quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Ser pobre e servo, Irmão de Jesus

Hino ao Beato Carlos de Foucauld

Amar como Ele nos amou,
e por amor, escolher o último lugar,
ser pobre e servo, Irmão de Jesus.

Procurar como Ele a vida escondida,
e por amor, partir para onde o Espírito chama,
ser somente um viajante passando na noite.

Orar longamente o Bem Amado,
e por amor, abrir-se ao maior silêncio,
adorar Jesus Salvador na Eucaristia.

Levar o Evangelho aos famintos,
e por amor, colher todas as palavras de um povo
onde o Verbo também habita e germina sem ruído.

Dar até ao fim a sua vida oferecida,
e por amor, morrer oferecendo ao Pai
o abandono que jorrou de um coração livre ao infinito.





Oração para obter uma graça por intercessão do Padre Carlos de Foucauld

Deus nosso Pai,
que chamastes o Beato Carlos de Foucauld, sacerdote,
a viver do vosso amor na intimidade de vosso Filho, Jesus de Nazaré,
fazei-nos encontrar no Evangelho o fundamento de uma vida cristã cada vez mais radiante
e na Eucaristia a fonte de uma verdadeira fraternidade universal.
Nós Vos pedimos particularmente, por intercessão do beato Carlos de Foucauld, e se assim for a vossa vontade, a graça de… em favor de…, que recomendamos ao vosso coração de Pai.
Nós Vos pedimos por Jesus, vosso Filho bem amado, nosso Senhor.



Imprimatur : Viviers, 14 Setembro 2006
+ François Blondel, Bispo de Viviers


Memória litúrgica: 1 de Dezembro


Ler biografia do Beato Carlos Foucauld (Site da Santa Sé)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Abre-se o caminho para a reunificação

Portugal, pela sua história religiosa, não é um país que se entusiasma pelo ecumenismo.
No entanto, a Igreja do nosso país não pode viver separada da Igreja Universal, e por isso não pode e não deve deixar de se alegrar com os cristãos de todo o mundo pelos passos dados, poucos mas importantes, no diálogo entre as várias tradições cristãs.
O Papa é o “primeiro dos Patriarcas”, Roma é a “primeira Sé”, a Igreja de Roma “preside no amor”…assim proclama um documento conjunto da Igreja Católica e das Igrejas Ortodoxas, que fixa sem equívocos o primado do Pontífice Romano, aplainando o caminho da reunificação dos católicos e dos ortodoxos, separados desde o cisma de 1054.
O documento em questão, revelado há dias, é fruto de um encontro em Ravena (Itália), no passado mês de Outubro, onde uma delegação católica e uma delegação ortodoxa lançaram as bases para um aprofundamento das questões a resolver para restabelecer a unidade.
Sobre o papel do Papado, existe um acordo de princípio na primazia do Bispo de Roma na Igreja Universal, mas não há no modo de exercer a função. Mesmo assim, este reconhecimento é um grande avanço.


Bento XVI que manifestou desde a sua eleição a vontade de dar passos concretos na aproximação entre as Igrejas cristãs, já deu provas do seu empenho pessoal nesta missão, com visitas ou encontros de carácter ecuménico.
Mas há dificuldades na Igreja Católica como nas outras confissões cristãs.
Na Ortodoxia, o patriarca Alexis de Moscovo não reconhece a primazia do patriarca Bartolomeu de Constantinopla e não tem boas relações com algumas Igrejas Ortodoxas de alguns países. Também não perdoa ao Vaticano o desenvolvimento das actividades pastorais das dioceses católicas na Rússia.
Nas comunidades da Reforma, as divergências crescem entres as varias denominações protestantes. Apesar de alguns acordos teológicos com os católicos, as discordâncias são cada vez maiores no campo ético. As relações com a Igreja Católica tornaram-se mais complexas.
Como sempre, resta aos cristãos das várias tradições rezar para que todos os que confessam o nome de Cristo pela fé, em breve se unam numa só Igreja, sob um só pastor, para que o mundo acredite.

domingo, 25 de novembro de 2007

“Este é o rei dos judeus”.

“Este é o rei dos judeus”.
Esta inscrição colocada em cima da cabeça do Crucificado manifesta bem como Jesus é sinal de contradição. Os soldados zombam d’Ele devido ao contraste entre a sua impotência visível de condenado e esta realeza inconcebível para eles. O bom ladrão, cujo acto de fé repousa na realeza de Jesus, alcança logo a misericórdia e a entrada na vida eterna. Dois mil anos depois, professamos que este Crucificado é nosso rei e que Aquele de quem somos discípulos, não reina de outra maneira do que pela loucura desta cruz gloriosa, esperando a nossa salvação desta fé.
Esta realeza desprezada e misteriosa apareceu depois na luz do dia da Ressurreição, no momento da Ascensão, no Pentecostes que revelou que a salvação não tinha acontecido só para o povo judeu donde saiu o Messias, mas também por todos os que acreditariam em Cristo, pois Deus quer que todos os homens sejam salvos (1 Tm 2,4). Esta realeza universal de Jesus se manifestará no último dia, para alegria daqueles que o acolheram e para a confusão daqueles que o recusaram ou negaram.
“Então és rei?” perguntava Pilatos (Jo 18,37). Rei dos judeus, sim, mas mais ainda. Este pobre prisioneiro é o rei do mundo, do cosmos, do universo. Verbo feito homem, ele é o Filho, imagem de Deus invisível, o primogénito de toda a criatura (Col 1,16). Por Ele tudo foi criado e sem Ele nada foi feito (Jo 1,3). Por Ele e para Ele tudo foi criado (Col 1, 16). Ele é o alfa e o ómega da história de cada pessoa, das famílias, das nações e do género humano.




Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente...
Com o óleo da alegria
consagrastes Sacerdote eterno e Rei do universo
o vosso Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor,
para que, oferecendo-Se no altar da cruz,
como vítima de reconciliação,
consumasse o mistério da redenção humana
e, submetendo ao seu poder todas as criaturas,
oferecesse à vossa infinita majestade
um reino eterno e universal:
reino de verdade e de vida,
reino de santidade e de graça,
reino de justiça, de amor e de paz.


Prefácio da Solenidade de Cristo Rei

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Olhar da fé fixado


A contemplação, ensina o Catecismo,
é o olhar da fé, fixado em Jesus.




« Nos primeiros tempos que eu estive em Ars, havia um homem que nunca passava diante da igreja sem entrar nela. De manhã quando ia trabalhar, ao anoitecer quando regressava, ele deixava à porta a pá e a picareta, e ficava longamente em adoração diante do Santíssimo Sacramento. Eu apreciava isto. Perguntei-lhe uma vez o que ele dizia a Nosso Senhor durante as longas visitas que ele fazia. Sabeis o que ele me respondeu ? ‘ Senhor abade, eu não Lhe digo nada. Eu o vejo e Ele me vê, olho para Ele, Ele olha para mim!’»

Santo Cura d'Ars

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Deus enclausurou Maria

Hoje, a Igreja celebra a “Apresentação da Virgem Maria ao Templo”, recordando também todos os consagrados contemplativos.
Segundo os evangelhos apócrifos do pseudo Tiago e do pseudo Mateus, Maria foi levada ao templo pelos pais, Ana e Joaquim, com três anos de idade e ali permaneceu.
Celebrada desde o século VI no Oriente, e a partir do século XIV no Ocidente, a “Apresentação de Nossa Senhora” é, apesar de pertencer à lenda e não à história, rica em ensinamentos espirituais.

“Deus enclausurou Maria do mundo e consagrou-a ao seu templo, como marca e figura que em breve será consagrada ao serviço de um templo maior e mais sagrado do que este. Ali, na solidão, Ele a protege, a envolve do seu poder, a anima do seu Espírito, a sustenta da sua palavra, a educa com sua graça, a ilumina com suas luzes, a abrasa do seu calor, a visita pelos seus anjos, esperando que Ele mesmo a visite com a sua própria Pessoa; e Ele torna a sua solidão tão ocupada, sua contemplação tão elevada, sua conversa tão celeste, que os anjos a admiram e reverenciam-na como um ser mais divino que humano.
Deus é, e age nela, mais do que ela própria. Ela não pensa mais do que pela sua graça, não se move mais do que pelo seu Espírito, não age mais do que pelo seu amor. O correr da sua vida é um movimento perpétuo que, sem impedimentos, sem relaxamentos, tende para Aquele que é a vida do Pai e que será em breve sua vida, e cujo nome é Vida nas Escrituras (Jo 14, 6). Este termo aproxima e o Senhor está com ela, a enche de Si mesmo e a estabelece numa graça tão rara, que só a ela se lhe ajusta; porque esta Virgem, escondida num canto da Judeia, desconhecida do universo, faz coro a parte na ordem da graça, tão singular ela é.”


Cardeal Bérulle, século XVII






Glória a Ti, Senhor,
neste dia que me é dado para enriquecer a minha vida
e embelezar a dos outros.
Senhor, ajuda-me a viver este dia
em comunhão com os meus irmãos e irmãs contemplativos,
que consagram a vida a louvar e cantar tua Pessoa,
a orar por nós,
a sacrificar-se por nós,
a suplicar por nós,
pelo nosso mundo que luta
esquecendo muitas vezes
que só Tu és a única Fonte de Vida
e o Autor de todo o Bem.
Com estas pessoas consagradas
que vivem constantemente unidos a Ti no claustro,
quero dar graças por tudo o que vem de ti,
ó Deus todo-poderoso.


segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Em solidão face ao Deus amado

No próximo 21 de Novembro, festa da Apresentação de Nossa Senhora ao Templo, a Igreja comemora o dia dos consagrados contemplativos; «muito devemos a estas pessoas que vivem do que a Providência lhes concede mediante a generosidade dos fiéis. O mosteiro, como oásis espiritual, indica ao mundo de hoje o mais importante, mais ainda, a final a única coisa decisiva: existe uma razão última pela qual vale a pena viver, que é Deus e seu amor insondável» (Bento XVI no Ângelus 18/11/07)
Monges, monjas, religiosas contemplativas…homens e mulheres fascinados pelo absoluto do Amor, foram um dia atraídos por Cristo que os convida a deixar tudo para segui-Lo, e assim vivem só para Deus, numa comunidade vinculada pela caridade, através de uma vida quotidiana ritmada pela oração, a escuta da Palavra de Deus e o trabalho.
Misteriosamente, no coração da Igreja e do mundo, eles participam nas alegrias e nas penas dos homens… na luta diária do homem.
Absorvidos por uma vida activa, os cristãos que permanecem no mundo, podem também eles procurar cada dia um tempo de recolhimento para se afastar das suas preocupações e actividades, e colocar-se em solidão face ao Deus amado. Pela contemplação e na caridade, eles entrarão nesta corrente incessante de louvor e de súplica que se eleva até Deus, em comunhão com os irmãos e as irmãs retirados nos seus mosteiros.





“E agora, homem do nada, foge por um momento das tuas tarefas, esconde-te dos teus pensamentos tumultuosos. Afasta agora as tuas pesadas preocupações, e põe para mais tarde as tuas tensões laboriosas. Vai ter um pouco com Deus, descansa um pouco n’Ele. Entra na cela da tua alma, tira de lá tudo, fica com Deus e aquilo que te pode ajudar a encontrá-l’O; porta fechada, procura-O. Diz agora de todo o coração, diz agora a Deus:

‘Procuro a tua face,
a tua face, Senhor, eu procuro.
Tu, Senhor meu Deus,
ensina o meu coração onde e como Te procurar,
onde e como Te encontrar.
Senhor, se não estás aqui,
onde Te procurarei ausento?
E se estás em todo o lugar,
porque não Te vejo presente?
Mas certamente habitas a luz inacessível.
Onde está a luz inacessível?
Como alcançarei a luz inacessível?
Quem me conduzirá e me introduzirá nela para eu Te ver?
Com que sinais, qual face devo procurar? (…)
Ensina-me a procurar-Te,
mostra-Te a quem Te procura,
pois não posso procurar-Te se não me ensinas,
nem Te encontrar se não Te mostras.
Que eu Te procure desejando,
que eu deseje procurando.
Que eu encontre amando,
que eu ame encontrando'.”


S. Anselmo de Cantuária

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O seminário é tempo de caminho

«Caros amigos, é este o mistério da chamada, da vocação; mistério que abrange a vida de cada cristão, mas que se manifesta com maior evidência naqueles que Cristo convida a deixar tudo para segui-Lo mais de perto. O seminarista vive a beleza da chamada no momento que podemos definir como "enamorar-se". O seu ânimo está cheio de admiração que lhe faz dizer na oração: Senhor, por que exactamente eu? Mas o amor não tem um "por quê", é dom gratuito, ao qual se responde com o dom de si.
O seminário é tempo destinado à formação e ao discernimento. A formação, como bem sabeis, tem muitas dimensões, que convergem para a unidade da pessoa: ela compreende os âmbitos humano, espiritual e cultural. O seu objectivo mais profundo é fazer conhecer intimamente aquele Deus que em Jesus Cristo nos mostrou o seu rosto. Para isso, é necessário um profundo estudo da Sagrada Escritura como também da fé e da vida da Igreja, na qual a Escritura permanece como palavra viva.(…)
O seminário é tempo de caminho, de busca, mas sobretudo de descoberta de Cristo. De facto, somente na medida em que faz uma experiência pessoal de Cristo, o jovem pode compreender verdadeiramente a sua vontade e em consequência a própria vocação. Quanto mais conheceis Jesus tanto mais o seu mistério vos atrai; quanto mais O encontrais tanto mais estais impulsionados a procurá-Lo. É um movimento do espírito que dura toda a vida, e que encontra no seminário uma estação repleta de promessas, a sua "primavera".»


Bento XVI aos seminaristas, Colónia, 19 de Agosto de 2005



«Queridos Diáconos e Seminaristas, a vós também que ocupais um lugar especial no coração do Papa, uma saudação muito fraterna e cordial.
A jovialidade, o entusiasmo, o idealismo, o ânimo em enfrentar com audácia os novos desafios, renovam a disponibilidade do Povo de Deus, tornam os fiéis mais dinâmicos e fazem a Comunidade Cristã crescer, progredir, ser mais confiante, feliz e optimista.
Agradeço o testemunho que ofereceis, colaborando com os vossos Bispos nos trabalhos pastorais das dioceses. Tenhais sempre diante dos olhos a figura de Jesus, o Bom Pastor, que "veio não para ser servido, mas para servir e dar sua vida para resgatar a multidão" (Mt 20,28).
Sede como os primeiros diáconos da Igreja: homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo, de sabedoria e de fé (Act 6, 3-5).
E vós, Seminaristas dai graças a Deus pelo apelo que Ele vos faz. Lembrai-vos que o Seminário é o "berço da vossa vocação e palco da primeira experiência de comunhão". Rezo para que sejais, se Deus quiser, sacerdotes santos, fiéis e felizes em servir a Igreja!»


Bento XVI na Basílica de Aparecida, 12 de Maio de 2007