terça-feira, 29 de abril de 2008

Veneração macabra?

O corpo do popular santo italiano Padre Pio de Pietrelcina poderá ser venerado até ao dia 23 de setembro de 2009 em San Giovanni Rotondo.
No passado 24 de Abril 2008, foi exibido pela primeira vez o corpo do frade numa urna de vidro. O “Cardeal do sorriso” José Saraiva Martins, prefeito da Congregação das Causas dos Santos, presidiu a celebração eucarística que inaugurava a exposição do corpo do santo, corpo esse que se apresenta vestido com o hábito dos capuchinhos, uma estola, umas luvas que pertenciam ao mesmo santo e com o rosto coberto de uma leve máscara de silicone.
A veneração das relíquias suscitou e suscita algumas controvérsias em Itália, mesmo entre os fiéis. Parece que o catolicismo do presente não entende muito bem tal acontecimento.
O cardeal português nos ajuda a perceber melhor tal devoção numa entrevista a um jornal italiano.


Il Giornale (IG) - Porque é importante venerar as relíquias de um santo ?
Cardeal Saraiva Martins (CSV) –
Os santos são humanos como nós, que seguiram Jesus no caminho da perfeição quotidiana. Foram, como cada um de nós, chamados a sê-lo, templos do Espírito Santo, dóceis à acção da graça de Deus. O cristianismo, fundado no acontecimento da encarnação, morte e ressurreição do Filho de Deus na nossa terra, num tempo preciso da história da humanidade, sempre teve em conta e respeitou o corpo. Os membros mortais dos santos também transmitiram a graça. Por isso veneramos as relíquias dos santos.

IG – Algumas pessoas acham esta veneração macabra? Que responder?
CSV –
Respondo que ninguém é obrigado a venerar as relíquias de um santo. Mas também respondo que esta veneração não é fruto de desvios: ela está presente desde a origem da comunidade cristã que venerava as relíquias dos apóstolos e dos mártires.

IG – Não haverá um excesso de atenção mediática sobre a exposição do corpo de Padre Pio? Não há riscos de fanatismo?
CSV –
Somos homens, os riscos existem, mas parece-me que ninguém cai no fanatismo. É importante recordar que Padre Pio foi um grande santo porque deu a sua vida a Deus, soube sofrer por Jesus e viveu orando e ajudando tantas almas a reencontrar a fé e a fazer a experiência da misericórdia divina. Quem o venera, quem se coloca na fila para se aproximar da urna que conserva o corpo, sabe-o muito bem. Ele sabe que o que interessa é a fé em Deus, no seu Filho Jesus Cristo. Ele sabe que o importante é aproximar-se dos sacramentos, da oração, de confiar a vida ao Criador. Venerar São Padre Pio de Pietrelcina não serve para nada sem tudo isso.

IG – Os fiéis estão conscientes disso?
CSM –
Creio que os fiéis são mais ajuizados do que o julgamos ou do que muitas vezes são retratados. O perfume da santidade que emanava de Padre Pio era um fruto da sua fé e não um poder mágico. Venerar os santos, conhecê-los, imitá-los, deve conduzir a Jesus e não à superstição. Mostrar os seus corpos mortais, os restos, venerá-los, significa perceber que Deus se serve dos nossos seres, do nosso físico, das nossas fraquezas, para anunciar o seu Evangelho.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Bento XVI aos jovens norte-americanos...e do mundo

«E hoje? Quem leva o testemunho da Boa Nova de Jesus às ruas de Nova Iorque, nos subúrbios inquietos às margens das grandes cidades, aos lugares nos quais os jovens se reúnem em busca de alguém em quem confiar? Deus é a nossa origem e o nosso destino, e Jesus é o caminho. Esta viagem se articula – como a dos nossos santos – entre alegrias e provações da vida quotidiana: nas famílias, nas escolas e nos colégios, durante as actividades do tempo livre e nas comunidades paroquiais. Todos estes lugares são marcados pela cultura na qual cresceis. A vós, jovens americanos, são oferecidas muitas possibilidades para o vosso desenvolvimento pessoal, e fostes educados num espírito de generosidade, serviço e imparcialidade. Mas não precisais que eu vos diga que existem também dificuldades: comportamentos e modos de pensar que sufocam a esperança, caminhos que conduzem à felicidade e à satisfação, mas que conduzem também à confusão e angústia. (…)


Vós notastes quantas vezes a reivindicação da liberdade é feita, sem jamais referir-se à verdade da pessoa humana? (…)
Mas qual é o objectivo da "liberdade" que, ignorando a verdade, persegue o que é falso ou injusto? A quantos jovens foi oferecida uma mão que, em nome da liberdade ou da experiência, os guiou ao vício da droga, à confusão moral ou intelectual, à violência, à perda de respeito por si mesmos, ao desespero, e até, tragicamente, ao suicídio?
Queridos amigos, a verdade não é uma imposição. Nem é simplesmente um conjunto de regras. É a descoberta de alguém, que nunca nos trai; de alguém no qual podemos sempre confiar. Ao procurar a verdade, chegamos a viver apoiados na fé porque, definitivamente, a verdade é uma pessoa: Jesus Cristo. É esta é a razão pela qual a autêntica liberdade não é uma escolha em “libertar-se de algo”, mas uma decisão em “empenhar-se por”, nada mais do que sair de si mesmo e deixar-se envolver no "ser pelos outros" em Cristo (Spe salvi, 28). (…)





Por vezes, porém, somos tentados em fechar-nos sobre nós mesmos, duvidar da força do esplendor de Cristo, limitar o horizonte da esperança. Tomai coragem! Fixai o olhar nos nossos santos! A diversidade das suas experiências da presença de Deus nos incita a descobrir novamente a grandeza e a profundidade do cristianismo. Deixai que as suas ideias se alarguem livremente à vossa vida cristã. Por vezes, somos consideradas pessoas que falam apenas de proibições. Nada pode ser mais distante da verdade! Uma autêntica vida cristã é caracterizada pela sensação de surpresa. Estamos diante daquele Deus que conhecemos e amamos como um amigo, diante da vastidão de sua criação e da beleza de nossa fé cristã.
Queridos amigos, o exemplo dos santos nos convida também a considerar quatro aspectos essenciais do tesouro de nossa fé: a oração pessoal e o silêncio, a oração litúrgica, a caridade praticada e as vocações.(…)
Amigos, não tenhais medo do silêncio e da quietude, escutai a Deus, adorai-O na Eucaristia! Deixai que a sua palavra modele o vosso caminho como crescimento da santidade.»


Bento XVI aos jovens norte-americanos, 19/04/2008

sábado, 19 de abril de 2008

Existe uma sede profunda de Deus

«Para uma sociedade rica, outro obstáculo ao encontro com o Deus vivo é a subtil influência do materialismo, que, infelizmente, pode facilmente concentrar a atenção no “cêntuplo” prometido por Deus nesta vida, à custa da vida eterna que Ele promete para o tempo que virá (Mc10,30).
As pessoas precisam hoje ser recordadas do objectivo último da existência.
Precisam reconhecer que dentro delas, existe uma sede profunda de Deus.
Precisam ter a oportunidade de se saciar à fonte de seu amor infinito.
É fácil ser seduzido pelas possibilidades quase ilimitadas que a ciência e a técnica nos oferecem.
É fácil cometer o erro de pensar conseguir, com os nossos próprios esforços, a realização das nossas necessidades mais profundas. Isto é uma ilusão.
Sem Deus, que nos dá aquilo que não podemos alcançar sozinhos (Spe salvi 31), as nossas vidas são, afinal de conta, vazias.
As pessoas precisam ser continuamente convidadas a cultivar uma relação com Ele, que veio para que tenhamos vida em abundância (Jo10,10).
O objectivo de todas as nossas actividades pastorais e catequéticas, o propósito da nossa pregação, o próprio centro de nosso ministério sacramental deve ser ajudar as pessoas a estabelecer e alimentar uma relação viva com “Jesus Cristo, nossa esperança”(1Tm1,1)

Bento XVI ao bispos dos E.U.A, 16/04/2008




No 3º aniversário de pontificado de Bento XVI

Ó Jesus cabeça invisível da Santa Igreja,
que a fundastes sobre uma firme pedra,
e prometestes que as portas do inferno não prevalecerão nunca contra ela,
conservai, fortificai e guiai
aquele que lhe destes por cabeça visível.
Fazei que ele seja o modelo do vosso rebanho,
assim como é o seu pastor.
Seja ele o primeiro por sua santidade, doutrina e paciência,
assim como o é por sua dignidade;
seja ele o digno Vigário de vossa Caridade,
assim como o é da vossa Autoridade.


de uma oração pelo Sumo Pontífice

terça-feira, 15 de abril de 2008

U.S Church

Esta semana é marcada na actualidade pela viagem pastoral de Bento XVI aos Estados Unidos da América.
Neste país, 1 em 4 habitantes é católico (65 milhões). A Igreja Católica é assim o grupo religioso mais importante em terras do Tio Sam, ocupando o terceiro lugar no catolicismo mundial, atrás do Brasil e do México, em igualdade com as Filipinas, e à frente dos países europeus. Conta com 14 cardeais, 300 bispos, 45 000 sacerdotes, 197 dioceses e 20 000 paróquias. No entanto, o seu peso não se faz sentir no governo da Igreja ou na teologia, nem nas orientações políticas, sociais ou económicas dos Estados Unidos.
Abalada pelo “annus horribilis” de 2002, em que foram revelados casos de abusos sexuais por sacerdotes, abafados pela hierarquia ao longo de anos, a Igreja Católica Norte-Americana conhece porém uma progressão constante que a faz ocupar um lugar central na cena social e política americana. Cada vez mais aculturada, a Igreja Norte-Americana tende em afastar-se da influência de Roma e da velha Europa.
No passado Domingo, referindo à sua viagem aos Estados Unidos como uma "experiência missionária", Bento XVI afirmava: «Minha intenção é compartilhar a palavra de vida de Nosso Senhor com os diferentes grupos que encontrarei».
Escolhendo como lema da peregrinação: «Cristo, nossa esperança!», o Santo Padre quer assim transmitir aos norte-americanos que «Cristo é o fundamento da nossa esperança, da paz, da justiça e da liberdade que procede do cumprimento da lei de Deus em amar-nos mutuamente» (Regina Caeli 13/04/2008).
O Papa pediu as orações dos crentes «pelo êxito de minha visita de maneira que seja um momento de renovação espiritual para todos os americanos».




Santos Norte-Americanos:

Santa Rosa Filipa Duchesne (1769 -1852), de origem francesa, religiosa, co-fundadora da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus com Madeleine-Sophie Barat, canonizada em 1988 por João Paulo II.

Santa Isabel (Elisabeth) Ann Seton (1774-1821), convertida do Anglicanismo ao Catolicismo, fundadora das Irmãs da Caridade. Primeira cidadã natural dos Estados Unidos da América a ser canonizada. Beatificação por João XXIII e Canonização por Paulo VI.

São João (John) Newman (1811-1860), de origem checa, naturalizado norte-americano, bispo de Filadélfia (Pensilvânia), beatificado e canonizado por Paulo VI.

Santa Francisca (Frances) Xavier Cabrini (1850 - 1917), de origem italiana, conhecida por Madre Cabrini, é a 1ª santa naturalizada norte-americana, co-fundadora do Instituto das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, beatificada e canonizada por Pio XII.

Santa Catarina Drexel (1858-1955), fundadora da Irmãs do SS. Sacramento, beatificada e canonizada por João Paulo II.

domingo, 13 de abril de 2008

Pastor e porta


"Eu sou a porta das ovelhas"
Jo 10, 9



Senhor,
Tu és o nosso Pastor,
aquele que nos conduz no caminho do reino,
e não há outro caminho senão o teu.

Ninguém vai ao Pai senão por Ti,
porque és a porta que nos abre à vida,
na gloriosa liberdade de filhos de Deus.

Mas a porta é estreita,
e só podemos passar por ela,
inclinando-nos, tornando-nos pequeninos.

Saibamos nós deixar tudo o que incomoda,
e abandonar o que pode interessar aos ladrões.

Assim, o coração purificado de tudo o que pesava,
reconheceremos a tua voz quando chamarás pelo nosso nome,
Tu que conheces a cada um de uma maneira única.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Vocação e missão

A Igreja cumpre a sua missão através do apelo que Deus faz a cada um.
Leigos, religiosos ou sacerdotes, todos são consagrados pelo Baptismo e a Confirmação para testemunhar ao mundo o Evangelho.
Assim, a missão da Igreja passa por pessoas bem reais, com os seus talentos e a sua fragilidade. E a sua única riqueza é o Espírito Santo, que transforma os pobres pecadores em testemunhas do amor de Deus.
Cada vocação é um serviço à Igreja em missão.
Pelo apelo que o Senhor faz a cada um, somos colocados ao serviço da missão da Igreja.




Vivendo como discípulos de Jesus, o Mestre,
dóceis ao Espírito Santo,
somos todos enviados em missão!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Não há vida sem vocação

Não há vida sem vocação, não há vocação sem missão.
Isto é, não existe vida que não serve para nada, mesmo a de um doente ou de uma criança que morre prematuramente… qualquer vida é desejada e amada por Deus.
Cada vocação tem uma missão.
O que espera de nós o Senhor da seara, nós que somos privilegiados porque todos chamados por Ele?



Ler mensagem de Bento XVI para o 45º dia de oração pelas vocações no próximo Domingo IV da Páscoa, Domingo do Bom Pastor