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domingo, 31 de maio de 2009

Como crianças que procuram a proximidade de seus pais

Com a Solenidade de Pentecostes termina o Tempo Pascal.
O tempo para o encontro com o Ressuscitado não é de uma única época do ano, pois podemos encontrá-l'O todos os dias na Eucaristia, quando adoramos a sua presença viva neste “tão grande sacramento”.
Nós também, como os discípulos de Emaús, reconhecemos o Senhor na “fracção do pão”, pela acção do Espírito Santo nos nossos corações.
Mais se acredita em Jesus, mais o seu Espírito cativa a nossa existência, mais a sua inspiração enche o nosso pensamento, mais o seu amor nos leva a agir.
Sem o Espírito, não se pode fazer nada de sobrenatural, ou mesmo rezar, porque Ele é o único que eleva o nosso espírito e o nosso coração para Deus.




Tudo o que é verdadeiro na vida da Igreja e na vida de cada um, é reduzido à sua acção.
Não há nada que uma alma possa fazer em nome de Jesus, sem a cooperação do Espírito Santo.
Pensa-se muito pouco sobre a necessidade de o Espírito Santo na vida da Igreja e na nossa.
Recordamo-l’O apenas em momentos precisos, mas, na realidade, devíamos invoca-l’O ao longo do dia, como crianças que procuram a proximidade de seus pais para serem fortalecidos da sua força, tranquilizados pela sua presença.
É isso mesmo que a sequência do Pentecostes nos recorda: “Vinde Espírito Santo, vinde Pai dos pobres, vinde luz dos corações!”
Quem são estes pobres senão cada um de nós, rico de si mesmo, mas tão necessitado deste Espírito divino?

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O ícone do Pentecostes

A iconografia cristã oriental, mais de que uma simples ilustração, revela o sentido teológico das Sagradas Escrituras. O papel do ícone não é fazer um retrato de um acontecimento, mas transmitir, pela pintura, o ensinamento apostólico, e dar-lhe uma presença simbólica visual. Por isso, os símbolos usados podem não serem cronologicamente exactos, mas aprofundam a reflexão espiritual do tema representado. Como grande apreciador de arte-sacra oriental, desejo partilhar convosco como "é escrito" o ícone do Pentecostes (o vocabulário relativo à leitura e à escrita é muito usado para a iconografia bizantina).



O ícone da festa do Pentecostes é chamado: “A descida do Espírito Santo”.
O movimento do ícone vai de cima para baixo.
A cena acontece no Cenáculo, onde os discípulos se tinham refugiado após a Ascensão de Cristo.
No topo, a metade de um círculo azul: o céu, de onde alguns raios se dirigem sobre um grupo de 12 homens. Sobre a cabeça de cada um, umas línguas de fogo…o Espírito Santo desceu e está sobre eles.
Só alguns apóstolos, com Paulo, os evangelistas Marcos e Lucas, são representados sentados em meio círculo, 6 de cada lado, todos do mesmo tamanho, para mostrar a unidade da Igreja. Entre Pedro e Paul, os dois mais altos do grupo, um lugar vazio, o do Mestre: Cristo, Cabeça da Igreja, Pedra Angular.
Paulo, Marcos e Lucas não estavam presentes no dia do Pentecostes, mas aqui, o significado doutrinal sobrepõe-se ao histórico. Apóstolos e evangelistas têm uma missão: ensinar todos os povos.
Os 4 evangelistas seguram os livros dos Evangelhos, Paulo, os seus escritos, enquanto os outros agarram rolos que representam a autoridade de ensinar, recebida de Cristo.
No centro do grupo, mas na parte de baixo do ícone, um personagem real encerrado num lugar escuro, símbolo do Cosmos, dos povos do mundo envelhecido, que vive nas trevas e no pecado. No entanto, este homem segura nas mãos um lençol que contém 12 rolos: os ensinamentos dos apóstolos “que iluminaram o mundo com a Palavra, o Evangelho.”
Assim, no ícone do Pentecostes, “lemos” o cumprimento da promessa do Espírito Santo, enviado sobre os apóstolos que ensinarão as nações e baptizarão em nome da Trindade. Vemos também que a Igreja é congregada e sustentada pela presença e a obra do Espírito Santo, Espírito que conduz a Igreja no seu esforço missionário pelo mundo e a alimenta na verdade e no amor.

Rei celeste, Consolador, Espírito da Verdade,
presente em toda a parte e que tudo preenche,
tesouro de bens e dispensador da vida,
vinde e habitai em nós,
purificai-nos da impureza
e salvai as nossas almas,
Vós que sois bom.

Liturgia Bizantina

terça-feira, 6 de maio de 2008

Celebrar hoje a vinda do Espírito Santo

Estes dias que seguem a Solenidade da Ascensão de Jesus ao céu, são de especial preparação para a festa do Pentecostes, dia em que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos e dia da fundação da Igreja.
É na Sagrada Escritura, no livro dos Actos de Apóstolos (2, 1-13) que nos é narrado o que aconteceu no Cenáculo de Jerusalém no ano 30 ou 33 da nossa era, 50 dias após a ressurreição de Cristo, na festa judaica do Pentecostes.
Para nós, 2000 anos depois, esta festa, com os seus paramentos vermelhos, nos recorda a missão do Espírito Santo… muitas vezes pouco lembrada entre nós.
Assim, celebrar hoje a vinda do Espírito Santo é tomar consciência da acção do mesmo Espírito Santo em nós, e que todos os discípulos de Cristo, como Igreja, são o novo povo de Deus que abraça toda a humanidade porque o Evangelho deve ser anunciado a todas as nações.
Desde o seu início, desde o Pentecostes de há dois milénios atrás, a Igreja é assistida pelo Espírito Santo. É Ele que a constrói, anima e santifica. É Ele que lhe dá vida e unidade, enriquecendo-a com seus dons. O Espírito Santo continua a trabalhar na Igreja…e de muitas maneiras!, inspirando, motivando e impulsionando os cristãos, individualmente ou em comunidade, a proclamar a Boa Nova de Jesus.
Vem Espírito Santo!


“Abri-vos com docilidade aos dons do Espírito Santo!
Recebei, com gratidão e obediência, os carismas que o Espírito não cessa de oferecer!
Não esqueçais que todos os carismas são dados para o bem comum, isto é para benefício de toda a Igreja!”



João Paulo II, Pentecostes 2004

segunda-feira, 28 de maio de 2007

A Igreja é una, santa, católica, apostólica e missionária

«Cinquenta dias depois da Páscoa, o Espírito Santo desceu sobre a comunidade dos discípulos, que “perseveravam na oração, com um mesmo espírito”, reunidos junto a “Maria, a mãe de Jesus” e com os doze apóstolos (cf. Actos 1, 14. 2, 1).

Podemos dizer, portanto, que a Igreja teve o seu início solene com a vinda do Espírito Santo. Nesse extraordinário acontecimento, podemos ver as características essenciais da Igreja:

a Igreja é una, como a comunidade de Pentecostes, que estava unida na oração com “um só coração e uma só alma” (Actos 4, 32).

A Igreja é santa, não por seus méritos, mas porque, animada pelo Espírito Santo, tem o olhar fixo em Cristo, para viver conforme Ele e seu amor.

A Igreja é católica, porque o Evangelho está destinado a todos os povos e por esse motivo, já desde o início, o Espírito Santo faz com que fale todos os idiomas.

A Igreja é apostólica, já que - construída sobre o alicerce dos apóstolos - custodia fielmente seu ensinamento através da corrente ininterrupta da sucessão apostólica.

Além disso, a Igreja, por sua própria natureza, é missionária, e desde o dia de Pentecostes o Espírito Santo não deixa de conduzi-la aos caminhos do mundo, até os últimos confins da terra e até o final dos tempos.»



Bento XVI, Regina Caeli 27/05/2007