quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O mundo promete

A Quaresma é tempo para voltar ao essencial, de libertação…de regresso a Deus.
Uma oportunidade para ler algumas frases da Irmã Lúcia, que faleceu por estes dias há 3 anos, e que certamente nos ajudarão nesta caminhada quaresmal.
«O mundo promete facilidades e prazeres e rodeia-nos de muitas tentações aliciadores, mas falsas e nascidas da ignorância, porque o mundo ou, antes, os que seguem as máximas do mundo desconhecem o bem que rejeitam e perdem, quando se afastam de Deus. Todos correm em busca da felicidade, mas não encontram, porque a procuram onde ela não existe, e assim, como é errada a estrada, quanto mais a seguem mais se afastam da felicidade.
Deus é o único Ser onde está a felicidade, para a qual, aliás, nos criou. Mas Deus não está na satisfação dos prazeres sensuais da carne, dos sentidos, nem das paixões, do orgulho, da soberba, da cobiça, etc.
Deus encontra-Se nas almas puras, nos corações humildes e nas consciências rectas, livres do apego às coisas da terra, como sejam honras, prazeres, riquezas, etc. É que as pessoas assim libertas identificam-se com Deus, e a vida de Deus nelas; e Ele comunica-lhes uma participação sempre crescente nos Seus dons.»



Irmã Lúcia, Apelos da Mensagem de Fátima



Ontem, o Cardeal Saraiva Martins, em Coimbra, anunciou a antecipação, por decisão de Bento XVI, do início do processo de beatificação da mais velha dos pastorinhos de Fátima.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Há 150 anos...

Há 150 anos, de 11 de Fevereiro a 16 de Julho de 1858, apareceu 18 vezes em Lourdes (Pirinéus franceses), a Virgem Maria a Bernardete Soubirous.
A mensagem de Lourdes é de oração e de penitência, onde Maria se revela como a “Imaculada Conceição” (16ª aparição), confirmando assim o dogma proclamado três anos antes pelo Papa Pio IX.
As aparições de Nossa Senhora à jovem Bernardete são sóbrias: muito silêncio e poucas palavras. É na 9ª aparição, a 25 de Fevereiro, que a Virgem indica uma nascente de água perto do rochedo onde ela aparecia:“Ide beber à fonte e lavai-vos”. Desde então aquele manancial mina água sem cessar, uma água banal, nem “benta” (como muitos confundem), mas que se tornou um dos grandes sinais de Lourdes, por causa dos muitos milagres a ela devidos.
Na fé, pelos elementos naturais e os sacramentos, é sempre Deus que cura, na comunhão de Maria e dos santos, e pela oração dos fiéis.
A água da gruta de Massabielle, não é nenhum amuleto..."é como um medicamento. É necessário a fé, a oração. Esta água não teria nenhuma virtude sem a fé!" afirmou a vidente Bernardete.
Maria manifestou também o desejo que Lourdes fosse um lugar de oração e de peregrinação (13ª aparição). Já no tempo das manifestações marianas acorriam milhares de pessoas até lá, e em 1876, foi edificada a actual basílica do Santuário de Lourdes.
Naquela pequena terra perdida no meio das montanhas, Nossa Senhora escolheu assim Bernardete (1844-1879), uma pobre aldeã, para sua mensageira, e convidou-a a trabalhar na conversão dos pecadores. Bernardete, que abraçou a vida religiosa nas Filhas da Caridade, foi canonizada pelo Papa Pio XI em 8 de Dezembro de 1933, e o seu corpo permanece incorrupto no Convento de Nevers, onde viveu.
Lourdes tornou-se um dos lugares de maior peregrinação do mundo, com milhões de pessoas a ir lá todos os anos, e onde muitos doentes foram curados nas suas águas milagrosas.


Ó Maria,
que disseste a Bernardete
de ir beber à fonte e lavar-se,
hoje, também nós, ouvimos o teu apelo.
Fomos imergidos na água do baptismo
e a vida de teu Filho Jesus encheu os nossos corações.
Mãe imaculada,
ensina-nos a rejeitar o pecado
e a lavar-nos na infinita misericórdia de Deus.
Caminha connosco nos caminhos da fé
para podermos saciar a nossa sede,
bebendo à fonte de água viva
que jorrou do Coração trespassado de teu Filho.
Mãe de ternura,
guarda-nos sob o teu olhar e na tua protecção;
roga por nós ao Senhor,
para que Ele nos dê a força e a alegria
de partilhar com todos os que têm sede,
a água pura da fé, da esperança e da caridade.
Ámen.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Deserto da tentação...deserto da libertação

"Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto,
a fim de ser tentado pelo Demónio"
(Mt 4, 1)

A tentação faz parte inevitavelmente da vida do homem, e sem as tentações do deserto, Jesus, o Verbo de Deus que se fez carne, não teria assumido plenamente a sua condição humana.
Assim, como verdadeiro homem, Jesus, Filho de Deus, também viveu o que Santo Agostinho um dia disse sobre a experiência humana da tentação:
«Na sua viagem terrena, a nossa vida não pode escapar-se à provação da tentação, porque o nosso progresso se realiza pela nossa provação; ninguém se conhece a si mesmo sem ter sido provado, e não pode ser coroado sem ter vencido, não pode vencer sem ter combatido, e não pode combater se não encontrou o inimigo e as tentações.»
Desde o princípio, o homem leve este combate contra o inimigo e as tentações.
No deserto, Cristo vem reviver concretamente este combate velho como o mundo e dar-lhe um novo desfecho.
Três tentações, três vitórias de Jesus, pelas quais o homem reencontra a sua liberdade original.
«Jesus Cristo, no deserto foi tentado pelo demónio. Mas em Cristo, és tu que eras tentado, porque Cristo tinha de ti a carne, para te dar a salvação; tinha de ti a morte, para te dar a vida; tinha de ti os ultrajes, para te dar as honras; por isso tinha de ti as tentações para te dar a vitória. Se é n’Ele que somos tentados, é n’Ele que dominamos o demónio. (…) Se Ele não tinha sido tentado, Ele não te teria ensinado, a ti que deves ser submetido à tentação, como alcançar a vitória.» (S. Agostinho)
Com Jesus, homem livre, não tenhamos medo de enfrentar o deserto da tentação que é também o deserto da libertação!
Afinal, Cristo mostrou-nos, quando colocados diante de escolhas que devemos fazer, a maneira de agir num acto livre: seguir a Palavra de Deus.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Deus, na sua sabedoria, nos deu a Quaresma

«Caríssimos, no propósito de vos falar do santo jejum da Quaresma, como poderia começar melhor o meu sermão senão pelas palavras do Apóstolo, mensageiro de Jesus Cristo, repetindo estas palavras que acabamos de ler: ‘Eis o tempo favorável, eis o dia da salvação’ (2 Cor 6, 2)?
Apesar de o Senhor nos cumular de graças a toda a hora, e a sua divina misericórdia nos ajudar sempre, é no entanto necessário que a alma se entregue com maior zelo à prática da virtude, e abrace maiores esperanças neste tempo, onde o cumprimento dos mistérios da nossa redenção nos convida especialmente a exercer muitos actos de piedade, para podermos celebrar com pureza de coração e de espírito, o mistério santo e incomparável da Paixão de nosso Senhor.
Deveríamos adorar constantemente estes divinos mistérios com a mesma piedade, com o mesmo amor, e sermos sempre puros diante de Deus como o devemos ser pela festa da Páscoa.
Mas poucas pessoas possuem fervor suficiente para isso; a fraqueza da carne nos impede de perseverar na recta observância destes divinos preceitos; e as tarefas e preocupações desta vida causam tão grande distracção que até as almas mais virtuosas não conseguem preservar-se do pó do mundo; por isso, Deus, na sua sabedoria, nos deu a Quaresma para purificar as nossas almas, e pelas nossas boas acções e o nosso piedoso jejum, resgatar as faltas que cometemos ao longo do ano.»


São Leão Magno, Sermão I sobre a Quaresma





Como se manifesta a penitência na vida cristã?
A penitência manifesta-se de muitas maneiras, em especial pelo jejum, a oração e a esmola. Estas e muitas outras formas de penitência podem ser praticadas na vida quotidiana do cristão, especialmente no tempo da Quaresma e no dia penitencial de Sexta-feira.


Compêndio do Catecismo da Igreja Católica



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

É o primeiro passo

Quarta-feira de Cinzas é o primeiro dia da Quaresma, este período de 40 dias que nos separa da Páscoa. Para os cristãos, é dia de jejum e de abstinência. Por jejum, não se entende privação total de alimento, mas uma ascese que consiste em libertar-se do supérfluo, do inútil, e Deus sabe o quanto somos tentados pelo inútil, quer na alimentação, quer nos prazeres da vida, aos quais muitas vezes somos incapazes de renunciar.
Hoje, a Igreja convida a jejuar e a abster-se de tudo o que é inútil na nossa vida. A cada um de encontrar aquilo a que renunciará, não num espírito de “mortificar-se por mortificar-se”, nem por dolorismo, mas tudo para reencontrar o desejo de Deus, e através disso, melhor escutá-l’O e ir ao encontro do próximo.


Também hoje, a Igreja nos convida na Eucaristia a receber as “cinzas”. Por meio deste rito, o sacerdote diz a cada um dos participantes: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho!”, isto é, ao longo deste tempo quaresmal que começa agora, afastemo-nos das faltas, renunciemos ao egoísmo, à violência…voltemo-nos para Aquele que nos cura. Voltemo-nos para Aquele que se prepara para morrer na cruz.
Por isso, Quarta-feira de Cinzas é um dia importante: é o primeiro passo que acompanha os passos de Cristo até à sua paixão, até à sua morte e ressurreição.

Bom início de Quaresma a todos!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Vela

Na vida do homem, a vela pode ter vários significados.
Mas à luz da fé, ela é símbolo de oração.
É verdade que ela não pode rezar, mas pode convidar ao recolhimento.
Assim, a vela é presença calorosa e luminosa que convoca à oração, e, quando a deixamos consumir-se no tempo, sinal da nossa prece que perdura diante de Deus.
Na Igreja primitiva, a vela (o círio) era igualmente símbolo de Cristo, Deus e homem.
A cera, sinal da sua natureza humana oferecida em sacrifício por nós, e a chama, a sua divindade, são símbolos que ainda dizem muito aos cristãos de hoje.
Pela natureza humana de Jesus resplandece a sua divindade.
Por isso, na vela reconhecemos também um sinal de Cristo no meio de nós, que com a sua luz ilumina as nossas vidas e nos aquece de seu amor.

Para acender uma vela, clicar aqui

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Cristo, luz das nações

A 2 de Fevereiro, Festa da Apresentação de Jesus ao templo, é costume, antes da Missa, benzer velas, que servirão para “uso doméstico” dos fiéis, e levá-las em procissão. Acesas em honra de Cristo que vem como luz das nações, este cortejo de entrada é sinal da Igreja que caminha guiada pela luz do seu Senhor. É também dia dos consagrados e de especial oração por eles.


Cristo, luz das nações
e glória de Israel,
para cumprir a Lei
vem hoje ao santo templo.

Simeão O recebe
nos braços e proclama
como sinal de esperança
e de contradição,

Pedra angular do Reino
e da nova Aliança,
salvação e ruína
de muitos corações.

Pela espada de dor
na alma da Virgem Mãe,
sua luz nos revele
a luz da salvação.

Glória ao Pai e ao Filho,
Sol que ilumina o mundo,
com o Espírito Santo,
agora e sempre.




Hino da Liturgia das Horas
para a festa da Apresentação do Senhor