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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Rosto: Isabel da Trindade

Isabel Catez nasceu em 1881 em Dijon.
Ela é uma menina muito viva, ama a vida: viagens, concertos, amizades, serviço da Igreja. Ela é sensível à beleza, e porque começou cedo a arte da música, ela obtém o primeiro prémio de piano no conservatório da sua cidade.
Ela é também irresistivelmente atraída por Deus. “Sinto-O tão vivo na minha alma. Só tenho que recolher-me para encontrá-Lo dentro de mim, e faz toda a minha felicidade. Ele colocou no meu coração uma sede infinita e uma tão grande necessidade de amar, que só Ele pode saciar.”

Aos 21 anos, ela entra no Carmelo de Dijon.
No seu convento, ela escreve inúmeras cartas à família e aos amigos. Ela guarda a preocupação do mundo e da Igreja. “A minha alma agrada-se em unir-se à vossa, numa mesma oração, para a Igreja e a diocese.” Ela acompanha o percurso espiritual dos seus íntimos na vida comum de leigos, “todos chamados, todos amados”. “Mesmo no meio do mundo, pode-se ouvir Deus no silêncio de um coração que só deseja pertencer-Lhe.”

No fim da sua vida, atingida por uma doença incurável, ela transcreve a sua experiência e a sua oração em cadernos. “Quando o peso do corpo se faz sentir e cansa a vossa alma, não desesperais, mas ide pela fé e o amor Àquele que disse: ‘Vinde a mim e Eu vos aliviarei.‘ Para aqueles que perseverem animados, não vos deixeis abater no pensamento das vossas misérias. O grande Apóstolo Paulo disse: ‘Onde o pecado abundou, a graça superabundou.’ "
Isabel morre a 9 de novembro de 1906, após 9 meses de agonia. As suas últimas palavras são: “Eu vou para a Luz, o Amor, a Vida.”

Isabel da Trindade foi beatificada pelo Papa João Paulo II a 25 de novembro de 1984.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Esperançada, aguardada, preparada

«Pensas realmente que a proximidade sempre crescente da morte seja angustiosa?
Penso que não; não se deve recear a morte.
A morte não é senão a passagem de uma vida – que não é mais do que um teste – de alegrias e pequenos azares…à Felicidade plena, à Visão perpétua d’Aquele que tudo nos deu.
Angustiosa, a morte?
Não, não devia sê-lo, mas antes esperançada e aguardada (por isso, preparada…).
Recordas-te que muitas colegas (tu também) me predisseram que morreria jovem? sem se consultarem.
Bem, confesso que não me preocupo em nada, dado que na eternidade, 50 anos de vida terrestre a mais ou a menos...o que são?»


Serva de Deus, Clara de Castelbajac
(1953-1975)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quem a possui, possui um tesouro

«Tão grande é o valor da cruz, que quem a possui, possui um tesouro. E chamo a justamente tesouro, porque é na verdade, de nome e de facto, o mais precioso de todos os bens. Nela está a plenitude da nossa salvação e por ela regressamos à dignidade original.Com efeito, sem a cruz, Cristo não teria sido crucificado. Sem a cruz, a Vida não teria sido cravada no madeiro. E se a Vida não tivesse sido crucificada, não teriam brotado do seu lado aquelas fontes de imortalidade, o sangue e a água, que purificam o mundo; não teria sido rasgada a sentença de condenação escrita pelo nosso pecado, não teríamos alcançado a liberdade, não poderíamos saborear o fruto da árvore da vida, não estaria aberto para nós o Paraíso. Sem a cruz, não teria sido vencida a morte, nem espoliado o inferno.Verdadeiramente grande e preciosa realidade é a santa cruz! (…)
A cruz é a glória de Cristo e a exaltação de Cristo. A cruz é o cálice precioso da paixão de Cristo, é a síntese de tudo quanto Ele sofreu por nós. (…)
E para saberes que a cruz é também a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando Eu for exaltado, então atrairei todos a Mim. Como vês, a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.»


Santo André de Creta, bispo



Crux ave benedicta
Per te mors est devicta,
In te pependit Deus,
Rex et Salvator meus.


Salve ó Cruz bendita!
Por ti a morte foi vencida,
Sobre ti foi suspenso o meu Deus,
O meu Rei e o meu Salvador.

sábado, 15 de agosto de 2009

A Vida em pessoa não a recusou

A Assunção é o coroar da vida daquela que chamamos Mãe de Deus, porque ela é de facto Mãe de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Ele também se elevou ao céu, no entanto, uma distinção importante existe entre a Ascensão de Cristo e a Assunção de Maria.
Enquanto Jesus subiu pelo seu próprio poder, a Virgem Maria foi elevada ao céu pelo poder divino. Estamos aqui, como na Ascensão do Senhor, diante de um mistério.
O nosso entendimento bloqueia, só podemos simplesmente afirmar:
Maria, no final da sua vida terrena, entrou na glória de seu Filho.
Ela entrou em corpo e alma.
Toda a sua humanidade - uma alma separada do corpo não é um ser humano completo - foi glorificada.
Ela está noutra dimensão da existência que nos é actualmente inacessível.
Neste mistério da Assunção fazem todo o sentido as palavras que ela proferiu no seu cântico de acção de graças, o “Magnificat”: “O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas... Ele levanta os humildes”.
Como Maria, mulher de nossa raça, estamos destinados à mesma glória.



«Hoje, a Arca santa e animada do Deus vivo, que concebeu o seu Criador, repousa no templo do Senhor, que não foi construído pela mão do homem.
O seu pai David exulta, e com ele, os Anjos fazem coro: os Arcanjos a celebram, as Virtudes a glorificam, os Principados a exaltam, os Poderes se alegram, os Tronos a enaltecem, os Querubins a louvam, os Serafins proclamam a sua glória.
Hoje, o Éden recebe o paraíso espiritual do novo Adão, onde a nossa condenação foi revogada. A árvore da vida foi plantada, a nossa nudez foi restituída.
Hoje, a Virgem Imaculada, que não foi manchada por nenhuma paixão terrena, mas formada no pensamento celeste, não foi devolvida à terra, mas colocada viva nas mansões celestes. Como poderia estar sujeita à morte aquela que foi para todos a fonte da verdadeira vida? Embora tenha sido sujeito à lei estabelecida pelo seu próprio Filho, como filha do velho Adão, ela enfrenta a velha condenação. O seu Filho, que é a Vida em pessoa, não a recusou, mas como Mãe do Deus vivo, foi apenas elevada ao seu lado.»


Sermão de São João Damasceno sobre a Dormição da Bem-aventurada Virgem Maria

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Jesus escondido

Como não me alegrar com a coincidência das datas…hoje a Igreja celebra a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, e também hoje, o pastorinho Francisco Marto, a quem Nossa Senhora apareceu em 1917, faz anos!
E escrevo “faz” e não “faria”…porque “para os que crêem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma, e desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna.” (da Liturgia)
“Jesus escondido”…era a expressão com que os Pastorinhos designavam o Santíssimo Sacramento da Eucaristia: o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo.
Francisco gostava de passar horas esquecidas junto do Sacrário em colóquio com Jesus.
Quando, com a sua prima Lúcia, se dirigia para a escola recomendava-lhe:
«Olha, tu, vai à escola. Eu fico aqui na Igreja, junto de Jesus escondido. Não me vale a pena aprender a ler; daqui a pouco vou para o Céu. Quando voltares, vem por cá chamar-me.» E no regresso, ali o encontrava em recolhida oração.
Doente, o pequeno Francisco dizia à Lúcia:
«Olha, vai à Igreja e dá muitas saudades minhas a Jesus escondido. Do que tenho mais pena é de não poder já ir a estar uns bocados com Jesus escondido.»
Com que ansiedade o Francisco esperou o momento da sua primeira comunhão.
Acamado e gravemente debilitado, tentou erguer-se para se sentar na cama, mas não conseguiu. Momentos depois, o Senhor Sacramentado descia à sua alma, e o Francisco quedou-se em contemplação a consolar o divino Hóspede.
Depois de comungar, disse para sua irmãzinha Jacinta:
«Hoje sou mais feliz do que tu, porque tenho dentro do meu peito a Jesus escondido!»
Esta comunhão com Deus, já o Francisco a tinha experimentado em 1916, nas aparições do Anjo que lhe dera a beber do Sangue do cálice que trazia.
«- A mim e à Jacinta, que foi que Ele nos deu?
- Foi também a Sagrada Comunhão, respondeu Jacinta.
- Eu sentia que Deus estava em mim, mas não sabia como era! respondeu Francisco.
E prostrando-se por terra, permaneceu por largo tempo, com a sua irmã, repetindo a oração do Anjo: “Santíssima Trindade…”»
Saibamos todos olhar para o pequeno Francisco de Fátima…grande apaixonado e consolador de Jesus escondido…e imitemo-lo!

domingo, 7 de junho de 2009

Eis a nossa morada donde nunca devemos sair

«Parece-me que encontrei o meu Céu na terra, porque o Céu é Deus, e Deus é a minha alma.»

«Deixo-te a minha devoção pelos Três, pelo “Amor”.
Vive, no interior, com Eles no céu da tua alma; o Pai te cobrirá com a sua sombra, colocando como que uma nuvem entre ti e as coisas terrenas para te guardar toda sua, Ele há-de comunicar-te o poder para que o ames com um amor forte como a morte; o Verbo há-de se imprimir na tua alma, como num cristal, a imagem da sua própria beleza, para que sejas pura da pureza dele, luminosa, da sua luz; o Espírito Santo virá transformar-te numa lira misteriosa que, no silêncio, sob o toque divino, há-de produzir um magnífico cântico ao Amor; então serás “o louvor da sua glória”, o que eu tinha sonhado ser na terra.
És tu quem me substituirás; eu, eu serei “Laudem gloriae” perante o trono do Cordeiro, e tu “Laudem gloriae” no centro da tua alma.»

«A Trindade, eis a nossa morada, o nosso “lar”, a casa paterna donde nunca devemos sair.»


Beata Isabel da Trindade,
Obras completas

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Que vais fazer no Céu?

«Nas vésperas de morrer, (Francisco) disse-me:
- Olha; estou muito mal; já me falta pouco para ir para o Céu.
- Então vê lá: não te esqueças de lá pedir muito pelos pecadores, pelo Santo Padre, por mim e pela Jacinta.
- Sim, eu peço. Mas olha: essas coisas pede-as à Jacinta, que eu tenho medo de me esquecer, quando vir a Nosso Senhor! E depois antes O quero consolar.»

Jacinta, «que vais fazer no Céu?
- Vou amar muito a Jesus e o Coração Imaculado de Maria; pedir muito por ti (Lúcia), pelos pecadores, pelo Santo Padre, pelos meus Pais e irmãos, e por todas essas pessoas que me têm pedido para pedir por elas.»


Memórias da Irmã Lúcia




Oração para pedir a canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e agradeço-Vos as aparições da Santíssima Virgem em Fátima.
Pelos méritos infinitos do Santíssimo Coração de Jesus
e por intercessão do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos que,
se for para vossa maior glória e bem das nossas almas,
Vos digneis glorificar diante de toda a Igreja
os bem-aventurados Francisco e Jacinta,
concedendo-nos, por sua intercessão,
a graça que Vos pedimos.
Ámen.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória


Imprimatur: Fatimae, 13 Maii 2003
+Serafim, Episc. Leir.-Fatimensis



É difícil separar os dois irmãozinhos Francisco e Jacinta, pensar num sem recordar o outro. Por isso, a Igreja celebra a memória dos dois pastorinhos de Fátima a 20 de Fevereiro, dia em que partiu para o Céu a pequena Jacinta no ano de 1920.
Lá, ela e o seu irmão, falecido a 4 de Abril de 1919, contemplando a Deus, intercedem pela Igreja e a humanidade.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Vinde, ó bêbados!


«Então Cristo dirá: ‘Vinde vós também! Vinde, ó bêbados! Vinde, ó fracos! Vinde, ó depravados!’
E Ele dirá: ‘Seres infames, sois imagem da besta e trazeis a sua marca. Vinde à mesma, vós também!’
E os sábios dirão, e os prudentes dirão: ‘Senhor, porque os acolhes?’
E Ele dirá: ‘Se Eu os acolho, ó sábios, se Eu os acolho, ó prudentes, é porque nenhum deles se achou digno disso’.
E Ele nos estenderá os braços, e cairemos a seus pés e desataremos a chorar, e compreenderemos tudo, sim, compreenderemos tudo.»

Dostoïevski

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Novíssimos...uma realidade (2ª parte)

O INFERNO
Como perceber o sentido do inferno?
“Não podemos estar em união com Deus se não escolhermos livremente amá-Lo. Mas não podemos amar a Deus se pecarmos gravemente contra Ele, contra o nosso próximo ou contra nós mesmos” (Catecismo nº1033). Por isso, se morremos em pecado mortal, isto é, sem contrição e perseverante na rejeição de Deus, permanecemos livre e voluntariamente separados de Deus para sempre. É esta situação de auto-exclusão voluntária e definitiva de comunhão com Deus que a Igreja chama “inferno”. O inferno respeita a escolha da nossa liberdade.
“A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira” (Catecismo nº1035).
As representações do inferno apelam muito à imaginação, mas no meio destas alegorias, subsiste uma pergunta fundamental: “Quem se condene?” Não nos pertence responder, pois Cristo nos diz: “Não julgueis para não serdes julgados” (Mt 7,2). Deus quer salvar todos os homens, mas não pode se eles não quiserem.

O PURGATÓRIO
Se morrermos na amizade de Deus mas conservando ainda algumas máculas de pecado, precisaremos de purificação. A Igreja chama “purgatório” esta última purificação. O Catecismo de São Pio X ensina: «O purgatório é o sofrimento temporário, que consiste na privação de Deus e noutras penas, que purifica a alma de qualquer pecado para torná-la digna de contemplar a Deus». Na encíclica Spe Salvi, Bento XVI recorda a origem da oração pelas almas do purgatório: «No antigo judaísmo, existe também a ideia de que se possa ajudar, através da oração, os defuntos no seu estado intermédio(cf 2Mac 12,38-45). A prática correspondente foi adoptada pelos cristãos com grande naturalidade e é comum à Igreja oriental e occidental» (48). Por isso, a Igreja fomenta e recomenda o sacrifício eucarístico, a oração, a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos (cf Catecismo 1032).




O CÉU
Se ao longo da nossa vida correspondermos perfeitamente ao amor de Deus, vivendo na sua vontade, seremos acolhidos no céu. Lá, contemplaremos a Deus, na companhia dos anjos e dos santos. Este é «o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva» (Catecismo 1024). Este estado de gozo ultrapassa o nosso entendimento e as nossas representações. A Sagrada Escritura descreve o paraíso, o céu, com as imagens das bodas, da casa do Pai, da Jerusalém celeste onde tudo é vida, luz e alegria, mas "os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano jamais imaginou, o que Deus tem preparado para aqueles que o amam" (1Cor 2, 9).

E O LIMBO?
Esta palavra é utilizada para falar do destino das crianças mortas sem receber o Baptismo. Recentemente, a Comissão Teológica Internacional referiu que o limbo permanece uma opinião teológica possível mas que já não é ensinamento comum da Igreja.


«O tempo é o nosso tesouro,
o "dinheiro" para comprarmos a eternidade.»

São Josémaria Escriva

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Novíssimos...uma realidade (1ª parte)

Neste mês de Novembro, a Igreja convida cada um de nós a aprofundar as verdades da fé sobre o fim último e eterno do homem…os novíssimos: morte, juízo particular, céu e inferno.
Tema tabu nas homilias, na catequese ou simplesmente numa conversa entre cristãos, os novíssimos não são nenhuma lenda piedosa, mas uma realidade espiritual que «desde os primeiros tempos (…) influenciou os cristãos até na sua própria vida quotidiana enquanto critério segundo o qual ordenar a vida presente, enquanto apelo à sua consciência e, ao mesmo tempo, enquanto esperança na justiça de Deus» (Bento XVI, Spes Salvi 41).
Mas parece que esta perspectiva fundamental seja relegada para segundo plano, apesar da meditação sobre os novíssimos supor o entendimento do que somos enquanto vivos…

O SER HUMANO E A MORTE
O ser humano é constituído de duas realidades, uma material (corpo), e outra, espiritual (alma).
O Concílio Vaticano II afirma: “O homem, ser uno, composto de corpo e alma, sintetiza em si mesmo, pela sua natureza corporal, os elementos do mundo material, os quais, por meio dele, atingem a sua máxima elevação e louvam livremente o Criador. (…) Ao reconhecer, pois, em si uma alma espiritual e imortal, (…) ele atinge a verdade profunda das coisas” (Gaudium et Spes 14).
A morte é a separação da alma e do corpo. “Parte, ó alma cristã…confio-te ao Criador, para que voltes Àquele que te formou do pó da terra. Que na hora em que a tua alma sair do teu corpo venha ao teu encontro a Virgem Maria, os Anjos e todos os Santos” (Oração de encomendação da alma).
A fé cristã confessa a vida e a subsistência da alma após a morte.
O corpo cai na corrupção, enquanto a alma comparece diante de Deus para ser julgada (Juízo particular).
A alma reunir-se-á ao corpo ressuscitado no dia do Juízo, quando Cristo voltará na sua glória.


O JUIZO PARTICULAR
“Os homens morrem uma só vez, e depois vem o juízo” (Heb 9,27).
Não se deve entender o juízo de Cristo de uma forma legalista e humana…seria um grande contra-senso, e não corresponderia à mensagem evangélica. Na linguagem bíblica, julgar significa conduzir, dirigir, proteger, salvar. A justiça de Deus não é justiça que castiga mas que justifica, faz justiça e salva. Cristo revela que o critério do juízo é o amor ao próximo (Mt 25), que Ele próprio praticou.
A palavra “juízo” não deve assustar-nos. Recordemos que “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para não serem postas a descoberto a suas obras. Mas quem pratica a verdade, aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus” (Jo 3, 17.19-21).
O juízo particular é por isso uma revelação da nossa própria vida à luz divina que no faz totalmente justiça. A alma assume por isso, para sempre, o que ela escolheu durante a sua vida terrena: “o acesso à bem-aventurança do céu, imediatamente ou depois de uma purificação, ou então à condenação eterna do inferno” (Compêndio nº208).




«Quando pensares na morte, não tenhas medo, apesar dos teus pecados.
Porque Ele já sabe que O amas... e de que massa és feito.
Se tu O procurares, Ele acolher-te-á como o pai ao filho pródigo.
Mas tens de O procurar!»


São Josémaria Escriva

sábado, 1 de novembro de 2008

Ó vós que bebeis da torrente das delícias eternas

Rainha de todos os santos,
gloriosos Apóstolos e Evangelistas,
Mártires invencíveis,
generosos Confessores,
sábios Doutores,
ilustres Eremitas,
Monges e Sacerdotes devotos,
Virgens puras e mulheres piedosas,
alegro-me da glória inefável à qual fostes elevados
no reino de Jesus Cristo, nosso divino Mestre.
Bendigo o Altíssimo,
pelos dons e favores admiráveis com que Ele vos cumulou,
e pela insigne ordem a que Ele vos elevou, ó amigos de Deus!



Ó vós que bebeis da torrente das delícias eternas,
e que morais esta pátria imortal, esta ditosa cidade,
onde abunda as riquezas irrevogáveis!
Poderosos protectores,
olhai para nós que combatemos, gemendo ainda no exílio,
e alcançai-nos na nossa fraqueza, a fortaleza e o auxílio,
para conseguir as vossas virtudes, perpetuar os vossos triunfos
e partilhar as vossas coroas.
Ó bem-aventurados cidadãos do céu, santos amigos de Deus,
que atravessastes o mar tempestuoso desta vida perecível,
e que merecestes entrar no porto tranquilo da paz soberana e do eterno descanso!
Ó santas almas do Paraíso,
que estais agora ao abrigo dos obstáculos e das tempestades,
gozando de uma felicidade infinita,
peço-vos, em nome da caridade que enche o vosso coração,
em nome d’Aquele que vos escolheu e que vos fez tal como sois,
ouvi a minha prece.

Tomai parte aos nossos trabalhos e combates,
vós que trazeis nas vossas frontes vencedoras uma coroa incorruptível de glória;
tende piedade das nossas inúmeras misérias,
vós que para sempre fostes resgatados deste triste exílio;
lembrai-vos das nossas tentações,
vós que fostes firmes na justiça;
preocupai-vos com a nossa salvação,
vós que não tendes mais nada a temer para a vossa;
sentados serenamente no monte Sião,
não esquecei aqueles que ainda jazem neste vale de lágrimas.
Poderoso exército dos santos,
bem-aventurada multidão dos Apóstolos e Evangelistas,
dos Mártires, Confessores e Eremitas,
dos Monges e Sacerdotes,
das Santas Mulheres e Virgens puras,
rogai sem cessar por nós, pecadores.
Vinde em nosso auxílio;
afastai das nossas cabeças culpadas, a sentença afiada de Deus;
pelas vossas orações,
fazei entrar o nosso navio no porto da Bem-aventurança eterna.



Atribuído a Santo Agostinho

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Era inevitável...

«Era inevitável que aquela que recolheu o Verbo divino no seu seio, viesse habitar nos tabernáculos de seu Filho.
E como o Senhor disse que Ele estaria na morada de seu próprio Pai, era inevitável que sua Mãe permanecesse no palácio de seu Filho, “na casa do Senhor, nos átrios do templo do nosso Deus.” Porque se lá está “a morada de todos aqueles que se alegram”, onde poderia habitar a causa da nossa alegria?
Era inevitável que aquela que ao dar à luz guardou intacta a sua virgindade, conservasse o seu corpo sem corrupção, até depois da morte.
Era inevitável que aquela que trouxe no seu ventre o seu Criador, vivesse nas moradas divinas.
Era inevitável que a esposa que o Pai tinha escolhido viesse habitar no celeste aposento nupcial.
Era inevitável que aquela que contemplou o seu Filho na cruz, e foi ferida no coração com uma espada de dor que a tinha preservada no parto, O contemplasse sentado à direita de seu Pai.
Era inevitável que a Mãe de Deus possuísse os bens de seu Filho, e fosse honrada como Mãe e serva de Deus por todas as criaturas.»


S. João Damasceno,
Homilia sobre a Dormição da Virgem Maria



Ó Maria,
Rainha elevada ao céu em corpo e alma,
rogai por nós!

domingo, 4 de maio de 2008

Termo da Páscoa do Senhor

A Ascensão de Jesus é o cume da revelação!
Ela é o termo da Páscoa do Senhor: morte, ressurreição e ascensão.
Jesus veio de Deus e volta para Deus, seu e nosso Pai.
A glória que Ele tinha de junto d’Ele lhe é restituída.
Descido aos infernos, hoje, Ele é exaltado.
Esta subida de Cristo ao céu revela a sua majestade divina.
Ele é o vencedor da morte, o Senhor da vida.
Ele é Aquele em que o Pai da glória “mostrou a eficácia da sua poderosa força, e que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus” (Ef 1, 17-20).
Ele reina sobre o mundo que Ele criou;
sobre o homem que Ele remiu;
sobre a Igreja de quem Ele é a Cabeça.
O Pai, tudo lhe “submeteu aos seus pés e pô-l'O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos” (Ef 1, 23).
A Ascensão de Cristo inaugura o tempo da Igreja.
Os apóstolos, os discípulos, e todos nós, no seu seguimento, somos continuadores da sua obra.



“A Ascensão de Cristo é a nossa exaltação.
A elevação do Chefe na glória
vivifica a esperança de todo o Corpo.
Hoje, não somente estamos seguros
de um dia entrarmos no Paraíso,
como já, em Cristo,
penetramos na magnificência do Céu.”


S. Leão Magno



Foto: Capela da Ascensão no Monte das Oliveiras em Jerusalém

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Quase que se pode desmaiar ao pensarmos na felicidade eterna do céu!

“Nós homens mudamos em muitas coisas, mas Deus não tirou uma “vírgula” dos seus mandamentos.
E depois, porque é que se quer sempre procurar adiar a morte, como se não se soubesse que, mais cedo ou mais tarde, ela deverá chegar?
Será que os nossos santos se comportaram assim? Não creio.
Ou se calhar duvidamos da misericórdia de Deus, como se pudéssemos deveras merecer o inferno depois da nossa morte.
Na realidade tê-lo-ia merecido, com os meus numerosos e graves pecados, mas Cristo não veio para o mundo para os justos, mas sim para procurar os que se tinham perdido. E para que nenhum pecador pudesse ter dúvidas, deu-nos um exemplo mesmo no momento da morte, salvando o bom ladrão.
Nunca teríamos serenidade nesta Terra se soubéssemos que Deus, o Senhor, não nos perdoa e portanto depois da morte deveríamos ter errar para sempre no inferno.
Se pensamentos do género não levam ao desespero de um homem, isto significa que ele já não acredita numa vida além da morte, ou que imagina o inferno como um lugar de diversão, sempre alegre. Se um nosso bom amigo nos propusesse uma longa viagem de prazer, naturalmente grátis e com tratamento de primeira classe, tentaríamos adiá-la sempre ou guardá-la-íamos para a velhice? Não creio.

Portanto, o que é a morte?
Também neste caso, não se trata de uma longa viagem que teremos que fazer, apesar de não ter retorno?
Mas pode existir um momento mais feliz daquele em que nos apercebemos de ter chegado às portas do paraíso?
Naturalmente, não nos podemos esquecer que antes disso, temos que nos purificar no purgatório, mas que ele não dura eternamente e que durante a vida esforçámo-nos por ajudar com as nossas orações as pobres almas dos mortos e que quem foi devoto à Mãe de Cristo pode ter a certeza que não ficará lá por muito tempo.
Quase que se pode desmaiar ao pensarmos na felicidade eterna do céu!
Como nos torna logo feliz uma pequena alegria que sentimos neste mundo!
E no entanto, o que são as breves alegrias terrenas comparadas com as que Jesus nos prometeu no Seu reino?
Nenhum olho as viu, nenhum ouvido ouviu e nenhum coração humano conheceu o que Deus preparou para aqueles que O amam.”




Beato Franz Jägerstätter,
Texto retirado das notas redigidas na prisão antes a condenação à morte



Ler biografia do Beato Franz Jägerstätter

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

É dia de mais íntima comunhão

“O Dia de Fiéis Defuntos não é dia de luto e tristeza. É dia de mais íntima comunhão com aqueles que «não perdemos, porque simplesmente os mandámos à frente» (S. Cipriano). É dia de esperança, porque sabemos que os nossos irmãos ressurgirão em Cristo para uma vida nova.”


Secretariado Nacional de Liturgia



Pelo teu sopro,
as flores voltam à vida,
a natureza ressuscita,
multidões de pequenas criaturas acordam.
O teu olhar é mais claro que os céus primaveris;
o teu amor, ó Deus,
mais quente que os raios do sol.
Do pó da terra
ressuscitaste a carne perecível do homem
para a plenitude da vida eterna,
por isso ilumina os teus servos defuntos
da luz da tua bondade.


Liturgia Bizantina

sábado, 22 de setembro de 2007

Ó Cristo, o teu reino está próximo


Ó Cristo, o teu reino está próximo;
faz-nos participar no teu triunfo sobre a terra
para depois tomar parte no teu reino celeste.
Concede-nos poder comunicar o teu amor
e anunciar a tua realeza divina
com o exemplo da nossa vida e pelas nossas obras.
Possui os nossos corações agora
para serem teus pela eternidade.
Não permites que nos afastemos da tua vontade:
que nem a vida, nem a morte consigam separar-nos de Ti.
Que o nosso coração tenha em Ti a sua fonte, Salvador nosso,
para que, saciados do teu amor,
nos tornemos apóstolos incansáveis do teu reino.
Que cada dia morramos de nós próprios para viver só de Ti.



São (Padre) Pio de Pietrelcina,
adormeceu no Senhor a 23 de setembro de 1968

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

O amor de Deus será sempre maior que todas as nossas faltas!

A realidade do pecado está bem presente nas nossas vidas…ninguém escapa.
Basta olhar o dia de ontem! Quem pode vangloriar-se de estar sem pecado, de não pecar? Todos nós somos pecadores, que os nossos pecados sejam conhecidos somente por nós ou por todos, leves ou graves, consequência da nossa fraqueza ou da malícia. E ainda que nos esforcemos em pecar o menos possível, mesmo assim falhamos sempre demais. Reconheçamos humildemente…a nossa condição na terra é ser pecadores.
Mas não devemos mergulhar no desespero porque existe o perdão de Deus!
Ainda ontem, as leituras proclamadas na Eucaristia, convidavam a reflectir não só sobre o pecado, mas sobretudo na imensa misericórdia do Senhor.
O amor de Deus será sempre maior que todas as nossas faltas!
A alegria que o Senhor tem em perdoar-nos será sempre maior que a nossa tristeza em tê-Lo ofendido!
Deus deseja tanto dar-nos o seu perdão que ele nos oferece vários “caminhos de perdão”.
Se o Sacramento da Reconciliação é o caminho habitual, directamente ordenado ao perdão de Deus, o apóstolo Pedro não teme em afirmar que “a caridade cobre uma multidão de pecados” (1 Pe 4, 8), e o evangelista Mateus evidencia que a caridade para com o próximo, figura do próprio Cristo, não dá menos do que o Reino do céu (Mt 25, 31-40). A tradição cristã diz que um acto de contrição perfeito nos dá o perdão de Deus, confirmado depois pelo Sacramento da Reconciliação; e São Tomás de Aquino afirma que a Eucaristia, Sacramento da Caridade, apaga os pecados veniais.
Deus terá sempre mais capacidade de nos perdoar do que nós em pecar…está ai o sinal do seu imenso amor por nós. Ele sabe que somos frágeis e que muitas vezes caímos. Mas o seu amor é de um pai que não nos quer perder e que faz tudo para nos guardar junto d’Ele.
Grande é a misericórdia de Deus…alegremo-nos e saboreemo-la!



Meu Deus, porque sois infinitamente bom,
e Vos amo de todo o meu coração,
pesa-me ter-Vos ofendido,
e, com o auxílio da vossa divina graça,
proponho firmemente emendar-me
e nunca mais Vos tornar a ofender;
peço e espero o perdão das minhas culpas
pela vossa infinita misericórdia.
Ámen.

sábado, 25 de agosto de 2007

Não há privilégios

Naquele tempo,
Jesus dirigia-Se para Jerusalém
e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava.
Alguém Lhe perguntou:
«Senhor, são poucos os que se salvam?»
Ele respondeu:
«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita,
porque Eu vos digo
que muitos tentarão entrar sem o conseguir.
Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta,
vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo:
‘Abre-nos, senhor’;
mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’.
Então começareis a dizer:
‘Comemos e bebemos contigo
e tu ensinaste nas nossas praças’.
Mas ele responderá:
‘Repito que não sei donde sois.
Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’.
Aí haverá choro e ranger de dentes,
quando virdes no reino de Deus
Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas,
e vós a serdes postos fora.
Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul,
e sentar-se-ão à mesa do reino de Deus.
Há últimos que serão dos primeiros
e primeiros que serão dos últimos».

Lc 13,22-30



Neste 21º domingo do Tempo comum, o texto do Evangelho, mais uma vez, vem incomodar-nos.
Estávamos tranquilos, seguros de progredir no bom caminho, e eis que Jesus nos obriga a repensar a nossa fé, explicando-nos que para fazer parte do banquete do Reino, o que interessa, não é tanto de fazer parte de uma ou outra instituição, mas de seguir fielmente o seu ensinamento.
Eis-me, firme na minha pertença à Igreja Católica. Tento viver honestamente, participo na Missa, colaboro nas despesas do culto, confesso-me regularmente, sou membro activo da minha paróquia, pertenço a um ou outro movimento, e eis que o Senhor me pode dizer: “Não sei donde és”.
O facto de ser membro da Igreja, o novo povo de Deus, não é para mim nenhum privilégio, mas sim, uma responsabilidade, uma missão. Trata-se de ser um autêntico discípulo de Cristo, logo, de caminhar seguindo-O, vivendo segundo o seu Evangelho…vivendo segundo os valores humanos e espirituais pelos quais Jesus viveu e morreu. O que não é sempre fácil…
Mas todos podem tomar parte no banquete.
Só é exigido uma coisa: a riqueza do amor …lembrai-vos do Evangelho segundo São Mateus (cap. 25)
Só assim nos sentaremos à mesa do reino de Deus.

domingo, 15 de julho de 2007

O próximo

«Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores.
Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto.
Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante.
Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem,passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho,colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse:
‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’.
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
O doutor da lei respondeu:
«O que teve compaixão dele».
Disse-lhe Jesus:
«Então vai e faz o mesmo».

Lc 10,30-37




É bem conhecida de todos a história do Bom Samaritano e o contexto em que Jesus a contou.
À pergunta feita a Jesus pelo doutor da lei: «Mestre, que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?», o Senhor responde com o mandamento do amor: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo».
Mas para ilustrar o amor ao próximo, Jesus conta a bela história do Bom Samaritano.
Esta parábola ensina-nos 3 coisas sobre o próximo.
O próximo é, primeiro, aquele que está próximo de mim.
Em segundo, o próximo é aquele que está em necessidade: nesta parábola, é o homem espancado pelos salteadores.
Finalmente, é aquele que se faz próximo da pessoa em necessidade, é «o que teve compaixão dele», respondeu o doutor da lei.
Assim, o próximo se encontra nas duas pontas da relação de amor, é a pessoa amada mas também a pessoa que ama!
Viver segundo o Evangelho, é fazer-se próximo de qualquer um que precisa de ajuda, não interessa a sua religião, a sua etnia, a sua amizade ou inimizade por nós.

Senhor,
que eu encontre alguém para me ajudar
quando preciso de auxílio.
Que eu me faça próximo do outro
quando é ele que me chama.
Ámen.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Fostes criados para o Paraiso


"Levantai os olhos, meus filhinhos, e observai aquilo que existe no céu e na terra. O sol, a lua, as estrelas, o ar, a água, o fogo, nem sempre existiram, pois jamais alguma coisa criou-se por si próprio. Mas há um Deus que existe eternamente e que, pelo seu poder, os tirou do nada criando-os. Por isso chamámo-lo Criador.
Este Deus que sempre existiu e existirá sempre, depois de ter criado todas as coisas que estão no céu e na terra, deu existência ao homem que é a mais nobre e perfeita entre todas as criaturas visíveis. Por isso as nossas orelhas, os nossos olhos, a nossa boca, a nossa língua, as nossas mãos e os nossos pés são dons do Senhor.
O homem distingue-se dos outros animais principalmente porque possui uma alma para pensar, reflectir e conhecer o que é bom e mau. Essa alma, porque é puro espírito, não pode morrer com o corpo, se bem que, quando este é sepultado, ela começa outra vida que jamais acabará. Se a alma praticou o bem, estará feliz para sempre com Deus no Paraíso onde gozará de todo o bem para sempre, mas se praticou o mal, ela será castigada terrivelmente no Inferno onde sofrerá para sempre o fogo e a dor.
Pensai então, meus filhinhos, que fostes criados para o Paraíso e que Deus sente uma grande tristeza quando é obrigado a mandar alguém para o Inferno.
Ó, quanto o Senhor nos ama e quanto Ele deseja que pratiquemos boas obras para nos poder fazer participar da grande felicidade que ele nos preparou no Céu para todo o sempre!"


São João Bosco


Dizei-me lá...o texto é lindo...mas há uma parte que parece destoar. Acho que ninguém gosta de falar, nem de ouvir a palavra “Inferno”…alias, ela tem um "cheirinho" a tabu...e à primeira vista, pode-se pensar que entra em colisão com a ideia de “misericórdia divina”.
Mas Deus que é justo e compassivo, respeita a liberdade do homem de fazer o bem e o mal. Assim, já não é Deus que condena, mas o próprio homem que tem o poder de danar-se a si mesmo.
O Pai das misericórdias deseja uma só coisa, a nossa felicidade...uma vida na sua amizade, após a morte, na eternidade, pois fomos “criados para o Paraíso”, mas que começa já na terra, amando-O e praticando o bem. Cabe a cada um pedir, procurar esta felicidade, e alcançá-la com a sua graça.