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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Que alegria eu ser uma filha fiel da Igreja

«Que alegria eu ser uma filha fiel da Igreja.
Ó, como amo a Igreja e todos os que fazem parte dela; considero-os membros vivos de Cristo que é a cabeça.
Ardo de amor com aqueles que amam, sofro com aqueles que sofrem, a dor me consome perante as almas frias e ingratas. Então faço por amar muito a Deus em reparação por aqueles que não O amam, que são ingratos para com o seu Salvador.
Ó meu Deus, estou consciente da minha missão na Santa Igreja.
O meu constante esforço deve ser a oração para alcançar a misericórdia para o mundo.
Uno-me intimamente a Jesus e coloco-me diante d’ Ele, como oferenda suplicante para o mundo. Deus não me recusará nada se o pedir pela voz de seu Filho. (…)
Fazei de mim, ó Jesus, uma oferenda agradável e pura diante da Face do Pai.
Jesus, transformai-me em Vós, porque tudo podeis, e devolvei-me ao vosso eterno Pai.
Desejo tornar-me uma hóstia expiatória diante de Vós e dos homens.
Desejo que o perfume da minha oferenda seja unicamente conhecida de Vós.»


Santa Faustina

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Encontrei o meu lugar na Igreja

«Compreendi que se a Igreja tinha um corpo, composto por membros diferentes, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos, compreendi que a Igreja tinha Coração, e que este Coração era ardente de amor. Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja, que se o amor viesse a extinguir-se, os Apóstolos deixariam de anunciar o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar o sangue… Compreendi que o amor englobava todas as vocações, que o amor era tudo, que se estendia a todos os tempos e a todos os lugares… numa palavra, que era eterno!...


Então, no excesso da minha alegria delirante, exclamei: ó Jesus, meu Amor… a minha vocação, encontrei-a finalmente, a minha vocação, é o amor!... Sim, encontrei o meu lugar na Igreja e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós quem mo deu… no Coração da Igreja, minha Mãe, serei o Amor… assim terei tudo… assim será realizado o meu sonho!!!...»

Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face,
Virgem e Doutora da Igreja

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Criado para amar

Ó adorável Coração de Jesus, Coração apaixonado pelos homens, Coração criado especificamente para amar os homens, como é possível encontrar entre os homens, tão pouca correspondência e tanto desprezo?
Ai! Também eu tenho sido um destes ingratos, não soube amar-Vos!
Dai-me a graça de Vos amar.
Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração?
Sim, ó meu Deus, é vossa vontade que eu Vos ame, e é minha vontade amar-Vos.
O que estou eu a dizer?
Quero que o meu coração ame um Deus que me amou tanto.
Ó amor de Jesus, Vós sois o meu amor.
Ó Coração ardente de Jesus, abrasai também o meu coração.
Não permitais que eu viva, ainda que fosse um instante, privado do vosso amor!
O vosso sangue, derramado por mim, me dá a esperança de que eu Vos amarei sempre, que me amareis sempre, e que esse amor entre nós será sempre indissolúvel.
Ó Maria, Mãe do belo amor, que desejais tanto que o vosso Jesus seja amado; prendei-me intimamente ao vosso Filho, tão intimamente que não tenha mais a infelicidade de me separar d’ Ele.

da Novena ao Sagrado Coração de Jesus,
de S. Afonso de Ligório



Eu Vos amo, ó meu Deus, e o meu único desejo é amar-Vos até ao último suspiro da minha vida.
Eu Vos amo, ó Deus infinitamente amável, e preferiria morrer amando-Vos, do que viver um só instante sem Vos amar.
Eu Vos amo, ó meu Deus, e não desejo o céu senão para ter a felicidade de Vos amar perfeitamente.
Eu Vos amo, ó meu Deus, e temo o inferno porque nunca haverá lá a doce consolação de Vos amar.
Ó meu Deus, se a minha língua não pode dizer a toda a hora que eu Vos amo, desejo que pelo menos o meu coração Vo-l’O repita tantas vezes quanto eu respiro.
Ah, dai-me a graça de sofrer amando-Vos, de Vos amar sofrendo, e de morrer amando-Vos.
E quanto mais se aproxima o meu fim, mais Vos imploro de aumentar o meu amor e de o aperfeiçoar.
Assim seja.

São João Maria Vianney, o Santo Cura d'Ars

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Deixemo-l'O

«Nosso Senhor pede-nos que O deixemos continuar em nós a vida que Ele começou na terra, no seio da Virgem Santa (…). Deixemo-l’O viver em nós, deixemo-l'O continuar em nós a sua vida solitária de Nazaré, deixemo-l’O continuar em nós a sua vida de caridade universal, deixemo-l’O continuar em nós a sua vida de caridade universal, deixemo-l’O prolongar em nós a sua vida de humildade, deixemo-l’O pela nossa fidelidade fazer penitência, “completar em nós o que falta aos seus sofrimentos”, deixemo-l’O pelo zelo das nossas almas continuar a “atear o fogo sobre a terra”, deixemo-l’O pelas nossas vigílias e pelas nossas orações continuar em nós a “passar as noites a orar a Deus” (…). Fazendo de todos os instantes da nossa vida, de todos os nossos pensamentos, de todas as nossas palavras, de todas as nossas acções, pensamentos, palavras, acções não mais naturais, não mais humanas, mas divinas, não mais de nós, mas de Jesus! Façamos de modo a poder dizer a todo o momento da nossa existência: ‘Eu vivo, mas não sou mais eu que vivo, é Jesus que vive em mim’!»



«O amor é inseparável da imitação. Todo aquele que ama quer imitar: é o segredo da minha vida.»
«Imitemos, pois, Jesus por amor, contemplemos Jesus por amor, procedamos em tudo por amor a Jesus.»


Beato Carlos de Foucauld

sábado, 2 de agosto de 2008

Nossa Mãe para a Eucaristia

«A Santíssima Virgem tinha uma atracção tão grande pela Eucaristia, que ela não podia se separar dela; ela vivia do Santíssimo Sacramento. Ela passava os dias e as noites aos pés do seu divino Filho. Ó Maria, ensinai-nos a vida de adoração! Ensinai-nos a encontrar como vós todos os mistérios e todas as graças na Eucaristia; a fazer reviver o Evangelho, a lê-lo na vida eucarística de Jesus. Lembrai-vos, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, que sois a Mãe dos adoradores da Eucaristia!
Onde encontraremos a Jesus na terra senão nos braços de Maria? Não foi ela que nos deu a Eucaristia! Foi o seu consentimento, na Encarnação do Verbo no seu seio, que iniciou o grande mistério de reparação para com Deus e de união connosco que Jesus cumpriu durante a sua vida mortal e que Ele continua no Santíssimo Sacramento. Nunca se deve separar Maria de Jesus: não saberíamos ir a Ele sem passar por ela. Até digo que mais se ama a Eucaristia, mais devemos amar Maria…
Maria tem a missão de nos tomar pela mão para nos conduzir ao sacrário. A Santíssima Virgem torna-se então nossa Mãe para a Eucaristia; ela é incumbida de nos encontrar o nosso Pão da vida, de no-lo fazer saborear e desejar; ela recebe a missão de nos formar na adoração. Ó Jesus, não sei adorar; mas ofereço-Vos as palavras, os anseios de vossa Mãe, que é minha também; não sei adorar, mas repito a sua adoração pelos pecadores, pela conversão do mundo e as necessidades da Igreja.
É Maria que conseguirá a Jesus Eucarístico a sua corte de honra. Não duvideis, se tendes a felicidade da conhecer, amar e servi-l’O no Santíssimo Sacramento, é a Maria que o deveis; é ela que vos requisitou junto do Pai celeste para a guarda de amor do Deus da Eucaristia. Agradecei a esta boa Mãe, vós que lhe deveis todas as graças da vossa vida, a maior de todas, a de amar e servir, consagrando-lhe toda a vossa vida, o Rei dos reis no seu trono de amor!»



São Pedro Juliano Eymard


Nascido em França no século XIX, São Pedro Juliano Eymard marcou toda a Igreja com o verdadeiro culto a Jesus Eucarístico. Foi à luz da Eucaristia que o jovem Pedro descobriu a sua vocação para o sacerdócio, apesar da oposição do pai. Ordenado sacerdote, entrou mais tarde na Congregação dos Maristas, mas percebendo a indiferença do povo para com Jesus Eucarístico e inspirado no exemplo de Nossa Senhora, fundou o Instituto do Santíssimo Sacramento. "É necessário tirar Cristo do sacrário, apresentá-lo ao povo como o grande Senhor, Mestre, Salvador, vivo, real no meio de nós". Exímio apóstolo do mistério eucarístico, criou congregações de religiosos e de religiosas, para se consagrarem ao culto eucarístico, e tomou muitas e excelentes iniciativas entre as pessoas de todas as condições para promover o amor para com a Eucaristia. Morreu no primeiro dia de Agosto de 1868, na sua cidade natal.
A sua memória litúrgica é a 2 de Agosto.
Bendito seja Deus nos seus santos!




Foto: Ícone-Ostensório da Comunidade Eucaristein

terça-feira, 22 de julho de 2008

Na força do Espírito

«No entanto esta força, a graça do Espírito, não é algo que possamos merecer ou conquistar; podemos apenas recebê-la como puro dom. O amor de Deus pode propagar a sua força, somente quando lhe permitimos que nos mude a partir de dentro. Temos de O deixar penetrar na crosta dura da nossa indiferença, do nosso cansaço espiritual, do nosso cego conformismo com o espírito deste nosso tempo. Só então nos será possível consentir-Lhe que acenda a nossa imaginação e plasme os nossos desejos mais profundos. Eis o motivo por que é tão importante a oração: a oração diária, a oração privada no recolhimento dos nossos corações e diante do Santíssimo Sacramento e a oração litúrgica no coração da Igreja. A oração é pura receptividade à graça de Deus, amor em acto, comunhão com o Espírito que habita em nós e nos conduz através de Jesus, na Igreja, ao nosso Pai celeste. Na força do seu Espírito, Jesus está sempre presente nos nossos corações, esperando serenamente que nos acomodemos em silêncio junto d’Ele para ouvir a sua voz, permanecer no seu amor e receber a “força que vem do Alto”, uma força que nos habilita a ser sal e luz para o nosso mundo. (…)


A força do Espírito Santo não se limita a iluminar-nos e a consolar-nos; orienta-nos também para o futuro, para a vinda do Reino de Deus.(…)
Uma nova geração de cristãos, revigorada pelo Espírito e inspirando-se a uma rica visão de fé, é chamada a contribuir para a edificação dum mundo onde a vida seja acolhida, respeitada e cuidada amorosamente, e não rejeitada nem temida como uma ameaça e, consequentemente, destruída. Uma nova era em que o amor não seja ambicioso nem egoísta, mas puro, fiel e sinceramente livre, aberto aos outros, respeitador da sua dignidade, um amor que promova o bem de todos e irradie alegria e beleza. Uma nova era na qual a esperança nos liberte da superficialidade, apatia e egoísmo que mortificam as nossas almas e envenenam as relações humanas. Prezados jovens amigos, o Senhor está a pedir-vos que sejais profetas desta nova era, mensageiros do seu amor, capazes de atrair as pessoas para o Pai e construir um futuro de esperança para toda a humanidade.(…)


O mundo tem necessidade desta renovação. Em muitas das nossas sociedades, ao lado da prosperidade material vai crescendo o deserto espiritual: um vazio interior, um medo indefinível, uma oculta sensação de desespero.(...)
Também a Igreja tem necessidade desta renovação. Precisa da vossa fé, do vosso idealismo e da vossa generosidade, para poder ser sempre jovem no Espírito.(…)
Que o fogo do amor de Deus desça sobre os vossos corações e os encha, a fim de vos unir cada vez mais ao Senhor e à sua Igreja e enviar-vos, como nova geração de apóstolos, para levar o mundo a Cristo.»

Homilia de Bento XVI nas JMJ, 20/07/2008




As próximas Jornadas Mundiais da Juventude em 2011
...mais perto de nós...Madrid!



As palavras do Santo Padre durante as Jornadas Mundiais da Juventude 2008 de Sydney são de particular interesse. Merecem ser impressas, lidas e meditadas…excelentes catequeses de um Papa professor.

domingo, 20 de julho de 2008

Oblação e inspiração

«Crucificado, sepultado e ressuscitado dentre os mortos, restituído à vida no Espírito e sentado à direita do Pai, Cristo tornou-se nosso Sumo Sacerdote, que intercede eternamente por nós. Na liturgia da Igreja, e sobretudo no sacrifício da Missa consumado sobre os altares de todo o mundo, Ele convida-nos a nós, membros do seu Corpo místico, a partilhar a sua auto-oblação. Chama-nos, enquanto povo sacerdotal da nova e eterna Aliança, a oferecer, em união com Ele, os nossos sacrifícios de cada dia pela salvação do mundo.»


Bento XVI ao clero australiano, 19/07/2008



«Invoquemos o Espírito Santo: é Ele o artífice das obras de Deus. Deixai que os seus dons vos plasmem. Assim como a Igreja realiza a sua viagem juntamente com a humanidade inteira, assim também vós sois chamados a exercitar os dons do Espírito nos altos e baixos da vida diária. Fazei com que a vossa fé amadureça através dos vossos estudos, trabalho, desporto, música, arte. Procurai que seja sustentada por meio da oração e alimentada através dos sacramentos, para deste modo se tornar fonte de inspiração e de ajuda para quantos vivem ao vosso redor. No fim de contas, a vida não é simplesmente acumular, e é muito mais do que ter sucesso. Estar verdadeiramente vivos é ser transformados a partir de dentro, permanecer abertos à força do amor de Deus. Acolhendo a força do Espírito Santo, podereis também vós transformar as vossas famílias, as comunidades, as nações. Libertai estes dons. Fazei com que a sabedoria, o entendimento, a fortaleza, a ciência e a piedade sejam os sinais da vossa grandeza.
E agora, enquanto nos preparamos para a adoração do Santíssimo Sacramento, em espera silenciosa repito-vos as palavras pronunciadas pela Beata Mary MacKillop quando tinha precisamente vinte e seis anos: ‘Acredita naquilo que Deus sussurra ao teu coração!’ Acreditai n’Ele! Acreditai na força do Espírito do amor!»

Bento XVI, Vigília com os jovens, 20/07/2008

sábado, 5 de julho de 2008

Uma fé que irradia, comove, impressiona

Ingrid Bettancourt…há 6 anos que este nome começou a soar familiar aos nossos ouvidos, quando foi noticiado o rapto desta franco-colombiana por guerrilheiros das FARC, na Colômbia, em 2002.
Hoje, Ingrid está livre e o seu testemunho é esse: ao longo do seu cativeiro, foi a fé que a conduziu.
É essa mesma fé que a faz dizer aos jornalistas e ao mundo inteiro “graças a Deus” pela sua libertação.
Outro facto que marca…logo à descida do avião que a tinha arrancada das mãos dos seus algozes, Ingrid ajoelhou-se com a sua mãe ao lado e alguns reféns. Fizeram o sinal da cruz, recitaram 3 avé-marias e uma glória. Um padre estava lá, vestido de alva e de estola, e os abençoou.
“Quero primeiro dar graças a Deus e aos soldados da Colômbia” dizia ela, alguns minutos antes, agradecendo também a oração de todos aqueles que se lembraram dela ao longo dos anos, “é um milagre”. A fé foi sem dúvida o que permitiu à Ingrid sobreviver a 6 anos e 4 meses de cativeiro.


Numa carta tornada pública no último mês de Dezembro, ela confidenciava que a Bíblia era o seu “único luxo”; que “cada dia, comunico com Deus, Jesus, a Virgem (…). Aqui, tudo tem duas faces, a alegria vem, e depois a dor. A alegria é triste. O amor pacifica e abre novas feridas…é viver e morrer de novo.”
O seu testemunho continua assim: “Durante anos, pensava que enquanto estivesse viva, enquanto continuaria a respirar, deveria continuar a ter esperança. Já não tenho as mesmas forças, é-me difícil continuar a acreditar.” Mas desejava: “que Deus nos venha em auxílio, nos guie, nos dê paciência e nos preencha. Para sempre e até sempre.”
Na passada Quinta-feira 3 de Julho, ela também teve algumas palavras para com os seus antigos sequestradores: “Vi o comandante, que durante tantos anos foi responsável por nós, e que ao mesmo tempo foi tão cruel connosco. Vi-o no chão, os olhos vendados. Não penseis que estava contente, tive pena por ele, porque é necessário respeitar a vida dos outros, mesmo se eles são nossos inimigos.”
Ingrid falou no passado, e fala hoje de paz e não de vingança.
Esta mulher é habitada, inspirada por Alguém que a ultrapassa.
Na próxima semana ela irá até Roma ver o Santo Padre.
A fé de Ingrid irradia, comove, impressiona.
Louvado seja Deus.

sábado, 21 de junho de 2008

Presença eucarística

«A Eucaristia ultrapassa toda a capacidade humana de compreensão.
É necessário aceitá-la com uma fé profunda e um profundo amor.
Jesus quis deixar-nos a Eucaristia para que não esqueçamos o que Ele veio fazer e revelar-nos.
Poderíamos nós imaginar o que seria das nossas vidas sem a Eucaristia?»


Beata Teresa de Calcutá


«Jesus ficou na Eucaristia por amor…por ti.
Ficou, sabendo como os homens O receberiam
e como tu próprio O receberias.
Ficou para que O comesses,
para que O visitasses e Lhe contasses os teus problemas;
para que, frequentando-O na oração junto do sacrário e na comunhão,
te enamorasses por Ele cada vez mais,
e que fizesses com que outras almas – muitas almas! –
seguissem o mesmo caminho.»

S. José Maria Escrivá





«Estais aqui, meu Senhor Jesus, na Santa Eucaristia;
estais aqui, a um metro de mim, no sacrário!
O vosso corpo, a vossa humanidade,
a vossa divindade, o vosso ser todo inteiro está aqui;
como estais perto, meu Deus,
meu Salvador,
meu Jesus,
meu Irmão,
meu Esposo,
meu Bem-amado…»

Beato Carlos de Foulcaud

sábado, 1 de dezembro de 2007

A imitação é inseparável do amor

“A imitação é inseparável do amor. Todo aquele que ama quer imitar: é o segredo da minha vida: perdi o meu coração por este Jesus de Nazaré crucificado há 1900 anos e passo a minha vida a procurar imitá-l’O.”


“Segui-l’O é imitá-l’O, é imitar Jesus em tudo, partilhar a sua vida como o faziam a Santíssima Virgem, São José, os apóstolos, isto é, por um lado, conformar como eles a nossa alma à d’Ele, convertendo o mais possível a nossa alma à sua alma infinitamente perfeita; por outro lado, conformar como eles a nossa vida exterior à d’Ele, partilhando como eles fizeram, a sua pobreza, a sua humilhação, os seus trabalhos, os seus cansaços, enfim tudo o que foi a parte visível de sua vida. Unamo-nos, sejamos um com Jesus, e por isso, amemo-l’O, obedeçamo-Lhe, imitemo-l’O.
Na dúvida de fazer ou não alguma coisa, perguntar-se o que teria feito Jesus em nosso lugar e fazê-lo. Não imitar tal ou tal santo, mais só a Jesus. Agradecer a Jesus a vida de Nazaré que eu levo, o que me é dado de conforme com Ele, e pedir-Lhe que aí me deixe enquanto isso O glorificará. Ler e meditar os santos evangelhos, os livros santos que falam de Jesus, tudo o que nos pode fazer conhecer Jesus e o seu Espírito: pedir-Lhe para conhecê-l’O e ter o seu Espírito. Fazer todos os possíveis pela oração e as outras obras para ser semelhante a Jesus no interior e no exterior, n’Ele, por Ele e para Ele. Amen.”


Beato Carlos de Foucauld

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Ser pobre e servo, Irmão de Jesus

Hino ao Beato Carlos de Foucauld

Amar como Ele nos amou,
e por amor, escolher o último lugar,
ser pobre e servo, Irmão de Jesus.

Procurar como Ele a vida escondida,
e por amor, partir para onde o Espírito chama,
ser somente um viajante passando na noite.

Orar longamente o Bem Amado,
e por amor, abrir-se ao maior silêncio,
adorar Jesus Salvador na Eucaristia.

Levar o Evangelho aos famintos,
e por amor, colher todas as palavras de um povo
onde o Verbo também habita e germina sem ruído.

Dar até ao fim a sua vida oferecida,
e por amor, morrer oferecendo ao Pai
o abandono que jorrou de um coração livre ao infinito.





Oração para obter uma graça por intercessão do Padre Carlos de Foucauld

Deus nosso Pai,
que chamastes o Beato Carlos de Foucauld, sacerdote,
a viver do vosso amor na intimidade de vosso Filho, Jesus de Nazaré,
fazei-nos encontrar no Evangelho o fundamento de uma vida cristã cada vez mais radiante
e na Eucaristia a fonte de uma verdadeira fraternidade universal.
Nós Vos pedimos particularmente, por intercessão do beato Carlos de Foucauld, e se assim for a vossa vontade, a graça de… em favor de…, que recomendamos ao vosso coração de Pai.
Nós Vos pedimos por Jesus, vosso Filho bem amado, nosso Senhor.



Imprimatur : Viviers, 14 Setembro 2006
+ François Blondel, Bispo de Viviers


Memória litúrgica: 1 de Dezembro


Ler biografia do Beato Carlos Foucauld (Site da Santa Sé)

sábado, 27 de outubro de 2007

Consciência da sua fragilidade

«Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola
para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros:
«Dois homens subiram ao templo para orar;
um era fariseu e o outro publicano.
O fariseu, de pé, orava assim:
‘Meu Deus, dou-Vos graças
por não ser como os outros homens,
que são ladrões, injustos e adúlteros,
nem como este publicano.
Jejuo duas vezes por semana
e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’.
O publicano ficou a distância
e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu;
Mas batia no peito e dizia:
‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’.
Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa
e o outro não.
Porque todo aquele que se exalta será humilhado
e quem se humilha será exaltado.»

Lc 18,9-14




Reza-se verdadeiramente quando se tem consciência da sua fragilidade, da sua precariedade. Toda a Sagrada Escritura dá testemunho disso. É no meio das provações e nas fraquezas que o povo de Israel descobre o amor de Deus.
No Evangelho deste Domingo, Jesus nos dá dois exemplos de oração, a de um fariseu e a de um publicano.
Apesar de ser verdadeiro e fiel na prática da Lei, o fariseu eleva uma oração imbuída de orgulho, onde ele não faz mais do que contemplar-se em vez de contemplar a Deus. De facto, ele não precisa de nada; a única coisa que o interessa é a conta dos seus méritos.
Mas a oração do publicano, homem mal visto pela sociedade, é verdadeira diante do Senhor porque reconhece a própria fragilidade e precariedade. É a oração de um homem que se sabe pecador, que tem consciência que não ama o suficiente ou que ama mal. Ele percebe que algumas páginas da sua vida não foram brilhantes. Ele vê a trave que está no seu olho ao ponto de já não ver o argueiro no olho do irmão. Este homem sabe que o perdão só vem de Deus. É esta oração que permite ao pecador acolher o amor de Deus. O Evangelho diz que o publicano “voltou justificado”. De facto, o justo é aquele que se ajusta a Deus numa confiança absoluta, acolha a vontade do Senhor, desejando permanecer nela custa o que custar. O publicano é justo porque se deixou justificar por Deus em vez de se justificar a ele próprio.
O ideal seria que estes dois homens tão diferentes se pusessem a orar juntos diante de Deus, dizendo a uma só voz: “Tem piedade de nós porque somos pecadores… tem piedade de mim que prejudiquei o meu próximo…tem piedade de mim que me acho superior aos outros… tem piedade de nós quando estamos zangados uns com os outros…” e o Senhor diria: “Quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles.” É esta oração conjunta que nos permite aproximar-nos de Deus e dos outros, porque o Senhor se torna presente para nos dizer que Ele se reconhece em cada um de nós. Ele vem ensinar a olhar uns pelos outros, não com desprezo ou altivez, mas como verdadeiros irmãos e irmãs.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Um único sermão e 3000 pessoas se convertem!

«De pé, com os Onze, Pedro ergueu a voz e dirigiu-lhes então estas palavras:
‘Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou no meio de vós por seu intermédio, como vós próprios sabeis, este, depois de entregue, conforme o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós o matastes, cravando-o na cruz pela mão de gente perversa.
Mas Deus ressuscitou-o, libertando-o dos grilhões da morte, pois não era possível que ficasse sob o domínio da morte.’
Os que aceitaram a sua palavra receberam o baptismo e, naquele dia, juntaram-se a eles cerca de três mil pessoas.»


Actos dos Apóstolos, 2, 4.14.22-24.41




Um único sermão e 3000 pessoas se convertem!
Como? A resposta é o Espírito Santo. Ele é oferecido e vem cumprir maravilhas no coração do homem. Sem o Espírito Santo, não se pode entender o amor de Deus. Podemos ter o mais belo discurso do mundo com as mais belas palavras que existem, mas sem Ele, é impossível.
A Igreja, os cristãos, são chamados a testemunhar Cristo, anunciá-lo, mas na desapropriação deste mesmo anúncio porque “só Deus se dá aos corações e se propõe à sua liberdade.” (Madalena Delbrel)
Somos fracos, pobres. Nas nossas mãos Deus colocou um tesouro que não nos pertence: o Evangelho, que deve ser por nós proclamado, “Ide e anunciai…”; mas que não podemos impor.
O amor é proposto à liberdade e não imposto.
Bernardete, a vidente de Lurdes, dizia aos detractores das aparições: “A Virgem incumbiu-me dizer, não de convencer.”
A Boa Nova que os cristãos são chamados a anunciar é que Cristo ressuscitou de entre os mortos para nos dar a vida. É por amor que o mistério da Redenção aconteceu. “Não há maior prova de amor do que dar a vida.”
“Evangelizar um homem, é dizer-lhe que ele é amado por Deus, e não é só dizer-lhe, mas mostrar-lhe, e não é só mostrar-lhe, mas manifestar com a nossa atitude que ele é único aos olhos de Deus.”Mais que um discurso, é um olhar ou um gesto que evangeliza.
Mas para anunciar o amor redentor de Deus, é necessário sermos também nós convencidos de que Deus nos ama.
Este amor de Deus significa que Deus nos ama pessoalmente, que Ele olha amorosamente para cada um de nós, nos levanta e nos ama como somos. Na nossa pobreza e miséria, Deus manifesta o seu amor.


Senhor faz-me viver do teu amor
para anunciá-lo a todos os homens!


quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A atitude do cristão, da Igreja

Jesus disse ainda a quem O tinha convidado:
«Quando ofereceres um almoço ou um jantar,
não convides os teus amigos nem os teus irmãos,
nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos,
não seja que eles por sua vez te convidem
e assim serás retribuído.
Mas quando ofereceres um banquete,
convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;
e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te:
ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.»


Lc 14, 12-14



Esta semana, tive daquelas conversas que interpelam e questionam a atitude do cristão e da Igreja, em relação aos seus membros entre eles, como para com aqueles que desconhecem ou rejeitam o Evangelho.
Lembrei-me desta passagem do evangelista Lucas, em que Jesus apresenta o Reino de Deus como um “banquete” onde todos – sem excepção – são convidados, inclusive aqueles que a cultura social e religiosa exclui e marginaliza.
Neste banquete, os que aceitam o convite, devem revestir-se de humildade, simplicidade e serviço, não podem agir por interesse ou esperar retribuição, mas devem fazer tudo com gratuidade e amor desinteressado.
Mas Jesus vai mais longe!
Para o banquete é preciso convidar “os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos”, considerados pecadores notórios e amaldiçoados por Deus.
Estes últimos representam todos aqueles que a religião oficial excluía da comunidade, da salvação. Apesar disso, Jesus diz que esses devem ser os primeiros convidados do banquete do Reino.
Como é que, no tempo presente, estes “pecadores notórios”, que podemos rever nos marginais, nos divorciados, nos homossexuais, nas prostitutas são acolhidos na Igreja?
Quais são as respostas ou a assistência que os cristãos, a Igreja, têm para eles?
Será que a resposta é de amor como nos manda Jesus?
No papel, certamente, pois vem no Evangelho, mas na prática?



“Todos os homens são filhos de Deus que os ama infinitamente: é então impossível amar, desejar amar a Deus, sem amar, desejar amar os homens.”


Beato Carlos de Foucauld

sábado, 13 de outubro de 2007

Há 90 anos

Há 90 anos, Maria, Mãe de Deus e Mãe dos homens, aparecia uma última vez na Cova da Iria, a três pastorinhos, Francisco, Jacinta e Lúcia.
À volta dos pequeninos, uma multidão à chuva esperava por um milagre anunciado…e aconteceu! O sol bailou nos céus!
Mas Maria, antes da despedida, deixou palavras fundamentais às três crianças:
“Quero dizer que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dia.”
“Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido.”
Duas frases que sintetizam a mensagem da Mãe de Jesus em Fátima: Oração e Penitência…rezar, arrepender-se, converter-se, fazer o que Deus quer...amá-l'O!
Assim, Maria, a Senhora do Rosário, convida a humanidade, por meio daqueles três pastorinhos, a voltar-se toda para Deus, na intimidade da relação com o seu Senhor e no cumprimento da sua vontade.
“Rezar todos os dias” é viver uma relação de amor com Deus.
“Não ofender a Deus Nosso Senhor” é fazer o que Ele quer de nós por amor.
Maria, a humilde serva do Senhor, é assim o instrumento de comunhão amorosa entre Deus e os homens.
Toda relativa a Deus, ela vive só d’Ele e para Ele.
Por isso, em 1917, preocupada com o mundo que se afastava d’Aquele por Quem ela vive, Deus, ela agiu! Ela foi ter com os homens...foi mensageira da necessidade de voltar-se para Deus, de amá-l'O na oração e no cumprimento da sua vontade.

Graças Te dou, Senhor, por Maria, Mãe atenta às necessidades dos homens!
Graças te dou, Maria, Senhora do Rosário, por mostrares aos homens a necessidade de Deus e do seu amor nas suas vidas!

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

O Poverello e a oração

“Sim, amemos a Deus e adoremo-lo com um coração puro e alma simples, porque é isso o que ele mais que tudo deseja quando afirma: Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade (Jo 4, 23).
Porque todos os que o adoram, devem adorá-lo em espírito e verdade (Jo 4, 24).
Dia e noite lhe dirijamos louvores e preces, dizendo: 'Pai nosso, que estais nos céus', porque importa orar sempre e sem cessar (Lc 18,1).




“Tu és santo, Senhor Deus único, o que fazes maravilhas.
Tu és forte, tu és grande,
tu és altíssimo, tu és rei omnipotente,
tu, Pai santo, rei do céu e da terra!
Tu és trino e uno, Senhor Deus, todo o bem.
Tu és bom, todo o bem, o soberano bem,
Senhor Deus, vivo e verdadeiro!
Tu és caridade, amor!
Tu és sabedoria! Tu és humildade!
Tu és paciência! Tu és formosura!
Tu és mansidão! Tu és segurança!
Tu és descanso! Tu és gozo e alegria!
Tu és a nossa esperança! Tu és justiça e temperança!
Tu és toda a nossa riqueza e saciedade! Tu és beleza!
Tu és mansidão! Tu és o protector!
Tu és o nosso guarda e defensor!
Tu és fortaleza! Tu és consolação!
Tu és a nossa esperança! Tu és a nossa fé! Tu és a nossa caridade!
Tu és a nossa grande doçura. Tu és a nossa vida eterna,
o Senhor grande e admirável, o Deus omnipotente,
o misericordioso Salvador!”


São Francisco de Assis

sábado, 22 de setembro de 2007

Ó Cristo, o teu reino está próximo


Ó Cristo, o teu reino está próximo;
faz-nos participar no teu triunfo sobre a terra
para depois tomar parte no teu reino celeste.
Concede-nos poder comunicar o teu amor
e anunciar a tua realeza divina
com o exemplo da nossa vida e pelas nossas obras.
Possui os nossos corações agora
para serem teus pela eternidade.
Não permites que nos afastemos da tua vontade:
que nem a vida, nem a morte consigam separar-nos de Ti.
Que o nosso coração tenha em Ti a sua fonte, Salvador nosso,
para que, saciados do teu amor,
nos tornemos apóstolos incansáveis do teu reino.
Que cada dia morramos de nós próprios para viver só de Ti.



São (Padre) Pio de Pietrelcina,
adormeceu no Senhor a 23 de setembro de 1968

sábado, 8 de setembro de 2007

Uma renúncia radical…uma preferência absoluta

Naquele tempo,
seguia Jesus uma grande multidão.
Jesus voltou-Se e disse-lhes:
«Se alguém vem ter comigo,
sem Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos,
aos irmãos, às irmãs e até à própria vida,
não pode ser meu discípulo.
Quem não toma a sua cruz para Me seguir,
não pode ser meu discípulo.
Quem de entre vós, que, desejando construir uma torre,
não se senta primeiro a calcular a despesa,
para ver se tem com que terminá-la?
Não suceda que, depois de assentar os alicerces,
se mostre incapaz de a concluir
e todos os que olharem comecem a fazer troça,
dizendo:‘Esse homem começou a edificar,
mas não foi capaz de concluir’.
E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei
e não se senta primeiro a considerar
se é capaz de se opor, com dez mil soldados,
àquele que vem contra com ele com vinte mil?
Aliás, enquanto o outro ainda está longe,
manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz.
Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens,
não pode ser meu discípulo».


Lc 14,25-33




Jesus não se impõe a ninguém. Cada um deve decidir se deseja segui-Lo ou não.
Mas que escolha? Ele pede uma renúncia radical…uma preferência absoluta!
Mais do que aos pais, à esposa, aos filhos, à família, até à própria vida, Jesus deve ser preferido.
Preferir Cristo é talvez a melhor maneira de amar verdadeiramente aqueles que nos são caros. Porque há amor e amor. Muitas vezes é a nós próprios que amamos no outro e então o próximo torna-se um meio para o nosso próprio culto.
Por isso não se trata de escolher entre Jesus e aqueles que amamos, mas de escolher entre um amor verdadeiro e um amor falso. E este amor verdadeiro é Deus porque Ele próprio é amor.
Só que este amor autêntico custa. É preciso renunciar, aceitar de perder, como Cristo, para aprender que Deus é amor.
Preferir Cristo é descobrir um caminho, inventá-lo, cada um à sua maneira e ao seu ritmo. É ser chamado a escolher…a nós de pensar e ver se somos capazes.
Mas este passo nem sempre é feito francamente porque temos medo de perder, de nos perder, porque não confiamos suficientemente em Deus.
Ora acreditar é confiar, fiar-se na Palavra de Deus, o próprio Jesus; é apostar tudo em Cristo. Este é o belo desafio da fé.


Senhor eu creio em Ti, amo-Te,
mas aumenta a minha fé e o meu amor!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

A noite de Madre Teresa

«Sinto que Deus não é Deus, que Ele não existe verdadeiramente.
É para mim horríveis trevas. É como se tudo estivesse morto em mim, pois tudo é frio.
É unicamente a fé cega que me encaminha, porque na verdade, tudo é obscuro em mim.
Às vezes, a agonia da desolação é tão grande e, ao mesmo tempo, a viva esperança do Ausente tão profundo, que a única oração que consigo ainda dizer é: ‘Sagrado Coração de Jesus, eu tenho confiança em Ti. Saciarei a tua sede de almas.’
Hoje, senti uma grande alegria, porque, como Jesus não pode mais viver directamente a agonia, Ele deseja vivê-la através de mim. Abandono-me n’Ele como nunca.»

Beata Madre Teresa de Calcutá



Madre Teresa viveu o que muitos outros místicos experimentaram antes dela: a noite espiritual, a noite escura, uma longa e penosa travessia do deserto na aridez e escuridão total, isto é, a alma já não encontra o gozo para nada, para os bens espirituais que outrora faziam sua delícia…é a ausência total da consolação espiritual, um sentimento de ausência de Deus, acompanhado de um desejo de amá-Lo sempre mais e mais.
Deus está presente mas não é sentido dentro de si.
São João da Cruz reconhece que, dolorosamente, a noite escura purifica a alma, leva a crescer no amor, prepara a união com Deus. A provação pode ser a prova da revelação do coração.
Não é um castigo, Deus não procura provar sadicamente, mas fortalecer a fé.
Viver a noite escura não significa não ter fé, como muitos pensam.
A fé não é sentir Deus, mas acreditar n’Ele e ser-Lhe obediente.
Ao sentir este vazio, Madre Teresa não perdeu a fé, mas guardou a fé apesar dos seus sentimentos, apesar das dúvidas, humanamente compreensível…quem nunca as teve?
A vida do cristão, como não poderia ser de outra forma, é feita de mistério pascal, decalcada na vida do seu Senhor.
«Assim unido a Cristo, o cristão resistirá, inabalável, na noite escura, subjectivamente vivido como um afastamento e abandono de Deus. Mas é talvez a Providência divina que faz dessa sua provação, um instrumento de libertação de um ser objectivamente prisioneiro. Digamos também nós: ‘Seja feita a tua vontade’, mesmo na mais profunda escuridão da noite.» (Santa Teresa Benedita da Cruz)
Na noite, o homem sabe que o dia, mesmo demorando em vir, chegará.
Com Cristo, as trevas convertem-se em luz... a aridez em fogo ardente.

«Do profundo abismo, eu clamo a Ti, Senhor!
Senhor, ouve a minha prece!»
Sl 130 (129)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Caminhai contra-corrente

“Caminhai contra-corrente: não escuteis as vozes interesseiras e insinuantes que hoje, de muitas partes, propagandeiam modelos de vida caracterizados pela arrogância e pela violência, pela prepotência e pelo sucesso a qualquer preço, pelo aparecer e pelo ter, em detrimento do ser.”

“Não tenhais medo, caros amigos, de preferir as vias alternativas indicadas pelo amor verdadeiro: um estilo de vida sóbrio e solidário, relações afectivas sinceras e puras; um empenho honesto no estudo e no trabalho; profundo interesse pelo bem comum.
Não tenhais medo de parecer diferente e de ser criticado por aquilo que pode parecer desfavorável ou fora de moda: os vossos coetâneos, e até os adultos, e particularmente os que parecem mais afastados do espírito e dos valores do Evangelho, têm uma profunda necessidade de ver alguém que ousa viver segundo a plenitude da humanidade manifestada por Jesus Cristo.”

“Nenhuma vida é sem importância e sem sentido; pelo contrário, senti-vos todos verdadeiramente importantes, protagonistas, porque estais no centro do amor de Deus.”



“Devemos ter o coração aberto pela presença de Deus. A celebração litúrgica e o diálogo aberto com Cristo são momento de força na fé e onde Deus se revela.”

“A nossa fé não propõe um conjunto de proibições morais, mas sim um caminho jubiloso à luz do sim de Deus.”

“Seguir Cristo significa sentir-se membro vivo do seu Corpo que é a Igreja. Não é possível dizer-se discípulo de Jesus se não se ama e não se segue a Igreja. A Igreja é a nossa família, na qual o amor é para o Senhor e para os irmãos, sobretudo na participação da Eucaristia, que faz experimentar a alegria de poder provar desde já a vida futura que será toda iluminada do Amor.”


Bento XVI,este fim-de-semana em Loreto (Itália), diante de 500 000 jovens.