quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Podes acreditar na minha doutrina

«Peço ao Espírito Santo que te revela esta presença de Deus em ti. (…)
Podes acreditar na minha doutrina, porque ela não é minha; se tu leres o Evangelho segundo São João hás-de reparar que a todo o momento o Mestra insiste neste mandamento: ‘Permanecei em mim, e eu em vós’, e ainda naquele pensamento tão belo que está à cabeça da minha carta (‘Se alguém me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará e viremos a ele, e nele faremos a nossa morada’), em que Ele fala de fazer em nós a sua morada. São João, nas suas epístolas, deseja que tenhamos “sociedade” com a Santíssima Trindade: esta palavra é tão doce, é tão simples. Basta – di-lo São Paulo – basta acreditar: Deus é espírito e é pela fé que nos aproximamos d’Ele. Pensa que a tua alma é o templo de Deus, é ainda São Paulo quem o diz; a todo o instante do dia ou da noite as três Pessoas divinas permanecem em ti. Não possuis a Santa Humanidade como quando comungas, mas a Divindade, essa essência que os bem-aventurados adoram no Céu, ela mesma está na tua alma; assim, quando se tem consciência disso, dá-se uma intimidade toda de adoração; nunca se está só! Se preferes pensar que o bom Deus está perto de ti, mais do que em ti, segue o teu pendor desde que vivas com Ele.»



Carta da Beata Isabel Trindade à sua mãe,
Maio 1906

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Rosto: Isabel da Trindade

Isabel Catez nasceu em 1881 em Dijon.
Ela é uma menina muito viva, ama a vida: viagens, concertos, amizades, serviço da Igreja. Ela é sensível à beleza, e porque começou cedo a arte da música, ela obtém o primeiro prémio de piano no conservatório da sua cidade.
Ela é também irresistivelmente atraída por Deus. “Sinto-O tão vivo na minha alma. Só tenho que recolher-me para encontrá-Lo dentro de mim, e faz toda a minha felicidade. Ele colocou no meu coração uma sede infinita e uma tão grande necessidade de amar, que só Ele pode saciar.”

Aos 21 anos, ela entra no Carmelo de Dijon.
No seu convento, ela escreve inúmeras cartas à família e aos amigos. Ela guarda a preocupação do mundo e da Igreja. “A minha alma agrada-se em unir-se à vossa, numa mesma oração, para a Igreja e a diocese.” Ela acompanha o percurso espiritual dos seus íntimos na vida comum de leigos, “todos chamados, todos amados”. “Mesmo no meio do mundo, pode-se ouvir Deus no silêncio de um coração que só deseja pertencer-Lhe.”

No fim da sua vida, atingida por uma doença incurável, ela transcreve a sua experiência e a sua oração em cadernos. “Quando o peso do corpo se faz sentir e cansa a vossa alma, não desesperais, mas ide pela fé e o amor Àquele que disse: ‘Vinde a mim e Eu vos aliviarei.‘ Para aqueles que perseverem animados, não vos deixeis abater no pensamento das vossas misérias. O grande Apóstolo Paulo disse: ‘Onde o pecado abundou, a graça superabundou.’ "
Isabel morre a 9 de novembro de 1906, após 9 meses de agonia. As suas últimas palavras são: “Eu vou para a Luz, o Amor, a Vida.”

Isabel da Trindade foi beatificada pelo Papa João Paulo II a 25 de novembro de 1984.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Esperançada, aguardada, preparada

«Pensas realmente que a proximidade sempre crescente da morte seja angustiosa?
Penso que não; não se deve recear a morte.
A morte não é senão a passagem de uma vida – que não é mais do que um teste – de alegrias e pequenos azares…à Felicidade plena, à Visão perpétua d’Aquele que tudo nos deu.
Angustiosa, a morte?
Não, não devia sê-lo, mas antes esperançada e aguardada (por isso, preparada…).
Recordas-te que muitas colegas (tu também) me predisseram que morreria jovem? sem se consultarem.
Bem, confesso que não me preocupo em nada, dado que na eternidade, 50 anos de vida terrestre a mais ou a menos...o que são?»


Serva de Deus, Clara de Castelbajac
(1953-1975)

domingo, 1 de novembro de 2009

Deus é ambicioso

«Deus é ambicioso, Ele não quer que sejamos só honestos, Ele quer que sejamos santos. Ele não quer que sejamos só obedientes à Lei, Ele quer que o nosso coração deseje a sua Vontade.
Ele não se contenta em ter um povo, Ele quer uma família. Ele não se contenta em ter criaturas, Ele quer filhos e filhas. (...)

A maioria dos santos que conhecemos tiveram vidas extraordinárias, e é normal que estes sejam conhecidos, mas eles não são conhecidos porque são santos… eles são conhecidos pelos destinos extraordinários que viveram. Mas a santidade não se reduz aos santos canonizados, ela diz respeito a todos aqueles que vivem a Vontade de Deus no destino de uma vida comum ainda que desconhecida. A santidade não está relacionada a um estado de vida, mesmo se conhecemos mais santos religiosos, consagrados, retirados do mundo, eremitas, monges do que santos leigos envolvidos em tarefas comuns. (...)

Para nós, o santo é primeiro uma imagem, um vitral, uma pintura, uma história. Muitas vezes, só conhecemos do santo o produto acabado, o santo canonizado...conhece-se menos bem o caminho que o levou à santidade, mas isso compete a cada cristão estudá-lo. (...)

O Papa João Paulo II tentou mostrar, através das canonizações, que houve santos no tempo moderno e santos que tiveram uma vida comum, santos em todos os estados de vida! Há santos no nosso tempo, hoje, nas famílias, nos lares, nos jovens, nos idosos, nos saudáveis, nos doentes; há santos em todos as circunstâncias da realidade.»



Dom Vingt-Trois, Cardeal e Arcebispo de Paris

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O "Encontro das 21 horas"

A “Comunidade São Martinho” (Communauté Saint Martin) é uma associação clerical pública que reúne sacerdotes e diáconos que desejam viver em comum o seu ministério. Foi fundada em 1976, pelo Padre Jean-François Guerin (1929-2005), sacerdote da diocese de Tours (França), e é reconhecida pela Igreja.
Em 2002,a comunidade tomou a iniciativa de praticar e divulgar a “Presença trinitária” do Sr. Albert Freyre, que consiste em oferecer cada dia, fielmente, um curto tempo de oração pelos “pobres”.

“21 horas” é a hora de entrada na noite,
hora em que as ansiedades ressurgem,
que as angústias e a solidão se manifestam,
que as trevas do pecado se intensificam…
hora em que o homem não precisa sentir-se só diante do sofrimento.
Esta hora pode então tornar-se numa grande onda de oração que se eleva dos nossos corações, para que o Coração de Cristo toca com seu amor o coração dos mais pobres!
Leigo, consagrado, padre, jovem ou velho, doente ou saudável, todos podem juntar-se a este “Encontro das 21 horas”, com qualquer oração, fielmente, cada noite.



Oração para o "Encontro das 21 horas"

Meu Deus,
neste início da noite,
rogo-Vos por todos aqueles que estão na prisão,
por todos os idosos,
por todos aqueles que estão sós, doentes, abandonados,
por todos aqueles que não aguentam mais,
por todos aqueles que estão desesperados,
por todos aqueles que esta noite vão pecar.

Eterno Pai que nos criastes,
Filho, Redentor do mundo que nos remistes,
Espírito de Amor que nos santificais,
tende piedade de nós.

E vós, Maria Imaculada,
Mãe do Redentor,
Suplicante poderosíssima,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos cristãos,
Mãe do Belo Amor,
rogai por nós.

Santos Anjos da Guarda,
disponde-nos a receber favoravelmente a graça de Deus.



* * *



Nascido em 1921, Albert Freyre é impedido pelo seu estado de saúde de aceder ao sacerdócio. No entanto, ele quer fazer da sua vida um testemunho cristão, principalmente junto dos marginalizados. Um dia, numa visita, um prisioneiro confessou o conforto que trazia o tempo passado na companhia do Albert. Diante da impossibilidade de se encontrar juntos todos os dias, a ideia surgiu de se unir todas as noites através da oração. Esse encontro espiritual seria fixado às 21 horas… hora em que as luzes se apagam na prisão. Percebendo a esperança suscitada por este encontro, à hora em que surge a escuridão, o Sr. Freyre decide formar um grande movimento de oração. Umas monjas são as primeiras a juntar-se à iniciativa, oferecendo o ofício da noite. Hoje, quase 600 pessoas são fiéis ao "Encontro das 21 horas".
No lar de idosos de Pontarlier (França), é Albert Freyre que recebe agora as visitas , sempre amigável com quem o procura.

(do site da Communauté Saint Martin)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Quem pode entender toda a riqueza de uma das tuas palavras, Senhor?

«Quem pode entender toda a riqueza de uma das tuas palavras, Senhor?
Como gente sedenta que bebe a uma fonte, o que entendemos é muito menos do que aquilo que lá deixamos. As perspectivas da tua palavra são numerosas como as orientações daqueles que a estudam. O Senhor pintou a sua palavra de muitas belezas para que aquele que a perscruta possa contemplar o que Ele ama. Na sua palavra, Ele escondeu todos os tesouros para que cada um de nós encontrasse um tesouro meditando-a.

A palavra de Deus é uma árvore da vida que te presenteia de frutos abençoados; ela é como aquele rochedo que foi aberto no deserto para dar a todos os homens uma bebida espiritual. Segundo o Apóstolo, “comeram um alimento espiritual, beberam de uma fonte espiritual”.


Quem partilha de um pouco dessa riqueza não deve acreditar que apenas na palavra de Deus está o que ele procura. Pelo contrário, ele deve entender que foi capaz de descobrir uma só coisa entre muitas outras. Enriquecido pela palavra, ele não deve acreditar que esta ficou mais pobre; incapaz de a esgotar, que ele dê graças pela sua riqueza. Alegra-te porque estás saciado, mas não te entristeces por aquilo que te ultrapassa. Quem tem sede alegra-se de beber, mas não se entristece por esgotar a fonte. Que a fonte acalme a tua sede, sem que a tua sede esgote a fonte. Se a tua sede se saciar sem a fonte se esgotar, poderás beber lá de novo, sempre que tiveres sede. Se, pelo contrário, saciando-te, esgotares a fonte, a tua vitória tornar-se-á o teu infortúnio.

Dá graças por aquilo que recebeste e não lamentas o que não foi utilizado.
O que tomaste e levaste é a tua parte, mas o que permanece é também tua herança.
O que não pudeste receber prontamente por causa da tua fraqueza, recebê-lo-ás novamente se perseverares. Não tenhas o mau pensamento de alcançar aquilo que não pode ser alcançado numa só vez; não desistas, por negligência, àquilo que és capaz de assimilar pouco a pouco.»



Santo Efrém, Padre da Igreja (Séc IV)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ao pé do Sacrário estamos todos perto

«Hoje saí de casa quando começava a anoitecer. Atravessei as ruas principais da cidade e, um pouco aturdido com o barulho das pessoas, dos carros e as luzes, me dirigi aonde meu espírito necessitava, a Casa de Deus. Estava quase deserta; uma mulher recitava orações diante de um altar mal iluminado; outro grupo de mulheres cochichavam junto a um confessionário, e o Senhor, Deus da criação, o Juiz dos vivos e dos mortos, estava no Sacrário esquecido pelos homens. Na paz e no silêncio da Igreja, minha alma se abandonava em Deus. Via passar diante de mim todas as misérias e todas as desgraças dos homens, seus ódios e suas lutas, e pensava que se este Deus que se oculta num pouco de pão não estivesse tão abandonado, os homens seriam mais felizes, mas não querem sê-lo.»



«Uma multidão de Sacrários existem na terra, mas somente um Deus, que é Jesus Sacramentado. Consoladora verdade que faz estar tão unidos o monge no seu Coro, o missionário em terra de infiéis e o secular na sua paróquia. Não há distâncias, nem há idades. Ao pé do Sacrário estamos todos perto. Deus nos une. Peçamos-Lhe, por mediação de Maria, que algum dia no céu, possamos contemplar a esse Deus que por amor ao homem se oculta sob as espécies do pão e do vinho. Assim seja.»



São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938)
Monge espanhol da Ordem de Cister,
canonizado a 11/10/2009 pelo Papa Bento XVI.



Blog sobre São Rafael Arnaiz Baron


Não conhecia a figura deste monge espanhol...gostei logo.