terça-feira, 20 de março de 2007

Procurar e encontrar Deus

«Aquele que encontrou Deus é como aquele que se enamora pela primeira vez; corre, voa, sente-se fora de si; todas as dúvidas são superficiais, no seu íntimo reina a paz. Pouco lhe importa a sua situação pessoal ou se as suas orações são atendidas. A única coisa que interessa é Deus estar presente…Deus é Deus. Diante disso, o coração se cala e descansa. Na alma do repatriado, existe ao mesmo tempo sofrimento e felicidade. Deus é ao mesmo tempo a sua paz e inquietude. Ele descansa n’Ele, mas não pode parar um momento. Ele deve descansar caminhando: ele deve aconchegar-se na inquietude. Cada dia, Deus se apresenta diante dele como um apelo, um dever, uma felicidade próxima mas ainda não alcançada.

Aquele que encontra Deus sente-se procurado por Ele, perseguido por Ele, e descansa n’Ele como num mar vasto e calmo. Essa procura de Deus só é possível nesta vida, e esta vida só tem sentido pleno nessa procura. Deus aparece sempre e em todo o lado, e não se encontra em nenhum sítio. Ouvimo-Lo no ruído das ondas, mas não diz nada. Em todo o lado, ele vem ao nosso encontro, mas nunca conseguimos agarrá-Lo; mas um dia, a busca terminará e será o encontro definitivo. Quando se encontra Deus, encontra-se e possui-se todos os bens deste mundo.
O apelo de Deus, que é o fio condutor de uma vida sã e santa, não é senão um cântico que desce das colinas eternas, doce e ao mesmo tempo ruidoso, melodioso e de contrastes. Um dia virá em que saberemos que Deus foi o cântico que embalou as nossas vidas. Senhor, torna-nos dignos deste apelo e de o correspondermos fielmente!»

Beato Alberto Hurtado, S.J

1 comentário:

Gente comum disse...

Ocorre-me, ao ler este texto, o salmo 62, a partir do qual foi composto um dos cânticos de Taizé:

"A minha alma descansa em paz no Senhor,
que é fonte de salvação;
sim, só em Deus descansa a minh' alma,
n'Ele encontra a paz"

Obrigada pela serenidade que transmite e que aqui encontrei, neste fim-de-dia.

Ana