quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Ecumenismo vivido

A “Semana de oração pela unidade dos cristãos” é celebrada todos os anos, de 18 a 25 de Janeiro pelos cristãos das diversas confissões, por todo o mundo.
2008 é o 100º aniversário desta iniciativa.
O tema proposto para este ano é uma passagem da 1ª Carta aos Tessalonicenses: “Orai sem cessar!”
O objectivo da unidade dos cristãos, que é presença diária na minha oração, é uma oportunidade para falar de um lugar a meio caminho de Bruxelas e do Luxemburgo, retirado no campo, perto da serra das Ardennes belgas: um mosteiro beneditino internacional consagrado à unidade dos cristãos…o Mosteiro de Chevetogne.

Desde a sua fundação em 1925 por D. Lambert Beauduin (1873-1960), um pioneiro do ecumenismo na Igreja Católica, o Mosteiro de Chevetogne é vocacionada à oração, ao encontro e ao trabalho teológico para a unidade dos cristãos.
Os monges dividem-se em dois grupos litúrgicos. Um grupo celebra segundo a Tradição Ocidental, o outro segundo a Tradição do Oriente Bizantino.
Centro de oração, a comunidade deseja assim penetrar no mais profundo da alma cristã do Ocidente e do Oriente, para além das barreiras confessionais.
Lugar de encontro espiritual e intelectual, o mosteiro procura viver ao ritmo da Igreja do presente, aberta ao passado e à tradição, mas também às grandes questões actuais colocadas ao mundo cristão.
Assim, a sua vocação, incluída numa procura radical de Deus e num clima de oração constante, é de trabalhar para que todos os cristãos reencontrem juntos a plena comunhão, afim de testemunhar em comum a sua esperança, para que a sua mensagem seja escutada pelo mundo.
O Mosteiro de Chevetogne é um grande exemplo de “ecumenismo vivido”.

Site do Mosteiro de Chevretogne

O Mosteiro tem alguns CD's à venda na Internet e nas lojas...comprei um na Fnac.

Foto: Ábside da igreja latina de Chevetogne


terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Versus ad Orientem

Desde a nomeação de um novo cerimonário, Monsenhor Guido Marini, as celebrações em Roma têm cada vez mais elementos tradicionais litúrgicos pré-conciliares. Tronos, candelabros, crucifixos, paramentos de outros tempos voltaram nas celebrações papais. Atitudes, colocação dos celebrantes e acólitos também recordam um certo passado da Igreja.
No último domingo, na Missa da Solenidade do Baptismo do Senhor que ocorreu na Capela Sixtina, foi usado o altar encostado à parede do fundo do edifício. Por isso, o Santo Padre, que seguia o Missal de Paul VI (o actual), celebrou “em alguns momentos, de costas para os fiéis, com o olhar voltado para a Cruz, orientando assim a atitude e disposição de toda a assembleia”.
Algo de pouco habitual… e que não vai contra o Concílio Vaticano II, uma vez que os textos conciliares nunca fazem menção de altar voltado para o povo. Também a reforma litúrgica de Paulo VI não mudou a posição do sacerdote durante a Missa mas permitiu celebrar o Santo Sacrifício versus ad populum, virada para o povo.


Alguns analistas comentam esta escolha de Bento XVI como um desejo de mostrar que o Concílio Vaticano II e a Liturgia renovada não se inscrevem na ruptura mas na continuidade da Tradição litúrgica. Assim, para estes, a introdução de elementos da Missa Tridentina (que nunca foi revogada pelos Padres Conciliares) na Missa segundo o Missal de Paul VI, ajudariam a marcar melhor o carácter sagrado da Eucaristia e a evitar abusos nas celebrações, desejos e preocupações já referidos pelo Santo Padre na exortação apostólica “Sacramento da caridade”.
Missa de costas para o povo ou Missa versus ad Orientem, voltada para o Oriente?
Prefiro a segunda terminologia, pelo significado cristológico (Cristo =Oriente, Sol nascente).
Nos nossos dias, já não será bem assim por causa da construção das igrejas, cujo altar já não está obrigatoriamente dirigido para Leste.
Destas escolhas litúrgicas do Santo Padre, como o “Motu proprio” que liberaliza o Rito Tridentino, o mais difícil para mim é mesmo distanciá-los daqueles que defendem a superioridade da Missa de São Pio V, condenam Vaticano II e defendem o rosto de uma Igreja majestosa e poderosa. Por isso, ao princípio, fiquei um pouco perplexo com as mudanças papais, mas procurei aprofundar o tema e, realmente, não há nada de polémico, como fiéis de extremos (tradicionalistas e progressistas) o desejariam.
Mas a grande questão litúrgica é a beleza.
O Papa Bento XVI tem razão quando diz que a beleza litúrgica pressupõe arquitectura, textos e música de qualidade para exprimir a fé de uma comunidade… não para dar um espectáculo, mas para criar um clima de oração e transformar a vida.

Mas será para isso necessário ir buscar aos armários paramentos e atitudes de outro tempo, que não tem tanto a ver com a tradição litúrgica mas mais com estilos de época?


Ó Cristo,
Sol nascente do Oriente ,
conduz os fiéis da tua Igreja
à unidade da fé,
na celebração dos teus mistérios divinos.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Na água do Jordão


Na água do Jordão, João convida os que procuram a paz do coração a lavar as suas faltas. Ele convence aqueles que o procuram a fazer penitência. Ele usa uma linguagem bem rude para sublinhar que não é pêra doce chegar à conversão…há muito trabalho a fazer!
Mas eis que Jesus chega e se mistura com a multidão de pecadores para pedir o baptismo de João.
Ele não tem nenhum pecado para perdoar…Ele não tem necessidade deste processo de purificação. Mas ao entrar na água, Ele, inteiramente puro de pecado, sai de lá “portador” do pecado do mundo. Objectivo? Expiar o mal que existe em nós e no mundo. Jesus, por amor, mergulha assim no mais profundo da condição humana: o pecado e a miséria do homem.
Mas o baptismo cristão é exactamente o contrário. Ele mergulha cada um de nós no amor de Deus que é Pai, Filho, Espírito Santo. Ele nos introduz numa grande família que é a Igreja. Sinal da nossa adopção filial por Deus, somos nova criação e não novas criaturas. Permanecemos homens e mulheres mas participamos no mistério divino, pela graça que devemos confirmar sempre. Esta boa nova que dá sentido à nossa vida, não pode ser só nossa. O baptismo cristão é o ponto de partida de uma nova etapa; é um compromisso no seguimento de Cristo, um apelo à missão. É um presente de Deus, uma luz que deve ser comunicada por nós para iluminar o mundo inteiro.



«No baptismo do Jordão, Senhor,
manifestou-se a adoração da Trindade.
A voz do Pai deu testemunho
ao chamar-Te Filho Muito Amado,
e o Espírito, na forma de pomba,
confirmou esta palavra inabalável.
Cristo Deus,
que apareceste e iluminaste o mundo,
glória a Ti!
Vieste, apareceste, ó luz inacessível.»


Liturgia bizantina

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Que estrela podemos então seguir?

«Os homens e as mulheres de todas as gerações precisam ser orientados na sua peregrinação. Que estrela podemos então seguir?
Depois de pousar sobre “o lugar onde se encontrava o menino”(Mt 2, 9), a estrela que tinha guiado os Magos deixou a sua função, mas a luz espiritual está sempre presente na palavra do Evangelho, que ainda hoje é capaz de guiar cada homem a Jesus. Essa mesma palavra, que não é mais do que o reflexo de Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, é reenviada pela Igreja a toda a alma receptiva.
Também a Igreja, consequentemente, cumpre para a humanidade a missão da estrela.



Podemos dizer o mesmo de cada cristão, chamado a iluminar, pela palavra e o testemunho da sua vida, os passos dos irmãos.
É então importante que nós, cristãos, sejamos fiéis à nossa vocação!
Cada crente autêntico está sempre em caminho no próprio itinerário pessoal de fé e, ao mesmo tempo, com a luzinha que traz em si, ele pode e deve ajudar aquele que se encontra a seu lado, que talvez tem dificuldade em encontrar o caminho que conduz a Cristo.»


Bento XVI, Angelus 06/01/2008

domingo, 6 de janeiro de 2008

Epifania

«Entraram na casa,
viram o Menino com Maria, sua Mãe,
e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O.
Depois, abrindo os seus tesouros,
ofereceram-Lhe presentes:
ouro, incenso e mirra.»
Mt 2, 11


Vinde, adoremos!
Prostremo-nos diante de Cristo,
nosso Rei e nosso Deus.

Com os humildes e os sábios,
vimos adorar-te, divino Menino,
Rei de glória, luz que ilumina as nações!

A Ti, ofertamos as nossas vidas,
as nossas fraquezas,
as nossas limitações,
a nossa miséria.

A Ti, entregamos o melhor de nós,
dobrando o joelho diante da tua grandeza.

Não queremos recear de deixar as nossas seguranças,
as nossas certezas, o nosso bem-estar,
para seguir a Estrela
que nos levará sempre a Ti
no meio das noites.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Uma fase na minha fé, certamente…

Ultimamente, reconheço estar um pouco decepcionado com o rosto da Igreja.
Quando falo da Igreja, falo de todo o Povo de Deus, a hierarquia, os leigos, de mim.
Parece que os actos, as palavras, o testemunho da maioria dos cristãos não estão em sintonia com o Evangelho.
Parece que a luz brilha pouco em mim e nos outros…e gostava tanto vê-la cintilante em todos.
Uma fase na minha fé, certamente…



«Há várias religiões mas um só Evangelho.
Há uma enorme diferença entre a religião e o Evangelho.
A religião é obra do homem; o Evangelho é dom de Deus.
A religião é o que o homem faz para Deus; o Evangelho é o que Deus fez pelo homem.
A religião é o homem em busca de Deus; o Evangelho é Deus que procura o homem.
A religião consiste para o homem, subir a escada da própria justiça com a esperança de encontrar Deus no último degrau. Mas o Evangelho consiste para Deus, descer a escada pela Encarnação de Jesus Cristo, para nos encontrar, pecadores que somos, no degrau mais baixo. A religião é boa vontade; o Evangelho é boa nova.
A religião é “bons conselhos”; o Evangelho é gloriosa proclamação.
A religião deixa o homem tal como é; o Evangelho toma o homem tal como é mas faz dele o que ele deve ser.
A religião reforma o exterior; o Evangelho transforma o interior.
A religião branqueia em superfície; o Evangelho branqueia em profundidade.
Há muitas religiões mas um só Deus.
Há muitas religiões mas um só Evangelho.
Há muitas religiões mas uma só salvação.
A vossa fé é uma religião ou uma salvação?
Sois religiosos ou sois pessoas salvas?»



J.T. Seamands

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Veni Creator Spiritus

Pelo mundo fora existe maneiras diversas de celebrar a passagem de ano.
Na Igreja, apesar da grande maioria dos fiéis o desconhecer, dois hinos litúrgicos estão ligados ao princípio e ao final de cada ano, concedendo indulgência plenária nas condições ordinárias no canto público, e indulgência parcial na recitação privada. Estes dois hinos são o “Veni Creator Spiritus” e o “Te Deum”.
O ano passado, o meu blog tinha encerrado 2006 com o “Te Deum”, um longo hino de acção de graças, cantado em várias ocasiões litúrgicas, mas que a Igreja também entoa no 31 de Dezembro para agradecer a Deus os doze meses que passaram.
Neste 1 de Janeiro de 2008, coloco no meu blog o “Veni Creator Spiritus”, hino onde Espírito Santo é invocado pelo Povo de Deus para que seja derramado no mundo os seus dons e frutos ao longo dos dias do ano que se inicia.
Este último é um dos meus hinos gregoriano preferido, mas a sua tradução portuguesa no Catecismo é péssima…acho que até se enganaram no hino. Eis a versão latina...e a minha.






Veni, Creator Spíritus, mentes tuórum visita,
imple supérna grátia, quae tu creásti péctora.

Qui díceris Paráclitus, altíssimi donum Dei,
fons vivus, ignis, cáritas, et spiritális únctio.

Tu septifórmis múnere, dígitus paternae déxterae,
tu rite promíssum Patris, sermóne ditans gúttura.

Accénde lumen sénsibus; infunde amórem córdibus,
infírma nostri córporis virtúte firmans pérpeti.

Hostem repéllas lóngius, pacémque dones prótinus;
ductóre sic te praevio vitemus omne noxium.

Per te sciámus da Patrem, noscamus atque Filium;
teque utriúsque Spíritum credamus omni témpore.

Deo Patri sit glória, et Fillio, qui a mórtuis
surréxit, ac Paráclito, in saeculórum saecula. Amen.





Vinde Espírito Criador, visitai as almas vossas,
enchei da graça do alto, os corações que criastes.

Sois chamado Consolador, o dom de Deus Altíssimo,
fonte viva, fogo, caridade, e unção espiritual.

Sois formado de sete dons, o dedo da direita de Deus,
Solene promessa do Pai que inspira as palavras.

Iluminai os sentidos, infundi o amor nos corações,
fortalecei para sempre os nossos corpos enfermos.

Afastai o inimigo, dai-nos a paz sem demora,
e assim guiados por Vós, evitaremos todo o mal.

Fazei-nos conhecer o Pai, e revelai-nos o Filho,
para acreditar sempre em Vós, Espírito que de ambos procedeis.

Glória seja dada ao Pai, e ao Filho que da morte ressuscitou,
e ao Espírito Paráclito, pelos séculos dos séculos. Amen.



Bom 2008!