domingo, 16 de dezembro de 2007

Esperamos o quê?

O Advento coloca-nos algumas perguntas.
Esperamos o quê? O Messias? Que Messias? Para que homem?
Eis que Ele vem, os profetas O anunciaram, e no entanto os que esperavam por Ele não o acolham. Ele está no meio dos seus e os seus não O reconheçam.
O messias que esperamos é muitas vezes bem diferente d’Aquele que vem!
O Messias que vem ultrapassa as nossas concepções humanas, está à estreita nas definições que Lhe damos.
Esperamos um messias de glória e de majestade…eis que Ele vem até nós como um Filho de homem.
Esperamos um messias bem visível aos olhos de todos…Ele vem até nós sem brilho.
Esperamos um messias revolucionário…eis que vem um Messias paciente, que não muda a história de um dia para outro.
Esperamos um messias de sacristia que se coloca ao serviço da religião…eis um Messias que irrita os fariseus e expulsa do Templo.
“És Aquele que há-de-vir?”, pergunta João Baptista.
Falta de fé da parte do profeta?
Ou uma maneira de dizer que o Messias o surpreende na acção, na sua maneira de exercer a missão.
João esperava talvez a vingança, a hora de Deus…algo de forte, capaz de calar os inimigos, de acabar com o pecado.
Jesus dá como resposta as curas e as libertações que Ele realiza.
Com isso, Ele afirma que Ele é bem o Messias esperado, porque a Boa Nova é anunciada aos pobres, porque os doentes são curados e os mortos ressuscitam.
Eis a vingança e a hora de Deus, que não são feitas num Deus que arrasa e triunfa, mas no anúncio aos pequeninos, aos últimos e marginalizados deste mundo.
A vingança e a hora de Deus não estão na morte dos inimigos, mas na vida dada aos que precisam.
É este o Messias que esperavas?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

É a vida de Cristo que vence na sua Igreja

«Entre tantas crises a Igreja ressuscitou com uma nova juventude, com um novo vigor.
No século da Reforma, a Igreja Católica parecia realmente ter terminado. Parecia que esta nova corrente triunfava, que afirmava: ‘Agora a Igreja de Roma terminou’. E vemos que com os grandes santos, como Inácio de Loyola, Teresa de Ávila, Carlos Borromeu e outros, a Igreja ressurgiu. Encontra no Concílio de Trento uma nova actualização e uma revitalização da sua doutrina. E revive com grande vitalidade.
Vemos o tempo do Iluminismo, no qual Voltaire disse: ‘Finalmente terminou esta antiga Igreja, a humanidade vive!’ E, ao contrário, o que acontece? A Igreja renova-se.
O século XIX torna-se o século dos grandes santos, de uma nova vitalidade para tantas Congregações religiosas, e a fé é mais forte que todas as correntes que vão e voltam.
Aconteceu o mesmo no século passado.
Certa vez Hitler disse: 'A Providência chamou a mim, um católico, para que pusesse fim ao catolicismo. Só um católico pode destruir o catolicismo'. Ele estava convencido de possuir todos os meios para destruir finalmente o catolicismo.
De igual modo a grande corrente marxista tinha a certeza de realizar a revisão científica do mundo e de abrir as portas ao futuro: 'A Igreja chegou ao fim, terminou!'
Mas, a Igreja é mais forte, segundo as palavras de Cristo.
É a vida de Cristo que vence na sua Igreja.»


Encontro de Bento XVI com os sacerdotes da Diocese de Albano (Itália),
31 de Agosto de 2006

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Futuro e desafios para a Igreja

Numa entrevista ao diário francês “La Croix”, Remi Brague, filósofo, crente e católico, co-fundador da edição francesa da revista “Communio” deixou uma reflexão interessante sobre o futuro da Igreja e seus desafios. Para o pensador, não devemos preocupar-nos com a crise pela qual está a passar o cristianismo, e muito menos lamentar-se, mas rezar e formar-se…uma entrevista interessante.

Quais as condições essenciais para um futuro da Igreja?
Continuar a falar.
Estou cada vez mais sensível à passagem onde Deus diz a Ezequiel: “Se as pessoas morrem nos seus pecados sem que tu as tenhas avisado, é a ti a quem pedirei contas; se falas e elas não te escutam, pior para elas.”
A Igreja não pode falar senão desta forma, e ela o faz desde sempre.
Ela está neste mundo e não é deste mundo, nunca totalmente em fase com o seu tempo, que os seus santos sempre contestaram. À maneira deles, discretamente mas com eficácia.

Nesta perspectiva, qual seria a urgência?
Simplesmente aquilo que permite ao cristianismo de permanecer aquilo que ele é, ser visto e entendido por aqueles que estão fora; isto é, o dogma, evidentemente, para não trair a mensagem dos Apóstolos; a caridade, mostrar ao próximo que Deus o ama, mas também a liturgia: sonho com cerimónias a suscitar o respeito, pela profundeza das homílias, a beleza dos cânticos; e não o desprezo, com um sermão “simpático” e “canções de missa” sem qualidade.

Como viver a crise que atravessa a Igreja?
Não se preocupar muito, não fazer contas, muito menos lamentar-se. Antes, rezar e formar-se. Ler e meditar a Bíblia, os grandes escritores e pensadores cristãos. Encontra-se aí tesouros inesgotáveis. Dante, por exemplo.

A perspectiva de tornar-se minoritário é uma oportunidade?
Sim, se a tomarmos para levar a nossa fé mais a sério.
Senão, seria um facto sociológico, nada mais.
Detesto quando se diz: “Perde-se em quantidade, mas ganha-se em qualidade.”
Quem diz isso? Não são os não-cristãos. Se pensassem assim, tornar-se-iam rapidamente cristãos. São cristãos que dizem: “Sim, nós, somos menos numerosos, mas somos melhores.” Isto é muito pouco humilde…e nada pior para fomentar uma mentalidade de uma ardente arca de Noé, navegando num oceano de desprezo…
Tomar a sua fé a sério, é simplesmente aprender a ver a realidade em função daquilo em que se acredita. Se acreditamos que qualquer homem é “irmão pelo qual Cristo morreu”, objecto, por parte de Deus, de um amor que foi até ao sacrifício supremo de Cristo, isso muda o olhar e a acção: qualquer homem torna-se digno de respeito infinito.

O senhor é daqueles que acham que o futuro dos cristãos está ligado ao diálogo com outras religiões?
Um diálogo que significa entender-se sobre fórmulas onde os dois lados usam as mesmas palavras num sentido oposto, não tem futuro.
Um diálogo sem ambiguidades, que não evita as coisas que aborrecem, seria uma óptima coisa.
É necessário promover este diálogo autêntico, aprender a conhecer o outro, entendê-lo como ele é e não como gostaríamos que ele fosse.
Mas querer o diálogo “par garantir o futuro”, é colocar algo de muito honrável ao serviço de um fim que o é pouco. Se dialogar significa negociar para ter um lugar não muito mau, isto é, para deixar desaparecer lentamente, então são os cristãos que não têm futuro.

Poucas certezas então. Que atitude você aconselha para enfrentar este futuro?
Qualquer análise é parcial e pode enganar-se. Qualquer previsão permanece incerta. Quantos foram ridicularizados pelos factos! Recomendaria sobretudo de não escolher o que se deve fazer hoje a partir do dia de amanhã que se imagina.

Afinal, sabemos o que é o cristianismo? Não nos enganaremos no seu futuro?
Eis a pergunta pela qual deveríamos ter começado!
Tenho a impressão que sabemos cada vez menos.
Olha o que é publicado e vendido: não se toleraria uma tal incompetência com outra doutrina.
O que o cristianismo é, aprendemo-lo só desde há 2000 anos.
Não é nada em comparação com o percurso do género humana no tempo.
Estou convencido que o cristianismo tem muito para nos ensinar, e que ainda não vemos.

sábado, 8 de dezembro de 2007

O nome mais bonito de Maria

«Maria não só não cometeu pecado algum, mas foi preservada até da herança comum do género humano que é o pecado original. E isto devido à missão para a qual Deus a destinou desde o início: ser a Mãe do Redentor. Tudo isto está contido na verdade da fé da "Imaculada Conceição".O fundamento bíblico deste dogma encontra-se nas palavras que o Anjo dirigiu à jovem de Nazaré: "Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo" (Lc 1, 28).
"Cheia de graça" é o nome mais bonito de Maria, nome que lhe foi conferido pelo próprio Deus, para indicar que ela é desde sempre e para sempre a amada, a eleita, a predestinada para acolher o dom mais precioso, Jesus, "o amor encarnado de Deus".»



Bento XVI, Angelus 08/12/2006





Santa Maria
Madre del Signore
la tua fede ci guida.

Volgi lo sguardo
verso i tuoi figli
“Terra del cielo”.

La strada è lunga e su di noi la notte scende
intercedi presso il Cristo
“Terra del cielo”.



Santa Maria,
Mãe do Senhor,
a tua fé nos guia.

Volta o rosto
para os teus filhos
“Terra do céu”.

Longa é a estrada
e sobre nós desce a noite,
intercede junto de Cristo,
“Terra do céu”.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Sois a minha esperança e a minha confiança

“Sois a minha esperança e a minha confiança;
sois em tudo o meu consolador. (...)
Tudo o que parece conduzir-me
à posse da felicidade e da paz
nada significa sem Vós;
nem, com efeito, pode fazer-nos verdadeiramente felizes.
Vós, ó meu Deus,
é que sois o fim supremo de todos os bens,
o centro da vida,
o profundo abismo da ciência.
A mais completa consolação dos vossos servos
é pôr em Vós toda a sua esperança.
A Vós elevo os meus olhos,
em Vós espero,
meu Deus e Pai de misericórdia.(…)
A vossa graça me acompanhe sempre
e me conduza, pelo caminho da paz,
à pátria da perpétua claridade.
Ámen.”


Imitação de Cristo, Livro 3, Cap LIX

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Esperança, salvação, progresso

«A esperança não é uma postura, é um conteúdo. (…) A esperança cristã não é optimismo, é certeza antecipada do que Deus nos vai dar.
Os homens acreditaram que o progresso iria salvar a humanidade, no entanto, houve o século XX com os mortos das guerras, da bomba atómica…e já não se pode acreditar candidamente na salvação pelo progresso.»


Cardeal Vingt-Trois, arcebispo de Paris,
sobre a nova encíclica “Spe Salvi”



«A ciência sem dúvida contribui ao bem da humanidade, mas não é capaz de redimi-la. O homem é redimido pelo amor, que faz que a vida pessoal e social converta-se em boa e maravilhosa. Por este motivo, a grande esperança, a que é plena e definitiva, está garantida por Deus, que em Jesus nos visitou e nos doou a vida, e n’Ele voltará no final dos tempos. É em Cristo que esperamos, é Ele a quem esperamos!»


Bento XVI, Angelus 02/12/2007




Ler a Carta Encíclica “SPE SALVI” de Bento XVI

sábado, 1 de dezembro de 2007

A imitação é inseparável do amor

“A imitação é inseparável do amor. Todo aquele que ama quer imitar: é o segredo da minha vida: perdi o meu coração por este Jesus de Nazaré crucificado há 1900 anos e passo a minha vida a procurar imitá-l’O.”


“Segui-l’O é imitá-l’O, é imitar Jesus em tudo, partilhar a sua vida como o faziam a Santíssima Virgem, São José, os apóstolos, isto é, por um lado, conformar como eles a nossa alma à d’Ele, convertendo o mais possível a nossa alma à sua alma infinitamente perfeita; por outro lado, conformar como eles a nossa vida exterior à d’Ele, partilhando como eles fizeram, a sua pobreza, a sua humilhação, os seus trabalhos, os seus cansaços, enfim tudo o que foi a parte visível de sua vida. Unamo-nos, sejamos um com Jesus, e por isso, amemo-l’O, obedeçamo-Lhe, imitemo-l’O.
Na dúvida de fazer ou não alguma coisa, perguntar-se o que teria feito Jesus em nosso lugar e fazê-lo. Não imitar tal ou tal santo, mais só a Jesus. Agradecer a Jesus a vida de Nazaré que eu levo, o que me é dado de conforme com Ele, e pedir-Lhe que aí me deixe enquanto isso O glorificará. Ler e meditar os santos evangelhos, os livros santos que falam de Jesus, tudo o que nos pode fazer conhecer Jesus e o seu Espírito: pedir-Lhe para conhecê-l’O e ter o seu Espírito. Fazer todos os possíveis pela oração e as outras obras para ser semelhante a Jesus no interior e no exterior, n’Ele, por Ele e para Ele. Amen.”


Beato Carlos de Foucauld