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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Nova praça pública

«Três pedreiros trabalham numa mesma obra no coração de uma cidade.
Uma pessoa que passava por lá pergunta o que estão a fazer.
‘Sou pedreiro, diz o primeiro, e por isso lapido pedras.’
‘Sou pedreiro, diz o segundo, por isso erijo muros.’
‘Sou pedreiro, diz o terceiro, edifico uma catedral.’



Para mim, que não tenho o talento de um construtor de catedral, nem pretendo ser um artista, a concepção de sites na Internet visa também a criação de um sítio belo e acolhedor para o visitante, porque o site é um lugar público…é a nova praça pública do século XXI e a Igreja necessita de construtores de catedrais virtuais, onde a fé possa ser retratada, contemplada, anunciada, debatida. A criação de um site para o grande público é uma obra de arte em si, onde se encontra ao mesmo tempo as linguagens da arquitectura, da pintura, da música, até do urbanismo. O webmaster diante do seu site não é somente um arquitecto, mas é semelhante a um pintor diante da tela. A tela é virtual mas a inspiração deve estar presente.

O internauta que visita um site cristão é como todos estes turistas que visitam a Europa e passam uma boa parte das suas férias a visitar catedrais, basílicas, igrejas, mosteiros, à procura de beleza, de história, de espiritualidade. Serão todos cristãos ou crentes? Longe disso. Serão transformados pela visita? Certamente que não. Mas através das pinturas, dos vitrais, dos mosaicos, a arquitectura, o espaço, a beleza, o silêncio, todos tocaram do mistério de uma linguagem que exprime ao mesmo tempo o inefável e o mistério do Deus uno e trino: Pai, Filho e Espírito Santo. Durante alguns minutos ou horas, estes visitantes se tornaram peregrinos do Infinito. Porque então uma tal peregrinação não seria possível na Internet? (…)

Para os irredutíveis cépticos, uma breve história para acabar.
É a história de um velho soldado que vivia na floresta.
Cansado da luta, saía de lá só para se abastecer, assaltando alguns caminhantes.
Um dia encontrou uma criança de olhar perturbador.
O velho soldado lhe oferece dez moedas dizendo:
‘Estas moedas são tuas se me disseres onde está Deus?’
A criança respondeu:
‘Toma lá cem. São tuas se me disseres onde Deus não está’.»


Fr. Yves Bériault, o.p

sábado, 29 de dezembro de 2007

Peregrinação de Confiança através da Terra...em Genebra

Nestes dias de finais de 2007, a Suiça acolhe a 30º Encontro Europeu de Jovens.
Depois de Barcelona, Paris, Hamburgo, Lisboa, Milão ou Zagreb, Genebra é a nova etapa da “Peregrinação de Confiança” da Comunidade Ecuménica de Taizé.
Os irmãos de Taizé organizam a “Peregrinação de Confiança através da Terra” desde há 30 anos, dias em que milhares de jovens cristãos de todas as confissões, provenientes de países diferentes, se congregam numa cidade escolhida para o fim de ano, para orar, cantar, ler a Bíblia, fazer silêncio e também fazer festa com outros jovens. Munidos de fé e de uma grande vontade de partilha, estes descobrem a realidade politica, cultural, religiosa do país que os recebem.
As orações comunitárias e os tempos de partilha que marcam estes dias em Genebra são uma oportunidade para os jovens procurarem caminhos de paz e de confiança, e de assumir compromissos de fé ao regressar às suas terras de origem após o Encontro.


“Queridos jovens, reunidos em Genebra(…) Que a vossa confiança em Deus possa suscitar em vós a esperança e ajudar-vos a mudar o mundo, fundando-se sobre os valores evangélicos, em particular sobre o perdão, o elemento mais fundamental do amor, uma vez que aquele que perdoa não se deixa ficar preso pela falta cometida, mas abre-se a um novo futuro. Se a paz é o fruto da justiça, ela é-o ainda mais do perdão, que sela verdadeiramente a reconciliação entre aqueles que ontem se desafiavam e se opunham, permitindo-lhes agora retomarem o caminho juntos. É ao aceitar o perdão de Deus, que nos é dado no sacramento, que podereis, por vossa iniciativa, ser artesãos do perdão entre irmãos e construir um mundo reconciliado.”

Bento XVI


“O lugar dos jovens que desejam viver o Evangelho na sociedade contemporânea não é fácil. Vivemos numa época em que reina um relativismo de valores.(…)
Para nós, não existe outro caminho a não ser o de seguir Cristo. Ele é o único a trazer uma resposta aos problemas que atormentam o mundo. Contudo, não podemos esquecer que Cristo não é um simples renovador social. A fé em Jesus como Messias é a fé nele como Deus e Senhor.(…)
Não há vida, verdade e justiça fora de Jesus Cristo.”


Patriarca Bartolomeu de Constantinopla


“O tempo do Natal recorda-nos que Deus criou uma possibilidade completamente nova através da vinda de Jesus à terra: a possibilidade de que os seres humanos, ao viverem plenamente uma intimidade com Deus, através da amizade com Jesus, consigam partilhar alguma coisa da sua própria liberdade. Agora, ao vos encontrades, ao rezardes e ao partilhardes uns com os outros, desejo que todas as possibilidades das vossas vidas se possam abrir plenamente, para que comeceis a ver como, nas circunstâncias mais banais, podereis viver de maneira a mostrar que Deus está vivo e que há muito mais possibilidades no mundo do que se pode imaginar.”


Arcebispo de Cantuária, Rowan Williams


“A procura de reconciliação, de confiança e de amizade que vos mobiliza corresponde bem ao projecto europeu, que também procura promover a unidade entre os Estados e entre os povos do nosso continente, respeitando sempre a sua diversidade.
Alegro-me pelo vosso empenho. O vosso entusiasmo é um sinal de que se pode confiar o nosso planeta às gerações futuras. Os homens do nosso tempo precisam que lhes mostrem estes sinais, para que mantenham a esperança de que é possível um mundo melhor.”


Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Valentim, Cirilo, Metódio e companhia

Hoje, um pouco por todo o mundo, é festejado o Dia dos Namorados, o Dia de São Valentim (provavelmente um mártir romano do século III que celebrava casamentos às escondidas).
Quer queiramos, quer não, em Portugal, esta efeméride é essencialmente uma festa importada e comercial. O nosso país não tem tradições vincadas à volta do 14 de Fevereiro como outras nações (França e Inglaterra).
Mas a intenção de tal celebração tem o seu lado positivo. Afinal, trata-se de comemorar o amor entre duas pessoas, que acreditam e desejam a construção de um futuro comum.



No entanto, no calendário litúrgico da Igreja, assinale-se hoje, a festa de São Cirilo e São Metódio, dois irmãos que pregaram o Evangelho nas sociedades eslavas do século IX, inventando o alfabeto cirílico para anunciar Cristo. Foram proclamados por João Paulo II, co-padroeiros da Europa, juntando-se assim a São Bento.
Pouco tempo depois, Santa Brígida de Suécia, Santa Catarina de Sena e Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) reuniram-se aos três santos homens no patronato do Velho Continente.
Estes dois irmãos eslavos representam assim o segundo pulmão da Igreja na Europa…uma Europa que até bem pouco tempo estava dividida, mas que agora, se une na sua diversidade, em aspectos económicos, sociais, culturais e também religiosos, enriquecendo e inspirando assim de um novo alento um continente inteiro.

No nosso Velho Continente que parece esvaziar-se dos valores cristãos, é bom recordar as palavras de João Paulo II, que há uns anos atrás, desafiava a Europa a não temer a voz do Evangelho que interpela os corações :

“Não temas! O Evangelho não é contra ti, mas a teu favor. Confirma-o a constatação de que a inspiração cristã pode transformar a agregação política, cultural e económica numa convivência onde todos os europeus se sintam em casa própria e formem uma família de nações, na qual se possam frutuosamente inspirar outras regiões do mundo.

Tem confiança! No Evangelho, que é Jesus, encontrarás a esperança sólida e duradoura por que anseias. É uma esperança fundada na vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Esta vitória, quis Ele que te pertencesse para tua salvação e alegria.

Podes estar certa! O Evangelho da esperança não desilude! Nas vicissitudes da história de ontem e de hoje, é luz que ilumina e orienta o teu caminho; é força que te sustenta nas provações; é profecia de um mundo novo; é indicação de um novo início; é convite a todos, crentes e não crentes, para traçarem caminhos sempre novos que desemboquem na «Europa do espírito» a fim de fazer dela uma verdadeira «casa comum» onde haja alegria de viver.”


(Exortação Apostólica “Ecclesia in Europa”)