quarta-feira, 29 de abril de 2009

Como flores cheirosas

«Consagrei-os e chamei-os “meus Cristos”, porque os incumbi de me dar a vós.
Coloquei-os como flores cheirosas no corpo místico da Santa Igreja.
O anjo não possui esta dignidade, dei-a aos homens que escolhi como ministros.
Estabeleci-os como anjos, e eles devem ser anjos terrestres nesta vida.
Peço a qualquer alma a pureza e a castidade; desejo que ela me ame e ame ao próximo, ajudando-o como pode, com as suas orações, vivendo em união com ele.
Mas exijo ainda mais pureza dos meus ministros.
Peço-lhes um maior amor para comigo e para com o próximo, a quem eles devem administrar o Corpo e Sangue de meu Filho, com o ardor da caridade e a fome da salvação das almas, para glória e honra do meu nome.
Assim como os sacerdotes desejam a pureza do cálice onde é feito o sacrifício, Eu desejo a pureza e a clareza dos seus corações, das suas almas e dos seus espíritos.
E porque o corpo é o instrumento da alma, quero que eles o guardem numa pureza perfeita e não o manchem.
Que eles não se encham de orgulho, nem da ambição por altas distinções.
Que eles não sejam cruéis para com eles próprios e para com o próximo, pois eles não podem ser cruéis para com eles próprios sem o ser para com o próximo.
Se eles são cruéis para eles próprios, eles são cruéis para com as almas, porque não dão o exemplo de uma santa vida, não trabalham para livrar as almas do demónio e distribuir o Corpo e Sangue de meu Filho único, e a Mim, a verdadeira Luz, nos sacramentos da Igreja.»



Santa Catarina de Sena
Tratado sobre a oração
CXIII - A grandeza do SS. Sacramento
deve fazer entender a dignidade dos sacerdotes,
chamados a uma maior perfeição.





«Desejo que eles (os sacerdotes) sejam respeitados, não por eles mas por Mim e por causa da autoridade com que os revesti.
Este respeito nunca deve diminuir, mesmo quando a virtude diminuiria neles. Ele deve conservar-se para os maus e para os bons, porque Eu os fiz ministros do Sol, isto é, do Corpo e Sangue de meu Filho nos sacramentos.
Os bons e os maus têm a mesma dignidade.
Todos estão revestidos das mesmas funções, mas mostrei-te que os perfeitos têm as qualidades do sol porque iluminam e aquecem o próximo pelo fogo da sua caridade. Este fogo produz frutos e faz nascer virtudes nas almas daqueles que lhes são confiados. (…)
Deveis honrá-los, quaisquer sejam seus defeitos, por amor de Mim que os envio, e por amor da vida da graça que encontrareis no grande tesouro que eles vos dão, porque eles vos distribuem o Deus-Homem todo inteiro, isto é, o Corpo e Sangue de meu Filho, unido à minha natureza divina.
Deve-se lamentar e detestar as suas faltas; deve-se tentar agasalha-los do zelo da vossa caridade e da santidade das vossas orações; deve-se lavá-los de suas manchas com as vossas lágrimas, e Me apresentá-los com sincera intenção, para que a minha bondade os cubra da veste da caridade. (…)
Deveis orar por eles e não julgá-los, deixar-me ser Eu julgá-los.
Desejo poder fazer-lhe misericórdia pelas vossas orações.
Se eles não se converterem, a dignidade que eles receberam será a ruína deles; e se não mudarem, se não aproveitarem a grandeza da minha misericórdia, Eu, o Juiz supremo, não os atenderei na hora da morte, e enviá-los-ei para o fogo eterno.»



Santa Catarina de Sena,
Tratado sobre a oração
CXX – Respeito aos sacerdotes, bons e maus.



Catarina de Sena nasceu no ano 1347. Entrou na Ordem Terceira de S. Domingos quando era ainda adolescente. Trabalhou incansavelmente pela paz e concórdia entre as cidades, defendeu com ardor os direitos e a liberdade do Santo Padre e promoveu a renovação da vida religiosa. Escreveu importantes obras de espiritualidade. Morreu a 29 de Abril de 1380.
Em 1970, o Papa Paulo VI declarou-a Doutora da Igreja, sendo a única leiga a obter esta distinção. O Papa João Paulo II declarou-a co-padroeira da Europa, juntamente com Santa
Brígida da Suécia e Santa Teresa Benedita da Cruz.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fora e dentro da Religião, serviu a Deus em toda a vida

D. Nuno Álvares Pereira, Nuno de Santa Maria, será a partir de 26 de Abril o novo Santo português, juntando assim o seu nome a uma lista que se estende desde antes do início da nacionalidade. A última canonização de um português aconteceu quando Paulo VI, a 3 de Outubro de 1976, declarou Santa a religiosa Beatriz da Silva.
Fundador da Casa de Bragança, D. Nuno nasceu em Santarém a 24 de Junho de 1360. Como Condestável do reino de Portugal, foi militar invencível; mas, vencendo se a si mesmo, pediu a admissão, como irmão leigo, na Ordem do Carmelo.
Morreu no domingo da Ressurreição do ano 1431 (1 de Abril).



«Admirável foi este santo varão pelas muitas e especiais virtudes que cultivou, não só depois do divórcio que fez com o mundo, mas também antes de receber o hábito religioso. (…)Exemplaríssima foi a humildade com que, fora e dentro da Religião, serviu a Deus em toda a vida. Como árvore frutífera cujos ramos mais se inclinam quando é maior o peso dos seus frutos, assim este virtuoso varão mais submisso se mostrava com os triunfos e com as virtudes. (…)
Depois de religioso, foi o servo de Deus mais admirável nos exercícios da caridade. Não se contentava com distribuir as esmolas pelo seu pagador, como no século fazia; mas pelas próprias mãos, na portaria deste convento, remediava a cada um a sua necessidade.Não menos caritativo era para com o seu próximo nas ocasiões que se lhe ofereciam de lhe acudir nas enfermidades. Assistia aos pobres nas doenças, não só com os alimentos necessários, mas com os regalos administrados por suas próprias mãos.Velava noites inteiras por não faltar com a assistência aos que nas doenças perigavam.Continuando o Venerável Nuno de Santa Maria as asperezas da vida, sem nunca afrouxar dos seus primeiros fervores, chegou ao ano de 1431 tão destituído de forças, que no corpo apenas conservava alguns alentos para poder mover se.Entrando enfim na última agonia, rogou que, para consolação do seu espírito, lhe lessem a Paixão de Cristo escrita pelo evangelista São João; logo que chegou à cláusula do Evangelho onde o mesmo Cristo, falando com sua Mãe Santíssima a respeito do amado discípulo, lhe diz: Eis o vosso filho, deu ele o último suspiro e entregou sua ditosa alma ao mesmo Senhor que a criara.»


Da Crónica dos Carmelitas da antiga e regular observância nos Reinos de Portugal


Combati o bom combate,
terminei a carreira,
guardei a fé.
O Senhor me dará a coroa da justiça.

(2 Tim 4, 7-8)

domingo, 19 de abril de 2009

Hoje é Festa da Misericórdia!

"Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. (...)
Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas.
Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais flúem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. A Minha misericórdia é tão grande que, por toda a eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica a aprofundará."



"Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois, no mundo inteiro. Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Prometo também, já aqui na Terra, a vitória sobre os inimigos e, especialmente, na hora da morte. Eu mesmo a defenderei como Minha própria glória.”

Diário de Santa Faustina



Site sobre a devoção à Divina Misericórdia

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ad multos annos, Beatissime Pater!

Neste dia aniversário de vida do nosso Papa...

V. Oremos pelo nosso Santo Padre Bento XVI.
R. Que o Senhor o proteja,
lhe dê vida e o abençoe sobre a terra,
para que não seja entregue ao poder dos seus inimigos.
Pai-Nosso. Ave-Maria. Glória.



V. Orémus pro beatíssimo Papa nostro Benedícto.
R. Dóminus consérvet eum,
et vivíficet eum, et beátum fáciat eum in terra,
et non tradat eum in ánimam inimicórum ejus.
Pater. Ave. Glória.



«Amo Bento XVI porque ele é o sucessor de Pedro, Vigário de Jesus que lhe deu a missão de ser o pastor dos pastores. Amo a sua humildade, a sua coragem, a sua acuidade intelectual. Amo-o também porque ele é atacado, às vezes veementemente; por isso amo estar a seu lado.»


Jean Vanier, Fundador da associação "Arche" (Arca),
que assista pessoas com deficência mental e marginalizados.



Ler o artigo de D. Joaquim Gonçalves, Bispo de Vila Real por ocasião do aniversário do Santo Padre.

domingo, 12 de abril de 2009

Páscoa

O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia.
Glória e louvor a Cristo para sempre. Aleluia.


Santa Páscoa a todos,
na alegria do Senhor Ressuscitado!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ó Cruz ave, spes unica!

«A Semana Santa, que para nós cristãos é a semana mais importante do ano, nos oferece a oportunidade de mergulhar nos acontecimentos centrais da Redenção, de reviver o Mistério Pascal, o grande Mistério da fé. Com a Missa “in Coena Domini”, os ritos litúrgicos solenes nos ajudarão a meditar de forma intensa a paixão, morte e ressurreição do Senhor ao longo dos dias do Tríduo Pascal, centro de todo o ano litúrgico. (…)»

Na Quinta-feira Santa, «na Missa da tarde, chamada “in Coeni Domini”, a Igreja comemora a instituição da Eucaristia, o sacerdócio ministerial e o mandamento novo do amor, deixados por Jesus aos seus discípulos. (…)
A Quinta-feira Santa constitui um convite renovado a dar graças a Deus pelo dom supremo da Eucaristia, que deve ser acolhido com devoção e adorado com fé viva. Para isso, a Igreja recomenda que, após a celebração da Missa, se permaneça junto do Santíssimo Sacramento, lembrando a hora triste que Jesus passara na solidão e em oração no Gestémani, antes de ser preso e depois ser condenado à morte.

Chegamos assim à Sexta-feira Santa, dia da paixão e da crucifixão do Senhor.
Cada ano, permanecendo em silêncio diante de Jesus cravado no madeiro da cruz, sentimos o quanto as palavras que Ele disse na véspera, na Última Ceia, são cheias de amor. ‘Isto é o meu sangue, sangue da aliança, que vai ser derramado por muitos’ (Mc 14, 24). Jesus quis oferecer a sua vida em sacrifício pela remissão dos pecados e da humanidade. Assim, diante da paixão e morte de Jesus na cruz, como diante da Eucaristia, o mistério torna-se insondável para o entendimento. Encontramo-nos diante de algo que humanamente falando poderia parecer absurdo: um Deus que não somente se fez homem, com todas as necessidades do homem; que não somente sofre para salvar o homem, carregando sobre si toda a tragédia da humanidade, mas que também morre para o homem. (…)
Se a Sexta-feira Santa é um dia de tristeza, é ao mesmo tempo um dia propício para renovar a nossa fé, fortalecer a nossa esperança e a coragem de levar cada um a sua cruz com humildade, confiança e abandono em Deus, certos do seu auxílio e da sua vitória. A liturgia deste dia canta. ‘Ó Crux ave, spes única! Salve ó Cruz, única esperança!’



Esta esperança se alimenta no grande silêncio do Sábado Santo, na espera da Ressurreição de Jesus. Nesse dia, as igrejas são despojadas e nenhum rito particular é previsto. A Igreja vela em oração como Maria e com Maria, participando nos mesmos sentimentos de dor e de confiança em Deus. (…)
O recolhimento e o silêncio do Sábado Santo nos conduzirão à noite da Solene Vigília Pascal, “mãe de todas as vigílias”, em que se elevará em todas as igrejas e comunidades, o canto de alegria pela Ressurreição de Cristo. Mais uma vez, a vitória da luz sobre as trevas, da vida sobre a morte, será proclamada, e a Igreja se alegrará no encontro com o seu Senhor. Entraremos assim na Páscoa da Ressurreição.»



Bento XVI, Audiência geral em Roma,
08/04/2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Medo do diktat da mentalidade predominante

«Pilatos não é um monstro de malvadez. Sabe que este condenado é inocente; procura um modo de O libertar. Mas o seu coração está dividido. E, no fim, faz prevalecer sobre o direito a sua posição, a sua pessoa. Também os homens que gritam e pedem a morte de Jesus não são monstros de malvadez. (…)
Mas naquele momento sofrem a influência da multidão. Gritam porque os outros gritam e como gritam os outros. E, assim, a justiça é espezinhada pela cobardia, pela pusilanimidade, pelo medo do diktat da mentalidade predominante. A voz subtil da consciência é sufocada pelos gritos da multidão. A indecisão, o respeito humano dão força ao mal.

Senhor, fostes condenado à morte porque o medo do olhar alheio sufocou a voz da consciência. E, assim, acontece que, sempre ao longo de toda a história, inocentes sejam maltratados, condenados e mortos. Quantas vezes também nós preferimos o sucesso à verdade, a nossa reputação à justiça. Dai força, na nossa vida, à voz subtil da consciência, à vossa voz.»

Meditação do Cardeal Ratzinger (Bento XVI),
Via-Sacra 2005 em Roma.



Nesta Quaresma, propus-me fazer o exercício da Via-Sacra todos os domingos, e ontem, utilizei as meditações de 2005 do Cardeal Ratzinger para me ajudar na reflexão e na contemplação da caminhada dolorosa de Cristo até ao Calvário.
Recordo que os textos são os da última Via-Sacra presidida por João Paulo II, com aquela imagem bem marcante do Papa Wojtyla na sua capela privada, de costas para a câmara da televisão, segurando um crucifixo. Algumas semanas depois, o Cardeal alemão sucederá ao Papa polaco na cátedra de São Pedro.

Com uma distância de 4 anos, de estação em estação, admirei-me com a actualidade das meditações.
E logo na primeira estação, a de “Jesus condenado por Pilatos”, pensei logo no que vai acontecendo desde há uns meses atrás com a figura do Santo Padre e com a imagem da Igreja.
Portugal não fugiu à regra, certamente com menor intensidade, comparando com outros países europeus, onde alguns políticos, comentadores ou jornalistas procuraram sistematicamente deturpar as palavras de Bento XVI, queixando-se quase do Papa e da Igreja serem afinal “católicos”.
O levantamento da excomunhão dos 4 bispos tradicionalistas confundido com a readmissão dos mesmos no seio da Igreja; a desinformação total sobre o caso da menina de 9 anos que abortou no Brasil; a “história do preservativo” que a sociedade ocidental preferiu aos discursos contra a pobreza ou a corrupção em África; tudo isto serviu para condenar ou diabolizar o actual Papa, que antes de ser eleito não era o preferido da “classe mediática”.
Talvez o Santo Padre poderia ter evitado todas estas confusões, contentando-se em passear no “papamóvel” e fazendo discursos lamechas…mas teria ele cumprido a sua missão?
Contrariamente ao que se pensa muitas vezes, a diabolização de um homem ou de uma causa é raramente a consequência de trapalhadas ou confusões, mas é mais o preço a pagar pela clarividência ou a coragem. Aqueles que se calam ou se subjugam à época ou ao “diktat da mentalidade predominante” certamente não serão diabolizados. Os que fizerem frente é que sim!

Li isto algures e gostei…e neste Semana Santa ainda ganha mais sentido: “O discípulo não é maior que o Mestre (Jo 13, 16). A sua palavra, mesmo afirmada com humildade e amor, ou talvez por ser assim, será muitas vezes recebida com animosidade e violência. É necessário ser às vezes objecto de derisão, de ódio; é necessário não ser sempre entendido.”
É custoso...mas não podemos senão conformar a nossa vida à de Cristo.

Via-Sacra 2005 no site do Vaticano