras do Senhor, bendizei o Senhor,
a Ele a glória e o louvor eterno!
Frios e frescuras, bendizei o Senhor,
a Ele a glória e o louvor eterno!
Gelos e neves, bendizei o Senhor,
a Ele a glória e o louvor eterno!
Todas as aves do céu, bendizei o Senhor,
a Ele a glória e o louvor eterno!
Feras e rebanhos, bendizei o Senhor,
a Ele a glória e o louvor eterno!
Vós, seres humanos, bendizei o Senhor,
a Ele a glória e o louvor eterno!»

( Dn 3, 57.69-70.80-82)


«Atravessava S. Francisco o lago de Rieti numa pequena embarcação a caminho do ermitério de Greccio, quando um pescador lhe ofereceu uma pequena ave aquática, para que se alegrasse no Senhor.
Pegou nela o Pai cheio de contentamento e, abrindo as mãos, convidou-a delicadamente a seguir em liberdade. Mas como ela não quisesse partir, antes se aconchegasse mais ainda nas mãos do Santo como dentro de um ninho, volvendo este os olhos ao céu, pôs-se a rezar. Algum tempo depois, voltando a si como quem chega de outro mundo, ordenou com doçura à avezinha que voltasse confiadamente à sua liberdade.
E o passarinho, com esta licença e uma bênção, partiu voando, não sem primeiro mostrar com requebros do corpo a sua imensa alegria.»

Tomás de Celano, Vida segunda, n. 167


Para saber mais sobre a alimentação dos pássaros no Inverno: Site Neo Planete (Basta clicar)