quarta-feira, 29 de julho de 2009

Perda do sentido da adoração... do sentido do mistério

«Os erros actuais sobre a Eucaristia derivam todos do Protestantismo.
Culminam no Modernismo que esvazia os mistérios da fé católica do seu conteúdo sobrenatural. Os sacramentos tornam-se meros símbolos que são usados para uma experiência religiosa pessoal.
Na perspectiva modernista, a presença de Jesus Cristo na Eucaristia não é real, no sentido de que contém o seu verdadeiro Corpo e o seu verdadeiro Sangue. Apenas o corpo e sangue de Cristo estão simbolizados. Na Missa, não ocorre a transubstanciação, mas sim uma “trans-simbolização”.
O Papa João Paulo II deplorou uma significativa perda do sentido da adoração entre o Povo de Deus. E se muitos fiéis perderam o sentido da adoração, é porque muitos perderam o próprio sentido de Deus e, portanto, o sentido do mistério.
Nos nossos dias, pretende-se compreender e explicar tudo, e como é impossível para o nosso raciocínio entender um mistério tão elevado como o da Eucaristia, só se fica pelo aspecto simbólico.
A fé na presença real de Cristo na Eucaristia, que se manifesta pelo respeito e a devoção ao Santíssimo Sacramento, está em declínio na Igreja Católica. Muitos crentes parecem não estar conscientes de que Jesus está presente na Eucaristia com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, e que aproximar-se da Eucaristia é aproximar-se do Deus três vezes santo.
Os sinais desta falta de consciência sobre a grandeza do Mistério Eucarístico toca tanto o aspecto exterior e interior dos fiéis.



Que a disposição interior de muitos comungantes seja deficiente, é fácil avaliá-lo quando se conhece a situação e estilo de vida de muitos deles. Isto não é julgar as pessoas, mas apenas fazer uma constatação, com base em informações objectivas. A fé, tal como a Igreja a entende, e o estado de graça não permanecem absolutamente necessários para receber dignamente a comunhão do Corpo e Sangue de Cristo?
No que toca à disposição exterior é óbvio a falta de respeito com que muitos se aproximam da Santíssima Eucaristia.
Será sempre verdade que a maior devoção da Igreja se reflecte no respeito à Eucaristia. Dar a Deus três vezes santo o respeito que Lhe é devido, é o que o o doutor subtil (Beato João Duns Escoto) via na presença real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento quando escreveu estas palavras notáveis: "Toda a devoção que há na Igreja consiste no respeito para com este sacramento”.»


Pe. J.Real Bleau (adaptação de um artigo)



Santíssima Trindade,
Pai, Filho, Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo,
Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo,
presente em todos os sacrários da terra,
em reparação dos ultrajes,
sacrilégios e indiferenças
com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração
e do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

Oração ensinada pelo Anjo aos Pastorinhos de Fátima

terça-feira, 21 de julho de 2009

Comunhão na boca e Gripe A

« Compreende-se que a Comissão Nacional da Pastoral da Saúde queira colaborar, dando conselhos e orientações úteis para a colaboração dos cristãos no esforço nacional de prevenção. Mas não lhe compete alterar ritos nem dar normas de alterações das regras da Liturgia.(…)
No momento actual do processo, considero não haver ainda necessidade de alterar regras litúrgicas e modos de celebrar. A Liturgia se for celebrada com qualidade e rigor, garante, ela própria, os cuidados necessários. É o caso, por exemplo, da saudação da paz que se for feita com a qualidade litúrgica, não constitui, normalmente, um risco acrescido.
Na actual disciplina litúrgica, os fiéis podem optar por receber a sagrada comunhão na mão. Mas não podem ser forçados a fazê-lo. Se houver cuidado do ministro que distribui a comunhão e de quem a recebe, mais uma vez fazendo as coisas com dignidade, a comunhão pode ser distribuída na boca sem haver contacto físico.
Se as condições da "pandemia" se agravarem, poderemos estudar novas atitudes concretas, na instância canónica própria a quem compete decisões dessa natureza: o Bispo Diocesano, na sua Diocese, a Conferência Episcopal Portuguesa para todo o País, sempre em diálogo com o Santo Padre e os respectivos serviços da Santa Sé


Cardeal-Patriarca José Policarpo
Lisboa, 17 de Julho de 2009



Dubium (dúvida):
«Nas dioceses onde é possível distribuir a comunhão na mão dos fiéis, o sacerdote ou o ministro extraordinário da Sagrada Eucaristia pode exigir aos comungantes receber a comunhão na mão e não na boca?»
Responsa (resposta):
«Sobressai claramente nos documentos da Santa Sé, que nas dioceses onde o pão eucarístico é colocado nas mãos dos fiéis, permanece o direito de recebê-lo na boca. Aqueles que exigem aos comungantes receber a Sagrada Comunhão na mão, tal como aqueles que negam aos fiéis receber a comunhão na mão nas dioceses onde é autorizado, estão a agir contra a norma. De acordo com as regras relativas à distribuição da Sagrada Comunhão, os ministros ordinários (sacerdotes) e extraordinárias (leigos) devem estar atentos a que os fiéis consumam imediatamente a hóstia, a fim de que ninguém sai com as espécies eucarísticas na mão.
Que todos se recordem que a tradição secular é receber a hóstia na boca.
Que o sacerdote celebrante, em caso de perigo de sacrilégio, não dê a comunhão na mão dos fiéis, e os informe sobre as razões que o levem a fazê-lo.»


Resposta da Congregação para o Culto Divino
a uma pergunta sobre a “comunhão na mão”
“Notitiae” Março-Abril 1999, boletim oficial da Congregação

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Fé adulta

«A expressão "fé adulta", nas últimas décadas, tornou-se um slogan difundido. Ouvimo-lo com frequência no sentido da atitude de quem já não dá ouvidos à Igreja e aos seus Pastores, mas escolhe autonomamente aquilo em que quer acreditar ou não portanto, uma fé "ad hoc" (que mais lhe convém). E é apresentada como "coragem" de se expressar contra o Magistério da Igreja.
Na realidade, todavia, para isto não é necessária coragem, porque se pode ter sempre a certeza do aplauso público. Pelo contrário, é necessária coragem para aderir à fé da Igreja, não obstante ela contradiga o "esquema" do mundo contemporâneo. (…)
A fé adulta não se deixa transportar aqui e ali por qualquer corrente. Ela opõe-se aos ventos da moda. Sabe que estes ventos não constituem o sopro do Espírito Santo; sabe que o Espírito de Deus se expressa e se manifesta na comunhão com Jesus Cristo.(…)
O poder da fé, o poder de Deus é a verdade. A verdade sobre o mundo e sobre nós mesmos torna-se visível, quando olhamos para Deus.»


Bento XVI, 28/06/2009


Meu Deus,
creio firmemente tudo o que Vós revelastes
e a Santa Igreja Católica nos ensina,
porque não podeis enganar-Vos,
nem enganar-nos.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Permaneço na Igreja

«Permaneço na Igreja, porque acredito que hoje como ontem, na nossa Igreja, vive, intangível, a sua Igreja, porque acho que não posso estar com Ele senão com e na sua Igreja.
Estou na Igreja porque apesar de tudo, penso que ela não é essencialmente nossa Igreja, mas a sua Igreja.
Concretamente, é a Igreja, embora sujeita às imperfeições humanas, que nos dá Jesus Cristo e que só por meio dela podemos acolhê-l’O como uma realidade viva e poderosa, que nos desafia e enche aqui e agora.
Tal como escreveu Henri de Lubac:
"Saberão aqueles que, ainda aceitando Jesus, rejeitam a Igreja, que é a ela que o devem?
Jesus é nossa vida, mas em que areia movediça estaria, não tanto o seu nome e sua recordação, mas a sua influência viva, o efeito do Evangelho e da fé na sua Pessoa divina, sem a continuidade visível da Igreja?
Sem a Igreja, Cristo se desvaneceria, desaparecia, extinguir-se-ia.
E o que seria a Igreja se Cristo lhe seria retirado?

Esta constatação elementar não nos deve deixar.
Independentemente do número das infidelidades que a Igreja tem e pode ter,
como é verdade que ela deve seguir constantemente a Cristo,
e que não há antinomia entre a Igreja e Cristo,
é por meio da Igreja que, para além da distância histórica,
Ele continua vivo, fala, está perto de nós, como Mestre e Senhor.
E, enquanto a Igreja, e só ela, nos dá Jesus Cristo,
e assegura a sua presença viva no mundo,
dando-O na fé e na oração dos homens,
ela dá à humanidade uma luz, um penhor,
um exemplo, sem a qual ela jamais seria concebível.
Quem deseja a presença de Jesus Cristo na humanidade não pode encontra-la contra a Igreja, mas apenas nela.
A fé é eclesial ou não é.»


Cardeal Ratzinger (Bento XVI)




Tu es Petrus, et super hanc Petram aedificabo Ecclesiam meam,
Et portae inferi non praevalebunt adversus eam :
Et tibi dabo claves regni coelorum :
Et quodcumque ligaveris super terram, erit ligatum et in coelis,
Et quodcumque solveris super terram, erit solutum et in coelis.


Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja,
E as portas do inferno não prevalecerão contra ela:
Dar-te-ei as chaves do reino dos céus,
E tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus,
E tudo o que será desligado na terra, será desligado nos céus.

Mt 16, 18-19

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Porque um Ano Sacerdotal?

«Na sexta-feira passada, 19 de Junho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e dia tradicionalmente dedicado à oração pela santificação dos sacerdotes, tive a alegria de inaugurar o Ano Sacerdotal, proclamado por ocasião do 150º aniversário do “nascimento ao Céu” do cura d’Ars, São João Maria Baptista Vianney. (…)
Porque um Ano Sacerdotal?
Porque precisamente na recordação do santo cura d’Ars, que aparentemente não fez nada de extraordinário? (…)

O objectivo deste Ano Sacerdotal, como escrevi na carta enviada aos sacerdotes para esta ocasião, consiste em renovar em cada presbítero a aspiração “à perfeição espiritual, motor de eficácia de seu ministério”, ajudar os sacerdotes e, com eles, todo o Povo de Deus, a redescobrir e revigorar a consciência do extraordinário e indispensável dom da Graça que o ministério ordenado representa para quem o recebeu, para toda Igreja e para o mundo, que sem a presença real de Cristo, estaria perdido. (…)

“Alter Christus”, o sacerdote está profundamente unido ao Verbo do Pai, que ao encarnar-se, tomou a forma de servo, fez-se servo.
O sacerdote é servo de Cristo, no sentido de que a sua existência, configurada ontologicamente com Cristo, assume um carácter essencialmente relacional: ele está em Cristo, para Cristo e com Cristo ao serviço dos homens.
Precisamente porque pertence a Cristo, o sacerdote está radicalmente ao serviço do homem: ele é ministro de sua salvação, de sua felicidade, de sua autêntica libertação, amadurecendo, nesta assunção progressiva da vontade de Cristo, na oração, “num coração a coração” com Ele.»



Bento XVI,
Audiência Geral 24/06/2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Criado para amar

Ó adorável Coração de Jesus, Coração apaixonado pelos homens, Coração criado especificamente para amar os homens, como é possível encontrar entre os homens, tão pouca correspondência e tanto desprezo?
Ai! Também eu tenho sido um destes ingratos, não soube amar-Vos!
Dai-me a graça de Vos amar.
Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração?
Sim, ó meu Deus, é vossa vontade que eu Vos ame, e é minha vontade amar-Vos.
O que estou eu a dizer?
Quero que o meu coração ame um Deus que me amou tanto.
Ó amor de Jesus, Vós sois o meu amor.
Ó Coração ardente de Jesus, abrasai também o meu coração.
Não permitais que eu viva, ainda que fosse um instante, privado do vosso amor!
O vosso sangue, derramado por mim, me dá a esperança de que eu Vos amarei sempre, que me amareis sempre, e que esse amor entre nós será sempre indissolúvel.
Ó Maria, Mãe do belo amor, que desejais tanto que o vosso Jesus seja amado; prendei-me intimamente ao vosso Filho, tão intimamente que não tenha mais a infelicidade de me separar d’ Ele.

da Novena ao Sagrado Coração de Jesus,
de S. Afonso de Ligório



Eu Vos amo, ó meu Deus, e o meu único desejo é amar-Vos até ao último suspiro da minha vida.
Eu Vos amo, ó Deus infinitamente amável, e preferiria morrer amando-Vos, do que viver um só instante sem Vos amar.
Eu Vos amo, ó meu Deus, e não desejo o céu senão para ter a felicidade de Vos amar perfeitamente.
Eu Vos amo, ó meu Deus, e temo o inferno porque nunca haverá lá a doce consolação de Vos amar.
Ó meu Deus, se a minha língua não pode dizer a toda a hora que eu Vos amo, desejo que pelo menos o meu coração Vo-l’O repita tantas vezes quanto eu respiro.
Ah, dai-me a graça de sofrer amando-Vos, de Vos amar sofrendo, e de morrer amando-Vos.
E quanto mais se aproxima o meu fim, mais Vos imploro de aumentar o meu amor e de o aperfeiçoar.
Assim seja.

São João Maria Vianney, o Santo Cura d'Ars

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Jesus escondido

Como não me alegrar com a coincidência das datas…hoje a Igreja celebra a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, e também hoje, o pastorinho Francisco Marto, a quem Nossa Senhora apareceu em 1917, faz anos!
E escrevo “faz” e não “faria”…porque “para os que crêem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma, e desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna.” (da Liturgia)
“Jesus escondido”…era a expressão com que os Pastorinhos designavam o Santíssimo Sacramento da Eucaristia: o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo.
Francisco gostava de passar horas esquecidas junto do Sacrário em colóquio com Jesus.
Quando, com a sua prima Lúcia, se dirigia para a escola recomendava-lhe:
«Olha, tu, vai à escola. Eu fico aqui na Igreja, junto de Jesus escondido. Não me vale a pena aprender a ler; daqui a pouco vou para o Céu. Quando voltares, vem por cá chamar-me.» E no regresso, ali o encontrava em recolhida oração.
Doente, o pequeno Francisco dizia à Lúcia:
«Olha, vai à Igreja e dá muitas saudades minhas a Jesus escondido. Do que tenho mais pena é de não poder já ir a estar uns bocados com Jesus escondido.»
Com que ansiedade o Francisco esperou o momento da sua primeira comunhão.
Acamado e gravemente debilitado, tentou erguer-se para se sentar na cama, mas não conseguiu. Momentos depois, o Senhor Sacramentado descia à sua alma, e o Francisco quedou-se em contemplação a consolar o divino Hóspede.
Depois de comungar, disse para sua irmãzinha Jacinta:
«Hoje sou mais feliz do que tu, porque tenho dentro do meu peito a Jesus escondido!»
Esta comunhão com Deus, já o Francisco a tinha experimentado em 1916, nas aparições do Anjo que lhe dera a beber do Sangue do cálice que trazia.
«- A mim e à Jacinta, que foi que Ele nos deu?
- Foi também a Sagrada Comunhão, respondeu Jacinta.
- Eu sentia que Deus estava em mim, mas não sabia como era! respondeu Francisco.
E prostrando-se por terra, permaneceu por largo tempo, com a sua irmã, repetindo a oração do Anjo: “Santíssima Trindade…”»
Saibamos todos olhar para o pequeno Francisco de Fátima…grande apaixonado e consolador de Jesus escondido…e imitemo-lo!