quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Encontrei o meu lugar na Igreja

«Compreendi que se a Igreja tinha um corpo, composto por membros diferentes, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos, compreendi que a Igreja tinha Coração, e que este Coração era ardente de amor. Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja, que se o amor viesse a extinguir-se, os Apóstolos deixariam de anunciar o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar o sangue… Compreendi que o amor englobava todas as vocações, que o amor era tudo, que se estendia a todos os tempos e a todos os lugares… numa palavra, que era eterno!...


Então, no excesso da minha alegria delirante, exclamei: ó Jesus, meu Amor… a minha vocação, encontrei-a finalmente, a minha vocação, é o amor!... Sim, encontrei o meu lugar na Igreja e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós quem mo deu… no Coração da Igreja, minha Mãe, serei o Amor… assim terei tudo… assim será realizado o meu sonho!!!...»

Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face,
Virgem e Doutora da Igreja

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Igreja não precisa de críticos, mas de artistas...

«Desconfio da minha imaginação, da minha revolta; a indignação nunca salvou ninguém, mas arruinou provavelmente muitas almas, e todas as orgias de simonia na Roma do século XVI não teriam beneficiado o diabo se não tivessem conseguido este golpe único de atirar Lutero no desespero, e com esse monge indomável, dois terços da dolorosa cristandade.
Lutero e os seus desesperaram da Igreja, e quem desespera da Igreja, curiosamente, desespera do homem mais tarde ou mais cedo.
Vendo assim, o protestantismo parece-me um compromisso com o desespero ...
As gentes da Igreja teriam de bom grado tolerado que ele juntasse a sua voz a tantas outras vozes mais ilustres ou mais santas que nunca deixaram de denunciar estas desordens. A infelicidade de Martinho Lutero foi de pretender reformar...
Ora é um facto que não se reforma nada na Igreja por meios ordinários. Quem pretende reformar a Igreja com esses meios, pelos mesmos meios que reformam uma sociedade temporal, não só fracassa no seu empreendimento, como inevitavelmente acaba fora da Igreja... antes mesmo que alguém se preocupa em exclui-lo... torna-se seu inimigo quase inconscientemente. (…)
Não se reforma a Igreja senão sofrendo por ela,
não se reforma a Igreja visível senão sofrendo pela Igreja invisível.
Não se reforma os vícios da Igreja senão dando o exemplo das suas virtudes heróicas.
É possível que São Francisco de Assis não tenha sido menos revoltado do que Lutero pela libertinagem e a simonia dos prelados.
É uma certeza que ele sofreu mais cruelmente, devido à sua natureza bem diferente da do monge de Weimar.
Mas ele não desafiou a iniquidade… ele entregou-se à pobreza... em vez de tentar arrancar à Igreja os bens mal adquiridos, ele a cumulou de tesouros invisíveis, e sob a mão suave deste mendigo, o ouro e a luxúria começaram a florescer como um jardim de primavera...
A Igreja não precisa de críticos, mas de artistas...
A Igreja não precisa de reformadores, mas de santos.»


Georges Bernanos, escritor e jornalista francês
1888-1948

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quem a possui, possui um tesouro

«Tão grande é o valor da cruz, que quem a possui, possui um tesouro. E chamo a justamente tesouro, porque é na verdade, de nome e de facto, o mais precioso de todos os bens. Nela está a plenitude da nossa salvação e por ela regressamos à dignidade original.Com efeito, sem a cruz, Cristo não teria sido crucificado. Sem a cruz, a Vida não teria sido cravada no madeiro. E se a Vida não tivesse sido crucificada, não teriam brotado do seu lado aquelas fontes de imortalidade, o sangue e a água, que purificam o mundo; não teria sido rasgada a sentença de condenação escrita pelo nosso pecado, não teríamos alcançado a liberdade, não poderíamos saborear o fruto da árvore da vida, não estaria aberto para nós o Paraíso. Sem a cruz, não teria sido vencida a morte, nem espoliado o inferno.Verdadeiramente grande e preciosa realidade é a santa cruz! (…)
A cruz é a glória de Cristo e a exaltação de Cristo. A cruz é o cálice precioso da paixão de Cristo, é a síntese de tudo quanto Ele sofreu por nós. (…)
E para saberes que a cruz é também a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando Eu for exaltado, então atrairei todos a Mim. Como vês, a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.»


Santo André de Creta, bispo



Crux ave benedicta
Per te mors est devicta,
In te pependit Deus,
Rex et Salvator meus.


Salve ó Cruz bendita!
Por ti a morte foi vencida,
Sobre ti foi suspenso o meu Deus,
O meu Rei e o meu Salvador.

sábado, 12 de setembro de 2009

Olha para a Estrela, chama por Maria

«Está escrito: "e o nome da virgem era Maria" (Lc 1,27).
Falemos ainda um pouco desse nome que é interpretado como: "Estrela do Mar", e que tão bem convém à Virgem Maria. (…)
Se em ti surgirem os ventos das tentações, se navegares no meio das provações, olha para a Estrela, chama por Maria.
Se te agitarem as ondas da insolência e da ambição, da difamação ou do ciúme, olha para a Estrela, chama por Maria.
Se a ira, a ganância ou a concupiscência da carne sacudirem o barco da tua alma, olha para Maria.


Se, inquieto com a fealdade de teus crimes, confuso com a corrupção de tua consciência, aterrorizado pelo temor do juízo, começares a afundar no abismo da tristeza, no abismo do desespero, pensa em Maria.
No perigo, na angústia, na incerteza, invoca Maria, pensa em Maria.
Que esse doce nome nunca se aparte de tua boca, de teu coração… mas para participares da graça que ele contém, não te esqueças dos exemplos que ele recorda.
Seguindo a Maria, não se é desviado;
rezando a Maria, não se teme o desespero;
pensando em Maria, não se erra;
se ela te segurar pela mão, não cairás;
se ela te proteger, nada temerás;
se ela te guiar, não te cansarás;
e se ela te for favorável, conseguirás,
e entenderás por experiência própria porque está escrito: "e o nome da virgem era Maria "(Lc 1,27)


Sermão de São Bernardo de Claraval

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

“Também vós quereis ir embora?”

«Escandalizados pelas palavras do Senhor, (…) muitos, depois de tê-lo seguido exclamam: “Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?”.
E a partir daquele momento, “muitos dos discípulos afastaram-se e já não mais andavam com Ele”.
Jesus, no entanto, não modera as suas afirmações; mas pelo contrário dirige-se directamente aos doze, dizendo: “Também vós quereis ir embora?”.
Esta pergunta provocadora não se dirige somente aos ouvintes da altura, mas é dirigida aos crentes e aos homens de todas as épocas.
Também hoje, não são poucos aqueles que ficam escandalizados diante do paradoxo da fé cristã. O ensinamento de Jesus parece duro, demasiado difícil de acolher e de pôr em prática. Há então quem o recusa e abandona Cristo; há quem tenta adaptar a sua palavra às modas do tempo desnaturando-lhe o sentido e o valor.
“Também vós quereis ir embora?”
Esta inquietante provocação ressoa no nosso coração e espera de cada um uma resposta pessoal.
Jesus não se conforma com uma pertença superficial e formal, não lhe é suficiente a adesão inicial entusiasta. É necessário, ao contrário, partilhar durante toda a vida do seu pensamento e do seu querer. Segui-lo enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas comporta dificuldades e renúncias, pois com muita frequência é preciso nadar contra a corrente.
“Também vós quereis ir embora?”
À pergunta de Jesus, Pedro responde em nome dos apóstolos: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus”.»



Bento XVI, Angelus 23/08/2009

sábado, 15 de agosto de 2009

A Vida em pessoa não a recusou

A Assunção é o coroar da vida daquela que chamamos Mãe de Deus, porque ela é de facto Mãe de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Ele também se elevou ao céu, no entanto, uma distinção importante existe entre a Ascensão de Cristo e a Assunção de Maria.
Enquanto Jesus subiu pelo seu próprio poder, a Virgem Maria foi elevada ao céu pelo poder divino. Estamos aqui, como na Ascensão do Senhor, diante de um mistério.
O nosso entendimento bloqueia, só podemos simplesmente afirmar:
Maria, no final da sua vida terrena, entrou na glória de seu Filho.
Ela entrou em corpo e alma.
Toda a sua humanidade - uma alma separada do corpo não é um ser humano completo - foi glorificada.
Ela está noutra dimensão da existência que nos é actualmente inacessível.
Neste mistério da Assunção fazem todo o sentido as palavras que ela proferiu no seu cântico de acção de graças, o “Magnificat”: “O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas... Ele levanta os humildes”.
Como Maria, mulher de nossa raça, estamos destinados à mesma glória.



«Hoje, a Arca santa e animada do Deus vivo, que concebeu o seu Criador, repousa no templo do Senhor, que não foi construído pela mão do homem.
O seu pai David exulta, e com ele, os Anjos fazem coro: os Arcanjos a celebram, as Virtudes a glorificam, os Principados a exaltam, os Poderes se alegram, os Tronos a enaltecem, os Querubins a louvam, os Serafins proclamam a sua glória.
Hoje, o Éden recebe o paraíso espiritual do novo Adão, onde a nossa condenação foi revogada. A árvore da vida foi plantada, a nossa nudez foi restituída.
Hoje, a Virgem Imaculada, que não foi manchada por nenhuma paixão terrena, mas formada no pensamento celeste, não foi devolvida à terra, mas colocada viva nas mansões celestes. Como poderia estar sujeita à morte aquela que foi para todos a fonte da verdadeira vida? Embora tenha sido sujeito à lei estabelecida pelo seu próprio Filho, como filha do velho Adão, ela enfrenta a velha condenação. O seu Filho, que é a Vida em pessoa, não a recusou, mas como Mãe do Deus vivo, foi apenas elevada ao seu lado.»


Sermão de São João Damasceno sobre a Dormição da Bem-aventurada Virgem Maria

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Se tivéssemos os olhos dos Anjos

«Se tivéssemos os olhos dos Anjos, olhando Nosso Senhor presente aqui no altar que olha para nós, como O amaríamos! Não quereríamos mais deixá-l’O, mas antes permanecer a seus pés; seria um antegosto do Céu; tudo se tornaria insípido. Mas a fé nos falta. Somos cegos miseráveis com névoa diante dos olhos. Só a fé poderia dissipar esta névoa.»

«Nosso Senhor está aí como vítima. Uma oração muito agradável a Deus é pedir à Santíssima Virgem de oferecer ao Pai Eterno o seu divino Filho, ensanguentado e ferido pela conversão dos pecadores que somos. É a melhor oração que podemos fazer porque todas as orações são feitas em nome e pelos méritos infinitos de Jesus Cristo. Todas as vezes que alcancei uma graça, pedi-a desta forma, nunca foi declinada.»

«Quando comungardes, deveis ter sempre uma intenção, e na hora de receber o Corpo de Nosso Senhor, dizer:
“Ó meu bom Pai que estais nos céus,
ofereço-Vos agora o vosso Filho,
tal como foi retirado e descido da Cruz,
depositado nos braços da Santíssima Virgem,
e que ela Vos ofereceu em sacrifício por nós.
Ofereço-Vos o seu Santíssimo Corpo,
por intercessão de sua Santíssima Mãe,
pedindo-Vos a remissão dos meus pecados,
para fazer um boa comunhão,
e alcançar a graça… (da fé, da caridade, da humildade)”.»


S. João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars