quarta-feira, 26 de agosto de 2009

“Também vós quereis ir embora?”

«Escandalizados pelas palavras do Senhor, (…) muitos, depois de tê-lo seguido exclamam: “Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?”.
E a partir daquele momento, “muitos dos discípulos afastaram-se e já não mais andavam com Ele”.
Jesus, no entanto, não modera as suas afirmações; mas pelo contrário dirige-se directamente aos doze, dizendo: “Também vós quereis ir embora?”.
Esta pergunta provocadora não se dirige somente aos ouvintes da altura, mas é dirigida aos crentes e aos homens de todas as épocas.
Também hoje, não são poucos aqueles que ficam escandalizados diante do paradoxo da fé cristã. O ensinamento de Jesus parece duro, demasiado difícil de acolher e de pôr em prática. Há então quem o recusa e abandona Cristo; há quem tenta adaptar a sua palavra às modas do tempo desnaturando-lhe o sentido e o valor.
“Também vós quereis ir embora?”
Esta inquietante provocação ressoa no nosso coração e espera de cada um uma resposta pessoal.
Jesus não se conforma com uma pertença superficial e formal, não lhe é suficiente a adesão inicial entusiasta. É necessário, ao contrário, partilhar durante toda a vida do seu pensamento e do seu querer. Segui-lo enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas comporta dificuldades e renúncias, pois com muita frequência é preciso nadar contra a corrente.
“Também vós quereis ir embora?”
À pergunta de Jesus, Pedro responde em nome dos apóstolos: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus”.»



Bento XVI, Angelus 23/08/2009

sábado, 15 de agosto de 2009

A Vida em pessoa não a recusou

A Assunção é o coroar da vida daquela que chamamos Mãe de Deus, porque ela é de facto Mãe de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Ele também se elevou ao céu, no entanto, uma distinção importante existe entre a Ascensão de Cristo e a Assunção de Maria.
Enquanto Jesus subiu pelo seu próprio poder, a Virgem Maria foi elevada ao céu pelo poder divino. Estamos aqui, como na Ascensão do Senhor, diante de um mistério.
O nosso entendimento bloqueia, só podemos simplesmente afirmar:
Maria, no final da sua vida terrena, entrou na glória de seu Filho.
Ela entrou em corpo e alma.
Toda a sua humanidade - uma alma separada do corpo não é um ser humano completo - foi glorificada.
Ela está noutra dimensão da existência que nos é actualmente inacessível.
Neste mistério da Assunção fazem todo o sentido as palavras que ela proferiu no seu cântico de acção de graças, o “Magnificat”: “O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas... Ele levanta os humildes”.
Como Maria, mulher de nossa raça, estamos destinados à mesma glória.



«Hoje, a Arca santa e animada do Deus vivo, que concebeu o seu Criador, repousa no templo do Senhor, que não foi construído pela mão do homem.
O seu pai David exulta, e com ele, os Anjos fazem coro: os Arcanjos a celebram, as Virtudes a glorificam, os Principados a exaltam, os Poderes se alegram, os Tronos a enaltecem, os Querubins a louvam, os Serafins proclamam a sua glória.
Hoje, o Éden recebe o paraíso espiritual do novo Adão, onde a nossa condenação foi revogada. A árvore da vida foi plantada, a nossa nudez foi restituída.
Hoje, a Virgem Imaculada, que não foi manchada por nenhuma paixão terrena, mas formada no pensamento celeste, não foi devolvida à terra, mas colocada viva nas mansões celestes. Como poderia estar sujeita à morte aquela que foi para todos a fonte da verdadeira vida? Embora tenha sido sujeito à lei estabelecida pelo seu próprio Filho, como filha do velho Adão, ela enfrenta a velha condenação. O seu Filho, que é a Vida em pessoa, não a recusou, mas como Mãe do Deus vivo, foi apenas elevada ao seu lado.»


Sermão de São João Damasceno sobre a Dormição da Bem-aventurada Virgem Maria

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Se tivéssemos os olhos dos Anjos

«Se tivéssemos os olhos dos Anjos, olhando Nosso Senhor presente aqui no altar que olha para nós, como O amaríamos! Não quereríamos mais deixá-l’O, mas antes permanecer a seus pés; seria um antegosto do Céu; tudo se tornaria insípido. Mas a fé nos falta. Somos cegos miseráveis com névoa diante dos olhos. Só a fé poderia dissipar esta névoa.»

«Nosso Senhor está aí como vítima. Uma oração muito agradável a Deus é pedir à Santíssima Virgem de oferecer ao Pai Eterno o seu divino Filho, ensanguentado e ferido pela conversão dos pecadores que somos. É a melhor oração que podemos fazer porque todas as orações são feitas em nome e pelos méritos infinitos de Jesus Cristo. Todas as vezes que alcancei uma graça, pedi-a desta forma, nunca foi declinada.»

«Quando comungardes, deveis ter sempre uma intenção, e na hora de receber o Corpo de Nosso Senhor, dizer:
“Ó meu bom Pai que estais nos céus,
ofereço-Vos agora o vosso Filho,
tal como foi retirado e descido da Cruz,
depositado nos braços da Santíssima Virgem,
e que ela Vos ofereceu em sacrifício por nós.
Ofereço-Vos o seu Santíssimo Corpo,
por intercessão de sua Santíssima Mãe,
pedindo-Vos a remissão dos meus pecados,
para fazer um boa comunhão,
e alcançar a graça… (da fé, da caridade, da humildade)”.»


S. João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Perda do sentido da adoração... do sentido do mistério

«Os erros actuais sobre a Eucaristia derivam todos do Protestantismo.
Culminam no Modernismo que esvazia os mistérios da fé católica do seu conteúdo sobrenatural. Os sacramentos tornam-se meros símbolos que são usados para uma experiência religiosa pessoal.
Na perspectiva modernista, a presença de Jesus Cristo na Eucaristia não é real, no sentido de que contém o seu verdadeiro Corpo e o seu verdadeiro Sangue. Apenas o corpo e sangue de Cristo estão simbolizados. Na Missa, não ocorre a transubstanciação, mas sim uma “trans-simbolização”.
O Papa João Paulo II deplorou uma significativa perda do sentido da adoração entre o Povo de Deus. E se muitos fiéis perderam o sentido da adoração, é porque muitos perderam o próprio sentido de Deus e, portanto, o sentido do mistério.
Nos nossos dias, pretende-se compreender e explicar tudo, e como é impossível para o nosso raciocínio entender um mistério tão elevado como o da Eucaristia, só se fica pelo aspecto simbólico.
A fé na presença real de Cristo na Eucaristia, que se manifesta pelo respeito e a devoção ao Santíssimo Sacramento, está em declínio na Igreja Católica. Muitos crentes parecem não estar conscientes de que Jesus está presente na Eucaristia com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, e que aproximar-se da Eucaristia é aproximar-se do Deus três vezes santo.
Os sinais desta falta de consciência sobre a grandeza do Mistério Eucarístico toca tanto o aspecto exterior e interior dos fiéis.



Que a disposição interior de muitos comungantes seja deficiente, é fácil avaliá-lo quando se conhece a situação e estilo de vida de muitos deles. Isto não é julgar as pessoas, mas apenas fazer uma constatação, com base em informações objectivas. A fé, tal como a Igreja a entende, e o estado de graça não permanecem absolutamente necessários para receber dignamente a comunhão do Corpo e Sangue de Cristo?
No que toca à disposição exterior é óbvio a falta de respeito com que muitos se aproximam da Santíssima Eucaristia.
Será sempre verdade que a maior devoção da Igreja se reflecte no respeito à Eucaristia. Dar a Deus três vezes santo o respeito que Lhe é devido, é o que o o doutor subtil (Beato João Duns Escoto) via na presença real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento quando escreveu estas palavras notáveis: "Toda a devoção que há na Igreja consiste no respeito para com este sacramento”.»


Pe. J.Real Bleau (adaptação de um artigo)



Santíssima Trindade,
Pai, Filho, Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo,
Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo,
presente em todos os sacrários da terra,
em reparação dos ultrajes,
sacrilégios e indiferenças
com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração
e do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

Oração ensinada pelo Anjo aos Pastorinhos de Fátima

terça-feira, 21 de julho de 2009

Comunhão na boca e Gripe A

« Compreende-se que a Comissão Nacional da Pastoral da Saúde queira colaborar, dando conselhos e orientações úteis para a colaboração dos cristãos no esforço nacional de prevenção. Mas não lhe compete alterar ritos nem dar normas de alterações das regras da Liturgia.(…)
No momento actual do processo, considero não haver ainda necessidade de alterar regras litúrgicas e modos de celebrar. A Liturgia se for celebrada com qualidade e rigor, garante, ela própria, os cuidados necessários. É o caso, por exemplo, da saudação da paz que se for feita com a qualidade litúrgica, não constitui, normalmente, um risco acrescido.
Na actual disciplina litúrgica, os fiéis podem optar por receber a sagrada comunhão na mão. Mas não podem ser forçados a fazê-lo. Se houver cuidado do ministro que distribui a comunhão e de quem a recebe, mais uma vez fazendo as coisas com dignidade, a comunhão pode ser distribuída na boca sem haver contacto físico.
Se as condições da "pandemia" se agravarem, poderemos estudar novas atitudes concretas, na instância canónica própria a quem compete decisões dessa natureza: o Bispo Diocesano, na sua Diocese, a Conferência Episcopal Portuguesa para todo o País, sempre em diálogo com o Santo Padre e os respectivos serviços da Santa Sé


Cardeal-Patriarca José Policarpo
Lisboa, 17 de Julho de 2009



Dubium (dúvida):
«Nas dioceses onde é possível distribuir a comunhão na mão dos fiéis, o sacerdote ou o ministro extraordinário da Sagrada Eucaristia pode exigir aos comungantes receber a comunhão na mão e não na boca?»
Responsa (resposta):
«Sobressai claramente nos documentos da Santa Sé, que nas dioceses onde o pão eucarístico é colocado nas mãos dos fiéis, permanece o direito de recebê-lo na boca. Aqueles que exigem aos comungantes receber a Sagrada Comunhão na mão, tal como aqueles que negam aos fiéis receber a comunhão na mão nas dioceses onde é autorizado, estão a agir contra a norma. De acordo com as regras relativas à distribuição da Sagrada Comunhão, os ministros ordinários (sacerdotes) e extraordinárias (leigos) devem estar atentos a que os fiéis consumam imediatamente a hóstia, a fim de que ninguém sai com as espécies eucarísticas na mão.
Que todos se recordem que a tradição secular é receber a hóstia na boca.
Que o sacerdote celebrante, em caso de perigo de sacrilégio, não dê a comunhão na mão dos fiéis, e os informe sobre as razões que o levem a fazê-lo.»


Resposta da Congregação para o Culto Divino
a uma pergunta sobre a “comunhão na mão”
“Notitiae” Março-Abril 1999, boletim oficial da Congregação

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Fé adulta

«A expressão "fé adulta", nas últimas décadas, tornou-se um slogan difundido. Ouvimo-lo com frequência no sentido da atitude de quem já não dá ouvidos à Igreja e aos seus Pastores, mas escolhe autonomamente aquilo em que quer acreditar ou não portanto, uma fé "ad hoc" (que mais lhe convém). E é apresentada como "coragem" de se expressar contra o Magistério da Igreja.
Na realidade, todavia, para isto não é necessária coragem, porque se pode ter sempre a certeza do aplauso público. Pelo contrário, é necessária coragem para aderir à fé da Igreja, não obstante ela contradiga o "esquema" do mundo contemporâneo. (…)
A fé adulta não se deixa transportar aqui e ali por qualquer corrente. Ela opõe-se aos ventos da moda. Sabe que estes ventos não constituem o sopro do Espírito Santo; sabe que o Espírito de Deus se expressa e se manifesta na comunhão com Jesus Cristo.(…)
O poder da fé, o poder de Deus é a verdade. A verdade sobre o mundo e sobre nós mesmos torna-se visível, quando olhamos para Deus.»


Bento XVI, 28/06/2009


Meu Deus,
creio firmemente tudo o que Vós revelastes
e a Santa Igreja Católica nos ensina,
porque não podeis enganar-Vos,
nem enganar-nos.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Permaneço na Igreja

«Permaneço na Igreja, porque acredito que hoje como ontem, na nossa Igreja, vive, intangível, a sua Igreja, porque acho que não posso estar com Ele senão com e na sua Igreja.
Estou na Igreja porque apesar de tudo, penso que ela não é essencialmente nossa Igreja, mas a sua Igreja.
Concretamente, é a Igreja, embora sujeita às imperfeições humanas, que nos dá Jesus Cristo e que só por meio dela podemos acolhê-l’O como uma realidade viva e poderosa, que nos desafia e enche aqui e agora.
Tal como escreveu Henri de Lubac:
"Saberão aqueles que, ainda aceitando Jesus, rejeitam a Igreja, que é a ela que o devem?
Jesus é nossa vida, mas em que areia movediça estaria, não tanto o seu nome e sua recordação, mas a sua influência viva, o efeito do Evangelho e da fé na sua Pessoa divina, sem a continuidade visível da Igreja?
Sem a Igreja, Cristo se desvaneceria, desaparecia, extinguir-se-ia.
E o que seria a Igreja se Cristo lhe seria retirado?

Esta constatação elementar não nos deve deixar.
Independentemente do número das infidelidades que a Igreja tem e pode ter,
como é verdade que ela deve seguir constantemente a Cristo,
e que não há antinomia entre a Igreja e Cristo,
é por meio da Igreja que, para além da distância histórica,
Ele continua vivo, fala, está perto de nós, como Mestre e Senhor.
E, enquanto a Igreja, e só ela, nos dá Jesus Cristo,
e assegura a sua presença viva no mundo,
dando-O na fé e na oração dos homens,
ela dá à humanidade uma luz, um penhor,
um exemplo, sem a qual ela jamais seria concebível.
Quem deseja a presença de Jesus Cristo na humanidade não pode encontra-la contra a Igreja, mas apenas nela.
A fé é eclesial ou não é.»


Cardeal Ratzinger (Bento XVI)




Tu es Petrus, et super hanc Petram aedificabo Ecclesiam meam,
Et portae inferi non praevalebunt adversus eam :
Et tibi dabo claves regni coelorum :
Et quodcumque ligaveris super terram, erit ligatum et in coelis,
Et quodcumque solveris super terram, erit solutum et in coelis.


Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja,
E as portas do inferno não prevalecerão contra ela:
Dar-te-ei as chaves do reino dos céus,
E tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus,
E tudo o que será desligado na terra, será desligado nos céus.

Mt 16, 18-19

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Porque um Ano Sacerdotal?

«Na sexta-feira passada, 19 de Junho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e dia tradicionalmente dedicado à oração pela santificação dos sacerdotes, tive a alegria de inaugurar o Ano Sacerdotal, proclamado por ocasião do 150º aniversário do “nascimento ao Céu” do cura d’Ars, São João Maria Baptista Vianney. (…)
Porque um Ano Sacerdotal?
Porque precisamente na recordação do santo cura d’Ars, que aparentemente não fez nada de extraordinário? (…)

O objectivo deste Ano Sacerdotal, como escrevi na carta enviada aos sacerdotes para esta ocasião, consiste em renovar em cada presbítero a aspiração “à perfeição espiritual, motor de eficácia de seu ministério”, ajudar os sacerdotes e, com eles, todo o Povo de Deus, a redescobrir e revigorar a consciência do extraordinário e indispensável dom da Graça que o ministério ordenado representa para quem o recebeu, para toda Igreja e para o mundo, que sem a presença real de Cristo, estaria perdido. (…)

“Alter Christus”, o sacerdote está profundamente unido ao Verbo do Pai, que ao encarnar-se, tomou a forma de servo, fez-se servo.
O sacerdote é servo de Cristo, no sentido de que a sua existência, configurada ontologicamente com Cristo, assume um carácter essencialmente relacional: ele está em Cristo, para Cristo e com Cristo ao serviço dos homens.
Precisamente porque pertence a Cristo, o sacerdote está radicalmente ao serviço do homem: ele é ministro de sua salvação, de sua felicidade, de sua autêntica libertação, amadurecendo, nesta assunção progressiva da vontade de Cristo, na oração, “num coração a coração” com Ele.»



Bento XVI,
Audiência Geral 24/06/2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Criado para amar

Ó adorável Coração de Jesus, Coração apaixonado pelos homens, Coração criado especificamente para amar os homens, como é possível encontrar entre os homens, tão pouca correspondência e tanto desprezo?
Ai! Também eu tenho sido um destes ingratos, não soube amar-Vos!
Dai-me a graça de Vos amar.
Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração?
Sim, ó meu Deus, é vossa vontade que eu Vos ame, e é minha vontade amar-Vos.
O que estou eu a dizer?
Quero que o meu coração ame um Deus que me amou tanto.
Ó amor de Jesus, Vós sois o meu amor.
Ó Coração ardente de Jesus, abrasai também o meu coração.
Não permitais que eu viva, ainda que fosse um instante, privado do vosso amor!
O vosso sangue, derramado por mim, me dá a esperança de que eu Vos amarei sempre, que me amareis sempre, e que esse amor entre nós será sempre indissolúvel.
Ó Maria, Mãe do belo amor, que desejais tanto que o vosso Jesus seja amado; prendei-me intimamente ao vosso Filho, tão intimamente que não tenha mais a infelicidade de me separar d’ Ele.

da Novena ao Sagrado Coração de Jesus,
de S. Afonso de Ligório



Eu Vos amo, ó meu Deus, e o meu único desejo é amar-Vos até ao último suspiro da minha vida.
Eu Vos amo, ó Deus infinitamente amável, e preferiria morrer amando-Vos, do que viver um só instante sem Vos amar.
Eu Vos amo, ó meu Deus, e não desejo o céu senão para ter a felicidade de Vos amar perfeitamente.
Eu Vos amo, ó meu Deus, e temo o inferno porque nunca haverá lá a doce consolação de Vos amar.
Ó meu Deus, se a minha língua não pode dizer a toda a hora que eu Vos amo, desejo que pelo menos o meu coração Vo-l’O repita tantas vezes quanto eu respiro.
Ah, dai-me a graça de sofrer amando-Vos, de Vos amar sofrendo, e de morrer amando-Vos.
E quanto mais se aproxima o meu fim, mais Vos imploro de aumentar o meu amor e de o aperfeiçoar.
Assim seja.

São João Maria Vianney, o Santo Cura d'Ars

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Jesus escondido

Como não me alegrar com a coincidência das datas…hoje a Igreja celebra a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, e também hoje, o pastorinho Francisco Marto, a quem Nossa Senhora apareceu em 1917, faz anos!
E escrevo “faz” e não “faria”…porque “para os que crêem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma, e desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna.” (da Liturgia)
“Jesus escondido”…era a expressão com que os Pastorinhos designavam o Santíssimo Sacramento da Eucaristia: o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo.
Francisco gostava de passar horas esquecidas junto do Sacrário em colóquio com Jesus.
Quando, com a sua prima Lúcia, se dirigia para a escola recomendava-lhe:
«Olha, tu, vai à escola. Eu fico aqui na Igreja, junto de Jesus escondido. Não me vale a pena aprender a ler; daqui a pouco vou para o Céu. Quando voltares, vem por cá chamar-me.» E no regresso, ali o encontrava em recolhida oração.
Doente, o pequeno Francisco dizia à Lúcia:
«Olha, vai à Igreja e dá muitas saudades minhas a Jesus escondido. Do que tenho mais pena é de não poder já ir a estar uns bocados com Jesus escondido.»
Com que ansiedade o Francisco esperou o momento da sua primeira comunhão.
Acamado e gravemente debilitado, tentou erguer-se para se sentar na cama, mas não conseguiu. Momentos depois, o Senhor Sacramentado descia à sua alma, e o Francisco quedou-se em contemplação a consolar o divino Hóspede.
Depois de comungar, disse para sua irmãzinha Jacinta:
«Hoje sou mais feliz do que tu, porque tenho dentro do meu peito a Jesus escondido!»
Esta comunhão com Deus, já o Francisco a tinha experimentado em 1916, nas aparições do Anjo que lhe dera a beber do Sangue do cálice que trazia.
«- A mim e à Jacinta, que foi que Ele nos deu?
- Foi também a Sagrada Comunhão, respondeu Jacinta.
- Eu sentia que Deus estava em mim, mas não sabia como era! respondeu Francisco.
E prostrando-se por terra, permaneceu por largo tempo, com a sua irmã, repetindo a oração do Anjo: “Santíssima Trindade…”»
Saibamos todos olhar para o pequeno Francisco de Fátima…grande apaixonado e consolador de Jesus escondido…e imitemo-lo!

domingo, 7 de junho de 2009

Eis a nossa morada donde nunca devemos sair

«Parece-me que encontrei o meu Céu na terra, porque o Céu é Deus, e Deus é a minha alma.»

«Deixo-te a minha devoção pelos Três, pelo “Amor”.
Vive, no interior, com Eles no céu da tua alma; o Pai te cobrirá com a sua sombra, colocando como que uma nuvem entre ti e as coisas terrenas para te guardar toda sua, Ele há-de comunicar-te o poder para que o ames com um amor forte como a morte; o Verbo há-de se imprimir na tua alma, como num cristal, a imagem da sua própria beleza, para que sejas pura da pureza dele, luminosa, da sua luz; o Espírito Santo virá transformar-te numa lira misteriosa que, no silêncio, sob o toque divino, há-de produzir um magnífico cântico ao Amor; então serás “o louvor da sua glória”, o que eu tinha sonhado ser na terra.
És tu quem me substituirás; eu, eu serei “Laudem gloriae” perante o trono do Cordeiro, e tu “Laudem gloriae” no centro da tua alma.»

«A Trindade, eis a nossa morada, o nosso “lar”, a casa paterna donde nunca devemos sair.»


Beata Isabel da Trindade,
Obras completas

domingo, 31 de maio de 2009

Como crianças que procuram a proximidade de seus pais

Com a Solenidade de Pentecostes termina o Tempo Pascal.
O tempo para o encontro com o Ressuscitado não é de uma única época do ano, pois podemos encontrá-l'O todos os dias na Eucaristia, quando adoramos a sua presença viva neste “tão grande sacramento”.
Nós também, como os discípulos de Emaús, reconhecemos o Senhor na “fracção do pão”, pela acção do Espírito Santo nos nossos corações.
Mais se acredita em Jesus, mais o seu Espírito cativa a nossa existência, mais a sua inspiração enche o nosso pensamento, mais o seu amor nos leva a agir.
Sem o Espírito, não se pode fazer nada de sobrenatural, ou mesmo rezar, porque Ele é o único que eleva o nosso espírito e o nosso coração para Deus.




Tudo o que é verdadeiro na vida da Igreja e na vida de cada um, é reduzido à sua acção.
Não há nada que uma alma possa fazer em nome de Jesus, sem a cooperação do Espírito Santo.
Pensa-se muito pouco sobre a necessidade de o Espírito Santo na vida da Igreja e na nossa.
Recordamo-l’O apenas em momentos precisos, mas, na realidade, devíamos invoca-l’O ao longo do dia, como crianças que procuram a proximidade de seus pais para serem fortalecidos da sua força, tranquilizados pela sua presença.
É isso mesmo que a sequência do Pentecostes nos recorda: “Vinde Espírito Santo, vinde Pai dos pobres, vinde luz dos corações!”
Quem são estes pobres senão cada um de nós, rico de si mesmo, mas tão necessitado deste Espírito divino?

domingo, 24 de maio de 2009

Este santo dia luminoso

Hoje, «o nosso Salvador subiu aos céus: vamos, não nos abalemos nesta terra.
Que a nossa alma esteja onde Ele está, e desde já descansaremos.
Subamos de coração com Cristo, aguardando o dia prometido em que o seguiremos também de corpo. Mas deveis saber que nem o orgulho, nem a avareza e a luxúria, sobem com o nosso Médico.
Por isso, se queremos seguir o Médico na sua Ascensão, devemos deixar o fardo dos nossos erros e os nossos pecados…
Subamos com Ele e elevemos os nossos corações, enlaçados ao Senhor.
A Ressurreição do Senhor é a nossa esperança…a Ascensão do Senhor, a nossa glorificação!
Por isso celebremos a Ascensão do Senhor com rectidão, fidelidade, devoção, santidade e piedade, e subamos com Ele, elevando os nossos corações».



S. Agostinho, Sermão sobre a Ascensão






Optátus votis ómnium
Sacrátus illúxit dies,
Quo Christus, mundi spes,
Deus, Conscéndit cælos árduos.

Nunc, Christe, scandens ǽthera
Ad te cor nostrum súbleva,
Tuum Patrísque Spíritum
Emíttens nobis cǽlitus.



Proclamamos de viva voz
este santo dia luminoso,
em que Cristo Deus, esperança do mundo,
se eleva ao mais alto dos céus.

Para Vós, ó Cristo que agora ascendeis,
elevai os nossos corações,
e sobre nós derramai dos céus
o Espírito que é vosso e do Pai.


do Hino de Laudes
Optátus votis ómnium Sacrátus illúxit dies

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Felizes de imitar

A imitação é a mais delicada homenagem que podemos dar-lhe; é proclamar, não só com palavras, mas também com acções, que ela é um modelo perfeito de que estamos muito felizes de imitar.
Já dissemos como Maria, sendo uma cópia viva de seu Filho, é para nós o exemplo de todas as virtudes. Aproximar-nos dela é aproximar-nos de Jesus, por isso não podemos fazer melhor do que estudar as suas virtudes, meditá-las muitas vezes, e esforçar-nos em reproduzi-las. Para conseguir, devemos realizar todas e qualquer das nossas acções por Maria, com Maria e em Maria.
Por Maria, isto é, pedindo por meio dela as graças que necessitamos para imitá-la, indo por ela até Jesus, ad Jesum per Mariam.
Com Maria, ou seja, considerando-a o modelo e a colaboradora, perguntando-se muitas vezes: “O que Maria faria se estivesse no meu lugar?”, rezando-lhe humildemente para nos ajudar a conformar as nossas acções aos seus desejos.
Em Maria… depender desta boa mãe, entrar no seu parecer, nas suas intenções, fazendo as nossas acções, tal como ela, para glorificar a Deus: Magnificat anima mea Dominum.



Adolphe Tanquerey (1854-1932),
Padre, Professor e Doutor em Direito Canónico e Teologia Dogmática,
in Compêndio de Teologia Ascética e Mística

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Atender ao único necessário, ao inteiramente simples

«Através dos dois grandes sinais de Lurdes e de Fátima, ela está connosco, como Mãe de Misericórdia e nos exorta. Não precisa de muitas palavras, pois tudo está dito, naquela sua palavra essencial toda impregnada de solicitude materna: "fazei tudo o que Ele vos disser".
Devemos notar também que Maria falou aos pequeninos, aos menores, aos sem voz, aos que não contam neste mundo iluminado, cheio de orgulho de saber e de fé no progresso, o qual é, ao mesmo tempo, um mundo cheio de destruições, cheio de medo e cheio de desespero: porque, de facto, eles já não têm vinho, mas só água.
Ó quanto isto tem aplicação hoje!
Maria fala aos pequeninos, para nos mostrar o que é preciso saber, isto é, atender ao único necessário, ao inteiramente simples, ao que para todos é igualmente importante e igualmente possível: crer em Jesus Cristo, o bendito fruto do seu ventre.
Nós lhe agradecemos esta sua presença maternal e por nos falar, como Mãe clementíssima e misericordiosa, aqui neste lugar, e dum modo tão vivo e tão expressivo. E é, por isso, que, com toda a Igreja, louvando a Mãe de Deus e nossa Mãe celeste, com as palavras da "Salve Rainha, Mãe de Misericórdia", lhe pedimos:
"e depois deste desterro nos mostrai Jesus,
ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria".
Amen.»


Cardeal Ratzinger (Bento XVI),
13/10/1996, Fátima

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Como peregrino da paz!

«Caros amigos, nesta sexta-feira deixarei Roma para a minha Visita Apostólica à Jordânia, Israel e Territórios Palestinianos.
Nesta manhã, através da rádio e da televisão, gostaria de aproveitar a oportunidade para saudar todos os povos desses países. Estou ansioso por estar convosco, e partilhar as vossas aspirações e esperanças, sofrimentos e lutas.
Venho entre vós como peregrino da paz!
A minha primeira intenção é visitar os locais tornados santos pela vida de Jesus e, rezar neles pelo dom da paz, da unidade para as vossas famílias, e para todos quantos têm a Terra santa e o Médio Oriente como sua casa.
Entre os inúmeros encontros religiosos e civis, que se realizarão durante a semana, haverá uns com os representantes das comunidades judaica e muçulmana, com as quais se têm feito grandes progressos no diálogo e no intercâmbio cultural.
Saúdo com especial afecto os católicos da região, e peço-lhes para se juntarem a mim em oração, para que a visita seja fecunda para a vida espiritual e civil das pessoas que vivem na Terra Santa.
Louvemos todos a Deus pela sua bondade!
Possamos todos ser pessoas de esperança!
Possamos todos ser perseverantes no desejo e nos esforços para a paz!»



Bento XVI,
Audiência Geral 06/05/2009


A Terra Santa é como um quinto Evangelho disse Paulo VI.
Os locais onde Deus falou aos profetas e onde Jesus caminhou permanecem lugares importantes para a fé, de Belém a Jerusalém, passando por Nazaré ou o Lago da Galileia.
De facto, o Verbo encarnou. Ele escolheu ser um homem em determinado época "na plenitude dos tempos" (Gal 4, 4), no meio de um povo eleito, numa terra de fé.
Esta peregrinação do Papa Bento XVI convida-nos a redescobrir a terra das promessas… o lugar do dom de Deus.
A Terra Santa alimenta a fé porque coloca em contacto vivo com os dois Testamentos da Sagrada Escritura. Mas esta peregrinação é também um teste de fé nesta terra das grandes religiões monoteístas. Como dizer que Jesus é o Salvador dos homens?
Num lugar onde há tantas denominações cristãs diferentes, como afirmar que a Igreja é una? Seguindo a peregrinação de Bento XVI, viveremos em comunhão com os cristãos da Terra Santa, mas também com todos os habitantes, judeus e muçulmanos, desta terra que Deus ama.
Boa Viagem Santo Padre!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Em primeiro lugar, ele deve ser

Na véspera da sua viagem para África, o Papa Bento XVI fez um discurso perante a sessão plenária dos membros da Congregação para o Clero. Esta congregação se reúne uma vez por ano a fim de abordar um tema específico. Este ano, o tema era: "A identidade missionária do sacerdote na Igreja."

O Santo Padre aproveitou a ocasião para fazer um anúncio: «em vista de favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual da qual sobretudo depende a eficácia do seu ministério, decidi proclamar um especial "ano sacerdotal", que irá de 19 de Junho próximo ao dia 19 de Junho de 2010. Efectivamente, celebra-se o 150º aniversário da morte do Santo Cura d'Ars, João Maria Vianney, verdadeiro exemplo de Pastor ao serviço da grei de Cristo».
O "ano sacerdotal" terá por tema: "Fidelidade a Cristo, Lealdade do sacerdote."
Começará com as Vésperas da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, e terminará um ano mais tarde com um encontro mundial de sacerdotes em Roma. Neste ano dos sacerdotes, São João Maria Vianney será proclamado padroeiro de todos os sacerdotes.



Este “ano sacerdotal” será muito importante para cada sacerdote, mas também para todos os fiéis, na percepção do que é verdadeiramente um padre...uma concepção deste ministério muitas vezes distorcida, desarticulada.
Julga-se frequentemente as acções de um sacerdote pelo exterior:
quantas comunidades paroquiais assiste;
como é capaz de coordenar as suas acções, organizar-se;
quantos colaboradores tem;
quantos compromissos tem na sua agenda;
quantas igrejas renovou;
quantos fiéis convenceu em participar na vida da paróquia etc…
Tudo isto é bom. É positivo ver um padre lutar pelo Reino de Deus, pela sua comunidade.
Mas o"agir" é apenas um aspecto.
Há outro aspecto, mais importante, e que é a causa de qualquer acção externa, é o "ser"…é a identidade do sacerdote.
A identidade é como a resposta do jovem debaixo da árvore a quem é perguntado: "O que estás a fazer?" E ele responde: "Eu sou".
É a esta resposta que é chamado o padre, porque, em primeiro lugar, ele deve ser:
ser sacerdote;
ser um “homem de Deus";
um “homem pelo qual vem a graça”;
ser aquele que é chamado e enviado;
ser um sacerdote com todo o coração e com alegria;
ser um servo de Deus, que não se produz a si mesmo,
mas que, como o Profeta Jeremias, faz suas as palavras do Senhor.
Um homem que, com todo o seu ser, orienta os homens para Deus.

domingo, 3 de maio de 2009

Nos seus passos, como Ele

«Jesus Cristo quer apascentar na pessoa dos pastores, e os pastores na pessoa de Jesus Cristo. Os pastores glorificam-se, mas quem se gloria deve gloriar-se em Jesus Cristo.
Apascentar por Cristo, apascentar em Cristo e apascentar com Cristo, não é apascentar para si mesmo senão para Cristo. (...)
Todos os pastores devem por isso o ser num só Pastor, todos devem senão fazer ouvir a voz d'Ele às ovelhas, para que as ovelhas sigam o seu único Pastor, e não este ou aquele; todos devem ter n’Ele o mesmo discurso sem pronunciar ensinamentos distintos.»


S. Agostinho, Padre e Doutor da Igreja
Sermão XLVI. O único Pastor.




O 4º Domingo da Páscoa é tradicionalmente chamado “Domingo do Bom Pastor”, pois o Evangelho deste dia convida-nos a reflectir de modo particular na imagem do Pastor que dá a sua vida pelas suas ovelhas. Jesus quis que nos seus passos, como Ele, houvesse uma multidão de pastores, que, por sua vez, desse a sua vida para guardar as ovelhas e trazer de volta aquelas que se perderam.
Ele quis que cada sacerdote se assemelhasse com Ele, cumprisse com a sua graça a tarefa de conduzir o seu rebanho para as pastagens do Céu...os Sacramentos da Igreja são feitos para isto.
O “Domingo do Bom Pastor” é por isso um dia especial para os homens que se colocaram ao serviço exclusivo do Bom Pastor que é Cristo. Rezemos fervorosamente pelos exigentes e difíceis desafios e responsabilidades da cada pastor, e que no mundo haja muitos e santos sacerdotes!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Como flores cheirosas

«Consagrei-os e chamei-os “meus Cristos”, porque os incumbi de me dar a vós.
Coloquei-os como flores cheirosas no corpo místico da Santa Igreja.
O anjo não possui esta dignidade, dei-a aos homens que escolhi como ministros.
Estabeleci-os como anjos, e eles devem ser anjos terrestres nesta vida.
Peço a qualquer alma a pureza e a castidade; desejo que ela me ame e ame ao próximo, ajudando-o como pode, com as suas orações, vivendo em união com ele.
Mas exijo ainda mais pureza dos meus ministros.
Peço-lhes um maior amor para comigo e para com o próximo, a quem eles devem administrar o Corpo e Sangue de meu Filho, com o ardor da caridade e a fome da salvação das almas, para glória e honra do meu nome.
Assim como os sacerdotes desejam a pureza do cálice onde é feito o sacrifício, Eu desejo a pureza e a clareza dos seus corações, das suas almas e dos seus espíritos.
E porque o corpo é o instrumento da alma, quero que eles o guardem numa pureza perfeita e não o manchem.
Que eles não se encham de orgulho, nem da ambição por altas distinções.
Que eles não sejam cruéis para com eles próprios e para com o próximo, pois eles não podem ser cruéis para com eles próprios sem o ser para com o próximo.
Se eles são cruéis para eles próprios, eles são cruéis para com as almas, porque não dão o exemplo de uma santa vida, não trabalham para livrar as almas do demónio e distribuir o Corpo e Sangue de meu Filho único, e a Mim, a verdadeira Luz, nos sacramentos da Igreja.»



Santa Catarina de Sena
Tratado sobre a oração
CXIII - A grandeza do SS. Sacramento
deve fazer entender a dignidade dos sacerdotes,
chamados a uma maior perfeição.





«Desejo que eles (os sacerdotes) sejam respeitados, não por eles mas por Mim e por causa da autoridade com que os revesti.
Este respeito nunca deve diminuir, mesmo quando a virtude diminuiria neles. Ele deve conservar-se para os maus e para os bons, porque Eu os fiz ministros do Sol, isto é, do Corpo e Sangue de meu Filho nos sacramentos.
Os bons e os maus têm a mesma dignidade.
Todos estão revestidos das mesmas funções, mas mostrei-te que os perfeitos têm as qualidades do sol porque iluminam e aquecem o próximo pelo fogo da sua caridade. Este fogo produz frutos e faz nascer virtudes nas almas daqueles que lhes são confiados. (…)
Deveis honrá-los, quaisquer sejam seus defeitos, por amor de Mim que os envio, e por amor da vida da graça que encontrareis no grande tesouro que eles vos dão, porque eles vos distribuem o Deus-Homem todo inteiro, isto é, o Corpo e Sangue de meu Filho, unido à minha natureza divina.
Deve-se lamentar e detestar as suas faltas; deve-se tentar agasalha-los do zelo da vossa caridade e da santidade das vossas orações; deve-se lavá-los de suas manchas com as vossas lágrimas, e Me apresentá-los com sincera intenção, para que a minha bondade os cubra da veste da caridade. (…)
Deveis orar por eles e não julgá-los, deixar-me ser Eu julgá-los.
Desejo poder fazer-lhe misericórdia pelas vossas orações.
Se eles não se converterem, a dignidade que eles receberam será a ruína deles; e se não mudarem, se não aproveitarem a grandeza da minha misericórdia, Eu, o Juiz supremo, não os atenderei na hora da morte, e enviá-los-ei para o fogo eterno.»



Santa Catarina de Sena,
Tratado sobre a oração
CXX – Respeito aos sacerdotes, bons e maus.



Catarina de Sena nasceu no ano 1347. Entrou na Ordem Terceira de S. Domingos quando era ainda adolescente. Trabalhou incansavelmente pela paz e concórdia entre as cidades, defendeu com ardor os direitos e a liberdade do Santo Padre e promoveu a renovação da vida religiosa. Escreveu importantes obras de espiritualidade. Morreu a 29 de Abril de 1380.
Em 1970, o Papa Paulo VI declarou-a Doutora da Igreja, sendo a única leiga a obter esta distinção. O Papa João Paulo II declarou-a co-padroeira da Europa, juntamente com Santa
Brígida da Suécia e Santa Teresa Benedita da Cruz.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fora e dentro da Religião, serviu a Deus em toda a vida

D. Nuno Álvares Pereira, Nuno de Santa Maria, será a partir de 26 de Abril o novo Santo português, juntando assim o seu nome a uma lista que se estende desde antes do início da nacionalidade. A última canonização de um português aconteceu quando Paulo VI, a 3 de Outubro de 1976, declarou Santa a religiosa Beatriz da Silva.
Fundador da Casa de Bragança, D. Nuno nasceu em Santarém a 24 de Junho de 1360. Como Condestável do reino de Portugal, foi militar invencível; mas, vencendo se a si mesmo, pediu a admissão, como irmão leigo, na Ordem do Carmelo.
Morreu no domingo da Ressurreição do ano 1431 (1 de Abril).



«Admirável foi este santo varão pelas muitas e especiais virtudes que cultivou, não só depois do divórcio que fez com o mundo, mas também antes de receber o hábito religioso. (…)Exemplaríssima foi a humildade com que, fora e dentro da Religião, serviu a Deus em toda a vida. Como árvore frutífera cujos ramos mais se inclinam quando é maior o peso dos seus frutos, assim este virtuoso varão mais submisso se mostrava com os triunfos e com as virtudes. (…)
Depois de religioso, foi o servo de Deus mais admirável nos exercícios da caridade. Não se contentava com distribuir as esmolas pelo seu pagador, como no século fazia; mas pelas próprias mãos, na portaria deste convento, remediava a cada um a sua necessidade.Não menos caritativo era para com o seu próximo nas ocasiões que se lhe ofereciam de lhe acudir nas enfermidades. Assistia aos pobres nas doenças, não só com os alimentos necessários, mas com os regalos administrados por suas próprias mãos.Velava noites inteiras por não faltar com a assistência aos que nas doenças perigavam.Continuando o Venerável Nuno de Santa Maria as asperezas da vida, sem nunca afrouxar dos seus primeiros fervores, chegou ao ano de 1431 tão destituído de forças, que no corpo apenas conservava alguns alentos para poder mover se.Entrando enfim na última agonia, rogou que, para consolação do seu espírito, lhe lessem a Paixão de Cristo escrita pelo evangelista São João; logo que chegou à cláusula do Evangelho onde o mesmo Cristo, falando com sua Mãe Santíssima a respeito do amado discípulo, lhe diz: Eis o vosso filho, deu ele o último suspiro e entregou sua ditosa alma ao mesmo Senhor que a criara.»


Da Crónica dos Carmelitas da antiga e regular observância nos Reinos de Portugal


Combati o bom combate,
terminei a carreira,
guardei a fé.
O Senhor me dará a coroa da justiça.

(2 Tim 4, 7-8)