segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ao pé do Sacrário estamos todos perto

«Hoje saí de casa quando começava a anoitecer. Atravessei as ruas principais da cidade e, um pouco aturdido com o barulho das pessoas, dos carros e as luzes, me dirigi aonde meu espírito necessitava, a Casa de Deus. Estava quase deserta; uma mulher recitava orações diante de um altar mal iluminado; outro grupo de mulheres cochichavam junto a um confessionário, e o Senhor, Deus da criação, o Juiz dos vivos e dos mortos, estava no Sacrário esquecido pelos homens. Na paz e no silêncio da Igreja, minha alma se abandonava em Deus. Via passar diante de mim todas as misérias e todas as desgraças dos homens, seus ódios e suas lutas, e pensava que se este Deus que se oculta num pouco de pão não estivesse tão abandonado, os homens seriam mais felizes, mas não querem sê-lo.»



«Uma multidão de Sacrários existem na terra, mas somente um Deus, que é Jesus Sacramentado. Consoladora verdade que faz estar tão unidos o monge no seu Coro, o missionário em terra de infiéis e o secular na sua paróquia. Não há distâncias, nem há idades. Ao pé do Sacrário estamos todos perto. Deus nos une. Peçamos-Lhe, por mediação de Maria, que algum dia no céu, possamos contemplar a esse Deus que por amor ao homem se oculta sob as espécies do pão e do vinho. Assim seja.»



São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938)
Monge espanhol da Ordem de Cister,
canonizado a 11/10/2009 pelo Papa Bento XVI.



Blog sobre São Rafael Arnaiz Baron


Não conhecia a figura deste monge espanhol...gostei logo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vai e prega o meu Rosário

«Pelo Rosário, podemos tudo alcançar.
Segundo uma bela comparação, é uma longa cadeia que liga o céu e a terra: uma das extremidades está entre as nossas mãos e a outra nas da Santíssima Virgem.»

Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face



«Ó Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus, vínculo de amor que nos une aos Anjos, torre de salvação contra os assaltos do inferno, porto seguro no naufrágio geral, não te deixaremos nunca mais. Serás o nosso conforto na hora da agonia. Seja para ti o último beijo da vida que se apaga.»

Beato Bártolo Longo



«Amai e fazei a amar a Santíssima Virgem, rezai e fazei rezar o Rosário.»

São Pio de Pietrelcina



«Vai e prega o meu Rosário.»

Nossa Senhora a São Domingos

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Que alegria eu ser uma filha fiel da Igreja

«Que alegria eu ser uma filha fiel da Igreja.
Ó, como amo a Igreja e todos os que fazem parte dela; considero-os membros vivos de Cristo que é a cabeça.
Ardo de amor com aqueles que amam, sofro com aqueles que sofrem, a dor me consome perante as almas frias e ingratas. Então faço por amar muito a Deus em reparação por aqueles que não O amam, que são ingratos para com o seu Salvador.
Ó meu Deus, estou consciente da minha missão na Santa Igreja.
O meu constante esforço deve ser a oração para alcançar a misericórdia para o mundo.
Uno-me intimamente a Jesus e coloco-me diante d’ Ele, como oferenda suplicante para o mundo. Deus não me recusará nada se o pedir pela voz de seu Filho. (…)
Fazei de mim, ó Jesus, uma oferenda agradável e pura diante da Face do Pai.
Jesus, transformai-me em Vós, porque tudo podeis, e devolvei-me ao vosso eterno Pai.
Desejo tornar-me uma hóstia expiatória diante de Vós e dos homens.
Desejo que o perfume da minha oferenda seja unicamente conhecida de Vós.»


Santa Faustina

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Encontrei o meu lugar na Igreja

«Compreendi que se a Igreja tinha um corpo, composto por membros diferentes, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos, compreendi que a Igreja tinha Coração, e que este Coração era ardente de amor. Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja, que se o amor viesse a extinguir-se, os Apóstolos deixariam de anunciar o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar o sangue… Compreendi que o amor englobava todas as vocações, que o amor era tudo, que se estendia a todos os tempos e a todos os lugares… numa palavra, que era eterno!...


Então, no excesso da minha alegria delirante, exclamei: ó Jesus, meu Amor… a minha vocação, encontrei-a finalmente, a minha vocação, é o amor!... Sim, encontrei o meu lugar na Igreja e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós quem mo deu… no Coração da Igreja, minha Mãe, serei o Amor… assim terei tudo… assim será realizado o meu sonho!!!...»

Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face,
Virgem e Doutora da Igreja

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Igreja não precisa de críticos, mas de artistas...

«Desconfio da minha imaginação, da minha revolta; a indignação nunca salvou ninguém, mas arruinou provavelmente muitas almas, e todas as orgias de simonia na Roma do século XVI não teriam beneficiado o diabo se não tivessem conseguido este golpe único de atirar Lutero no desespero, e com esse monge indomável, dois terços da dolorosa cristandade.
Lutero e os seus desesperaram da Igreja, e quem desespera da Igreja, curiosamente, desespera do homem mais tarde ou mais cedo.
Vendo assim, o protestantismo parece-me um compromisso com o desespero ...
As gentes da Igreja teriam de bom grado tolerado que ele juntasse a sua voz a tantas outras vozes mais ilustres ou mais santas que nunca deixaram de denunciar estas desordens. A infelicidade de Martinho Lutero foi de pretender reformar...
Ora é um facto que não se reforma nada na Igreja por meios ordinários. Quem pretende reformar a Igreja com esses meios, pelos mesmos meios que reformam uma sociedade temporal, não só fracassa no seu empreendimento, como inevitavelmente acaba fora da Igreja... antes mesmo que alguém se preocupa em exclui-lo... torna-se seu inimigo quase inconscientemente. (…)
Não se reforma a Igreja senão sofrendo por ela,
não se reforma a Igreja visível senão sofrendo pela Igreja invisível.
Não se reforma os vícios da Igreja senão dando o exemplo das suas virtudes heróicas.
É possível que São Francisco de Assis não tenha sido menos revoltado do que Lutero pela libertinagem e a simonia dos prelados.
É uma certeza que ele sofreu mais cruelmente, devido à sua natureza bem diferente da do monge de Weimar.
Mas ele não desafiou a iniquidade… ele entregou-se à pobreza... em vez de tentar arrancar à Igreja os bens mal adquiridos, ele a cumulou de tesouros invisíveis, e sob a mão suave deste mendigo, o ouro e a luxúria começaram a florescer como um jardim de primavera...
A Igreja não precisa de críticos, mas de artistas...
A Igreja não precisa de reformadores, mas de santos.»


Georges Bernanos, escritor e jornalista francês
1888-1948

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quem a possui, possui um tesouro

«Tão grande é o valor da cruz, que quem a possui, possui um tesouro. E chamo a justamente tesouro, porque é na verdade, de nome e de facto, o mais precioso de todos os bens. Nela está a plenitude da nossa salvação e por ela regressamos à dignidade original.Com efeito, sem a cruz, Cristo não teria sido crucificado. Sem a cruz, a Vida não teria sido cravada no madeiro. E se a Vida não tivesse sido crucificada, não teriam brotado do seu lado aquelas fontes de imortalidade, o sangue e a água, que purificam o mundo; não teria sido rasgada a sentença de condenação escrita pelo nosso pecado, não teríamos alcançado a liberdade, não poderíamos saborear o fruto da árvore da vida, não estaria aberto para nós o Paraíso. Sem a cruz, não teria sido vencida a morte, nem espoliado o inferno.Verdadeiramente grande e preciosa realidade é a santa cruz! (…)
A cruz é a glória de Cristo e a exaltação de Cristo. A cruz é o cálice precioso da paixão de Cristo, é a síntese de tudo quanto Ele sofreu por nós. (…)
E para saberes que a cruz é também a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando Eu for exaltado, então atrairei todos a Mim. Como vês, a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.»


Santo André de Creta, bispo



Crux ave benedicta
Per te mors est devicta,
In te pependit Deus,
Rex et Salvator meus.


Salve ó Cruz bendita!
Por ti a morte foi vencida,
Sobre ti foi suspenso o meu Deus,
O meu Rei e o meu Salvador.

sábado, 12 de setembro de 2009

Olha para a Estrela, chama por Maria

«Está escrito: "e o nome da virgem era Maria" (Lc 1,27).
Falemos ainda um pouco desse nome que é interpretado como: "Estrela do Mar", e que tão bem convém à Virgem Maria. (…)
Se em ti surgirem os ventos das tentações, se navegares no meio das provações, olha para a Estrela, chama por Maria.
Se te agitarem as ondas da insolência e da ambição, da difamação ou do ciúme, olha para a Estrela, chama por Maria.
Se a ira, a ganância ou a concupiscência da carne sacudirem o barco da tua alma, olha para Maria.


Se, inquieto com a fealdade de teus crimes, confuso com a corrupção de tua consciência, aterrorizado pelo temor do juízo, começares a afundar no abismo da tristeza, no abismo do desespero, pensa em Maria.
No perigo, na angústia, na incerteza, invoca Maria, pensa em Maria.
Que esse doce nome nunca se aparte de tua boca, de teu coração… mas para participares da graça que ele contém, não te esqueças dos exemplos que ele recorda.
Seguindo a Maria, não se é desviado;
rezando a Maria, não se teme o desespero;
pensando em Maria, não se erra;
se ela te segurar pela mão, não cairás;
se ela te proteger, nada temerás;
se ela te guiar, não te cansarás;
e se ela te for favorável, conseguirás,
e entenderás por experiência própria porque está escrito: "e o nome da virgem era Maria "(Lc 1,27)


Sermão de São Bernardo de Claraval