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terça-feira, 24 de junho de 2008

Era um grande homem

«A Igreja não celebra o nascimento de nenhum profeta, de nenhum patriarca, de nenhum apóstolo: ela celebra só dois nascimentos*, o de João e o de Cristo. O próprio tempo em que cada um nasceu é um grande mistério. João era um grande homem, mas era todavia um homem. Era um tão grande homem que só Deus lhe estava acima. ‘Aquele que vem depois de mim é maior do que eu’. É o próprio João que disse: ‘’Aquele que vem depois de mim é maior do que eu’.
Se Ele é maior do que tu, como O ouvimos dizer, Ele que é maior do que tu: ‘Entre os nascidos de mulher, não há maior do que João Baptista?’ Se entre os homens não há maior do que tu, quem é Aquele que dizes ser maior?
Queres saber quem Ele é? ‘No princípio existia o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus.’
Mas este Deus, este Verbo de Deus pelo qual tudo foi feito, que nasceu antes da origem dos tempos e por quem foram feitos os mesmos tempos, como é que no tempo Ele tem um dia de nascimento? Sim, como este Verbo que criou os tempos tem no tempo um natal?
Queres saber como? Ouve o Evangelho: ‘O Verbo encarnou, e habitou entre nós’. O nascimento de Cristo não é então o nascimento do Verbo, mas o da sua humanidade. (…)


João nasceu, Cristo também nasceu; João foi anunciado por um anjo, Cristo também foi anunciado por um anjo. Grande milagre dos dois lados! Foi uma mulher estéril que com o contributo de um velho marido deu à luz ao servo, ao precursor; foi uma Virgem que sem o contributo de homem se tornou mãe do Senhor, do mestre. João é um grande homem, mas Cristo é mais do que homem, porque Ele é o Homem Deus. João é um grande homem, mas para exaltar a Deus, este homem se humilhou. ‘Eu não sou digno de Lhe desatar a correia das sandálias’. (…)
Era necessário que o homem, e por isso o próprio João se humilhasse diante de Cristo; era também necessário que Cristo, Homem Deus, fosse exaltado: eis o que recorda o nascimento e as mortes de Jesus e de João. É hoje que nasceu João: a partir de hoje os dias diminuem. É no dia de Natal que nasceu Cristo: é a partir deste dia que os dias crescem.
Na morte, João foi degolado, Jesus foi elevado na cruz.»

S. Agostinho




Senhor, celebramos hoje a glória do Precursor,
São João Baptista,
proclamado o maior entre os filhos dos homens,
anunciamos as vossas maravilhas:
antes de nascer, ele exultou de alegria,
sentindo a presença do Salvador;
quando veio ao mundo,
muitos se alegraram pelo seu nascimento;
foi ele, entre todos os Profetas,
que mostrou o Cordeiro que tira o pecado do mundo;
nas águas do Jordão, ele baptizou o autor do Baptismo
e desde então a água viva tem poder de santificar os crentes;
por fim deu o mais belo testemunho de Cristo,
derramando por Ele o seu sangue.

Prefácio da Missa do Nascimento de S. João Baptista




* Só mais tarde, no século VII, aparecerá no calendário litúrgico da Igreja de Roma, a festa da Natividade da Virgem Maria.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Rosto de: Franz Jägerstätter

No passado dia 26 de Outubro de 2007, em Linz, Áustria, foi beatificado Franz Jägerstätter, um camponês e católico austríaco, pai de três filhas, objector de consciência durante a II Guerra Mundial, que aos 36 anos de idade, foi decapitado a 9 de Agosto de 1943, em Berlim. A sua esposa, Franziska, de 94 anos, esteve presente na celebração da beatificação.
Em 1938, o Beato Franz, citando uma passagem das cartas de São Pedro: "Há que obedecer a Deus antes de obedecer aos homens", declinou integrar qualquer organização politica, declarando-se abertamente oposto ao Nacional-Socialismo de Hitler.
Na sua aldeia, ele foi o único a votar contra o “Anschluss”- Anexação da Áustria pela Alemanha Nazi, e a recusar combater pelo Terceiro Reich.
Preso, julgado “desertor e traidor” por um tribunal militar, foi condenado à decapitação, morrendo mártir da fé aos olhos da Igreja.
Franz Jägerstätter, “um homem comum, um cidadão normal, um vulgar chefe de família, que não exercia qualquer ministério na Igreja, nem tão pouco era teólogo, nem sequer um homem letrado, foi contudo capaz de entender, viver e testemunhar a sua fé em Jesus Cristo até às últimas consequências, até ao derramamento do sangue.”
Pouco antes da sua morte, escrevia numas notas:
“Escrevo com as mãos amarradas, mas mais vale assim do que ter a vontade acorrentada.”
“Nem a prisão, nem as correntes e nem sequer a morte podem separar um homem do amor de Deus e roubar-lhe a sua livre vontade. A potência de Deus é invencível.”

“Se Deus não me tivesse dado a graça e a força de morrer, se necessário, para defender a minha fé, provavelmente faria a mesma coisa que faz simplesmente a maior parte das pessoas. Na verdade, Deus pode conceder a própria graça a cada um de nós tal como Ele quer. Se outros tivessem recebido as muitas graças que eu recebi, provavelmente, teriam feito muitas mais coisas e melhores que eu.
Talvez muitos pensam que são obrigados a suportar o martírio e a morrer pela própria fé só quando se pretende que abandonem a Igreja. Eu atrevo-me a dizer muito abertamente que quem está pronto para sofrer e para morrer, em vez de ofender Deus com o mais pequeno pecado venial, está também disposto a morrer pela sua fé. Estes terão maior mérito do que quem é condenado por recusar abjurar publicamente a Igreja, porque neste caso existe simplesmente o dever, se não se quer cometer pecado grave, de morrer em vez de obedecer.”

Estas palavras são de facto um grande testemunho de fé, transponível para a sociedade actual.
Até onde aguentaríamos a provação, a perseguição por causa das nossas convicções?
Até onde iríamos?
Franz Jägerstätter foi até ao fim…com a fé no paraíso!



Fotos: Beato Franz Jägerstätter e o seu túmulo, encostado à Igreja paroquial da sua aldeia natal.