quinta-feira, 19 de junho de 2008

Se as almas compreendessem

Para os católicos, inclusive praticantes, às vezes custa entrar no mistério da Eucaristia. Comunicam sua convicção por costume. E, contudo, a Eucaristia é vital na fé de um católico. Como se pode ajudar os fiéis a compreenderem o significado profundo da Eucaristia?

O Padre Nicolas Buttet responde:
A beata do Quebec, Dina Bélanger, beatificada em 1993 por João Paulo II, escreveu um dia no seu diário: «Se as almas compreendessem o tesouro que possuem na divina Eucaristia, teriam de proteger os sacrários com muros inexpugnáveis, já que, no delírio de uma fome santa e devoradora, iriam elas mesmas alimentar-se do Pão dos Anjos. As igrejas transbordariam de adoradores consumidos de amor pelo divino prisioneiro, tanto de dia como de noite».
Ainda não chegamos a isso!
É verdade que o mistério é tão grande, o fosso tão enorme entre o que os nossos sentidos percebem - o pão - e o que nossa fé crê - Jesus -, que não é fácil entrar no mistério. Penso que há três coisas a desenvolver: uma catequese eucarística que passa pelas palavras e os exemplos. «Entremos na escola dos santos, grandes intérpretes da piedade eucarística autêntica», disse João Paulo II ao final de sua encíclica sobre a Eucaristia.
Em segundo lugar, é preciso realçar a consagração na missa e o sacrário nas igrejas. Sempre me impressiona a pouca devoção durante a celebração eucarística na consagração. É um momento que é um pouco descuidado. Pode-se acreditar com palavras, mas com os gestos que se fazem nestes momentos, não há equívocos.(…)
Estava eu na China. Um velho catequista, Zacarias, que arriscou a sua vida por anunciar Jesus e que está a caminho dos seus 100 anos, tinha conservado, num local escondido de sua casa, um sacrário com o Santíssimo Sacramento. Feliz, ele me revelou o seu tesouro detrás de uma porta secreta... Logo depois de entrar nesse pequeno local, Zacarias se ajoelhou, prostrou-se com o rosto no chão e começou algumas orações. Eu compreendi que era Jesus quem estava lá! Não havia nenhuma dúvida!
Em terceiro lugar, é preciso redescobrir a adoração eucarística e a devoção eucarística fora da missa. Este mistério é tão grande que a liturgia só não nos permitirá nunca aprofundá-lo suficientemente. Só uma exposição prolongada ao mistério da presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento permite entrar progressivamente no espanto eucarístico. Penso neste testemunho de Maxime de 21 anos: «Para mim, a Eucaristia é o centro de minha vida. Jesus Eucaristia me tirou do inferno das drogas. Graças à Eucaristia, minha vida foi transformada e estou agora feliz de viver para servir a Cristo. A Eucaristia é a minha força para amar, para seguir e servir a Cristo através das alegrias e das penas. Deus ama-nos infinitamente e não nos abandonará jamais».
Ler a 1ª parte da entrevista do site Zenit ao Padre Nicolas Buttet
Ler a 2ª parte




O Padre Nicolas Buttet é o fundador da “Fraternidade Eucharistein”, que ele fundou em 1997. A fraternidade conta com três casas e uma vintena de irmãos e irmãs, postulantes e noviços. Inspira-se na vida de São Francisco de Assis: simplicidade evangélica e abandono à Providência. A vida da comunidade está centrada em Cristo Eucaristia, celebrado no sacrifício da missa e adorado no Santíssimo Sacramento.
A fraternidade abre as suas portas a jovens que desejam viver um tempo de reflexão, serviço e oração após a formação profissional, e também a jovens em dificuldades devido à droga, ao álcool ou à depressão para ajudá-los a encontrar um novo rumo para as suas vidas.
O Padre Nicolas Buttet participa esta semana no Congresso Eucarístico Internacional do Quebec.
Site da Fraternidade Eucharistein

2 comentários:

Maria João disse...

A sede da Eucaristia... Como é bom sentir esta sede...



beijos em Cristo e Maria

Dennys Reys disse...

A Palavra diz há muitso doentes entre nós porque come do Corpo do Senhor sem a devida consciência do que é.....
O coração de Deus procura adoradores, não porque O Senhor precise , mas porque faz bem ao homem....

Faz-me adorador, Senhor!