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terça-feira, 17 de março de 2009

Que tens pior do que isso?

A próxima vez que pensares que Deus não pode servir-se de ti, lembra-te:

Noé embriagava-se,
Abraão era demasiado velho,
Isaac era mentiroso,
Lea era feia,
José foi enganado,
Moisés gaguejava,
Gedeão tinha medo,
Sansão era mulherengo,
Raab era prostituta,
Jeremias e Tobias, demasiado jovens,
David foi adúltero e assassino,
Elias quis suicidar-se,
Isaías pregou nu,
Jonas fugiu de Deus,
Noemi era viúva,
Job faliu,
João Baptista comia insectos,
Pedro negou Cristo,
os discípulos adormeciam na oração,
Marta estressava,
a Samaritana teve vários maridos,
Zaqueu era de pequena estatura e roubava,
Paulo, demasiado zeloso,
Timóteo tinha uma úlcera,
e Lázaro estava morto…


Que tens pior do que isso?
Pois…então acaba com as desculpas…serve a Deus!


Anónimo

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Nesta Quaresma, esforcemo-nos

«Que cada um se examine agora para saber em que estado está, e esforcemo-nos em progredir todos os dias, porque é avançando na virtude que veremos o Deus dos deuses, na Sião celeste. É sobretudo neste tempo que nos devemos aplicar em viver na pureza; durante este tempo, digo, em que é concedido à fragilidade humana um número de dias certos mas curtos, para que ela não desanime. Porque se nos é dito a toda a hora: 'levai uma vida pura', quem não se desencorajaria de a conseguir? Ora, somos convidados neste tempo de pouca dura a reparar as negligências do resto do ano, e a viver de maneira a que no resto do tempo, se veja brilhar as marcas desta santa quarentena na nossa conduta.
Esforcemo-nos então, meus irmãos, em passar este tempo em exercícios piedosos, e em restaurar as nossas armas espirituais. De facto, nesta época do ano, parece que todo o universo, com o Salvador à frente, caminha como um exército contra o diabo.
Bem-aventurados os que terão combatido com valentia sob tal governo.»


São Bernardo, 7º sermão para a Quaresma





Senhor meu Deus, fazei que o meu coração Vos deseje;
e que desejando Vos procure;
procurando, Vos encontre;
encontrando, Vos ame;
e amando-Vos, sejam perdoados os meus pecados;
e uma vez perdoados, que eu não volte a cometê-los.

Senhor meu Deus,
dai a penitência ao meu coração,
a contrição ao meu espírito,
as lágrimas aos meus olhos,
a liberalidade da esmola às minhas mãos.

Ó meu Rei, apagai em mim a concupiscência da carne
e acendei o fogo do vosso amor.
Ó meu Redentor, apartai de mim o orgulho,
e que a vossa benevolência me conceda a humildade.
Ó meu Salvador, afastai de mim a cólera
e que a vossa bondade me dê o escudo da paciência.
Ó meu Criador, tirai da minha alma o ressentimento
para lá derramar a mansidão.

Pai bondoso,dai-me a fé recta,
a esperança certa e a caridade perfeita.
Vós que me guiais,
afugentai de mim a vaidade da alma,
a inconstância do espírito,
a confusão do coração,
as vanglórias da boca,
a altivez dos olhos.


Ó Deus misericordioso,
por vosso muito amado Filho,
eu Vos peço,
fazei que eu viva a misericórdia,
a sincera devoção,
a compaixão pelos aflitos
e a partilha com os pobres.


Santo Anselmo (1033-1109), Oratio X

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Vinde, ó bêbados!


«Então Cristo dirá: ‘Vinde vós também! Vinde, ó bêbados! Vinde, ó fracos! Vinde, ó depravados!’
E Ele dirá: ‘Seres infames, sois imagem da besta e trazeis a sua marca. Vinde à mesma, vós também!’
E os sábios dirão, e os prudentes dirão: ‘Senhor, porque os acolhes?’
E Ele dirá: ‘Se Eu os acolho, ó sábios, se Eu os acolho, ó prudentes, é porque nenhum deles se achou digno disso’.
E Ele nos estenderá os braços, e cairemos a seus pés e desataremos a chorar, e compreenderemos tudo, sim, compreenderemos tudo.»

Dostoïevski

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Novíssimos...uma realidade (2ª parte)

O INFERNO
Como perceber o sentido do inferno?
“Não podemos estar em união com Deus se não escolhermos livremente amá-Lo. Mas não podemos amar a Deus se pecarmos gravemente contra Ele, contra o nosso próximo ou contra nós mesmos” (Catecismo nº1033). Por isso, se morremos em pecado mortal, isto é, sem contrição e perseverante na rejeição de Deus, permanecemos livre e voluntariamente separados de Deus para sempre. É esta situação de auto-exclusão voluntária e definitiva de comunhão com Deus que a Igreja chama “inferno”. O inferno respeita a escolha da nossa liberdade.
“A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira” (Catecismo nº1035).
As representações do inferno apelam muito à imaginação, mas no meio destas alegorias, subsiste uma pergunta fundamental: “Quem se condene?” Não nos pertence responder, pois Cristo nos diz: “Não julgueis para não serdes julgados” (Mt 7,2). Deus quer salvar todos os homens, mas não pode se eles não quiserem.

O PURGATÓRIO
Se morrermos na amizade de Deus mas conservando ainda algumas máculas de pecado, precisaremos de purificação. A Igreja chama “purgatório” esta última purificação. O Catecismo de São Pio X ensina: «O purgatório é o sofrimento temporário, que consiste na privação de Deus e noutras penas, que purifica a alma de qualquer pecado para torná-la digna de contemplar a Deus». Na encíclica Spe Salvi, Bento XVI recorda a origem da oração pelas almas do purgatório: «No antigo judaísmo, existe também a ideia de que se possa ajudar, através da oração, os defuntos no seu estado intermédio(cf 2Mac 12,38-45). A prática correspondente foi adoptada pelos cristãos com grande naturalidade e é comum à Igreja oriental e occidental» (48). Por isso, a Igreja fomenta e recomenda o sacrifício eucarístico, a oração, a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos (cf Catecismo 1032).




O CÉU
Se ao longo da nossa vida correspondermos perfeitamente ao amor de Deus, vivendo na sua vontade, seremos acolhidos no céu. Lá, contemplaremos a Deus, na companhia dos anjos e dos santos. Este é «o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva» (Catecismo 1024). Este estado de gozo ultrapassa o nosso entendimento e as nossas representações. A Sagrada Escritura descreve o paraíso, o céu, com as imagens das bodas, da casa do Pai, da Jerusalém celeste onde tudo é vida, luz e alegria, mas "os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano jamais imaginou, o que Deus tem preparado para aqueles que o amam" (1Cor 2, 9).

E O LIMBO?
Esta palavra é utilizada para falar do destino das crianças mortas sem receber o Baptismo. Recentemente, a Comissão Teológica Internacional referiu que o limbo permanece uma opinião teológica possível mas que já não é ensinamento comum da Igreja.


«O tempo é o nosso tesouro,
o "dinheiro" para comprarmos a eternidade.»

São Josémaria Escriva

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Novíssimos...uma realidade (1ª parte)

Neste mês de Novembro, a Igreja convida cada um de nós a aprofundar as verdades da fé sobre o fim último e eterno do homem…os novíssimos: morte, juízo particular, céu e inferno.
Tema tabu nas homilias, na catequese ou simplesmente numa conversa entre cristãos, os novíssimos não são nenhuma lenda piedosa, mas uma realidade espiritual que «desde os primeiros tempos (…) influenciou os cristãos até na sua própria vida quotidiana enquanto critério segundo o qual ordenar a vida presente, enquanto apelo à sua consciência e, ao mesmo tempo, enquanto esperança na justiça de Deus» (Bento XVI, Spes Salvi 41).
Mas parece que esta perspectiva fundamental seja relegada para segundo plano, apesar da meditação sobre os novíssimos supor o entendimento do que somos enquanto vivos…

O SER HUMANO E A MORTE
O ser humano é constituído de duas realidades, uma material (corpo), e outra, espiritual (alma).
O Concílio Vaticano II afirma: “O homem, ser uno, composto de corpo e alma, sintetiza em si mesmo, pela sua natureza corporal, os elementos do mundo material, os quais, por meio dele, atingem a sua máxima elevação e louvam livremente o Criador. (…) Ao reconhecer, pois, em si uma alma espiritual e imortal, (…) ele atinge a verdade profunda das coisas” (Gaudium et Spes 14).
A morte é a separação da alma e do corpo. “Parte, ó alma cristã…confio-te ao Criador, para que voltes Àquele que te formou do pó da terra. Que na hora em que a tua alma sair do teu corpo venha ao teu encontro a Virgem Maria, os Anjos e todos os Santos” (Oração de encomendação da alma).
A fé cristã confessa a vida e a subsistência da alma após a morte.
O corpo cai na corrupção, enquanto a alma comparece diante de Deus para ser julgada (Juízo particular).
A alma reunir-se-á ao corpo ressuscitado no dia do Juízo, quando Cristo voltará na sua glória.


O JUIZO PARTICULAR
“Os homens morrem uma só vez, e depois vem o juízo” (Heb 9,27).
Não se deve entender o juízo de Cristo de uma forma legalista e humana…seria um grande contra-senso, e não corresponderia à mensagem evangélica. Na linguagem bíblica, julgar significa conduzir, dirigir, proteger, salvar. A justiça de Deus não é justiça que castiga mas que justifica, faz justiça e salva. Cristo revela que o critério do juízo é o amor ao próximo (Mt 25), que Ele próprio praticou.
A palavra “juízo” não deve assustar-nos. Recordemos que “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para não serem postas a descoberto a suas obras. Mas quem pratica a verdade, aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus” (Jo 3, 17.19-21).
O juízo particular é por isso uma revelação da nossa própria vida à luz divina que no faz totalmente justiça. A alma assume por isso, para sempre, o que ela escolheu durante a sua vida terrena: “o acesso à bem-aventurança do céu, imediatamente ou depois de uma purificação, ou então à condenação eterna do inferno” (Compêndio nº208).




«Quando pensares na morte, não tenhas medo, apesar dos teus pecados.
Porque Ele já sabe que O amas... e de que massa és feito.
Se tu O procurares, Ele acolher-te-á como o pai ao filho pródigo.
Mas tens de O procurar!»


São Josémaria Escriva