quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Novíssimos...uma realidade (1ª parte)

Neste mês de Novembro, a Igreja convida cada um de nós a aprofundar as verdades da fé sobre o fim último e eterno do homem…os novíssimos: morte, juízo particular, céu e inferno.
Tema tabu nas homilias, na catequese ou simplesmente numa conversa entre cristãos, os novíssimos não são nenhuma lenda piedosa, mas uma realidade espiritual que «desde os primeiros tempos (…) influenciou os cristãos até na sua própria vida quotidiana enquanto critério segundo o qual ordenar a vida presente, enquanto apelo à sua consciência e, ao mesmo tempo, enquanto esperança na justiça de Deus» (Bento XVI, Spes Salvi 41).
Mas parece que esta perspectiva fundamental seja relegada para segundo plano, apesar da meditação sobre os novíssimos supor o entendimento do que somos enquanto vivos…

O SER HUMANO E A MORTE
O ser humano é constituído de duas realidades, uma material (corpo), e outra, espiritual (alma).
O Concílio Vaticano II afirma: “O homem, ser uno, composto de corpo e alma, sintetiza em si mesmo, pela sua natureza corporal, os elementos do mundo material, os quais, por meio dele, atingem a sua máxima elevação e louvam livremente o Criador. (…) Ao reconhecer, pois, em si uma alma espiritual e imortal, (…) ele atinge a verdade profunda das coisas” (Gaudium et Spes 14).
A morte é a separação da alma e do corpo. “Parte, ó alma cristã…confio-te ao Criador, para que voltes Àquele que te formou do pó da terra. Que na hora em que a tua alma sair do teu corpo venha ao teu encontro a Virgem Maria, os Anjos e todos os Santos” (Oração de encomendação da alma).
A fé cristã confessa a vida e a subsistência da alma após a morte.
O corpo cai na corrupção, enquanto a alma comparece diante de Deus para ser julgada (Juízo particular).
A alma reunir-se-á ao corpo ressuscitado no dia do Juízo, quando Cristo voltará na sua glória.


O JUIZO PARTICULAR
“Os homens morrem uma só vez, e depois vem o juízo” (Heb 9,27).
Não se deve entender o juízo de Cristo de uma forma legalista e humana…seria um grande contra-senso, e não corresponderia à mensagem evangélica. Na linguagem bíblica, julgar significa conduzir, dirigir, proteger, salvar. A justiça de Deus não é justiça que castiga mas que justifica, faz justiça e salva. Cristo revela que o critério do juízo é o amor ao próximo (Mt 25), que Ele próprio praticou.
A palavra “juízo” não deve assustar-nos. Recordemos que “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para não serem postas a descoberto a suas obras. Mas quem pratica a verdade, aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus” (Jo 3, 17.19-21).
O juízo particular é por isso uma revelação da nossa própria vida à luz divina que no faz totalmente justiça. A alma assume por isso, para sempre, o que ela escolheu durante a sua vida terrena: “o acesso à bem-aventurança do céu, imediatamente ou depois de uma purificação, ou então à condenação eterna do inferno” (Compêndio nº208).




«Quando pensares na morte, não tenhas medo, apesar dos teus pecados.
Porque Ele já sabe que O amas... e de que massa és feito.
Se tu O procurares, Ele acolher-te-á como o pai ao filho pródigo.
Mas tens de O procurar!»


São Josémaria Escriva

4 comentários:

Ecclesiae Dei disse...

excelente post!
Abraços fraternos
João Batista

Paulo disse...

Excelente artigo, imperdivel e sentido.

Kenosis disse...

Uma bênção este texto!Somente a fé, a confiança e o amor podem nos levar à ausência do medo no caminho. Só o amor substitui o medo. Há quem diga que o medo é falta de fé, mas prefiro sempre pensar que o medo acontece na pouca quantidade de amor no interior da alma. Quem ama confia e para Deus nada é impossível, nem mesmo transmutar o nosso ser pecador em alma divinizada. E quem confia chega ao essencial.Obrigada pelos posts tão formativos e edificantes!Jesus e Maria lhe abençoem sempre!

Unidade Pastoral de Arganil disse...

Passou por este blog paroquiadearganil.blospot.com e deixa palavras de apreço e estímulo. P.e Martins