sábado, 29 de dezembro de 2007

Peregrinação de Confiança através da Terra...em Genebra

Nestes dias de finais de 2007, a Suiça acolhe a 30º Encontro Europeu de Jovens.
Depois de Barcelona, Paris, Hamburgo, Lisboa, Milão ou Zagreb, Genebra é a nova etapa da “Peregrinação de Confiança” da Comunidade Ecuménica de Taizé.
Os irmãos de Taizé organizam a “Peregrinação de Confiança através da Terra” desde há 30 anos, dias em que milhares de jovens cristãos de todas as confissões, provenientes de países diferentes, se congregam numa cidade escolhida para o fim de ano, para orar, cantar, ler a Bíblia, fazer silêncio e também fazer festa com outros jovens. Munidos de fé e de uma grande vontade de partilha, estes descobrem a realidade politica, cultural, religiosa do país que os recebem.
As orações comunitárias e os tempos de partilha que marcam estes dias em Genebra são uma oportunidade para os jovens procurarem caminhos de paz e de confiança, e de assumir compromissos de fé ao regressar às suas terras de origem após o Encontro.


“Queridos jovens, reunidos em Genebra(…) Que a vossa confiança em Deus possa suscitar em vós a esperança e ajudar-vos a mudar o mundo, fundando-se sobre os valores evangélicos, em particular sobre o perdão, o elemento mais fundamental do amor, uma vez que aquele que perdoa não se deixa ficar preso pela falta cometida, mas abre-se a um novo futuro. Se a paz é o fruto da justiça, ela é-o ainda mais do perdão, que sela verdadeiramente a reconciliação entre aqueles que ontem se desafiavam e se opunham, permitindo-lhes agora retomarem o caminho juntos. É ao aceitar o perdão de Deus, que nos é dado no sacramento, que podereis, por vossa iniciativa, ser artesãos do perdão entre irmãos e construir um mundo reconciliado.”

Bento XVI


“O lugar dos jovens que desejam viver o Evangelho na sociedade contemporânea não é fácil. Vivemos numa época em que reina um relativismo de valores.(…)
Para nós, não existe outro caminho a não ser o de seguir Cristo. Ele é o único a trazer uma resposta aos problemas que atormentam o mundo. Contudo, não podemos esquecer que Cristo não é um simples renovador social. A fé em Jesus como Messias é a fé nele como Deus e Senhor.(…)
Não há vida, verdade e justiça fora de Jesus Cristo.”


Patriarca Bartolomeu de Constantinopla


“O tempo do Natal recorda-nos que Deus criou uma possibilidade completamente nova através da vinda de Jesus à terra: a possibilidade de que os seres humanos, ao viverem plenamente uma intimidade com Deus, através da amizade com Jesus, consigam partilhar alguma coisa da sua própria liberdade. Agora, ao vos encontrades, ao rezardes e ao partilhardes uns com os outros, desejo que todas as possibilidades das vossas vidas se possam abrir plenamente, para que comeceis a ver como, nas circunstâncias mais banais, podereis viver de maneira a mostrar que Deus está vivo e que há muito mais possibilidades no mundo do que se pode imaginar.”


Arcebispo de Cantuária, Rowan Williams


“A procura de reconciliação, de confiança e de amizade que vos mobiliza corresponde bem ao projecto europeu, que também procura promover a unidade entre os Estados e entre os povos do nosso continente, respeitando sempre a sua diversidade.
Alegro-me pelo vosso empenho. O vosso entusiasmo é um sinal de que se pode confiar o nosso planeta às gerações futuras. Os homens do nosso tempo precisam que lhes mostrem estes sinais, para que mantenham a esperança de que é possível um mundo melhor.”


Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Uma criancinha igual a ti


“Olha com amor a vida completa de Cristo,
aquela que Ele começou no Presépio, seu berço,
no qual Ele foi simplesmente uma criancinha como as outras,
não uma criança extraordinária, nem um menino prodígio,
mas uma criancinha igual a ti... chorando de frio na palha,
e que se colocara, por amor, num estado de total dependência.”

"Por um excesso de amor,
Cristo, Filho de Deus, quis passar pelo estado de impotência próprio de uma criancinha,
o único estado que põe um ser nas mãos de outros, num total abandono."


Irmãzinha Madalena Hutin

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Glória a Deus nas alturas!


«Não temais,
porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo:
nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador,
que é Cristo Senhor.
Isto vos servirá de sinal:
encontrareis um Menino recém-nascido,
envolto em panos e deitado numa manjedoura».
Lc 2, 10-12


A todos,
um santo e feliz Natal
na alegria de Deus que se fez homem!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Foi o mistério da Encarnação que me converteu!

Natal 1856, na paróquia de um bairro popular da cidade de Lião, França, António Chevrier, sacerdote há 6 anos, contempla o presépio.
Meditando na pobreza e na humildade de Cristo, ele recebe a graça de entrar profundamente no mistério da Encarnação, Deus que se faz homem.
Na sua oração, ele constata também que a humanidade continua a afundar-se, os pobres não são evangelizados, a Igreja e o mundo dos trabalhadores estão cada vez mais separados.
Ele percebe que deve converter-se a uma existência mais evangélica, viver o mistério da pobreza no seguimento de Jesus para “trabalhar eficazmente na salvação das almas”.
Conhecer Cristo, unir-se a Ele e fazê-l’O conhecer…tudo isso determina a sua vida de sacerdote.
Se Cristo convida os pobres ao banquete do reino, então ele, sacerdote, “outro Cristo”, também deve servi-los.
Primeiro os mais jovens. Em 1860, o padre Chevrier compra o “prado”, um antigo salão de dança. Lá, ele acolha, instrui e catequiza os filhos de operários.
Depois, ele procura formar padres pobres para os pobres. Assim nascem os sacerdotes e as religiosas do Instituto do Prado. Hoje a família do Prado está presente em 50 países.
A humildade de Chevrier é tão grande como o seu zelo, mas este “São Francisco de Assis da era industrial”, esgotado pelo trabalho e pela doença, morre aos 53 anos.
Em 1986, aquando da sua beatificação, João Paulo II deixou aos padres, religiosas e leigos do Prado, quatro grandes orientações, que servem perfeitamente para cada cristão:
“Ide ao encontro dos pobres para fazer deles verdadeiros discípulos de Jesus Cristo”;
“Que o vosso sinal distintivo seja sempre a simplicidade e a pobreza”;
“Falai de Jesus Cristo com a mesma intensidade de fé como o Padre Chevrier”;
“Apoiai-vos sempre em Jesus Cristo e na Igreja”.
Se o Natal transformou a vida do padre Chevrier, porque não a nossa?

«Foi ao meditar a pobreza de Nosso Senhor e da sua humilhação no meio dos homens que resolvi deixar tudo para viver o mais pobremente possível. Foi o mistério da Encarnação que me converteu!... Então decidi-me a seguir Nosso Senhor Jesus Cristo de mais perto. E o meu desejo é que vós próprios sigais de perto Nosso Senhor.»

«Dizia para mim mesmo: 'o Filho de Deus desceu à terra para salvar os homens e converter os pecadores. No entanto, que vemos? Quantos pecadores existem neste mundo!' Então resolvi seguir Nosso Senhor Jesus Cristo de mais perto para me tornar capaz de trabalhar eficazmente na salvação das almas.»


Beato António Chevrier

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Presépio

O último fim-de-semana foi aproveitado para construir o presépio em casa e na capela da minha aldeia com os catequizandos.
O presépio é talvez uma das mais antigas formas de caracterização do Natal.
Hoje ele convive com a árvore de Natal, de tradição norte europeia, “significativo símbolo do Natal de Cristo, que com as suas folhas sempre verdes lembra a vida que não morre” (Bento XVI).
Os primeiros presépios surgiram no século XVI na Itália. No entanto, a celebração do nascimento de Cristo vem dos finais do século III, com os peregrinos que visitavam a gruta de Belém.
Pinturas, relevos e frescos ilustram, desde o século XIV, o nascimento de Jesus.


Em 1223, São Francisco de Assis, em vez de festejar a véspera de Natal na igreja, como era hábito, fê-lo na floresta de Greccio.
A um dos seus amigos, que tinha colocado à disposição dos frades uma gruta na montanha, confessou desejar celebrar o Natal com ele na lapa. Tinha que colocar lá uma manjedoura, um boi e um asno, para criar um estábulo muito parecido com o presépio onde nasceu Jesus.
Os habitantes da cidade foram ver a representação, juntaram-se a Francisco e aos irmãos, e assistiram à Missa do Galo. A multidão era tão numerosa que, com as velas e lanternas acesas, a floresta estava toda iluminada, como se fosse de dia. A manjedoura serviu de altar…originalíssimo!
A lenda conta que o amigo de Francisco viu um menino a dormir, deitado na manjedoura. O Santo se abeirou dele e tomou-o nos braços. O menino acordou, sorriu para Francisco e tocou no seu rosto. O amigo percebeu que Jesus tinha adormecido no coração dos homens e que Francisco O tinha despertado com a sua palavra e os seus gestos.
O ano seguinte, os habitantes de Greccio que tinham contado com tanta admiração a beleza daquela noite de Natal, fizeram com que, um pouco por todo o lado, as pessoas começassem a reconstituir nas grutas e estábulos a cena do nascimento de Cristo.
De lá para cá, não há dúvidas que a tradição do presépio se difundiu pelo mundo.
Hoje, nas igrejas e nos lares cristãos de todo o mundo são montados presépios recordando o grande mistério da Encarnação e do Nascimento de Jesus.


“Eis o dia que o Senhor fez;
exultemos e alegremo-nos com ele.
Porque nos foi dado o santíssimo e dilecto Menino,
e por nós nasceu durante uma viagem
e foi deitado num presépio,
por não haver lugar para ele na estalagem.
Glória ao Senhor Deus no mais alto dos céus,
e na terra paz aos homens de boa vontade.”


Salmo 15 do ofício da Paixão de S. Francisco de Assis

domingo, 16 de dezembro de 2007

Esperamos o quê?

O Advento coloca-nos algumas perguntas.
Esperamos o quê? O Messias? Que Messias? Para que homem?
Eis que Ele vem, os profetas O anunciaram, e no entanto os que esperavam por Ele não o acolham. Ele está no meio dos seus e os seus não O reconheçam.
O messias que esperamos é muitas vezes bem diferente d’Aquele que vem!
O Messias que vem ultrapassa as nossas concepções humanas, está à estreita nas definições que Lhe damos.
Esperamos um messias de glória e de majestade…eis que Ele vem até nós como um Filho de homem.
Esperamos um messias bem visível aos olhos de todos…Ele vem até nós sem brilho.
Esperamos um messias revolucionário…eis que vem um Messias paciente, que não muda a história de um dia para outro.
Esperamos um messias de sacristia que se coloca ao serviço da religião…eis um Messias que irrita os fariseus e expulsa do Templo.
“És Aquele que há-de-vir?”, pergunta João Baptista.
Falta de fé da parte do profeta?
Ou uma maneira de dizer que o Messias o surpreende na acção, na sua maneira de exercer a missão.
João esperava talvez a vingança, a hora de Deus…algo de forte, capaz de calar os inimigos, de acabar com o pecado.
Jesus dá como resposta as curas e as libertações que Ele realiza.
Com isso, Ele afirma que Ele é bem o Messias esperado, porque a Boa Nova é anunciada aos pobres, porque os doentes são curados e os mortos ressuscitam.
Eis a vingança e a hora de Deus, que não são feitas num Deus que arrasa e triunfa, mas no anúncio aos pequeninos, aos últimos e marginalizados deste mundo.
A vingança e a hora de Deus não estão na morte dos inimigos, mas na vida dada aos que precisam.
É este o Messias que esperavas?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

É a vida de Cristo que vence na sua Igreja

«Entre tantas crises a Igreja ressuscitou com uma nova juventude, com um novo vigor.
No século da Reforma, a Igreja Católica parecia realmente ter terminado. Parecia que esta nova corrente triunfava, que afirmava: ‘Agora a Igreja de Roma terminou’. E vemos que com os grandes santos, como Inácio de Loyola, Teresa de Ávila, Carlos Borromeu e outros, a Igreja ressurgiu. Encontra no Concílio de Trento uma nova actualização e uma revitalização da sua doutrina. E revive com grande vitalidade.
Vemos o tempo do Iluminismo, no qual Voltaire disse: ‘Finalmente terminou esta antiga Igreja, a humanidade vive!’ E, ao contrário, o que acontece? A Igreja renova-se.
O século XIX torna-se o século dos grandes santos, de uma nova vitalidade para tantas Congregações religiosas, e a fé é mais forte que todas as correntes que vão e voltam.
Aconteceu o mesmo no século passado.
Certa vez Hitler disse: 'A Providência chamou a mim, um católico, para que pusesse fim ao catolicismo. Só um católico pode destruir o catolicismo'. Ele estava convencido de possuir todos os meios para destruir finalmente o catolicismo.
De igual modo a grande corrente marxista tinha a certeza de realizar a revisão científica do mundo e de abrir as portas ao futuro: 'A Igreja chegou ao fim, terminou!'
Mas, a Igreja é mais forte, segundo as palavras de Cristo.
É a vida de Cristo que vence na sua Igreja.»


Encontro de Bento XVI com os sacerdotes da Diocese de Albano (Itália),
31 de Agosto de 2006