quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Rivalidade cristã

Uma comunidade é frequentemente o lugar de inveja, um lugar de rivalidades.
E a Igreja não escapa a este fenómeno quando cada movimento tenta ter uma melhor posição do que o outro, em ser mais reconhecido... até pode parecer um campo de batalha.
Muitas vezes, quando estamos juntos diante do Senhor, temos a atitude de Marta: “Viste a minha irmã, Senhor? Isso não te incomoda?...” É a mesma atitude que o fariseu tem no Templo, que, vendo o publicano, diz: “Eu, pelo menos, não sou como aquele homem”, ou ainda como aquele apóstolo que, vivendo junto de Jesus, se questionava: “Quem é o maior entre nós?” Podemos também juntar o exemplo de uma mãe, a Senhora Zebedeu, que gostaria muito ver os seus dois filhos em bom lugar junto do Senhor, um à direita e outro à esquerda. Não serão eles melhores do que os dez outros apóstolos?
Numa comunidade, se a inveja ou a rivalidade operam um pouco em todo o lado, ambas têm uma predilecção para se intrometer na liturgia, neste momento particular de presença a Deus. É o irmão que não suporta mais a voz de seu irmão quando canta, ou a sua maneira de celebrar. É acreditar que as vozes dissonantes não têm lugar no coro; as opiniões divergem numa comunidade.



Depois das férias de verão, no recomeço da actividade pastoral em muitas paróquias...

Senhor,
junto de ti que te humilhaste,
não se trata de maiores e de melhores,
pois o caminho não é este.
Ensina-me,
no teu seguimento,
a descer,
a fazer-me o mais pequeno
no meio dos meus irmãos,
a ser o servo de todos;
a ver neles o que é belo,
e em mim o que é frágil.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Sim, devemos todos dizê-lo!

«A minha alma tem sede de Vós.
Alguns têm sede, mas não de Deus.
Aquele que deseja alcançar alguma coisa arde de desejo.
O desejo é a sede da alma.
E vede quantos são numerosos os desejos do coração humano.
Um deseja ouro;
outro, deseja riqueza;
outro, as terras,
outro, as heranças.
Outro, deseja muito dinheiro;
outro, admiração;
outro, uma grande casa;
outro, uma mulher;
outro, as honras;
outro, filhos.
Vede então todos estes desejos que enchem o coração humano.
Todos os seres humanos têm desejos que ardem como fogo.
Mas é raro encontrar um só que diga: ‘A minha alma tem sede de Vós’.
Os seres humanos têm sede das coisas do mundo.
Eles não percebem que estão no deserto de Judá.
Eles estão neste lugar onde a alma deve ter sede de Deus.
Por isso devemos dizer: ‘A minha alma tem sede de Vós’,
sim, devemos todos dizê-lo!»


S. Agostinho




A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.
Senhor, sois o meu Deus, desde a aurora Vos procuro.
A minha alma tem sede de Vós.
Por Vós suspiro,como terra árida, sequiosa, sem água.
Quero contemplar-Vos no santuário,
para ver o vosso poder e a vossa glória.
A vossa graça vale mais que a vida;
por isso, os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.
Assim Vos bendirei toda a minha vida
e em vosso louvor levantarei as mãos.


Salmo 62 (63), 2-5

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Salve Rainha

A "Salve Rainha" é uma das orações mais populares na Igreja.
Quem compôs a prece teve uma experiência muito viva das misérias da vida humana.
Nesta oração “bradamos” como “degredados”, “suspiramos gemendo e chorando”, vemos o mundo como “um vale de lágrimas”, como um “desterro”...
Mas desta visão amarga da vida aparece uma doce esperança que a ultrapassa e domina.
Se ao considerar a condição humana, o autor só vê motivos de tristeza, ao fixar a sua atenção naquela a quem a dirige, mostra-se animado por um horizonte de expectativas reconfortantes e consoladoras, pois ela, a Virgem Maria, é “mãe de misericórdia”, “vida, doçura, esperança”, “advogada” de “olhos misericordiosos”!


A “Salve Rainha” é atribuída ao monge Herman Contrat que a teria escrito por volta de 1050, no mosteiro de Reichenau, na Alemanha.
Eram tempos terríveis na Europa central: sucessivas calamidades naturais, más colheitas, epidemias, miséria, ameaças contínuas de povos bárbaros, fome e morte por toda parte.
Frei Contrat tinha consciência da infortunada época em que vivia, mas além das agruras da vida de seus contemporâneos, ele nascera raquítico e deforme; adulto, mal conseguia andar e escrevia com dificuldade.
Foi no fundo de todas estas misérias, as próprias e as alheias, que a alma de Frei Contrat elevou à Rainha do céu a sua prece, carregada de sofrimento e de esperança: a “Salve Rainha”.
Quando a “Salve Rainha” veio a ser conhecida pelos fiéis, a oração teve um sucesso enorme e logo foi rezada e cantada por toda parte.
Um século mais tarde, ao ser cantada na catedral de Espira, por ocasião de um encontro de personalidades importantes, entre elas, a do imperador Conrado e a do famoso São Bernardo, conhecido como o “cantor da Virgem Maria” (um dos primeiros a chamar a Mãe de Deus de “Nossa Senhora”), dizem que foi naquele dia e lugar que, ao concluir o canto da “Salve Rainha”, cujas as últimas palavras eram “mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre”, no silêncio que se seguiu, ouviu-se a voz de São Bernardo clamar sozinho em plena catedral: “Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria”... e desde então estas palavras foram incorporadas à “Salve Rainha” original.
Em 1221, os dominicanos começaram a utilizar a oração nas Completas (na Liturgia das horas, antes de deitar); em 1251, os cistercienses; e os cartuchos cantam-na à hora de Vésperas desde o século XII.
Lutero, pai da Reforma Protestante, não gostava da oração, sobretudo das palavras do princípio; os jansenistas quiseram mudar a letra, e conta-se que Cristóvão Colombo a cantava com os índios. O Papa Leão XIII prescreveu a sua recitação.
Um uso litúrgico tradicional quer que se incline a cabeça ao pronunciar o nome de Jesus, em sinal de respeito.
Nos quase mil anos que passaram desde que Herman Contrat compôs a “Salve Rainha”, uma multidão incontável de fiéis se identificou com os sentimentos que ela exprime, vivendo a aflição com doce esperança sob o olhar amável da Mãe do Salvador.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Era inevitável...

«Era inevitável que aquela que recolheu o Verbo divino no seu seio, viesse habitar nos tabernáculos de seu Filho.
E como o Senhor disse que Ele estaria na morada de seu próprio Pai, era inevitável que sua Mãe permanecesse no palácio de seu Filho, “na casa do Senhor, nos átrios do templo do nosso Deus.” Porque se lá está “a morada de todos aqueles que se alegram”, onde poderia habitar a causa da nossa alegria?
Era inevitável que aquela que ao dar à luz guardou intacta a sua virgindade, conservasse o seu corpo sem corrupção, até depois da morte.
Era inevitável que aquela que trouxe no seu ventre o seu Criador, vivesse nas moradas divinas.
Era inevitável que a esposa que o Pai tinha escolhido viesse habitar no celeste aposento nupcial.
Era inevitável que aquela que contemplou o seu Filho na cruz, e foi ferida no coração com uma espada de dor que a tinha preservada no parto, O contemplasse sentado à direita de seu Pai.
Era inevitável que a Mãe de Deus possuísse os bens de seu Filho, e fosse honrada como Mãe e serva de Deus por todas as criaturas.»


S. João Damasceno,
Homilia sobre a Dormição da Virgem Maria



Ó Maria,
Rainha elevada ao céu em corpo e alma,
rogai por nós!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Rosto de Clara de Assis

«Coloca o teu espírito diante do espelho da eternidade, deixa a tua alma envolver-se no esplendor da glória, une-te de coração Àquele que é a incarnação da essência divina, e por esta contemplação, transforma-te toda à imagem da sua divindade. Conseguirás assim experimentar o que só os seus amigos sentem; provarás a doçura escondida que o próprio Deus reservou, desde o princípio, àqueles que O amam.
Sem conceder um só olhar a todas as seduções enganadoras pelas quais o mundo aprisiona os pobres cegos que se agarram a ele, ama então de todo o teu ser Aquele que por teu amor se entregou todo também, Ele cuja beleza é admirada pelo sol e pela lua, Ele que garante recompensas de grandeza e valor sem limites. Falo do Filho do Altíssimo que a Virgem deu à luz sem deixar de ser virgem. Associa-te a esta doce Mãe que deu ao mundo esta criança que os céus não podiam conter; ela que no entanto O albergou no pequeno claustro de seu ventre e O levou no seu seio virginal. (…)
Assim como a gloriosa Virgem das virgens O levou materialmente, assim poderás sempre levá-l’O espiritualmente no teu corpo casto e virginal se seguires o seu exemplo, particularmente a sua humildade e a sua pobreza; poderás conter em ti Aquele que te contem, a ti e ao universo, possuindo-O de maneira bem mais real e concreta do que poderias possuir os bens perecíveis deste mundo.»


3ª carta de Santa Clara de Assis a Inês de Praga



* * *

Santa Clara nasceu em Assis, Itália, por volta de 1194, numa família rica e nobre.
Clara era filha primogénita de Favarone e Hortulana e tinha mais duas irmãs, Inês e Beatriz.
Clara sonhava com uma vida cheia de sentido, que lhe trouxesse uma verdadeira felicidade.
Depois de conversar muito com Francisco de Assis, seduzida pelo estilo de vida de seu amigo que deixara tudo para seguir a Cristo, saiu de casa no Domingo de Ramos de 1212, sorrateiramente em plena noite, acompanhada apenas de sua prima Pacífica e de outra fiel amiga. Foi procurar Francisco na Igreja de Santa Maria dos Anjos, e lá, frente ao altar, o Povorello lhe cortou os longos e dourados cabelos, cobrindo-lhe a cabeça com um véu, sinal de que Clara seria doravante Esposa de Cristo. Nem a ira de seus parentes, nem as lágrimas de seus pais conseguiram fazê-la retroceder no seu propósito. Poucos dias depois, a sua irmã Inês juntou-se a ela, imbuída do mesmo ideal. Mais tarde é a sua mãe, Hortulana, juntamente com a terceira filha Beatriz, que seguiriam Clara, indo morar com ela no convento de São Damião, que foi a primeira moradia das seguidoras de São Francisco.
Ao longo dos tempos, rainhas, princesas e humildes mulheres, escolheram seguir o exemplo de Clara de Assis, para viver, à luz do Evangelho, a fascinante aventura das Damas Pobres, muitas das quais se tornaram grandes exemplos de santidade para toda a Igreja.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Guiou a barca de Pedro em anos tempestuosos

Hoje, 6 de Agosto, completam-se os 30 anos da morte do Servo de Deus, Paulo VI.
Giovanni Battista Montini nasceu na região da Lombardia, norte da Itália, a 26 de Setembro de 1897.
Foi papa de 21 de Junho de 1963 até à sua morte aos 81 anos, no dia da Festa da Transfiguração do Senhor de 1978.
“Como supremo Pastor da Igreja, Paulo VI guiou o povo de Deus à contemplação do rosto de Cristo Redentor do homem e Senhor da história. Esta amorosa orientação da mente e do coração para Cristo foi precisamente um dos pontos fulcrais do Concílio Vaticano II, uma atitude fundamental que o meu venerado predecessor João Paulo II herdou e relançou no grande Jubileu do ano 2000. No centro de tudo, sempre Cristo: no centro das Sagradas Escrituras e da Tradição, no coração da Igreja, do mundo e de todo o universo”. (Bento XVI, 03/08/2008)
“Fidem servavi” …”Conservei a fé”…nesta expressão paulina pronunciada poucos dias antes de sua própria morte, está condensado todo o pontificado de Paulo VI. Um Papa sereno e firme, apaixonado pela Verdade, que guiou a barca de Pedro em anos tempestuosos para a Igreja e para o mundo.
Eleito a 21 de Junho de 1963, o Papa Montini confrontou-se desde logo com um grande desafio: levar a cabo o Concílio Vaticano II convocado pelo Beato João XXIII, mas que após um entusiasmo inicial corria o risco de afundar-se. Seguindo com cuidado os trabalhos conciliares, intervindo nas questões mais delicadas, este Papa soube “fazer aterrar este grande avião que era o Concílio como mais ninguém o poderia fazer.” (Jean Guitton)
Com o Concílio, a Igreja actualizou-se, fez o seu “aggiornamento”, renovou-se, mas existiram turbulências que fizeram sofrer muito Paulo VI. Algumas palavras do Papa mostraram graves inquietações sobre os frutos do Concílio:
“A Igreja está a passar por uma hora inquieta de autocrítica, que melhor se chamaria de autodestruição, como um problema agudo e completo que ninguém esperaria após o Concílio. A Igreja parece suicidar-se, matar-se a si mesma.” (07/12/1972)
“Esperava-se que depois do Concílio houvesse um período resplandecente de sol para a história da Igreja. Pelo contrário, vieram nuvens, tempestade e trevas!” (18/08/1975)
“Neste momento há na Igreja uma grande inquietação. O que está em questão é a fé! O que me perturba quando penso no mundo católico é que, dentro do catolicismo, algumas vezes, parece dominar um pensamento não-católico; pode acontecer que este pensamento não-católico, dentro do catolicismo, amanhã seja a força maior na Igreja, mas nunca será a Igreja!” (08/08/1977) Preocupante…sobretudo na boca de um papa…
No 15º ano de pontificado, Paulo VI empenhou-se na pacificação do mundo. Institui um Dia mundial da Paz no 1º de Janeiro de cada ano, e fez-se apóstolo da paz em 9 viagens apostólicas internacionais, que passaram por Portugal, e que o levaram assim a todos os continentes. “Nunca mais a guerra, numa mais a guerra! É a paz, é a paz que deve guiar a sorte dos povos e de toda a humanidade!” (04/10/1965 nas Nações Unidas). Paulo VI é o 1º Papa que viajou de avião.
O Papa Montini preocupou-se também com o sofrimento das nações africanas dilaceradas pela miséria. Em 1967 publicou a encíclica “Populorum progressio”. “O desenvolvimento é o novo nome da paz”. Mas há-de ser um “desenvolvimento integral”, visando “a promoção de cada homem e do homem todo.”
A publicação em 1968 da “Humanae vitae”, centrada sobre o amor conjugal responsável, publicada em pleno ano de contestação nas sociedades ocidentais, fez do Santo Padre objecto, até no interior da Igreja, de críticas cáusticas, que por vezes degeneraram em insultos. O Papa Montini que tomava uma posição pesada e longamente meditada com esta encíclica, exprimia-se assim: “A nossa palavra não é fácil, não é conforme a um uso que hoje em dia se vai difundindo como cómodo e aparentemente favorável ao amor e ao equilíbrio familiar. Queremos recordar que a norma por nós reafirmada não é nossa, mas é própria das estruturas da vida, do amor e da dignidade humana.” (04/08/1968)
Promotor da “civilização do amor”, Paulo VI empenhou-se no diálogo ecuménico, na convicção de que, só unidos, os cristãos poderiam ser factor de reconciliação entre os povos. Histórico é o seu encontro em Jerusalém com o Patriarca de Constantinopla em 1964. No ano seguinte é revogada a excomunhão que as duas Igrejas tinham cominado uma à outra em 1054. Passos em frente se deram também no diálogo com os anglicanos. Em 1966, Paulo VI encontrou-se com o arcebispo de Cantuária. Três anos depois, em Genebra, visitou o Conselho Ecuménico das Igrejas.Em 1978, nos últimos meses de sua vida, o Papa Montini viveu momentos dramáticos com o rapto e assassinato de seu amigo Aldo Moro pelas “Brigadas Vermelhas”, bem explícitos nas palavras trágicas que Ele proferiu numa oração de sufrágio pela alma do político italiano: “Meu Senhor, escutai-nos; quem pode ouvir o nosso clamor senão Vós, ó Deus da vida e da morte? Vós não atendestes as nossas súplicas para o salvamento de Aldo Moro, este homem, bom, humilde, prudente, inocente e amigo.”
De entre muitos frutos do seu ministério petrino, recorda-se a reforma litúrgica na sequência do Concílio Vaticano II, a reforma da Cúria Romana e a celebração do Ano jubilar de 1975. A 29 de Junho de 1978, a pouco mais de um mês de sua morte, Paulo VI afirmava como São Paulo, ter combatido o bom combate do Evangelho:
“O nosso ofício é o mesmo de Pedro, ao qual Cristo confiou o mandato de confirmar os seus irmãos: é o ofício de servir a verdade da fé… Eis, irmãos e filhos, o desejo incansável, vigilante, esgotante, que nos moveu nestes quinze anos de pontificado. ‘Fidem servavi’!...'Conservei a fé!' podemos dizer hoje, com a humilde e firme consciência de nunca ter atraiçoado a santa verdade”.


Quando penso no pontificado do Papa Paulo VI, penso sempre no peso…no fardo…que deve ser, ser Sucessor de São Pedro, Vigário de Cristo na Terra…
Tenhamos sempre presente nas nossas orações o Santo Padre!

sábado, 2 de agosto de 2008

Nossa Mãe para a Eucaristia

«A Santíssima Virgem tinha uma atracção tão grande pela Eucaristia, que ela não podia se separar dela; ela vivia do Santíssimo Sacramento. Ela passava os dias e as noites aos pés do seu divino Filho. Ó Maria, ensinai-nos a vida de adoração! Ensinai-nos a encontrar como vós todos os mistérios e todas as graças na Eucaristia; a fazer reviver o Evangelho, a lê-lo na vida eucarística de Jesus. Lembrai-vos, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, que sois a Mãe dos adoradores da Eucaristia!
Onde encontraremos a Jesus na terra senão nos braços de Maria? Não foi ela que nos deu a Eucaristia! Foi o seu consentimento, na Encarnação do Verbo no seu seio, que iniciou o grande mistério de reparação para com Deus e de união connosco que Jesus cumpriu durante a sua vida mortal e que Ele continua no Santíssimo Sacramento. Nunca se deve separar Maria de Jesus: não saberíamos ir a Ele sem passar por ela. Até digo que mais se ama a Eucaristia, mais devemos amar Maria…
Maria tem a missão de nos tomar pela mão para nos conduzir ao sacrário. A Santíssima Virgem torna-se então nossa Mãe para a Eucaristia; ela é incumbida de nos encontrar o nosso Pão da vida, de no-lo fazer saborear e desejar; ela recebe a missão de nos formar na adoração. Ó Jesus, não sei adorar; mas ofereço-Vos as palavras, os anseios de vossa Mãe, que é minha também; não sei adorar, mas repito a sua adoração pelos pecadores, pela conversão do mundo e as necessidades da Igreja.
É Maria que conseguirá a Jesus Eucarístico a sua corte de honra. Não duvideis, se tendes a felicidade da conhecer, amar e servi-l’O no Santíssimo Sacramento, é a Maria que o deveis; é ela que vos requisitou junto do Pai celeste para a guarda de amor do Deus da Eucaristia. Agradecei a esta boa Mãe, vós que lhe deveis todas as graças da vossa vida, a maior de todas, a de amar e servir, consagrando-lhe toda a vossa vida, o Rei dos reis no seu trono de amor!»



São Pedro Juliano Eymard


Nascido em França no século XIX, São Pedro Juliano Eymard marcou toda a Igreja com o verdadeiro culto a Jesus Eucarístico. Foi à luz da Eucaristia que o jovem Pedro descobriu a sua vocação para o sacerdócio, apesar da oposição do pai. Ordenado sacerdote, entrou mais tarde na Congregação dos Maristas, mas percebendo a indiferença do povo para com Jesus Eucarístico e inspirado no exemplo de Nossa Senhora, fundou o Instituto do Santíssimo Sacramento. "É necessário tirar Cristo do sacrário, apresentá-lo ao povo como o grande Senhor, Mestre, Salvador, vivo, real no meio de nós". Exímio apóstolo do mistério eucarístico, criou congregações de religiosos e de religiosas, para se consagrarem ao culto eucarístico, e tomou muitas e excelentes iniciativas entre as pessoas de todas as condições para promover o amor para com a Eucaristia. Morreu no primeiro dia de Agosto de 1868, na sua cidade natal.
A sua memória litúrgica é a 2 de Agosto.
Bendito seja Deus nos seus santos!




Foto: Ícone-Ostensório da Comunidade Eucaristein