terça-feira, 30 de setembro de 2008

Chuva de rosas

«Nunca dei a Deus senão amor. Deus me pagará com amor. Depois da minha morte, farei cair uma chuva de rosas.»


«Sinto que vai principiar a minha missão, a missão que tenho, de fazer amar a Deus como eu O amo…de ensinar às almas o meu caminhinho. Quero passar o meu céu a fazer bem na terra: o que não é impossível, pois no mesmo seio da visão beatifica estão por nós velando os anjos. Não, não hei de poder tomar nenhum repoiso até ao fim do mundo! Só quando o Anjo disser: “Passou o tempo!” é que hei-de descansar e gozar, porque só então estará apurado o número dos escolhidos.
- E que caminhito é esse que quer ensinar às almas?
- Minha Madre, é o caminho da infância espiritual, é o caminho da confiança e do abandono completo nas mãos de Deus. Quero indicar-lhes os pequeninos expedientes que tão bem me surtiram; quero dizer-lhes que a santidade neste mundo se cifra apenas nisto: ofertar a Jesus as flores dos pequeninos sacrifícios e cativá-l’O a poder de carícias. Assim é que eu O cativei, e por isso é que hei-de obter d’Ele o bom acolhimento que espero.»


História de uma alma – Manuscritos autobiográficos
Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face









Cerca das 19h20 do dia 30 de Setembro de 1897, Teresa do Menino Jesus exala o último suspiro, num êxtase de amor.
“Cravando os olhos no Crucifixo: - Oh!...amo-O!...Meu Deus, eu…Vos… amo!!! Foram as suas últimas palavras.”
Festa litúrgica: 1 de Outubro

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Mistério de comunhão

«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado.
Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos.»


Jo 15,1-8


Cristo é a videira e nós os ramos, como Ele é o Corpo e nós os membros.
A verdadeira videira é Cristo, mas também a Igreja, cujos membros estão em comunhão com Ele.
Sem esta comunhão, não podemos fazer nada; só Jesus, verdadeira cepa, pode dar fruto, um fruto que glorifica o agricultor, o Pai.
Sem a comunhão com Cristo, somos ramos separados da videira, por isso, privados da seiva, não irrigados, estéreis, bons para o fogo.
A esta comunhão, todos os homens são chamados.
Nesta comunhão, o homem se converte em ramo da verdadeira cepa, para dar fruto…para glorificar o Pai.
Tal é o mistério da verdadeira videira, de Cristo e da Igreja, mistério de comunhão fecunda e de alegria que permanece para a eternidade.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Há trabalho de sobra

“Ide também vós para a minha vinha!” (Mt 20,4)


«Poder trabalhar na vinha do Senhor, pôr-se ao seu serviço, colaborar na sua obra, constitui em si um prémio inestimável, que recompensa todo o cansaço. Mas só quem ama o Senhor e o seu Reino o compreende; quem, pelo contrário, só trabalha pelo salário nunca se dará conta do valor deste tesouro inestimável.»


Bento XVI,
Angelus 21/09/2008


A“vinha do Senhor” precisa de trabalhadores!
Há trabalho de sobra para todos, e ninguém deve ficar de braços cruzados. Há lugar também para aqueles que conseguem fazer apenas um pouco.
Basta acolher o convite pessoal do Dono da vinha, e fazer a própria parte.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Símbolo precioso da nossa fé

«Caros jovens, confio-vos um tesouro, o mistério da Cruz. (…)
Muitos de vós trazem ao pescoço um fio com uma cruz. Eu também trago uma, como aliás todos os bispos. Não é um adorno, uma jóia. É o símbolo precioso da nossa fé, o sinal visível e material da adesão a Cristo. (…)
Para os cristãos, a Cruz simboliza a sabedoria de Deus e o seu amor infinito revelado no dom salvífico de Cristo, morto e ressuscitado para a vida do mundo, para a vida de cada um e cada uma de vós em particular.
Que esta descoberta arrebatadora possa convidar-vos a respeitar e a venerar a Cruz! Ela é, não só o sinal da vossa vida em Deus e da vossa salvação, mas ela é também – isso o entendeis – a testemunha silenciosa do sofrimento dos homens e, ao mesmo tempo, a expressão única e preciosa de todas as suas esperanças. Caros jovens, sei que venerar a Cruz também suscita por vezes o escárnio e até a perseguição. A Cruz compromete de certa forma a segurança humana, mas ela consolida, também e sobretudo, a graça de Deus e confirma a nossa salvação. Nesta noite, a vós confio a Cruz de Cristo.
O Espírito Santo vos ajudará a entender os mistérios de amor e proclamareis então como São Paulo: “ Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gal 6,14). Paulo tinha percebido a palavra de Jesus – aparentemente paradoxal – segundo a qual, só dando (negando) a própria vida, podemos encontrá-la (cf Mc 8,35; Jo 12,24) e daí concluiu que a Cruz exprime a lei fundamental do amor e a expressão perfeita da verdadeira vida. Que a meditação do mistério da Cruz revele a alguns de vós o apelo a servir totalmente a Cristo na vida sacerdotal ou religiosa!»


Bento XVI aos jovens de Paris e de França,
12/09/2008

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Estava a Mãe dolorosa

Estava a Mãe dolorosa,
Junto da cruz lacrimosa,
Enquanto Jesus sofria.

Uma longa e fria espada,
Nessa hora atribulada,
O seu coração feria.


Do hino litúrgico do “Stabat Mater Dolorosa”




Hoje, ao rezar as Laudes da memória litúrgica de Nossa Senhora das Dores, a antífona do 2º salmo interpelou-me: “Alegrai-vos, na medida em que participais nos sofrimentos de Cristo” (1 Pe 4, 13)… alegria, sofrimento em união… estranho, não? Vou pensar um pouco mais neste versículo...

domingo, 14 de setembro de 2008

Fá-lo bem feito

«Se fazes o sinal da Cruz, fá-lo bem feito.
Não seja um gesto acanhado e feito à pressa, cujo significado ninguém sabe interpretar. Mas uma autêntica cruz, lenta e ampla, da testa ao peito, dum ombro ao outro.
Sentes como ela te envolve todo?
Recolhe-te bem. Concentra neste sinal todos os teus pensamentos e todos os teus afectos, à medida que o vais traçando da testa ao peito e dum ombro ao outro. Senti-lo-ás então a penetrar-te todo, corpo e alma. A apoderar-se de ti, a consagrar-te, a santificar-te. Porquê?
É o sinal do Todo, o sinal da Redenção. Nosso Senhor remiu todos os homens na cruz. Pela cruz santifica o homem todo até à última fibra do seu ser.
Por isso o fazemos antes da oração para que nos componha, recolha e fixe em Deus o nosso pensamento, coração e vontade. Depois da oração, para que nos fortaleça; no perigo, para que nos proteja. Ao benzermo-nos, para que a plenitude da vida divina penetre na alma e fecunde e consagre quanto nela há.
Pensa nisto sempre que fazes o sinal da cruz. É o sinal mais santo que existe. Fá-lo bem: devagar, rasgado, com atenção. Envolver-te-á assim todo o ser, corpo e alma, pensamentos e vontade, sentidos, potências e acções e tudo nele ficará fortalecido, assinalado pela virtude de Cristo, em nome de Deus uno e trino.»

Romano Guardini, Sinais Sagrados



Pelo sinal da santa cruz,
livra-nos Deus, nosso Senhor,
dos nossos inimigos;
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
Amen!


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Trazei a vossa paz ao nosso mundo violento

Deus de amor, compaixão e cura
olhai o povo de muitos credos
e tradições diferentes,
que se reúne hoje neste lugar,
cenário de violência e dor indizíveis.



Pedimos-vos na vossa bondade,
que concedais luz e paz eternas
a todos aqueles que morreram aqui
àqueles que foram os primeiros
a responder heroicamente:
os nossos bombeiros, policiais,
agentes do serviço de emergência,
funcionários da Autoridade portuária,
juntamente com todos os homens
e mulheres inocentes,
vítimas desta tragédia
somente porque o seu trabalho e o seu serviço
os trouxeram aqui
no dia 11 de Setembro de 2001.

Pedimos-vos, na vossa misericórdia,
que concedais a consolação a quantos,
por causa da sua presença aqui naquele dia,
sofrem por feridas e doenças.

Curai também a dor das famílias
ainda em luto
e de todos aqueles que perderam
os seus entes queridos
nesta tragédia.

Dai-lhes a força para continuar a viver
com coragem e esperança.

Recordamos também
quantos padeceram a morte, prejuízos e perdas
nesse mesmo dia no Pentágono
e em Shanksville, na Pensilvânia.

O nosso coração está unido ao seu,
enquanto a nossa oração
abraça a sua dor e o seu sofrimento.

Deus da paz, trazei a vossa paz
ao nosso mundo violento:
paz ao coração de todos os homens e mulheres
e paz entre as Nações da Terra.

Orientai para o vosso caminho de amor
quantos têm o coração e a mente
consumidos pelo ódio.


Deus de compreensão,
esmagados pela enormidade desta tragédia,
procuramos a vossa luz e a vossa guia,
enquanto enfrentamos acontecimentos terríveis
deste tipo.

Fazei com que aqueles, cuja vida foi poupada,
possam viver de tal modo
que as vidas perdidas aqui
não tenham sido em vão.

Confortai-nos e consolai-nos,
revigorai-nos na esperança
e concedei-nos a sabedoria e a coragem
para trabalhar incansavelmente por um mundo
onde reinem a paz e o amor verdadeiros
entre as Nações e no coração de todos.

Oração de Bento XVI
no Ground Zero, Nova Iorque
20/04/2008